O mundo real da arte

abril 11, 2012

Ricardo Kelmer 2011

O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

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De repente, no clímax da peça, a energia caiu, interrompendo o espetáculo. O teatro, que estava cheio, ficou um breu só. Um dos atores ainda falou, sua voz meio sem graça na escuridão: acho que temos um blecaute… Uma luz de apoio acendeu-se, iluminando levemente o palco. E enquanto a energia não voltava, tudo ficou suspenso, a plateia chocada, esperando em silêncio, e os atores constrangidos, sem saber o que fazer.

Naquela noite, a magia do teatro, que tanto nos faz viajar pra outras realidades, de um momento pro outro rompeu-se, e lá estávamos todos de volta à brusca realidade da sala, presos aos limites das poltronas. Durante aqueles intermináveis minutos, não era mais os personagens que estavam ali no palco mas os próprios atores, desmascarados. E foi chocante vê-los assim, subitamente impotentes, sem a proteção de seus personagens, sem a história a lhes dar sentido.

Porém… algo mais aconteceu. Enquanto as luzes voltavam devagar, nos demos conta que… estávamos sonhando. Sim. Percebemos, cada um de nós na plateia, que um minuto antes estávamos todos a sonhar, um sonho coletivo, e que sonhávamos deveras…

Quando, por fim, o ator anunciou que tudo estava normalizado e que o espetáculo seria reiniciado, não pudemos deixar de aplaudir, aliviados e eufóricos. E enquanto a peça recomeçava, nos conduzindo novamente pra dentro do sonho, agora sabíamos todos que havíamos vivido algo raro: o momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso, dando-nos a exata noção da fantasia e da realidade, e do quão tênue é a fronteira que as separa. Naquela noite, durante aqueles poucos minutos, todos nós estivemos nessa fronteira. Nem todos, porém, chegaram a se perguntar: e se, na verdade, aquele sonho é que é real?

Muitas vezes em minha vida eu me fiz essa pergunta. Olhava pro mundo ao meu redor e via as coisas erradas, a pressa de chegar a lugar nenhum, a violência banalizada, o medo de ser livre… Por alguns minutos tudo aquilo me parecia tão irreal, parecia exatamente o avesso da arte, ela que é sempre bela, livre e numinosa. Então me dava uma vontade louca de escapar daquele sonho ruim e saltar pro mundo da minha arte e lá morar pra sempre, todas as horas do dia…

Vou confessar uma coisa, não fala pra ninguém, tá? Eu saltei. Sim, saltei, e agora moro lá, no mundo real da minha arte. Mas deixei uma parte de mim aqui pra comer, tomar banho, pagar o aluguel, essas coisas. Vez em quando alguém mais chegado desconfia dessa estratégia mas por enquanto ela tem funcionado bem. O único problema é quando a energia cai, pois aí preciso enrolar a plateia até que o espetáculo possa continuar. Mas sei enrolar bem, falo do clima, do trânsito, que esse ano o tempo passou muito rápido. Lá no mundo real da minha arte eu sou eu mesmo, aqui sou o melhor ator canastrão de mim. Mas os dois são verdadeiros e um necessita do outro, assim como a arte que desperta a vida e a vida que sonha com a arte.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Imagem: montagem sobre foto de Walmick Campos, espetáculo O Cantil (Teatro Máquina)

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LEIA MAIS NESTE BLOG

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

> Todo mundo tem um lado cabaré – Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo

> A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Vingativas – Duas mulheres que raptam um ator famoso e, como vingança por ele tê-las desprezado, levam-no a um hotel, amarram-no e…

> Pelas coxias de Guaramiranga - Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

> Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

> Abalou Sobral em chamas – Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

> Textos sobre “arte” neste blog

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01- Maravilha, texto novo! E olha, ainda bem que vc saltou pro lado da sua arte. É por isso que eu te adoro. ;) Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – abr2012

02- Putz, ô sentimento bom agora! Te leio demais, torço demais por todas as tuas criações. Saltemos! ;) Rosa Emilia, Fortaleza-CE – abr2012

03- Somo nóis, capitão Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2012

04- E o que seria de nós em meio a esse black out do cotidiano da vida se não fosse sua coragem de saltar para a arte? Uma escuridão sem fim! E se você saltar de volta pra cá pode deixar que eu te empurro de volta. Maria Do Carmo Antunes, São Paulo-SP – abr2012

05- que bem que me soube entrar nesta dedicatória! :) Não podes saltar de volta, amigo, o mundo não aceita coxos. Além disso és a minha lagarta fumadora de ópio em cima de cogumelo! ;) Já sabes… eu sou “tua ídola”! ♥ Susana X Mota, Leiria-Portugal – abr2012

06- E eu saltando de ca! A reciproca e verdadeirissima! Beijos, Rica! Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – abr2012

07- Paula Izabela Texto nu, cru, verdadeiro e brilhante! Salve, Charlie! Meu amor literário, estão perguntando por vc aqui em Sousa. Saudade roxa! ♥ Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2012

08- Tallyta Paula Lindo! Gostei muito e acredito que Giovanna Torres,Victória Aurimar,Thiago Goméz, David Bandeira,Jooh Schneider,Gabriel Angelo,Marcio Rodrigues irão gostar também! Thalyta Souza, Juazeiro do Norte-CE – abr2012

09- Dá-lhe fera! Cesar Veneziani, São Paulo-SP – abr2012

10- Muito Legal, *-* Giovanna Torres, Juazeiro do Norte-CE – abr2012

11- Muito legal o texto mundo kelmeric, vc sintetizou com criatividade própria o mesmo paradoxo contido no conto de Théophile Gautier intitulado “A morte amorosa”, convido todos a sua leitura. Abção. André de Sena, Recife-PE – abr2012

12- Olha, achei um dos teus textos mais insólitos. eu li várias vezes naquele dia que tu publicou aqui. achei bem misterioso. e jungiano, né? esse lance do inconsciente coletivo, do sonho que vivemos sem perceber que tá tudo interconectado e claro, da tua relação com a tua arte. legal isso. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – abr2012

13- Voando!! Rs.. Abismo está quem se enfia nesse mundo doido e não quer voar! \o/ Amei a crônica! Bjsss e sucesso! Sabrina Carvalho, São Paulo-SP – abr2012

14- Demorei pra ler, mas valeu. Arretado, seu Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2012

15- eu ja li e gostei muito. Ana Luisa Rodrigues, Fortaleza-CE – abr2012

16- Só agora, vi e li…muito legal! Claro q lembrei…hehehe. Celia Terpins, São Paulo-SP – abr2012


Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Jardim das Ilusões

janeiro 5, 2012

Ricardo Kelmer 1996

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Escrevi esta letra em 1996 e Teófilo musicou em 2005. A ideia era incluí-la no seriado de humor Sonhos Urbanos, que acabou não indo pro ar. É um bolero daqueles sofridos…

- Pra ouvir e baixar

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JARDIM DAS ILUSÕES
Ricardo Kelmer e Teófilo
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Levei o teu campari emprestado
Devolvo depois com correção
Que pena, não deu certo, valeu
Beberei à nossa separação
O amor que tu me deste era de vidro
E isso que fizeste, um papelão
Trocaste nosso jardim de ternura
Pela aventura insana da paixão

Não te incomodes de regar nossa camélia
Ela definhou de aflição
As hortênsias murcharam na janela
E o amor-perfeito já não crê em ilusão

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> A celebração da putchéuris - A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

> Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

> A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

> O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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O sonho do verdadeiro eu

dezembro 25, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir
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Estou num bar em São Paulo com um velho e querido amigo e a sensação é de alegria e descontração; então digo pra mim mesmo, convicto: preciso morar nesta cidade.

Este foi o sonho, outubro de 2006. Quando acordei, lembrei dele e imediatamente fui envolvido pela sensação boa e verdadeira do sonho. De repente não tive dúvidas, subitamente estava tudo claro. Levantei de um pulo, fui ao computador e avisei aos amigos que me mudaria pra São Paulo e que aceitava dicas de moradia, qualquer pedacinho de chão pra dormir. Quinze dias depois eu deixava o Rio de Janeiro, onde ficara por dois anos, e pegava o ônibus pra capital paulista, disposto a recomeçar a vida e apostar tudo e mais um pouco nas coisas em que acredito. Eu não tinha nenhum bom contato profissional mas havia uma tal força imperativa no sonho que em nenhum momento duvidei de que fazia o que devia fazer.

Não é fácil recomeçar a vida aos 42 anos. Muito menos numa outra cidade, sem dinheiro, amigos e perspectivas. Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir. Mas haja insistência… Houve um momento em que não pude mais me manter e a única opção foi retornar a Fortaleza. Apesar de ser a cidade natal, eu sabia que, naquele momento, lá eu estaria um pouco mais distante de mim – mas eu precisava ir. Em Fortaleza trabalhei durante um ano até juntar a grana necessária pra poder voltar – e voltei. Profissão imigrante cultural.

Agora, cinco anos depois, sinto como se houvesse empreendido uma longa travessia e cruzado uma floresta escura, que já não está tão escura. Tenho uma editora, a Arte Paubrasil, pela qual lancei meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Em 2012 virá um novo livro, de contos fantásticos, o Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos. As dificuldades da carreira literária costumam destruir muitos sonhos, eu sei, mas como adoro um desafio, acho que estou na profissão certa e na cidade exata.

A pauliceia também me trouxe novos amigos e novas parcerias musicais. E instigou minhas verdades mais profundas também pelo lado do teatro. Foi aqui que nasceu o Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes, espetáculo poético-musical que criei pra homenagear meu poeta predileto. Como o centenário de Vinicius será em 2013, esperamos fazer muitas apresentações. E, pra Fortaleza não reclamar que esqueci dela, duas vezes por ano vou pra lá comandar o Cabaré Soçaite, minha querida festa dionisíaca na qual exercito meu lado produtor e animador de auditório. Literatura, teatro, música, poesia, cabaré – agora sim, eu sinto que estou vivo. Isso pode não dar muito dinheiro mas, em compensação, não há dinheiro que pague.

Em breve o ano vai virar. Mais um ano que sai, outro que entra, vida que segue. Geralmente as pessoas aproveitam pra começar um regime, acertam dívidas, fazem promessas. Eu, particularmente, acho que um bom momento pra começar a mudar é logo depois de acordar. É quando o sonho ainda está fresquinho na lembrança. É quando ainda nos envolve aquela certeza, poderosa e irracional, de que tudo que temos de fazer é ser quem verdadeiramente somos. E o resto vem na carona do sonho.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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PRÉ-VENDA DO NOVO LIVRO

Tô acertando com a editora a publicação de meu livro de contos fantásticos pro início de 2012. Como terei de bancar parte da tiragem, farei uma promoção de pré-venda. O leitor adquire seu exemplar antecipadamente com um bom desconto (R$ 20 com frete incluído), receberá antes mesmo das livrarias e terá seu nome na página de Leitores Especiais do livro. Envie e-mail para rkelmer(arroba)gmail.com que eu respondo enviando as contas pra depósito (HSBC, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco).

> MAIS SOBRE O LIVRO

> Arte Paubrasil – Livraria e editora

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LEIA MAIS NESTE BLOG

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

> A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> Todo mundo tem um lado cabaré – Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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01- Que você tenha muitos novos sonhos plenamente realizados ( sem tanto esforço, de preferência…) ! Voce é uma figurinha! Felicidades e muita Sorte, Ricardo! Sonia Weil, Londrina-PR – dez2011

02- Inspirador o seu artigo. Estava precisando de algo parecido. Maria Claudia Oliveira Paiva, São Paulo-SP – dez2011

03- É preciso sangue no olho, Ricardo. Parabéns pela tua iniciativa. Mas de que vale a vida se não corremos atrás daquilo que nos realiza? Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2011

04- Ricardo. Cada vez que leio o que vc escreve fico mais feliz pelo que vc esta fazendo. Sou seu fã de carteirinha. Abs. Ivan Martins, Fortaleza-CE – jan2012

05- Ando sumida,quietinha.Mas,adoro-adoro-adoro tudo que vc escreve,vc sabe. Vem livro novo???Oba! A editora é sua?A alienada aqui não sabia. Coisa boa ver vc produzindo e feliz da vida! Beijão grandão, Sua eterna fã. Mônica Mônica Burkle Ward, Recife-PE – jan2012

06- Graaaaande Kelmer, Espero que a presente missiva eletrônica o encontre em estado de total harmonia e felicidade. Obrigado pelo envio do texto, ótimo como sempre. Haroldo Barros, Recife-PE – jan2012

07- Grande Kelmão. Belo texto! Aproveitando, me põe aí na pré-venda pro Guia de Sobrevivência! Abraço. Marcelo Gavini, Fortaleza-CE – jan2012

08- Ricardo vc é fantástico em tudo que escreve,adorei…beijos Sou sua eterna fã… Liz Fernandes, São Paulo-SP – jan2012


Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Todo mundo tem um lado cabaré

outubro 24, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo
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Escrever e publicar livros é um grande desafio, que exige de mim muita entrega e dedicação. Também é algo muito desafiante me apresentar num palco pra homenagear meu guru Vinicius de Moraes – além de agradar ao público, é preciso que tudo seja digno de Vinicius, como se ele também estivesse assistindo.

No entanto, o Cabaré Soçaite é o meu desafio profissional mais delicado e complexo. Produzir essa festa é coordenar um evento onde centenas de pessoas não apenas dançam, bebem e se divertem – elas também se vestem e encenam suas fantasias sensuais, cada uma a seu modo, sem ensaio, e todas ao mesmo tempo. É um grande teatro ao vivo, espontâneo e dionisíaco, e que sempre traz surpresas.

Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim dá certo pois o clima de leveza e alegria sempre prevalece e todos se unem harmoniosamente na celebração do erotismo e da sensualidade. No fim o frio na barriga passou, ufa, e foi realmente uma experiência maravilhosa.

O evento possui um roteiro, claro, pois há atrações pré-acertadas, como shows musicais e números teatrais e de strip-tease, e há o concurso Musa e Muso do Cabaré, o ponto alto da festa. A trilha musical é selecionada com cuidado pra não fugir do clima de alegria, sensualidade e romantismo. O palco é ambientado no estilo salinha-de-cabaré e todos podem subir pra tirar fotos e serem filmados. No telão, cenas de filmes no tema cabaret contribuem pra formar o clima. Tudo que acontece no palco é registrado em foto e vídeo e, depois, um clipe com os melhores momentos da festa é disponibilizado na internet. Porém, apesar do roteiro, as surpresas sempre vêm pois é o público a grande atração, com suas vestimentas e suas performances, e a qualquer momento algo incrível pode acontecer. E sempre acontece.

Como mestre de cerimônias, preciso saber apresentar as atrações e deixar todos à vontade, e, como diretor geral do evento, tenho que conduzir da melhor forma os acontecimentos. Preciso saber equilibrar tudo isso, seguindo o roteiro mas, ao mesmo tempo, valorizando o inesperado. Como estamos lidando com sexualidade, qualquer descuido pode comprometer a harmonia da festa. Felizmente isso não acontece pois o clima geral de leveza e alegria contagia a todos e o que poderia ser tenso e arriscado acaba sendo belo e divertido.

Acho que o sucesso da festa se deve principalmente a dois aspectos. O primeiro é que todo mundo tem um lado cabaré. E o segundo é o cuidado com o público feminino: no Cabaré Soçaite são elas as clientes principais. As músicas e as imagens no telão são pensadas pra elas e lá elas se sentem seguras e à vontade pra viver suas fantasias de diva, colegial ou cortesã. Se elas se reprimem, preocupadas com o que os outros vão pensar, a festa fica travada, mas se elas se soltam e se divertem, então os homens as acompanham, encantados, e tudo vira uma brincadeira deliciosa. Como deveria ser sempre o erotismo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Próxima edição em Fortaleza: 29.10.11, Órbita
(clique pra ampliar)

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NO TELÃO DO CABARÉ

> Fotos e vídeos das edições do Cabaré Soçaite – Será que você aparece em algum?
> Marylin Monroe – Um arquétipo da sensualidade
> Dita Von Teese – A dançarina que reavivou o erotismo burlesco
> Chicago – O musical com Catherine Zeta-Jones, Renée Zellweger e Richard Gere
> Burlesque – O musical com Cher e Christina Aguillera
> Lua de Fel – Cenas do incrível filme de Roman Polasnki
> De Olhos Bem Fechados – Cenas do misterioso e sensual filme de Stanley Kubrick

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> Vídeos, fotos e história da festa

> Discoteca do Cabaré Soçaite – conheça a trilha sonora da festa

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Cio das Letras – Ensaio erótico 2

agosto 10, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Tá no ar a segunda parte do Cio das Letras, um ensaio erótico que fiz sobre amor, paixão e desejo. Utilizei poemas meus e letras de músicas que fiz com parceiros, além de montagens com imagens de mulheres muuuito especiais.

Como o ensaio faz parte dos Arquivos Secretos, somente Leitores Vips têm acesso. Então, você que é Leitor Vip pode conferir o ensaio acessando a postagem anterior. Ou clicando no link logo abaixo. Depois é só digitar a senha, que está nos e-mails mensais que você recebe com novidades do blog.

> Cio das Letras – Ensaio erótico 2 (VIP)

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> Cio das Letras – Ensaio erótico 1 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo

> Cio das Letras – Ensaio erótico 2 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo

> Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

> As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

> As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

> Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

> O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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DICA DE LIVRO

> A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua experiência de salvação através do amor e da submissão no sexo anal

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Protegido: Cio das Letras – ensaio erótico 2 (VIP)

agosto 10, 2011

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Demais

março 19, 2011

Ricardo Kelmer 1997

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DEMAIS
Ricardo Kelmer, 1997
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E nós que acordamos tarde
E rimos das manchetes matinais
O mundo é tão sério
O mundo lá fora tanto faz
E nós nos gozamos demais
Gozamos demais

E nós que não sabemos
O preço das salas comerciais
Mas alugamos nossos corpos
Pro amor que a tarde traz
E nós que lucramos demais
Lucramos demais

E nós que gargalhamos
Dessas pessoas tão normais
E corremos nus pelos telhados
Das crises internacionais
E nós nos amamos demais
Amamos demais

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Mais poemas e músicas de RK

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Cio das Letras – ensaio erótico 1

fevereiro 11, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Tá no ar a primeira parte do Cio das Letras, um ensaio erótico que fiz sobre amor, paixão e desejo. Utilizei poemas meus e letras de músicas que fiz com parceiros, além de montagens com imagens de mulheres muuuito especiais.

Como o ensaio faz parte dos Arquivos Secretos, somente Leitores Vips têm acesso. Então, você que é Leitor Vip pode conferir o ensaio acessando a postagem anterior. Ou clicando no link logo abaixo. Depois é só digitar a senha, que está nos e-mails mensais que você recebe com novidades do blog.

A segunda parte do ensaio será publicada em breve. Se alguma leitorinha se animar, por favor, não faça cerimônia, pode enviar uma foto sua pra participar também. Pra mim será uma grande honra!

> Cio das Letras – Ensaio erótico 1 (VIP)

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> Cio das letras – Ensaio erótico 2 – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo. Acesso livre.

> Cio das Letras – Ensaio erótico 1 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo. Exclusivo para Leitor Vip.

> Cio das Letras – Ensaio erótico 2 (VIP) – Poemas e imagens pra celebrar o erotismo. Exclusivo para Leitor Vip.

> Por trás do sexo anal – Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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SÉRIES ERÓTICAS DESTE BLOG

> As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi – A mais bela e safada história de amor jamais contada.

> As taras de Lara – Desde pequena que Lara só pensa naquilo. E ai do homem que não a satisfaz.

> Um ano na seca – O que pode acontecer a um homem após doze meses sem sexo?

> O último homem do mundoO sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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DICA DE LIVRO

> A entrega – Memórias eróticas (Toni Bentley, editora Objetiva) – A ex-bailarina filosofa sobre sua experiência de salvação através do amor e da submissão no sexo anal

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Protegido: Cio das Letras – ensaio erótico 1 (VIP)

fevereiro 11, 2011

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Cio das letras: Sandra Regina

dezembro 3, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Conheci Sandra Regina em julho, no sarau Sopa de Letrinhas, evento produzido pelo Vlado Lima. Depois ela assistiu ao meu espetáculo Viniciarte e me deu seu livro de presente. Sempre bom conhecer mulheres que não têm medo de fazer literatura erótica.

O texto sentido
Sandra Regina, poemas
Ilustração: Angela Giseli
1a edição, 2008, São Paulo-SP
Editora Limiar – editoralimiar.com.br

contato: sanrsouza(arroba)hotmail.com

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enquanto falo
Sandra Regina
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Enquanto a mão explora
A pele exposta
E contorna a forma firme
Que se mostra…
Enquanto a língua se enrola
Nos pêlos e faz o desenho da trilha
Que vai do umbigo à virilha
E é percorrida pelos dedos
Enquanto os lábios se molham
Na saliva que engulo
E misturo com o sêmen
Que me jorra por dentro
… Você lateja e me beija
completo e saciado
enquanto na boca guardo
(ainda ereto)
O gosto do falo

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Poemas e músicas de RK

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Roque Santeiro, o meu bar do coração

novembro 7, 2010

Ricardo Kelmer 2005

Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

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ROQUE SANTEIRO, O MEU BAR DO CORAÇÃO
Ricardo Kelmer 2005
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Em Fortaleza tem um bar
Que é boteco companheiro
Não tem nada similar
Já pesquisei o mundo inteiro
Por isso escrevo essa carta
Pra matar a saudade ingrata
Do meu bom Roque Santeiro

O Roque abre ao raiar do dia
Pense num boteco ideal
O cidadão chega se avicia
Pois não acha outro igual
A primeira vez vai curioso
Ouviu falar do bar famoso
Que é notícia de jornal

O Roque é patrimônio da cidade
Do Mucuripe é pura tradição
Acolhe gente de toda idade
Serve bem o liso e o barão
Vá de carro, a pé ou de charrete
Pare no quatro meia quatro sete
Da avenida Abolição

Quem atende é seo Moacir
Com alegria e sem estorvo
Traz logo o que você pedir
Sua presteza eu sempre louvo
Lá vem ele com a cerveja
Olha a panelada na bandeja
No capricho o pão com ovo

Se o freguês é bem tratado
A freguesa não pode reclamar
Na mesa ganha o melhor lado
O copo melhor que tem no bar
Moça bela que chega é um aviso
Ganha versinho de improviso
Seo Moacir é poeta popular

O cuscuz com boi ralado
Não pode faltar em sua mesa
O caldo de carne é um pecado
Levanta defunto com certeza
Cura até chiado no peito
Pela revista Veja foi eleito
O mais melhor de Fortaleza

A trilha sonora é o brega
Só os clássicos, sim senhor
Odair e Núbia Lafayette
Genival, Diana e Bartô
Pra curtir dor de cotovelo
Pra se acabar no desmantelo
E lembrar de um velho amor

No sucesso dessa casa
Brilha a alma feminina
Tem jeito sério de invocada
Mas o sorriso é de menina
A cozinha vai comandando
E os namoros combinando
Ela é a dona Orestina

Por favor sirva uma aqui
Enquanto que o Sol não sai
Me apaixonei por aquela ali
Mas que pena, ela já vai
Agora eu não tenho escolha
Bote logo o CD dos Pholhas
Toque She Made Me Cry

Bem distante e com saudade
Lembro de tudo com emoção
A caninha, o brega, a amizade
O amor escorado no balcão
Muito momento verdadeiro
Vivi no Roque Santeiro
O meu bar do coração

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> A celebração da putchéuris - A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

> Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

> A sociedade feladaputa de Geraldo Luz – Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

> O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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COMENTÁRIOS
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Vinicius, embaixador da arte e do amor

agosto 23, 2010

Ricardo Kelmer 2010

A promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas

Em 1969 o diplomata Vinicius de Moraes foi forçosamente aposentado, após 26 anos de serviços prestados no Brasil, Los Angeles, Paris, Roma e Montevidéu. A decisão do Itamaraty se deu no contexto do Ato Institucional no. 5, o famigerado AI-5, que a ditadura militar decretou pra conceder poderes extraordinários ao Presidente da República e suspender garantias constitucionais dos cidadãos. A alegação oficial era de que o comportamento boêmio de Vinicius não condizia com a carreira pública.

Na verdade a boemia foi apenas o pretexto. O que era realmente insuportável pra mentalidade ditatorial era ter, em seu quadro diplomático, um poeta da paz e do amor, artista de sucesso, homem popular e amado pelo povo. Vinicius não criticava abertamente a ditadura militar mas a paz, o amor, a liberdade e a alegria que exalavam de sua arte e de sua vida simplesmente não cheiravam bem aos militares.

Evidente que Vinicius ficou muito chateado pela exoneração, ainda mais com a justificativa que teria sido dada pelo governo do marechal Costa e Silva: “Precisamos limpar o serviço público desses bêbados, corruptos e homossexuais.” Mas ele não perdeu o bom humor. Conta-se que, ao reencontrar os amigos, Vinicius apareceu com uma garrafa de uísque debaixo do braço e foi logo dizendo: “Eu sou o bêbado, viu?”.

Autoexilar-se na Europa e juntar-se aos amigos que viviam lá – Vinicius até pensou nisso mas preferiu ficar no Brasil e continuar fazendo resistência política a seu modo, com sua arte e sua mensagem de amor e paz. Se oficialmente não era mais diplomata, na prática ele seguiu representando e divulgando a cultura brasileira pra velhas e novas gerações, no Brasil e no exterior, como nenhum diplomata jamais fez. Até que em 1980 ele deitou em sua banheira amiga e deixou-se morrer, vítima de um edema pulmonar. Ele se foi mas nos legou a herança de sua arte imortal e seu inspirador exemplo de vida.

Corta a cena pra 41 anos depois. Estamos agora em 16 de agosto de 2010. Nesse dia, em Brasília, numa cerimônia que conta com a presença de amigos e parentes de Vinicius, o presidente Lula assina sua promoção póstuma ao cargo máximo de embaixador, respondendo ao movimento popular que se articulara em pró da reabilitação e promoção de Vinicius. A imprensa de vários países noticiou o fato e certamente muitas garrafas de uísque pelo mundo foram abertas pra festejar a reparação histórica. Embora a exoneração tenha sido obra exclusiva de uns militares covardes e mal-amados, a promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas.

E eu, que comecei a amar Vinicius em minha adolescência, ainda estou aqui vibrando e brindando de contentamento. Mais que poeta preferido, Vinicius de Moraes é um guia que ilumina meu caminho com seu radiante exemplo de vida. E foi pra homenageá-lo que criei, em 2009, o espetáculo Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes. Levar às pessoas a vida e a obra de Vinicius, com humor e emoção, é pra mim um grande prazer. Mas também é a melhor maneira que eu poderia encontrar de dizer:

– Obrigado, poeta. Parabéns, embaixador.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA MAIS

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

> Vinicius, embaixador da arte e do amor – A promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas

> O poeta embaixador (direitoshumanos.etc.br, 16.08.10)

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VINICIARTE

- Agenda de apresentações

– Vídeo com trechos do espetáculo

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- A crônica é maravilhosa. Vinícius deixa tudo mais apaixonado… Trazer o VINICIARTE pra Fortaleza seria uma ótima! Aline Alcoeres, Fortaleza-CE – ago2010

02- Adorei o texto. Bj. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – ago2010

03- Adorei a cronica e repassei. Beijocas kelmericas. Ana Lucia Castelo, Newark – EUA – ago2010

04- Adorei a crônica! Mônica Burkle Ward, Receife-PE – ago2010


Naus de mim

julho 18, 2010

Ricardo Kelmer 2010


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NAUS DE MIM
Ricardo Kelmer 2010 – Melodia de Heraldo Goez
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Farol do meu porto eu sou
É que eu sou muitos demais
Naus a singrar pelo caos de mim
Buscando meus eus por onde eu vou
No vão de mim que a noite traz
E o eu que fica aqui no vazio do cais
Acena aos eus que no vento vão
Boa sorte, se percam não
Me achem a mim
E voltem em paz

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> Ouça e baixe a música

 http://www.mediafire.com/?g833j0w1c68d836

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Cartaz com poema. Pra copiar.

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001- Ri, nunca tinha lido Naus de Mim inteiro. É um poema que eu gostaria de ter escrito. Publiquei no meu mural. Quero que os amigos não-comuns conheçam. E nunca mais diga que não é poeta. É até sacanagem com a gente. rsrsrsrs. Bjo e boa-sorte. Se perca, não. Renata Regina, São Paulo-SP – jul2011


Insana paixão

maio 11, 2010

Ricardo Kelmer 2010


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Eu tinha 25 anos. Ela tinha a mesma idade e estudava psicologia com minha irmã. Era morena clara e seus cabelos negros lhe desciam em ondas pelas costas. Tão bonita, tão charmosa… E tinha uns olhos azuis que, aiai, me perturbavam o juízo. Me apaixonei. E passei a sonhar acordado com ela, dias, semanas, meses. Desejava-a em silêncio, secretamente, sem coragem de me aproximar. Por algum motivo achei que ela era mulher demais pra mim – homem tímido é uma merda. Cheguei a escrever um conto de paixão, inspirado nela, que minha irmã, a meu pedido, lhe entregou. Quem sabe ela gosta e quer me conhecer melhor, eu esperançava, sonhando em meus sonhos azuis. E ela? Ela até leu o conto e mandou dizer que era bonito, e agradecia. E só. E só segui eu em minha pequena tragédia de homem ridículo.

Um dia eu soube que a moça cantava. Sim, além de tudo ainda era um rouxinol. Nem precisava tanto. E fazia os vocais de apoio nos shows do Beto Barbosa em Fortaleza. Decidi que iria a um show, só pra vê-la. E fui mesmo, eu que nem gostava de lambada, veja só o desespero do cidadão. Hoje gosto, acho que por causa dela. Fui ao show sozinho, comprei o ingresso, caríssimo, e me postei pertinho do palco, copo de vodca dupla na mão, me sentindo um ET naquele ambiente. E lá fiquei por todo o show, absolutamente extasiado com a visão à minha frente, ela adocicando sua louca magia no palco e eu babando minha paixão anônima na plateia. Ela de saia e blusinha brancas, uma rosa no cabelo, descalça, tão linda e brejeira, tão reluzente, tão cheia de graça… Uma deusa. Uma deusa inalcançável. Definitivamente era mulher demais pra minha timidez.

Restou-me escrever um poema pra fechar de vez o capítulo dessa paixão sem futuro. E assim saiu Insana paixão. Que não mandei pra ela. Mas, disfarçadim na última estrofe, quinto verso, pinguei seu nome no poema, Germana. Feito a gota final de um sonho azul. Aqueles sonhos que se desmancham pra sempre na praia dos amores que não puderam viver.
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INSANA PAIXÃO
Ricardo Kelmer 1989
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O azul dos olhos a marejar
O som de um blues
Meu cruzeiro do sul
Teu azul-íris do mar

Tão azul a luz dança no ar
Blues serpentina
Mas tão fugaz é a retina
Teu azul que eu quis sonhar

Por onde você se engana
Tão distantemente minha?
Pra quem mente tua luz cigana?
Teus olhos quem cegarão?
Desejo é o germe que emana
De toda insana paixão

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Cartaz com o poema.
Clique na imagem pra ampliar.

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> Mais poemas e letras

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Blues pra esquentar ninfeta (Blues de luz neon)

abril 29, 2010

Ricardo Kelmer 2010

E a ninfeta maluquete acabou inspirando um blues bem quentinho, ideal pra suas noites frias, já que minhas mãos nem sempre estarão por perto

Eu morava em Fortaleza quando fiz a letra de Blues de Luz Neon. Foi numa noite de 2001, eu sozinho em meu quarto, secando uma vodca e pensando numa ninfeta maluquete com quem eu tinha um rolo. Carente, atazanada, rueira e olhar levado – vixe, a outra era um perigo. A gente na boate, ela dizia que tava com frio, coitadinha, e aí pegava minha mão e botava discretamente por baixo de sua blusa, pra esquentá-la, enquanto todos passavam pertinho sem perceber nada. Era cheia desses fetiches, a ninfeta. Ela nunca soube que foi ela a inspiração da letra, qualquer dia eu digo.

No ano seguinte mostrei a letra pra minha amiga Lily Alcalay, uma cantora incrível, que todo sábado rasgava o blues naqueles poéticos entardeceres praianos da barraca Opção Futuro promovidos pela Cristina Cabral. Convidei-a a participar da trilha sonora do meu romance O Irresistível Charme da Insanidade e dei-lhe um exemplar do livro. Ela leu, gostou e topou musicar a letra. Mas infelizmente o câncer em minha amiga seguia acelerado e a irmã morte a chamou algumas semanas depois. Lily até chegou a cantarolar pra mim a melodia que fizera, ela deitada em seu leito no hospital, mas sua voz tava tão fraca que não consegui escutar. Deixei o hospital triste, sem querer crer que Lily em breve nos deixaria, e deduzi que nosso blues, que eu jamais conheceria, partiria com ela pra sempre.

Aí entra em cena meu amigo Joaquim Ernesto, que foi proprietário do Cais Bar, o bar inesquecível. Ele também gostou da letra e pediu pra musicá-la. Pensei: se eu aceitar, estarei traindo Lily? Entendi que não pois, na verdade, aquele blues precisava mesmo sair, e seria uma homenagem a ela, a bluseira venezuelana-cearense arretada. Toma, Ernesto, a letra agora é tua, manda ver – eu disse. E tomamos uma pra comemorar o início da parceria. E outra por Lily.

Joaquim Ernesto musicou e em 2004 chamou Lúcio Ricardo pra gravar. Putz, que sábia escolha. Lúcio é um dos melhores intérpretes que já conheci. Sua voz rouca e seu jeitão rasgado de cantar incorporam maravilhosamente bem a alma do soul e do blues, é uma diliça. Pra mim é uma grande honra ter um blues gravado por esse cara. E acho que Lily foi devidamente homenageada. E a ninfeta maluquete acabou inspirando um blues bem quentinho, ideal pra suas noites frias, já que minhas mãos nem sempre estarão por perto.

O Irresistível Charme da Insanidade é a história de Luca e Isadora, o músico que conhece a mochileira taoísta e vive com ela uma louca aventura amorosa que os faz viajarem no tempo pra entender porque é tão complicado o amor deles. Esse blues que Lúcio Ricardo canta integra a trilha sonora do romance e, se você quiser baixar a música, é só clicar aqui.

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BLUES DE LUZ NEON
(Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto)

Quando esse blues
Tocar no sonho do seu coração
Devagar você vai despertar
Na madrugada
Bem de mansinho, assim
Vai lembrar de mim
Abra a janela do quarto
Lá fora no meio da rua brilha um letreiro
O luminoso do nosso amor é vermelho
Então sinta, viaje
Voe nesse tom
Foi pra você, meu bem, que eu compus
Esse blues de luz neon

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wirdpress.com

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Clipe: Blues de Luz Neon

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> Baixe o mp3 desta música

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Mais sobre Lúcio Ricardo (matéria)
- Jornal Diário do Nordeste, fev2009

Lúcio Ricardo canta Ray Charles (vídeo)
- TV O Povo, Música de A a Z (2009)

Lúcio Ricardo canta Eu vou rifar meu coração, de Lindomar Castilho, em versão blues – mp3

Lúcio Ricardo – Em cada tela uma história
(do histórico disco Massafeira, de 1980 – mp3)

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COMENTÁRIOS
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01- Adoro esta música! Lígia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2011

02- virei sua leitorinha e sua ouvintezinha rsrsrs. Renata Regina, São Paulo-SP – fev2011

03- A musica é tão gostosa e tão fascinante quanto o livro. Parabéns Kelmer por tanta criatividade! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – fev2011

04- Blues de Luz Neon é bárbaro, muy sensual. A tua fêmea de dentro não é moleza não – uma demônia linda, ninfeta, erótica, sexy, sedutora e muuuuy perigosa. Com este tipo de demônia quem é que pode? Até o diabo enlouquece. ;-) Patrícia Lobo, Salvador-BA – fev2011


Inspiración, essa vadia

abril 12, 2010

Ricardo Kelmer 1989

E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz

Inspiración… Os poetas de todos os tempos, eles sabem: não há nada, absolutamente nada igual a uma noite com ela. Por isso é que, apesar de não estar quente, achei necessário um bom banho. Troquei as calças e a camisa mas mantive o cabelo molhado e sem pentear, do jeito que ela gosta. Pus lençóis novos na cama e até pedi a uma das meninas da taberna que me emprestasse a escova de cabelos, uma do cabo de osso trabalhado, bem bonita, que ela comprou do marroquino. Inspiración é muito vaidosa.

Eu empresto, mas só se o poeta fizer um verso pra mim – ela negociou. As meninas adoram poesia. Sorri, fingindo que não esperava por aquilo. Mas era uma troca justa, uma escova por um verso. Então improvisei quatro linhas, a dona da escova sentada em meu colo, e, ao final, ganhei um beijo e a escova. E deixei a taberna, levando uma garrafa de vinho debaixo do braço e uma alegria mal disfarçada no canto da boca. Que ficassem e se divertissem eles, os amigos lascivos e as amigas embriagadas. Eu iria para casa, esperar por Inspiración. Nada como uma boa isca para atrair a cigana do imprevisível, os poetas sabem.

Maria de la Inspiración… Foram as meninas que me contaram que ela andava pelas ruas do povoado hoje de manhã. Que bela notícia…, pensei enquanto o som de seu nome me remetia às tantas alegrias que essa cigana desatinada me proporcionou durante a vida. Quantos versos lhe dediquei, cavalgando-a com paixão noites adentro? Poemas de saliva, rimas de sêmen, sonetos de suor…

É uma vadia, eu sei, eu sei, não precisa repetir. Todos sabem e não há poeta que não o saiba deveras. O povoado inteiro a conhece e as nossas pudicas mulheres a evitam quando ela, para alegria dos homens daqui, resolve aparecer. Mas isso certamente se trata de uma inassumida inveja por parte dessas respeitáveis senhoras recatadas e sem graça. Por não terem os homens na mão como os tem a cigana adorável. Tão bonita que nem precisava tanto. Ardente como nenhuma delas jamais poderá ser, de tão preocupadas com a vida alheia. E o vinho mais forte, creia, não embriaga tanto quanto a visão de seu corpo nu.

Mas vadia. Dona de uma inconstância irritante. Como adivinhar o que pensa, saber o que realmente quer? Costumo lhe dizer que ela é como são todos os felinos: aparecem quando não se espera e se os chamamos, não vêm. Ela? Ela apenas ri, vaidosa da própria crueldade. Sim, ela é muito cruel. Usa e abusa de decotes generosos, servindo os seios em bandeja para a fome da noite. E se realiza, sim, como se realiza, sob os olhares dos homens. Então creio mesmo que deva se alimentar dos desejos alheios, a danada.

É fácil percebê-la numa festa: duas ou três canecas de vinho e lá está Inspiración caminhando por entre as mesas, toda faceira e provocante, aceitando de bom grado vinho e elogios. Claro, desnecessário dizer que sua simples presença deixa enlouquecidos os árabes: da última vez presenciei meia dúzia de confusões. Os mais velados arregalam os olhos e coçam os bigodes – mas lhes transparece pela cara o que se lhes passa na cabeça. Não creia, no entanto, ser possível subjugá-la. Ouse dominá-la e verá que escapole feito água entre os dedos. Submete-se apenas se lhe for vantajoso. Inspiración é tão fugaz quanto o brilho daquela estrela cadente.

E quando tenho a certeza de que homem nenhum a fará abrir as pernas essa noite, eu inclusive, eis que vejo a vadia deixar a taberna de braços com o embriagado catalão, tão deslumbrado com a sorte que pagou bebida a meio mundo.

Eu a amo. Com desprezo, doçura e paixão, não nego. Mas essa sua volubilidade eterna nunca me dá tempo de me preparar. Aparece de surpresa em lugares ou situações que eu jamais esperaria. Surge de repente e eu, desprevenido, sinto-a irresistível insinuar-se lânguida pela minha virilha, as costas, o pescoço. E não adianta argumentar, seu signo é a urgência. Desejo não é coisa que se adie, ela sempre diz. E não é mesmo, não é mesmo, descobre a cada vez meu corpo vertido em beijos, minha alma convertida em versos.

Às vezes me enche de ciúmes, a diaba. Vejo-a na mesa de outros homens, sorridente, generosa. Mas não me permito levá-la tão a sério. Sorrio e entendo sua alma alegre e infantil. E quando inventa de dançar? Aí sim, é a própria expressão da felicidade. Solta os cabelos negros e com eles chicoteia o ar. Joga longe os sapatos e vai, rodopiando ao ritmo das palmas, tão cheia de graça e tão exata que penso se realmente não terá sido a dança inventada para ela. Seus movimentos aprisionam os olhares e os homens se deliciam com a mais remota possibilidade de possuírem-na, e babam e gesticulam e se ensurdecem de tantos gritos e exclamações desvairadas. As meninas da casa são suas amigas e ela sempre lhes traz roupas e enfeites e faz revelações pelas cartas sem cobrar. É uma dádiva essa cigana.

Marca encontros e me faz esperar em vão. Outras vezes acha de aparecer na pior hora possível. Rejeita meus versos em noites sem lua e em outras noites se deleita com eles e os deposita carinhosa em seu decote enluarado. Previsível é coisa que Inspiración jamais conseguirá ser, não há jeito.

Mas certas iscas costumam dar resultado, sim. Por isso é que vim para casa mais cedo, deixei para trás a festa na taberna. A noite agradável, o vinho, o azeite da candeia renovado, meu corpo de banho tomado… Mel de atrair abelha.

Armadilha…, Inspiración dirá, já posso ouvir, o sorriso que eu já sei nos lábios vermelhos. Então servirei mais vinho, apaixonado pelo seu pentear-se ao espelho, o cabelo negro languidamente acariciado pela escova a que ela não resiste. O corpo inflamável sob o vestido de pano fino… Candeia acesa em monte de feno seco… – eu já me vejo escrevendo depois sobre suas costas nuas, inspirado .

– O poeta está ficando ordinário – ela sussurrará, virando-se na cama e me roubando um beijo. E eu, que certos escrúpulos já perdi:

– A gente se merece…

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro Vocês Terráqueas - Seduções e perdições do Feminino

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

EmBuscaDaMulherSelvagem-02base4c

> A mulher selvagem - Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

> A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

> Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

> Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

> As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

> Medo de mulher - A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

> Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

> Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

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LIVROS

> Mulheres que correm com os lobos - Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés -  Editora Rocco, 1994)

> A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

> As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

> Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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CABARÉ SOÇAITE

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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01- Achei lindo o conto da cigana. Como diria Oswaldo Montenegro em sua musica, “Virtuosa e profana Pra cantar o sol. Dança, dança, dança pra cantar o sol Todo ao amor que emanar, pra cantar o sol Fiz do meu corpo cabana Pra cantar o sol…” e por aí vai. Acho que essa coisa de mistério que envolve os nômades é que faz tudo ficar ainda mais encantador, lindo!! Marcia Morozoff, Brasília-DF – jan2006

02- Viva a você, caro amigo. Nos delicia com tuas linhas sempre sinuosas como uma bela e incomível cigana. Viva o Phoder da palavras bem ditas e mal ditas idem Só para te passar um grande abraço. Maninho (Aluisio Martins), Fortaleza-CE – jan2007

03- costumo fugir do mundo real ás madrugadas no bate papo do meu estado…meu personagem é esssa mulher sobre quem ecreveu…assim me visto assim me imponho. sou conhecida como “vadia”. meus devaneios ficam apenas alimentando ou atormentando espíritos inocentes me sinto gostosa faço meus parceiros delirarem…é tudo virtual, não permito encontros mas eles só descobrem isso quando já estão envolvidos enebriados, seduzidos…e eu me vou deixando-os livres…para sonharem comigo. bjs amigo. Diva, Macapá-AP – abr2007

04- Curioso. Será a musa, sempre feminina? Se pensarmos nela como “Inspiracion”, sim. Sempre sim. Alma, fada, algo diáfano que se deixa penetrar pelo espírito masculino. Mas quem (ou o quê) inspira as mulheres a escrever? Levanto a peteca porque o Ricardo nos dá uma imagem feminina da inspiração assim como fizeram os escritores de todo o Mundo. Digamos então que existe a ECLOSÃO. E que esta, apesar de substantivo feminino, é notoriamente masculina. Assim se chama meu “muso”. E ele chega como um Cavaleiro do Fogo, um Príncipe de Bastões me obrigando a fazer sua vontade. E escrever que nem uma louca, num astral de emergência. Por falar nisso, por onde andará meu cavaleiro? Monica Berger, Curitiba-PR – ago2007

05- A colocação da mulher, que mesmo sendo vadia, tem todo o encantamento do homem… lindo! Será que todas nós temos um pouco de Inspiración? Mulheres masculinizadas… isso no sexo masculino agora tem até nome, e é: metrossexualismo! Concordo no ponto em que mulheres devem exigir direitos iguais, mas não perder o jeito feminino! Talvez isso pareça contraditório para algumas pessoas… Pamela Bathory, Juiz de Fora-MG – set2007

06- O texto da Inspiración é um de meus favoritos. Aprecio a Espanha (que duplo sentido! rs) e, como danço Salão, já me arrisquei no flamenco…Enfim. O conto é maravilhoso e, ao contrário da comentarista anterior, eu não diria ‘apesar de ser vadia’, mas justamente por sê-la. Engraçado como as pessoas sempre intepretam um sentido pejorativo nisto… Estou ansiosa pelo novo livro, e sempre estarei passando por aqui para conferir os novos escritos. Abraços. Mariana Melo, Maceió-AL – set2007

07- Talvez todas mulheres sejam Inspiración, não que sejam vadias, mas que seja mulher, que não sejam marrentas; mulheres que tem suas curvas, saliências e reentrâncias. Um bom conto. Abraços! Kelly Cristina, Fortaleza-CE – set2007

08- Correndo o risco de estar um pouco atrasada, mas gostaria de dizer que achei muito lindo o texto sobre a Inspiração, rsrs, uma vadia! a frase que mais gostei foi: “à minha maneira eu a amo. Com desprezo, doçura e paixão”. Essa mulher me lembra Lilith. Adoro Lilith. Um abraço, e que Inspiración te acompanhe! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007

09- Inspiración vadia é tão linda!!!!!! CIGANA DO IMPRVISÍVEL É DEMAIS!!!! Beeeijo calliente na tua Alma Cigana Na tua Bela e Perigosa Inspiración. Patrícia Lobo, Salvador-BA – jun2011



VINICIARTE – Cenas do espetáculo

abril 5, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Oba! Tá no ar mais um vídeo do VINICIARTE. Este novo vídeo tem duração de 7m46 e contém trechos de algumas apresentações realizadas em 2010. Pra quem ainda não conhece o espetáculo, dá pra ter uma boa ideia. Acho que nesse vídeo conseguimos passar um pouco do clima de poesia, romantismo e humor que rola no Viniciarte, as músicas e os poemas, a interação com a plateia, o charme do improviso, as brincadeiras com o Bedê… E, é claro, o encanto da voz e da beleza de nossa cantora Vanessa Moreno.

VINICIARTE - Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes

ENREDO: Três amigos ensaiam o espetáculo sobre Vinicius de Moraes que apresentarão em 2013, no ano de seu centenário, mostrando poemas, músicas e fatos curiosos sobre a vida do poeta. No clima descontraído do ensaio, entre erros e acertos, eles descobrem as variadas facetas de Vinicius e sua real dimensão na cultura brasileira.

TEXTO E DIREÇÃO: Ricardo Kelmer
COM o escritor Ricardo Kelmer e os músicos Vanessa Moreno e Moacir Bedê

APRESENTAÇÕES MENSAIS no Esp Cult Alberico Rodrigues (Pça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros – SP-SP)
> PROX. APRESENTAÇÕES

VENDAS para escolas, empresas, clubes e hotéis
Leve o Viniciarte até SUA CIDADE!
Celia Terpins – 11-9129.1530 – celiaterpins@gmail.com

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01- To contando os dias pra isso! beijos! e divulgarei bastante entre meus amigos! Bruna Barreto, Fortaleza-CE – abr2010

02- Tomara que um dia vocês e o Poeta da Paixão baixem aqui neste Terreiro de todos os Deuses, Demônios e bruxarias! Beeeeijo ser de mil e uns… talentos!!!! Que as Musas estejam sempre contigo!!!! Elas cataram todos os pedaços de Orfeu da Paixão despedaçado. Por que será que as mulheres dionisíacas dilaceraram Ele todinho? Por que, RK? Se tu tiveres uma pista diz pra mim, ok? ORFEU DA PAIXÃO SEMPRE ME ATAZANOU TAAAANTO!!!! NEI SEI A RAZÃO, MAS TU, VINÍCIUS E ORFEU CHEGARAM AGORA NO MESMO PACOTE. SERÁ O PACOTE DOS MARCADOS/FERRADOS COMA A MARCA DA PAIXÃO? MISTÉÉÉRIO….! Patrícia Lobo, Salvador-BA – abr2010

03- queria ver…vem para os USA…haha – Tatiane Falcon, Lake Ozark-EUA – abr2010

04- Sinto-me orgulhoso por ter na programação do Espaço Cultural Alberico Rodrigues o espetáculo VINICIARTE, um dos mais bonitos eventos que já se apresentaram na casa. A atuação dos artistas Ricardo Kelmer, Vanessa Moreno e Moacir Bedê encanta a todos. Alberico Rodrigues, São Paulo-SP – abr2010

05- Acabei de ver no blog o vídeo do viniciarte!!!!está muito bom !!!!! Será que posso começar a me animar em vc por aqui?me conta seus planos!!!!!!!!!!!!!!!!bjss saudades!!! Ana Maria Alcântara, Rio de Janeiro-RJ – abr2010

06- Meu querido e genial amigo Ricardo! Que espetaculo Maravilhoso! Vem para o Canada!!!!!!! Andrea – Windsor-Canadá – abr2010

07- vc sempre envolvido em projetos, q massa! Maria do Rosário Araújo, Campina Grande-PB – abr2010

08- Super bacana, Ricardo! Traz esse evento pra terrinha, traz!! Quero ser uma das primeiras a sentar à mesa com o poetinha e … poetar! Meire Viana, Fortaleza-CE – abr2010

09- vi o video do Viniciarte. Tao bonitoooo e, mais ainda, de paletò! Vou trazer uma gravata italiana pra voce. :P Aluska, Campina Grande-PB – mai2010

10- Estive no espetáculo em homenagem a Vinicius de Morais e parabenizo o elenco, músicos , cantores e poétas pela maravilhosa atuação! Grande Abraço! Marcia Villela, São Paulo-SP – jun2010


Flor púrpura

março 10, 2010

Ricardo Kelmer 2003

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Pari a letra de Flor Púrpura em 2003 e meu parceiro Joaquim Ernesto a musicou e gravou no ano seguinte. Quem canta é Edmar Gonçalves. Ficou um tango daqueles bem dramáticos, ideal pra se ouvir antes de cortar os pulsos.

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FLOR PÚRPURA
Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto


Se eu te fiz sofrer no passado
Se eu te fiz chorar, perdoa, amor
Hoje sei como dói o amor negado
E desesperado te peço por favor

Se soubesses a dor que sinto
Te ver com alguém que não sou eu
Eu finjo, eu dissimulo, eu minto
O peito a arder pelo beijo teu

Volta pro cantinho que é nosso
Concede a chance que não te dei
Genuflexado nos grãos desse remorso
Eu choro o dia em que te desprezei

Eu falo mas não queres nem saber
Eu choro mas tu não escutas não
Quero apenas que venhas me ver
Quem pede não sou eu, é a compaixão

Uma vez só, por favor, é a última
Prometo não te pedir mais não
Vem e não esqueças da flor púrpura
Para enfeitares meu caixão

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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MAIS MÚSICAS KELMÉRICAS

Os The Breg Brothers, Intocáveis Putz Band, parcerias kelméricas…

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Clipe: Viniciarte 2009

dezembro 9, 2009

Ricardo Kelmer 2009

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Tá no ar o vídeo-clipe do Viniciarte. As fotos foram feitas em apresentações no Esp Cult Alberico Rodrigues e as cenas numa apresentação no Acre Clube (out2009). Pra ver em tela maior e melhor definição, acesse o YouTube.

Próximas apresentações em São Paulo:
> 19dez
, sab, 20h – R$ 15
> 31jan, dom, 19h – R$ 20 (meia: R$ 10)
Esp Cult Alberico Rodrigues (Pça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros)
RESERVAS: 11-3064.3920
Ver Agenda

VINICIARTE - Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes

Três amigos ensaiam o espetáculo sobre Vinicius de Moraes que apresentarão em 2013, no ano de seu centenário, mostrando poemas, músicas e fatos curiosos sobre a vida do poeta. No clima descontraído do ensaio, entre erros e acertos, eles descobrem as variadas facetas de Vinicius e sua real dimensão na cultura brasileira. Com Ricardo Kelmer, Vanessa Moreno e Moacir Bedê.

TEXTOS E DIREÇÃO: Ricardo Kelmer
COM o escritor Ricardo Kelmer e os músicos Vanessa Moreno e Moacir Bedê
VENDAS: Celia Terpins, 11-9129.1530 (celiaterpins@gmail.com). Para empresas, escolas, clubes, hotéis, congressos e espaços culturais.
IMAGENS: Bia Rocha (cartaz), Ricardo Ravache (filmagem), Gilberto Vieira, Thais Polimeni, Marcio José March e Maíra Soares (fotos)
EDIÇÃO: Ricardo Kelmer
APOIO: Letra de Bar e Esp Cult Alberico Rodrigues

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> Agenda de apresentações do Viniciarte

> Vídeo-clipe do Viniciarte (2009)

> Câmara aprova promoção de Vinicius de Moraes, morto em 1980, a ministro de primeira classe (O Globo, 10.02.10)

VINICIUS DE MORAES – SITE OFICIAL: viniciusdemoraes.com.br

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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01- Traga o espetáculo para o sul!! Estevan Bombonatto, Passo Fundo-RS – nov2009

02- Viniciarte é show!!! Marcio José March, São Paulo-SP – dez2009

03- Algo inédito, íntimo, faz a gente se sentir parte do show. Pelo texto, interpretação do Ricardo, voz afinadíssima da Vanessa e o talento incrível do Bedê, nota 1000. Merece ir adiante em maiores plateias. Já recomendei e recomendo a meus amigos, porque vale muito assistir Viniciarte. Marcix, Grupo Uva Passa, São Paulo-SP – mar2010

04- Parabens pelo seu blog..è maravilhoso , adorei nunca tinha visto um blog tao lindo.Parabens pelo conteudo, pelo nosso V.morais. Rossana Koepf, Fortaleza-CE – mar2010

05- É um presente assistirmos ao Viniciarte,pois existe uma química muito forte entre os artistas,a platéia e à tudo o que representa Vinícius de Moraes. Bia Rocha, São Paulo-SP – mar2010

06- Bem que vc poderia trazer esse evento: VINICIARTE – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes pra Fortaleza! rsrsrs aguardo ansiosa! abraços!!!!! Bruna Barreto, Fortaleza-CE – mar2010

07- Sinto-me orgulhoso por ter na programação do Espaço Cultural Alberico Rodrigues o espetáculo VINICIARTE, um dos mais bonitos eventos que já se apresentaram na casa. A atuação dos artistas Ricardo Kelmer, Vanessa Moreno e Moacir Bedê encantam a todos. Alberico Rodrigues, São Paulo-SP – abr2010


Viver como Vinicius viveu

novembro 14, 2009

Ricardo Kelmer 2009

Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!
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Vinicius voltou pra mim, ô maravilha. Na verdade, o poetinha nunca se foi eu é que, em face de outros encantos, esqueci o quanto dele se encanta meu pensamento. Curioso como a gente consegue se afastar dos nossos valores mais essenciais. Um dia, plim!, a ficha cai e a gente se assusta por ter vivido tanto tempo sem viver as nossas mais belas verdades, aquelas que fazem a gente se sentir vivo em cada vão momento.

Invoco agora as lembranças pra tentar entender. Lá vai eu, menino bobo de dez anos, dar de presente pra professora uns versinhos que meu pai me ajudava a fazer. Depois o adolescente a descobrir a força das erupções: da poesia e das espinhas no rosto. E nos poemas, sempre ela, a Mulher, primeiro nas rimas ingênuas das paixonites não correspondidas e, depois, nos versos livres dos amores juvenis pelas mesas dos botecos. E, pairando sobre aqueles dias, Vinicius a espalhar seu canto.

Nas rodas de violão da década de 80, eu sempre pedia Vinicius, pra rir meu riso e derramar meu pranto. Nas viagens de ônibus pelo país, seus livros pra passar o tempo. Na inauguração do bar do amigo, olha eu, solene e copo na mão, recitando Receita de mulher. No festival de vídeo, olha lá eu de novo, no palco a agradecer o prêmio e o vídeo era uma homenagem ao velho Vina. E nos ouvidos rendidos da mulher amada, é minha boca que pousa suave a lhe sussurrar os versos do poetinha. Poesia, música e amores, e o fascínio quase religioso pelo Feminino era só isso que importava. Viver não era preciso. Necessário apenas viver como poeta, seja com pesar ou contentamento. Como Vinicius viveu.

Invadindo meus dias sem pedir licença, eis porém que chegam outros tempos, vestidos de anos 90, e com eles outros bares, outras viagens, outros livros e músicas, outras mulheres, uma outra vida. E um casamento difícil, com a carreira de escritor, em nome da qual eu ganharia e também abdicaria da própria vida. Meus discos do Vinicius, nem gosto de lembrar, se perderam nas tantas mudanças e seus livros eu precisei vender no sebo pra pagar o aluguel, essa mensal angústia de quem vive. Na memória, os poemas deram lugar a fórmulas de sobrevivência como escritor. E o viver como ele viveu, ah, isso foi ficando cada vez mais espremido num cantinho da vida.

Ela quer um poema agora, Vina, exclusivo pra ela. Como você fazia nessas horas? (1993)

Casadão com a carreira, mudo pro Rio de Janeiro em 1995 e no ano seguinte pra São Paulo. Porém, sem conseguir me manter como escritor, volto pra Fortaleza. Sete anos depois tento novamente o Rio, viro roteirista de TV, e em 2006 aporto mais uma vez na Pauliceia, viro palestrante e professor de roteiro, tudo pra sustentar esse casamento. Uma noite vem a ideia de montar uma palestra nova e é então que a ficha cai: uma palestra sobre Vinicius. Plim! Como não pensei nisso antes? A ideia rapidamente evolui: montar não uma palestra, mas um espetáculo sobre o poetinha. Viniciarte. Pliiimmm!!!

Imediatamente tratei de reler suas obras e reuni novamente suas músicas, faminto desse amor que um dia eu tive. Mergulhei em biografias, vi filmes e conversei com pessoas que o conheceram pessoalmente. Em busca de algo que bem representasse o espírito de sua vida e obra, criei um roteiro que simula o ensaio do espetáculo que um grupo de amigos fará sobre ele: amigos reunidos, uísque na mesa, clima descontraído, os erros e acertos de um ensaio e, entre poemas e canções, eles descobrindo as diversas facetas de Vinicius e o encanto do mundo por sua arte. É uma montagem simples, que espero que reflita a alma leve e despojada de Vinicius, assim como também a singeleza, a emoção e a devoção à Vida que tão bem marcaram sua obra e seu viver.

De Pitú pra Chivas. Pelo menos nisso, poetinha, eu evoluí. (2009)

Uau… Eu consegui ressuscitar a velha chama que vinte anos atrás aquecia de imortalidade os meus dias, minha vida andava precisada disso. Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista putz, tem sido tão gratificante fazer isso! Espero que eu realmente seja digno dessa tarefa a que me incubi e que, pensando bem, é antes de tudo um resgate de mim mesmo. Que ironia isso… Enquanto despendia toda minha energia pra manter meu casamento com a escrita, esqueci de viver como poeta. Bem, meu casamento continua firme mas agora sou um escritor que sabe de algo valioso: maior que a sina da escrita, é ela, a poesia da vida, que faz tudo ser infinito enquanto dura.

Saravá, Vininha, saravá.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Câmara aprova promoção de Vinicius de Moraes, morto em 1980, a ministro de primeira classe (O Globo, 10.02.10)

> VINICIUS DE MORAES – SITE OFICIAL: viniciusdemoraes.com.br

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VINICIARTE

> Seção Viniciarte, agenda de apresentações

> Trechos do espetáculo

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01- Onde já se viu, criatura, casar com a carreira e abandonar a tua belíssima FÊMEA DE DENTRO? Tá dooooido? Lembra do que tu escreveu sobre fascínio religioso pelo feminino? Pois é… Andastes des-ligado DELA? Entonces, se re-ligue. De fascínio ao religamento, já imaginou RK? FODAS RELIGADORAS BÁRBARAS! GOZOS TRANSBORDANTES! Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2009

02- Oi Ricardo, Tudo bem? Adoro ler o que escreve, pena não poder entrar no seu blog aqui do computador do meu trabalho. Torço por vc e que a inspiração seja sua eterna companheira. Parabéns!! Abraços. P.S.: Lembrando: Sou aquela moça do bolo de choclate que vc não comeu…rsrsrsrs. Fátima, Brasília-DF – nov2009

03- cara, vc realmente escreve muuuuito bem! aproveitar frases dele, encaixar tão bem nas suas… PARABÉNS!!!! me emocionou, assim como os poemas do poeta… bjão. Celia Terpins, São Paulo-SP – nov2009

04- Vinícius bom é Vinícius poeta… o “poetinha” é machista e duro do ouvido! Emblemática é a correspondência entre Chico e ele (Chico, o ouvido perfeito….). Em Valsinha, Vinícius sugere q mude “vestido decotado” para “vestido dourado”. Chico responde q com “dourado” a tônica fica na sílaba errada… É verdade: qtas pessoas vc conhece q compõem letras e não se ligam nisso? Ficaria “douradú”… em vez de “dourádo”, ou, como ficou, “decotádo”. bjs. Betty, São Paulo-SP – nov2009

05- Olá Ricardo, gostei muito da sua crônica. O mais engraçado foi a leitura desse texto justamente hoje, quando deixei de fazer umas coisas super-chatas e decidi vir para casa fazer algo mais bacana… Um abraço. Glauber Moura, Brasília-DF – nov2009

06- So good Kelmer. Juliana Guedes, Fortaleza-CE – nov2009

07- RK, é por estas e outras que vc será meu eterno Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – nov2009

08- Legal conhecer gente do bem, do bom, da boa…embriagado da mais pura poesia e boemia. 2013 promete! Q suba o país, viniciando com K. Muito bom ouvi-lo! Repassei aos amigos q não desistem de navegar pela vida, apesar de tantos desencontros. Parabéns! Marcia Matos Barbosa, Fortaleza-CE – nov2009

09- Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você…. Danielle Fernandes, Fortaleza-CE – nov2009

10- Que texto lindo!!! Adorei!!! Gosto muito do seu jeito de escrever….jeito que encanta, que dá vontade de quero mais……. rs Abração aí!!! Biah Carfig, São Paulo-SP – nov2009

11- Kelmer com K, este teu momento de retorno às fontes é muito bonito! A vida é espiral. Beijo, e boas inspirações! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – nov2009

12- ameiiiiiiiiiiiii,muitooooooooooo lindo!!!Sampa está te fazendo muitoooooooooo bem meu amigo queridoooooooooooo!!!estou te achando mais forte,maduro,sensível,escrevendo melhor ainda,enfim tudo de bommmmmmmmm. Beijossssssssssss mil. obs:bjssssssss no Bedê. Cristina Cabral, Fortaleza-CE  – nov2009

13-Saravá, Ricardo! Saravá Vininha! Continue, continue… Ana Gilli, São Paulo-SP – nov2009

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

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