Guia do Escritor Independente
Como publicar seus livros e gerenciar a carreira literária
(Dicas, Miragem Editorial/2007)
As mudanças na sociedade e as novas tecnologias possibilittam cada vez mais aos escritores a possibilidade de desenvolver suas carreiras sem necessariamente estarem ligados a alguma editora. Hoje é possível publicar, divulgar e vender os próprios livros usando-se a internet e outros meios alternativos, baratos e eficientes.
Com sua experiência no mercado editorial oficial e alternativo, o autor resume neste livro as ideias que divulga em suas palestras e oficinas, mostrando que os novos autores podem gerenciar a própria carreira, publicando e vendendo seus livros, conquistando seu público e realizando, assim, o velho sonho de ser escritor.
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Cap 3
AUTOGERENCIAMENTO
Este trabalho visa incentivar autores independentes a publicar seus livros mas também a aprender a gerenciar a própria carreira. Sem esse autogerenciamento, a coisa é ainda mais difícil.
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o que é ser independente?
Pode-se dizer, de modo geral, que um escritor é independente se ele tem seu trabalho desvinculado das editoras tradicionais. Entretanto, ainda que possua livros publicados por editoras, o escritor pode adotar uma posição relativamente independente. Por exemplo, ele pode manter certos trabalhos fora do mercado oficial, publicando e vendendo seus livros no circuito alternativo. E por que faria isso? Talvez porque nenhuma editora tenha se interessado por esses trabalhos e ele não os deixaria no fundo da gaveta. Ou talvez porque deseja ter total controle sobre algum trabalho, o que não acontece quando se publica através de editoras.
Ainda que possua apenas livros publicados por editoras, o autor pode manter certa postura que o ligue ao estilo independente, como vender seus livros mais barato através de um site próprio, criar promoções e fazer sorteios e estabelecer algum tipo de contato direto com seus leitores. Isso é mais complicado no caso de escritores famosos, claro, mas mesmo para esses é possível manter certa postura independente.
Nem todo escritor, porém, gosta dessa ideia de independência, circuito alternativo e coisa e tal. Alguns querem apenas escrever seus livros, receber seus direitos autorais e o resto não lhe interessa. Mas há escritores, assim como certos artistas, que se sentem comprometidos com sua independência e com certos conceitos ligados ao mundo alternativo que falam de liberdade, igualdade e democratização da informação. Para esses escritores, não basta vender seus livros: eles querem que os livros sejam mais acessíveis, que mais pessoas gostem de ler, que ler um dia seja visto como necessidade básica. Muitos escritores e artistas famosos até desejam tudo isso, é verdade – mas não tomam qualquer atitude, o que é uma pena.
o escritor independente ideal
Se existe um escritor independente ideal, eu o imagino assim:
► Tem bom conhecimento da língua e sabe se expressar através de variadas formas de linguagem como textos formais e informais, curtos e longos etc.
► Conhece as leis do mercado editorial oficial e alternativo, mantém-se informado sobre muitos assuntos, é organizado, disciplinado, perseverante e ama o que faz.
► Encara a tecnologia como aliada e sabe usar a internet e os programas de computador necessários à produção, divulgação e venda de seus livros.
► Está atualizado quanto às leis de incentivo cultural, conhece as pessoas certas nos lugares certos que podem ajudá-lo e sabe se relacionar;
► Consegue manter-se em seu caminho de escritor e obtém bom retorno de seu trabalho.
Caramba, essa pessoa existe mesmo?! Bem, como eu disse no início, esse seria o perfil do profissional ideal, algo como um guia para ao caminho do escritor independente. Talvez você não reúna todas essas qualidades. Eu também não reúno. Mas podemos reunir boa parte delas com o tempo e a prática.
você é um escritor?
Não se iluda: ser escritor é para pouquíssimos. Tem muitos autores de livros por aí, poetas de botequins, gente que comete suas crônicas e até publica em jornal. Mas ser escritor é mais que isso.
Na vida de um verdadeiro escritor, a literatura é mais que sua companheira de viagem pela vida: ela é a própria viagem. É por ela e é nela que ele se move. O amor pela palavra escrita ilumina seus dias e suas noites e dá sentido à existência. Por esse amor o escritor será capaz de imensos sacrifícios, inclusive abdicar de outros amores. Ele é absolutamente comprometido com essa relação.
O verdadeiro escritor sabe que não tem outra opção na vida.
Se você está mesmo disposto a seguir esse difícil caminho, terá antes de tudo que desenvolver uma personalidade de escritor independente, ou seja, adquirir a força, a sagacidade e a flexibilidade de um lutador e temperar tudo isso com humildade, paciência, confiança na vida e a capacidade de recomeçar sempre que for necessário. E, além de tudo isso, terá de manter sempre viva a chama de encantamento, aquele mesmo encantamento que lhe tomou conta quando viu um livro pela primeira vez ou quando soube que precisava escrever senão morreria frustrado.
É muito difícil ser escritor independente. É preciso ser capaz de fazer outras coisas além de escrever bem: você poderá ter de ser sua própria secretária, seu ilustrador, diagramador, marqueteiro, divulgador e vendedor. Escritores ricos e famosos podem pagar por esses serviços mas você agora não pode.
E aí, você acha que consegue?
a força para prosseguir
Acho que agora é útil dizer algo que aprendi a duras penas mas que me permitiu chegar ao ponto onde estou, mantendo-me até hoje como escritor independente. Estou falando de autoconhecimento.
Assumi esse comprometimento total com minha arte aos 30 anos. Foi cedo ou tarde? Foi no momento que precisava ser. Porém, o importante é que, uma vez que entendi verdadeiramente que ser escritor era o meu destino, precisei de muita força para não abandonar o caminho. E de onde tirei essa força?
Alguns tiram sua força da religião, outros da família, outros da pessoa amada. E há os que tiram de si mesmo, como eu. Na época em que assumi a sina, comecei a me interessar por psicologia junguiana e foram as ideias de Jung sobre autorrealização (que ele chama de individuação) que me forneceram a luz que iluminou meu caminho nos momentos de maior escuridão e incerteza. A psicologia junguiana me fez entender que se eu me conhecesse profundamente, saberia usar toda a força que há em mim para fazer cumprir meu destino e realizar a essência do que sou.
O processo de autoconhecimento não é fácil pois exige muita coragem, honestidade consigo mesmo e total confiança no próprio processo. O autoconhecimento nos força a atravessar nossos infernos pessoais. Mas as recompensas são divinas.
Graças ao conhecimento de mim mesmo adquiri o equilíbrio e a clareza de visão necessários para não me perder. Uma das coisas mais importantes que o autoconhecimento me deu, na verdade ele tirou: a autoimportância. Precisei me livrar de muitos pesos inúteis para prosseguir na jornada e um desses pesos era o excesso de importância que eu mesmo me dava. Para um escritor independente, é melhor se livrar cedo de certas vaidades. Quanto antes você compreender que não é a arte que tem de servi-lo mas é você quem tem de servir à sua arte, menos você sofrerá.
computador e programas
Em pleno século 21 ainda tem escritor que usa máquina de escrever ou que escreve na base da caneta. Questão de preferência, claro. Mas se você deseja ter menos trabalho, ser mais organizado, gastar menos tempo, economizar e se preparar desde cedo para gerenciar sua própria carreira de escritor, ou seja, se você quer se aproximar ao máximo daquele perfil ideal, dê um jeito de possuir um computador pessoal. Ou, pelo menos, tenha um à sua disposição.
Antes de entregar seu livro à gráfica, o autor independente precisa digitá-lo, criar uma capa, inserir imagens. Uma opção é contratar os serviços de profissionais para digitar, desenhar, editar imagens e fazer a capa. Porém, se o autor souber usar os programas certos, ele mesmo poderá fazer tudo isso e economizar, reduzindo assim os custos de produção de seu livro.
O primeiro programa que todo escritor deve aprender a usar é um editor de texto básico como o Word. Há editores de texto específicos para escrever livros, como o Page Maker, por exemplo. Para criar capas um bom programa é o Corel Draw. Para editar imagens há o Photoshop. Esses são programas bem conhecidos mas há outros que podem substituí-los. Dominando-os, você poderá montar seus livros no computador, desde o miolo à capa, incluindo imagens. Poderá também criar cartazes, panfletos, convites de lançamento e projetos de patrocínio.
contatos
Conhecer pessoas na imprensa é fundamental. Descubra quem são essas pessoas em sua cidade, faça amizades. Se conhecem você e seu trabalho, isso facilita a divulgação. Mas seja sensato, viu? Nunca force a barra, pedindo que leiam o que escreveu e muito menos encha o saco para publicarem aquela sua crônica. A falta de simancol fecha portas rapidinho.
O circuito alternativo também oferece boas oportunidades de publicação. Publique textos em jornais de bairro, revistinhas alternativas e qualquer tipo de publicação que aparecer. Aos poucos você chamará a atenção para seu trabalho e, se ele tiver qualidade, você passará a ser convidado a publicar.
No circuito alternativo nem pense em exigir pagamento por textos publicados. No início o escritor é um desconhecido como muitos outros, todos buscando um espaço para mostrar seu valor, e nesse momento o mais importante é mostrar o trabalho. Cobrar pode soar como presunção e, além disso, publicações alternativas dificilmente dispõem de recursos para remunerar autores.
gráficas tradicionais
Existe também a opção de encomendar a edição de seu livro às gráficas tradicionais, que além de geralmente imprimirem com alta qualidade, também fazem um bom acabamento no livro (corte, montagem, laminação e refilamento). No entanto, para obter um preço razoável, que viabilize o preço final de venda, geralmente os autores precisam encomendar muitos exemplares (500 a 1000), o que obriga o autor a investir uma alta quantia. Se há uma garantia de retorno desse investimento, de preferência rápido, tudo bem, vale a pena. Mas infelizmente a grande maioria dos autores não tem como vender tanto livro. Até pouco tempo atrás, esta era a única opção em termos de gráfica.
gráficas rápidas
Então a tecnologia fez surgir as máquinas fotocopiadoras. E algumas lojas, recentemente, passaram a oferecer serviços de edição de livros. Algumas se especializaram, tornando-se concorrentes das gráficas tradicionais. A qualidade de impressão e acabamento da maioria é mais baixa que as das tradicionais mas há uma grande vantagem: o autor pode encomendar pequenas tiragens, investindo bem menos. Outra vantagem: o autor pode fazer alterações em seu livro a cada nova edição, revisando o texto, consertando falhas de diagramação ou incluindo um novo patrocinador. Numa alta tiragem ele também pode mas, nesse caso, terá que esperar vender todos os exemplares da edição.
Uma boa opção é imprimir o livro (miolo e capa) numa copiadora e fazer o acabamento numa gráfica tradicional. Esse acabamento inclui o corte e a montagem das folhas, a colagem, a laminação (película plástica que reveste a capa) e o refilamento (corte final). Outra opção é imprimir miolo na gráfica rápida (e reimprimir à medida que necessitar) e imprimir capa e fazer o acabamento numa gráfica tradicional (guardando as capas para usar à medida que reimprimir o miolo).
parcerias, apoios e patrocínios
Vamos primeiro nos entender sobre os termos que utilizarei. Patrocínio envolve dinheiro em troca de publicidade no livro. Apoio não envolve dinheiro mas algum produto ou serviço em troca de publicidade no livro. E parceria é uma troca de interesses e não envolve necessariamente publicidade no livro.
PATROCINADOR – O patrocinador paga um valor em troca de publicidade no livro (na última capa e/ou no miolo) e no material de divulgação (cartazes, convites etc.). Dividir o valor total que se necessita em várias cotas também funciona.
DICA: Estabeleça valores baixos, para fechar suas cotas mais facilmente. Lembre-se sempre que muitos aceitam patrocinar mais por vontade de ajudar do que por esperar um bom retorno de publicidade. Então facilite.
APOIO – Às vezes o autor não consegue dinheiro mas consegue algum tipo de apoio, como produtos ou serviços. Se eles puderem ser transformados em dinheiro, ótimo. Se ajudarem pelo menos a diminuir os custos de produção do livro ou do evento de lançamento, muito bom. Se for algo que não está diretamente ligado ao livro mas que o autor necessita (crédito numa loja ou num restaurante, por exemplo), também pode ser uma negociação útil. Talvez a própria copiadora ou gráfica aceite diminuir o preço de seus serviços em troca de publicidade no livro.
PARCERIAS – São feitas de várias formas. Ao autor a parceria oferece alguma vantagem em termos de venda ou divulgação. Um exemplo: o autor pode dar (ou vender com desconto) alguns exemplares de seu livro para um bar ou uma loja, que fará sorteios semanais entre os clientes. O estabelecimento ganha porque oferece algo interessante à clientela e o autor ganha com a divulgação de sua obra a um custo baixo.
alternativas de venda
Após esbarrar nas terríveis dificuldades relativas à distribuição e venda, a maioria dos autores iniciantes desanima e desiste. Resultado: muitos exemplares encalhados, que mofarão no canto do armário ou servirão para presentear os amigos durante anos. Para que isso não aconteça com você, é preciso encontrar alternativas além da tradicional venda em livrarias.
Há autores que também são professores e têm em seus alunos um bom público comprador, que se renova a cada ano letivo. Há autores que fazem palestras e cursos e vendem seus livros nesses eventos.
Outra forma de vender livros é participar de eventos ligados ao tema de sua obra como feiras culturais, gastronômicas, esportivas etc. Há empresas distribuidoras que poderão se interessar em distribuir seu livro em livrarias e eventos culturais. E há também a internet, onde você pode encontrar sites que vendem livros independentes.
preço
O preço de seu livro deve estar dentro dos preços praticados pelo mercado. Há autores que, por considerar que seu livro requereu muito tempo de pesquisa e trabalho, estipulam um preço acima da média. É o ponto de vista do autor, claro. Mas é preciso considerar alguns fatores importantes.
Já foi dito aqui mas não custa reforçar: o primeiro livro de um autor é um marco em sua carreira. Equivale ao lançamento de um novo produto de uma empresa. O que as empresas fazem nessas ocasiões? Elas estabelecem estratégias especiais de divulgação e venda porque sabem que precisam muito entrar no mercado daquele produto, chamar a atenção do consumidor e fazer com que as pessoas experimentem seu produto.
O mesmo vale para o autor. O mais importante agora é que seu livro seja lido. Ele precisa também ganhar um dinheirinho, claro, mas se o preço do livro estiver acima da média, ele perderá leitores em potencial. Portanto, nada de querer ganhar muito agora. Melhor vender muitos livros a um preço baixo do que vender poucos a um preço alto.
Faça uma pesquisa nas livrarias e veja o preço de livros do mesmo gênero que o seu e compare a qualidade do material e a quantidade de páginas para se certificar de que o preço de seu livro será inferior aos livros das editoras. Faça isso pois além da sua necessidade de ser lido, há o fato de que as pessoas tendem a desvalorizar autores locais e muitas compararão seu livro aos livros que elas veem nas livrarias, capas lindas, acabamento impecável, autores famosos… Então não lhes dê mais um motivo para não querer comprar seu livro.
Ah, e tem sempre aquele chato que acha que você deve dar um exemplar para ele. O argumento costuma ser o mesmo: vou fazer propaganda, conheço muita gente… Não dê, ofereça um desconto. É provável que não adiante pois o chato quer porque quer o livro de graça e não entenderá que esse é o seu trabalho. Uma pessoa assim, por mais que diga o contrário, na verdade está desvalorizando seu trabalho. Há uma frase que geralmente é usada por artistas nessas ocasiões: Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender. Às vezes funciona e o chato se manca.
Bem, há casos e casos, claro, mas com o tempo você aprenderá a detectar quem realmente valoriza seu livro e quem é do time dos chatos.
outros trabalhos
Escrever dificilmente vai lhe dar dinheiro suficiente para ficar apenas escrevendo, principalmente no início. Então, se você não herdou uma boa grana ou possui outros recursos, a saída é arrumar um trabalho ou uns bicos, o que seja, para poder se manter escrevendo, na esperança de que um dia seu ofício seja autossustentável.
Há escritores que só se tornaram escritores depois de certa idade, quando já ganharam dinheiro suficiente e puderam se manter apenas escrevendo. Há os que param de trabalhar e se dão um tempo para escreverem um livro, para logo depois voltar ao trabalho normal. E há aqueles que não conseguiriam abandonar sua arte, mesmo que apenas por alguns anos, e preferem enfrentar todas as dificuldades que surgirem e nunca desistir de escrever.
A decisão é sua. Mas se decidir pela terceira opção, saiba que será preciso muita criatividade, perspicácia e jogo de cintura para se manter escrevendo.
alternativas de trabalho
É relativamente comum que escritores assumam um estilo de vida simples, muitas vezes quase franciscano, com o objetivo de diminuir ao mínimo possível seu custo de sobrevivência. Então largam mão de viagens e prazeres, deixam de sair à noite e até mesmo de comprar livros. Muitos abdicam de ter uma família pois sabem que a obrigação de sustentá-la poderá afastá-los de seu sagrado ofício.
O ideal seria conseguir algum trabalho ligado ao trabalho de escritor. Eis algumas opções:
PROFESSOR PARTICULAR – Aqui, evidentemente, você precisará dominar bem alguma disciplina e ter vocação para ensinar.
REDATOR OU DIGITADOR – Redatores são criadores de textos que geralmente trabalham para agências de propaganda ou em veículos de comunicação. Digitadores transcrevem textos para o computador ou organizam dados em planilhas para empresas.
REVISOR DE TEXTO – Não apenas estudantes mas muitas pessoas em vários segmentos precisam produzir textos e nem sempre escrevem bem. Para essas pessoas, o serviço que prestam os revisores de texto é providencial. Vantagem: trabalhar em casa.
COLUNISTA – Manter uma coluna em jornal, revista ou site é ótimo pois ao mesmo tempo que o escritor pratica seu ofício, também divulga seu trabalho. Às vezes a remuneração é direta mas é comum que o colunista tenha liberdade de negociar a publicidade de seu espaço e, assim, ganhe por seu trabalho de modo indireto.
PALESTRANTE – O escritor pode se especializar em falar sobre algum assunto, não necessariamente sobre literatura, e vender palestras e cursos a colégios, faculdades, empresas, espaços culturais etc. Vantagem: poder vender livros nesses eventos.
EDITOR – É cada vez mais comum escritores se tornarem editores de publicações como zines, revistas, jornais e sites. Para isso você precisará ter muitos conhecimentos técnicos e de mercado, além de conhecer profissionais como outros autores, jornalistas, ilustradores etc. Se há venda de publicidade, você precisará de bons vendedores ou você mesmo assumir a função, coisa que geralmente escritores não sabem fazer bem.
ROTEIRISTA – Um roteirista escreve textos dirigidos para algum tipo de expressão artística ou veículo de comunicação. Há roteiristas de teatro, cinema, novelas, seriados, aulas na tevê etc. A linguagem dos roteiros é diferente da linguagem dita literária e às vezes envolve especificações técnicas ligadas às cenas como posição de câmera, iluminação, direção de ator, inserção de imagens e outros detalhes. O mercado para roteiristas vem crescendo com as novas tecnologias voltadas para o entretenimento como tevê a cabo, internet e celular.
PRODUTOR CULTURAL – Esse termo envolve todas as atividades ligadas à produção de cultura, seja em forma de produtos como livros, CDs, peças de teatro ou eventos como festivais artísticos. Aqui é necessário ter muitos e bons relacionamentos, além de vocação para venda. É um ramo em expansão e algumas faculdades já oferecem cursos nessa área.
livretos
Uma boa estratégia de venda e divulgação é produzir livretos com textos seus que possam ser vendidos bem barato e que também sirvam para distribuir entre certas pessoas que você gostaria que conhecessem seu trabalho. Usarei o termo livreto para diferenciar dos livros propriamente ditos, que seriam os seus livros oficiais, com melhor acabamento, mais volumosos e mais caros.
Os livretos poderiam conter textos não utilizados nos seus livros ou você até poderia repeti-los mas reunindo-os sob o mesmo gênero (contos, crônicas) ou sob o mesmo tema, por exemplo.
Monte um livreto simples, 48 páginas, tamanho bolso (1/4 de uma página de A4), como este que agora você tem em mãos. Peça à copiadora uma capa em preto-e-branco e em papel cuchê numa espessura razoável e solicite dois grampos na lombada para garantir que as folhas não se soltarão.
O custo é baixo e o tamanho permite que você saia com alguns exemplares no bolso, estando preparado para a possibilidade de encontrar alguém a quem valha a pena oferecer ou vender um exemplar. Se você conseguir patrocínio ou apoio de alguma empresa, insira a logomarca na última capa e um anúncio no miolo – e reserve exemplares para esse seu incentivador.
Você também poderá usar esses livretos como presente. Em vez de gastar dinheiro comprando outra coisa, você dá um livreto. Sai mais barato e ainda serve para divulgar seu trabalho.
DICA: Crie promoções. Por exemplo: se o leitor comprar dois livros seus, ele ganha um livreto de brinde. Ou ofereça aos leitores que lhe indicarem outros leitores ou potenciais apoios.
Como são mais baratos que os seus livros oficiais, esses livretos são perfeitos para serem usados em certas promoções, onde você faz uma parceria com algum bar, loja ou espaço cultural.
Uma possibilidade interessante, não apenas nesses livretos de bolso mas também em qualquer livro independente, é que o autor pode oferecer uma edição especial, personalizada, para os patrocinadores. Estes, além de terem sua publicidade na obra, podem também escrever um texto de apresentação e inserir imagens. Dependendo da negociação, o autor pode até alterar o projeto gráfico original para que a edição fique mais a gosto do patrocinador.
publicando na internet
Antigamente só havia dois caminhos para o escritor publicar: o livro ou jornais e revistas. Hoje está muito mais fácil pois existe a internet. Então comece com um site ou um blog, há diversas opções gratuitas na rede, é só escolher. Há também sites onde você pode publicar textos gratuitamente.
Publique na internet o que você escreve e só depois pense em publicar um livro impresso.
Publicar na internet traz várias vantagens:
► Você aprende cedo a lidar com a internet, ferramenta indispensável aos escritores do século 21.
► Você perde a vergonha de mostrar o que escreve e se acostuma a ver seu trabalho publicado.
► Você tem um mostruário permanente, 24h, de seu trabalho.
► Você começa a formar seu público leitor e aprende a se relacionar com ele, recebendo o retorno imediato do que escreve.
► Você chama a atenção do mercado.
direitos autorais e internet
Não perca seu tempo se preocupando se vão copiar o que você publicou na internet e reproduzir por aí sem seus créditos ou se algum sabidinho vai usar seu texto e assinar como se fosse dele. Hoje esses riscos são naturalmente inerentes ao trabalho de qualquer pessoa e não apenas de escritores, e nem por isso as pessoas deixam de expor seu trabalho na grande rede. Além disso, se for o caso, você poderá provar a data de publicação original de seu texto. E não esqueça que se alguém assinou o que você escreveu, isso é um termômetro: seu texto tem algo de bom e atrai a atenção do público.
Se, por um lado há o risco de ter a obra ou a autoria dela adulterada, por outro lado há uma imensa vantagem em publicar na internet: se as pessoas gostarem de seu trabalho, elas próprias se encarregarão de espalhá-lo pela rede, distribuindo seus textos aos amigos. Essa valiosa publicidade não tem preço.
central do autor
Ter um blog ou um site pessoal é muito importante. Ele funcionará como uma central de produção do escritor, uma referência permanente de seu trabalho. Atualize-o sempre com novos textos e incentive os visitantes a se cadastrarem para receber novidades e participar de promoções.
É possível também vender seus livros através de seu blog ou site. Para isso você precisa organizar uma seção com as capas e trechos dos livros, preço, procedimento de compra etc. O sistema de compra pode ser por cartão de crédito mas caso você não possua uma empresa para viabilizar isso, há a opção de depósito em conta bancária ou o serviço de remessa de valores dos Correios. Se você tiver conta em banco, ótimo, mas se não tiver, use a conta de alguém de confiança. Quanto mais opções de banco oferecer, mais cômodo será para o leitor interessado em comprar.
Os Correios oferecem uma tarifa especial para envio de livros com registro. E você e o comprador ainda podem monitorar o percurso pelo site dos Correios.
Há também a opção do comprador pagar após receber o produto. Para isso os Correios oferecem o Sedex a Cobrar mas é oportuno lembrar que aqui você envia o livro para o comprador antes dele pagar, ou seja, se ele não pagar, a encomenda retornará e você ainda ficará com o prejuízo dos custos da remessa. Informe-se sobre todos os serviços e condições e você encontrará os que melhor lhe convêm.
Uma opção interessante de venda são os portais de venda como o Mercado Livre, que servem de intermediário entre quem vende e quem compra, oferecendo, inclusive, seu sistema de venda através de cartão de crédito em troca de uma pequena taxa.
Outra opção de venda pela internet são os sebos afiliados do Estante Virtual. Procure um sebo em sua cidade e acerte uma parceria onde eles venderão seu livro, mesmo sendo novo, para todo o país, inclusive por cartão de crédito.
agenda
Monte a sua agenda de contatos num editor de textos como o Word. Ela será um instrumento imprescindível em sua vida profissional, algo que você terá de usar todo dia. Ela deve conter os nomes e os e-mails de amigos e leitores e, em alguns casos, telefones e endereços físicos. Caso deseje maior organização, será útil algum tipo de referência como, por exemplo, a data e o modo como o leitor chegou até você.
Divida a agenda em seções como Amigos, Leitores, Estado, Cidade etc. e mantenha a ordem alfabética. Essa organização será vital quando sua agenda tiver milhares de contatos e você precisar localizar determinado leitor ou por ocasião do lançamento do livro em determinada cidade e quiser enviar o convite apenas a quem mora lá.
DICA: Crie uma seção com apenas os endereços de e-mails (sem quaisquer outros dados), separados por ponto-e-vírgula. Isso facilitará quando você for copiá-los para inserir nos e-mails que enviará.
Há programas de gerenciamento de e-mails, como o Outlook Express, que também organizam os contatos. Porém, a vantagem de fazê-lo num arquivo de editor de texto como o Word é que você pode copiá-lo e levá-lo com você, para abrir em qualquer computador. Melhor que isso: você pode enviá-lo para seu próprio e-mail e assim ter todos os seus contatos sempre atualizados e disponíveis a qualquer hora que precisar, bastando acessar a internet.
Você pode enviar periodicamente por e-mail um texto a seus leitores, mantendo-os informados sobre sua produção. Pode também enviar convites de lançamento ou avisar sobre sua participação em eventos ou naquele programa de tevê. Esse contato periódico criará um vínculo entre autor e leitor que poderá prosseguir ao longo de toda a sua carreira. Tenha cuidado, porém, para não abusar. Um ou dois textos por mês é um número razoável. Mais que isso pode provocar o efeito inverso e seu leitor se cansará de você.
assinaturas e redes sociais
Uma boa maneira de se manter atualizado sobre o mercado literário é assinar os boletins de notícias que são enviados por e-mail, como o da Publishnews e o da Libre (Liga das Editoras Brasileiras).
Como a internet é muito dinâmica, com novidades a cada mês, você precisa ficar atento para captar com rapidez as novas possibilidades que se apresentam para divulgação e venda de seus livros. Um exemplo são as redes de relacionamentos como Orkut, Facebook e Twitter. Além de fazer amigos, você pode também usá-lo para divulgar seu trabalho, publicando textos em comunidades, realizando promoções e convidando as pessoas a conhecerem seu site. Em sua página você pode manter um resumo do novo livro ou comunicados diversos.
DICA: Promova sorteios de seus livros em comunidades de pessoas que gostam de ler ou que sejam relacionadas ao tema de sua obra. Além de divulgar seu livro, você pode cadastrar os participantes em sua agenda.
livro digital
Aprenda a converter seus livros para o formato PDF ou similar e disponibilize-os para venda através de livrarias virtuais ou diretamente com você. Alguns autores preferem disponibilizar gratuitamente seus livros para que seu trabalho seja conhecido mais rapidamente.
descentralizando o mercado
Cada vez mais o conceito de independente ganha força no mercado artístico. Artistas independentes, gravadoras independentes, produtoras independentes – a cada dia vemos o mercado se descentralizar, fazendo com que os grandes grupos dividam o bolo com grupos menores. A internet veio acelerar esse processo, permitindo aos profissionais chamar a atenção para seu trabalho, manter contato permanente entre si e ajudarem-se uns aos outros.
Você também pode contribuir para descentralizar ainda mais o mercado. Tente se unir a outros profissionais e formar um grupo que tenha os mesmos interesses, trocando ideias e experimentando novas estratégias de atuação. Uma boa ideia é criar uma espécie de cooperativa de escritores para chamar a atenção do mercado, organizar eventos e negociar melhores preços com gráficas e profissionais como desenhistas, fotógrafos, diagramadores etc.
Nesse exato momento há outros escritores como você, todos buscando publicar livros e vendê-los. Unindo as forças, o caminho de todos pode ficar mais fácil.
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(continua no próximo capítulo)
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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.wordpress.com
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LEIA O LIVRO NA ÍNTEGRA
Cap 1: Circuito oficial
Cap 2: Circuito alternativo
Cap 3: Autogerenciamento
Cap 4: Os oito mandamentos do ofício de escritor
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