Quatro cinco

Outubro 21, 2009

RK200903-101a

Essas mensagens de aniversário
Que me chegam na noite calma
Tão queridas
Estão todas respondidas
Assim eu quero
No correio mais sincero
De minhalma

Quatro cinco
Viver com afinco

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Kelmer no Toma Lá Dá Cá

Setembro 12, 2009

Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro

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KelmerMorcegoLivro-20Você alguma vez já se sentiu como se o mundo estivesse de cabeça pra baixo?

Foi pensando nisso que um dia decidi estudar os morcegos, que, como todo mundo sabe, veem o mundo de cabeça pra baixo e nunca ficam tontos. Os morcegos estão neste planeta há 50 milhões de anos e são os únicos mamíferos que voam – além da Mulher Maravilha, é claro. Passei anos morando em cavernas, observando os morcegos e extraindo deles importantes aprendizados pra nossa vida, inclusive, sim!, pra vida sexual.

Mas o que tudo isso tem a ver com você no Toma Lá Dá Cá da Globo, Kelmer? Calma, vou chegar lá.

O resultado dessas pesquisas tá em meu livro Socorro! Eu sou um morcego e o mundo está de cabeça para baixo! Ele mostra que podemos aprender muito com os morcegos e seu superdesenvolvido senso de equilíbrio e programação espacial. Uma obra que não pode faltar em sua estante, desde que ela seja bem resistente pois o livro tem 1710 páginas e acompanha um lindo e mimoso morcego empalhado de brinde. Uma editora húngara teve a coragem de publicá-lo em 1993 e assinei com o nome de Kelmer Cönka (pronuncia-se concá). Isso tudo bem antes do Chico Buarque escrever Budapeste, viu?

Praticando a reprogramação no metrô

Praticando a reprogramação no metrô

Morcegos dormem de ponta-cabeça. E também copulam e parem filhotes e veem os gols da rodada assim porque essa posição mostrou ser uma boa vantagem adaptativa, principalmente pra voar: basta soltar-se da pedra ou do galho, bater as asas e aproveitar a força da gravidade pra obter rapidamente boa velocidade. Isso pode nos ensinar, a nós humanos, sobre como superar crises: se nos pendurarmos de cabeça pra baixo, as ideias se soltarão mais facilmente rumo à saída do problema. Funciona. O chato é que nessa posição as moedas caem do bolso mais facilmente também.

Em relação a parir filhos de cabeça pra baixo, no interior da China esse método é aplicado há séculos. O sangue das mamães chinesas desce pra cabeça e elas ficam bem coradinhas, podendo tirar foto logo após o parto com aquela cara de quem acabou de voltar das férias em Jericoacoara. E a vantagem dessa posição pros bebês é que eles já nascem campeões de ping-pong. Não sei o que uma coisa tem a ver com a outra mas se você olhar a classificação dos mundiais de ping-pong, só dá chinês, é um horror.

E quanto a transar de cabeça pra baixo, essa prática proporciona grandes benefícios pra circulação sanguínea, além de permitir que o casal discuta a relação numa nova perspectiva. Homens detestam discutir a relação de cabeça pra baixo, eu sei, mas assim pelo menos os desgraçados não dormem.

Invertendo a ótica do problema

Invertendo a ótica do problema - exercícios pra fazer em casa

O livro foi um fiasco, vendeu apenas dois exemplares, ambos comprados por um bofe americano chamado Bruce Wayne, que pediu dedicatória no segundo exemplar pra seu amigo Dick. Não sei mas algo me diz que o motivo do fracasso foi porque o livro ficava de cabeça pra baixo nas livrarias. E eu? Eu doei os direitos do livro pra Sociedade Protetora dos Morcegos Sem Pernas (tadinhos, eles dormem deitados) e no ano seguinte montei uma banda de rock, que tinha uma tiete chamada Beatriz que me pirou o cabeção e, aí sim, meu mundo ficou de ponta-cabeça. Mas isso é outra história.

Eis, porém, que no episódio de 08.09.09 do sitcom da Globo Toma Lá Dá Cá, aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro. Putz, fiquei muito surpreso. Arnaldo leu (ele sabe húngaro?) e virou um novo homem, seguindo as lições de reprogramação dos morcegos pra organizar melhor sua vida. Rita também gostou. E Copélia… Ai, Copélia… Bem, eu não pretendia tornar público o nosso passado caliente mas, agora que todo mundo já sabe, resta-me agradecer-lhe mais uma vez pela paciência de aguentar minhas pesquisas e meus morcegos. Aliás, cá pra nós, Copélia pode até ser extravagante e sem juízo mas uma coisa eu garanto: ela é o tipo de mulher que dá certo até de cabeça pra baixo. E como dá.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Veja o vídeo Kelmer no Toma Lá Dá Cá
Busque o episódio “Álvara é um show” e veja o vídeo 3
(Dona Álvara faz lançamento de seu DVD no Jambalaya)

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Vidas passadas: Imbituba 1985

Agosto 17, 2009
RK1985ZukImbituba02cZuk e eu, Imbituba-SC, 1985. Mochileiros da cachaça, da poesia e do amor.

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EdgarZuk2009-01aQuerido kelmer

Deixei o msn piscando naquela janela laranjinha na barra lá embaixo..
Larguei o projeto pra entregar agora de manhã, o relatório que não ficou bom…
Larguei…pra ficar olhando os detalhes dessa foto em Imbituba.

Dois garotos lindos, que estraçalhavam os corações das garotas.
Dois poetas tímidos, cheios de grandes histórias pra contar.
Dois caras duros, trocando a grana da comida pela cerveja a noite.
Dois caras sem músculos pro surfe, em suas camisetas ripongas.

A minha pochete vermelha de plástico e a tua mochila arruinada pela andança.
Essas bagagens que moram nalgum lugar e que vêm à tona quando uma foto dessas ressurge assim.
A musica Lilás do Djavan na fita cassete preferida e o livro estropiado do Fernando Pessoa.
As camisas de rendeira cearense à venda por 10 pilas (que nos salvavam a janta).
A garrafa de velho barreiro no bolso lateral nos denunciando.
Os peidos na barraca encardida. Fétido que matavam os sapos. Me chamava PP, codinome para “peido podre”.
A barba de três fio de ricardo e minha bermuda rasgada na bunda que eu adorava.
Não tinha protetor solar, garrafinha de água mineral, nem ipod.
Não tinha aids, assalto. E as pessoas nos ajudavam!
Não tinha celular, nem internet. Era fichinha no orelhão.
E nossos pais nem sabiam onde a gente andava.

Tanta coisa boa veio junto com essa foto defronte a rodoviária de Imbituba.
Esperando o ônibus que nos separaria para toda a vida.

Um grande abraço em você Kelmer (como aquele na rodoviária de fortaleza, em que você afroxou o dente na minha testa!)
Eu tenho muita saudade de mim.

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Edgar Zuk
Porto Alegre-RS 2008
edgarzuk.blogspot.com

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RK200708MartaCR-01aAi meninos, hoje não tô podendo com isso não… A retardada só viu a foto depois. Já quase morri de rir com ela, o “diálogo” e a conversa do Rico.

E agora quase choro por sua causa, Ed mon petit Gar. Que pena que não fui com vocês pra Imbituba…

Bom, me resta um consolo: não tenho saudades de mim, não. Quero dizer, tenho boas lembranças daquela época, coisa e tal. Mas hoje sou infinitamente mais livre, leve e louca, por incrível que possa soar.

E aí rapazes, quando é que a gente cai na vida de novo? o meio de transporte pode ser minha pajero amarela, e o álcool (e outras substâncias estupefaciantes) pode ser garantido com a venda dos livros do Rico e por saraus musicais-dançantes – vocês tocam e cantam e eu danço, seduzindo os incautos, hahahahaha!!! No mínimo isso vai gerar material pro seu novo béstiseler, Kelmo boy!

Beijos da Bruxa Cruela, vértice do triângulo, tríade, trindade, trio, trinca, trinômio, tripé, três, terno, triplo, trímero.

Amo vocês.

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Marta Crisostomo
Brasília-DF, 2008

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RK200904JuazNorteRondelle02bMarta Cruela… Zuk Mabel…

Gostaria de informar que poeta, tímido e duro ainda sou. Mas tô enfim aprendendo a viver a poesia mais que escrevê-la. Pra timidez, tô tomando cara-de-pau, dose dupla. E a dureza, bem, essa é a mesma, com a diferença que fiz um pacto com o dinheiro: eu não encho o saco dele e, em troca, ele vem sempre que eu preciso. Ah, e tô cada dia mais lindo e gostoso, isso é fato inconteste, pergunta lá pras meninas do pastel da feirinha de Pinheiros.

Saudade? Saudade eu tenho dos amigos distantes. Ter vinte anos é uma diliça. Mas ter quarenta, tendo vivido tão intensamente as minhas verdades, é duas vezes melhor.

Precisamos nos ver. Urgente. E nossas mulheres e maridos que aguentem.

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Ricardo Kelmer
São Paulo, 2009

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Essa piscina dá onda

Julho 29, 2009

CartumMaconha-01

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Malíngua e suas maledicências… Agora ela anda dizendo poraí que Michael Phelps não é mais aquele imbatível nadador depois que parou de fumar maconha.

Bem, se a queda de rendimento do Michael tem a ver com a falta de maconha, isso eu não sei. Nem sei também se maconha melhora rendimento de nadador. Mas uma coisa é fato: a dona da cantina do centro de treinamento anda meio borocoxô. Diz que o faturamento baixou pra caramba. Também, pudera. Imagina a larica que dava num galalau daquele tamanho depois de fumar um e nadar dez mil metros…

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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ParceiroJuniorLopes2009-01a> A ilustração é do Junior Lopes, um cartunista que quando era pequeno caiu dentro de um tonel de tacacá e ficou eternamente viajandão. Sacaqui o trabalho do maluco:
juniorlopesillustrator.blogspot.com


Privada Fashion Week

Janeiro 21, 2009

elamodelo02O quarto onde me hospedo em Fortaleza tem um banheiro conjugado. A TV do quarto fica estrategicamente posicionada de forma que eu possa ver os gols da rodada enquanto arreio o barro, ah, é uma diliça, é só deixar a porta aberta. Evidente que não recomendo que ninguém fique no quarto durante a operação.

Poisbem. Noite dessas meu intestino embrulhou feio por causa de uma coxinha estragada e só deu tempo de correr pro banheiro. E na pressa de chegar ao vaso, não fechei a porta. E a TV ficou ligada. E começou a passar não os gols da rodada mas os melhores momentos do… São Paulo Fashion Week. Putz!

Se minha situação intestinal não fosse tão grave, eu teria levantado e fechado a porta. Mas não deu mesmo. Resultado: tive que assistir ao programa inteiro. Pense numa tortura. O São Paulo Fashion Week rolando lá na telinha e eu no vaso me espremendo tanto encima quanto embaixo: embaixo pra tentar expulsar de mim os últimos resquícios da coxinha estragada, e encima tentando entender por que as modelos vestem aquelas, vamos chamar de roupas, que ninguém, fora o Elton John e a Karine Alexandrino, jamais vai usar na vida.

Putz, e essa ridícula paranóia da magreza! Eu simplesmente não me conformo que as mulheres invejem o, vamos chamar de corpo, daquelas lombrigas anoréxicas que caminham pela passarela como se fossem desmontar a qualquer momento. Eu juro que tenho medo delas, parecem aqueles esqueletos de filme de assombração.

Olha, sinceramente. Eu encaro cerveja choca, coxinha estragada, sarrabulho vencido… Até podrão em saída de estádio da quarta divisão eu encaro. Mas um troço horroroso daquele não tem a mínima condição.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Urucubaca divina

Janeiro 21, 2009

religiaorenascer041Deus não deve andar lá muito satisfeito com seus seguidores da igreja Enriquecer, ops, Renascer em Cristo. Primeiro seus líderes, Sonia e Estevan Hernandes, são presos nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro e desde 2007 estão lá vendo o sol renascer quadrado. E quando voltarem ao Brasil ainda terão que responder por diversos crimes como falsidade ideológica, estelionato e lavagem de dinheiro.

E agora eis que desaba o teto de seu principal templo em São Paulo, matando uma dezena e ferindo mais de cem pessoas. Claro que o teto não desabou por conta dos pedidos diários de “descei sobre nós a vossa bênção”. Também não desabou porque Deus estava tirando uma soneca justo naquele momento e o Demo se aproveitou. Tampouco desabou pra punir os que estavam com o dízimo atrasado.

O teto da Enriquecer… Putz, eu digito certo mas uma força misteriosa insiste em trocar o nome da igreja. Vou deixar assim mesmo. Poisbem, a desgraça aconteceu porque a bênção financeira que os fiéis diariamente dão pra Enriquecer não foi usada pra cuidar do teto. E agora dezenas de famílias estão sofrendo pra caramba e não há remédio pra curar suas dores. Agora muitas delas processarão a igreja que, por sua vez, empurrará o prejuízo com a barriga até onde der, prolongando ainda mais o sofrimento das famílias.

Se a conta-corrente da Enriquecer já vinha desmilinguindo por conta dos escândalos envolvendo seus líderes e nem os gols, e as doações, do Kaká melhoravam a situação, agora é que a coisa ficou ruim mesmo. Os pastores não conseguirão atingir as metas mensais de arrecadação e terão bloqueados seus salários de R$ 1.500, assim como os auxiliares (R$ 2.500) e os bispos (R$ 7.500), coitados. Será que eles mudarão de empresa, quer dizer, de igreja? Ou fundarão uma nova? Nesse caso, sugiro desde já um nome pra ela: Igreja Sagrada do Pastor Sem Teto.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Culpa da religião

Janeiro 7, 2009

palestina01Quanto mais a gente se aprofunda na questão Israel-Palestina, mais entende que ambos os lados estão totalmente certos – e ambos estão deploravelmente errados.

Na verdade o único e verdadeiro problema que existe ali chama-se religião. É a religião que faz com que judeus e árabes não se entendam e se odeiem e desejem varrer o outro lado da face da Terra. É a religião que leva esses líderes tribais de árabes e judeus a sempre revidar as agressões e a matar crianças e sacrificar inocentes, mesmo sabendo que isso gerará revides ainda piores.

Como cada lado age em nome do seu deus, o ideal seria que ambos os deuses descessem à Terra e explicassem aos seus seguidores, com muita paciência, que tudo tudo tudo não passou de um grande malentendido e que na verdade eles, os deuses, jamais existiram, e que agora se encontram numa puta crise existencial pois eles não existem e, no entanto, são o motivo de tanta intolerância, violência e guerras.

A única solução possível pra esse engodo dos diabos seria não existir religião. Em outras palavras: não há mesmo solução. É ruim concluir isso, né? É. E tudo indica que vai piorar.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Obrigado, JK Rowling

Janeiro 7, 2009

jkrowling01Gostei do documentário “Harry Potter: Um ano na vida de JK Rowling”, que assisti no GNT. Eu, particularmente, não li nenhum dos livros da série sobre o garoto-mago mas simpatizo com ele e acho que a inglesa Johanne Kathleen Rowling fez uma imensa benfeitoria ao mundo dos livros.

Os sete títulos da série lançada em 1997 foram traduzidos pra 67 idiomas e venderam 400 milhões (sim, quatrocentos milhões) de exemplares. Pra efeito de comparação, Paulo Coelho vendeu 100 milhões de seus 19 livros e a Bíblia, segundo o Guiness, vendeu 2,5 bilhões de exemplares desde 1815. Mas o cálculo que vale mais é este: em todo o planeta milhões de crianças adquiriram o hábito de ler livros graças às aventuras de Harry Potter. Quanto vale isso?

Eu pude acompanhar esse fenômeno bem de perto com meu sobrinho Filipe, que com 9 anos andava com o livro debaixo do braço e me falava animado dos personagens e suas tramas. Hoje Filipe é um garoto de 13 anos que ama livros. Na última Bienal, por sinal, ele comprou um bem curioso, que ensina a entender as meninas. Putz. Não tive coragem de lhe dizer que gastou dinheiro à toa.

O lançamento do último livro da série Harry Potter foi cercado de tantos cuidados que a coisa mais parecia uma operação de guerra, tudo pra que o final da história não vazasse ao público. Só isso já daria um livro incrível. Foram selecionadas quase 2 mil crianças pra participar da sessão inaugural de autógrafos, entre mais de 60 mil que se inscreveram, e a autora assinou durante 8 horas seguidas. Era visível nos olhinhos daquelas crianças o fascínio e a felicidade por estarem vivendo um momento tão especial, e elas certamente jamais esquecerão esse dia de pura magia e encantamento.

Assim como o mundo da música e do cinema, o mundo dos livros também precisa de coisas assim, de grandes sucessos e badalações, de holofotes e festas literárias, sim. A própria JK Rowling admite que essa é a parte chata, mas necessária, de seu ofício. Claro que, assim como em outros mundos, o dos livros não está imune às pragas das superficialidades e enganações – mas é preciso jogar luz sobre os livros e seus autores pra que, antes de tudo, o público saiba que eles existem, e pra que os livros possam concorrer em menor desvantagem com seus colegas eletrônicos de entretenimento. Literatura é arte, sim, talvez a mais nobre de todas, mas até a arte precisa saber vender seu peixe.

Obrigado, JK Rowling.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com