Viver como Vinicius viveu

Novembro 14, 2009

Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

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RKViniciusDeMoraes-02aVinicius voltou pra mim, ô maravilha. Na verdade, o poetinha nunca se foi – eu é que, em face de outros encantos, esqueci o quanto dele se encanta meu pensamento. Curioso como a gente consegue se afastar dos nossos valores mais essenciais. Um dia, plim!, a ficha cai e a gente se assusta por ter vivido tanto tempo sem viver as nossas mais belas verdades, aquelas que fazem a gente se sentir vivo em cada vão momento.

Invoco agora as lembranças pra tentar entender. Lá vai eu, menino bobo de dez anos, dar de presente pra professora uns versinhos que meu pai me ajudava a fazer. Depois o adolescente a descobrir a força das erupções: da poesia e das espinhas no rosto. E nos poemas, sempre ela, a Mulher, primeiro nas rimas ingênuas das paixonites não correspondidas e, depois, nos versos livres dos amores juvenis pelas mesas dos botecos. E, pairando sobre aqueles dias, Vinicius a espalhar seu canto.

Nas rodas de violão da década de 80, eu sempre pedia Vinicius, pra rir meu riso e derramar meu pranto. Nas viagens de ônibus pelo país, seus livros pra passar o tempo. Na inauguração do bar do amigo, olha eu, solene e copo na mão, recitando Receita de mulher. No festival de vídeo, olha lá eu de novo, no palco a agradecer o prêmio – e o vídeo era uma homenagem ao velho Vina. E nos ouvidos rendidos da mulher amada, é minha boca que pousa suave a lhe sussurrar os versos do poetinha. Poesia, música e amores, e o fascínio quase religioso pelo Feminino – era só isso que importava. Viver não era preciso. Necessário apenas viver como poeta, seja com pesar ou contentamento. Como Vinicius viveu.

Invadindo meus dias sem pedir licença, eis porém que chegam outros tempos, vestidos de anos 90, e com eles outros bares, outras viagens, outros livros e músicas, outras mulheres, uma outra vida. E um casamento difícil, com a carreira de escritor, em nome da qual eu ganharia e também abdicaria da própria vida. Meus discos do Vinicius, nem gosto de lembrar, se perderam nas tantas mudanças e seus livros eu precisei vender no sebo pra pagar o aluguel, essa mensal angústia de quem vive. Na memória, os poemas deram lugar a fórmulas de sobrevivência como escritor. E o viver como ele viveu, ah, isso foi ficando cada vez mais espremido num cantinho da vida.

Ela quer um poema agora, Vina, exclusivo pra ela. Como você fazia nessas horas? (1993)

Casadão com a carreira, mudo pro Rio de Janeiro em 1995 e no ano seguinte pra São Paulo. Porém, sem conseguir me manter como escritor, volto pra Fortaleza. Sete anos depois tento novamente o Rio, viro roteirista de TV, e em 2006 aporto mais uma vez na Pauliceia, viro palestrante e professor de roteiro, tudo pra sustentar esse casamento. Uma noite vem a ideia de montar uma palestra nova e é então que a ficha cai: uma palestra sobre Vinicius. Plim! Como não pensei nisso antes? A ideia rapidamente evolui: montar não uma palestra, mas um espetáculo sobre o poetinha. Viniciarte. Pliiimmm!!!

Imediatamente tratei de reler suas obras e reuni novamente suas músicas, faminto desse amor que um dia eu tive. Mergulhei em biografias, vi filmes e conversei com pessoas que o conheceram pessoalmente. Em busca de algo que bem representasse o espírito de sua vida e obra, criei um roteiro que simula o ensaio do espetáculo que um grupo de amigos fará em 2013, no ano de seu centenário: amigos reunidos, uísque na mesa, clima descontraído, os erros e acertos de um ensaio e, entre poemas e canções, eles descobrindo as diversas facetas de Vinicius e o encanto do mundo por sua arte. É uma montagem simples, que espero que reflita a alma leve e despojada de Vinicius, assim como também a singeleza, a emoção e a devoção à Vida que tão bem marcaram sua obra e seu viver.

De Pitú pra Chivas. Pelo menos nisso, poetinha, eu evoluí. (2009)

Uau… Eu consegui ressuscitar a velha chama que vinte anos atrás aquecia de imortalidade os meus dias, minha vida andava precisada disso. Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso! Espero que eu realmente seja digno dessa tarefa a que me incubi e que, pensando bem, é antes de tudo um resgate de mim mesmo. Que ironia isso… Enquanto despendia toda minha energia pra manter meu casamento com a escrita, esqueci de viver como poeta. Bem, meu casamento continua firme mas agora sou um escritor que sabe de algo valioso: maior que a sina da escrita, é ela, a poesia da vida, que faz tudo ser infinito enquanto dura.

Saravá, Vininha, saravá.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Agenda de apresentações do Viniciarte

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RK em “Ausência”, de Vinicius de Moraes
Violão: Moacir Bedê interpreta Insensatez (Vinicius e Tom Jobim)
Quinta Poética, Casa das Rosas, 29out2009
Realização: Editora Escrituras

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Comentarios01 >> COMENTÁRIOS

01- Onde já se viu, criatura, casar com a carreira e abandonar a tua belíssima FÊMEA DE DENTRO? Tá dooooido? Lembra do que tu escreveu sobre fascínio religioso pelo feminino? Pois é… Andastes des-ligado DELA? Entonces, se re-ligue. De fascínio ao religamento, já imaginou RK? FODAS RELIGADORAS BÁRBARAS! GOZOS TRANSBORDANTES! Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2009

02- Oi Ricardo, Tudo bem? Adoro ler o que escreve, pena não poder entrar no seu blog aqui do computador do meu trabalho. Torço por vc e que a inspiração seja sua eterna companheira. Parabéns!! Abraços. P.S.: Lembrando: Sou aquela moça do bolo de choclate que vc não comeu…rsrsrsrs. Fátima, Brasília-DF – nov2009

03- cara, vc realmente escreve muuuuito bem! aproveitar frases dele, encaixar tão bem nas suas… PARABÉNS!!!! me emocionou, assim como os poemas do poeta… bjão. Celia Terpins, São Paulo-SP – nov2009

04- Vinícius bom é Vinícius poeta… o “poetinha” é machista e duro do ouvido! Emblemática é a correspondência entre Chico e ele (Chico, o ouvido perfeito….). Em Valsinha, Vinícius sugere q mude “vestido decotado” para “vestido dourado”. Chico responde q com “dourado” a tônica fica na sílaba errada… É verdade: qtas pessoas vc conhece q compõem letras e não se ligam nisso? Ficaria “douradú”… em vez de “dourádo”, ou, como ficou, “decotádo”. bjs. Betty, São Paulo-SP – nov2009

05- Olá Ricardo, gostei muito da sua crônica. O mais engraçado foi a leitura desse texto justamente hoje, quando deixei de fazer umas coisas super-chatas e decidi vir para casa fazer algo mais bacana… Um abraço. Glauber Moura, Brasília-DF – nov2009

06- So good Kelmer. Juliana Guedes, Fortaleza-CE – nov2009

07- RK, é por estas e outras que vc será meu eterno Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – nov2009

08- Legal conhecer gente do bem, do bom, da boa…embriagado da mais pura poesia e boemia. 2013 promete! Q suba o país, viniciando com K. Muito bom ouvi-lo! Repassei aos amigos q não desistem de navegar pela vida, apesar de tantos desencontros. Parabéns! Marcia Matos Barbosa, Fortaleza-CE – nov2009

09- Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você…. Danielle Fernandes, Fortaleza-CE – nov2009

10- Que texto lindo!!! Adorei!!! Gosto muito do seu jeito de escrever….jeito que encanta, que dá vontade de quero mais……. rs Abração aí!!! Biah Carfig, São Paulo-SP – nov2009

11- Kelmer com K, este teu momento de retorno às fontes é muito bonito! A vida é espiral. Beijo, e boas inspirações! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – nov2009

12- ameiiiiiiiiiiiii,muitooooooooooo lindo!!!Sampa está te fazendo muitoooooooooo bem meu amigo queridoooooooooooo!!!estou te achando mais forte,maduro,sensível,escrevendo melhor ainda,enfim tudo de bommmmmmmmm. Beijossssssssssss mil. obs:bjssssssss no Bedê. Cristina Cabral, Fortaleza-CE  – nov2009

13- Saravá, Ricardo! Saravá Vininha! Continue, continue… Ana Gilli, São Paulo-SP – nov2009

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Filme: Desconstruindo Harry

Novembro 4, 2009

FILMEDesconstruindoHarry-10Desconstruindo Harry

FICHA TÉCNICA

Deconstructing Harry
EUA, 1997 – 95 min
Elenco: Woody Allen, Kirstie Alley, Tobey Maguire, Demi Moore, Robin Williams, Billy Crystal e outros
Roteiro e direção: Woody Allen
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original

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RK COMENTA

Niilismos e orgasmos

Harry Block é um conhecido escritor que usa e abusa de referências autobiográficas em seus livros, o que acaba por incomodar seus amigos, familiares e amantes, que se descobrem nas histórias publicadas e não gostam nada de como foram retratados. Em meio a uma crise criativa, abandonado pela amante e preparando-se para ser homenageado pela própria escola que no passado o expulsou, Harry passa a se relacionar com seus próprios personagens, que lhe mostrarão novas formas de compreender sua vida confusa.

Eis mais um daqueles deliciosos personagens cheios de neuras de Woody Allen. Harry gasta todo seu dinheiro com análise, advogados e putas e ele é o primeiro a prevenir suas amantes para que não se apaixonem por ele. Acusado por sua ex-mulher de levar a vida baseado tão-somente em niilismo, cinismo, sarcasmo e orgasmo, ele consegue irritá-la ainda mais dizendo que com um slogan desses, seria eleito presidente da França.

Desconstruindo Harry é um filme muito divertido, principalmente para escritores que se relacionam intensamente com sua própria obra e com seus personagens. Se você costuma escrever inspirado diretamente em seus relacionamentos e nem sempre consegue distinguir o que inventou em seus textos daquilo que copiou da vida, então conheça Harry Block. E dê boas risadas dele e de você também.

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> Mais filmes neste blog


A revista que é um porre… de Literatura

Outubro 14, 2009

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Saiu a edição de estreia da revista do meu projeto Letra de Bar! Ela se chama Letra de Bar e será distribuída gratuitamente no circuito boêmio-cultural de São Paulo, com prioridade nos espaços parceiros do projeto. O desenho da capa da revista, que você vê aí encima, é do Hemetério, um dos grandes nomes do cartum nacional. Com esse porre de literatura, irc!, ele captou com perfeição o espírito do projeto.

É uma revista simples, com aquele ar de coisa alternativa, quase um fanzine. Ela tem oito páginas em tamanho 21×30cm, papel sulfite branco, e foi impressa em off-set com fotolito. A tiragem inicial é de dois mil exemplares. A revista Letra de Bar é voltada ao público médio, com informações rápidas e sem aprofundamentos, em tom descontraído, própria pra ser lida nos bares e nos ambientes corridos da cidade grande. O foco é no livro e em tudo que tá ligado ao mundo dos livros. O leitor saberá sobre livros e escritores famosos, conhecerá novos autores e gente que ama os livros e saberá de filmes e espetáculos relacionados a livros, escritores e literatura. ANUNCIOLetraDeBar-01a

Evidentemente que não pensamos em concorrer com as revistas das grandes redes de livrarias, como a Cultura e a Saraiva, pois nossa revista é um braço do projeto Letra de Bar e um dos objetivos do projeto, além de promover o gosto pela leitura e o amor pelos livros, é atuar junto aos novos autores, ajudando a divulgar seu trabalho.

Publicar um livro até que é fácil. Fazer um lançamento também. Mas e depois? Esperar que os leitores descubram e comprem o livro na livraria ou no site não é a melhor estratégia. Poisbem. Além de oferecer opções de editoras e bares culturais pro lançamento, o Letra de Bar oferece ao autor a oportunidade de manter seu livro em evidência através dos eventos literários promovidos pelo projeto, proporcionando aquele valioso contato pessoal entre escritores e leitores e oferecendo ao autor um canal de vendas permanente.

Se você é autor ou conhece um autor que poderia se interessar em participar, no blog do projeto há mais informações:

> letradebar.wordpress.com

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Parceiros e anunciantes do Letra de Bar

Bar de Ontem – Celia Terpins Palestras e Espetáculos
Editora Baraúna – Escola Universo Colorido
- Sarau de Ontem
Gabriel Sousa Arquitetura – O Autor na Praça - Quintal Catering
Jornal da Praça Benedito Calixto – Sebo Alternativa


As Terráqueas caíram no Bardo

Outubro 7, 2009

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E as minhas Terráqueas, coitadas, seguem dando duro pra me sustentar, eu, gigolô de minhas próprias personagens. Agora elas darão o ar da graça no Bardo Batata, nos Jardins, onde o Proyecto Sur Paulista (das produtoras Dora Dimolitsas e Lucia Gonczy) e o Letra de Bar promoverão um lançamento do Vocês Terráqueas, junto com um show do falomenal Moacir Bedê Trio, com participação da cantora Silvia Nicolatto.

Como nessa noite estarei comemorando meu aniversário de 45 primaveras (mas o corpinho continua de 27…), aviso logo que não me responsabilizarei pelos meus atos. Isso significa que vai ser novamente aquele infame roteiro kelmérico, com agravantes: na segunda dose pegarei o microfone e falarei minhas velhas bobagens e gracinhas de sempre. Na quarta dose lerei umas crônicas picantes pra esquentar a piriquita da noite. Lá pela sexta dose, invadirei o show de meu amigo Zé di Bedis e, crente que tô arrasando, obrigarei o desgraçado a fazer comigo uns números musicais com poemas de Vinicius. Na oitava subirei na mesa e imitarei o Sidney Magal e na décima dose, alguém por favor chame os seguranças.

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17outsab, 20h a meia-noite- São Paulo-SP
Lançamento Vocês Terráqueas + show Moacir Bedê e banda

Lançamento do livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino, com leituras de textos do livro pelo autor. Em seguida, show de Moacir Bedê e banda, que tocarão música instrumental brasileira, com participação da cantora Silvia Nicolatto e do escritor Ricardo Kelmer (poemas e músicas de Vinicius de Moraes). Realização: Proyecto Sur e Letra de Bar. Local:  Bardo Batata. Rua Bela Cintra, 1333, Jardins. Inf.: 3068.9852 e 3086.2111. Couvert artístico: R$ 10.

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Vocês Terráqueas
Seduções e perdições do Feminino

> Mais sobre o livro


Iassim vamos – Alberico Rodrigues

Setembro 26, 2009

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Conheci o Espaço Cultural Alberico Rodrigues em jul2009. Fica em Pinheiros, vizinho à praça Benedito Calixto. O espaço é uma concretização dos sonhos e ideais de seu proprietário, o professor Alberico, ou Alberix, como eu gosto de chamá-lo. Após sair do interior da Bahia e rodar mundo estudando e dando aulas de literatura, Alberix entendeu que deveria por sua experiência a serviço da cultura de seu país. Foi com esse nobre ideal que em 1988 ele montou seu espaço, que hoje é referência cultural na capital paulista.

Cheguei por lá atraído pelo canto das sereias, acho que as mesmas que me atraíram quando pequeno e me levaram a ser escritor. Entrei e logo gostei do que vi: uma livraria de livros novos e usados, mais à frente uma loja de CDs e DVDs e aos fundos um café-bar. No primeiro andar um teatro de bolso para 60 pessoas. E uma deliciosa área externa onde se pode sentar à mesa e comer e beber com os amigos e ficar olhando o movimento da praça em frente, honrosamente acompanhado dos bustos de Machado e Camões. Diliça.

Pra minha sorte, Alberix gostou de mim e do meu trabalho. E recebeu de braços abertos as minhas kelmerices. Foi lá, por exemplo, em agosto, que estreamos o Viniciarte, espetáculo que criei sobre Vinicius de Moraes e que foi o primeiro evento realizado pelo meu projeto Letra de Bar. Aliás, o Viniciarte seguirá lá em cartaz uma vez por mês. E foi lá também que, em setembro, lancei meu livro Vocês Terráqueas, que, pra minha honra, Alberix gostou bastante e logo pôs à venda na livraria. Valeu, Alberix. Acho que juntos poderemos fazer muitas coisas boas.AlbericoRodrigues-01b

Sobre o Vocês Terráqueas, ainda farei lançamentos em outros bares, dentro do projeto Letra de Bar. E sobre o Viniciarte, Celia Terpins segue vendendo-o pra empresas, clubes e hotéis. Ela gostou muito do espetáculo e acredita que podemos até viajar com ele por outras cidades. Então, se você curte Vinicius de Moraes, quital levar o espetáculo pra sua cidade, hum? Aproveita que o precinho tá bom.

E sobre o Letra de Bar, em outubro será lançado o primeiro número da revista impressa, que terá edições bimestrais e será distribuída gratuitamente no circuito boêmio-cultural da cidade de São Paulo. O projeto divulgará o que estiver relacionado ao mundo dos livros: novos autores, livrarias, editoras, gráficas, empresas e profissionais da área e também filmes e espetáculos baseados em livros, além de entrevistas.

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Corta pro apê da Paulete. Paulete Hetê. Ela prepara aquele capuccino que só ela sabe fazer enquanto eu, no noutibuk dela, reviso o roteiro do Viniciarte. Em algum lugar toca um blues. Paulete me serve o capuccino e depois vai fazer alongamento na sala. Seu corpo nu se integra à paisagem da pauliceia lá fora na janela. Ou será o contrário?

- Pô, Paulete, assim eu não consigo trabalhar.

- Vinicius conseguia.

- Eu não sou Vinicius.

- Não é mas tá cada vez mais vivendo como ele. Amores, literatura, música, poesia, bares, viagens…

- Pensando bem, é verdade.

- E ainda monta um espetáculo sobre ele.

- O poetinha sempre foi meu guia, você sabe.

- Você também deixará de ser escritor pra ser artista?

- Sempre fui as duas coisas. Não pode?

- Escritor e artista. E agora produtor cultural. E editor de jornal. E palestrante. E professor de roteiro. Que horas você vai escrever livro?PauleteHete-106a

- Posso escrever antes de dormir.

- Você nem dorme mais. Já viu como tá tua cara? Vai assustar as leitorinhas.

- Em breve eu diminuo o ritmo de trabalho e…

- Ahahahah! Comigo ninguém diminui o ritmo, Rica querido. Você entrou na pista, agora tem que correr senão é atropelado.

- Não quero correr. Quero celebrar.

- Um Vinicius cearense pra eu sustentar. Eu mereço.

- Agora pára de me exibir a bunda que eu tenho que trabalhar, vai.

- Que o poetinha não escute essa heresia.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Don Juan DeMarco baixa em Pinheiros

Setembro 16, 2009

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Cinema, Tela da Alma é uma série de palestras que faço usando filmes pra mostrar como a força e o encantamento do cinema são capazes de nos tocar profundamente a alma e nos instigar a viver a vida de modo mais verdadeiro. Sempre em linguagem acessível e de forma descontraída, essas palestras nos fazem ver os filmes por um olhar mitológico e psicológico, refletindo na tela as nossas próprias vidas, os nossos sonhos, os medos e anseios e a velha busca pela nossa essência mais legítima, que o corre-corre do cotidiano tão bem nos faz esquecer.

A primeira palestra deste ciclo atual será Razão e Sentimento em Conflito. Trata-se de uma abordagem bem humorada do filme Don JuanDeMarco, mostrando como os personagens principais, o jovem Don Juan e seu psiquiatra, representam o velho conflito entre intelecto (a visão fria e racional da vida) e coração (a poesia e o romantismo). Outros aspectos analisados: estrutura do roteiro e fotografia.

Outros filmes que integram o ciclo de palestras Cinema Tela da Alma: Matrix, Caçador de Andróides (Blade Runner), Piaf, Uma Mente Brilhante, Encontro Marcado e Alucinações do Passado.

Horários
18h30: exibição do filme
20h: intervalo para o café
20h15: palestra
21h30: encerramento

Local:  Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros (estacionamento na praça)
Inf.: 3064.3920 e 3064.9737
Investimento: R$ 10

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> Crônica Razão e sentimento em conflito
> Palestras de RK


Kelmer no Toma Lá Dá Cá

Setembro 12, 2009

Aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro

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KelmerMorcegoLivro-20Você alguma vez já se sentiu como se o mundo estivesse de cabeça pra baixo?

Foi pensando nisso que um dia decidi estudar os morcegos, que, como todo mundo sabe, veem o mundo de cabeça pra baixo e nunca ficam tontos. Os morcegos estão neste planeta há 50 milhões de anos e são os únicos mamíferos que voam – além da Mulher Maravilha, é claro. Passei anos morando em cavernas, observando os morcegos e extraindo deles importantes aprendizados pra nossa vida, inclusive, sim!, pra vida sexual.

Mas o que tudo isso tem a ver com você no Toma Lá Dá Cá da Globo, Kelmer? Calma, vou chegar lá.

O resultado dessas pesquisas tá em meu livro Socorro! Eu sou um morcego e o mundo está de cabeça para baixo! Ele mostra que podemos aprender muito com os morcegos e seu superdesenvolvido senso de equilíbrio e programação espacial. Uma obra que não pode faltar em sua estante, desde que ela seja bem resistente pois o livro tem 1710 páginas e acompanha um lindo e mimoso morcego empalhado de brinde. Uma editora húngara teve a coragem de publicá-lo em 1993 e assinei com o nome de Kelmer Cönka (pronuncia-se concá). Isso tudo bem antes do Chico Buarque escrever Budapeste, viu?

Praticando a reprogramação no metrô

Praticando a reprogramação no metrô

Morcegos dormem de ponta-cabeça. E também copulam e parem filhotes e veem os gols da rodada assim porque essa posição mostrou ser uma boa vantagem adaptativa, principalmente pra voar: basta soltar-se da pedra ou do galho, bater as asas e aproveitar a força da gravidade pra obter rapidamente boa velocidade. Isso pode nos ensinar, a nós humanos, sobre como superar crises: se nos pendurarmos de cabeça pra baixo, as ideias se soltarão mais facilmente rumo à saída do problema. Funciona. O chato é que nessa posição as moedas caem do bolso mais facilmente também.

Em relação a parir filhos de cabeça pra baixo, no interior da China esse método é aplicado há séculos. O sangue das mamães chinesas desce pra cabeça e elas ficam bem coradinhas, podendo tirar foto logo após o parto com aquela cara de quem acabou de voltar das férias em Jericoacoara. E a vantagem dessa posição pros bebês é que eles já nascem campeões de ping-pong. Não sei o que uma coisa tem a ver com a outra mas se você olhar a classificação dos mundiais de ping-pong, só dá chinês, é um horror.

E quanto a transar de cabeça pra baixo, essa prática proporciona grandes benefícios pra circulação sanguínea, além de permitir que o casal discuta a relação numa nova perspectiva. Homens detestam discutir a relação de cabeça pra baixo, eu sei, mas assim pelo menos os desgraçados não dormem.

Invertendo a ótica do problema

Invertendo a ótica do problema - exercícios pra fazer em casa

O livro foi um fiasco, vendeu apenas dois exemplares, ambos comprados por um bofe americano chamado Bruce Wayne, que pediu dedicatória no segundo exemplar pra seu amigo Dick. Não sei mas algo me diz que o motivo do fracasso foi porque o livro ficava de cabeça pra baixo nas livrarias. E eu? Eu doei os direitos do livro pra Sociedade Protetora dos Morcegos Sem Pernas (tadinhos, eles dormem deitados) e no ano seguinte montei uma banda de rock, que tinha uma tiete chamada Beatriz que me pirou o cabeção e, aí sim, meu mundo ficou de ponta-cabeça. Mas isso é outra história.

Eis, porém, que no episódio de 08.09.09 do sitcom da Globo Toma Lá Dá Cá, aqueles aloprados moradores do condomínio Jambalaya descobriram meu livro. Putz, fiquei muito surpreso. Arnaldo leu (ele sabe húngaro?) e virou um novo homem, seguindo as lições de reprogramação dos morcegos pra organizar melhor sua vida. Rita também gostou. E Copélia… Ai, Copélia… Bem, eu não pretendia tornar público o nosso passado caliente mas, agora que todo mundo já sabe, resta-me agradecer-lhe mais uma vez pela paciência de aguentar minhas pesquisas e meus morcegos. Aliás, cá pra nós, Copélia pode até ser extravagante e sem juízo mas uma coisa eu garanto: ela é o tipo de mulher que dá certo até de cabeça pra baixo. E como dá.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Veja o vídeo Kelmer no Toma Lá Dá Cá
Busque o episódio “Álvara é um show” e veja o vídeo 3
(Dona Álvara faz lançamento de seu DVD no Jambalaya)

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O pop pornográfico de RK (André de Sena)

Agosto 31, 2009

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O POP PORNOGRÁFICO DE RICARDO KELMER
Por André de Sena

Há, atualmente, uma fronteira tênue entre a literatura tradicional e o entretenimento que vem sendo ocupada por alguns escritores de talento e suas obras marginais em relação ao grande mercado editorial. Estes novos escritores endossam uma das grandes contradições no universo da crítica literária atual, o fato de que a decantada crise da ficcionalidade – que vai do chamado esgotamento das antigas formas literárias até a perda da ilusão de que a literatura poderia servir de espelho da realidade, passando ainda por fatores mais prosaicos como a debandada dos leitores por conta do aparecimento das mídias visuais (tv, cinema, internet, etc) – não vem sendo corroborada pela verdadeira efervescência dos blogs e diários on-line, que chega mesmo a propor novos caminhos à própria literatura.

A pletora de blogs vem revelando democraticamente talentos que, há pouco mais de uma década, estariam fatalmente destinados ao completo silêncio por conta do apertado funil da indústria editorial, que faz com que uma fração mínima de autores tenha direito à voz. E, para os críticos tradicionais que ainda torcem o nariz para esta novíssima produção ficcional, aqui vai um alerta: há muita boa literatura sendo gerada, bastando algumas horas de navegação via Internet para constatar isso. Até mesmo a nova linguagem cifrada/codificada utilizada pelos membros da rede – na qual alguns exagerados já viram inclusive o fim da norma culta – por vezes pode render gratos neologismos que impulsionam a alquimia da língua como um todo.

O livro “Vocês terráqueas”, do escritor cearense Ricardo Kelmer, atualmente radicado em São Paulo, lançado ao mesmo tempo em formato impresso (Miragem Editorial) e em formato e-book, para ser lido na tela do computador, é um bom exemplo desta nova literatura que floresce, pari passu, à completa inserção da Internet na vida das pessoas. Os contos e crônicas reunidos nesta obra, que poderiam ser catalogados, grosso modo, como “pop/pornográficos”, mostram que a literatura é mais camaleônica do que se supunha e vai buscar para seu denso arsenal até mesmo a informalidade da escritura dos e-mails e o prosaísmo das situações mais antilíricas. De fato, a literatura não necessita apenas de grandes mestres da prosa para ser pulsante de vida – a linguagem comum, diária, também pode inspirar pelo aspecto da inovação e da poesia.

Com nove livros na bagagem, a exemplo de “A arte zen de tanger caranguejos”, “Guia prático de sobrevivência para o final dos tempos”, “Baseado nisso” e “Blues da vida crônica”, Ricardo Kelmer vem lapidando aos poucos sua prosa característica, informal com conteúdo, irônica e, por vezes, poética. Mas foi a partir da criação de um blog, o blogdokelmer.wordpress.com, que ele se tornou conhecido em todo país, principalmente quando decidiu “turbinar” sua escrita, unindo três universos distintos, o da pop literatura, o da literatura de humor e o da pornografia light, para confeccionar uma obra autoral válida. “Vocês terráqueas” é o fruto mais recente dessa união, que também deu origem, no blog do autor, ao link “Kelmer para mulheres”, uma divertida série de textos eróticos relativa ao universo feminino que conta ainda com os “arquivos secretos”, apenas para leitores cadastrados (estes sim, “mais” pornográficos). Em todo o caso, é o humor que se destaca em todas estas obras, dissolvedor de modos e gêneros literários, metaficcional por excelência.

Como espelha o título, os vinte e um contos e quinze crônicas reunidas em “Vocês terráqueas” tratam, com os mais diversos matizes, do universo feminino, ou, mais exatamente, da estranheza, horror e fascinação que este pode suscitar. Ciganas, lolitas, santas, prostitutas, espiãs, sacerdotisas pagãs, entidades do além, mulheres selvagens – em todas as personagens, destaca-se o reflexo do olhar masculino fascinado, amedrontado, seduzido. Pode-se afirmar que Kelmer já é dono de um estilo próprio (no fundo, uma das almejadas metas de todo escritor) e, do ponto de vista narrativo, há três pequenas obras-primas em “Vocês terráqueas”, os contos “O presente de Mariana”, “A professora de literatura do meu marido” e “Gisele, a espiã nua que eliminou o Brasil”. Os temas são curiosos, mas desenvolvidos com talento: no primeiro conto, uma entidade se apaixona por um homem após uma sessão de umbanda; no segundo, há a descrição de um mundo meio futurista onde as pessoas escolhem as características físicas e psicológicas de seus amantes; no terceiro, narra-se a história de um homem que crê piamente que sua “cueca da sorte” seja a responsável pelas vitórias nos jogos da seleção brasileira.

Muitos outros contos interessantes e iconoclastas de Kelmer ficaram de fora desta obra, mas podem ser lidos no blog do autor, como “O último homem do mundo”, que retoma o tema do pacto fáustico em um contexto atual (as relações de poder entre homens e mulheres), além da escrachada série “Um ano na seca”, diário que narra as aventuras de um homem apaixonado por sua boneca inflável, onde o humor mais burlesco acaba diluindo o pornográfico e dando lume a uma espécie de gênero literário híbrido, que é um dos trunfos da escrita kelmérica.

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André de Sena é jornalista, músico e estudioso de literatura. É autor de dois livros de poemas, Bosques da Moira e Miratio. Mora em Recife-PE.

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Saiba mais sobre o livro:
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

O que mais escreveram sobre este livro:

> Desconstruindo Kelmer (por Wanessa) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina…


As Terráqueas na Pauliceia

Agosto 28, 2009

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Tô muito feliz. Minhas terráqueas enfim darão as caras na Pauliceia. O lançamento oficial de meu novo livro, Vocês Terráqueas, será em setembro, em duas datas. Me sentirei muito honrado com sua presença!

03 set – 17h a 21h
Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Show com MOACIR BEDÊ e convidados
Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros – 3064.3920 (aceita cartões de crédito)
> estacionamento na praça

05 set – 20h a meia-noite
Bar de Ontem
Rua Cardeal Arcoverde, 1761 – Vila Madalena – 3097.9811 (aceita cartões de crédito)
> estacionamento na rua

Preço do livro: R$ 20

APOIO:
Letra de Bar – TV da Praça – O Autor na Praça – Alpha FM

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Mais sobre o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino


Este blog merece virar livro?

Agosto 28, 2009

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No ranking de votação do concurso BlogBooks (atualizado em 27ago), categoria Universo Masculino, o Blog do Kelmer tá em primeiro lugar. Uau!!! Obrigado a você, que gosta do meu trabalho. Muito obrigado mesmo!

O Prêmio BlogBooks transformará em livro os melhores blogs do Brasil. Esta primeira edição é uma realização da Singular Digital, em parceria com a HP, Grupo Ediouro e o Best Blogs Brazil.

A votação vai até 18set. Você acha que o Blog do Kelmer merece virar livro? Então é só clicar no link aqui embaixo e votar. Cada endereço de e-mail dá direito a um voto e o processo é bem simples e rápido.

> www.blogbooks.com.br/categorias/universomasculino

E se quiser fazer campanha pro meu blog, não vou achar ruim de jeito nenhum… :-)

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> Pra conferir as postagens sobre “universo masculino” neste blog


Blog do Kelmer concorrendo ao Prêmio BlogBooks

Agosto 19, 2009

BlogBooksBanner01.

Tô me sentindo muito honrado: o Blog do Kelmer é um dos 10 concorrentes ao 1o. Prêmio BlogBooks, categoria Universo Masculino. Graças a leitores como você. Obrigado!

O Prêmio Blogbooks transformará em livro os melhores blogs do Brasil. Esta primeira edição é uma realização da Singular Digital, em parceria com a HP, Grupo Ediouro e o Best Blogs Brazil. A lista dos concorrentes é formada por blogs que se destacaram na blogosfera brasileira entre 2008 e 2009. A escolha foi baseada em aspectos como relevância e adaptabilidade editorial dos blogs participantes.

A votação começou em 18ago e vai até 18set. Você acha que o Blog do Kelmer merece virar livro? Então é só clicar no banner aí de cima e votar. Cada endereço de e-mail dá direito a um voto e o processo é bem simples e rápido.

Se preferir, também pode clicar aqui:
> www.blogbooks.com.br/categorias/universomasculino

E se quiser fazer campanha pro meu blog, não vou achar ruim de jeito nenhum…

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> E clique aqui caso deseje conferir as postagens neste blog sobre o universo masculino.

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O Blog do Kelmer merece virar livro?

Campanhas pró e contra

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BDKBlogBooks2009Div-02b

A FAVOR

> SAMUCA – Sociedade Amparadora da Mulher Carnuda
> H2Rock (Bar do Orlando) – Rua AugustaSão Paulo-SP
> Japinhas da barraca do Pastel
- Feira de Pinheiros – São Paulo-SP
> Blog do Edgar
- Porto Alegre-RS
> Queiroz Costa Escritório de Arte
Fortaleza-CE
> Bar de Ontem – Vila Madalena – São Paulo-SP
> Espaço Cultural Alberico Rodrigues – Pinheiros – São Paulo-SP

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CONTRA

> MNBC – Movimento Nacional pelos Bons Costumes
> ANBC – Associação dos Nove Blogs Concorrentes



0 gozo de ser bem lido

Julho 23, 2009

BDKAnuncio-01a

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No namoro do olhar com a palavra
Faz-se coito o literato sentido
Quem lê bebe o doce prazer do texto
Que escorre do gozo de ser bem lido

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25 de julho, dia do escritor
Uma homenagem a você que me lê

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


E assim se passaram 12 meses

Julho 2, 2009

Bolo-101Sabia que em jun2009 o Blog do Kelmer completou seu primeiro aninho de vida? Obrigado, obrigado, prove do bolo que tá muito gostoso, foi Celina quem fez, sim, aquela da torta de chocolate… Senta um pouquinho, fica à vontade, eu tô contando a história deste blog.

Poisbem, como eu dizia, desde 2004 eu tinha o site ricardokelmer.net e tava satisfeito com ele. Aí comecei a viajar muito e isso dificultava as atualizações pois além de ter que levar os arquivos comigo, eu precisava que o computador tivesse um programa de ftp.

Em set2007 experimentei esse negócio de blog com o Kelmer para Mulheres (kelmerparamulheres.blogspot.com), que foi criado pra ser uma espécie de laboratório pro meu livro Vocês Terráqueas - Seduções e perdições do Feminino, onde durante 9 meses eu publicaria textos e receberia sugestões de temas pro livro. Putz, foi uma experiência bastante proveitosa, que me abriu a mente pra incrível funcionalidade dos blogs (e ainda é gratuito!) e me fez perceber a importância da interatividade pro meu trabalho de escritor, o quanto posso me aprimorar com o contato mais próximo do público.

Em jun2008 fechei o Kelmer Para Mulheres (2 mil acessos individuais por mês) pois o Vocês Terráqueas já tava pronto. Fechei também o ricardokelmer.net (10 mil acessos individuais por mês) e abri o Blog do Kelmer, pra onde poderia transferir aos poucos o conteúdo do antigo site. Escolhi o WordPress por permitir manter páginas protegidas por senha, as quais libero apenas aos leitores vips, aqueles que adquirem meus livros.

Meu trabalho se tornou bem mais dinâmico pois o Blog do Kelmer requer atualizações mais frequentes, maizomenos como uma revista eletrônica. Isso me obriga a escrever mais e com maior rapidez, é verdade, porém isso traz mais fidelidade por parte do leitor que deseja me acompanhar mais atentamente. No blog os assuntos são organizados quase que automaticamente e isso facilita a pesquisa.

Nesses primeiros 12 meses foram 24 mil acessos individuais (65 por dia) mas nos últimos 4 meses a média mensal subiu pra 2,8 mil acessos, quase 100 por dia. A média de páginas visitadas é de 1,6 por acesso e a média de tempo no blog é de 2min30 – o que indica que boa parte dos acessantes chega ao blog, não troca de página e sai rapidinho, talvez vindo de alguma busca e não se interessando pelo que encontra aqui. Mas há sempre leitores que passeiam bastante pelo blog. Esses números, que podem ser conferidos à direita no banner do Sitemeter, ainda estão distantes dos números do antigo site mas é provável que em breve eles se aproximem pois eu evidentemente pretendo ficar mais conhecido e, além disso, a postagem semanal de textos antigos e novos atrai automaticamente cada vez mais leitores e buscadores.

Acho que fiz a coisa certa, tô satisfeito. Espero que meus leitores tenham aprovado a mudança. O bolo tava bom? Então pegue mais um pedaço que outro bolo agora só daqui a um ano.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Iassim vamos – Parada gay

Junho 27, 2009

EleLetraCaminha-01

Eu já havia perdido a Virada Cultural de 2009 por ainda estar na turnê nordestina. Uma pena. Nem vou listar aqui os shows imperdíveis que perdi pra não chorar, xapralá, bola pra frente. Pela menos a Parada Gay eu não perderia, um bom consolo.

O tuntstuntstum no último volume dos carros de som é insuportável. As calçadas das ruas transversais alagadas de mijo também. Mas é compensador participar desse carnaval de um dia só em que se transformou a Parada Gay, eu realmente me divirto muito em ver os tipos e fazer parte dessa grande festa democrática da sexualidade.

Este ano terminamos a festa no H2Rock, um boteco da Augusta que descobri dia desses, onde sempre rolam bons shows de blues e rock no telão. Tomar uma vendo os Doors, Janis, Led Zeppelin, ô diliça… Coisas daugusta. Eu, Samia, Zé di Bedis, Magnata e Gilbas, entre cervas, domecqs e ósculos desatinados. Tudo muito bom, até o tiragosto de amendoim com alho. Coisas daugusta.

Agora falando sério. Assim como não há mais como deter os movimentos de emancipação feminina e de igualdade racial, o mesmo já acontece com o movimento gay. A sociedade já não pode fazer de conta, como até um tempo atrás, que a homossexualidade não existe. Hoje precisamos todos conviver com isso, gostando ou não. Aliás, a luta dos homossexuais não é apenas a luta de uma minoria – ela deve ser vista como um movimento natural evolutivo da própria humanidade no sentido de se aceitar como sempre foi, sexualmente diversa.

Você tem a sua sexualidade própria, eu tenho a minha, a digníssima senhora sua mãe tem a dela e, se pensarmos bem, em última análise cada pessoa deste mundo vivencia a sexualidade de uma forma única. Entre bilhões de pessoas, talvez não haja duas sexualidades exatamente iguais. Então por que haveríamos de eleger uma mais certa ou errada que a outra?

Quanto mais penso no assunto, mais me convenço de que a velha divisão da sexualidade humana em heterossexual e homossexual é algo absolutamente artificial e sem real fundamento. Tudo bem que de uns tempos pra cá o senso comum abriu uma brechinha na divisão pra incluir a bissexualidade mas, ainda assim, não dá pra explicar a sexualidade humana encaixando-a apenas nesses três compartimentos. Dois gays podem ser sexualmente mais diferentes entre si que um homo e um hetero. Sem falar que a questão na verdade começa muito antes disso: o que exatamente define, e qual a medida, que alguém é homo ou hetero ou bi?

O mundo melhor pelo qual eu e muitos outros lutamos passa necessariamente por esta aceitação: somos diversos. E dentro dessa diversidade somos uma única família e temos todos o mesmo direito fundamental, o direito que é a mãe de todas as liberdades: poder ser quem somos.RKParadaGay200906-504a

Pra terminar, deixo você com a graciosa exuberância de Natasha e Thalyta, uma dupla que, como pode-se constatar, abalou a avenida Paulista. Olhe à vontade pois não tava fácil a concorrência pra fotografar com as meninas.

> RK na Parada Gay. Veja as fotos (exclusivo para Leitor Vip)

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Corta pra cozinha da Paulete. Ela preparando um capuccino. Só de calcinha e uma camiseta preta do Led Zeppelin. Adoro mulher com camiseta do Led. Em algum lugar toca um blues.

- Defendendo os gays assim, vão acabar achando que você agasalha o croquete.

- Claro que agasalho. No seu cruassam.

- Hummm, é assim que eu gosto de te ver, bem animadinho.

- É, tô animado mesmo. Você tá me tratando bem.

- Meu batráquio desengonçado merece. Gostou do boteco da Augusta?

- Tirando a fumaceira de cigarro, adorei.

- Fica frio, sete de agosto acaba teu martírio.

- Nunca mais tontura e olhos irritados. Nunca mais roupas e cabelo fedidos. Ufaaaa…

- Primeiro o barzinho da Cardeal. Agora um boteco na Augusta. Pra quem tava órfão de bar e agora já tem dois…

- Obrigado, Paulete. Mas quero mais. Bares legais pra botar no circuito do Letra de Bar, você me arruma?

- Tá na lista de prioridades. Junto com a namorada linda e indecente pra ver contigo os gols da rodada embaixo do edredon.

- Ver e comentar, não esquece.

- Ela ainda tem que comentar? Se você pelo menos fosse bonito, teria moral pra tanta exigência…

- Falar nisso, te contei que me cadastrei no Par Perfeito?

- Sério? Ah, vocês românticos…

- Achei que você aprovaria.

- Eu? Esquece. Pro seu caso, é melhor um bar perfeito.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> RK na Parada Gay. Veja as fotos (exclusivo Leitor Vip)


Iassim vamos – Bar de Ontem

Junho 22, 2009

EleLetraCaminha-01Conheci o Bar de Ontem através de Marcello e Diego, que me convidaram pra ir ao Sarau de Ontem, que ambos estavam começando a produzir e que rolaria quinzenalmente aos domingos lá, nesse tal de Bar de Ontem.

Ops, um sarau. Eu gosto de sarau, principalmente quando não é formal e careta. Aquela coisa de literatura misturada com música, teatro, dança, todos participando, aquele clima de suruba artística, acho muito gostoso. Falando nisso, nessa última temporada em Fortaleza criei o Bordel Poesia, um sarau mensal cujos temas são paixão e erotismo. Minha amiga Paola Benevides ficou como produtora do evento, junto com a Linda Mascarenhas. Vida longa ao Bordel Poesia.

Poisbem, o Sarau de Ontem. Fui e gostei. Funciona no mezanino do Bar de Ontem, que fica ali em Pinheiros, na Cardeal Arcoverde, entre Fradique e Mourato. Quem foi comigo foi o Moacir Bedê, mais conhecido no submundo do crime desorganizado como Zé di Bedis, junto com Sofia Binoche, Gabriel Barruan e Magnata. Foi divertido, conhecemos gente bacana e eu desenterrei uns poemas do Bandeira do fundo empoeirado do meu passado recitador. E o Zé di Bedis, quando perdeu a vergonha, interpretou Listen, a obra-prima do seu cancioneiro sem-noção. Ninguém entendeu nada, é claro, mas riram bastante.

E eu, depois que me animei, puxei da mochila o Vocês Terráqueas e li Queremos mulher carnuda. Como sempre, aplausos e calorosas manifestações de apoio à Samuca (Sociedade Amparadora da Mulher Carnuda). E no fim li Loiras ou morenas, com acompanhamento musical do Marcello. Acho que gostaram pois acabei vendendo dois livros, ô maravirilha.

Lu e Gilson são os donos do bar, casal ótimo, simples e a fim de fazer do lugar um reduto artístico, com o apoio dos filhos Ciça e Edu. Que bom. Gostei deles, do ambiente descontraído da casa e dos preços que se não empolgam, também não assustam – tanto que voltei lá na semana seguinte, depois voltei no sarau, depois outra vez… Ufa, eu realmente tava carecendo de ser adotado por um bar aqui na Pauliceia. E tem mais, acabamos fechando uma parceria: o Bar de Ontem é o primeiro a integrar o circuito do Letra de Bar (letradebar.wordpress.com), meu projeto literário que estreia em agosto. E em breve farei uma noite de autógrafos lá, você já tá convidado.BARBarDeOntemLogo-01

Corta pra cozinha da Paulete. Ela fazendo um capuccino. Só de calcinha e camiseta (comprada na feirinha da Benedito Calixto). Como que ela sabe que eu adoro mulher de calcinha e camiseta? E, putz, como ela descobriu que adoro as frequentadoras da Benedito Calixto?

- Um barzinho legal e um sarau pro meu escritor ler seus textos maluquinhos. Gostou do presente?

- Você é demais.

- E, de quebra, duas novas leitoras.

- Assim eu me apaixono.

- Foi o que a cigana disse.

Visto um agasalho, hoje tá frio. Em algum lugar toca um blues. Engraçado, nunca sei de onde vem mas sempre toca um blues.

- Treze graus, Paulete, e você de calcinha. Comé que pode?

- É o teu tesão que me veste assim, ainda não sacou? Quando ele acabar, você me verá diferente.

- Meu tesão por você não vai acabar.

- Mas vai se transformar, como tudo, seu moço. Você, por exemplo, não é mais aquele que me apareceu três anos atrás, tão perdido, coitado, fugindo de um Rio de Janeiro que não te curtiu.

- Você também não me deu bola.

- Claro. Vocês artistas e escritores precisam primeiro provar que me merecem. Por que eu te trataria diferente dos tantos outros que me procuram? Só porque você é um pobre coitado ingênuo e romântico?

- Eu?

- E que nessa altura do campeonato, o mundo se acabando, ainda insiste em ver tudo pelo olho da poesia.

- Eu??

- Mas eu gosto. Sem isso você não me veria assim, de calcinha e camiseta, toda poética nesse frio.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Letra de Bar lançado em SP

Junho 19, 2009

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Com a criação em junho do blog letradebar.wordpress.com, foi lançado oficialmente em São Paulo o projeto LETRA DE BAR, que visa formar um circuito cultural permanente envolvendo bares, autores de livros e o público leitor. A ideia é simples: os autores fazem noites de autógrafos nos bares participantes, são entrevistados e vendem seus livros. Com isso o projeto pretende levar os livros ao ambiente boêmio e descontraído dos bares, promovendo seus autores e dando mais um toque cultural à noite da cidade.

A essência do Letra de Bar paulistano é a mesma do projeto que já foi implantado em Fortaleza, em março. Os autores nada pagam pra participar e os bares oferecem um jantar ao autor e à produção do evento, ganhando, em troca, um livro do autor pra compor a biblioteca da casa, além de publicidade no blog e no informativo impresso. É importante destacar que podem participar autores de livros de todos os gêneros (livros de fotografia, guias de viagem, curiosidades, receitas de cozinha etc) e não apenas de literatura propriamente dita. É uma festa do livro, por amor aos livros.

No momento tô acertando a participação dos bares e dos autores e tentando parcerias com editoras. O primeiro bar participante é o Bar de Ontem (rua Cardeal Arcoverde 1761, Pinheiros). Espero iniciar os eventos em agosto.

Se você é autor ou tem um bar e gostaria de participar, entre em contato: letradebar(arroba)gmail.com.

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Ricardo Kelmer 2009 – wordpress.com


Iassim vamos – Paulete, ai, Paulete

Junho 10, 2009

EleLetraCaminha-01Um mês. Um mês que voltei a São Paulo após a temporada nordestina de 9 meses. Os primeiros dias não foram fáceis, eu era o Homem Sem: sem quarto pra dormir, sem computador, sem internet e sem poder ligar no celular pois deu um problema com minha conta da Claro. Um mês sem poder trabalhar normalmente, me virando em lan houses e me irritando com os orelhões quebrados.

Agora as coisas estão se ajeitando. Comprei um noutibuk Acer e instalei um 3G da Oi, resolvi o problema do celular e tô no quarto que aluguei no bairro do Sumaré, a 10 minutos de caminhada do metrô. Morando aqui, finalmente tô pertinho das livrarias, cinemas, teatros e bares, como eu queria estar.

Putz, em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade. Tomara que ela também queira fazer parte de mim. Será que quer?

Corta pra cozinha de um pequeno apartamento. Pela área de serviço ouve-se o som do trânsito lá fora. Paulete prepara um capuccino – só de calcinha. RK, sentado à mesa, em sua tradicional estampa matinal (despenteado e horrendo), aguarda a resposta, será que quer? Em algum lugar toca um blues.

- Claro que quero, seu bobo. Quero fazer parte de você e de todo escritor maluco que vem pra mim.

- E nessa cabecinha liberal aí não rola nem um ciuminho de Fortaleza?

- Não como ela tem de mim.

- Você realmente não se incomoda de me dividir com outras?

- Eu não. Você sempre volta pras minhas esquinas.

- Convencida.

- Na verdade tô é curiosa pra saber o que a loirinha desmiolada de sol tanto vê em você.

- Deve ser o meu jeitinho de dizer eu te amo…

- Que lindo!

- … enquanto tô dentro do rabo dela.

- Seu pornográfico. Também quero.

- Se der tempo…

- Como assim?

- A grana que tenho só dá pra três meses.

- Faz três anos que tua grana só dá pra três meses.

- É verdade…

- Vou te contar um segredo. Ontem eu fui na cigana. E ela me disse que você vai se apaixonar por mim.

- Sério? E o que você fará pra isso acontecer?ElaCidade-01a

- Vou te dar a vida que você pediu: literatura, música, cinema, teatro, bares aconchegantes…

- Demorou, né?

- Vou te arrumar uma boa editora e muita palestra pra você fazer.

- Jura?

- E uma namorada linda e indecente, que vai adorar ver os gols da rodada contigo embaixo do edredom.

- Ai, Paulete, assim eu me apaixono…

- Com açúcar ou adoçante?

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Ricardo kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


O chamado da Mulher Selvagem (2)

Maio 18, 2009

Criei este espaço pra prosseguir com o tema da Mulher Selvagem, o arquétipo da mulher livre e conectada à sabedoria natural. A crônica A Mulher Selvagem é um dos meus textos mais conhecidos, reproduzidos e comentados, o que indica que ele toca em algo muito precioso nas mulheres, no bom sentido  -  e também nos homens que não temem o Feminino.


A Mulher Selvagem sempre surpreendendo…

Encontrei uma versão da crônica num blog português chamado O Sentido da Palavra. Até aí nada demais, esta crônica é mesmo bastante reproduzida por aí. A novidade é que havia algumas alterações no texto. Bem, isso eu também já vi em alguns textos meus – parece ser o tipo da coisa com que escritores precisam aprender a conviver nesses tempos de internet, onde seus textos originais podem se transformar à medida em que são copiados, repassados e reproduzidos pela rede.

Neste caso específico, o que me chamou a atenção é que as alterações no texto parece que foram feitas com o objetivo de tornar o texto mais compreensível no português de portugal. Achei ótimo, claro, é o tipo de coisa que muito me gratifica.

Separei alguns trechos pra você ver.

É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha.

Ficou assim:

É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Praga, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para o Porto. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.

Catmandu virou Praga. Tiraram a mulher selvagem da Índia e a levaram pra República Tcheca. E Barroquinha virou Porto. Nesse caso, perdeu-se o sentido original da idéia, que era a de uma cidade pequena, longe e escondida, algo assim como “ela se mudou pro cu do mundo”. Mas, convenhamos, ficou mais chique, agora a mulher selvagem toma vinho do porto.

Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim.

Ficou assim:

Em quase tudo ela é uma mulher comum: vai de metrô cheio, aproveita as promoções, coloca o lixo fora de casa e tem dias que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: tu tens a impressão que viste uma loba na espreita. Tu ficas assustado, olhas de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo tu viste a loba, viste sim.

“Pega metrô lotado” virou “vai de metrô cheio”, o que alivia um pouquinho o aperto pra nossa mulher selvagem. O que mudou mesmo foi o uso do pronome, que passou de você, que os portugueses não costumam usar, pra tu.

Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine.

Ficou assim:

Como todo a mulher selvagem ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Guerreira do mato, gabriela cravo e canela? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias gosta daquele pretinho da montra.

Minha riponga do mato virou guerreira do mato, o que lhe emprestou um tom mais valente. Quando li pela primeira vez, pensei que guerreira do mato fosse um termo usual em Portugal mas pesquisei e não encontrei nada que indicasse isso. Pode ter sido escolha puramente pessoal do tradutor. E “gabriela brejeira” virou “gabriela cravo e canela”, assim sem vírgula mesmo. Ficou interessante, embora a idéia original fosse referenciar a personagem amadiana de modo mais sutil. Talvez o tradutor tenha considerado redundante a junção de gabriela e brejeira. De fato, é. E “paquera aquele pretinho básico da vitrine” virou “gosta daquele pretinho da montra”. Saiu a paquera e entrou o gostar. Portuguesas não paqueram? E o básico do pretinho pulou fora. Seria “pretinho básico” uma expressão incompreensível pros portugueses? Ou as portuguesas é que não são chegadas no famoso vestidinho preto que funciona tanto na boate quanto no velório? E montra significa vitrine mesmo. Bem, de qualquer forma, felizmente a tradução de “paquera aquele pretinho básico da vitrine” não ficou “insinua-se para aquele negrinho ordinário que decora a montra”.

Na postagem em que li o texto traduzido, constava um parágrafo extra ao final, que não faz parte do texto original, este:

Esta é a mulher selvagem, a mulher que possuem o antagonismo da vida dentro e fora de si. A mulher selvagem existe e será eterna entre a sociedade mundana dos homens e nunca será extinta.

Terá sido outra pessoa quem inseriu o trecho enxerido? Não sei. Só sei que não gostei nadinha, claro. Além de conter um erro grosseiro de concordância verbal (a mulher que possuem), traz umas coisas esquisitas como “antagonismo dentro e fora de si” e “será eterna entre a sociedade mundana dos homens e nunca será extinta”. Espero que não reproduzam o texto com esse trecho.

Tô feliz. Minha mulher selvagem deixou a terra brasilis e agora corre livre e nua pelo velho mundo, que bom. Acho que de agora em diante pedirei que me apresentem como “escritor traduzido em Portugal”. Chique no último!

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.wordpress.com

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“Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim.

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Ler a crônica/assistir o vídeo A Mulher Selvagem


Letra de Bar – Autores (Fortaleza)

Maio 1, 2009

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Conheça os autores que participam do Projeto Letra de Bar (Fortaleza)

> Saiba mais sobre o Letra de Bar Fortaleza

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autorcarmeliaaragao01Carmélia Aragão nasceu em Sobral-CE. Vive em Fortaleza-CE.

É mestre em Literatura Brasileira pela UFC e trabalha na Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – SECULT (Projeto Agentes de Leitura).

PUBLICOU: Eu vou esquecer você em Paris (contos, 2006). Os contos deste livro demonstram a necessidade que temos da Literatura como válvula de escape para enfrentarmos o cotidiano absurdo de nossas vidas. As personagens centrais do livro geralmente são mulheres perdidas no labirinto urbano, vivendo histórias cujo limiar está entre a loucura e a razão, porém tudo se faz possível ao se depararem com a Literatura.

CONTATO: carmelia.aragao@hotmail.com

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autorjeffpeixoto02aJeff Peixoto nasceu em Fortaleza-CE. Vive em Fortaleza-CE

É escritor, jornalista, redator e designer publicitário. É também professor de Português e Literatura. “O olhar inquieto que sempre insistiu em não querer enxergar as coisas como a simplicidade apresenta, a essência ansiosa, a necessidade de desmantelar o óbvio, a relação passional com as letras, com os livros… antes mesmo de qualquer formação acadêmica, a literatura já era uma grande motivação vital. Iniciei com um livrinho de poesias, depois resolvi passear por outros gêneros: romance, contos, crônicas e ensaio. Ganhei prêmio importante da Academia Brasileira de Letras, depois resolvi sossegar um pouco, em 2008 retornei ao mundo da Literatura e isso me trouxe de volta um brilho na alma há muito não sentido. Meus grandes livros ainda estão inacabados, talvez eu nunca os conclua, até mesmo porque as reticências sempre me foram mais charmosas que o ponto final…” (JP)

PUBLICOU: O melhor livro do ano (ensaio, 2008)

SAIBA MAIS: www.omelhorlivrodoano.blogspot.com

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autorjorgepieiro01Jorge Pieiro nasceu em Limoeiro do Norte-CE. Vive em Fortaleza-CE.

É professor e coordenador de Políticas do Livro e da Leitura da Secult. Crítico e ensaísta, Jorge Pieiro tem trabalhos editados em várias revistas e jornais do Brasil e exterior. Pesquisador e palestrante, ministra vários cursos na área da literatura brasileira. Cronista no sítio www.germinaliteratura.com.br, onde assina a coluna “no rasto de panaplo”. Co-edita – juntamente com Pedro Salgueiro – a revista Caos Portátil – Um almanaque de contos, da qual se formou o selo “Edição do Caos”.

PUBLICOU: A grande casca do S (contos); Bolha de osso (contemas); Os sonhos de Josafá (conto infantil); Caos portátil (contos); Galeria de Murmúrios (ensaio); Neverness (poema); O tange/dor (poemas); Fragmentos de Panaplo (contos breves); Ofícios de desdita (ficção).

CONTATO: jorgepieiro@secrel.com.br

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autorjoseleitenetto01aJosé Leite Netto nasceu em Fortaleza-CE. Vive em Fortaleza-CE. É web-designer.

PUBLICOU: O relojoeiro; Vermelho sol de Canudos; O olho de Tebas; O livro da chuva. Em seu novo livro de poemas, O livro da chuva (contemplado no edital de incentivo à literatura 2007 da SecultFor), “o poeta canta a liberdade: a liberdade da alma, do amor, da criação poética. A linguagem fragmentada dos poemas, facilmente demonstrada pela quebra sintática e semântica dos versos, pode ser entendida como a chuva a que se refere o título do livro: é como se as palavras e frases soltas fossem como gotas d’água sobre o papel, umedecendo o coração dos leitores. Chove poesia sobre a Fortaleza de Iracema.” (Urik Paiva)

SAIBA MAIS: joseleitenetto.110mb.com

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autorlucianomaia01Luciano Maia nasceu em Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, CE. Vive em Fortaleza-CE

É advogado, professor do curso de Direito Unifor, Cônsul Honorário da Romênia em Fortaleza e membro da Academia Cearense de Letras. Traduziu vários dos principais poetas da Romênia, como Mihai Eminescu, Mihail Sadoveanu, Marin Sorescu e Emil Cioran, além de outros da Suíça e da Itália.

PUBLICOU: Jaguaribe – Memória das águas (poema épico); Neruda – Canto Memorial (poemas); Rostro Hermoso (poemas); Autobiografia Lírica (poemas); Sol de Espavento (poemas); Almanaque Neolatino – Estudo das Línguas Românicas; Pátria dos Cataventos (poemas); Mar e Vento (poemas) entre outros.

CONTATO: terramaia@unifor.br

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autorniltomaciel2009-01aNilto Maciel nasceu em Baturité-CE, 1945. Vive em Fortaleza-CE.

Criou, em 1976, com outros escritores, a revista O Saco. Ganhou vários concursos literários estaduais e nacionais com destaque para o Concurso Brasília de Literatura, o Prêmio Graciliano Ramos e o Prêmio Literário Cidade de Fortaleza. Tem contos e poemas publicados em esperanto, italiano, espanhol e francês.

PUBLICOU: Contos: Itinerário; Tempos de mula preta; A guerra da donzela; As insolentes patas do cão; Pescoço de girafa na poeira; Babel; A leste da morte. Poemas: Navegador; Romance: Estaca Zero; Os guerreiros de Monte-mor; O cabra que virou bode; Os varões de Palma; A Rosa Gótica; A última noite de Helena; Os luzeiros do mundo. Crítica: Contistas do Ceará – D’A Quinzena ao Caos Portátil.

SAIBA MAIS: niltomaciel.blog.uol.com.br

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autorrk200904-04Ricardo Kelmer nasceu em Fortaleza-CE, 1964. Vive em São Paulo-SP.

É escritor, roteirista e letrista musical. Faz palestras sobre cinema, mitologia e psicologia e também sobre mercado literário e publicação de livros. Coordena a Oficina On-Line de Roteiro de Sitcom.

PUBLICOU: Quem apagou a luz? (ensaio, 1995); O irresistível charme da insanidade (romance, 1996); Guia prático de sobrevivência para o final dos tempos (contos, 1997;, Baseado nissoLiberando o bom humor da maconha (contos/glossário, 1998); A arte zen de tanger caranguejos (crônicas, 2003); Matrix e o despertar do herói (ensaio, 2005); Guia do escritor independente (dicas, 2007); Blues da vida crônica (crônicas, 2007) e Vocês terráqueas (contos/crônicas, 2008).

SAIBA MAIS: blogdokelmer.wordpress.com

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> Saiba mais sobre o Letra de Bar Fortaleza

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Letra de Bar (Fortaleza)

Maio 1, 2009

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LETRA DE BAR

Assim como o artista tem que ir aonde o povo está, os livros também precisam ganhar o mundo e encontrar seus leitores. Esta é a ideia que inspirou a criação do Letra de Bar, em Fortaleza, um projeto que tem como objetivo aproveitar o ambiente dos bares para homenagear os escritores e divulgar a produção literária local.

Para o autor, é uma ótima oportunidade de dar mais visibilidade a seu trabalho. Para o bar, o evento traz publicidade, associando seu nome à cultura e oferecendo uma atração especial a seu público. E o público, por sua vez, tem a oportunidade de conhecer melhor a produção literária de sua região e incentivar os autores locais.

O bar escolhido para a fase inicial do Letra de Bar é o Bar do Papai, (rua Torres Câmara esq c/ Monsenhor Bruno – Aldeota – 85-3264.3495) por ser um bar de sucesso na cidade, onde os artistas locais se sentem prestigiados e cujo proprietário, Carlinhos Papai, figura conhecida há muitos anos no cenário artístico da cidade, sempre esteve aberto para apoiar as novas ideias.

Toda quinta-feira, a partir das 20h, acontecerá no bar uma sessão de autógrafos de um autor, que terá sua obra exposta para que as pessoas possam conhecê-la, conversar com ele e adquirir os livros. No palco o apresentador conversará com o autor, que falará sobre seu trabalho, responderá perguntas do público e poderá ler trechos dos livros. O bar oferecerá ao autor um jantar de cortesia e ganhará dele um livro que servirá para compor a biblioteca da casa.

O criador do projeto é o escritor e roteirista Ricardo Kelmer, radicado em São Paulo. A produção do evento é de Cristina Cabral e Ricardo Black, que também é o apresentador.

SITE: letradebarfortaleza.wordpress.com

CONTATOS:
Ricardo Kelmer (São Paulo) – rkelmer(arroba)gmail.com
Ricardo Black (Fortaleza) – ricardoblackce(arroba)gmail.com
Cristina Cabral (Fortaleza) – kriscabral(arroba)yahoo.com.br

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Conheça os autores, os parceiros e a programação no blog Letra de Bar Fortaleza:
letradebarfortaleza.wordpress.com

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