O mundo real da arte

abril 11, 2012

Ricardo Kelmer 2011

O momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso

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De repente, no clímax da peça, a energia caiu, interrompendo o espetáculo. O teatro, que estava cheio, ficou um breu só. Um dos atores ainda falou, sua voz meio sem graça na escuridão: acho que temos um blecaute… Uma luz de apoio acendeu-se, iluminando levemente o palco. E enquanto a energia não voltava, tudo ficou suspenso, a plateia chocada, esperando em silêncio, e os atores constrangidos, sem saber o que fazer.

Naquela noite, a magia do teatro, que tanto nos faz viajar pra outras realidades, de um momento pro outro rompeu-se, e lá estávamos todos de volta à brusca realidade da sala, presos aos limites das poltronas. Durante aqueles intermináveis minutos, não era mais os personagens que estavam ali no palco mas os próprios atores, desmascarados. E foi chocante vê-los assim, subitamente impotentes, sem a proteção de seus personagens, sem a história a lhes dar sentido.

Porém… algo mais aconteceu. Enquanto as luzes voltavam devagar, nos demos conta que… estávamos sonhando. Sim. Percebemos, cada um de nós na plateia, que um minuto antes estávamos todos a sonhar, um sonho coletivo, e que sonhávamos deveras…

Quando, por fim, o ator anunciou que tudo estava normalizado e que o espetáculo seria reiniciado, não pudemos deixar de aplaudir, aliviados e eufóricos. E enquanto a peça recomeçava, nos conduzindo novamente pra dentro do sonho, agora sabíamos todos que havíamos vivido algo raro: o momento em que a magia do teatro se revela paradoxalmente em toda sua plenitude, expondo tanto sua maquiagem quanto seu avesso, dando-nos a exata noção da fantasia e da realidade, e do quão tênue é a fronteira que as separa. Naquela noite, durante aqueles poucos minutos, todos nós estivemos nessa fronteira. Nem todos, porém, chegaram a se perguntar: e se, na verdade, aquele sonho é que é real?

Muitas vezes em minha vida eu me fiz essa pergunta. Olhava pro mundo ao meu redor e via as coisas erradas, a pressa de chegar a lugar nenhum, a violência banalizada, o medo de ser livre… Por alguns minutos tudo aquilo me parecia tão irreal, parecia exatamente o avesso da arte, ela que é sempre bela, livre e numinosa. Então me dava uma vontade louca de escapar daquele sonho ruim e saltar pro mundo da minha arte e lá morar pra sempre, todas as horas do dia…

Vou confessar uma coisa, não fala pra ninguém, tá? Eu saltei. Sim, saltei, e agora moro lá, no mundo real da minha arte. Mas deixei uma parte de mim aqui pra comer, tomar banho, pagar o aluguel, essas coisas. Vez em quando alguém mais chegado desconfia dessa estratégia mas por enquanto ela tem funcionado bem. O único problema é quando a energia cai, pois aí preciso enrolar a plateia até que o espetáculo possa continuar. Mas sei enrolar bem, falo do clima, do trânsito, que esse ano o tempo passou muito rápido. Lá no mundo real da minha arte eu sou eu mesmo, aqui sou o melhor ator canastrão de mim. Mas os dois são verdadeiros e um necessita do outro, assim como a arte que desperta a vida e a vida que sonha com a arte.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Imagem: montagem sobre foto de Walmick Campos, espetáculo O Cantil (Teatro Máquina)

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LEIA MAIS NESTE BLOG

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

> Todo mundo tem um lado cabaré – Toda vez eu tremo quando penso no desafio que é dirigir algo que, na verdade, é impossível de se controlar. Mas no fim sempre dá certo

> A celebração da putchéuris (Intocáveis Putz Band) – A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Vingativas – Duas mulheres que raptam um ator famoso e, como vingança por ele tê-las desprezado, levam-no a um hotel, amarram-no e…

> Pelas coxias de Guaramiranga - Entre uma peça e outra sempre dá tempo de cruzar uns olhares, nativos e forasteiros, e exercitar o roteiro das abordagens

> Crimes de paixão – Detetive investiga estranhos crimes envolvendo personagens típicos da boêmia Praia de Iracema e descobre que alguém pretende matar a noite

> Abalou Sobral em chamas – Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

> Textos sobre “arte” neste blog

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Maravilha, texto novo! E olha, ainda bem que vc saltou pro lado da sua arte. É por isso que eu te adoro. ;) Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – abr2012

02- Putz, ô sentimento bom agora! Te leio demais, torço demais por todas as tuas criações. Saltemos! ;) Rosa Emilia, Fortaleza-CE – abr2012

03- Somo nóis, capitão Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2012

04- E o que seria de nós em meio a esse black out do cotidiano da vida se não fosse sua coragem de saltar para a arte? Uma escuridão sem fim! E se você saltar de volta pra cá pode deixar que eu te empurro de volta. Maria Do Carmo Antunes, São Paulo-SP – abr2012

05- que bem que me soube entrar nesta dedicatória! :) Não podes saltar de volta, amigo, o mundo não aceita coxos. Além disso és a minha lagarta fumadora de ópio em cima de cogumelo! ;) Já sabes… eu sou “tua ídola”! ♥ Susana X Mota, Leiria-Portugal – abr2012

06- E eu saltando de ca! A reciproca e verdadeirissima! Beijos, Rica! Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – abr2012

07- Paula Izabela Texto nu, cru, verdadeiro e brilhante! Salve, Charlie! Meu amor literário, estão perguntando por vc aqui em Sousa. Saudade roxa! ♥ Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2012

08- Tallyta Paula Lindo! Gostei muito e acredito que Giovanna Torres,Victória Aurimar,Thiago Goméz, David Bandeira,Jooh Schneider,Gabriel Angelo,Marcio Rodrigues irão gostar também! Thalyta Souza, Juazeiro do Norte-CE – abr2012

09- Dá-lhe fera! Cesar Veneziani, São Paulo-SP – abr2012

10- Muito Legal, *-* Giovanna Torres, Juazeiro do Norte-CE – abr2012

11- Muito legal o texto mundo kelmeric, vc sintetizou com criatividade própria o mesmo paradoxo contido no conto de Théophile Gautier intitulado “A morte amorosa”, convido todos a sua leitura. Abção. André de Sena, Recife-PE – abr2012

12- Olha, achei um dos teus textos mais insólitos. eu li várias vezes naquele dia que tu publicou aqui. achei bem misterioso. e jungiano, né? esse lance do inconsciente coletivo, do sonho que vivemos sem perceber que tá tudo interconectado e claro, da tua relação com a tua arte. legal isso. Wanessa Bentowski, Fortaleza-CE – abr2012

13- Voando!! Rs.. Abismo está quem se enfia nesse mundo doido e não quer voar! \o/ Amei a crônica! Bjsss e sucesso! Sabrina Carvalho, São Paulo-SP – abr2012

14- Demorei pra ler, mas valeu. Arretado, seu Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2012

15- eu ja li e gostei muito. Ana Luisa Rodrigues, Fortaleza-CE – abr2012

16- Só agora, vi e li…muito legal! Claro q lembrei…hehehe. Celia Terpins, São Paulo-SP – abr2012


Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

O sonho do verdadeiro eu

dezembro 25, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir
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Estou num bar em São Paulo com um velho e querido amigo e a sensação é de alegria e descontração; então digo pra mim mesmo, convicto: preciso morar nesta cidade.

Este foi o sonho, outubro de 2006. Quando acordei, lembrei dele e imediatamente fui envolvido pela sensação boa e verdadeira do sonho. De repente não tive dúvidas, subitamente estava tudo claro. Levantei de um pulo, fui ao computador e avisei aos amigos que me mudaria pra São Paulo e que aceitava dicas de moradia, qualquer pedacinho de chão pra dormir. Quinze dias depois eu deixava o Rio de Janeiro, onde ficara por dois anos, e pegava o ônibus pra capital paulista, disposto a recomeçar a vida e apostar tudo e mais um pouco nas coisas em que acredito. Eu não tinha nenhum bom contato profissional mas havia uma tal força imperativa no sonho que em nenhum momento duvidei de que fazia o que devia fazer.

Não é fácil recomeçar a vida aos 42 anos. Muito menos numa outra cidade, sem dinheiro, amigos e perspectivas. Entretanto, algo me dizia que na pauliceia eu poderia viver minha vida mais verdadeira, era só insistir. Mas haja insistência… Houve um momento em que não pude mais me manter e a única opção foi retornar a Fortaleza. Apesar de ser a cidade natal, eu sabia que, naquele momento, lá eu estaria um pouco mais distante de mim – mas eu precisava ir. Em Fortaleza trabalhei durante um ano até juntar a grana necessária pra poder voltar – e voltei. Profissão imigrante cultural.

Agora, cinco anos depois, sinto como se houvesse empreendido uma longa travessia e cruzado uma floresta escura, que já não está tão escura. Tenho uma editora, a Arte Paubrasil, pela qual lancei meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Em 2012 virá um novo livro, de contos fantásticos, o Guia de Sobrevivência para o Fim dos Tempos. As dificuldades da carreira literária costumam destruir muitos sonhos, eu sei, mas como adoro um desafio, acho que estou na profissão certa e na cidade exata.

A pauliceia também me trouxe novos amigos e novas parcerias musicais. E instigou minhas verdades mais profundas também pelo lado do teatro. Foi aqui que nasceu o Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes, espetáculo poético-musical que criei pra homenagear meu poeta predileto. Como o centenário de Vinicius será em 2013, esperamos fazer muitas apresentações. E, pra Fortaleza não reclamar que esqueci dela, duas vezes por ano vou pra lá comandar o Cabaré Soçaite, minha querida festa dionisíaca na qual exercito meu lado produtor e animador de auditório. Literatura, teatro, música, poesia, cabaré – agora sim, eu sinto que estou vivo. Isso pode não dar muito dinheiro mas, em compensação, não há dinheiro que pague.

Em breve o ano vai virar. Mais um ano que sai, outro que entra, vida que segue. Geralmente as pessoas aproveitam pra começar um regime, acertam dívidas, fazem promessas. Eu, particularmente, acho que um bom momento pra começar a mudar é logo depois de acordar. É quando o sonho ainda está fresquinho na lembrança. É quando ainda nos envolve aquela certeza, poderosa e irracional, de que tudo que temos de fazer é ser quem verdadeiramente somos. E o resto vem na carona do sonho.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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PRÉ-VENDA DO NOVO LIVRO

Tô acertando com a editora a publicação de meu livro de contos fantásticos pro início de 2012. Como terei de bancar parte da tiragem, farei uma promoção de pré-venda. O leitor adquire seu exemplar antecipadamente com um bom desconto (R$ 20 com frete incluído), receberá antes mesmo das livrarias e terá seu nome na página de Leitores Especiais do livro. Envie e-mail para rkelmer(arroba)gmail.com que eu respondo enviando as contas pra depósito (HSBC, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco).

> MAIS SOBRE O LIVRO

> Arte Paubrasil – Livraria e editora

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LEIA MAIS NESTE BLOG

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

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> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Que você tenha muitos novos sonhos plenamente realizados ( sem tanto esforço, de preferência…) ! Voce é uma figurinha! Felicidades e muita Sorte, Ricardo! Sonia Weil, Londrina-PR – dez2011

02- Inspirador o seu artigo. Estava precisando de algo parecido. Maria Claudia Oliveira Paiva, São Paulo-SP – dez2011

03- É preciso sangue no olho, Ricardo. Parabéns pela tua iniciativa. Mas de que vale a vida se não corremos atrás daquilo que nos realiza? Brennand de Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – dez2011

04- Ricardo. Cada vez que leio o que vc escreve fico mais feliz pelo que vc esta fazendo. Sou seu fã de carteirinha. Abs. Ivan Martins, Fortaleza-CE – jan2012

05- Ando sumida,quietinha.Mas,adoro-adoro-adoro tudo que vc escreve,vc sabe. Vem livro novo???Oba! A editora é sua?A alienada aqui não sabia. Coisa boa ver vc produzindo e feliz da vida! Beijão grandão, Sua eterna fã. Mônica Mônica Burkle Ward, Recife-PE – jan2012

06- Graaaaande Kelmer, Espero que a presente missiva eletrônica o encontre em estado de total harmonia e felicidade. Obrigado pelo envio do texto, ótimo como sempre. Haroldo Barros, Recife-PE – jan2012

07- Grande Kelmão. Belo texto! Aproveitando, me põe aí na pré-venda pro Guia de Sobrevivência! Abraço. Marcelo Gavini, Fortaleza-CE – jan2012

08- Ricardo vc é fantástico em tudo que escreve,adorei…beijos Sou sua eterna fã… Liz Fernandes, São Paulo-SP – jan2012


Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

RK na Fundação Gol de Letra

junho 7, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Em abril estive na Fundação Gol de Letra, criada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, convidado a falar num fórum sobre narcotráfico. Participamos eu e a psicóloga Vanessa Abdo, da ong Sou da Paz, que mostrou dados interessantes sobre jovens e narcotráfico. O tema do fórum, dirigido aos alunos adolescentes da Fundação e aberto à comunidade, foi escolhido pelos próprios alunos, que são moradores do bairro Vila Albertina, zona norte de São Paulo, onde fica a sede paulistana da Gol de Letra.

Recebi o convite com muita honra mas fiquei a me perguntar: o que alguém como eu poderia oferecer de útil a esses adolescentes, eles que vivenciam diariamente a realidade da violência ligada às drogas, dos toques de recolher impostos pelos traficantes, da triste omissão do Estado e da falta de boas oportunidades profissionais? Eu é quem tinha a aprender com a experiência deles.

Isso é verdade. Porém, o que eu levava praqueles adolescentes poderia ser útil. E eu levava pra eles a força do mito. E foi isso que tentei lhes mostrar, que o envolvimento com o narcotráfico pode ser emocionante, sim, mas o custo é alto e não raramente o custo é a própria vida. Falei que há uma outra aventura, ainda mais emocionante: a aventura da autorrealização, aquela em que seguimos nosso caminho mais honesto e verdadeiro, lutamos por nossos sonhos e realizamos a quem somos de verdade e não a quem os outros querem que sejamos. Aceitar essa aventura é viver, na própria vida, o mito da Jornada do Herói.

Não sei se fui realmente compreendido. Mas conheço bem a força do mito. Sei que ele pode, de repente, no meio de uma frase, começar a transformar pra sempre uma vida.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Fundação Gol de Letrawww.goldeletra.org.br
Reconhecida pela UNESCO como instituição modelo, a Fundação Gol de Letra desenvolve programas de Educação Integral para mais de 1.200 crianças, adolescentes e jovens de 7 a 24 anos. Com uma proposta pedagógica associada à assistência social, promove ainda atendimento às famílias e o fortalecimento das comunidades.
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DICA DE LIVROS

- O poder do mito (Joseph Campbell, com Bill Moyers) – Editora Palas Athenas
- A jornada do herói – Joseph Campbell vida e obra (org. Phil Cousineau) – Editora Ágora
- Para viver os mitos (Joseph Campbell) – Editora Cultrix
- O herói de mil faces (Joseph Campebll) – Editora Cultrix/Pensamento
- Matrix e o despertar do herói (Ricardo Kelmer) – Miragem Editorial
- O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatrix Del Picchia e Cristina Balieiro) – Editora Ágora

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A mensagem de Avatar ao Povo da Terra

janeiro 28, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

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Muitos aplausos merece James Cameron. Seu filme Avatar é um grandioso espetáculo cinematográfico e certamente figurará como um marco na história das artes. Se o cinema já é uma experiência meio onírica, agora, com as técnicas de filmagem para a tecnologia 3D criadas por James Cameron, avançamos ainda mais dentro do sonho. Pena que, quando acaba o filme, estamos de volta ao nosso pesadelo terráqueo, do qual não conseguimos acordar.

A história de Avatar é simples: os humanos, interessados num valioso mineral existente na lua Pandora, invadem a terra de um povo humanóide que se defende bravamente e conta com a ajuda fundamental de um humano que vira a casaca e passa a lutar ao seu lado. O roteiro também não tem atrativos maiores e chega a ser previsível. Os personagens vestem os velhos modelões: tem o mocinho que se transforma ao longo da história, a mocinha que gosta dele, outro cara que gosta dela, o vilão malvado que morrerá no embate final…

Então Avatar teria como único destaque os efeitos especiais, aperfeiçoados pela nova tecnologia 3D? Não. O filme tem o grande mérito de focar com competência na questão ecológica e o faz em duas frentes: no visual exuberante do mundo de Pandora e na conexão mística de seu povo, os Na´vi, com a Natureza. Em Avatar, o 3D nos entretém e sempre rouba a cena, é verdade, mas a mensagem ecológica fica em nossa mente após o filme. E é isso que importa.

Toda a força do povo Na´vi vem do fato deles entenderem Pandora como um ser vivo que se comunica com tudo que nele vive, inclusive com os Na´vi, que não apenas o habitam mas são parte integrante desse ser. Eles vivem de forma harmoniosa com Pandora porque é assim que se sentem, unos com ela, e por isso sua relação com tudo que vive é de um respeito carregado de sacralidade, devoção e gratidão, como se fosse uma religião. Ops! Chegamos a uma das melhores coisas de Avatar: a religião dos Na´vi, se é que podemos chamar de religião, é a própria Natureza.

E aqui na Terra, fora da tela? Aqui seguimos em nosso pesadelo real. O Homo sapiens, a última espécie sobrevivente da linhagem hominídea, vive um momento evolutivo decisivo: ou se entende já com a Natureza ou então procura outro lugar pra morar, rua! Putz, por que chegamos a esse ponto lamentável? A resposta estaria prontinha na boca de qualquer Na´vi: Porque vocês se separaram da Natureza. E não poderemos discordar. É justamente porque nos entendemos separados da Natureza que desrespeitamos as leis do planeta onde vivemos e achamos que escaparemos impunes. Não escaparemos porque, sendo parte da Terra, ao destruí-la estamos também destruindo a nós mesmos.

Repensar a forma como nos percebemos em relação à Terra e a nós mesmos, é disso que precisamos, urgente. Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele. Se você pensou agora na teoria de Gaia, acertou, é isso mesmo. Segundo a teoria, a Terra é um superorganismo vivo, autoconsciente, dotado de inteligência própria, capaz de se autorregular e que, como tudo que vive, busca o equilíbrio interno. E nós, assim como tudo que vive na Terra, fazemos parte desse equilíbrio. Infelizmente, o Homo sapiens civilizado desprezou o que seus antepassados sabiam e o preço disso pode ser seu próprio extermínio, como outras milhões de espécies que não souberam se adaptar ao equilíbrio geral do organismo.

Religiões gostam de cultuar deuses distantes, entidades inalcançáveis, tudo muito longe daqui. Talvez seja o momento de focar mais perto em nossa busca pelo Sagrado. Se existe algum tipo de religiosidade que pode nos salvar a todos, ela se resume ao amor pelo planeta e pela humanidade. Uma religiosidade sem deuses, templos ou dogmas. Sem salvadores, pecados originais, guerras santas e sem dízimo. Uma religiosodade cuja salvação virá de uma profunda mudança de percepção – ou não virá.

Ah, mas como cuidar de algo que não é de ninguém e no qual todo mundo mete a mão? De que adianta alguns terem essa noção sagrada da Terra se outros não têm e esses continuam a desrespeitá-la? Chegamos à conclusão inevitável, que é a mensagem mais importante de Avatar: só cessaremos o desequílibrio do organismo geral se agirmos como organismo geral. Em outras palavras, é somente nos entendendo como um povo só, o Povo da Terra, que poderemos cuidar devidamente da Terra e de nós mesmos. Enquanto formos vários povos, vários países e várias religiões, não alcançaremos a visão do todo. Enquanto houver fronteiras, religiões e outras noções separatistas, não nascerá a unidade necessária pra agirmos em conjunto. Somente quando surgir o Povo da Terra é que haverá salvação pro Homo sapiens.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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PALESTRA
Este texto é o resumo da palestra que farei no Encontro de Cinema, um dos eventos integrantes do 17o Encontro da Nova Consciência, festival de caráter multicultural que acontece desde 1992, durante os dias de Carnaval, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

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> Treiler do filme Avatar

AVATAR – FICHA TÉCNICA

Avatar
Diretor:
James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Joel Moore
Produção: James Cameron, Jon Landau
Roteiro: James Cameron
Fotografia:
Mauro Fiore
Trilha Sonora: James Horner
Duração:
150 min
Ano: 2009    País: EUA
Gênero: Ação   Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Twentieth Century-Fox Film Corporation / Lightstorm Entertainment / Giant Studios
Classificação: 12 anos

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LEIA NESTE BLOG

> A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

> A imagem do século 20Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

> Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses

> Pátria amada TerraÉ animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

> A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

> Uma bandeira diferente – As pessoas saudavam o nascimento do novo símbolo que emergia do fundo da alma de todos falando de paz e unicidade, de um mundo unido e sem divisões

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DICA DE LIVRO

- O buraco branco no tempo (Peter Russel) Editor Aquariana, 1992
As idéias deste livro inquietante vão além de muitas compreensões padronizadas que temos a respeito da vida. Elas nos levam a pensar sobre o tempo de uma forma diferente e nos faz exercitar uma nova maneira de nos percebermos, como espécie, dentro do contexto da evolução e do Cosmos. O físico Peter Russel, numa linguagem acessível, mostra porque a atual crise da humanidade é, na verdade, uma crise de percepção, e chama a atenção para o ritmo vertiginoso da atual evolução tecnológica. Podemos, neste momento, estar à beira de um decisivo salto de compreensão a respeito do tempo e de nós mesmos.

> Teoria de Gaia na Wikipedia

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01- adorei o artigo sobre Avatar. Voce pegou o ponto central da questao… e o pior é que esta é uma sindrome bem comum desde uma escala pequena (ruas e pracas) ate a escala global. Temos esta ideia que somos meros visitantes, com bilhete pago e direito a faxineiro para colocar tudo de volta como era quando a gente sair… ahh tolos mortais :- ) … Desenvolvemos inteligencias incriveis em tantos campos da vida, mas ficamos tao especializados que estamos cada vez menos sabios para entender o todo e como nos relacionamos com este todo! Roberta Lossio, Recife-PE – jan2010

02- Sintetizadissimo! Depois faço um comentário mais aprofundado. Massa demais. Gabriel Sousa, São Paulo-SP – jan2010

03- êêê…a menina de olhos puxados ressuscitou tua consciencia cósmica!!! Edgar Powrczuk, Porto Alegre-RS – jan2010

04- Gostei muitíssimo. Houve uma sinapse em mim, por volta de dezembro, que me faz viver hoje, justamente, o fim da era separatista e o renascimento pela Unidade… Vou repassar, viu? Amei. Um cheiro. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jan2010

05- Você é simplesmente DEMAIS. Gosto de tudo o que vc escreve, me identifico com seu pensamento holistico de vida e espiritualidade.Te adoro! Beijos. Sandra Neves, Belo Horizonte-Mg – jan2010

06- NÃO TENHO O MENOR INTERESSE NESSA BABAQUICE NEW AGE E MUITO MENOS NAS IDIOTICES PRETENSAMENTE LITERÁRIAS E PRETENSAMENTE ERÓTICAS QUE VC ESCREVE. DESCULPE-ME, MAS VC É UMA FRAUDE! QQ SER HUMANO CAPAZ DE DIZER QUE AVATAR “FICARÁ MARCADO NA HISTÓRIA DAS ARTES” SÓ PODE SE UM DÉBIL MENTAL OU NÃO ENTENDER ABSOLUTAMENTE NADA DE CINEMA OU ARTE. Marcos K, São Paulo -SP – jan2010

07- Que liiindo!!! Não tinha vontade nenhuma de ver este filme, mas este seu artigo me convenceu. É deste Ricaredo que eu gosto, quando fala sério, do universal. Os dois últimos parágrafos estão divinos. Parabéns e muito sucesso nesta palestra do Encontro da Nova Consciência. Muito obrigada. Até que enfim uma luz no fim do túnel. Gilvanilde Oliveira Falcão, Fortaleza-CE – jan2010

08- Amei a cronica sobre a visao de Avatar. Vc ja me fez despertar duas visoes diferentes de filmes: Matriz e agora Avatar. eu amei e ja repliquei. Fabiano Brilhante, Fortaleza-CE – jan2010

09- Todo verdadeiro Xamã é profundamente RELIGIOSO no sentido original e etimológico do que significa ser religioso. Ele e a Natureza são um só. O Espírito Católico/Javético DESLIGA e o Espírito Xamã RELIGA. Hey xamã nordestino!!!!!, Me likes muitão tua ALMA. Tua PANDORA/HELENA/SHERAZADE/PROSTITUTA SAGRADA… Patrícia Lobo, Salvador-BA – jan2010

10- Ainda não assisti ao filme, mas depois dessa crônica, desse final de semana não passa! Mônica Burkleward, Recife-PE – jan2010

11- Caro amigo, é sempre um prazer compartilhar esta percepção de unicidade e de – SINTO-ME FELIZ EM USAR ESTA PALAVRA QUE HÁ TEMPOS EVITO – religiosidade. Sim Na’vi poderia ser nossa Gaia. Somos uno e estamos conectados com o planeta, não compreender isso é buscar o próprio fim. Também tenho feito algumas palestras sobre o tema, e vinculado a educação a distância nesse paradigma de integração. José Lins Jr., Juazeiro do Norte-CE – jan2010

12- O próprio filme, a tecnologia, o cinema como arte, são separações/criações de algo do humano que não estão na natureza. Nós não somos naturais, desde a metáfora da “saída do paraíso”. Não estamos como água na água, como os outros seres vivos, como dizia o George Bataille. E também Hegel: “o homem é a doença do animal”. Diante disso, a única saída é nos conscientizarmos do nosso alto poder destrutivo, inclusive contra nós mesmos e procurarmos soluções de controle e auto gestão pela força, que é a única coisa que é respeitada. Direito, justiça e leis, como coação, desde Kant. O problema é que o capitalismo se tornou maior que os Estados e a sua possível força. A coisa é muito complexa. Adianta o que cada um pode fazer e que, de certa forma, lentamente demais, mas simplesmente impossível de ter-se visto há poucos anos atrás, o discurso ecológico está aí, nem que os que não queiram, que vão utilizá-lo politicamente, não o queiram. O discurso ecológico é o velho silêncio da morte. Contra a morte, ninguém pode, e é isso que acontecerá com o planeta e com a raça humana. Diante da morte, própria, dos amados e odiados, o “povo da terra” vai ter que se unir. Se há alguma coisa ainda natural para o homem é a morte. Então, unam-se “o povo da morte”. Retornarão para a terra, “metafóricaliteralmente”….. Abraço, do amigo. Ronald Paula, Fortaleza-CE – jan2010

13- Adorei, querido! Vou reenviar para meus amigos!!!!! Liz Cristal, São Paulo-SP – jan2010

14- Adorei!!! Linda Mascarenhas, Fortaleza-CE – jan2010

15- Parabens Ricardo pelo seu blog. Maria Christina, Brasília-DF – jan2010

16- Bem, gostei bastante desta mensagem pois olha, assisti ontem a noite o filme Avatar… Muito lindo. Você tem toda razão, é tudo isso e mais um pouco. Realmente a mensagem ecológica fica na memória de quem assisti o filme, e para os mais sensíveis, fica ainda a consciência buscando algo a fazer em prol da natureza. Parabêns, esteja em Paz, sucesso em sua vida. Jaqueline Lima, Ariranha-SP – fev2010

Adorei, querido! Vou reenviar para meus amigos!!!!!Adorei, querido! Vou reenviar para meus amigos!!!!!

Toc, toc, toc… Acorde, Neo

dezembro 13, 2009

Ricardo Kelmer 2009

 

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A palestra O Despertar do Herói é a que mais apresentei, umas cinquenta vezes, poraí. Criada em 2000, eu já a levei a empresas, escolas, faculdades e também a grupos particulares. Em Campina Grande, na Paraíba, apresentei-a pra uma plateia de quinhentas pessoas, olhaquiloco. Isso é uma prova do quanto os mitos nos tocam a alma e fazem reverberar dentro de nós a essência mágica de suas mensagens.

Se você mora em São Paulo, tá convidado pra próxima apresentação, em 17dez2009, no Esp Cult Alberico Rodrigues.

> Palestra “O despertar do herói – A jornada sagrada de autorrealização nos mitos, em Matrix e em nossas vidas”

RK fala de Mitologia, Psicologia, Autoconhecimento e Realização Pessoal em linguagem simples e descontraída para mostrar que o mito da Jornada do Herói, presente nas histórias de tantas culturas, é uma metáfora do processo de autorrealização, a jornada individual de todos nós rumo à nossa essência mais verdadeira e profunda.

Podemos ver esse mito em lendas, livros e filmes, como se fosse um precioso segredo - que muitos infelizmente esquecem e assim se perdem de sua essência mais legítima. Assim como os heróis dos mitos e do cinema, cada um de nós está predestinado a se realizar verdadeiramente e, com isso, tornar-se o grande Herói de sua própria vida. Mas antes é preciso, como o herói de Matrix, despertar, distinguir-se da massa, conhecer-se e assumir a tarefa que dará sentido à existência.

> HORÁRIOS
18h: exibição do filme – 20h15: intervalo para o café
20h30: palestra – 21h30: encerramento
Local:  Espaço Cultural Alberico Rodrigues. Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros. Estacionamento na praça.  Inf.: 3064.3920 e 3064.9737. R$ 10.
> Mais palestras de RK

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Treiler da palestra

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Viver como Vinicius viveu

novembro 14, 2009

Ricardo Kelmer 2009

Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!
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Vinicius voltou pra mim, ô maravilha. Na verdade, o poetinha nunca se foi eu é que, em face de outros encantos, esqueci o quanto dele se encanta meu pensamento. Curioso como a gente consegue se afastar dos nossos valores mais essenciais. Um dia, plim!, a ficha cai e a gente se assusta por ter vivido tanto tempo sem viver as nossas mais belas verdades, aquelas que fazem a gente se sentir vivo em cada vão momento.

Invoco agora as lembranças pra tentar entender. Lá vai eu, menino bobo de dez anos, dar de presente pra professora uns versinhos que meu pai me ajudava a fazer. Depois o adolescente a descobrir a força das erupções: da poesia e das espinhas no rosto. E nos poemas, sempre ela, a Mulher, primeiro nas rimas ingênuas das paixonites não correspondidas e, depois, nos versos livres dos amores juvenis pelas mesas dos botecos. E, pairando sobre aqueles dias, Vinicius a espalhar seu canto.

Nas rodas de violão da década de 80, eu sempre pedia Vinicius, pra rir meu riso e derramar meu pranto. Nas viagens de ônibus pelo país, seus livros pra passar o tempo. Na inauguração do bar do amigo, olha eu, solene e copo na mão, recitando Receita de mulher. No festival de vídeo, olha lá eu de novo, no palco a agradecer o prêmio e o vídeo era uma homenagem ao velho Vina. E nos ouvidos rendidos da mulher amada, é minha boca que pousa suave a lhe sussurrar os versos do poetinha. Poesia, música e amores, e o fascínio quase religioso pelo Feminino era só isso que importava. Viver não era preciso. Necessário apenas viver como poeta, seja com pesar ou contentamento. Como Vinicius viveu.

Invadindo meus dias sem pedir licença, eis porém que chegam outros tempos, vestidos de anos 90, e com eles outros bares, outras viagens, outros livros e músicas, outras mulheres, uma outra vida. E um casamento difícil, com a carreira de escritor, em nome da qual eu ganharia e também abdicaria da própria vida. Meus discos do Vinicius, nem gosto de lembrar, se perderam nas tantas mudanças e seus livros eu precisei vender no sebo pra pagar o aluguel, essa mensal angústia de quem vive. Na memória, os poemas deram lugar a fórmulas de sobrevivência como escritor. E o viver como ele viveu, ah, isso foi ficando cada vez mais espremido num cantinho da vida.

Ela quer um poema agora, Vina, exclusivo pra ela. Como você fazia nessas horas? (1993)

Casadão com a carreira, mudo pro Rio de Janeiro em 1995 e no ano seguinte pra São Paulo. Porém, sem conseguir me manter como escritor, volto pra Fortaleza. Sete anos depois tento novamente o Rio, viro roteirista de TV, e em 2006 aporto mais uma vez na Pauliceia, viro palestrante e professor de roteiro, tudo pra sustentar esse casamento. Uma noite vem a ideia de montar uma palestra nova e é então que a ficha cai: uma palestra sobre Vinicius. Plim! Como não pensei nisso antes? A ideia rapidamente evolui: montar não uma palestra, mas um espetáculo sobre o poetinha. Viniciarte. Pliiimmm!!!

Imediatamente tratei de reler suas obras e reuni novamente suas músicas, faminto desse amor que um dia eu tive. Mergulhei em biografias, vi filmes e conversei com pessoas que o conheceram pessoalmente. Em busca de algo que bem representasse o espírito de sua vida e obra, criei um roteiro que simula o ensaio do espetáculo que um grupo de amigos fará sobre ele: amigos reunidos, uísque na mesa, clima descontraído, os erros e acertos de um ensaio e, entre poemas e canções, eles descobrindo as diversas facetas de Vinicius e o encanto do mundo por sua arte. É uma montagem simples, que espero que reflita a alma leve e despojada de Vinicius, assim como também a singeleza, a emoção e a devoção à Vida que tão bem marcaram sua obra e seu viver.

De Pitú pra Chivas. Pelo menos nisso, poetinha, eu evoluí. (2009)

Uau… Eu consegui ressuscitar a velha chama que vinte anos atrás aquecia de imortalidade os meus dias, minha vida andava precisada disso. Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista putz, tem sido tão gratificante fazer isso! Espero que eu realmente seja digno dessa tarefa a que me incubi e que, pensando bem, é antes de tudo um resgate de mim mesmo. Que ironia isso… Enquanto despendia toda minha energia pra manter meu casamento com a escrita, esqueci de viver como poeta. Bem, meu casamento continua firme mas agora sou um escritor que sabe de algo valioso: maior que a sina da escrita, é ela, a poesia da vida, que faz tudo ser infinito enquanto dura.

Saravá, Vininha, saravá.

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LEIA MAIS

> Vinicius, embaixador da arte e do amorA promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas

> Viver como Vinicius viveu – Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

> Câmara aprova promoção de Vinicius de Moraes, morto em 1980, a ministro de primeira classe (O Globo, 10.02.10)

> VINICIUS DE MORAES – SITE OFICIAL: viniciusdemoraes.com.br

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VINICIARTE

> Seção Viniciarte, agenda de apresentações

> Trechos do espetáculo

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01- Onde já se viu, criatura, casar com a carreira e abandonar a tua belíssima FÊMEA DE DENTRO? Tá dooooido? Lembra do que tu escreveu sobre fascínio religioso pelo feminino? Pois é… Andastes des-ligado DELA? Entonces, se re-ligue. De fascínio ao religamento, já imaginou RK? FODAS RELIGADORAS BÁRBARAS! GOZOS TRANSBORDANTES! Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2009

02- Oi Ricardo, Tudo bem? Adoro ler o que escreve, pena não poder entrar no seu blog aqui do computador do meu trabalho. Torço por vc e que a inspiração seja sua eterna companheira. Parabéns!! Abraços. P.S.: Lembrando: Sou aquela moça do bolo de choclate que vc não comeu…rsrsrsrs. Fátima, Brasília-DF – nov2009

03- cara, vc realmente escreve muuuuito bem! aproveitar frases dele, encaixar tão bem nas suas… PARABÉNS!!!! me emocionou, assim como os poemas do poeta… bjão. Celia Terpins, São Paulo-SP – nov2009

04- Vinícius bom é Vinícius poeta… o “poetinha” é machista e duro do ouvido! Emblemática é a correspondência entre Chico e ele (Chico, o ouvido perfeito….). Em Valsinha, Vinícius sugere q mude “vestido decotado” para “vestido dourado”. Chico responde q com “dourado” a tônica fica na sílaba errada… É verdade: qtas pessoas vc conhece q compõem letras e não se ligam nisso? Ficaria “douradú”… em vez de “dourádo”, ou, como ficou, “decotádo”. bjs. Betty, São Paulo-SP – nov2009

05- Olá Ricardo, gostei muito da sua crônica. O mais engraçado foi a leitura desse texto justamente hoje, quando deixei de fazer umas coisas super-chatas e decidi vir para casa fazer algo mais bacana… Um abraço. Glauber Moura, Brasília-DF – nov2009

06- So good Kelmer. Juliana Guedes, Fortaleza-CE – nov2009

07- RK, é por estas e outras que vc será meu eterno Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – nov2009

08- Legal conhecer gente do bem, do bom, da boa…embriagado da mais pura poesia e boemia. 2013 promete! Q suba o país, viniciando com K. Muito bom ouvi-lo! Repassei aos amigos q não desistem de navegar pela vida, apesar de tantos desencontros. Parabéns! Marcia Matos Barbosa, Fortaleza-CE – nov2009

09- Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você…. Danielle Fernandes, Fortaleza-CE – nov2009

10- Que texto lindo!!! Adorei!!! Gosto muito do seu jeito de escrever….jeito que encanta, que dá vontade de quero mais……. rs Abração aí!!! Biah Carfig, São Paulo-SP – nov2009

11- Kelmer com K, este teu momento de retorno às fontes é muito bonito! A vida é espiral. Beijo, e boas inspirações! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – nov2009

12- ameiiiiiiiiiiiii,muitooooooooooo lindo!!!Sampa está te fazendo muitoooooooooo bem meu amigo queridoooooooooooo!!!estou te achando mais forte,maduro,sensível,escrevendo melhor ainda,enfim tudo de bommmmmmmmm. Beijossssssssssss mil. obs:bjssssssss no Bedê. Cristina Cabral, Fortaleza-CE  – nov2009

13-Saravá, Ricardo! Saravá Vininha! Continue, continue… Ana Gilli, São Paulo-SP – nov2009

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Don Juan DeMarco baixa em Pinheiros

setembro 16, 2009

Ricardo Kelmer 2009

RazaoeSentimentoEmConflitoCartaz-01b.

Cinema, Tela da Alma é uma série de palestras que faço usando filmes pra mostrar como a força e o encantamento do cinema são capazes de nos tocar profundamente a alma e nos instigar a viver a vida de modo mais verdadeiro. Sempre em linguagem acessível e de forma descontraída, essas palestras nos fazem ver os filmes por um olhar mitológico e psicológico, refletindo na tela as nossas próprias vidas, os nossos sonhos, os medos e anseios e a velha busca pela nossa essência mais legítima, que o corre-corre do cotidiano tão bem nos faz esquecer.

A primeira palestra deste ciclo atual será Razão e Sentimento em Conflito. Trata-se de uma abordagem bem humorada do filme Don JuanDeMarco, mostrando como os personagens principais, o jovem Don Juan e seu psiquiatra, representam o velho conflito entre intelecto (a visão fria e racional da vida) e coração (a poesia e o romantismo). Outros aspectos analisados: estrutura do roteiro e fotografia.

Outros filmes que integram o ciclo de palestras Cinema Tela da Alma: Matrix, Caçador de Andróides (Blade Runner), Piaf, Uma Mente Brilhante, Encontro Marcado e Alucinações do Passado.

Horários
18h30: exibição do filme
20h: intervalo para o café
20h15: palestra
21h30: encerramento

Local:  Espaço Cultural Alberico Rodrigues
Praça Benedito Calixto, 159 – Pinheiros (estacionamento na praça)
Inf.: 3064.3920 e 3064.9737
Investimento: R$ 10

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Crônica Razão e sentimento em conflito
> Palestras de RK

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Razão e sentimento em conflito (Don Juan DeMarco)

março 13, 2009

Ricardo Kelmer 2007

Se seguir a diretriz autocurativa de sua própria psique, a pessoa saberá conciliar razão e sentimento e sairá do conflito renovada

donjuandemarco008aO filme Don Juan DeMarco é mesmo maravilhoso. Sua história é boa e divertida, o roteiro perfeito, os atores estão muito bem e a trilha sonora é linda. As mulheres suspiram com o romantismo da trama, a poesia das imagens, a vitória do amor. É um filme que traz bons temas para discussão, como o donjuanismo e a dificuldade da ciência médica de lidar com o que ela diagnostica como loucura. No entanto, em minha palestra Razão e Sentimento em Conflito, uso o filme para falar de outro tema: o conflito entre intelecto e coração.

Não é à toa que esta palestra é uma das mais solicitada por empresas. Cada vez mais elas percebem a urgente necessidade de terem funcionários psicologicamente equilibrados. O motivo é óbvio: pessoas harmonizadas consigo mesmas aprendem melhor, produzem melhor e vivem melhor. Investir na saúde de seus funcionários, física e psicológica, é um excelente investimento para qualquer empresa.

Em Don Juan DeMarco temos dois personagens em conflito: o psiquiatra renomado e o jovem problemático. O psiquiatra tem sua vida inteiramente regida pela lógica científica, ele é racional ao extremo, sempre frio em suas conclusões. O jovem é o oposto: sua vida é puro sentimento e emoção e ele só enxerga a vida pelas lentes da poesia, da aventura e do amor. Qual dos dois está certo?

Os dois estão errados. A prova disso são suas próprias vidas: o médico está cansado e desestimulado e seu casamento perdeu a paixão. E o jovem, frustrado por um amor não correspondido, desistiu de viver. Ambos perderam a vitalidade, o tesão pela vida. O motivo: eles esgotaram as possibilidades que razão e sentimento, sozinhas, têm para oferecer.

Razão e sentimento são funções psicológicas que auxiliam o ego a lidar com a realidade. Porém, quando o ego se apega demasiadamente a uma delas, ocorre o desequilíbrio psíquico e surgem os insucessos em vários aspectos da vida. A razão sempre busca entender a realidade pela ótica do intelecto, que é incapaz de abarcar toda a complexidade da vida. A razão não quer exatamente ser feliz: ela quer ter razão, sempre. Certamente você conhece alguém assim, que só admite a lógica racional para explicar a tudo. E o sentimento entende a realidade pela ótica da sensibilidade emotiva, o que também é insuficiente para lidar com a grandeza da vida. Muitas pessoas agem assim, achando que a pureza de seus sentimentos a tudo resolverá.

Em algum momento da vida o crescimento psíquico exigirá do ego o equilíbrio dessas funções. Se seguir a diretriz autocurativa de sua própria psique, a pessoa saberá conciliar razão e sentimento e sairá do conflito renovada. Passará a se relacionar com a vida usando as duas funções de modo equilibrado e consciente, sabendo reconhecer as ocasiões em que deve usar mais intelecto ou mais coração.

Tanto nos relacionamentos com a família, com amigos ou num casamento, como também no dia a dia profissional, esse equilíbrio psíquico é fundamental. Assim como o psiquiatra frio e o jovem romântico tiveram que entrar em intenso conflito antes de integrarem em si o que lhes faltava, às vezes é preciso chegarmos a um ponto crucial de desequilíbrio interno, que causa o desequilíbrio externo, e afundar na crise para, somente assim, reconhecer e integrar o que nos falta e sermos mais inteiros e harmonizados com nós mesmos, com os outros e com o mundo em volta.

Portanto, é bom ficar atento. Se a vida parece ter chegado a um ponto insustentável e viver de repente tornou-se uma sucessão de dias sem sentido, talvez esteja na hora de aceitar o outro lado que até agora negamos em nossa própria alma, mesmo que, a princípio, esse outro lado pareça limitado ou ingênuo. Ou louco demais.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com.br

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donjuandemarco01.

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> Veja as cenas iniciais do filme
(7,21 min)

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> Saiba mais sobre as palestras

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DON JUAN DE MARCO – o filme

DURAÇÃO: 97 minutos
ANO: 1995
ESTÚDIO: New Line Cinema / American Zoetrope
DISTRIBUIDORA: New Line Cinema / Columbia TriStar Films
DIREÇÃO: Jeremy Leven
ELENCO: Marlon Brando, Faye Dunaway, Johnny Depp, Géraldine Pailhas, Bob Dishy e outros
ROTEIRO: Jeremy Leven
PRODUÇÃO: Francis Ford Coppola, Fred Fuchs e Patrick J. Palmer
MÚSICA: Michael Kamen e Robert John Lange
FOTOGRAFIA: Ralf D. Bode
DIREÇÃO DE ARTE: Jeff Knipp
FIGURINO: Kirsten Everberg
EDIÇÃO: Antony Gibbs

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LEIA NESTE BLOG:

> Cine Kelmer apresenta – Filmes especiais e sorteios de DVDs

> Matrix e o despertar do herói – A jornada mítica de autorrealização em Matrix e em nossas vidas.

> Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

> Naus de mim – Farol do meu porto eu sou… É que eu sou muitos demais…

> Jung, a jornada do autodescobrimento – Vídeos sobre a vida e as ideias de Carl Jung

> Razão e sentimento em conflito (Don Juan DeMarco) – Se seguir a diretriz autocurativa de sua própria psique, a pessoa saberá conciliar razão e sentimento e sairá do conflito renovada

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Agenda mar/abr/mai 2009

março 10, 2009

escritordoseculo21cartaz01

MARÇO

Palestras em Fortaleza
FORTALEZA. Palestra O Despertar do Herói p/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 25abr

14mar (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA. 1a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas (ensaie com amigos e agende sua apresentação). Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Cartaz da festa. Sorteio de ingressos + consumo no bar.

ABRIL

Palestra O Despertar do Herói
FORTALEZA-CE. P/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 24abr

08abr (4a feira)
Cabaré Soçaite

cabaresocaite200904-01bFORTALEZA-CE. 4a edição da festa mais sensual da cidade. Pra repetir o sucesso de 2008, acontecerá na véspera do feriado da Semana Santa. DJs: Evison e RK Baré. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) Sorteio de ingressos + consumo no bar. Ingresso: R$ 10.

09abr (5a feira), 20h
Noite de Autógrafos
FORTALEZA-CE. Participação no projeto Letras de Bar, no Bar do Papai (rua Torres Câmara esq. rua Mons. Bruno – Aldeota – 85-3264.3495). Toda 5a feira um autor é convidado, autografa seus livros e fala de seu trabalho. Música ao vivo: Ciribah Soares, Mimi Rocha e Denilson Lopes. Apresentador: Ricardo Black. Produção: Cristina Cabral.

figlivrovocesterraqueas0115abr (4a feira)
CRATO-CE: Lançamento do livro Vocês Terráqueas, 20h (Olhar Casa das Artes, Praça da Sé, 91 – 88-3521.1590)

16abr (5a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. CCBNB, 19h.

17abr (6a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Noite de autógrafos, 18h, Barzinho do Zé – Rua Padre Cícero, 498 – 88-3511.1000

18abr (sábado)
SOUSA-PB: Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet (CCBNB, 18abr, 20h30). Noite de autógrafos: 18abr, 22h, após a palestra (bar e restaurante Aconchego).

22abr (4a feira)
bordelpoesiaanuncio02aBordel Poesia – O sarau do erotismo e da sensualidade
FORTALEZA-CE. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) . Ingresso: R$ 5.

25abr (sábado)
FORTALEZA-CE. Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. 17h. CCBNB – Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – 85-3464.3108).

MAIO

02maio (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA-CE. 2a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Ingresso: R$ 10.

06maio (4a feira)
Fim da turnê. Retorno para São Paulo

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rk200902-102b.

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CONHEÇA AS PALESTRAS

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy

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O segredo dos predestinados

outubro 13, 2008

Ricardo Kelmer 1999

Matrix (The Matrix, EUA, 1999)
Argumento, roteiro e direção: Andy e Larry Wachowski
Elenco: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss e Hugo Weaving

No futuro a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles creem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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Depois de ver o filme Matrix várias e entusiasmadas vezes e ler certas críticas (que o filme não tem história ou que ela é confusa demais, que vale apenas pelos efeitos especiais, que é só uma colagem de citações…) decidi meter o nariz onde não fui chamado. E contar do segredo.

Matrix é grandioso. Sua história é densa e intrincada, sim, mas para quem anda familiarizado com certas questões atuais, Matrix é claro. Trata-se de uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe ao grande público uma nova e intrigante fronteira que de agora em diante não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a realidade. Com o advento da realidade virtual, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da psique. Matrix é forte e seu conteúdo tão rico que pode-se abordá-lo sob diversos ângulos. Escolhi o ângulo da mitologia.

Mitos são como esqueletos da psique, imprescindíveis a quem busca entendê-la. Matrix reedita um velho tema mitológico que se repete desde nossos peludos antepassados: a jornada do herói. Trata-se de uma metáfora do processo de crescimento psicológico, autoconhecimento e verdadeira realização do ser humano. O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados no personagem que abandona sua terra (a segurança de velhas certezas) e parte em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) e enfrenta inimigos terríveis (encarar os próprios medos e aquilo que desconhece de si mesmo). Jornada difícil e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e volta à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e às vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação).

Neo, o herói de Matrix, aventura-se entre sonho e realidade, um mistério que pode enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele, naturalmente, se recusa a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que salvará as pessoas. Essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de autoinvestigação psicológica onde podemos obter respostas sobre nós mesmos pela concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor ninguém precisa de um oráculo para saber sobre si. No entanto, o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam essa interiorização. Na verdade, quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte de nós que é mais sábia e mais antiga e que não costumamos ouvir no dia a dia. Se a resposta é obscura, é porque a pergunta também o foi. A pergunta certa já contém em si a resposta.

Neo consulta o Oráculo. Mas a ideia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja ouvir. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele tem o dom mas parece estar esperando algo. E quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem oráculos nem deuses nem ninguém. Somente o próprio herói pode trilhar seu caminho. Somente ele pode encontrar sua própria verdade, aquela que concretizará todos os seus dons e finalmente o libertará.

autoconscientização

A jornada pessoal de autorrealização nos põe em situações onde não confiamos em nosso potencial. Somos capazes de grandes proezas quando temos perfeita consciência de quem somos e o que podemos fazer. Porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada autorrevelação representa uma importante batalha vencida. O verdadeiro autoconhecer-se dói bastante porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que só a realização mais íntima nos traz.

No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas, sem senso crítico. Creem no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das ideias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix Neo sofre o diabo para aprender que tudo que precisa é… mudar a visão que tem de si próprio, só isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode acreditar que seja capaz disso tudo. Mas o segredo da vitória do herói esconde uma simples e irônica verdade: para mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará – eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa, então basta dobrar a si mesmo.

O mito da jornada do herói ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la a vida nos provará de muitos modos e teremos de conviver com dolorosas incertezas e autoenganações. Porém, indo do micro para o macro, a aventura de Neo é a aventura da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Diante disso a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia antiga: Conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.

Um certo nazareno revolucionário, dois mil anos atrás, já nos ensinava que somos todos deuses. Sigamos pelo mesmo caminho: igual a Neo, somos todos heróis. Heróis de nossas próprias vidas. Como Neo, nascemos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê mas que aguarda pacientemente por todos os predestinados.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

Mais sobre Matrix, psicologia e mitologia no livro:
> Matrix e o despertar do herói

> Palestra: O despertar do herói
A jornada sagrada de autorrealização em Matrix, nos mitos e em nossas vidas

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en español

EL SECRETO DE LOS PREDESTINADOS

Ricardo Kelmer

Después de ver la película Matrix entusiasmadas veces y de leer ciertas críticas (que el filme no tiene historia o que ella es confusa en exceso, que vale apenas por los efectos especiales, que es sólo un collage de citas…) decidí meter la nariz donde no fui llamado. Y contar el secreto.

Matrix es grandiosa. Su historia es densa e intrincada, sí, pero para quien anda familiarizado con ciertas cuestiones actuales, Matrix es claro. Se trata de una óptima historia en ritmo de gran cine y expone una nueva e intrigante frontera que ya no podremos evitar más: la cuestión de qué es de hecho la realidad. Con el advenimiento de la realidad virtual, sobrepasamos el punto de retorno y ahora tendremos que encarar más ese desafío sobre las posibilidades de la Psique. Matrix es tan fuerte en su contenido tan rico que se puede abordar bajo diversos ángulos. Elegí el ángulo de la mitología

Los mitos son como esqueletos de la psique, imprescindibles para su comprensión. En Matrix, se reedita un viejo tema que se repite desde nuestros más remotos y peludos antepasados: la travesía del héroe. Se trata de una metáfora del proceso del crecimiento psicológico y la auto-realización del ser humano. El héroe, en los mitos, somos cada uno de nosotros, representados en un personaje que generalmente precisa abandonar su tierra (la seguridad de viejas certezas) y partir en busca de algo precioso (verdades más útiles y abarcadoras) o enfrentar enemigos terribles (encarar los propios miedos y bloqueos). Travesía difícil, y peligrosa, que requiere coraje, obstinación y honestidad. Pero el héroe vence el desafío y retorna a su tierra, llevando buenas obras a su pueblo y muchas veces substituyendo a un viejo rey enfermo o injusto (renovación).

Neo, el héroe de Matrix, se aventura en una realidad que parece un sueño, partiendo en busca de un misterio que puede enloquecerlo y hasta matarlo. El se niega a creer que pueda ser el Predestinado de quien habla la profecía y que cambiará el mundo y despertará a las personas. Esa duda hace que el Oráculo consultado no lo esclarezca. Los oráculos son meros instrumentos de auto-investigación psicológica donde podemos obtener respuestas sobre nosotros mismos a través de concentración y la meditación. Hasta que ni tan esotéricamente así. En rigor nadie precisaría un oráculo para saber sobre sí. Entretanto, el ritmo de la vida actual nos apartó de nuestro mundo interior y son exactamente el simbolismo y la ritualidad de los oráculos los que propician esa interiorización. En verdad quien responde a la cuestión lanzada somos nosotros mismos, o mejor, una parte de nosotros que es más sabia y que no acostumbramos a escuchar en el día-a-día. Si la respuesta es oscura, es porque la pregunta también lo fue. La pregunta cierta ya contiene en sí la respuesta.

Neo consulta al Oráculo. Pero la idea de ser el Predestinado lo incomoda y obtiene la respuesta que desea oír. Por lo tanto, presta atención: el Oráculo no dice en momento alguno que él no es el Predestinado. Dice apenas que él no está preparado. Preparado para entender que de hecho lo es é. En cuanto a eso, nadie puede hacer nada, ni los oráculos ni los dioses ni nadie.

Autoconcientizacion

La travesía personal de auto-realización nos pone en una situación donde no confiamos en nuestro potencial. Sólo somos capaces de mucha cosas cuando tenemos perfecta conciencia de quién somos y de lo que podemos hacer. Por lo tanto, llegar a esa autoconcientización es difícil. Conocer verdaderamente quién somos es una lucha armada trabada en los campos de la conciencia y del inconsciente, guerra de toda una vida donde cada auto-revelación representa una importante batalla vencida. El verdadero autoconocerse duele hasta doler porque implica necesariamente enfrentar lo que se teme, volverse lo que se evita ser, entrar en el fuego de los peores miedos. La recompensa es el mundo nuevo que la realización más íntima nos trae.

En el mundo de Matrix las personas están adormecidas y sin sentido crítico. Creen en lo les es dado para creer. Nada muy diferente de nuestro mundo actual, donde la masificación de las ideas hace que las personas pierdan la noción de sí mismas, donde nos quieren convencer de que en una sociedad deshonesta y violenta tenemos que ser más violentos y deshonestos que los otros. Es difícil huir de ese círculo vicioso. En Matrix, Neo sufre como loco para aprender que todo lo que precisa es… cambiar la visión que tiene sí mismo, apenas eso. No tienes que pensar que eres, debes saber que eres. La profecía dice que el Predestinado cambiará el mundo y salvará a la humanidad. Neo no puede creer que sea capaz de todo eso. Pero el secreto para la victoria del héroe esconde la más simple y la mayor de todas las ironías: para cambiar al mundo, basta cambiarse a sí mismo. Transfórmate y todo alrededor se transformará – ¡es el secreto! Porque la aparente separación de las cosas esconde la unicidad de todo lo que existe. Tal vez sea imposible doblar una cuchara con el pensamiento. Pero si sabes que la cuchara y tú son la misma cosa, entonces basta doblarse a sí mismo.

El mito de la travesía del héroe nos enseña que el destino de cada uno de nosotros es realizar lo que verdaderamente somos pero que todavía no aceptamos. La aventura de Neo es la aventura de todos nosotros en busca de nuestra esencia más legítima, aquella que al fin nos liberará. Hasta alcanzarla, la vida nos pondrá a prueba de muchas maneras y tendremos que convivir con dolorosas incertidumbres y auto-engaños. Entretanto, yendo de lo micro hacia lo macro, la aventura de Neo es la aventura de la humanidad entera, en busca de su supervivencia como especie. En un tiempo de tecnología idolatrada y valores esenciales olvidados, corremos el riesgo de ver nuestra propia creación volverse contra nosotros. Ante tal posibilidad, la única salida parece ser, todavía, seguir lo que decía, justo en su entrada, el Oráculo de Delfos en la Grecia Antigua: conócete a ti mismo. La tecnología no tiene sentimiento. Nosotros lo tenemos. Una máquina no es capaz de amar. Nosotros somos. Esa diferencia obvia puede pesar bastante en el guión de nuestra película.

Cierto nazareno revolucionario, dos mil años atrás, ya decía que somos todos dioses. Pues voy en el mismo camino: igual que Neo, somos todos héroes. Héroes de nuestras propias vidas. Como Neo, estamos predestinados a realizarnos a nosotros mismos. Hecho un Salvador, cada uno de nosotros tiene el poder de cambiar o mundo. Pero antes es preciso cambiar la forma como nos entendemos a nosotros mismos. Es el secreto que se esconde detrás de la película Matrix y también de toda la vida. El secreto que de tan obvio no se ve y que aguarda pacientemente a todos los predestinados.

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LEIA TAMBÉM

> Blade Runner: Deuses, humanos e andróides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso.

> A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

> Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

> Mulheres na jornada do herói - É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Acabo de ler seu fantástico artigo sobre o filme MATRIX. Até hoje não li crítica tão perfeita sobre esse ainda incompreendido filme, mas que com certeza ficará na história do cinema como marco (não foi assim com 2001 uma odisséia no espaço?). Parabéns pela qualidade da abordagem comparativa entre o enredo e a mitologia, além do foco dado à mensagem de que tal como afirmava Emerson “somos aquilo que pensamos”. Mantovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999

02- Gostaria de prabeniza-lo pela sua maravilhosa reportagem acerca do filme MATRIX que foi publicada segunda feira no jornal O POVO. Fiquei encantando com a forma coom que vc utilizou o arquétipo junguiano do herói, e com todo o seu ponto de vista sobre como a sociedade moderna encontra-se em relação a essa “tecnologia”. Infelizmente o meu jornal com a matéria sobre o filme foi jogado fora, caso vc pudesse enviar-me o artigo ficaria muito contente. Thaís, Fortaleza-CE – ago1999

03- Adorei principalmente o seu comentário sobre o filme “Matrix”, já sou fã mesmo antes de assistí-lo, estou ansioso para que o filme chegue em vídeo. Bem, eu adoraria adquirir “Matrix” . Eu já havia lido várias críticas sobre o filme, algumas depreciativas e outras elogiando o filme, mas me convenci ainda mais de que se trata do melhor filme dos últimos tempos após ler a sua crítica sobre o filme. Jurandyr G. Loureiro, Linhares-ES – ago1999

04- Escrever é um ato solitário, eu sei de mim solitário também… Parabéns. Ótimo artigo em O Povo de hoje. Sensacional, digno de reprodução Federal, quiçá mundial. Suas abordagens são maravilhosas, me fez viajar na simples aventura humana: a da compreensão (ou busca) de si mesmo. Procuro dar minha colaboração, na internet, há anos, envio diáriamente algo chamado Kbytes de Sabedoria (inspirado no Minutos de Sabedoria…) que são trechos sábios como daquele livrinho azul, da bíblia e de outras fontes de sabedoria. Hoje, no Kbytes… o dia é seu, fiz questão de dividir e propagar as suas idéias com os netfriends. Parabéns e grato mais mais uma vez, pela luz! Giovanni Colares, Fortaleza-CE – ago1999

05- Fiquei emocionada com sua abordagem sobre o filme Matrix no O Povo (O segredo dos predestinados), 9/8/99. Foi absolutamente perfeito. Já li três vezes e nunca ouvi falar de você. Leio o Diário e O Povo $todos os dias. Já li muitos livros mas hoje o cinema me fascina. Mande-me umas dicas de filmes. E escreva mais. Você tem talento e escreve com uma beleza incomum! Parabéns! Irei assistir o filme só porque li seu artigo. Edita Machado, Fortaleza-CE – ago1999

06- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

07- Te achei procurando um texto sobre Neo – Matrix e foi o “ O SEGREDO DOS PREDESTINADOS” que li e adorei. Como você conseguiu falar tudo tão bem. Simplesmente adorei. E já andei fuçando seu site também. É muita coisa para ler. Terei muito que fazer. Lais Paulinelli, Belo Horizonte-MG – jan2007


O Despertar do Herói (treiler da palestra)

agosto 15, 2008

Ricardo Kelmer 2008

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Tá no ar o treiler da palestra O Despertar do HeróiA jornada sagrada de autorrealização nos mitos, no cinema e em nossas vidas.

Esta é uma das minhas palestras mais solicitadas, tanto por empresas quanto por colégios e faculdades. Nela falo de Mitologia, Psicologia, Autoconhecimento e Realização Pessoal numa linguagem simples pra mostrar que o mito da Jornada do Herói, presente nas histórias de tantas culturas, nos livros e nos filmes, é uma metáfora do processo de autorrealização, a jornada individual de todos nós rumo à nossa essência mais verdadeira.

Da mesma forma que os heróis dos mitos e do cinema, cada um de nós tá predestinado a se realizar verdadeiramente e, com isso, tornar-se o grande Herói de sua própria vida. Mas antes é preciso, como o herói de Matrix, despertar, distinguir-se da massa, conhecer-se e assumir a tarefa que dará sentido à existência.

Saiba mais sobre as palestras

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