O feminino em mim

janeiro 12, 2012

Ricardo Kelmer 2011

O feminino tem muitas luas, é menina e é mulher, é santa e é prostituta

O feminino é um elemento muito importante em meu trabalho. Desde o início ele já se revela, nas redações da escola e nos poemas adolescentes. Está presente em meus livros, no Cabaré Soçaite e no Viniciarte. O amor, o respeito e a reverência à mulher… O fascínio pela beleza, pela sensualidade e pelo mistério que exala do feminino…

Separei alguns poemas e letras de músicas onde o princípio feminino está bem manifestado, em várias de suas facetas. Sim, o feminino tem muitas luas, é menina e é mulher, é santa e é prostituta. Às vezes se expressa na mulher carente e vingativa, noutro dia na garota fútil no shopping center, depois na mulher guerreira ou na velha sábia. O feminino não é. O feminino são.

> Pra ouvir e baixar as músicas

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MENINA DO LACINHO COR-DE-ROSA
Johnson, Lonner e Gil, 1989
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Quando entrei no cabaré
Todo mundo se divertia
Nessa noite que rolava
Todo mundo aproveitava
A festa acontecia

Numa mesa mais escura
Vi uma cena comovente
Uma menina ainda nova
Com um lacinho cor-de-rosa
Me sorria tristemente

Menina do lacinho cor-de-rosa
Teu lugar não é aqui
Levanta que eu te levo embora
Vem que eu te faço ser feliz

Fui sentar na sua mesa
E ela logo me falou
Estranho pode parecer
Mas não procuro o prazer
O que eu quero é o amor

E me disse com a voz meiga
Num beicinho de chorar
Ainda não sou bem crescida
Mas já sei que nesta vida
O importante é amar

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MARIA DA GRAÇA
Ricardo Kelmer, 1996
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Maria da Graça eu
Meu senhor
Bendita nos teus braços
Bendito, o fruto dessa paixão
Seduz

Maria da Graça eu
Meu senhor
Pecadora desse amor
Agora é a hora da minha sorte
Meu bem

Maria da Graça eu
Cheia de graça eu
Agraciada eu
Acariciada eu
Viciada eu
Abraça eu
Meu senhor
Meu bem

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DESATINOS
1996, música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca
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Tantos bares em teu desejo
Tantos beijos em teu se dar
Eu te procuro e não me vejo
À luz neon do teu olhar

Mas hoje meu hálito é cor de vinho
E me alinho às deusas do que vier
Um decote ousado, um ar mordido
Você não conhece uma mulher

Me leva contigo ao mundo teu
Ensina os desatinos do mundo teu
Quero me deitar com quem te ama
Na cama de quem me abençoar

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DECIFRA-ME
Ricardo Kelmer, 1997
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Tem noite em que eu sou tão santa…
Mulher tem de saber o seu lugar
Eu olho para ti e é obscena
A cena do meu corpo em teu olhar
Eu viro o rosto pra não corar…

Tem noite em que eu sou tão cara
Mulher tem de saber o seu lugar
No olhar que ela inflama
Na cama de alguém sem se dar
Tenho um aluguel para pagar…

Esse é o jogo do amor
Esse é o seu desafio
Te seduz o meu pudor
Te ameaça o meu cio

Sim, eu me dou pra você
Como eu sempre quis me dar
Se você me decifrar
Só se você me decifrar

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No Sopa de Letrinhas (Bar Bagaça, São Paulo, 2011)

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VINGATIVA
Ricardo Kelmer, 1997
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Ah, você não sabe do que eu sou capaz
Eu viro louca possessiva
Descabelada, vingativa
Eu faço um inferno da sua vida
E conto pra sua mulher
O que é que você faz

Você não me conhece, rapaz
Eu escandalizo o público
Eu publico suas cartas ridículas
Eu compro soda cáustica
E deixo sua carreira por um fio
Depois sorrio e durmo em paz

Ferina e mordaz
Eu arroto imprudência
Eu esqueço a decência
Ah, a vingança é uma ciência
Que em mim atingiu seu apogeu
Você já perdeu o seu cartaz

Não me subestime, rapaz
Você não sabe do que eu sou capaz

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DESPREZÍVEL
1998, música de Ricardo Kelmer e Toinho Martan
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Desprezível eu sou
Desprezível
Rastejando de desejo
No quarto de despejo desse amor
Desprezível

Quantas vezes te procurei
Nas madrugadas da cidade
Ai que louca que eu sou
Ai que pouca vergonha
A insônia desse amor

Manda em mim que eu obedeço
Diz que eu não presto
Diz que eu sou desprezível
Me deixa aqui na mesa
Vai que eu pago a despesa
Desse amor

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QUANTO VOCÊ PAGA
2001, música de Ricardo Kelmer e Toinho Martan
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Você me olha desse jeito
Pensa que eu não sei
Que você quer me comprar
Mas eu não estou à venda, meu bem
O que está à venda é o seu sonho de ter
O que você pode pagar

Quanto você paga, meu amor
Pra eu nunca dizer não?
Quanto você paga pra eu roubar
Seu coração?
Quanto você paga pra eu dizer
Coisas que sua mulher não diz?
Quanto você paga
Pra eu te fazer feliz?

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RECOMEÇAR
2004, música de Ricardo Kelmer e Ana Alcântara
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Olha pra mim
Eu vim aqui tão desarmada
Meu orgulho deixei em casa
Tudo que eu trago é a minha dor
E esta canção que eu fiz pra você ver
Que eu vim de cara lavada
Não quero briga, tô tão cansada
Deixa que fale por mim
A dor sem fim desta canção
Me perdoa, foi sem querer
O mal que eu fiz a você

Eu tive tudo mas não soube ser feliz
Eu nunca quis te magoar
Olha as lágrimas da nossa história
Borrando as notas desta canção
Aperta a minha mão
Vem, vem me abraçar
Me beija e me diz, por favor
Vem me beijar e me diz
Que a nossa história vai recomeçar

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Angélica Brita, abalando na Belas da Tarde (Fortaleza, 1993)

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PRA VOCÊ ME VER
2005, música de Ricardo Kelmer e Ana Alcântara
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Esse meu jeitinho fotogênico
E esse teu olhar tão fotográfico
A me envolver e me desnudar
Eu faço pose pro teu desejo
Só pra te ver perder o foco
A meia-luz do meu corpo
Vai te ofuscar
Sem filtro e sem retoque
Eu vou me revelar

Pra você me ver e se deliciar
Pra você me ver e se viciar
Vai ver, vai ver se há
Uma assim que nem eu

Jeitosa assim, tão dada assim
Abusada assim, todinha assim
Não há

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NÃO FAZ SENTIDO
música de Ricardo Kelmer e Ana Alcântara, 2005
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Você pergunta como eu estou
Se eu preciso de alguma coisa
Em quê que você pode me ajudar
E eu digo que comigo vai tudo bem
Segue o trem da minha vida
Obrigado, não precisa se preocupar

Não, não faz sentido
A tua boca assim pertinho de mim
E não poder beijar

É tão estranho ver você assim
Dizendo coisas que eu não quero
Que eu não posso, eu não consigo acreditar
Não tem lógica ouvir a tua voz
Dizendo agora a gente é amigo
Não vem com essa de pode se abrir comigo
De pode me ligar

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HELLO KITTY
música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca, 2005
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Meu bem, vou te contar
Essa vida é um shopping
Meu passeio preferido
É ser vitrine pro olhar
Sou oferta cintilante
Impossível recusar
Sou jóia cara
Aquela estrela rara
Que periga te cegar

Eu assumo, sou de consumo
Mas só vai me ganhar
Quem souber me conquistar

Meu celular tá tocando
Meu ibope tá subindo
Minha vida é uma festa
E eu não vou te convidar
Mas hoje tô boazinha
E uma chance vou te dar
Então entra na fila e espera
Que eu ainda vou me arrumar

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ALMA UNA
música de Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca, 2005
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Celebrar o milagre de ser
O assombro de viver
Na doce magia da noite
Minha alma é noiva desse ritual

O fogo me aquece num abraço amigo
As fagulhas são reflexos do infinito
Eu danço o mistério da Lua
Linda, nua e natural

Eu faço amor com a Terra
Sou a amante eterna
Do fogo, da água e do ar

Sou irmã de tudo que vive
Ninfa que brinca com a vida
Alma una com tudo que há

Salamandras brincam na fogueira…
Guerreiras aladas trazem oferendas…
Se aproximam os animais de poder…
Planta-mestra, eu quero aprender…
Guardiães, abençoem meu caminho…
Tambores do xamã, toquem pra mim…
Grande Mãe, estou aqui…

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ALMA SELVAGEM
2005, Ricardo Kelmer
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Ela tem a alma selvagem
E o vento sopra liberdade
Na mecha do cabelo
Brinca de beijo, pede afago
Mas cuidado
Ela gosta de arranhar

Ela segue seu destino
No fluxo feminino
Deita com a lua nova
E o seu corpo se renova
À noite chora por amor
Sonhos que ainda não realizou

Ela celebra a vida em rituais
Bendiz os ciclos naturais
Ela sabe, o ser não cabe na definição
Abraça o mundo com carinho
Mas só vai pelo caminho
Onde tem um coração

Alma selvagem, liberdade de ser
Alma selvagem, coragem de viver

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O Monge Traveca. Com o parceiro Toinho Martan,
show da Intocáveis Putz Band (Fortaleza, 1999)

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EU QUERO AS DUAS
2006, Ricardo Kelmer

Eu quero as duas
A que é doce e a que arranha
Uma me mata de manhã
E a outra é toda manha
Uma me afaga
E a outra me assanha

Eu quero as duas
A louca e a delicada
Uma soluça em meu peito
A outra dança nua na sacada
A menininha sem jeito
E a mulher desatinada

Eu não sei qual é a melhor
Então eu quero as duas
Mas quero as duas numa só

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ELA NO ESPELHO
2006, Ricardo Kelmer
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No espelho ela se olha
Do outro lado ela se vê
E quem olha pra ela não é
Quem ela pensa ser

Ela vê que ela não é
Quem um dia ela já foi
Que o tempo passa na janela
E o que era ela já se foi

Ela se olha e se esconde
E pergunta outra vez
Mas o espelho não responde
Ao olhar dos seus porquês

Quem é aquela que se olha?
Quem é a outra que se vê?
E o seu olhar só lhe devolve
O mistério de crescer

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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RK NA TV ABCD – SENSUALIDADE FEMININA
Programa Universo Feminino, exibido em 20.06.11. Apresentadora: Luzia Saragoça. Produtora: Jocasta Palombino.

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LEIA TAMBÉM

> Meu fantasma prediletoDiziam que era a alma de alguém que fora escritor e que se aproveitava do ambiente literário de meu quarto para reviver antigos prazeres mundanos

> O encontrão marcado – Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor

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 COMENTÁRIOS
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01- que massa! Ítalo Furtado, Fortaleza-CE – jan2012

02- Adorei!! Beijo!! Cristiane Bastos, Taíba-CE – jan2012

03- Tá tomando gosto pela coisa, hein!rsrsrsrsrsr. Maria Do Carmo Antunes, São Paulo-SP – jan2012

Will Duran, no seu magnífico livro, A história da filosofia, diz que a imaturidade o tempo conserta. O Marx tentou várias vezes modificar o seu Manifesto Comunista, pois a cada vez que lia via possibilidades de mudanças. Em 2000 publiquei um ensaio sobre a violência urbana, Violência: causas, conseguencias e soluções,  e jamais imaginei que tudo que escrevi estaria acontecendo, mas devo te confessar que não gosto hoje do texto, pois ainda era neófito como publicista e fico até acabrunhado por tê-lo escrito. Mas o importante é escrevermos nossas histórias e ter a certeza de que um dia valeu a pena ter escrito, mesmo que depois não nos reconheçamos mais dentro do texto, como você genialmente dissertou. Forte abraço,

Luís Olímpio

Jardim das Ilusões

janeiro 5, 2012

Ricardo Kelmer 1996

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Escrevi esta letra em 1996 e Teófilo musicou em 2005. A ideia era incluí-la no seriado de humor Sonhos Urbanos, que acabou não indo pro ar. É um bolero daqueles sofridos…

- Pra ouvir e baixar

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JARDIM DAS ILUSÕES
Ricardo Kelmer e Teófilo
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Levei o teu campari emprestado
Devolvo depois com correção
Que pena, não deu certo, valeu
Beberei à nossa separação
O amor que tu me deste era de vidro
E isso que fizeste, um papelão
Trocaste nosso jardim de ternura
Pela aventura insana da paixão

Não te incomodes de regar nossa camélia
Ela definhou de aflição
As hortênsias murcharam na janela
E o amor-perfeito já não crê em ilusão

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> A celebração da putchéuris - A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

> Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

> A pouca vergonha do escritor peladão – Foi minha vizinha louca de Botafogo, a Brigite, quem me deu a ideia: Por que você não faz um ensaio fotográfico peladão pra comemorar seus 40 anos?

> O dia em que morri no Rock in Rio – O primeiro baseado que fumei daria um filme. Um não, vários

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Agora não tem mais desculpa

dezembro 23, 2010

Ricardo Kelmer 2007

Viver de música continua difícil. Mas o mais importante é que pessoas talentosas como você já não dependem tanto da sorte pra acontecer
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Intocáveis Putz Band. Era o nome da minha banda. Estávamos predestinados a ser um sucesso mundial, cachê estratosférico, férias no Pacífico Sul… Mas só duramos cinco anos e um CD. O ano era 1994, da era pré-internet. Tempos difíceis. Naqueles dias tudo que uma banda de rock de Fortaleza tinha pra divulgar seu trabalho eram os shows pela pobre noite da cidade. Gravar um CD? Ihhh, isso era tão caro e complicado que só apelando pras burocráticas leis de incentivo cultural e olhe lá.

Se naquele tempo já existisse a internet como ela é hoje, ah, seria bem menos complicado. Hoje a tecnologia facilitou tanto o caminho que não tem mais desculpa. Putz, hoje você pode gravar um CD inteiro usando o computador do seu quarto! E ainda envia suas músicas pra milhares de pessoas com apenas um toque no teclado. E o preço disso tudo? Menos que um violão de terceira mão.

Hoje existe o mp3 e os sites que hospedam gratuitamente clipes musicais. E pra fazer um clipe é só unir a música com umas imagens num programinha básico de edição e jogar no You Tube. Os artistas podem ter seu próprio blog ou site, sempre atualizado com informações, agenda, músicas pra ouvir, contato com os fãs… É um novo mundo. E já existe a tecnologia que em breve permitirá que toda a banda se reúna pra ensaiar sem ninguém precisar sair de casa, bastando usar um programa que conecta todos ao mesmo tempo num ambiente interativo e ainda podendo gravar o ensaio. Putz… acho que vou montar outra banda.

Claro que viver de música continua difícil. Mas o mais importante é que pessoas talentosas como você já não dependem tanto da sorte pra acontecer. As etapas de produção e divulgação estão ao alcance de qualquer um que possua o mínimo de intimidade com computadores e internet, coisas que a cada dia são mais acessíveis. Há também as comunidades virtuais e as feiras de música, que possibilitam maior intercâmbio entre os profissionais e une a classe artística. Hoje, graças a todos esses fatores, ocorre algo antes impensável: o cenário alternativo deixou de ser última opção pra ser uma escolha pessoal e viável, o que é ótimo pra quem não aceita abrir certas concessões ao esquemão e prefere as liberdades da carreira independente.

Você quer ser um profissional da música? Ótimo! Então continue se aperfeiçoando. E vê se pára de reclamar da vida, levanta o traseiro dessa cadeira e vai aprender mais sobre computadores e internet pra depender o menos possível dos outros, do dinheiro e da sorte. Talvez sua banda não chegue a passar as próximas férias numa ilha do Pacífico, talvez não, mas pelo menos você saberá se mover bem nesse novo mundo que já chegou.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> A celebração da putchéuris - A história fuleragem da Intocáveis Putz Band
> A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis
> Ouça e baixe músicas da Intocáveis Putz Band

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01- TIVE O PRAZER DE VER AQUELE BESTEIROL INTELIGENTE E IDIOTA AO MESMO TEMPO NO JORKEMAN, NUMA NOITE DE DOMINGO ESCALDANTE REGADA A MUITA CERVEJA E PANFLETAGEM DE KARINE ALEXANDRINO COM O MANIFESTO BISSEXUAL FEMININO, PERFORMANCES BESTIAIS DE RKELMER E LOVING YOU DESAFINADÍSSIMA E FALSETE DO PARAGUAI DE MOACIR BEDÊ. FOI DEMAIS. POUCO TEMPO DEPOIS CRIEI OS MOI, NÃO COM A MESMA PROPOSTA, MAS COM O SARCASMO E BESTEIROL INTELIGENTE QUE VOCÊS FAZIAM, ALÉM DA FUSÃO DE SONS QUE FAZÍAMOS. FOMOS DE 1994 A 1999 (PRIMEIRA FASE) E DE FINAL DE 2000 A 2004. POR FALÊNCIA E RUMOS DIFERENTES (FILHOS, MULHERES, DINHEIRO, FACULDADE, EMPREGO, UNS RICOS, OUTROS POBRES E OUTRAS MAZELAS QUE VOCÊ CONHECE). TENHO O CD DE 4 CAPAS. ABRAÇO. Jofran Fonteles, Fortaleza-CE – dez2009

02- Como não lembrar dessa experiência auditiva,mas tinha seu valor, fala sério! Teca Baima, Fortaleza-CE – dez2009

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Consulado da Caatinga estreia em São Paulo

junho 2, 2010

 

Ricardo Kelmer 2010

Homenagear a cultura nordestina através da música, da poesia e das artes em geral. Esta é a proposta do Consulado da Caatinga, um evento mensal que acontecerá todo mês em São Paulo, no bar-restaurante Minas Tutu e Prosa. A estreia foi no dia 22mai e a segunda edição acontecerá em 12jun. Veja aqui as datas das próximas apresentações.

Os músicos fixos do evento são MOACIR BEDÊ (violão e bandolim), MARÍLIA DUARTE (voz) e RAFAEL MOTA (percussão), que interpretam os clássicos e os modernos da música nordestina, com participação de convidados especiais. Há também exibição de vídeos e noites de autógrafos. Em cada edição rola sorteio de CDs e de uma hospedagem para casal na praia de Jericoacoara, no Ceará.

Bar-restaurante Minas Tutu e Prosa
Av. Brig. Luis Antonio, 2790 – Jardim Paulista – 3052.1830
300m abaixo da alameda Santos

APOIO
Pousada Casa do Ângelo
- Jericoacoara

REALIZAÇÃO
Letra de Bar

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Vídeo com trechos da estreia, 3:00

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Blues pra esquentar ninfeta (Blues de luz neon)

abril 29, 2010

Ricardo Kelmer 2010

E a ninfeta maluquete acabou inspirando um blues bem quentinho, ideal pra suas noites frias, já que minhas mãos nem sempre estarão por perto

Eu morava em Fortaleza quando fiz a letra de Blues de Luz Neon. Foi numa noite de 2001, eu sozinho em meu quarto, secando uma vodca e pensando numa ninfeta maluquete com quem eu tinha um rolo. Carente, atazanada, rueira e olhar levado – vixe, a outra era um perigo. A gente na boate, ela dizia que tava com frio, coitadinha, e aí pegava minha mão e botava discretamente por baixo de sua blusa, pra esquentá-la, enquanto todos passavam pertinho sem perceber nada. Era cheia desses fetiches, a ninfeta. Ela nunca soube que foi ela a inspiração da letra, qualquer dia eu digo.

No ano seguinte mostrei a letra pra minha amiga Lily Alcalay, uma cantora incrível, que todo sábado rasgava o blues naqueles poéticos entardeceres praianos da barraca Opção Futuro promovidos pela Cristina Cabral. Convidei-a a participar da trilha sonora do meu romance O Irresistível Charme da Insanidade e dei-lhe um exemplar do livro. Ela leu, gostou e topou musicar a letra. Mas infelizmente o câncer em minha amiga seguia acelerado e a irmã morte a chamou algumas semanas depois. Lily até chegou a cantarolar pra mim a melodia que fizera, ela deitada em seu leito no hospital, mas sua voz tava tão fraca que não consegui escutar. Deixei o hospital triste, sem querer crer que Lily em breve nos deixaria, e deduzi que nosso blues, que eu jamais conheceria, partiria com ela pra sempre.

Aí entra em cena meu amigo Joaquim Ernesto, que foi proprietário do Cais Bar, o bar inesquecível. Ele também gostou da letra e pediu pra musicá-la. Pensei: se eu aceitar, estarei traindo Lily? Entendi que não pois, na verdade, aquele blues precisava mesmo sair, e seria uma homenagem a ela, a bluseira venezuelana-cearense arretada. Toma, Ernesto, a letra agora é tua, manda ver – eu disse. E tomamos uma pra comemorar o início da parceria. E outra por Lily.

Joaquim Ernesto musicou e em 2004 chamou Lúcio Ricardo pra gravar. Putz, que sábia escolha. Lúcio é um dos melhores intérpretes que já conheci. Sua voz rouca e seu jeitão rasgado de cantar incorporam maravilhosamente bem a alma do soul e do blues, é uma diliça. Pra mim é uma grande honra ter um blues gravado por esse cara. E acho que Lily foi devidamente homenageada. E a ninfeta maluquete acabou inspirando um blues bem quentinho, ideal pra suas noites frias, já que minhas mãos nem sempre estarão por perto.

O Irresistível Charme da Insanidade é a história de Luca e Isadora, o músico que conhece a mochileira taoísta e vive com ela uma louca aventura amorosa que os faz viajarem no tempo pra entender porque é tão complicado o amor deles. Esse blues que Lúcio Ricardo canta integra a trilha sonora do romance e, se você quiser baixar a música, é só clicar aqui.

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BLUES DE LUZ NEON
(Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto)

Quando esse blues
Tocar no sonho do seu coração
Devagar você vai despertar
Na madrugada
Bem de mansinho, assim
Vai lembrar de mim
Abra a janela do quarto
Lá fora no meio da rua brilha um letreiro
O luminoso do nosso amor é vermelho
Então sinta, viaje
Voe nesse tom
Foi pra você, meu bem, que eu compus
Esse blues de luz neon

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wirdpress.com

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Clipe: Blues de Luz Neon

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> Baixe o mp3 desta música

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Mais sobre Lúcio Ricardo (matéria)
- Jornal Diário do Nordeste, fev2009

Lúcio Ricardo canta Ray Charles (vídeo)
- TV O Povo, Música de A a Z (2009)

Lúcio Ricardo canta Eu vou rifar meu coração, de Lindomar Castilho, em versão blues – mp3

Lúcio Ricardo – Em cada tela uma história
(do histórico disco Massafeira, de 1980 – mp3)

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01- Adoro esta música! Lígia Eloy, Lisboa-Portugal – fev2011

02- virei sua leitorinha e sua ouvintezinha rsrsrs. Renata Regina, São Paulo-SP – fev2011

03- A musica é tão gostosa e tão fascinante quanto o livro. Parabéns Kelmer por tanta criatividade! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – fev2011

04- Blues de Luz Neon é bárbaro, muy sensual. A tua fêmea de dentro não é moleza não – uma demônia linda, ninfeta, erótica, sexy, sedutora e muuuuy perigosa. Com este tipo de demônia quem é que pode? Até o diabo enlouquece. ;-) Patrícia Lobo, Salvador-BA – fev2011


Breg Brothers com fígado acebolado

março 20, 2010

Ricardo Kelmer 1996

Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

Em abril de 1989 eu havia fechado meu bar, o Badauê, em Fortaleza, e decidi formar um conjunto musical, com meus amigos Cadinho e Jabuti. Nasciam Os The Breg Brothers. Objetivo oficial: homenagear a legítima música brega, aquela que ainda resiste em radiolas enferrujadas pelos bares da periferia. Bem, sejamos francos: na verdade tudo era mesmo uma grande raparigagem, mero pretexto pra encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos.

No dia do primeiro show, correndo pra não chegar atrasado, avancei o sinal na Antonio Sales e trombei noutro carro. Cadinho nada sofreu mas eu cortei a boca. Foi Bia, tiete do fã-clube, quem nos socorreu. Improvisei bigode postiço pra disfarçar o ferimento e fiz o show. Pra você ver o grau de profissionalismo.

Impecáveis, nos apresentávamos em paletós brancos, flor na lapela e cabelo com gomalina. Românticos, jogávamos rosas pra plateia. Cantávamos os três e Jabuti tocava violão, com a banda por trás. Compúnhamos e interpretávamos sucessos de mestres como Odair José, Genival Santos, Fernando Mendes e os Pholhas. Tudo com bom humor, sim, mas com muitíssimo respeito, por favor. Nossos nomes artísticos: Kelmo Lonner, Johnson Batista e Glaydson Gil. Nos vocais de apoio a beleza e as performances estonteantes de minha irmã Luce Érida e Daniele Ellery, mais conhecidas no mundo artístico das paradas de ônibus como Lucieuda Vai-Mais-Um e Danisléa Camburão. Nós sonhávamos com os programas do Irapuan Lima e da Hebe Camargo.

O Big Bang que originou o universo do movimento humorístico-musical de Fortaleza estava ainda em seus três primeiros segundos. Lailtinho Brega, Rossicléa, Meirinha e Neo Pi Neo eram estrelas em formação. Falcão já era estrela de brilho local, recém-saído da Arquitetura, e em breve brilharia no país inteiro. Os Necessários, do fenomenal Moacir Bedê, também já aprontavam, chegando a fazer no Badauê um show tão lotado que vendemos lugar até nos galhos da mangueira. Nesse cenário surgiram Os The Breg Brothers, com seu elegante brega de cabaré. Chiquérrimo.

Depois de conquistar um valioso 3º lugar no Festival de Música Brega do Pirata (Lailtinho Brega em 1º e Meirinha & Rossicléa em 2º) e realizar o sonho de cantar com nosso ídolo Oswaldo Bezerra, o rei do brega do Pará, recebemos convites pra cantar em clubes e bares. E planejávamos gravar um LP, incluindo composições nossas como Menina do Lacinho Cor de Rosa, Tango do Padeiro e Samba do Bombril. A glória batia à porta, prometendo luzes e camarins. Quando fomos abrir, não era exatamente dona glória, era uma proposta profissional pro Jabuti, irrecusável. E lá se foi nosso genial compositor e guitarrista morar em Teresina. Eu e Johnson Batista ficamos tão arrasados que quatro meses depois, sem forças pra continuar, cancelamos os shows, avisamos o fã-clube e demos baixa no sonho.

Mas valeu. Foram muitas horas no boteco do Genival, que a continuação da avenida Desembargador Moreira, em nome do progresso, passou por cima. Cachaça com fígado acebolado, que delícia. E uns velhos discos arranhados na radiola do Genival. E mais uns patos, imagina, uns patos que andavam pelo quintal, ao lado de nossa mesa, acompanhando com quá-quás nossas ins-piradas dores-de-cotovelo.

Um dia voltávamos de uma farra, eram seis da manhã. Descíamos a Desembargador Moreira com a desavergonhada intenção de abrir o boteco do Genival, ainda não satisfeitos com a bebedeira. Então, eis que acontece aquilo que ficou conhecido no submundo do crime desorganizado como “o dia em que a vida do Cadinho deu uma virada”. Ele foi fazer o retorno em plena ladeira mas calculou mal a velocidade: o fusca suspendeu as rodas laterais, foi virando, virando e, bufo!, virou. O fusca ficou de lado no asfalto, com Cadinho e Jabuti lá dentro. Eu vinha atrás e parei, meio assustado, meio rindo do absurdo. Vi a cabeça de um jabuti saindo com dificuldade pela janela do carro virado. Naqueles dias o Jabuti estava engordando, de forma que entalou na janela e não conseguia sair. Embaixo dele Cadinho o empurrava, já desesperado pois a gasolina escorria pelo asfalto. Cena inesquecível.

Com muito esforço Jabuti conseguiu passar pela janela, Cadinho saltou fora e desviramos o fusca. Felizmente arranhara pouco. Outros certamente ficariam assustados e terminariam na missa das seis da igreja de São Vicente, arrependendo-se dos pecados. Nós não: desceu uma estranha euforia e nos abraçamos, rindo e nos parabenizando pela aventura. Para comemorar o feito fomos beber Tiller’s Club (ai, a liseira…) e compor umas canções.

Hoje, morando aqui em Ipanema, vejo da janela da sala a lagoa Rodrigo de Freitas. Tem uns patos lá, sabia? Pois é, foram eles que me lembraram do boteco do Genival. E me inspiraram a escrever sobre os Breg Brothers, esse tempo em que a maior preocupação era encontrar um bar aberto de manhã. E o acorde certo pra dor de cotovelo.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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O RETORNO

Em 1993 Os The Breg Brothers ressurgiram das cinzas com a chegada do garoto prodígio Rossé Rian, substituindo o saudoso Glaydson Gil. Rossé Rian trouxe alegria, vitalidade, juventude, poesia… Hummm, que é isso? Ele era o Bambi?

A nova formação, montada pro show no Cotó Clube do Montese, contava ainda com os vocais irresistíveis de Dani Gut-Gut e Sandra Sandrão, que bateu a foto e depois sumiu, arrependida daquela putaria toda. Veja a foto. Perceba o semblante de Lonner, preocupado com o empresário que sumiu com a grana, Rossé Rian encoxando uma tiete, Dani Gut-Gut mamadaça em seu modelito Oncinha Paraguaia e Johnson Batista em sua clássica pose “E aí, gatinha, que tal um Tiller´s no meu muquifo?”

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O REENCONTRO

Esta foto histórica, de 1997, mostra o encontro de todos os Breg Brothers. É claro que tinha que ser num balcão. Glaydson, já morando em Berlim (é o nosso Breg Brother mais chique), passava férias em Fortaleza. Uísque com catchup de tira-gosto. Velhas canções, antigos chifres relembrados. Perceba Lonner chorando por uma safada acolá que o trocou por um dono de pizzaria. Rossé Rian era novinho mas já usava boné pra esconder os chifres. Glaydson se esguelando, sofrendo por uma alemã que era atriz pornô. E Johnson arrasado, coçando a testa. Ô sofrimento.

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MENINA DO LACINHO COR-DE-ROSA
Johnson, Lonner e Gil

Quando entrei no cabaré
Todo mundo se divertia
Nessa noite que rolava
Todo mundo aproveitava
A festa acontecia

Numa mesa mais escura
Vi uma cena comovente
Uma menina ainda nova
Com um lacinho cor-de-rosa
Me sorria tristemente

Menina do lacinho cor-de-rosa
Teu lugar não é aqui
Levanta que eu te levo embora
Vem que eu te faço ser feliz

Fui sentar na sua mesa
E ela logo me falou
Estranho pode parecer
Mas não procuro o prazer
O que eu quero é o amor

E me disse com a voz meiga
Num beicinho de chorar
Ainda não sou bem crescida
Mas já sei que nesta vida

O importante é amar

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TANGO DO PADEIRO
Johnson, Lonner e Gil

Tudo era tão bonito
Quando eu te conheci
Você ficava deslumbrada
Com os presentes que eu lhe dava
As luzes do Iguatemi

Te dei calça Fiorucci
E um apartamento duplex
Da DeMillus dei de presente
Uma camisola transparente
Você ficou tão sexy

Você dizia que eu era um pão
Que eu era o fermento da sua vida
Mas me trocou pelo padeiro
E hoje o meu dinheiro
Não vale um semolina

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LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

> A celebração da putchéuris - A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> A volta da Intocáveis – Oh não! – Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

> Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

> A sociedade fela da puta de Geraldo Luz – Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Pero prefiro esse brega “estilizado” de vcs!!! Lia Demétrio Aderaldo, Fortaleza-CE – abr2010

02- Ihvna Chacon iiiiiieeeeeeiiiiiiiiiiii – Ihvna Chacon, Fortaleza-CE – nov2010

03- Pra Luce: “Eu vou tirar voce desse lugar…” Nino Cariello, Fortaleza-CE – jan2011

04- Porra num sei onde tú tá com a cabeça que não empurra esses teus textos e livros prá psiquiatria…É MUITO BOM PRA DEPRESSÃO!!! kkkk Levanta o astral de qualquer propenso a putaria!! Ronaldo Rego, Fortaleza-CE – mar2011

RK: Breg Brothers cura depressão. Assim o nosso cachê vai aumentar, Ronaldo.

05- Ainda que esta escola aceite matrículas involuntárias de todos os homens, é Impressionante o quanto os escritores e artistas cearenses conscientes se declaram pós-graduados nessa filosofocornologia. :-) Lazaro Freire, São Paulo-SP – mar2011

RK: Sr. Lazaro Freire. Comunicamos que seu cadastro foi aprovado. Informamos também que não aceitamos desistência pois, de acordo com a sabedoria popular, ex-corno não existe.

RK: Teoria kelmérica sobre essa fixação do homem cearense com a questão da CORNAGEM. Acho que é aquela coisa: se você não pode com seu inimigo, una-se a ele. Cansado de lutar contra a natureza fogosa de suas conterrâneas, que simplesmente não se satisfazem com um homem só (ou uma mulher só), o homem cearense decidiu relaxar e fazer graça com a coisa. A cornagem, então, deixa de ser um mal que acomete o homem traído, um sofrimento sem cura, e se transforma numa grande GOZAÇÃO, motivo de piadas sem fim, fruto da capacidade de fazer humor com a própria desgraça. Se não for isso, então é outra coisa.

06- vidas passadas muito bem… éramos feliz e sabiamos muito bem… Gilberto Fonteles (Jabuti), Berlim, Alemanha – mar2011

07- rsrsrssssss… Muito bom! Estamos lindosssss!!!! Daniele Ellery (Danisléa Camburão), Rio de Janeiro-RJ – mar2011

08- Foi muito bom!!!Mas bom mesmo, foi quando a platéia jogou os pães semolina de volta na gente…….. Luce Galvão (Lucieuda Vai-Mais-Um), Fortaleza-CE – mar2011

09- Meu, tempos bons, não!!!! hahaha….a diversãoé o sentido da vida!!!!!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí-SP – mar2011



Flor púrpura

março 10, 2010

Ricardo Kelmer 2003

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Pari a letra de Flor Púrpura em 2003 e meu parceiro Joaquim Ernesto a musicou e gravou no ano seguinte. Quem canta é Edmar Gonçalves. Ficou um tango daqueles bem dramáticos, ideal pra se ouvir antes de cortar os pulsos.

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FLOR PÚRPURA
Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto


Se eu te fiz sofrer no passado
Se eu te fiz chorar, perdoa, amor
Hoje sei como dói o amor negado
E desesperado te peço por favor

Se soubesses a dor que sinto
Te ver com alguém que não sou eu
Eu finjo, eu dissimulo, eu minto
O peito a arder pelo beijo teu

Volta pro cantinho que é nosso
Concede a chance que não te dei
Genuflexado nos grãos desse remorso
Eu choro o dia em que te desprezei

Eu falo mas não queres nem saber
Eu choro mas tu não escutas não
Quero apenas que venhas me ver
Quem pede não sou eu, é a compaixão

Uma vez só, por favor, é a última
Prometo não te pedir mais não
Vem e não esqueças da flor púrpura
Para enfeitares meu caixão

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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MAIS MÚSICAS KELMÉRICAS

Os The Breg Brothers, Intocáveis Putz Band, parcerias kelméricas…

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Lama

janeiro 21, 2010

Ricardo Kelmer 2006

E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central

Se quiser fumar, eu fumo
Se quiser beber, eu bebo
Não interessa a ninguém

Oito horas da noite. Lena põe o CD no aparelho de som e sobe o volume até o máximo. A música que toca, estridente, é um velho samba-canção de fossa, cantado por Núbia Lafayette. Na calçada as pessoas passam curiosas, olhando para dentro do bar. Mas Lena não as vê. Encostada à porta do bar, acende um cigarro, dá uma longa tragada e solta a fumaça para cima. Do outro lado da rua está a igreja, ela pode ver o movimento lá dentro, os pastores já no palco, os fiéis sentados nos bancos a aguardar o início do culto. Na entrada uma moça e um rapaz convidam os transeuntes a entrar e aceitar o Senhor Jesus. Lena sorri de vê-los constrangidos pela música que ecoa de seu bar. Então ele surge, bem à entrada da igreja, de paletó, a bíblia na mão. O rapaz aponta para o outro lado da rua e ele se vira para olhar. É nesse momento que seus olhares se cruzam. E é como se dez anos não houvessem se passado. Os olhares se mantêm fixos um no outro, intercalados pelos carros que passam pela rua. Lena se delicia ao constatar a imensa surpresa nos olhos dele. Pega o copo na mesa e toma um gole de campari. Quando olha novamente, ele já voltou para o interior da igreja.

Se o meu passado foi lama
Hoje quem me difama
Viveu na lama também

Olhai, irmãos, olhai em vossa volta e vereis a Babilônia a seduzir com seu hálito de bebida e suas promessas de luxúria!!! A voz dele, amplificada, extrapola os limites da igreja, atravessa a rua e parece duelar com a música do bar. Lena, imperturbável, toma mais um gole de seu campari. O garçom se aproxima e comenta algo sobre o volume da música mas ela não responde, permanece na mesma posição, o olhar distante. Olhai, irmãs, e vereis as mensageiras de Satanás na porta dos bares e dos prostíbulos, essas almas perdidas cuja especialidade é levar os homens junto com elas para o Inferno!!!

Comendo da minha comida
Bebendo a mesma bebida
Respirando o mesmo ar

Ele era um garoto quando ela o conheceu… e se perdeu de paixão. Foi uma paixão instantânea, mútua e avassaladora. Semanas depois seu marido descobriu, expulsou-a de casa e ela alugou para eles um pequeno quarto no centro, cuja cama passou a ser o templo sagrado de seus desejos insaciáveis. E, uma vez juntos, perderam-se ainda mais. Para sustentar os vícios, que não eram poucos, enganaram, roubaram e assaltaram, afundando-se cada vez mais nesse amor bandido. Foi por amor que várias vezes ela foi buscá-lo no hospital, tantas brigas que ele arrumava pelas ruas. Foi por amor que várias vezes, louca de ciúmes, ela bateu nas mulheres que ele insistia em cortejar descaradamente em sua presença. E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central.

E hoje, por ciúme ou por despeito
Acha-se com o direito
De querer me humilhar

Foram oito anos de praça. Oito anos suportando o bafo de cachaça dos operários e o suor fedido dos mendigos. Oito anos vendendo por meia hora aquilo que deveria ser apenas dele durante toda a vida. No fim da noite ela levava o arrecadado para ele, que aguardava no bar, bebendo e jogando com os amigos. Uma noite, porém, não o encontrou lá. Procurou-o pelas ruas mas nelas ele também não estava. Quando chegou em casa, já de manhã, encontrou-o em sua cama, com outra mulher. Ela não lembra exatamente do que fez mas nos autos do processo consta que os policiais, alertados pelos vizinhos, a encontraram sentada no chão, ainda segurando a faca, tranquila e cantarolando um triste samba-canção. E ao seu lado os dois corpos ensanguentados.

Quem és tu? Quem foste tu?
Não és nada
Se na vida fui errada
Tu foste errado também

Doze anos depois foi libertada. Deixou o presídio e foi diretamente ao prédio onde antigamente morava com ele. Depois de muito perguntar foi que soube onde poderia encontrá-lo. Surpresa com o que ouviu, rumou para lá. Era uma modesta igreja evangélica que funcionava no salão do segundo andar de um prédio velho. Ela chegou, sentou-se no último banco para que ele não a reconhecesse e o escutou pregar. Ele falava de amor, fraternidade e perdão. Era um sermão bonito, que tocava o coração. Mas o de Lena não tocou. Antes do final ela levantou-se, interrompendo o culto, e de dedo em riste na cara dele, gritou tudo que se acumulara em seu coração naqueles doze anos. Doze anos em que ele jamais fora visitá-la. Sequer lhe mandara um lençol limpo. Um mísero bilhete sequer. Ele não conseguiu dizer nada, assustado e constrangido por ver exposto, diante dos fiéis, todo o seu passado sombrio. Quando ela fez uma pausa, ele aproveitou e anunciou, solene e em voz alta, para todos ouvirem, que ela estava possuída por Satanás. Imediatamente os seguranças avançaram e a seguraram, enquanto o outro pastor assumia o ritual de exorcismo. Ela protestou. Mas foi inútil. Gritou e se debateu. Mas foi tudo inútil. Minutos depois, vencida pelo cansaço, pelo desânimo e pela decepção, deixou-se cair no chão, chorando todas as lágrimas que em doze anos não chorara, enquanto os fiéis, braços erguidos ao céu, louvavam a glória do Senhor Jesus.

Não compreendeste o sacrifício
Sorriste do meu suplício
Me trocando por alguém

Foram várias noites em claro, lutando contra sua própria alma dilacerada e dividida. Uma parte ainda o amava, muito, profundamente, mas a outra parte simplesmente não conseguia perdoá-lo. Durante quarenta dias e quarenta noites amor e ódio fizeram de sua alma campo de horrenda batalha, sequiosos por conquistá-la. Até que um dia ela, enfim, adormeceu sorrindo. E dormiu o sono justo dos que finalmente compreendem aquele que talvez seja o maior dos mistérios do amor: que ele perdoa até mesmo o que não tem como ser perdoado. No outro dia ela foi ao culto, disposta a contar-lhe a boa nova que soprava alegre em seu espírito feito uma brisa de verão. Mas quando chegou à porta do salão, foi barrada pela esposa dele, que disse, numa frase curta e cheia de desprezo, que ali ela jamais seria bem-vinda. Enquanto Lena tentava assimilar a surpresa, alguns fiéis chegaram e a enxotaram, levando-a para fora e a arrastando até o beco ao lado. Foi lá que a apedrejaram. Jogada ao chão, quase desfalecida, o sangue a cobrir-lhe a vista, ela ainda o viu se aproximar, largar um punhado de areia sobre seu corpo e dizer: Pra mim você já morreu.

Se eu errei, se pequei
Pouco importa

A voz do garçom chega novamente, se misturando às dolorosas lembranças. Enquanto ele comenta algo sobre um caixão e clientes indo embora, dez anos se passam rapidamente em sua mente, dez anos em que ela apenas trabalhou e trabalhou e trabalhou, inteiramente obcecada. E o resultado está aí, na forma desse pequeno bar, que ela inaugura exatamente essa noite. Nesse instante um casal entra, eles observam o interior do recinto, dão meia-volta e saem, assustados. O garçom, perdendo a paciência, diz que ali ele não trabalha e vai embora. Lena dá outra tragada no cigarro e entra. Caminha até o centro do bar, entre as mesas, e toca o caixão. É um caixão branco de madeira brilhosa, suspenso sobre o pedestal de ferro, como se fosse a decoração principal do bar. Grudada pelo lado de dentro do vidro, por onde se veria o rosto do defunto, o que se vê é uma foto desbotada, onde, sentado numa mesa de bar, um homem jovem sorri.

Se aos teus olhos estou morta
Pra mim morreste também

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Este conto integra a série Trilha da Vida Loca. A letra usada é da música  Lama, de Aylce Chaves e Paulo Marques. A ilustração é de Harley Maquiavel.

Este e outros textos integram o livro Vocês Terráqueas.

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OUÇA E BAIXE

> Núbia Lafayette – Lama

MAIS

Núbia Lafayette canta Lama, 1993 (vídeo)
Núbia Lafayette canta Devolvi, 1994 (vídeo)
Vídeo-homenagem a Núbia Lafayette
Notícia da morte de Núbia Lafayette, 18.06.07

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LEIA NESTE BLOG

> Odair José, primeiro e único – Se você, meu amigo, é desses que sentem atração por esse universo brega pré-FM, feito de bares de cortininha, radiola com discos arranhados e meninas vindas do interior… então escute Odair

> Vou tirar você desse lugar – De repente a semana cansativa, o trabalho desgastante, o crediário atrasado da tevê, tudo passou a ser apenas detalhes insignificantes a evaporar ao toque dos dedos dela…

> Lama – E foi por amor, quando já não havia mais dinheiro, quando mendigavam comida na porta dos restaurantes, quando já não havia mais alternativas, que Lena decidiu alugar o corpo na praça da Central

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01- É claro q eu queria com a música anexada, e parece q vc se tocou disso a tempo e me mandou as duas opções de e-mail. Gostei pra caramba.Li com a música tocando ao fundo, e texto e música se integram naturalmente.O clima é esse.Mais uma vez, vc foi perfeito! Beijos. Mônica Burkle Ward, Recife-PE – abr2007

02- Oba!!!! Adorei Lama e a trilha sonora. Na verdade todos teus textos são hilários…vou começar a esboçar alguns… Beijinhos. Liliana Ostrovski, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

03- Claro q quero a trilha sonora, cara. Muito boa!!!! Muito boa mesmo essa história… VALE UM CURTA… Já pensou? E qto ao Campari, foi boa pedida!! José Lins Jr., Juazeiro do Norte-CE – abr2007

04- olá..ricardo adorei..ler ….o que vc me mandou… Maria Aparecida Brígido, São Paulo-SP – abr2007

05- Adorei essa modalidade de literatura on line, com trilha sonora…. É muito bom vc ter uma musica dando o clima da estória…. Ciça Castello, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

06- Oi Kelmer, Já estava com saudade. Bom demais. Adorei! Beijos. Virgínia Lígia de Freitas, Fortaleza-CE – abr2007

07- O CONTO DA VIDA LOUCA ESTÁ TUDIBOM. PARABENS!!!!!BJU Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

08- Oi Ricardo, Divertidissima sua “trilha da vida loca”, eu ja tinha lido o texto na sua coluna no Povo e fiquei pensando como seria o tal bolero, ai surpresa, a noite chega seu email com a trilha sonora! Haja drama, hein? Parabens! Ah, e quando vai ter apideiti no site? Beijinho de saturday morning. Ana Wauneka, San Diego-EUA – abr2007

09- Dear Ricardo, Adorei a interpretacao da trilha da musica Lama. Voce e’ demais. Adoro de verdade o que voce escreve. E quando e’ que vens me visitar aqui na California? Tem coisas unicas por aqui pra voce observar e depois quem sabe escrever sobre elas. Beijinhos. Raquel F. Araujo, Los Angeles-EUA – abr2007

10- Nossa! Porque depois de tanto sofrimento ela ainda tem que continuar a destruir a própria vida e o seu ganha pão por causa de um sacana?Eu fique muito deprimida com o final deste conto.Ela deveria ter realmente ter aceitado esta dura lição da vida,agradecido por tudo o que aprendeu e por ter sobrevivido e dali prá frente tocar a vida dela com mais humildade e amor no coração. Bia Leite, São Paulo-SP – abr2007

11- Parabéns pelo belo texto, Ricardo! Interessante a maneira pela qual vc abordou as ironias e as desventuras que cercam o universo do desejo e das paixões. Kátia Albuquerque, João Pessoa-PB – abr2007

12- Cara! Parabéns!!! Gosto muito de ler seus textos! Me envie sempre que puder!!! Forte abraço de um fã! Thiago Jede, Três de Maio-RS – abr2007

13- Caramba, que final, rapaz!!!!! GENIAL! Parabéns, mais uma vez! Humberto Batista, Fortaleza-CE – abr2007

14- Minha nossa… sempre, sempre você. Ao terminar de ler estava exausta. Amores… sempre eles… Fabiana Polotto, São José do Rio Preto-SP – abr2007

15- Bem, sobre o texto, adorei, mesmo, assim como a trilha, só vc mesmo, sempre criativo! Parabéns! Jayme Akstein, Rio de Janeiro-RJ – abr2007

16- Tu tá cada vez melhor, macho véio. José Everton de Castro Jr., Fortaleza-CE – abr2007

17- Campari. :^) Como adivinhou minha bebida preferida??? Bjus… Rildete Ribeiro, Aracaju-SE – abr2007

18- Achei lindo,extremamente sensível, mas muito triste…. Isso tudo daria um belo filme! Tu poderias me mandar a música? Beijinhos. Vanessa Santini Vebber, Caxias do Sul-RS – abr2007

19- Loner, meu breg brother!!! Tá EXCELENTE! Só lembrei dos velhos tempos de Roque Santeiro. Sensacional!!! Valeu! Beijos. Malena, Brasília-DF – abr2007

20- Recebo sempre seus emails e já que, além de nordestino você passou dois meses pelo nordeste. Grava essa: NÃO EXISTE PAREA PRA VOCÊ.Risos.Um abraço. Francisca Fernandes, Fortaleza-CE – abr2007

21- Ô, Kelmer, esse negócio aí da Lena num é amor nao, Cara, é doença… Abraço lusitano e fraterno. Flamarion Pelúcio, Fortaleza-CE – mai2007

22- Adorei a TRILHA DA VIDA LOCA: LAMA. É uma série, não? Muito bem escrito, personagens fortes e sua linguagem está melhor a cada dia. Gostei muitíssimo! Que bom! Cara, mande ver !!! Admiro-o muito nesta empreitada que já é jornada de tantos anos e gosto muito de você, pessoa massa! Abração. Érico Baymma, Fortaleza-CE – mai2007

23- Caro Ricardo Lafayet, O texto é péssimo!!! Não prende a atenção do leitor.Tema banal no cotidiano.Não há humor, poesia, … Prenda o leitor meu caro!!! Na minha opinião, o que faço com imparcialidade, vc alterna bons e maus textos. Quando gosto de um, sei q o seguinte será ruim!!!!! Eduardo Macedo, Recife-PE – mai2007

24- Tá com a gôta!!!!!!!!!!!!!!!!! Show! Nazaré Franca, Fortaleza-CE – mai2007

25- perfeito!como sempre brilhante!te admiro muito!bjs. Beth Alencar, Fortaleza-CE – mai2007

26- Oi, Ricardo! Caramba, vç tem a extrema facilidade de fazer o leitor ler, visualizar e sentir ao mesmo tempo. As emoções de ambos foram introjetadas de tal forma que senti como se estivesse vivendo aquilo.E é que li sem ouvir a música, imagine o apelo q se torna então.Brilhante, sou kelmerfã de carteirinha! Beijos. Lia Aderaldo, Fortaleza-CE – mai2007

27- Eita!!! “Pega fogooooooooooooo o cabaré!!!!” Da até pra dançar um bolerão, hahahahaha!!! Pensa numa “Boate Azul”!!! Adorei o texto!!!! Só trocaria o campari por uma vodka!!! huahuahuahua!!!!! Bjssssssssss. Lua Morena, Luziânia-GO – mai2007

28- Ricardo , que massa a história. Curti. Irei a Sampa semana que vem . Se rolar podemos trocar uma idéia!! abços. Petrus, Fortaleza-CE – mai2007

29- DOREEEEEEEEEEEEI !!! Beijo grande. Ilana Nahm, Rio de Janeiro-RJ – mai2007

30- Lama é o máximo ,dá um filme fantástico , e Odair José me fez viajar nas lembranças , nos finais de noites ,lá na abolição……….no dia que só chegamos em casa a noite depois de um tour enormeeeeeeeeeeee nos bares e restaurantes da cidade , depois de um luau ,com a irmã da Cris , lembra? bom demais…………..tudo que lí me transportou total para lembranças maravilhosas…. é meu amigo , voce está ótimo , muito + sensivel ,calmo ,muito + tudo de bom em um homem……………. Cristina Cabral, Fortaleza-CE – out2007

31- Adoooooooro essa música num mix com Preconceito. Divinas!! Tenho o CD Imitação da Vida (Bethânia) com as duas. Carmem Mouzo, Rio de Janeiro-RJ – fev2011

32- Muiiitttoooo booommmmm!!! Luce Galvão, Fortaleza-CE – fev2011

33- Gostei da ousadia do texto, sou evangélica e tenho horror dessa história de colocar a culpa de tudo em Satanás. Ora e o livre arbítrio? Nota 10 pra o texto “LAMA”. Marilde Jorge, Fortaleza-CE – fev2011


A volta da Intocáveis – Oh não!

janeiro 12, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

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Dezembro de 2009 em Fortaleza. Uma raríssima conjunção astrológica, que ocorre a cada dez mil anos, fez com que eu (que moro em São Paulo), Toinho Martan (mora em Brasília) e Flávio Rangel (de volta de BH) estívessemos todos na cidade, junto com Moacir Bedê (mora em São Paulo). Desde 1994, quando eu ainda estava na Intocáveis, que não tocávamos todos juntos. Não resisti à ideia: quital um show pra comemorar esse glorioso momento?

Show marcado pra 29dez2009, terça-feira, no Bar do Papai. Tudo a ver pois foi num bar administrado por Carlinhos Papai em 1994, o Compasso, que a banda fez seu show de estreia. E agora o show revival: Intocáveis Putz Band A volta dos que já deveriam ter ido.

– Pô, cara – resmungou Martan, preocupado com a altíssima probabilidade de pagar mico. – A gente vai fazer um show sem nenhum ensaio?

– Não vejo nenhum problema – falei, eu como sempre sem qualquer noção de perigo.

– As crianças não vão gostar.

– Fica frio, Martan. Ninguém vai sacar que isso é coisa de artista decadente querendo faturar um troco pro Natal.

– Isso não vai dar certo.

– Cara, NUNCA deu certo – explicou Flávio, com toda sua lógica sem-noção. – Então não será dessa vez que vai dar errado.

E assim foi. Deu tudo certo porque a fuleragem já é uma coisa errada por natureza. Bar lotado, as intoquetes em polvorosa, amigos que há tempos não se viam, gente com saudade dos shows da Intocáveis e gente que nunca viu e queria ver – afinal tem gosto pra tudo. E, é claro, nêgo que chegou no bar e quando percebeu o que o esperava, deu meia-volta e se mandou.

Tocamos os nossos mais insuportáveis sucessos, inclusive o Particularmente eu prefiro quiabo cru, a pedido da fiel intoquete Maria Fernanda. Quer dizer, tentamos tocar pois ninguém lembrava mais da letra, nem eu, que sou o autor. Nilton Fiore na percussão e JP no baixo seguraram a onda, junto com Flávio e Martan no violão. Eu filmei o show em meu celular e, é claro, subi ao palco e mandei ver no Manifesto Neomaxista Liberal: pelo direito de brochar sem ter que dar explicação, por uma delegacia de defesa do homem, pelo direito de dormir dentro…

Infelizmente Emílio Schlaepfer, o baixista oficial, e Karine Alexandrino, nossa Barbarella Pop-Star, não puderam comparecer. Ele porque virou pastor em Brasília e ela porque se recuperava da cirurgia de reversão de sexo. Neo Pi Neo e Ernesto deram suas canjas e Christiane Fiúza encantou a todos e a todas cantando Eu quero uma mulher. E Moacir Bedê, evidentemente, interpretou seus eternos e gosmentos sucessos Listen e Loving you, com seu afiadíssimo inglês de Cambridge.

Fiquem tranquilos. A gente garante que esse foi o primeiro e último revival da Intocáveis Putz Band. Pelo menos até a próxima conjunção astrológica.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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INTOCÁVEIS PUTZ BAND – A volta dos que já deveriam ter ido
Show com os restos mortais da Intocáveis
Bar do Papai, Fortaleza – 29dez2009 – Fotos: Levy Mota

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Toinho Martan, Flávio Rangel, JP e Nilton Fiore segurando a onda

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Christiane Fiúza: o nascimento de uma nova Intocável

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Como eles conseguem rir das mesmas besteiras durante 16 anos?
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Toda o charme, a beleza e o algo mais da intoquete Juju

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Moacir Bedê: com ele a putchéuris consegue ser ainda maior

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Ernesto e Neo Pi Neo: briga feia pelo microfone

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LEIA NESTE BLOG

> A celebração da putchéuris - A história fuleragem da Intocáveis Putz Band

> A volta da Intocáveis – Oh não! - Um show com os restos mortais da Intocáveis Putz Band

> Roque Santeiro, o meu bar do coração – Uma homenagem ao bar Roque Santeiro

> A sociedade fela da puta de Geraldo Luz – Suas músicas são baladas de melodias simplórias, conduzidas por uma inacreditável verborragia que mistura crítica social, literatura, filosofia, anarquismo, sacrilégios explícitos e sodomismos irreparáveis

> Ser mulher não é pra qualquer umÉ dada a saída, lá se vai o trenzinho. Num vagão as Belas, abalando nos modelitos, no outro as Madrinhas, abalando com o isopor e o estojinho de primeiro-socorro

> Breg Brothers com fígado acebolado – Encher a cara, curtir dor de cotovelo e brindar a todas as vezes em que fomos cornos…

> Galinha ao molho conjugal – Então fizemos uma aposta. Qual dos três conseguiria resistir mais tempo ao casamento?

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> Ouça e baixe músicas da Intocáveis Putz Band
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- AA Alcoólatra
- Canto bregoriano
- Elizabeth & Flávia
- Manifesto neomaxista liberal
- Meu nome é Mário
- Mulher
- Mulher (remix)
- Prefácio (apresentação do Manifesto)
- Rapariguinhas do bairro
- Severina
- Sexy sou

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01- Caraca, K. Isso foi farra boa. Quem sabe em 2020 a gente repete… Antonio Martins, Maceió-AL – fev2011

02- Se voltar vai sacaniar – Andre Soares Pontes, Fortaleza-CE – fev2011


Clipe: De volta pra casa

dezembro 6, 2009

Ricardo Kelmer 2000

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DE VOLTA PRA CASA
Ricardo Kelmer e Joaquim Ernesto
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Você me pergunta
Qual o melhor jeito de viajar
Aprenda com o rio
Que desce suave
Porque sabe do mar

Tudo que você precisa
É a coragem de partir
E não pergunte que direção seguir
Você está na estrada
Você já está

Reconheça as velhas paisagens da infância
Sinta o cheiro familiar dessa tarde
Pra quem parte não há nada a temer
Não há nada
Viver é uma longa viagem
Que louca viagem
A mais bela viagem
A eterna viagem
De volta pra casa

Algumas letras são meio esquizofrênicas, têm mais de uma personalidade musical.

Em 2000 fiz esta letra pra um blues e entreguei pro meu amigo e parceiro Toinho Martan, que a musicou quatro anos depois, mas sem gravar. Gostei razoavelmente. Acontece que Joaquim Ernesto, outro amigo e parceiro, gostou de várias letras que eu deixara com ele em 2004, antes de eu me mudar de Fortaleza pro Rio de Janeiro, e um belo dia, em 2005, ele me manda três músicas gravadas, todas musicadas a partir das tais letras. E uma delas era De volta pra casa. E ele compusera não um blues, pois não sabia de minha ideia original, mas um samba. No princípio, estranhei, mas depois gostei. Gostei da melodia, do arranjo e da interpretação do Ciribáh. Ficou um sambinha macio, muito singelo, que me passa uma sensação boa de paz e confiança na vida.

Mostrei pro Martan e ele também gostou, ainda bem. Aliás, gostou mais que a versão blues dele. E o clipe eu fiz em 2008, pra divulgar meu livro Vocês Terráqueas.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Eu só queria que você soubesse

novembro 10, 2009

Ricardo Kelmer 2005

LETRAEuSoQueriaQueVoceSoubesse-01a

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Eu só queria que você soubesse
(Ricardo Kelmer e Humberto Pinho)
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Eu só queria que você soubesse
Que as minhas noites são tão vazias
E o meu coração é tão velho sem você
Eu sirvo mais uma dose enfim
Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

Eu ouço música na madrugada
Eu tinha tanta música pra fazer
Sirvo uma dose, me visto pra sair
Eu tinha tanto pra dizer
Onde está a seção de acompanhantes?
Quanto vale um corpo sem você?

Eu só queria que você soubesse
Que eu durmo muito tarde
E até a cidade tem sensibilidade
E que comprei aquele vinho da promoção
Eu só queria que você soubesse
Que você não tem coração

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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RAIO X DA PARCERIA

Você me permite umas considerações sobre esta música?

Fiz a letra desse blues numa das madrugadas solitárias de minha primeira fase carioca (1995-1996). Mostrei pro Humberto, que gostou e musicou. Em 2004, antes de eu embarcar pra ir morar novamente no Rio de Janeiro, ele gravou em seu estúdio, apenas voz e violão. É o único registro que temos pois a música não foi gravada por mais ninguém.

Quando escrevi, tive o cuidado de deixar o gênero incerto, ou seja, quem fala pode ser uma mulher ou um homem, apesar do protagonista buscar uma seção de acompanhantes e isso ser uma prática mais masculina. Numa letra, a incerteza proposital do gênero permite que tanto homens como mulheres se identifiquem e possam cantar sem ter que alterar o texto.

Por falar em alterar, houve alterações na letra. Em parcerias, isso é comum, e usarei este caso pra mostrar como elas podem enriquecer o trabalho. Na letra original, o verso é “Que as minhas noites são tão vazias” mas Humberto gravou “Que as minhas noites são tão sozinhas”. Gostei, mas prefiro o original por causa da aliteração (repetição das mesmas letras ou sílabas) provocada pela letra V (vazias, velho, você).

Outra mudança foi no verso “Quanto vale um corpo sem você?”, que na gravação ficou “Quanto vale um corpo sem o seu?” Outra vez prefiro o original mas é interessante perceber como as duas formas possuem curiosas sutilezas de significados. Vejamos:

“Quanto vale um corpo sem você?” – O protagonista ou a protagonista, no auge da solidão, busca a seção de acompanhantes e se pergunta quanto poderia valer um corpo que não fosse o da pessoa amada, “um corpo sem você”.

“Quanto vale um corpo sem o seu?” – Aqui a pergunta muda o foco. Quanto valeria o corpo do próprio protagonista privado do corpo da pessoa amada?

Mas houve uma mudança que aprovei. No original, era assim:

Eu olho a cidade da janela
Só a cidade sabe de mim

O protagonista tá na janela olhando a cidade e somente a cidade sabe de sua dor. Na gravação, porém, o ritmo obrigou Humberto a fazer uma leve pausa entre “cidade” e “janela” e essa mudança, mesmo sendo bem sutil, levou o “da janela” mais pra perto do verso seguinte e isso causou, pelo menos pra mim, um efeito visual e de sentido bem mais interessante.

Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

O protagonista continua olhando a cidade, isso não mudou. Mas agora o verso “Da janela só a cidade sabe de mim” parece emoldurar a cidade na janela e isso traz o protagonista de volta ao ambiente interno do apartamento. Ou seja, agora a cidade tá na janela e observa o protagonista em sua dor e solidão.

A montagem aí de cima, uma mulher deitada na cama, vestida apenas com um salto alto, tocando-se, e a cidade observadora de fundo… Sabe que tô começando a gostar de fazer essas montagens?

A seguir, o clipe. É um dos que usei pra divulgação de meu livro Vocês Terráqueas. Escolhi e trabalhei as imagens pondo como protagonista uma mulher, e pra fazer a edição usei o Windows Movie Maker, tudo bem dentro das minhas limitações, vá desculpando.

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Clipe da música

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Trem dos sonhos

julho 19, 2009

TremDosSonhos-01d

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TREM DOS SONHOS
Ricardo Kelmer
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Ela levantou cedo e se mandou
Foi atrás de um sonho maior
Deixou um beijo de saudade
E essa cidade ao meu redor
Esses prédios que abafam
Todo sonho de crescer
E ela se foi no trem do amanhecer

Porque os sonhos, meu amor
São um trem que não virá
Se a gente ficar esperando acontecer

A cidade se acende
Em luzes de neon lilás
Manchetes sedutoras, paraísos irreais
No fim de tarde o horizonte
Traz notícias de você
E os meus sonhos morrem de fome
Sem a cidade perceber

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> Esta é a letra de Trem dos Sonhos, um rock-balada que eu e Flávia Cavaca compusemos pra trilha sonora de meu romance O Irresistível Charme da Insanidade. Luca arrasado porque Isadora se mandou, deixando-o sozinho e perdido. A letra é de 2000 e Flávia musicou em 2005.

Baixe a música

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Alma una (clipe musical)

junho 1, 2009

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Fiz esta música em 2006 com Flávia Cavaca. Quem canta é Lila Shakti. Os instrumentos e a programação ficaram a cargo do Rodrigo Larese, um fera. Em algumas cidades há grupos que usam esta música em rituais xamânicos ou de celebração do Feminino Sagrado. Ótimo! É pra isso mesmo, fiquem à vontade.

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ALMA UNA
(Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca)
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Celebrar o milagre de ser
O assombro de viver
Na doce magia da noite
Minha alma é noiva desse ritual

O fogo me aquece num abraço amigo
As fagulhas são reflexos do infinito
Eu danço o mistério da Lua
Linda, nua e natural

Eu faço amor com a Terra
Sou a amante eterna
Do fogo, da água e do ar

Sou irmã de tudo que vive
Ninfa que brinca com a vida
Alma una com tudo que há

Salamandras brincam na fogueira…
Guerreiras aladas trazem oferendas…
Se aproximam os animais de poder…
Planta-mestra, eu quero aprender…
Guardiães, abençoem meu caminho…
Tambores do xamã, toquem pra mim…
Grande Mãe, estou aqui…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Baixe a música

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EmBuscaDaMulherSelvagem-02base4c

Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

> A mulher selvagem - Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres

> A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

> Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

> Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?

> As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

> Medo de mulher - A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

> Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

> Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

LIVROS

> Mulheres que correm com os lobos - Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés -  Editora Rocco, 1994)

> A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

> As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

> Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010) – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

CABARÉ SOÇAITE

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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COMENTÁRIOS
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01- OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAA… Me emocionei… demais… Espero poder usá-la em meus trabalhos… A sensibilidade das palavras somadas ao ritmo é de fazer com que, nos esqueçamos, por alguns momentos, de onde estamos…Parabéns! Abraço carregado de Boas vibrações e gratidão, também, por suas palavras. Carinhos. Stella Petra, Curitiba-PR – dez2010


As fogueiras de Beltane

julho 4, 2008

Ricardo Kelmer 2005

As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

Já conheço este vento. Já sei o que ele traz. Fecho os olhos, ainda ansiosa. Respiro profundamente, tentando espantar o medo… Todo ano é sempre a primeira vez.

Uma pequena serpente se aproxima, trazendo sua bênção. A Lua descansa por trás de uma nuvem. Toda a floresta está em respeitoso silêncio. Ouço apenas o murmúrio do fogo à minha frente e acompanho a dança suave das labaredas. E ao redor, mais afastadas, vejo brilharem as outras fogueiras. Não estou só.

Logo escuto o som de sua chegada, os cascos de seu cavalo pelo chão da floresta. Um arrepio me percorre o corpo sob o vestido, como um prenúncio do que virá… Estou pronta para o ritual.

Imponente, enfim ele surge entre os carvalhos, o porte altivo de cavaleiro. Aproxima-se em passo lento. Não vejo seu rosto mas sei que está compenetrado pois é um iniciado e sabe a importância do que fará.

A Lua então comparece, deitando seu manto prateado sobre a relva, e sua presença me fortalece. Ele desce do cavalo e caminha em minha direção, passo pesado de homem, espada cruzada sobre as costas.

Nesse momento o vento lhe dá as boas vindas e o fogo crepita seu nome. Ele para diante de mim. É mais jovem do que eu esperava. E é tão belo… Ele põe-se de joelho, reverente. Toco sua fronte e através de mim a Grande Mãe abençoa o cavaleiro, permitindo que ele participe dos mistérios dessa noite. Eu vim, Filha da Deusa…, ele pronuncia as palavras do ritual. Mas percebo que está nervoso, talvez seja sua primeira vez. Então ergo meu cavaleiro e falo docemente para seus olhos: Desde o início dos tempos eu te esperei…

As labaredas crescem quando nos damos as mãos e saudamos a Deusa, agradecendo a dádiva de sermos instrumentos de sua sábia vontade. Ofereço-lhe morangos e cerejas e entoamos baixinho a cantiga que fala da Terra fecunda. Em nossos corpos se celebrará mais uma estação, o mistério da vida que se renova.

Chamo-o para perto do fogo. Ponho-me de pé à sua frente. Ele faz cair meu vestido, que desliza suave sobre meu corpo até o chão. Nua e entregue, sinto a presença divina e fecho os olhos para recebê-la. E mais uma vez o Mistério se renova: sou a própria Deusa sem deixar de ser sua serva. E sei que é assim que agora ele me vê, a mistura inexplicável, mãe e filha num só corpo.

As mãos do cavaleiro me tocam os cabelos como se pedissem licença. Depois emolduram meu rosto e assim ficam, como se me quisessem guardar no quadro da memória. Sinto sua boca em meus seios, eu árvore generosa, carregada de frutos maduros para sua fome. Sou posta no chão por seus braços fortes, eu cálice e oferenda, deitada no altar da relva macia. Vem, meu cavaleiro…

Muitos são os mistérios que habitam a alma feminina, tantos quanto as estrelas do firmamento. E poucos os homens que ousam percorrê-los. Porque instintivamente sabem que se perderão, não compreenderão. Mas meu cavaleiro já consagrou sua vida à Deusa e é ela quem lhe permite conhecê-la mais de perto, sentir seu aroma, tocar-lhe a fenda que protege a gruta da vida e da morte, afastar as cortinas do santuário e unir-se a ela em carne e espírito…

Percebo que ele vacila, extasiado, atingido em cheio pela imagem do Mistério. Então, pela autoridade a mim atribuída, puxo-o com força e meu grito acende de vez a fogueira dentro do meu corpo. O cavaleiro me abraça e me envolve e nossos suores e salivas se misturam e já não sei mais o que é ele e o que sou eu. É a alquimia sagrada que transmuta a matéria, que faz de um mais um, três.

Ele percorre meu interior como a ávida planta que fuça a terra. E eu, terra fértil, recebo sua raiz e me deixo preencher. Ele serpenteia por dentro do meu corpo como o alegre rio que dança sobre a terra. E eu, terra sedenta, recebo sua água e me deixo inundar.

Luas, muitas luas… Estrelas, milhões delas luzindo pelo meu ser… Assim encima como embaixo… Sou a noiva do casamento sagrado entre a Terra e o Céu…

Lentamente o corpo do cavaleiro se separa do meu. Ele me dá um último beijo e adormece abraçado a mim, criança bela e pura. Ao amanhecer ele irá e eu recolherei o orvalho das flores, saudando a primavera e agradecendo pela boa colheita que teremos.

O fogo ainda queima, protegendo nossos corpos do frio da madrugada. Abençoada e feliz, agradeço à Deusa a honra de servi-la. E me uno ao belo cavaleiro no descanso sagrado dos filhos da Terra.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Este e outros textos
integram o livro Vocês Terráqueas

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> Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse

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> As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

> Medo de mulher - A mulher é um imenso mistério, que o homem jamais alcançará

> Alma una – Eu faço amor com a Terra / Sou a amante eterna / Do fogo, da água e do ar / Sou irmã de tudo que vive / Ninfa que brinca com a vida / Alma una com tudo que há

> Quem tem medo do desejo feminino? (1) – A maternidade, a castidade e a mansidão de Nossa Senhora como bom exemplo, e a força, a independência e a liberdade sexual da puta como exemplo contrário, a ser jamais seguido.

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> Mulheres que correm com os lobos - Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés -  Editora Rocco, 1994)

> A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)

> As brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)

> O feminino e o sagrado - Mulheres na jornada do herói (Beatriz Del Picchia e Cristina Balieiro – Editora Ágora, 2010)

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CABARÉ SOÇAITE

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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CLIPE “ALMA UNA”

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01- Ola Ricardo Lindo texto…de suave expressão mas com forte alma da realidade! Sandra A. Dehn, Cuiabá-MS – fev2006

02- Ricardo: Depois de ler o conto do mês ( acho que é mais que crônica este ), achar que um homem ,que escreve como vc, sobre os mais íntimos sentimentos femininos é gay é brincadeira! Bjs. Guinha Lima, Rio de Janeiro-RJ – fev2006

03- Maravilhoso!!!!! Não sei explicar o motivo, mas fiquei arrepiada ao ler esse conto, li duas vezes e tive a mesma sensação, não se é pq foge do convencional ou pq é um mundo desconhecido… Lua Morena, Brasília-DF – fev2006

04- Olá Rick, Lndo!!! muito bom! parabéns. Gênea Garcia, Porto Alegre-RS – fev2006

05- Ôi, que coisa linda! Baixou Chico Buarque foi? Muito lindo. nem parece ter sido escrito por um homem… bjs, Íris Medeiros, Campina Grande-PB – fev2006

06- Ricardo, parabéns! Texto perfeito. Vc captou com aguda sensibilidade o momento do Encontro Sagrado. Tou pasma! É isso mesmo! Simone Abreu, Rio de Janeiro-RJ – fev2006

07- Essa estoria tem poder de encantamento !!! E’dessas que da vontade de filmar … Eu queria ser a personagem principal ( hum ! ) Nao sobra nada parecido com isso pra atriz aqui? Andrea Paola, Rio de Janeiro-RJ – fev2006

08- Esse texto tem alguma coisa a ver com As Brumas de Avalon?? parece uma cena do filme, só que com mais detalhes de uma passagem do mesmo… Bjs. Rosângela, São Paulo-SP – fev2006

09- beleza, tava com uma grande inspiração. muito bonita. José Everton de Castro Junior, Brasília-DF – fev2006

10- Vim para dizer que fiquei extremamente apaixonada pelo seu conto AS FOGUEIRAS DE BELTANE… é apaixonante.. fiquei completamente envolvida por ele… Faço faculdade de Historia e a parte dela que mais amo é a Historia Antiga e Medieval.. minhas Pós-Graduações serão nessas áreas.. E como seu conto tem cavaleiros.. Florestas.. e sem contar o fato da “Deusa”, é maravilhoso!!!!!! Caso tenha mais contos, historias ou livro nesse assunto, por favor, não exite em me mandar.. rsrs Estou ficando super fã do seu trabalho e ainda desejo um dia poder te conhecer. Karyne Goulart, Nova Iguaçu-RJ – fev2006

11- Olá… obrigada pela Crônica… foi p mim (rssssssss)??? bjos e é + q linda!!! Rose Gasparetto, São Paulo-SP – fev2006

12- Que qué isso, meu amigo… Arriégua, maxu… Nan.. Chega me deu foi um calor… rsrs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – fev2006

13- Fiquei extasiada pelo texto. É muito bonito e especial. Parabéns!!!! Obrigada por me premiar com textos seus. Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – fev2006

14- Esse seu conto está mesmo lindo! mt mágico, etéreo mesmo. Edilene Barroso, Campinas-SP – mar2006

15- O texto mais lindo que li de uns tempos para cá. Não sei quanto, pode ser um mês ou 10 anos. Muito obrigado. Pedro Camargo, Rio de Janeiro-RJ – mar2006

16- Ler sua inspiração é poder viajar e transceder para uma terceira dimensão,A sua musa inspiradora é no mínimo abençoada pa ra poder gerar tamanha criatividade.Grato sou a existência da internet que me possibilitou chegar até vc e grata te sou por me permitir compartilhar com o fruto do teu ser, através de tuas palavras escritas. Diva, Macapá-AP – mar/2006

17- Oi Ricardo.Cara, tinha que te adicionar depois do conto que li na comunidade”AS Brumas de Avalon”.O que posso dizer?Simplesmente lindo, perfeita descrição da sexualidade como sagrada.Tudo que vc escreve é tão bom assim?rs…Sou psicóloga junguiana, e acho que podemos ter assunto para bons papos.Abraços. Daniela Bernardes, São Paulo-SP – mar2006

18- Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho ;-) Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar2006

19- Olá Ricardo, tudo bem? conheci seu trabalho hoje, e me encantei com sua leveza e inteiro envolvimento com a alma feminina e os assuntos da alma, de modo geral. não sei lhe explicar o motivo, mas ao ler seu conto As Fogueiras de Beltane, me invadiu uma “inspiração” em reescrevê-la, se me permites? Como o cavaleiro, narrando esse encontro…

O FOGO DE BELENOS (trecho)
Que o fogo nos aqueça, que o fruto sagrado brote, que a força da vida cresça
Sou o Deus cornudo, meu falo aguça tua terra preparando-a para o plantio, te invado!
Deleite, puro… ó Deusa
Sinto jorrar a luz do meu ser, no chão verde em ti sou o consorte viril, fálico
Exausto, ergo-me lentamente e despeço-me de seus lábios macios e tenros.
O ciclo se fecha, para o recomeço, é a roda da vida!
Que venha a colheita!!!
Assim seja!!!
Angélica Gonçalves, São Paulo-SP – mai2006

20- Olá Ricardo, gostei muito do seu conto “AS fogueiras de Beltane!” Muito bom mesmo! Eu me interessei em ler seu conto por ter uma amiga pagã e ela muitas vezes me explica como eram os rituais. Além disso, já li algumas coisas a respeito. Bom, e foi uma surpresa saber que além do conteúdo interessante, você (o narrador) encarna o espírito feminino de uma forma única. Adorei suas figuras de linguagem, principalmente para descrever “certas” cenas. Um grande abraço! Raquel Souza, Poços de Caldas-MG – out2006

21- nossa que fantástico adorei….. hummmm.. sinto-me vivendo este momento…como uma dança cósmica…o conto me inspira a continuar….o intimo é difícil de explicar..somente um artista sabe expor com clareza… Elaine Simione, São Paulo-SP – mai2007

22- Se você ainda tem muito a aprender não sei, mas está na estrada certa. Impressionante a tua sensibilidade com relação ao sagrado feminino. Digo com certeza que consegue sentir mais até que muitas mulheres que eu conheço. Interessante pro teu livro falar sobre o resgate do sagrado feminino, da harmonia da mulher com suas fases e faces, com seus ciclos e luas. Mas, me diga, e você, quem levaria para as fogueiras de Beltane? Um abraço! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set2007

23- Adoro esse texto! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – set2011

24- Adoro esse texto! (2) Juliane Surdi  Franco, Chapecó-SC – set2011

25- Adoro esse conto. Alana Alencar Goodwitch, João Pessoa-PB – out2011


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