Elas estão entre nós

maio 30, 2012

Ricardo Kelmer 2002

Existiria uma espécie de buraco negro invisível, feito um dragão insaciável a devorar lindas e inocentes (e às vezes virgens) canetinhas?

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Por que diabos as canetas somem? É um grande mistério que me aflige desde a infância. Num momento estão aqui, bem ao lado… e no momento seguinte, inexplicavelmente, não estão mais, sumiram. E aí ficamos feito idiotas, fuçando os papéis e apalpando os bolsos sem entender. Mistério. Existiria uma espécie de buraco negro invisível, feito um dragão insaciável a devorar lindas e inocentes (e às vezes virgens) canetinhas?

E isso não acontece apenas com gente desligada como eu. Pergunte pra qualquer pessoa e verá que com ela as canetas também somem. Já cogitei que talvez um estilista tenha contratado milhares de pessoas no mundo inteiro pra roubar canetas: na véspera do desfile, calada da noite, ele invade os camarins e despeja toda a tinta sobre os modelitos do estilista rival.

Tá bom, é uma hipótese meio dramática, admito. Mas também já testei outras mais simples, como esta: as canetas não somem mas são passadas adiante. Você acha que perdeu a caneta mas não, você a emprestou pra que fulano anotasse algo e ele simplesmente esqueceu de devolver. Isso acontece, eu sei, mas se fosse só isso todas fábricas de caneta já teriam falido pois em vez de comprar, as pessoas apenas trocariam canetas entre si.

Outra hipótese é que as canetas, na verdade, saem pra dar uma voltinha, respirar ar puro, talvez um encontro romântico com aquela bonitona de ponta porosa. Tudo bem, elas têm esse direito. Entretanto as ingratas nunca voltam desse passeio, já percebeu? E aí, onde vão parar? Haveria um esquema secreto nos motéis pra sequestrar canetas amantes? Mas com qual objetivo? Ora, pra operar a fusão do tungstênio e construir armas que equiparão milícias ultradireitistas nos Estados Unidos. Hummm… Ok, exagerei outra vez. O que você me diz então de organizadores de abaixo-assinado, eles sempre precisam de canetas, não?

Outro aspecto desse enigma é que as canetas nunca estão à mão quando mais precisamos, já notou? De repente, parado no sinal vermelho, você lembra que sonhou com a milhar do jogo do bicho. Caneta urgente! Você procura no bolso da camisa, no porta-luva, embaixo do banco. Nada. O sinal esverdeia, você tem que seguir e perde a chance de ficar rico. Dia seguinte a caneta surge, com a maior cara de pau, onde deveria estar. Mistério.

Você amarra a caneta ao telefone: ela se solta feito um Houdini e some. Você escreve seu nome num papelzinho e mete no interior da caneta: ela se vinga dessa intimidade forçada e nunca mais aparece. Você apela e compra uma caixa com cem canetas: em um mês só restará metade, como pode? Já cheguei a imaginar que as fábricas instalam nas canetas um potente micro-imã e assim, quando estamos desatentos, elas são atraídas de volta à fábrica, pra serem recarregadas e revendidas, gerando lucros fabulosos. Parece absurdo? Então me responda: quando foi a última vez que você usou uma caneta até a última gota de tinta, heim?

Noite dessas despertei com a solução do enigma: as canetas são uma espécie extraterrestre, muito brincalhona, que em seu planeta natal costumavam brincar a vida inteira de esconde-esconde. Um dia a brincadeira perdeu a graça pois ninguém queria mais procurar, só se esconder. Foi aí que souberam de um inacreditável planeta Terra onde as pessoas chegam a fixar nas paredes das cidades cartazes de “Procura-se”. É o paraíso, elas pensaram. E assim vieram todas, aos bilhões, brincar de esconde-esconde com os terráqueos.

Mas claro!, entusiasmei-me com a súbita revelação. Extraterrestres, é isso mesmo! E, como sou desses otimistas bobos que creem em equilíbrio cósmico, logo imaginei que existe, em algum planeta por aí, seres especializados em encontrar… canetas sumideiras. É só questão de tempo até chegarem aqui. E nossos problemas estarão resolvidos. Lógico! Agora tudo se encaixava perfeitamente.

Respirei aliviado. Eu podia voltar a dormir, estava finalmente resolvida a questão. Então, satisfeito, liguei o abajur pra anotar a ideia. Mas não encontrei a caneta.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Esta crônica integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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Deus planta bananeira de saia

maio 18, 2012

Ricardo Kelmer 2000

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso
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Dois anjos, expulsos do Céu, tentam meios legais para conseguir voltar. Para impedi-los, o Céu conta com um grupo insólito, entre eles uma católica que trabalha em clínica de aborto, dois profetas trapalhões e um apóstolo negro que ficou de fora da Bíblia. Detalhe: Deus é mulher.

Certas obras artísticas traduzem bem os movimentos que sacodem os subterrâneos do inconsciente comum da humanidade. O filme Dogma é um desses. Seu tema principal é um antiquíssimo e poderoso arquétipo que vive na alma coletiva da espécie desde seus primórdios: a ideia de Deus.

Que a relação da humanidade com esse arquétipo vem de muito longe, isso não é novidade. O que incomoda as pessoas de religiosidade mais ortodoxa é dizer que, como numa relação todas as partes envolvidas são sempre afetadas, na relação da humanidade com Deus não seria diferente: mudamos nós, humanos e… Deus também teve de mudar. E ai dele se não mudasse!

Dos deuses-forças da Natureza, passando pelos deuses do Olimpo, até a ideia de um deus único e todo-poderoso, muita água rolou por baixo da ponte divina. Essa difícil relação entre criador e criatura é uma verdadeira saga onde não faltam conflitos, sofrimentos, dilemas, heróis e mártires. As mitologias de todo o mundo formam um mosaico precioso para entender melhor essa saga; no entanto, na carona do filme Dogma, tomemos a Bíblia: ela pode ser vista (também) como o registro simbólico da evolução do conceito de Deus de boa parte da humanidade. Assim veremos perfeitamente como ambas as partes da relação evoluíram com o tempo, criador e criatura.

A mordida no fruto proibido simboliza o advento da consciência, o momento histórico em que um ramo dos hominídeos se diferencia pelo refinamento de sua mente. Antes eram todos mergulhados na inconsciência geral, na indiferenciação psíquica: era o Éden. Nem felizes nem infelizes: simplesmente não se questionavam. Evoluída a mente, surge a consciência, feito uma extensão de terra que aos poucos se eleva do fundo do oceano inconsciente e põe a cabeça de fora: é a terra que, em forma de ilha, adquire consciência sobre si mesma e sobre o que a rodeia.

No entanto a autoconsciência tem seu preço. O despertar para um novo nível de compreensão da realidade e de si mesmo traz sempre novas dúvidas e grandes desafios. Ao adquirir a autoconsciência nossos antepassados foram expulsos do tranquilo paraíso do não-saber e saíram dele com a pergunta que a partir daí jamais se calaria: quem nos criou e onde estará?

Está muito, muito longe. Pelo menos no Antigo Testamento. No início da relação o criador é uma força gigantesca mas absolutamente externa e inalcançável. Deus é imprevisível, com crises terríveis de humor, e envia desgraças e pragas às suas criaturas indefesas. As desgraças continuam em nosso mundo moderno, claro, mas sabemos hoje que somos nós quem as causamos. Esse antigo Deus, rancoroso e dogmático, tem por lema “olho por olho, dente por dente” e diz, batendo o pé: “Eu sou Javé e não mudo.” Muda não? Vamos ver…

Ainda no Antigo Testamento ocorre algo incrível, que se tornaria um marco dessa relação. É o drama de Jó, o servo mais fiel de Deus a quem ele permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida só para saber se o coitado continuaria fiel, que maldade. Jó, no auge do sofrimento e em desespero ante tal injustiça, ousa questioná-lo e assim, pela primeira vez, a criatura põe em xeque a coerência de seu criador, ela que antes apenas louvava e obedecia. Deus, aporrinhado, vê-se obrigado a descer do pedestal, exibir seu poder feito um ditador inseguro e dar satisfações, coisa que jamais fizera, imagina. No final premia a fidelidade da criatura lhe consertando a vida destruída.

Desse conflito crucial saem ambos transformados para sempre. A criatura salta para um novo nível na relação com o arquétipo divino e ele, o criador, apanhado em dilema moral, é forçado a reconhecer que será impossível prosseguir sem uma nova parceria com os humanos.

Deus em crise

Deus entra numa crise daquelas porque o drama de Jó (que viria a se tornar um drama arquetípico de toda a humanidade) lhe torna evidente que necessita deixar de lado certos dogmatismos e assimilar a natureza de sua criatura para, assim, realizar-se efetivamente como criador. Ele criou a matéria mas agora precisa também ser matéria para alcançar sua própria integralidade. Essa ideia então amadurece no inconsciente coletivo da espécie, fomentando as profecias que anunciarão o filho de Deus. Está devidamente semeado, pois, o terreno para a vinda do Cristo, o próximo marco da saga.

De fato, Cristo inaugura a era do humano-divino, o Deus humanizado e descido à matéria, criador e criatura cada vez mais próximos. O Cristo parece detonar forte transformação no pai pois o Deus do Novo Testamento deixa de ser aquele do “olho por olho, dente por dente” para se tornar o Deus do “amai-vos uns aos outros”. O Deus irascível é agora pura bondade e perdão. E é também humano, demasiadamente humano – tanto que sua própria criatura o tortura e o executa numa cruz, confusa ante o novo nível da relação que se inaugura e incapaz de absorver a novidade. Deus agora conhece na pele a dor, o medo, a injustiça, a morte. É um deus mais completo.

Agora, dois mil anos depois, a criatura parece assimilar melhor o que se passou. Agita-se no inconsciente da espécie a ideia de que esse Deus que ela sempre buscou lá fora, e muito morreu e matou por isso, talvez tenha sempre estado no interior dela própria, que ironia. Será essa a resposta da antiga pergunta que nunca quis calar? Se, de fato, é verdade que Deus está e sempre esteve dentro dela própria, talvez a criatura esteja a essa altura vivendo a fase do deslumbramento infantil de se saber divina. Talvez seja por isso que ande brincando tão irresponsavelmente com a vida e a Natureza.

Em Dogma Deus é uma garota brincalhona que planta bananeira (de saia!), beija um adolescente tarado e engravida uma mulher. Quer mais? Como em Jó, passa mal bocados por conta de um dilema criado pelos próprios humanos. E precisa de um deles para se recuperar e voltar à ativa. Santa heresia, Batman!

No filme Deus se utiliza sempre de um anjo porta-voz pois não diz uma palavra sequer. Na verdade ele não pode falar pois se falasse suas criaturas explodiriam ao simples escutar de sua voz. Que bela metáfora para a natureza avassaladora dos arquétipos! Ninguém pode contatá-los diretamente pois, mesmo nascidos do inconsciente coletivo, os arquétipos simplesmente não cabem em nossa capacidade de assimilação – então se mostram por imagens. Deus não cabe em nossa ideia dele, por isso não pode se revelar inteiramente. Essa é a ironia máxima para o criador: o único modo de sua criatura conhecê-lo de fato, é ele se tornar, com ela, um só.

O filme questiona alguns dogmas cristãos com bom humor. Brindemos pois isso é ótimo. Para nós e para Deus. Para a criatura porque nos permite exercitar o senso crítico, condição sine qua non à evolução psíquica. E para o criador porque para quem cria, nada mais construtivo que uma criticazinha pertinente. Ainda mais se vem dos próprios personagens.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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DOGMA

Comédia – Dogma, EUA, 1999
DIREÇÃO E ROTEIRO: Kevin Smith
ELENCO: Ben Affleck, Matt Damon, Linda Fiorentino e Alanis Morissette

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Nosso Bar – Existe birita após a morte

fevereiro 9, 2012

Ricardo Kelmer 2011

Quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta

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Após ver o filme Nosso Lar, fiquei imaginando… E se eu fosse parar num lugar daquele? Já imaginou eu vestido com aqueles modelitos esvoaçantes, sem poder usar minha surrada camiseta Cabaré Soçaite, eu levitando em passeios matinais à beira do lago enquanto toca música celestial… Já imaginou? Também não consegui imaginar. Então bolei um outro filme. Com vocês: Nosso Bar.

Pra começar, quando você chega na colônia extrafísica Nosso Bar, a primeira coisa que recebe é uma camiseta da sua birita predileta. Eu, por exemplo, vou ganhar aquela preta clássica do Jack Daniel´s. E a segunda coisa que você recebe é um fígado novinho em folha, sem prazo de validade.

Bar no Nosso Bar é que nem hospital: não fecha nunca. Nem em dia de finados. E ninguém precisa se preocupar com a conta: basta assinar e pronto. E quem paga? O Mistério. Como assim, o Mistério? Ah, isso eu não sei explicar, sempre foi assim, o Mistério paga tudo. Inclusive o engov.

A que horas os bares têm que fechar pra não dar problema com a vizinhança? Vizinhança? A vizinhança é toda de bares, boates e inferninhos. Música ao vivo? Infelizmente não tem – mas tem música ao morto de primeira qualidade. Você gosta de barzinho de rock? Tem mil pra você escolher. Bar de blues? Tem a perder de vista. Bar de sertanejo? Desculpa, isso não tem, é melhor você procurar em outro Além. Tá, tudo bem, podemos solicitar um bar de sertanejo. Mas com isolamento acústico cem por cento.

O atendimento é uma coisa do outro mundo: garçonetes lindas e simpáticas, sempre atenciosas. Admiravelmente generosas. E eternamente solteiras. Como, garçons sarados? Não, assim você quer acabar com meu filme. Tá, tudo bem, vamos solicitar garçom sarado também. Putz, o Nosso Bar já foi melhor…

Só maiores de idade podem ir a essa colônia. É lei. Por isso relaxe, meu amigo, pois você nunca será enganado por aquela linda ninfetinha safada que jurou pra você que tinha 18 anos. E as crianças que nascem lá, elas não crescem e viram ninfetas tentadoras? Arrá! Lá não nasce ninguém, o sexo não é procriativo. Por isso você nunca será denunciado como pai do bebê de nenhuma linda ninfetinha safada. É o lado bom da lei.

Dirigir bêbado? Isso é coisa da Terra. No Nosso Bar basta você pensar “quero ir pro Chope Astral” que no segundo seguinte você já está lá, no melhor lugar do balcão. Brigas? Lá não tem pois quem briga perde o crédito com o Mistério e ainda tem que pagar tudo o que bebeu. E quando reencarnar, nascerá com total intolerância ao álcool. Ou seja, é desgraça muita. E como todos estão de passagem por lá, ninguém tem que procurar apartamento pra alugar: seu quarto já tá reservado num hotel bacaninha. Por conta do Mistério, claro.

E o enredo do filme? Tenho uma sugestão. O Bar Nosso que Está no Céu realizará uma superfesta que contará com canjas especiais de Janis Joplin, Jim Morrison, Cazuza, Cassia Eller, Jimi Hendrix, Raul Seixas, Amy Winehouse e Intocáveis Putz Band. A notícia da festa chega ao mundo dos vivos e milhões de pessoas decidem que vão morrer pra não perder a festa. E agora? Agora em breve num bar, ops, num cinema perto de você.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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01- Tsc, tsc, tsc, acho que você anda bebendo demais! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – fev2012

02- eu acho que é de menos… :P. Susana X Mota, Leiria-Portugal – fev2012



A nova fronteira da realidade

dezembro 18, 2011

Ricardo Kelmer 1999

A ciência acaba de abrir a porta a outras dimensões da realidade – não há mais como voltar

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O cinema é uma a arte que expressa muito bem uma das mais inquietantes questões do nosso tempo: o que é de fato a realidade? O filme 13º Andar, dirigido por Joseph Rusnak, junta-se assim à obra-prima Matrix e a eXistenZ e transforma 1999 num ano pródigo em filmes com essa temática.

Em 13º Andar um cientista experimenta a realidade virtual para buscar pistas sobre um assassinato e isso termina levando-o uma completa transformação de sua compreensão da realidade. Assim como no filme, em que o roteiro e a direção levam o espectador a viver as mesmas dúvidas do personagem, aqui na vida cotidiana os avanços tecnológicos estão nos fazendo repensar a atual noção comum de realidade. Talvez sejamos privilegiadas testemunhas de um salto quântico de consciência da espécie humana, o que nos fará perceber que o que entendemos por realidade na verdade é uma sala com paredes de vidro, onde o reflexo de tudo que há em nosso mundinho dificulta a visão do que pode existir além dele.

O enredo do filme não é mera ficção. A realidade virtual já é usada em diversas áreas do conhecimento: temos os jogos, o treinamento de astronautas e terapeutas que a utilizam para tratar de fobias. Sabe-se que a psique não distingue realidade objetiva de subjetiva (veja o caso dos sonhos), o que leva o cérebro a se comportar como se estivesse no mundo das coisas físicas.

Vamos nos encontrar mais tarde na praia? – você propõe à sua turma. Então, na hora combinada, vocês se encontram para tomar uma cerva, pegar uma cor e dar bons mergulhos. A diferença é que você não precisou sequer sair do seu quarto: bastou conectar-se a um programa de realidade virtual disponível na internet, onde várias pessoas podem se encontrar ao mesmo tempo. E mais: podem se ver, se tocar e até transar. Será que o mundo da realidade virtual se transformará numa nova droga, levando muita gente a passar horas de seu dia conectado a programas dos mais variados tipos? Não sei mas nesse mundo tudo, ou quase tudo, é possível. Pode-se viajar, conhecer pessoas e viver em outra época… Vivenciar experiências de outros e até mesmo de bichos, plantas, rochas e átomos… Assumir outra identidade, um outro corpo… Parece não haver limites.

O novo mundo não será total novidade para os que vivenciam estados alterados de consciência, por drogas ou experiências místicas. Estes já sabem da natureza múltipla da realidade e que ela é infinitamente maior e muito mais absurda que nossa compreensão dela. Mas talvez a realidade virtual vá mais além. Ela pode estar nos conduzindo a uma nova fronteira do espaço-espaço, onde perceberemos enfim que não somos bonecos indefesos a mercê de suas leis. A ciência acaba de abrir a porta a outras dimensões da realidade – não há mais como voltar.

Mas pode ser que o buraco seja ainda mais embaixo, sim. Talvez isso seja a porta que faltava para finalmente podermos ampliar a noção de “eu”. Os místicos nos falam há milênios da natureza múltipla do ser, que o que pensamos ser o “eu” na verdade é tão-somente uma extensão do “eu” dos outros. Em outras palavras: tudo é uma coisa só e está interconectado e interdependente de forma tal que o que se faz a algo ou alguém, se está a fazer com tudo e todos.

Mas isso a ecologia já nos diz, com sua teoria de Gaia. E a economia já nos revelou, com a globalização. E a psicologia também, com o inconsciente coletivo. O que parecia impossível está ocorrendo agora: tecnologia e misticismo convergem para as mesmas conclusões sobre a realidade. Feito viajantes que seguiram durante muito tempo por caminhos diversos e se encontram agora, com as mesmas constatações a respeito da vida.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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13o Andar (Thirteen Floor – EUA, 1999 – Ficção científica)
Direção: Joseph Rusnak
Elenco: Craig Bierko, Armin Mueller-Stahl e Gretchen Mol

Cientista que trabalha num revolucionário projeto sobre realidade virtual é assassinado e James, o melhor amigo, desconfia que ele próprio é o assassino. Para entender o que se passou, vai buscar pistas dentro da própria realidade virtual, o que termina levando-o uma completa transformação de sua compreensão da realidade.

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A humanidade, o psicólogo e a esperança

outubro 12, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos
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A psicologia de Jung nos ensina bastante sobre o desenvolvimento psíquico do indivíduo mas também pode ser um bom instrumento para entendermos melhor a humanidade. Pela ótica da psicologia junguiana, é possível encarar com certo otimismo o atual momento de medo e incerteza que vive o mundo, apesar do fanatismo religioso, do terrorismo e da xenofobia. Ou melhor: justamente por causa disso.

Em determinado momento do desenvolvimento psíquico, o indivíduo descobre certos aspectos de si mesmo que antes eram inconscientes mas agora o desagradam. É um conflito de identidade, alimentado pela recusa de aceitar a si próprio e não reconhecer a própria totalidade. Muitas pessoas não vencem o conflito interior e seguem divididas, enganando-se e brigando consigo mesmas, e a perpetuação dessa desunião interna destrói relações e traz insucessos, doenças e até incidentes fatais. A saída para o conflito é integrar os novos conteúdos à consciência, unindo os opostos e aumentando a percepção do que se é. É esse autoconhecimento que conduz à maturidade e traz harmonia ao ser.

No caso da humanidade, não é nada harmonioso seu momento atual: as culturas se misturam cada vez mais e as diferenças incomodam a todos. Cada lado tem suas razões e seguirá lutando por elas. Até quando? Até o ponto em que a humanidade, como um todo, reconhecer e integrar suas próprias diferenças, aumentando a compreensão do que ela é. Dessa forma, o que antes era feio, errado e ameaçador, passa a ser visto como pertencente à cultura humana.

Para superar sua crise, assim como qualquer um de nós, a humanidade precisaria tornar-se mais transparente para si mesma. E é justamente o que acontece agora. Graças ao intenso entrelaçamento das culturas e ao fortalecimento da democracia, a humanidade tem hoje um grau inédito de autoconhecimento e isso impede que ela minta para si própria com antes fazia. Num mundo cada vez mais interconectado, essa transparência nos faz perder o medo daquilo que antes nos ameaçava do canto escuro da nossa própria ignorância sobre quem somos. A humanidade torna-se, a cada dia, uma humana unidade.

Tornar-se uno… Eis um processo doloroso. Mas cada um de nós já passou por isso: na infância a psique é uma massa inconsciente que aos poucos agrupa seus próprios conteúdos dispersos e forma o ego, a noção de eu. Depois de criado, a esse eu caberá a tarefa de continuar organizando-se vida afora sempre que novos elementos inconscientes surgirem à consciência. Na psicologia junguiana isso se chama processo de individuação, que significa tornar-se um “in-divíduo”, ou seja, uma totalidade autoconsciente e não dividida.

É aqui onde mora o motivo para otimismo: os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos. Sua noção de eu está se ampliando. Sim, há focos de resistência, como a xenofobia e os preconceitos raciais e sexuais, mas isso faz parte do processo. O multiculturalismo e um novo senso de cidadania, a cidadania global, cada vez mais se impõem frente a percepções limitadas sobre quem somos.

Se a humanidade de hoje fosse a uma consulta, seu psicólogo seguiria junto com ela pelas dores da crise, sim, mas por dentro sorriria esperançoso. Como certamente Jung faria.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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COMENTÁRIOS
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01- Rapaz, desde os incidentes de 2001 venho escrevendo sobre, particularmente sobre o fim do patriarcado (as torres gêmeas simbolizarem o falo ocidental do homem capitalista), a reviravolta nos conceitos e valores sociais e a quebra econômica (acompanhada de descrédito religioso). Pelo tarô, estamos caminhando em direção ao arcano 05 (Papa) e provavelmente teremos um ano recheado de conflitos religiosos e conturbadas crises morais. Um bom ano para a ciência, mas um ano de aprofundamento espiritual. Jung diria, se estivesse vivo, que estamos vivendo um tempo de confrontação com a sombra, de questionamento do self e de inversão de posição do animus com a anima. Certamente, um tempo de (re)descobertas, amigo Ricardo Kelmer! :) Giancarlo Kind Schmid, Rio de Janeiro-RJ – out2011

02- Brigadão pelo presente do belo texto, companheiro!!! Jung é PEÇA FUNDAMENTAL na minha formação e na minha espiritualidade. Muito grato! ;) Rógeres Bessoni, Recife-PE – out2011

03- Muito bom acordar de manhã e ler esse texto otimista sobre a aproximação entre os indivíduos e entre nós mesmos e que irá refletir em um mundo melhor, ou pelo menos mais tolerante. Muito bom mesmo! Beatriz Nousiainen, Fortaleza-CE – out2011

04- Que belo texto!!!!!!adorei! Silmara Oliveira, São Paulo-SP – out2011

05- Li seu texto ‘a humanidade, o psicólogo e a esperança’ e achei muito interessante!!! faço psicologia, então me agradou muito!! vou sempre ficar acompanhando!! Sáfia Maia, Fortaleza-CE – out2011

06- Vou compartilhar, porque compartilho!!!! Adorei!!!!! Adeli Timbó, Fortaleza-CE – out2011

07- Maravilha Kelmer, all we need is love !!!! Ivan Martins, Fortaleza-CE – out2011


Blade Runner – Deuses, humanos e andróides na berlinda

outubro 1, 2011

Ricardo Kelmer 2007

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

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Criador e criatura. Eita relaçãozinha complicada… Mas não podia ser mesmo de outro jeito, afinal toda criatura é a sequência natural do processo de evolução de seu criador e, assim sendo, todo criador está muito mais que envolvido com sua criatura: ele, de certa forma, é a criatura. E a criatura, por sua vez, mesmo sendo a extensão de seu criador, buscará naturalmente sua própria individualidade e isso trará a necessidade de, a certa altura, questionar e negar o criador. Ou seja, o conflito é inevitável. Mas necessário.

Rick Deckhard, o protagonista do filme Blade Runner (O Caçador de Andróides), sofre na própria pele esse antiquíssimo dilema cósmico. Na Los Angeles futurista ele é o policial aposentado que persegue replicantes, os andróides semi-humanos que se rebelaram na colônia espacial e voltaram à Terra. O que desejam os replicantes? A mesmíssima coisa que cada um de nós, humanos: eles querem viver. Mas para isso terão que encontrar o cientista que os criou e convencê-lo a lhes dar mais que os seis anos de vida originais que um replicante tem quando é criado nos laboratórios.

Imagine-se no lugar de um replicante. Você nasce, ou melhor, você surge já adulto, programado para viver seis anos. As memórias de vida que você possui foram, na verdade, meticulosamente implantadas, copiadas dos humanos, formando um passado para você, para que você não desconfie que é um replicante. Você foi criado para executar tarefas altamente especializadas e por isso é mais forte, mais inteligente, mais esperto. Você é um humano aperfeiçoado, com a única desvantagem de ter bem menos tempo de vida, por uma questão de segurança para os humanos.

Acontece que um dia você descobre essa armação toda e, naturalmente, fica puto porque o enganaram. Você quer viver mais. O que você faz? Contra a injustiça de seu criador, você não tem a quem recorrer senão… ao próprio criador. Somente ele poderá reparar o que você considera uma horrenda injustiça, afinal você o serviu desde o primeiro dia de sua vida, fez tudo como ele quis – e é essa a sua recompensa, morrer, morrer tão cedo?

Deckhard, o policial, caça os replicantes e os mata um a um. Mas falta pegar o último, Roy Batty, o melhor dentre eles. Roy conseguiu encontrar-se com o cientista que o criou, que afirmou ser impossível lhe dar mais vida. Inconformado, Roy o matou. Agora ele foge do policial caçador de andróides e vai para o alto de um prédio. E lá em cima os dois travarão a luta final, de um lado o humano que tem ordens para matar e do outro lado o replicante que deseja apenas mais vida.

A cena dessa luta final simboliza com perfeição a complexa grandeza da arquetípica relação criador/criatura. Pelo ângulo do policial, temos alguém que representa a humanidade, ou seja, ele está no papel de criador, sendo o replicante, assim, a sua criatura. O criador, ameaçado, precisa eliminar o que ele próprio criou, a mais perfeita de suas criações. A criatura está apegada à vida mas sabe que logo irá morrer – e logo. E não há apelação. O que lhe resta fazer? Matar-se para, assim, acabar logo com a dilacerante solidão que sente e abreviar seu sofrimento existencial? Ou continuar vingando-se daqueles que a criaram, matando quantos puder? No alto do prédio este é o trágico dilema que pressiona e maltrata a criatura.

Rogar ao criador por justiça é típico das criaturas, os humanos que o digam. Eles também um dia foram criados – e desde então buscam não apenas mais vida mas também o sentido de estarem vivos. Após adquirir autoconsciência, o Homo sapiens passou a se relacionar com o princípio criador de diversas formas como a arte, a filosofia, a mitologia e a religião. E é na mitologia cristã que, antes de voltarmos à cena final do filme, buscaremos entender mais sobre essa relação tão delicada.

Jó questiona a ética de Deus

Diz-nos a Bíblia que um dia a criatura ousou questionar o criador por se achar por ele injustiçada. Estou falando do Livro de Jó, o mais poético dos livros do Antigo Testamento. Jó é o servo predileto de Deus, de todos o mais fiel. Apesar disso, Deus permitiu que o Diabo lhe destruísse a vida, acabando com suas propriedades e seus animais, matando seus filhos e adoecendo-o – apenas para saber se a criatura se manteria leal a seu criador mesmo na desgraça total. Vejamos a questão pelo ângulo da mitologia e comecemos com a pergunta: por que Deus faria tal coisa abominável com sua criatura mais honesta e fiel?

Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso. Criar é necessidade natural dos seres e criar a vida é o mais transcendental de todos os atos criativos. Porém, o Deus cristão cria os humanos com um objetivo declaradamente egoísta: para servi-lo e adorá-lo. E quando está insatisfeito com eles, lança-lhes pragas e catástrofes, como para provar seu poder. E assim a relação prossegue, de um lado um criador que alterna bondade com terríveis crises de humor e brincadeiras de mau gosto e do outro lado a criatura frágil e temerosa, que apenas serve e louva. Trata-se, portanto, de uma relação ainda unilateral, marcada pela imaturidade do criador.

Rogar justiça a um deus injusto – é o que faz Jó, inconformado com as desgraças que se abatem, uma após outra, sobre sua vida. Pela primeira vez a criatura põe em xeque a coerência do criador, mostrando-lhe que não faz sentido ser o mais fiel dos servos de Deus e, em troca, receber tanto mal. Este é um dos mais marcantes momentos da mitologia cristã, é o ponto histórico em que a criatura se desdobra para compreender a lógica de quem a criou e essa experiência trágica a conduz a um novo nível em sua individualidade e, por consequência, em sua relação com o princípio criador.

Individualidade. Palavra bonita. Toda criatura almejará um dia ser indivíduo e não apenas servo autômato de seu criador. Porém, mesmo que consiga, não terá como separar-se totalmente dele pois o princípio criador estará inevitavelmente contido na criatura, para sempre. Pressionado por essa busca de individualidade por parte de Jó, Deus se aporrinha pelo que julga um grande desrespeito à sua condição divina e vê-se obrigado a descer de seu glorioso pedestal e dar explicações à criatura que reclama justiça. No fim, após uma longa conversa, Deus entende que deve recompensar Jó por ele ter, apesar de toda a injustiça que lhe foi cometida, mantido a fé no senso de justiça divino. Jó obtém suas propriedades de volta, os animais, a saúde, ganha novas filhas. O incrível aconteceu: a criatura demonstrou, ao menos em parte, ser moralmente superior ao criador.

A atitude de Deus revela um criador imaturo, que necessitou do questionamento da própria criatura para se aperfeiçoar. Sim, Deus se aperfeiçoa com o episódio de Jó pois é através dele que compreende que para ser um criador completo, terá que absorver qualidades daquilo que ele mesmo criou, e só poderá fazê-lo tornando-se, ele também, criatura. E é assim que Deus, o princípio máximo espiritual, é obrigado a fazer-se matéria, o oposto do espírito – na pessoa de Jesus Cristo. O criador torna-se sua própria criatura para que, vivendo em si mesmo todas as limitações e contradições do que é ao mesmo tempo espírito e matéria, possa finalmente tornar-se um criador completo.

Tomemos agora, por um instante, a ótica da psicologia do inconsciente para tentar enriquecer nossa visão do processo. Vendo a Bíblia como um registro metafórico do longo processo de evolução da consciência humana, a história de Jó é um marco nessa evolução, é o momento em que a consciência transcende a si mesma ao repensar sua relação com o inconsciente, de onde ela surgiu, e, assim, se diferencia um pouco mais dele, fortalecendo a individualidade. A consciência venceu o desafio contra a poderosa força indiferenciada do inconsciente que, em sua força avassaladora e amoral, tende sempre a querer dominar a consciência, mantendo-a como mero instrumento de seus humores. A consciência acaba de aprender que pode se comunicar com o inconsciente e não apenas aceitar tudo que vem dele como um escravo sem opiniões. No plano individual isso significa que o indivíduo passa a ser mais consciente de si como ser único, com suas necessidades pessoais, distinto de todos os outros, o que levará à valorização sempre crescente do senso de individualidade em oposição à massificação coletiva, condição indispensável tanto ao crescimento psicológico como também ao surgimento de ideias como democracia, direitos humanos e liberdades individuais. No plano coletivo isso significa que o Homo sapiens começa a se entender de forma distinta do restante da Natureza (inconsciente), o que o levará, no futuro, a julgar-se superior, querendo dominá-la, e, mais tarde, a entender que na verdade precisa respeitá-la e conviver saudavelmente com ela.

quem é o mais íntegro?

Um criador e sua criatura no alto do prédio, envoltos pelos neons coloridos da cidade – estamos de volta a Blade Runner. O criador, na pessoa do policial humano, caça o replicante, sua criatura. Ambos estão exaustos e feridos da luta mas não desistem. Porém, por ser mais forte e mais rápida, a criatura vira o jogo e passa a ser o caçador. Agora o criador está encurralado, surpreso e fragilizado diante do imenso poder daquilo que ele próprio criou. A criatura se delicia com o terror que o criador sente e zomba: “Uma experiência e tanto viver com medo, não? Ser escravo é assim.” À sua frente está aquele que lhe destruiu a vida, matou seus amigos, sua namorada e agora quer lhe tirar os últimos momentos que lhe restam. O que fazer com ele?

O criador tenta fugir mas escorrega e se segura como pode para não cair do alto do prédio. A criatura, ao seu lado, observa seu sofrimento. O que vê a criatura? Ela vê aquele que a criou reduzido a um último fio de esforço para não morrer. Ela vê alguém como ela, um ser mortal, agarrando-se desesperadamente à vida, à última e improvável esperança. Ela vê uma criatura, diminuída e ao mesmo tempo aumentada pela trágica condição de estar vivo e saber que em breve morrerá… Então o criador cai para o abismo. E a criatura, no último instante, estende a mão e o salva da morte.

Rick Deckhard é salvo pelo replicante Roy Batty, a quem antes perseguia e buscava matar. Sem forças, caído ao chão, o criador está inteiramente à mercê da criatura, seus corpos molhados pela chuva fina e insistente. Imóvel, ele apenas escuta o que tem a lhe dizer a criatura. E ela, com um sorriso triste, lhe diz que viu coisas que ele jamais acreditaria… naves de ataque em chamas perto da borda de Órion… a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta Tannhauser… O criador escuta, ferido e atento. A criatura, sangrando e sentindo chegar o fim, diz, num resignado lamento: “Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva.” E, encerrando sua participação no mundo dos vivos, balbucia: “Hora de morrer”. E, suavemente, fecha os olhos. Enquanto as gotas da chuva lhe descem pelo rosto, por trás dela uma pomba branca alça voo. O criador continua imóvel, o olhar fixo na criatura. O que pensa o criador? Tantas coisas certamente, pensamentos de justiça e injustiça, de integridade, coragem, medo, solidão, dúvidas, o sentido de tudo… O andróide Roy Batty, assim como Jó fez diante de seu Deus ilógico, ousou questionar a coerência do criador e o fez ver que, no fim, ele, como criatura, compreendia muito mais que o próprio criador o valor da vida e da justiça. A pobre criatura, que só queria mais vida, e que por isso tanto a queriam matar, ela que não tinha mais qualquer chance e que poderia, se quisesse, deixar morrer aquele que causou todo o seu sofrimento, no último instante ela estendeu a mão, dando a última coisa que ainda possuía: o amor pela vida. Quem dos dois é o mais íntegro?

A nossa humana condição de criatura nos leva a ponderar sobre o princípio criador, sobre como fomos criados, o sentido da vida… Talvez jamais o saibamos mas ainda assim não paramos de buscar saber. No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner mas, de algum modo, será. E quando esse dia chegar, talvez tenhamos, assim como o Deus de Jó e o policial Rick Deckhard, que abandonar nosso pedestal de criador, acompanhá-la até o alto de seu trágico dilema e segurar sua mão para salvá-la – ou para salvarmos a nós mesmos.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDRÓIDES

Ficção científica – EUA, 1982
Baseado no conto Andróides Sonham com Carneiros Elétricos?, de Philip K. Dick

DIREÇÃO: Ridley Scott
ROTEIRO: Hampton Francher e David Webb Peoples
ELENCO: Harrison Ford (Rick Deckard/narrador), Rutger Hauer (Roy Batty),  Sean Young (Rachael), Edward James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant), Daryl Hannah (Pris), William Sanderson (J.F. Sebastian)…
TRILHA SONORA: Vangelis

> Na Wikipedia

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SIMBOLOGIA

1. Enquanto persegue o policial, o andróide Roy Batty começa a sentir que seu tempo de vida está prestes a findar, como uma bateria que acaba. Para manter-se desperto, ele pratica um ato extremo: enfia um enorme prego na mão, trespassando-a. A dor física o sustentará em sua incansável luta por vingança. O paralelo com a crucificação de Cristo é óbvio. Em sua via crucis, a criatura busca na própria dor e sofrimento a força derradeira para fazer cumprir a missão a que se impôs.

2. Explicar o símbolo é sempre limitar a compreensão. Mesmo correndo esse risco, o que podemos dizer sobre a pomba branca nas mãos de Roy Batty? A imagem sugere um forte contraste entre o andróide violento e o animal dócil e pacífico. É possível até imaginar que ele matará o pobre animal como fez com o cientista que o criou. Mas Roy não mata a pomba ela voa quando ele morre. Isso significaria a alma enfim liberta da prisão do corpo físico? No caso de Roy certamente que não pois andróides não têm alma. Talvez seja a pomba a representação de seu mais profundo anseio: ter uma alma. E mais que isso: a pomba liberta é o gesto final de afirmação da vida pela criatura mortal. Além do ódio e da vingança por seu criador que a moveram até ali, a criatura decide, em seu último momento, celebrar a vida. A vida que tanto desejava e que lhe foi negada.

3. Na versão do diretor Ridley Scott, lançada em 1993, o origami que Rick Deckard encontra remete aos seus sonhos com um unicórnio. A cena final do origami confere um sentido absolutamente surpreendente à história (que não revelarei aqui pra não estragar a surpresa) mas podemos nos perguntar: por que exatamente o unicórnio? Esse animal mitológico simboliza, em nossa cultura, força e pureza. Na Idade Média acreditava-se que somente uma virgem poderia domar o unicórnio. Em Blade Runner, seria Rachel a virgem que doma o caçador de andróides? Talvez o unicórnio represente, no filme, a força e a pureza do amor de Rachel e Rick Deckard, apontando para a relevância desses valores diante de todas as incertezas da vida.

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> Cine Kelmer apresenta – Dicas de filmes

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> Deuses, humanos e andróides na berlinda (filme: Blade Runner) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

> Deus planta bananeira de saia (filme: Dogma) – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

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 COMENTÁRIOS
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01- Adorei, Ricardo! Destaco este parágrafo do final do seu texto: “No entanto, nesse exato momento da nossa história algo novo acontece: estamos passando ao estágio seguinte, o de criador. Criamos a inteligência artificial e ela, através de suas variadas manifestações, aos poucos adquire autonomia e, como toda criatura, ansiará em determinado momento por individualidade. Não sei se será como em Blade Runner mas, de algum modo, será.” Denise Santiago, São Paulo-SP – out2011


Quantas pessoas Deus já matou?

agosto 23, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso
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Calcular o número de pessoas que morreram em nome do Deus cristão é impossível pois isso acontece desde o início dos tempos e continua acontecendo. Foram alguns milhões nas perseguições e guerras santas antigas e atuais e durante a Inquisição Católica e Protestante. Mais uns milhões no extermínio de povos ameríndios e africanos que não toparam se converter. Por questão de justiça, é bom incluir também os três milheiros do Onze de Setembro.

É muita gente. E, pelo jeito, a matança vai continuar. Mas afastemos os amadores e vamos logo direto ao chefão. Quantas pessoas o próprio Deus matou ou ajudou a matar?

À primeira vista, a pergunta soa muito estranha. Certamente a maioria dos cristãos jamais se perguntou isso. Evidentemente, alguém pode vir com a argumentação teológica: foi o Diabo quem introduziu a morte no mundo e, por isso, Deus nunca matou ninguém. Bem, mas se o Diabo foi criado por Deus, então em último caso, Deus ainda é o responsável.

Quantas pessoas o próprio Deus matou ou ajudou a matar? O número exato só perguntando diretamente a ele. A Bíblia, porém, que é a sua palavra oficial, pode nos dar uma pista. Veremos que no Antigo Testamento Deus matava gente como se fosse formiga e por qualquer bobagem, era uma carnificina só. O que aconteceu depois? A humanidade melhorou? Ou ele entendeu que estava se cansando à toa e deixou que nós mesmos nos matássemos?

A psicologia do inconsciente oferece uma resposta interessante pra essa questão. Mas por enquanto, vamos aos números de pessoas assassinadas por Deus, segundo ele próprio:

* Milhares de primogênitos do Egito – Êxodo 7 a 12
* Milhares durante as dez pragas do Egito – Êxodo 7 a 12
* Toda a humanidade no dilúvio, menos Noé e seus chegados – Gênesis 6:5
* A mulher de Ló por olhar para trás – Gênesis 19:26
* Er, por ser mau aos olhos do Senhor – Gênesis 38:7
* Onan, por se masturbar – Gênesis 38:10
* 3.000 por adorarem um bezerro de ouro – Êxodo 32:27
* Por blasfemar – Levítico 24:10-23
* Por recolher lenha no sábado – Números 15:32-36
* Corá, Datá e Abrirão e suas famílias – Números 16:27-32
* Os dois filhos de Arão – Levitico 10:2
* 250 queimados vivos por oferecerem incenso – Números 16:35
* 14.700 mortos por reclamação – Números 16:41-49
* 24.000 por se prostituírem – Números 25:4-9
* Massacre dos Medianitas (32.000 virgens escravizadas) – Números 31:1-35
* Acá, seus filhos e filhas apedrejados – Josué 7:24-26
* Destruição da cidade de Ai – Josué 8:1-25
* Guerra a cananeus e ferezeus – Juízes 1:4
* Eúde mata em nome de Deus – Juízes 315-22
* Reis enforcados ao Senhor – Josué 10:22-25
* Destruição dos moabitas – Juízes 3:28-29
* Deus faz 120.000 midianitas matarem-se uns aos outros – Juízes 7:2-22
* Espírito do senhor faz Sansão matar 30 – Juízes 14:19
* Deus ajuda Sansão a matar 3.000 – Juízes 16:27-30
* Deus ajuda Israel a matar 25.100 benjamitas – Juízes 20:35-37
* Mais 25.000 benjamitas mortos – Juízes 20:44-46
* 50.070 por olharem dentro de um baú inútil – Samuel 6:19
* Deus ajuda Jonatas a matar 20 filisteus – Samuel 14:12-14
* Samuel esquarteja Apague em nome de Deus – Samuel 15:32-34
* Deus mata Nabal – Samuel 25:38
* Uzá, por não deixar o baú inutil cair no chão – Samuel 6:6-7
* Deus mata o bebê recém-nascido de Davi – Samuel 12:14-18
* 7 filhos de Saul enforcados ao Senhor – Samuel 21:6-9
* 70.000 mortos por Davi ter feito um censo – Samuel 25:15
* Por acreditar na mentira de um profeta – Reis 13:1-26
* 100.000 sírios em um só dia – Reis 20:28-29
* Deus faz um muro matar 27.000 pessoas – Reis 20:30
* Por não querer bater num profeta – Reis 20: 35-36
* Acazias, por adorar o deus errado – Reis 1:4
* 102 queimados vivos por Deus – Reis 1:9-12
* 42 crianças por caçoarem de um profeta – Reis 2:23-24
* Pisoteado por não crer em Elias – Reis 7:20
* Jezabel devorada por cães – Reis 9:3-27
* Deus mata alguns estrangeiros – Reis 17:25-26
* 185.000 soldados enquanto dormiam – Reis 19:35
* Saul – Crônicas 10:14
* 500.000 israelitas – Crônicas 13:15-17
* Jeroboão – Crônicas 13:20
* 1.000.000 de etíopes – Crônicas 14:9-14
* Jeorão, morto por tripas amaldiçoadas – Crônicas 21:14-19
* A mulher de Ezequiel – Ezequiel 24:15-18
* Ananias e sua mulher por não darem todo o seu dinheiro à igreja – Atos 5:1-10
* Herodes morto por bichos – Atos 12:23
* População de Sodoma, Gomorra e cidades vizinhas, por fornicação – Judas 1:7

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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COMENTÁRIOS
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01- Hoje li “Quantas pessoas Deus já matou” e me lembrei de um texto do Saramago, “O Fator Deus”. Ambos fazem refletir e nos deixam pensando ainda muito tempo depois de lê-los. Boa literatura, sejam romances, contos, artigos, poesias nos provoca, instiga, excita e permanece. Amplexos…. ;-) Rosângela Aguiar, Fortaleza-CE – ago2011


Estão abduzindo nossas mulheres

julho 22, 2011

Ricardo Kelmer 2006

Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui
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Beleza? Sensualidade? O jeitinho de andar? Não sei exatamente o que a mulher brasileira tem mas algo deve ter. Senão não tinha tanto ET cobiçando. Já reparou, meu amigo, que os ETs estão levando nossas mulheres? É um escândalo! Abdução em massa de brasileiras! E bem debaixo do nosso nariz. Alguém precisa fazer algo, daqui a pouco só vai ter homem aqui.

Rumino sobre isso desde que parei pra fazer as contas e descobri, alarmado, que quinze amigas minhas já estavam vivendo com ETs. Quinze! É mais que um time inteiro! Elas levavam suas vidas normais e tinham profissões comuns quando um dia… foram abduzidas. Num momento estavam ali, ao nosso lado, e no instante seguinte, puff, lá se iam na nave, pra sempre, viver em Modena, Boston, Munique…

Ah, não é nada agradável ver nossas meninas, tão lindas, tão poéticas, cultivadas com tanto carinho na estufa aconchegante da amizade tropical, de repente trocarem tudo pelo frio e por um branquelo gosmento que nem de futebol gosta. Que injustiça! Elas são alimentadas desde pequeninas com uma cultura alegre e morena, onde elas aprendem a ondular o corpo no ritmo natural das palmeiras ao vento, sabem deixar aquele cabelinho mimoso sobrando na nuca, têm aquele jeitinho brejeiro de chupar picolé de cajá enquanto falam no orelhão… e aí desce uma nave, sai lá de dentro uma criatura desengonçada com umas roupas estranhas e leva as meninas embora? Não, isso não tá certo. Tudo bem que fulana sempre teve fama de Maria Passaporte, só namorava ET. Mas a maioria não é assim.

Só pra piorar, um dia busquei quantos amigos homens foram abduzidos por ETeias. Só encontrei um. Quinze pra um? Tá desproporcional. As ETeias nada veem de interessante em nós homens brasileiros? Buáááá!!!

Imagino que sempre houve uniões entre pessoas de mundos diferentes, desde que, milhões de anos atrás, a bisavó da Chita viu aquele pitecanthropus pintosus da outra tribo se aproximando pra perguntar se ela tinha fogo. Mas a internet, a rapidez dos transportes e o aumento do turismo aproximaram mais as culturas e, com isso, as uniões interculturais aumentaram. Principalmente envolvendo as nossas chitas.

Lana, Fabiana, Isabella, Silvana, Michele, Andrea, Cris, Aninha… As abduções prosseguem, cada vez mais, mostrando que as brasileiras são altamente valorizadas no mercado abdutório. Antigamente os ETs diziam: Leve-me ao seu líder. Eles eram meio gays. Hoje eles endureceram a munheca e elas é que são levadas.

Estive pensando… Cá pra nós, meu amigo, será que não estamos dando conta do recado? Será que a exuberância da fauna local é tanta que nossos olhos já não a percebem como os de fora que aqui chegam? Estaremos sendo desatenciosos com nossas orquídeas?

Infelizmente a situação tá crítica, companheiro. Devemos reunir o alto comando e discutir o tema, urgente. Que tal sábado? Ah, é, não vai dar, tem a pelada. Hummm… Essas peladas, por exemplo. Todo sábado tem, são cinquenta e duas peladas por ano. Que tal abdicarmos de uma pelada por um jantar romântico? Não, pra nós dois não, imbecil. Um jantar romântico com nossas mulheres. Vamos tentar, companheiros. Uma pelada é muito? Você sugere meia pelada? Ah, entendi, a gente joga o primeiro tempo e sai no intervalo pro jantar. Claro, jantar romântico suado é o máximo.

Rudes… Será que somos brucutus demais? Mas rudeza é biológico, faz parte da natureza do macho. Menos dos ETs, claro, eles têm outra biologia. Então derrotemo-los biologicamente! Hoje à noite, companheiro, você vai chegar batendo o pé na porta, pega ela pelos cabelos e arrasta pro jantar romântico. Aí, no motel, após o nheco-nheco, naquele doce momento do depois, você libera o cavalheiro que existe em você e diz assim: Amor, perdi a peladinha mas ganhei a peladona… Ahahah! Hummm, esquece, essa foi péssima. Mas o importante é a bola dentro. Hummm, piorou.

Ah, quer saber? Elas gostam de ETs? Então fiquem com eles. Nós ficaremos com as ETeias. Vamos atraí-las pro nosso país. Com subsídios e isenção de impostos. Isso mesmo! Vamos ensiná-las a ser como as brasileiras. Elas aprenderão a chupar picolé de cajá daquele jeitinho mimoso e a tirar piolho da nossa cabeça vendo a novela das seis. Saberão chegar na praia naquela poética alegria meio blasé, o andar deixando um rastro de bossa nova no ar, e depois estenderão jeitosamente a canga na areia e ajustarão o biquininho, mesmo o biquininho já estando no ponto, é só charme mesmo, e depois, e depois… Hummm, esquece. Jeitinho de brasileira não se aprende por decreto. Suspende os subsídios. Estamos fudidos.

Só nos resta partir pra ignorância: vamos junto com nossas meninas. É isso aí! A gente se esconde na bagagem. Lá a gente faz faxina, lava prato pro ET, dá-se um jeito. Longe delas é que não dá pra ficar…

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro Vocês Terráqueas - Seduções e perdições do Feminino

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- Gisele, a espiã nua que eliminou o Brasil – Gisele, aquele rostinho lindo, aquele sorriso meigo, na verdade era uma fria e sedutora agente secreta a serviço da seleção francesa

- Queremos mulher carnuda – Infelizmente muitas de vocês estão tão paranóicas que se excitam mais com dieta que com sexo

- Cerejas ao meio-diaLinda e poética, ela dá a volta no carro e todas as buzinas se calam. Claro, um poema de cereja em plena avenida, não é todo dia

- Cabaré Soçaite – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir a essa festa

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Taí, não concordo com vc não. Os gringos têm mais é que levar a mulherada mesmo. Tem muita mulher nessa terra. Assim pelo menos diminui a concorrência rss. Agora falando sério, gostei do texto, assim como gosto de todos os seus textos. bjão. Sandi Nunes, Salvador-BA – jun2006

02- Gostei de “Estão abduzindo nossas mulheres”,mas isso é muito previsível,né?Achei o tema interessante e o questionamento do texto bem inteligente.Os marmanjos precisam ler isso. Sidiany Colares, Fortaleza-CE – jun2006

03- meu amor, vc foi brilhante!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! devo dizer que exprimiu perfeitamente a situação ! concordo com tudo o que vc falou, e na condição de menina com ET , devo dizer que o lance da pelada com os amigos me encheu muito o saco, mas por uma estranha sacanagem do destino encontrei um fanatico por futebol. o cara olha até o campeonato de futebol de botão da groelandia, pode? e eu volto a chupar o dedo ( não ria dessa expressão ! ) então devo dizer que se vc homen não uer ser trocado por qualquer outra raça ou não, domingo a tarde é bom pra ficar na cama ! mulher brasileira é tarada e todo mundo sabe ! quando estava com brasileiro, os caras ou eram doces demais ou selvagens demais…por que não um meio termo ? será pedir demais ? e quanto as femeas ETeias, posso dizer que são muito diferentes de nós tupiniquins. estão sempre preocupadas com a decoraçao da cama e etc. e nós só pensando e como arrancar a roupa dele , a nossa e os lençois ao mesmo tempo ! deu pra sacar a diferença? Michele Diamanti, Taranto-Itália – jul2006

04- O texto esta divino! Uma senhora homenagem a mulher brasileira. Adorei. Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA – jul2006

05- Amigo, ficou maravilhoso! Sério mesmo. Suspeito que em muitas das suas leitoras – que por venturam já foram abduzidas – vai bater uma nostalgia do planeta natal… (Afinal, pegando carona nas associações tipo “troquei uma pelada mas ganhei uma pelada”, ou a da “bola dentro”, acrescentaria que é sempre bom levar na bagagem um ricardão) (Por acaso estava, Valéria ao meu lado quando abri seu e-mail. Daí foi só comentar com ela que era uma crônica sua que ela parou pra ouvir minha leitura – só foi interrompida pra darmos umas boas risadas e recuperarmos o fôlego, degustando cada linha até o desfecho de “macho derretido”. Valéria, que – ufa! -por pouco escapou de uma abdução no passado, mandou dizer que adorou.) Abração. Marcelo Pinto, Rio de Janeiro-RJ – jul2006

06- Li a crônica das abduzidas novamente e gostei, eu ja tinha gostado bastante do primeiro, mas ele era mais serio entao o final estava um pouco decepcionante porque acho que – ao menos nos mulheres – estavamos esperando uma solucao… agora ele esta mais leve e divertido de ler e o final acompanha o texto. Tantos causos no mundo sem solucao, por que eh que esse tem que ter uma, ne ? Mas seu questionamento foi muito valido, a ideia to texto eh original, e esqueci de comentar da outra vez o quanto adoro as surpresinhas nos seus escritos como a da bisavo da Chita pedindo fogo – hahaha! Eh tao inesperado no meio do texto, uma graca so, como a menina chupando picole de caja no orelhao… acho que para ver isso hoje em dia so no interior do Ceara, hein? Continue escrevendo e fazendo graca, ah, eu tenho visitado seu site mas nao tenho visto muitos apideiti… viciada no site do RK!!!!!!! KKKKKKKKKKK. Ana Claudia Domene, San Diego-EUA – jul2006

07- Olá! Olha, recebi seu artigo através de uma amiga e, sinceramente, tá show! Brilhante mesmo, interessante e super inteligente e olha q não perco tempo na net lendo coisas, rsrsrsrs Vc soube captar algo q é uma realidade em nosso país, o triste é a fama q se formou lá fora o q me deixou mt triste pq n sabia d nada disso, mas é isso aí, cada um escolhe seu destino.. De outra banda, falando como esposa d ET (rsrsrsr) s ele ver isso me mata (rsrsrs), olha nem todos são gosmentos e desengonçados, mt pelo contrário (toda regra tem excessão né) mas nós brasileiros somos especiais em todos os pontos pq somos uma perfeita miscigenação e disto se originou esse mix d qualidads q possuímos… quanto às Etéias (rsrsrs) n aconselho (rsrsrsr) são mesmo Etéias, algumas até mt belas, mas o q vale é o presente e não a embalagem (rsrsrs), são desengonçadas e nada femininas, não se iludam, nós brasileiras somos o q há d melhor neste mundo (ai caramba!!!!)! Mais uma vez Parabéns!!!! Anddy Sampaio – set006

08- POR FAVOR ETS: ABDUZAM MINHA SOGRA!!! Alberto Marsicano, São Paulo-SP – set2006

09- estava aqui me alegrando ao ler o delicioso texto de Ricardo Kelmer (é, seus textos são sempre deliciosos, a gente lê saboreando) desta vez de forma especial pelo fato de saber que já existe uma preocupação por parte do representante masculino brasileiro com relação às abduções de suas fêmeas. E enquanto indivíduo do sexo feminino posso atestar: O homem brasileiro é que nem o gordo iludido. Explico: Enquanto o magro saboreia lenta e atenciosamente seu prato favorito, ele (o gordo), falsamente reconhecido como expert gourmet, abocanha feroz e velozmente várias guloseimas, engolindo-as inteiras sem prestar atenção na quantidade, textura, tempero, temperatura e outras tantas nuances…todas apropriadas às suas papilas gustativas. Sem falar nos estímulos: visual, tátil, olfativo… Estão nos engolindo sem nos saborearem, enquanto os magros autênticos se deliciam com todas as nossas qualidades. O Homo Sapiens brasileiro perdeu sua conexão com seus instintos básicos e desenvolveu outra lógica e razão para sua existência. Vejam que sábio: Cerveja, futebol e rodinhas de outros homens. Desse jeito acabam mesmo “fodidos com u”. E nós, fêmeas com nossa peculiar malemolência brasileira, sabiamente, continuaremos a perpetuar a espécie preservando a miscigenação com os E.T’s “Uber Sexuais”. Refleti, homens brasileiros de boa vontade, antes que vós também sejais abduzidos!!!!!!! Karla Karenina, Fortaleza-CE – set2006

10- eu te adorei! adorei ler adorei que me mandou mail :) obrigada querido! boa noite bom saber que existem pessoas maravilhosas como vc que da valor as mulheres brasileiras nem q seja…escrevendo heuheuh bju. Gisele Tavares, Porto Alegre-RS – set2006

11- Mto legal, eu mesma vou acabar indo para a Turquia…já estou com um pé lá. bjo. Christina Alecrim, Rio de Janeiro-RJ – set2006

12- Hahaha……adorei, e acho que você tem toda razão! Vou contar um segredo, eu a tempos atras, quase, quase fui abduzida, mas abri meus olhos a tempo. E agora tenho certeza, desta terra aqui, que chamamos Brasil, só saio pra fazer turismo. bjcas. Edna Mello, Fortaleza-CE – set2006

13- Maravihoso! Que texto leve , bem humoradíssimo e ao mesmo tempo sério , pque é a pura verdade . Nós somos mesmo tudo isso , mas , os brasileiros , cearenses principalmente esquecem de ser cavalheiros , romanticos e aí acabam dançando legal. Acho q. em qualquer lugar do mundo , nós gostamos de atenção , elogios , percepção aguçada … ser cortejadas , conquistadas a cada dia . Acho q. vc. vai namorar sempre brasileiras brejeiras . Pque vc. sabe bem do q. gostamos. Isabela Pinto, Fortaleza-CE – set2006

14- É… Estão abduzindo nossas mulheres e deixando a Heloísa Helena. Roberto Maciel, Fortaleza-CE – set2006

15- Caro Ricardo,Sensacionais seus textos !! Você está se superando. Eduardo Macedo, Recife-PE – set2006

16- É Kelmer, estou precisando ser abduzida mas não pra fazer trabalhos braçais, pesados sem graça. Queria sim se fosse para fazer algo em prol da humanidade; apesar de ter quase certeza que estamos chegando ao final e que as pessoas não estão muito preocupadas com isso! Mas eu ainda acredito na felicidade, na humanidade, na perseverança, na alegria e principalmente no altruismo. Estas pessoas que pensam que ir resolve problemas ou amenizam estão enganadas. Acho que são pessoas egoístas, preguiçosas e que passam por esta vida sem saber as suas missões, deveres e obrigações. Eu tento fazer da minha vida um paraíso! Beijosssssss! Paula Rabello, Rio de Janeiro-RJ – set2006

17- oi meu querido adorei, muito engraçado aliás eu adoro os tudo que vc faz vc sabe. como esta o meu escritor? olha eu não sei se foi só impressão mais acho que pelo ou menos 1% de ” estão abduzindo nossas mulheres” tem um pouco a ver comigo não???? rsrs kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk bjsssssssssss. Bell Rodrigues, Rio de Janeiro-RJ – set2006

18- ESSA SUA CRÔNICA SE É QUE EU POSSO CHAMAR ASSIM SOBRE MULHERES SENDO ABDUZIDAS POR ETS. SE DEVE AO FATO DE NOSSOS HOMENS NÃO ESTAR SABENDO COMO CUIDAR E TRATAR BEM DE UMA MULHER ACHO QUE NÃO É O SEU CASO MAS VAMOS COMBINAR QUE ESSE PAPO QUE ELES DIZEM DE PEGAR A MULHER NÃO ESTÁ COM NADA ENTÃO FAÇA UMA CAMPANHA PRA SERMOS MAIS VALORIZADAS COMO VC FAZ CONOSCO E NÃO SEREMOSA MAIS LEVADAS DAQUIIII BJOS. Silvia Helena Souza, Sta. Bárbara do Oeste-SP – set2006

19- Fui abduzida e com orgulho!!!!! Fui seduzida, não pelo gringo maravilhoso, alto, loiro de olho azul, educado, com grana, falando 5 línguas, viajado e inteligente, mas sim por um país, cultura, oportunidade de trabalho, valorizacão pessoal, direitos humanos e civilizacão adiantada. Acho que as mulheres que fizeram opcão por serem abduzidas são as mulheres desbravadoras, que nao querem pertencer a um só espaço. Fomos abduzidas não só pelo amor do homem que amamos, mas pelo amor a nós próprias, pela procura de respostas para todas as perguntas em todas as línguas que pudermos falar e se expressar, para que sejamos ouvidas nos quatro cantos do mundo. Amo meu país, e muito mais a minha cidade, sempre disse (engracado pensar nisso agora) que só sairia de Fortaleza se fosse para o mundo, como fiz… Quanto aos homens… A vantagem de ser abduzida por outro país é que além do descobrimento próprio, tem ainda a vantagem de encontrarmos o tal homem, maravilhoso, loiro de olho azul, educado, com grana, falando 5 linguas, viajado e inteligente. E como estamos morando na nave-mãe, tem muito mais alien interessante aqui do que aí. Nao é nada pessoal homem brasileiro, é só uma questao de aventura. Ivna, abdicada de Fortaleza – CE, no ano de 1997. Ivna Ramos, Boston-EUA – set2006

20 – Ricardo, adorei seus textos. Gostaria de saber se vc permite que eu publique aqui no Jornal de Hoje. Abs. Ailton Medeiros, Natal-RN – set2006

21- ei kelmer, o pobrema é a falta do material testoterônico brasileurooooo quem nao é viado é podi di feio barrigudo ou entao casado e tem a desproporcao das contas do ibge o negocio tá feio pras nossas muié inda bem q eu tenho meu macho e nao vendo nem troco bjs adoro receber teus escrito, leio sempre tudim e dou risada. Clarisse Ingelfritz, Fortaleza-CE – set2006

22- Porra! Se eu chamar um negro de negro, vão olhar torto pra mim. Se eu chamar de neguinho, vão dizer que é preconceito. Se eu chamar de neguinho catinguento … vou preso por racismo. E você, candidamente, chama os meus de “branquelo gosmento” E acha que vai ficar impune? Vai uma ova. Vou meter processo. Vou à TV. Vou me queixar pro Mainardi. E chega! Scaico, o ancião branquelo e revoltado. Marcos Scaico, Serra Negra-SP – set2006

23- Kelmer, adorei! Ana Lúcia Castelo, Newark-EUA – set2006

24- Olá, Adorei seu texto sobre abdução,hehehe, simplesmente ótimo. Patrícia Costa Pinto, Barbacena-MG – set2006

25- Acredito que estejam abduzindo a delicadeza dos brasileiros, que acabo por entender o porquê de nossas meninas estarem se encantando com os ETS que encontram pela frente . Afinal, muitas delas são ou foram mal tratadas pela vida e pela ilusão do amor. Minha constatação deve-se ao fato d?eu ser uma pessoa madura, independente, criando filho sozinha, esperando outro, inteligente, bonita, mas que vez por outra passa por situações muito esquisitas junto ao ?macharal?- Olha que fico atenta!- e vez por outra testemunho outras, inacreditáveis. Uma vez estava num salão de belezas daqui, em Fortaleza. Um local freqüentado pelas peruas mais endinheiradas da capital alencarina. ( O que não é o meu caso). Havia uma mulher de meia idade, bonita, escovando os cabelos. Quando ela se dirigiu para o balcão de pagamento, depois do cabelo arrumado e da maquiagem discreta, entra um homem, rude, mal educado e feio fazendo o seguinte comentário em sua direção: _ Esta demora todinha para ficar com esta cara! A senhora quedou-se tão constrangida que esqueceu de efetuar o pagamento, para voltar em seguida, mais constrangida ainda, pelo o que passou e pelo pagamento que esquecera de efetuar diante da sensibilidade rinocerontica do marido. (Suponho que seja!) Diante desses fatos Kelmer, viva os ETs! É bem verdade que muitas vezes essas meninas-jovens-senhoras se estrepam junto aos alienígenas, mas saiba que qualquer mulher, independente da idade, corre o risco que for para se saber amada, mesmo que ela uma dia perceba que fora só ilusão. Já valeu a tentativa! Daniele Bezerra, Prof/ Escritora/Gente/ Mãe/ Mulher/ Ser pensante/Carente/Forte/ Eu mesma/Alegre/Triste. Daniele Bezerra, Fortaleza-CE – set2006

26- gostei pra te ser franca,s nao entendi de que lado vc estar..mas pensando bem achoq ue vc nao estar de lado nenhum……mas gostei bem escrito bem pensado carol(cearensce-estudante de Iternacoinal Business ,levada pelo um ET com as mais pura e perigosas da doencas AMOR)rsrsrssrsr….. Carolina Holanda, Munster-Alemanha – set2006

27- Adorei…hehe muito engraçadinho…tambm não vejo sentido mulheres quererem “ets” rsrs…sou muito mais os brasileiros,belos,animados e com um toq de safadesa… e não acho que homens brasileiros não sejam romanticos,só falta se entregarem ao amor,quando isso acontece, vcs homens esquecem até a pelada… Amei sua crônica….beijos. Fernanda Dias de Castro, Ponta Grossa-PR – set2006

28- Bastante interessante o seu artigo !!!! Irei prestar mais atenção para ver se ao meu redor tem algum ET. rsrsrs……. Afinal…eles não curtem o futebol,né??? beijos. Fabiana Santos, Campo Grande-MS – set2006

29- Adorei o texto, muito bom, parabéns, tbm fui abduzida por vontade propria, mas detalhe: meu ET adora futebol, nao larga por nada sao duas vezes por semana, mas enfim tô satisfeita. Nao posso mentir que os Ets aqui olham mais pras mulheres que abduzem afinal as tiraram de seu planeta, e as valorizam por isso, nao sei se todos, mas nos casos em que conheco. Uma crítica inteligente, mas nao acho que os homens brasileiros estao nem aí pra isso, afinal o que nao falta é mulher no Brasil, quando se olha apenas pra embalagem sem se preocupar com o conteúdo, e há sempre uma embalagem mais bonita,especialmente se a que tinha antes já estava gasta…ai…ai…ai… a troca é constante, acho que isso as brasileiras coitadinhas bem conhecem. Um forte abraco e parabéns pela valorizacao da populacao feminina do Brasil. Risa, Augsburg-Alemanha – set2006

30- Amei o texto do comeco ao fim. Fui abduzida mas sou eu que tenho o nome “Alien” nos documentos. Os homens brasileiros nao estao piores ou estao se esquecendo de gostar e cuidar mais das mulheres. Eles nunca foram de fazer isso. Sao as mulheres que estao mais seletivas. Nao somos mais tao passivas e vamos em busca de um amor verdadeiro. Vamos a luta. E procuramos antes de tudo alguem que alem de ser bom amante seja bom marido e bom pai. No melhor sentido da frase “perpetuacao da especie”. E as diferencas culturais??? Dividimos curiosidades e adaptacoes culturais com outras “abduzidas” pelo orkut (comunidade “Meu Marido e Gringo). E Viva o novo planeta!! Etiene Sayger, Chicago-EUA – set2006

31- Li a sua crônica, achei sua visão analítica, poética, porém, real, proveitosa, eternizada no ponto de vista masculino.srsr Se Isaac Newton ainda estive entre nós , diria que , a gravidade da “Pelada” é o resultado que faz alguns homens “NUS” e nos deixam à busca dos “ET’s”, que crescem e nos acompanham na evolução humana! Ah! Se todos fossem “Ricardos” não iríamos na nave..srsr Beijão, estou na comunidade “Meu namorado é italiano” no orkut.srsr. Conceição Henrique Santos, Campinas-SP – set2006

32- rsrsrs quando entrei no site dele foi a primeira crônica que li… realmente esse cara sabe das coisas… e dá-lhe valor à essa mulherada de fibra e cheia de graça. Andréa, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – set2006

33- Putz,adorei este texto.Recebi-o no meu email e fiquei feliz em vê-lo aqui. Eu fui abduzida meninas ahahaha que delícia. Só ele mesmo. Acho que o Ricardo deveria estar nesta comunidade,porque ele fala a mesma linguagem das mulheres apesar de ser homem.Eu adoraria! Celinha, Orkut, Comunidade Mulheres Repensando Conceitos – set2006

34- kkkkkkkkkk Agora li o texto completo..Adorei.Muito bem escrito. Os homens que se cuidem. Silene, Orkut, Comunidade Ich Liebe einen Deutschen – set2006

35- O rapaz fez uma cronica bem humorada e ao mesmo tempo crítica sobre a atitude de muitos homens brasileiros, que costumam serem exigentes com as mulheres sem no entanto oferecerem nada em troca.Estou generalizando, claro, mas posso dizer isso por experiencia própria e por experiencia de amigas, algumas esperando ja ha muitos anos por uma definicao do „namoro eterno“. Inês, Orkut, Comunidade Ich Liebe einen Deutschen – set2006

36- isto é realmente interessante! Deve-se mesmo refletir sobre o fato. Rejane, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

37- eu nao troco meu E.T. por brasileiro nenhum nesse mundo! Gostei da abducao! Lígia, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

38- Achei o texto machista, mas o cara escreve bem, em um tom jocoso sem ser ofensivo e uma coisa ele tem razão, é impressionante como há brasileiras casadas com estrangeiros. Érica, Orkut, Comunidade Meu amor é Alemão – set2006

39- aABDUZIDA??? è uma mistura de ABDICAR + SEDUZIDA???? Ana Flávia, Orkut, Comunidade Divã – set2006

40- rsrsrs quando entrei no site dele foi a primeira crônica que li… realmente esse cara sabe das coisas… e dá-lhe valor à essa mulherada de fibra e cheia de graça. Andréa Magnoni, São Paulo-SP – Comun. Orkut Mulheres Repensando Conceitos – set2006

41- Amei receber um texto seu! Quem sabe, com tantas abduções vcs aprendem a nos tratar um pouco melhor. Nada pessoal!!!! rsrsrs Manda sempre, assim eu mato as saudades. Qdo vc vem à São Paulo? bj no coração. Iara Cristina Costa Pinto, São Paulo-SP – out2006

42- Calma, amigo Kelmer. Isso acontece. É uma… polinização natural das espécies. Pois eu conheço quatro mulheres que abduziram, isto é, trouxeram seus ETs para vir morar aqui. E conheci dois homens que foram abduzidos. Talvez eu conheça mais casos, só estou lembrando estes poucos agora. Acho que mulher se desloca mais porque faz parte daquele velho paradigma do príncipe encantado, aquela definição paternalista de “homem”, que pega a mulher e meio que “adota”, e ela vai viver mais a vida dele que a vida própria. Acho que isso acontece mais com mulheres e, vejamos… já faz uns séculos. Sempre foi assim. Mas seu texto é maravilhoso como sempre! “meninas, tão lindas, tão poéticas, cultivadas com tanto carinho na estufa aconchegante da amizade tropical, de repente trocarem tudo pelo frio e por um branquelo gosmento que nem de futebol gosta” Quá quá qua! Tu tens a manha, companheiro. Luciano Es, São Paulo-SP – jul2011


Religião certa e sexualidade errada

abril 21, 2011

Ricardo Kelmer 2010

Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora
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Apesar das críticas que frequentemente faço à religião, alguns leitores religiosos prosseguem acompanhando meu trabalho. Talvez esses consigam separar o Ricardo crítico da religião dos outros Ricardos. Talvez apreciem uma boa discussão e percebam como é saudável pra humanidade confrontar diferentes pontos de vista. Talvez até mesmo aproveitem meus argumentos pra questionar suas próprias crenças e ousar questionar a si mesmo será sempre um valioso exercício de liberdade. Fico feliz com isso, claro, pois acredito verdadeiramente que podemos conviver e aprender com nossas diferenças.

Não gosto de religião e não escondo isso. Considero a religião uma ameaça à liberdade pessoal e à harmonia entre os povos, além de ser um perigo pra democracia. Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora, com sua mania de conquista e seu eterno medo do feminino.

Já a religiosidade pessoal é outra coisa: é um anseio legítimo do ser, é o modo pessoal que alguém tem de lidar com o grande mistério da vida. Penso que num estágio mais avançado de evolução da espécie, o grande mistério será reverenciado de modo particular, no altar silencioso da intimidade de cada um, e não mais precisaremos de religiões institucionalizadas e seus aproveitadores da fé nem tentaremos converter ninguém pois já teremos compreendido que todas as maneiras de entender o mistério são verdadeiras.

Uma analogia possível seria com a sexualidade. Cada um de nós tem a sua própria sexualidade e, se a analisarmos bem de perto, veremos que ela é absolutamente única e que ninguém mais no planeta inteiro possui a mesma forma de viver o desejo sexual, com todas as mesmas nuances e contradições. Qual de todas essas sexualidades seria a única legítima e verdadeira, aquela que todos deveriam ter? Evidentemente nenhuma. Porque sempre que tentamos enquadrar a sexualidade, ela se mostra maior e mais complexa que qualquer critério de classificação. Assim, não faz nenhum sentido querer convencer alguém a adotar uma sexualidade certa ou abandonar uma sexualidade errada pois todas são manifestações legítimas da rica e diversa natureza humana.

Deixemos que cada um viva sua própria sexualidade e sua própria religiosidade. No entanto, rejeitemos toda tentativa de nos fazer crer que este ou aquele jeito de viver a sexualidade ou o mistério é que é o certo. O certo mesmo é nos aceitarmos uns aos outros.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> Bem vindo ao clube dos excomungados – Pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

> Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

> Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu

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> As crianças transexuais – Putz, que espécie louca, a humana. O que ainda haverá para descobrir sobre nós?

> A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

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AFINIDADES

> Entrevista: Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que se assumiu gay – Entrevista com Sergio Viula para o site eleicoeshoje.com.br, 25.10.11

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Xamanismo de vida fácil

março 11, 2011

Ricardo Kelmer 2002

A tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos – e desvirtuando a essência da coisa

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– Lembra do Xamanismo? Pois é, caiu na vida fácil. Dia desses ele estava lá na Vênus Lilás, todo se oferecendo!

Quem diria… O antigo sistema das sociedades primitivas, que girava em torno do xamã e sua técnica do êxtase, é o novo xodó dos místicos de fim de semana. Agora espaços esotéricos oferecem cursos de xamanismo e muitos até formam xamãs. É como fazer um curso para tornar-se gênio.

O xamanismo, a rigor, é um fenômeno religioso originário de sociedades primitivas da Ásia central e siberiana e que tem no xamã o centro da vida mágico-religiosa da comunidade. Por dominar as técnicas do êxtase e ser capaz de acessar mais facilmente estados especiais de consciência e, com isso, transitar com fluidez pelas várias dimensões da realidade, aos xamãs era atribuída a competência de intermediar o mundo físico e o espiritual, usando o conhecimento adquirido nas incursões ao além para ensinar, curar, realizar atos milagrosos e entreter os membros da comunidade. O xamã encarnava em si as funções de professor, sacerdote, feiticeiro, médico e muitas vezes poeta e artista.

Nessas sociedades não havia curso de fim de semana para formação xamanística. Excluindo-se raras exceções, alguém se tornava xamã por vocação natural: o indivíduo era simplesmente compelido a aceitar o fato, mesmo a contragosto. Era comum também a transmissão hereditária do ofício. Em qualquer das vias, antes de ser reconhecido como xamã, o indivíduo (em geral homem) inevitavelmente passava por um delicado e doloroso processo de iniciação que podia ser desencadeado naturalmente por uma doença ou sistematicamente ritualizado sob orientação de um xamã experiente. Isso permitia ao futuro xamã efetuar uma notável reintegração psíquica, aflorando suas potencialidades e preparando-o convenientemente para as funções que desempenharia.

Não pense que essa preparação era algo, digamos, festivo. Longe disso. Como todo verdadeiro processo de iniciação, nesse também havia dúvidas, temores e sofrimentos difíceis de suportar. O futuro xamã experimentava a morte e a ressurreição místicas, padecendo terrivelmente sob os horrores de seu inferno íntimo para depois emergir à vida cotidiana sobrevivido e triunfante, mais sábio e mais forte. Somente se submetendo a todos os rigores desse processo de morte e renascimento pessoal é que o indivíduo podia se tornar um xamã.

Para nós, ocidentais civilizados, entendermos melhor o que se convencionou chamar xamanismo, é preciso ter sempre em mente que os antigos compreendiam a Terra como um ser vivo, dotado de uma espécie de inteligência e vontade própria, e os seres humanos, assim como animais, plantas e minerais, eram parte integrante do imenso organismo planetário, todos igualados em importância. Mais que um ser vivo, entretanto, a Terra era a Grande Mãe, que gera e nutre todas as suas criações com infinito amor, ensinando e guiando os seres humanos vida afora. Assim sendo, a Natureza inteira era algo sagrado e desrespeitar suas leis era atentar contra a própria vida, contra toda a comunidade e contra a Sagrada Mãe.

O xamã, nesse contexto de espontânea interação com a Natureza, é alguém dotado de poderes especiais para manter-se num contínuo estado de profunda comunicação com o espírito da Terra, a quem jurou obedecer e defender até o último de seus dias. Como se possuísse antenas hiper-sensíveis, o xamã está intimamente conectado à alma da Terra e por isso vive em si mesmo o equilíbrio vital do planeta, imperceptível à maioria: se a Terra adoece, ele adoece também.

Em reconhecimento à sua lealdade e reverência, a Grande Mãe põe à disposição do xamã segredos do mundo animal, vegetal e mineral, para onde ele, em espírito, vai frequentemente em busca de informações úteis ao bem-estar da comunidade. Quanto mais ele sabe, mais servo se torna. Quanto mais se anula, mais ele pode.

Em contraste com a humildade espiritual desses antigos guardiães da tradição xamânica, muitos dos que hoje se dizem xamãs ostentam o título feito um estandarte, anunciando as maravilhas que têm para oferecer. Se de fato entendessem o que significa a função a que tanto se pretendem, jamais vestiriam a antiga tradição com roupas tão vistosas e muito menos a exibiriam em poses tão constrangedoras nas vitrines coloridas de seus cursos.

xamanismo moderno

Esse milenar sistema místico-filosófico-religioso existiu em inúmeras sociedades de todo o planeta, inclusive na América e no Brasil, onde os pajés são os xamãs. O advento da civilização, invadindo e exterminando sem consideração as culturas nativas, empurrou os resquícios da tradição xamânica para os escombros do que restou de suas sociedades, onde mantiveram um fio de vida suficiente para chegar aos dias de hoje.

Atualmente a tradição xamânica dos povos primitivos experimenta uma espécie de retorno, atraindo o interesse de pesquisadores e curiosos. Apesar de atrair também, como não poderia deixar de ser, os mesquinhos interesses comerciais da mentalidade consumista, por trás disso tudo pode-se captar um legítimo anseio das pessoas em religar-se a antigos valores esquecidos por nosso mundo civilizado: uma vida mais simples e fluída, em harmonia com as leis e os ciclos da Natureza e respeitando todas as formas de vida. Num mundo onde a racionalidade científica impõe sua ditadura aos pensamentos e a tecnologia nos torna escravos de máquinas cada vez mais autônomas, essa busca por resgatar tradições ligadas à Terra nada mais é que uma reação natural da espécie humana que começa a entender, finalmente, o imenso perigo que criamos ao nos mantermos desconectados da alma do planeta e unilateralizados em nosso racionalismo exagerado que despreza a sabedoria natural da vida.

É um anseio genuíno, sim, que faz com que as pessoas, na melhor das intenções, busquem satisfazê-lo em livros, cursos e vivências. É uma boa notícia. Infelizmente, se a facilidade das comunicações possibilitou a disseminação rápida e maciça da informação, por outro lado trouxe a tendência à superficialização de todos os temas. Bilhões de informações circulam a todo instante mas o conteúdo da maioria não enche uma colher. É como estar numa imensa feira de produtos, cercado de vendedores, ofertas e promoções por todo lado: na urgência de adquirir algo, as pessoas não têm discernimento suficiente para enxergar além da embalagem.

Com o xamanismo ocorre algo parecido. Confusas na imensa feira da salvação, as pessoas tendem a comprar qualquer produto que lhes prometa coisas diferentes, novos universos, sensações excitantes. Dessa forma vão a vivências, frequentam cursos, batem tambor, visualizam seu animal de poder e se dizem praticantes de xamanismo quando, na verdade, estão apenas saltitando pelos aspectos mais superficiais da antiga tradição, feito alguém que molha os pés nas ondinhas que morrem na praia e nunca experimenta, de fato, o que é o mar.

Sei que é impossível reproduzir atualmente as condições em que floresceram as tradições xamânicas. O mundo mudou, as circunstâncias são diferentes. Nossa cultura se desfez dos antigos ritos de passagem e a maioria dos que ainda mantemos perdeu o significado mais profundo. A mentalidade civilizatória nos desconectou do espírito da Terra e hoje parecemos um bando de zumbis a vagar pela vida à procura do sentido que um dia tanto enriquecia e guiava nossa existência. Não temos que voltar ao passado: precisamos é reencontrar o caminho perdido e vencer o atual impasse evolutivo.

Atualmente as festas chamadas raves, que se proliferam em países do mundo inteiro, parecem incorporar aspectos da antiga tradição xamânica, ainda que distante do contexto original. Embalados pela música eletrônica que remete às hipnóticas batidas tribais e pelo êxtase provocado pelas drogas sintéticas, as pessoas alteram o funcionamento normal da mente e do corpo e vivenciam intensas experiências, dançando e se abraçando a noite inteira. Por proporcionar isso, muitos dos caras que controlam a trilha sonora das festas aceitam o rótulo de tecno-xamãs – mais uma ridícula deturpação da tradição.

As raves são um fenômeno recente, merecedor de análises mais aprofundadas. Porém, à primeira vista, me chamam a atenção o êxtase grupal provocado pela combinação de música e droga, a presença de fogueiras e o fato de serem comumente realizadas longe dos edifícios das grandes cidades, mais próximas à Natureza. Parecem ser uma manifestação atual das antigas tradições, feito uma necessidade que emerge, espontânea mas distorcida, das profundezas da psique coletiva.

A antiga tradição está de volta. É uma boa notícia. Mesmo deturpada pela maioria das pessoas ela ressurge, atravessando os séculos, para nos lembrar que precisamos urgentemente integrar em nossa consciência os antigos valores e, com isso, nos tornarmos seres mais inteiros. Precisamos nos reconectar ao espírito da Terra, voltando a tratá-la com reverência e gratidão, antes que atinjamos o fatídico ponto onde a Grande Mãe, exaurida em suas forças, já não pode mais nutrir seus filhos.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Minha noite com a JuremaNessa noite memorável fui conduzido para dentro de mim mesmo pelo próprio espírito da planta, que me guiou, comunicou-se comigo, me assustou, me fez rir e ensinou coisas maravilhosas

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Comentarios01COMENTÁRIOS
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01- Sou fã dos seus escritos, inclusive vi hoje matéria no jornal O POVO fazendo um paralelo entre as raves e o xamanismo, muito legal. Em 2001 fiz um artigo publicado no antigo site do UNDERGROOVE, sobre Musica Eletrônica vs Xamanismo, e me identifiquei com o que vc expôs na matéria. Um abraço. Angel, Fortaleza-CE – ago2007

02- Olá Ricardo, já havia lido seu texto, em abril ou maio deste ano, qdo estava pra entrar num desses cursos de xamanismo, promovidos pela Paz Géia no meu caso. Hj este texto saiu no Jornal O Povo em Fortaleza e por algum motivo uma amiga me mostrou dnovo via msn. Tenho a dizer q dos “10 Pilares” (ou módulos) que eles propunham no curso, apenas 3 eram iniciáticos e os outros se tratavam de reproduções de técnicas de livros como Medicina Vibracional, A Cura pela Energia e outras obras que já tenho certa prática efetiva em consultório como terapeuta integral (sou psicólogo, iniciado em Reiki e na tradição Rosacruz, trabalho com 4 tradições em massoterapia, Qi Gong e técnicas de visualização – este último recurso terapeutico rotulado de técnica neo-xamanica pela Paz Géia). Concordo com suas críticas, mas pondero sempre extremos e, pelo preço pago pelo curso, até que não foi tão ruim. De fato haviam os tais místicos de fim de semana, muito loucos por sinal… alguns narcisistas entusiastas… poderia me perder nessa crítica rotulando cada um que convivi no curso, inclusive algumas instrutoras não tão iniciadas… Mas tb conheci uma ou outra pessoa de grande valor, não por serem “esotéricas”, mas pela simplicidade e humildade com que buscava conhecimento e evolução espiritual em meio a tantos “escombros de nossa solidez”, em meio a evolução da mentalidade instrumental do último século, que parece “progredir” para uma vida ciborgue que transforma nosso potencial inato em dependencia material (por exemplo atrofiando potencial telepático para depender de satélites e toda cultura de virtualidade que cá em baixo se massifica nesse meio material de “comunicação em tempo real”; ou numa metáfora mais simples o de não precisarmos desenvolver nosso raciocínio fazendo contas de cabeça pela dependencia material de uma calculadora)…

Em sendo experimento vivo de seu texto, tenho a dizer (com conhecimento de causa) que a existência desses cursos tem sim um apelo material de grana para os que promovem (como qq promoção de culturas q convivem com dinheiro) mas quem investe nisso pouco se importa com esse apelo, pois tb estão investindo em algo maior. Acredito q certos cursos e pessoas têm agido de má fé, mas não são grupos peçonhentos como grupos políticos, pois têm outras “conduções” ou “influências” que os fazem preparar com dedicação tanto material. Além disso existem sim ritos iniciáticos que se adequam a nossa cultura nada pajé de ser… não haveria como sermos xamãs sem sermos “índios”, nativos de culturas q convivem com a natureza! Mas algumas culturas, fraternidades esotericas e outros grupos como UDV e Santo Daime tentam há muito, com algum sucesso (dependendo do interesse efetivo de quem se propõe adentrar conscientemente em outras dimensões) auxiliar os que sentem alguma ancestralidade nisso tudo… pajés, assim como toda comunidade humana, me parecem ser outros de nós mesmos… com grau e função evolutiva diferenciada certamente… O que vejo é que esses aparentes conflitos “de idade média” entre oq é sagrado e profano têm sido menos tumultuado q antes. Isso me soa como uma evolçução lenta, gradual e de quem realmente se interessa mais em buscar sua conecção com a unidade do universo do que em ser ou não alvo de gente oportunista afim de ganhar dinheiro. Não está em meu poder julgar a ingenuidade de quem perde dinheiro com oq não sabe utilizar, como pessoas q se abarrotam de coisas inuteis mas não conseguem parar de comprar… penso mais no ganho que cada ser humano, no limite de seu conhecimento de si, recebe ao investir num grupo e dele partilha oq lhe apraz, com quem se sente convidado à partilhar.

Agradeço de coração pela oportunidade que sua reflexão me despertou em repensar este momento de minha vida. Espero que aceite meus adendos com ternura. Lembremos que o Criticismo significa em sua origem “lançar luzes” e não meramente uma vã oposição pelo desperdício do gozo pela discussão. E foi justamente por sentir um bom equilíbrio crítico em seu texto q resolvi escrever. Meu adendo é apenas com referência aos “místicos de fim de semana”, que em nosso contexto evolutivo não merecem ser infantilizados por nosso inconsciente coletivo, pois pelo que vi (testemunho), alguns deles estão melhores que muita gente. Cordialmente. Rodrigo Sol, Fortaleza-CE – ago2007

03- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ÓOOOOTIMO!!!!!!!!!!!!!!! Mônica Torres, Macaé-RJ – ago2011

04- Eita Kelmer… é de doer…rsrsrrs. Maria Sá Xavier, Niterói-RJ – ago2011

05- Passou da hora de alguém falar isso kkkkkkkkkkkkkkkkmaravilhoso seu texto, adorei!!!!!!! Silmara Oliveira, São Paulo-SP – ago2011



Encontro da Nova Consciência – Diversos e iguais

março 2, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Viva! O Encontro da Nova Consciência faz 20 anos
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O horizonte incerto do futuro traz, neste exato momento, um grande desafio para a espécie humana: aceitar-se como é, igual, e ao mesmo tempo, diversa. Se somos iguais, como podemos ser diversos? E se somos diversos, como podemos ser iguais? É um paradoxo. Porém, como todo paradoxo, não temos que resolvê-lo. Temos que aceitá-lo. Somos iguais e diversos.

Foi aceitando a natureza desse paradoxo que, em 1996, nasceu o Encontro da Nova Consciência. Desde o início sua proposta de unir os diferentes parecia ser algo utópico demais para merecer crédito. Numa época marcada por tantos sectarismos e preconceitos, como acreditar que seja possível fazer as diferenças se abraçarem?

Os criadores do evento acreditaram que era possível. Eram uns loucos sonhadores, claro, mas sonharam tão fortemente sua loucura que ela se espalhou, cativou outros loucos e hoje, vinte anos depois, continua firme, mostrando a todos com seu exemplo que, sim, é possível unir os diferentes.

Não foi fácil. Dialogar com o diferente requer ouvidos para escutá-lo e nem sempre estamos dispostos a ouvir o que não concorda conosco. Não é fácil. Abraçar o diferente só é possível se descruzarmos os braços das nossas posições tão arduamente conquistadas. Nunca será fácil. No entanto, é possível, sim, pois há algo em comum por trás da diferença que distingue.

Foi o tal algo em comum que, durante esses vinte anos, manteve vivo o Encontro da Nova Consciência. É claro que as pessoas que participam do evento são diferentes e discordam entre si sobre muitas coisas. Essas pessoas, porém, se sentem acolhidas num ambiente que as aceita exatamente como são. Se é a diferença que faz única cada uma dessas pessoas, valorizando sua individualidade, é justamente o algo em comum que permite que elas convivam em harmonia. Esse algo em comum é a aceitação da diversidade.

O exemplo de Campina Grande é uma luz para todo o planeta. Na aldeia global em que se transformou nosso mundo, nunca teremos paz enquanto as diferenças se atacarem umas às outras. Não precisamos concordar com os outros. Mas podemos aceitá-los, tanto quanto quisermos também ser aceitos.

Parabéns ao Encontro da Nova Consciência. E longa vida à espécie humana.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Site do Encontro da Nova Consciência

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Eventos do ENC em que participarei em 2011:

> Encontro dos Ateus e Agnósticos
> Encontro de Literatura Contemporânea
> Encontro de Mídia e Comunicação Digital

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 COMENTÁRIOS
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Entrevista com o ateu

janeiro 30, 2011

Ricardo Kelmer 2010

Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu
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Paulo Cesar Cândido é um leitor que acompanha meu trabalho há alguns anos. Ele é cristão evangélico (não sei qual é sua igreja), estudante de teologia e tem um blog (Web Cristo) onde prega a palavra de seu deus.

Meses atrás Paulo César me convidou pra ser entrevistado pro seu blog. Convite inusitado. Que interesse teria um religioso atuante como ele em entrevistar um escritor ateu como eu, que tenho posições reconhecidamente críticas em relação à religião e sou alvo frequente de xingamentos e ameaças de religiosos fanáticos? Bem, independente de qualquer interesse que houvesse por trás do convite, entendi que poderia ser uma experiência interessante e aceitei, desde que eu lesse o material antes de ser publicado.

A seguir você confere a entrevista na íntegra, incluindo o texto de apresentação do próprio entrevistador. A imagem que ilustra o texto aqui no blog fui eu mesmo quem criei. Paulo César fala de amar o diferente, o que acho elogiável. Mas ao falar de “vaso escolhido” e “grande candidato”, demonstra que me vê como uma alma que pode ser convertida, uma ovelha que precisa ser trazida de volta ao rebanho.

Também te vejo como um vaso escolhido, Paulo César, mas no sentido de você ser alguém que um dia poderá entender que devemos aceitar e amar o diferente pelo que ele é – e não pela possibilidade dele um dia ser igual a nós.

ENTREVISTA COM O ATEU
webcristo.blogspot.com
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…..Disse-lhe, porém, o Senhor: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido”.

Usei a primeira parte desta passagem contida no livro de Atos capitulo 9 versículo 15 para introduzir as nossas considerações a respeito de Ricardo Kelmer, escritor, roteirista e dono de cabaré, como ele mesmo se intitula. Ricardo Kelmer é polêmico, porém não deixa de exercer sua liberdade de expressão e doa a quem doer, chore quem chorar, ele “solta as suas idéias” e opiniões sobre qualquer assunto, e quando o assunto é criticar as religiões, Jesus Cristo e o Kaká (risos) ele não mede esforços, se tornando um campeão de comentários (muitos o elogiando, porém muitos o condenando) quando os aborda em sua coluna no OPOVO online, Jornal do Ceará.

Você pode estar se perguntando por que Web Cristo foi entrevistá-lo? Respondemos: existe uma frase que diz que “se você não pode com ele, junte-se a ele”, porém não foi por este motivo que o entrevistamos, a questão aqui não é poder humano, exercer uma função superior as idéias de Ricardo Kelmer e muito menos o combate, a questão aqui é amor mesmo, coisa que tenho certeza, muitos que se dizem Cristãos e dou até uma estatística, pois não vejo só com ele, vejo com muitos, que de 10 críticos Cristãos a sua conduta 2 oram por ele e dizem que Jesus lhe ama, ou que tem um plano na sua vida e o restante lhe condenam, exercendo o papel de Deus e até lhe mandando para o inferno e confesso, eu até já fiz isso, porém a Faculdade de Teologia me fez pensar diferente, graças a Deus.

A verdade, e ela têm que ser dita, é que muitos de nós Cristãos esquecemos a maior mensagem de Jesus e qual foi à maior mensagem de Jesus?O amor!Jesus disse mais ou menos assim: amai-vos uns aos outros como eu vos amei, perdoai para que sejais perdoados, o que adianta amar seu pai e sua mãe e seus irmãos, isso é muito fácil, difícil é amar seus inimigos.

Não concordamos com todas as opiniões de Ricardo, a maioria delas, porém não temos o direito de mandá-lo para o inferno e muito menos tê-lo como um inimigo, porque não orar e amar e acima de tudo respeitar?Esse pensamento é excelente e tem que ser posto em prática, só sabemos amar quem nos ama, porém muitas vezes somos intolerantes com os que são diferentes, não concebemos que alguém possa não crer em Deus, de que esse mesmo alguém prefira ser, além de outras coisas,por exemplo, dono de cabaré do que ser um bom Pastor, dirigente de Igreja Evangélica e andar com uma Bíblia na mão pregando sobre Jesus.

É o amor minha gente!O maior exemplo de tudo isso está na Bíblia Sagrada, existem vários deles, porém para finalizar, citaremos o exemplo de um dos maiores apóstolos bíblicos, um dos responsáveis pelo Evangelho de Jesus ter chegado até as nossas mãos. O apóstolo Paulo era perseguidor de Cristãos, concedia sobre as suas mortes (isso passa longe da mente de Ricardo que ama o ser humano, estamos somente exemplificando), vivia pregando contra a seita dos Nazarenos, como era conhecido o Cristianismo na Igreja Primitiva pelos Judeus, porém, havia lá no céu, bem longe da imaginação humana, um ser independente de mente, de preconceito, de crítica carnal humana, um alguém que conhece o seu filho como um Pai, que tudo sabe antes de lhes pedir, que escuta a voz do coração e sabe seus desejos, um Deus que amava o apóstolo Paulo e que dizia: este é para mim um vaso escolhido.

Quem poderá dizer que o Ricardo não pode também ser um?Ninguém, só Deus!Se ele é um grande candidato?Creio 100% nesta idéia!Se ele está certo e nós o errados?Não compete nos julgar uns aos outros.Então, façamos a nossa parte.Oremos e amemos.

Equipe Web Cristo

Web Cristo: Ricardo sabemos que você tem uma maneira diferente de ver Deus. Quem é Deus para você?

RK: A crença em Deus é uma maneira de lidar com o Mistério, que os humanos sempre buscaram explicar. O Mistério, porém, não se explica, senão deixaria obviamente de ser o Mistério. O máximo que podemos fazer a respeito disso é elaborar hipóteses e discuti-las de modo racional, mantendo sempre a humildade que somente a dúvida proporciona. Ninguém sabe e eu também não sei o que há por trás do Mistério mas em meu modo particular de lidar com ele, essa ideia de uma entidade invisível que criou e administra a realidade, escuta nossos pensamentos e atende a alguns pedidos e a outros não, simplesmente não faz sentido.

Web Cristo: Podemos discuti-las? Essa é sua hipótese racional?

RK: Qual hipótese?

Web Cristo: A sua. A do seu modo particular de ver Deus…..

RK: Eu não tenho um modo particular de ver Deus porque a ideia da existência de Deus não faz sentido pra mim. A hipótese Deus não se sustenta pela razão e pela lógica – só se sustenta pela fé e a fé é algo inteiramente pessoal, é algo que pertence ao âmbito da intimidade de cada um, e é assim que a questão da fé deveria ser encarada por todos, o que infelizmente não acontece. Infelizmente a maioria dos teístas não entende que alguém possa não aceitar a hipótese Deus e se sentem muito incomodados com isso.

Web Cristo: Em seu livro “Quem apagou a luz” você declara certas coisas que devemos saber sobre a morte para não dar-mos vexame do lado de lá(depois da morte).Esse livro é admirado por muitos espíritas, você é espírita?

RK: Deus me livre. Não poderia ser espírita pois esse negócio de espíritos a zanzar pelo mundo dos vivos não faz sentido pra mim. O “Quem apagou a luz?”, que foi meu primeiro livro publicado, em 1995, é um resumo das minhas ideias espiritualistas da época. Ele fala de projeção astral, guias espirituais, vida pós-morte e reencarnação, mas sem estar ligado a nenhuma religião específica. Eu particularmente nunca havia vivido nada que comprovasse essas teorias, apenas uns sonhos de voo maravilhosos, mas queria demais que elas fossem verdade pois isso faria a vida mais emocionante. Porém, após lançar o livro, comecei a me envolver com outras ideias, como psicologia junguiana, xamanismo e taoísmo, e isso me levou a um outro caminho, o que sigo hoje, que, por sinal, é muito emocionante e feito de experiências reais, que realmente vivo. Os espíritas e os esotéricos de modo geral gostam desse livro. Mesmo numa editora pequena, ele vendeu muito bem. A editora Record, inclusive, tentou comprar os direitos, o que certamente significaria alta vendagem. Dei várias entrevistas, fiz palestras e algumas pessoas me tratavam como um guru da nova era, olha que ridículo. Então em 1998 enchi o saco dessas coisas e não o republiquei mais. E se, depois que eu morrer, aparecer alguém psicografando livro meu, é mentira, viu?

Web Cristo: (Risos)….seu humor é bem interessante e ele é repassado muitas vezes em suas Crônicas.É verdade que você já foi um católico fervoroso?

RK: Fui batizado cristão, fiz primeira comunhão e fui dirigente de grupo de jovens. Lia os textos na missa, editava o jornalzinho do grupo e dava palestras sobre Francisco de Assis, a quem admiro até hoje. Mas quando comecei a entender o que realmente é a Igreja, e Francisco tem muito a ver com isso, e comecei também a perceber que a religião ameaçava minha liberdade de pensar e de ser eu mesmo, caí fora e passei a seguir a Cristo do meu jeito. Isso lá pelos 20 anos. No grupo de jovens cheguei a propor ao pároco, Monsenhor Amarílio, de quem tenho boas lembranças, que montássemos uma banda pra tocar na missa e nas reuniões do grupo. Eu achava que isso atrairia os jovens. Mas ele vetou, era muito modernoso pro gosto dele. Eu hoje poderia ser um pop-star cristão, já pensou? Com vocês, Kelmer de Arimatéia e as Noviças Viçosas!

Web Cristo: (Risos) Com um nome destes né?Será que o Padre não sabia o que estava fazendo?

RK: Sabia. Acho que ele já percebia minha alma livre de artista. Ele gostava de mim, tanto que me apoiou quando eu quis montar um jornalzinho pro nosso grupo de jovens. Fornecia papel, mimeógrafo e tinta e eu rodava lá mesmo o jornal e distribuía na missa. Mas banda de rock, ah, isso não, em 1982 isso em Fortaleza era coisa do Demo. Hoje não é mais. Conclusão: ou o rock nunca foi coisa do Diabo ou então o Diabo cedeu o rock a Deus. Deve ter sido interessante essa negociação.

Web Cristo: Essa “alma” de artista: cantor, ator e escritor creio que permaneça em você …é muito difícil ser escritor no Brasil?Você enfrenta barreiras por ser nordestino?

RK: Ser escritor profissional é difícil em qualquer lugar do mundo. No Brasil é ainda mais difícil porque o hábito da leitura não é incentivado. A situação tem melhorado mas precisamos melhorar muito mais. A quase totalidade dos escritores não consegue viver apenas da venda de seus livros. Então eles precisam ganhar dinheiro em outras atividades e isso impede que eles se dediquem mais a seu trabalho de escritores. Quanto a ser nordestino, o preconceito diminuiu mas ainda existe. No entanto, os escritores e artistas nordestinos possuem uma vantagem: como a cultura nordestina é muito rica, a bagagem cultural que trazemos naturalmente nos diferencia – aí é só saber usá-la.

Web Cristo: Em seu artigos, parece-nos que você incomoda bastante e até é bastante comentado quando critica a religião, principalmente a Cristã e os Cristãos como o Kaka, certo?Em seu artigo: RELIGIÃO NO ESPORTE É GOL CONTRA, você se manifestou contra as mensagens religiosas, que chamou de proselitismo que Jogadores como Kaká e cia (Cristãos) fazem ou fizeram, pode resumir esse o assunto deste artigo para nossos leitores?

RK: Meus textos irritam os religiosos radicais pois eles são fanáticos e um fanático não consegue dialogar com a diferença. Mas também incomodo aos religiosos amenos pois alguns param pra pensar e começam a ver sua religião por outros ângulos – aleluia! Por que podemos criticar qualquer pessoa, ideologia ou instituição e não podemos criticar as religiões? Esse privilégio descabido deve acabar mas só vai acabar quando avançarmos mais na democracia e quando mais pessoas como eu tiverem a coragem de dizer o que pensam sobre a religião. Sobre o proselitismo religioso no esporte, ele não é saudável pro esporte pois mais divide que une. Sim, é claro que devemos ter a liberdade de expressão mas até isso é relativo pois existem as regras de convívio social. O esporte não é lugar de fazer propaganda de religião, assim como a igreja não é lugar de fazer propaganda de um time de futebol.

Web Cristo: Então esporte é lugar para fazer propaganda de uma droga liberada como o álcool?

RK: Não concordo com publicidade de drogas no esporte, mesmo a cervejinha nossa de cada dia. Isso é uma questão de saúde pública na qual os governos devem ser rígidos. O caso da propaganda religiosa também é uma questão grave mas aqui já é uma questão de impedir a prática do proselitismo, o uso indevido de espaços e eventos públicos pra divulgação de ideias ou produtos particulares. Religião é produto? Sim, é um produto cultural, que se vende como qualquer outro: tem lojas, distribuição, marketing, briga por clientes… Aliás, a ideia de céu e inferno é um marketing muito eficiente, que seduz a quem necessita de autoridade e julgamento. O dízimo então, nem se fala. Mas voltando ao proselitismo, se eu usasse o espaço de uma missa ou de um culto pra divulgar minhas crenças pessoais ou meu livro, isso não seria falta de senso? Por que a religião deveria ter esse privilégio de poder ser divulgada em qualquer ocasião?

Web Cristo: Não é só religião que não pode ser criticada, você já criticou o Movimento Gay para sentir a sua falta de privilégios e sua liberdade de expressão ameaçada?

RK: Por que eu criticaria o movimento gay?

Web Cristo: Não sei, nós é que lhe perguntamos…. porque você critica e parece combater a religião, a igreja, os Cristãos?

RK: Nada tenho contra o movimento gay. Não tenho por que criticá-lo. Quanto à religião, eu sou um crítico de vários aspectos relativos a ela mas defendo o direito de todos exercerem sua religiosidade, assim como defendo o direito de todos viverem sua sexualidade.

Web Cristo: Sabemos que existem “Pastores Pilantrões”, pois o próprio Jesus disse que eles existiriam em (Mateus 7:15) mas ao criticar os vários aspectos relativos a religião como você mesmo citou você não generaliza colocando até os bons nesta “cova”?

RK: Sei que existem religiosos honestos. Sou amigo de vários. Mas mesmo entre eles encontro atitudes lamentáveis, que a religião provoca. Um exemplo é a condescendência em relação aos abusos cometidos em nome da religião. Se o padre abusa de crianças, boa parte dos católicos o perdoam porque ele é um sacerdote de Deus. Se o pastor extorque os fiéis, deve ser perdoado porque ao menos ele faz as pessoas lerem a Bíblia. Se aquele crucifixo na parede do Congresso fere o princípio constitucional do estado laico, isso não importa pois Deus está sendo louvado. Se as culturas indígenas são violentadas pelos missionários, isso é o de menos, desde que eles aceitem a Jesus. Essa vista grossa equivaleria a eu relevar um crime cometido por um escritor só porque ele ama e glorifica a Literatura. O extremo dessa atitude são os genocídios e as guerras em nome de Deus. Os religiosos devem perguntar a si mesmos: eu mataria em nome do meu Deus? Se a resposta for sim, estaremos diante de criador e criatura moralmente desprezíveis.

Web Cristo: O Jornal O POVO protege a Maria dos Católicos que Ricardo Critica, mas não defende os Crentes e outros religiosos que Ricardo Critica, pode nos explicar esse Jornalismo Pseudoparcial?Ou Crente para eles é sinal de escarnio mesmo?

RK: Não posso responder pelo O Povo Online. Sou apenas um colunista do portal.

Web Cristo: Para você, qual seria o mundo ideal?

RK: Em meu mundo ideal a humanidade se entende como um único povo, o povo da Terra, e as diferenças físicas, culturais, religiosas e sexuais não são combatidas mas festejadas. A relação com o Mistério e o Sagrado é algo íntimo e pessoal e ninguém pretende convencer a ninguém que sua relação é a única verdadeira. Hummm, exagerei no ideal, né? Nem Deus conseguiria isso.

Web Cristo: Não, não exagerou não, Jonh Lennon e o fundador do Titanic, por exemplo e alguns ateístas já falaram algo parecido com “nem Deus conseguiria isso”, sua visão é muito boa, mas mas não é utópica e até certo ponto demagoga?

RK: Claro que é utópica pois a humanidade nunca viveu esse nível de respeito às diferenças. Mas as utopias nos movem, né? E essa ideia não é demagógica pois muitos acreditam e lutam por ela.

Web Cristo: Você, no seu mais recente artigo diz que Religião no Poder é fogo e que a primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia, isso é a liberdade. Você “festeja e exalta” as diferenças e diversidades sexuais em seu outro artigo que diz que “a diversidade sexual pede passagem“. No meio político e Senado, onde líderes que se dizem democráticos defendem vêementemente Projeto de Lei PL122/06, projeto esse totalmente anticonstitucional e consequentemente antidemocrático, pois ele “exalta”, “festeja” e pede direitos as “diferenças” ( homossexuais, lesbicas, travestis etc direitos estes já garantidos na Constituição no Art 5°) mas priva, entre muitas questões o maior de todos os direitos: a liberdade de expressão. Perguntamos: que liberdade é essa que você defende, exalta e festeja?

RK: Liberdade de expressão é sagrado. Claro que defendo o direito de todos serem o que são e de dizerem o que pensam. Mas se alguém prega o ódio e o preconceito contra homossexuais ou contra evangélicos ou contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, isso deve ser crime, caso contrário viveremos todos em clima de guerra contra todos. O problema é que a religião se considera intocável e acha que seus dogmas devem prevalecer sobre as leis civis.

Web Cristo: Se te parassem na rua e te dissessem: Jesus te ama o que você diria?

RK: Pode me amar à vontade. Mas sem exclusividade.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> Bem vindo ao clube dos excomungados – Pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

> A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

> Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM MENSAGENS POUCO RESPEITOSAS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

> O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

> Religião no poder é fogo – A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

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MAIS SOBRE ATEÍSMO

> ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

> Neurocientista e escritora Suzana Herculano sai do armário – Bem vinda ao clube, Suzana!

> Religulous (filme) - O comediante estadunidense Bill Maher percorreu alguns países entrevistando cristãos, judeus e muçulmanos e fez a eles perguntas simples, do tipo que as crianças fazem, e o resultado é hilário.

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COMENTÁRIOS
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01- Excelente …Noviças Viçosas rs. André Ortiz, Fortaleza-CE – jan2011

02- Valeu Kelmer! Ótima entrevista. Fernando Veras, Fortaleza-CE – jan2011

03- lembrei do cordel o encontro entre o bebado e o pastor evangélico. Eduardo Macedo, Recife-PE – jan2011

04- Porreta! Se houvesse uma ruma de caba macho como tu – tirando a cabeça do buraco – eu voltaria a acreditar na possibilidade de soluções coletivas. Marcos Scaico, Serra Negra-SP – fev2011


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Praticando a cidadania global – jan2011

janeiro 24, 2011

Ricardo Kelmer 2011

Apoie campanhas no Brasil e em outros países
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A internet está acelerando o surgimento de uma nova noção de cidadania: a cidadania global. Quanto mais pessoas se conectam à rede, mais se forma em todo o mundo uma espécie de consciência coletiva que vê o mundo como o lar de todos e a humanidade como uma só família.

Esta nova mentalidade admite as diferenças culturais mas as entende como manifestações da rica diversidade humana e não como pretextos para conflitos e guerras. Democracia, liberdade, transparência e justiça social são os valores que unem esses novos cidadãos do mundo, independente de onde vivem e de suas religiões.

Graças à internet, essas pessoas podem participar mais ativamente dos destinos do país em que vivem e também de outros países, fazendo parte de campanhas de cunho humanitário, político, cultural ou ecológico. Elas estão praticando a cidadania global.

Em sites como o Avaaz (avaaz.org) e o Petição Pública (peticaopublica.com.br) você pode participar de campanhas assinando petições que são entregues a líderes políticos e a instituições como a ONU. Esses instrumentos obrigam políticos e governantes a, cada vez mais, levar em consideração a opinião da sociedade civil.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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ALGUMAS CAMPANHAS ATUAIS

> Pela liberdade de expressão e o direito à informação, contra a perseguição ao Wikileaks, ao FALHA de S.Paulo e ao CMI – O jornal Folha de São Paulo não gostou de ser satirizado e conseguiu tirar um blog do ar.

> Abaixo-assinado contra o aumento nos salários do presidente da República, ministros e parlamentares. Dezembro/2010 – Os parlamentares aumentaram os próprios salários e agora eles nos custam, em média, R$ 140 mil mensais. Você concorda?

> WikiLeaks: Parem a Perseguição – Para os EUA e outros governos e empresas ligadas à perseguição ao WikiLeaks: Nós pedimos o fim da perseguição ao Wikileaks e seus parceiros imediatamente. Pedimos respeito pelos princípios democráticos e leis de liberdade de expressão e de imprensa. Se o Wikileaks e seus jornalistas parceiros violaram alguma lei eles deverão ser levados à justiça. Eles não devem ser sujeitados a uma campanha de intimidação extra-judicial.

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LEIA NESTE BLOG

> Pátria amada TerraÉ animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

> A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

> A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

> A humanidade, o psicólogo e a esperança - Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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 COMENTÁRIOS
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Abaixo-assinado contra o aumento nos salários do presidente da República, ministros e parlamentares. Dezembro/2010


WikiLeaks e o nascimento da cidadania global

janeiro 1, 2011

Ricardo Kelmer 2010

Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país
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Cidadania global. É um termo novo mas uma busca na internet nos mostrará centenas de milhares de ocorrências e elas aumentam a cada dia. Mas o que seria isso? Como toda nova noção que surge, ainda não há uma definição precisa para cidadania global mas ela claramente aponta para um futuro em que as pessoas, antes de se verem como cidadãs deste ou daquele país, se entenderiam de um modo mais abrangente e comum: seriam todas cidadãs do planeta Terra.

A noção de cidadania global nem sempre existiu, mesmo porque até pouco tempo não sabíamos que vivíamos num planeta. Porém, era inevitável que surgisse um entendimento mais abrangente de quem somos pois desde o início os povos buscaram ter contato uns com os outros. Posteriormente esse novo entendimento ganhou impulso por conta da facilidade dos transportes e acelerou-se com o desenvolvimento das comunicações. E, nos últimos anos, acelerou-se ainda mais com o advento da internet, que tornou o mundo menor e nos fez ver que temos muito mais coisas em comum do que as diferenças culturais sempre nos fizeram crer.

Em quinze anos a internet multiplicou rapidamente o conhecimento que a humanidade tem de si própria e hoje sabemos bastante até mesmo sobre os povos mais fechados. Porém, se é verdade que ainda nos vemos como povos distintos, separados por nacionalidades, há vários indícios de que essa visão pode estar chegando ao fim.

As últimas décadas viram o surgimento da ONU, das organizações não-governamentais, das empresas multinacionais e do termo globalização. A economia, o esporte e as artes contribuíram para nos misturarmos ainda mais. E agora a internet permite que pessoas de todo o mundo participem de campanhas de caráter político ou humanitário em outros países. Os sentimentos nacionalistas ainda existem, é verdade, mas quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país. Elas talvez ainda não saibam mas já estão exercitando um tipo de cidadania global.

O site WikiLeaks, especializado em publicar documentos secretos de governos, empresas e instituições, deu sua contribuição a esse processo de forma notável. Financiado por doações anônimas e assegurando a máxima proteção às suas fontes, o site encoraja pessoas a denunciar casos de corrupção, censura, abusos e torturas, além de expor assuntos relacionados a guerras, ecologia, diplomacia, finanças e espionagem. Graças a isso, governos e empresas sabem que já não podem enganar as pessoas como antes. E em resposta à perseguição sofrida pelo criador do WikiLeaks, internautas se uniram e atacaram sites de empresas que apoiaram a perseguição. Esses ativistas não lutam por seus países: eles lutam por democracia e liberdade de expressão. Eles também estão exercitando a cidadania global.

O mundo está ficando mais transparente e autoconsciente. É uma ótima notícia mas governos e empresas estão preocupados e tentam impor controles à internet para impedir o livre fluxo da informação. Não será fácil pois se um cidadão tem todo o direito de saber o que faz seu governo e suas empresas, um cidadão do mundo obviamente tem direitos ainda mais amplos. Não será contra um site ou alguém: será contra essa nova noção de cidadania global que governos e empresas terão de lutar. E logo, antes que ela cresça ainda mais.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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MAIS SOBRE O WIKILEAKS

> WikiLeaks na Wikipedia

> Como funciona o WikiLeaks

> Campanha contra a perseguição ao WikiLeaks – Petição criada pelo site Avaaz que pretende chegar a um milhão de assinaturas

> Avaaz – Site que realiza campanhas que mobilizam milhares de pessoas com o objetivo de levar a voz da sociedade civil para a política global

> WikiLeaks e a nova fronteira da comunicação – Entrevista com Natália Viana, a brasileira do WikiLeaks, rede Brasil Atual, 13.12.10

> O australiano messiânico – Por Paulo Nogueira, Observatório da Imprensa, 14.12.10

> WikiLeaks: a construção do mito Assange – Por Washignton Araújo, Observatório da Imprensa, 14.12.10

> WikiLeaks: a vingança do mundo vigiado – Por Eugênio Bucci, O Estado de São Paulo, 16.12.10

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LEIA NESTE BLOG

> Pátria amada TerraÉ animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

> A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisõe. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

> A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

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 COMENTÁRIOS
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01-  Ué, fofoca agora é sinônimo de “cidadania”!? Prazer. Anti-americanismo é fogo. Com certeza o colunista não toma Coca-Cola, não come Big Mac, acha que o Osama não foi jogado ao mar e, claro, acha que os microchips chegaram a Terra em algo que espatifou-se no solo em Roswell. Júlio Adelaide, O Povo OnLine – mai2011

02- O ilustre escritor e dono de cabaré não pode garantir que tais informações podem ser de conhecimento público sem consequências desastrosas para o mundo. sempre houve sigilo de questões internacionais e penso que não temos conhecimento suficiente para achar que agora tem que ser tudo muderno e escancarado, meu caro. Wanessa, O Povo OnLine – mai2011

03- Wikileaks para TODOS! Excelente matéria! Neiara, O Povo OnLine – mai2011

04- Meu caro, excelente percepção do que vem acontecendo, quanto mais transparência maior a possibilidade de construirmos algo melhor. Dilda Meyer, O Povo OnLine – mai2011

RK- Sábias palavras, Dilda. As pessoas precisam ser honestas e transparentes consigo mesmas, caso desejem ter uma vida mais harmoniosa. Assim também é com a humanidade. abrazos :-)

05- Tem gente que só enxerga em preto e branco. O colunista nem criticou os Eua especificamente. O site wikileaks faz denúncias de vários países… Por favor, onde foi que você enxergou um discurso anti-americano? sabe o que é isso? Superinterpretação do texto (ou esquizofrenia). Anita G, O Povo OnLine – mai2011

RK- Poizé, Anita. Saber ler, muitos sabem. Interpretar corretamente um texto, isso já requer um algo mais… abrazos :-)

06- que venha… o.. Cidadão Global, Governo Global, Economia Global… Aquecimento Global… Lider Global… Moeda Global, Religião Global. isso não e novidade,pois biblia fala destes tempos.. Mas Cristo… Reinará para todo sempre…. Django, O Povo OnLine – mai2011

07- Não é possivel divulgar tudo de carater sigiloso, caro colunista. Wanessa descreveu o que é mais plauzível, transparencia sim, escancareamento de assuntos altamente sigilosos não! Aldo Ziembisky, O Povo OnLine – mai2011

08- Gente, já se criou nessa coluna uma aversão pelas palavras de Kelmer, sejam elas polêmcias ou nem tanto… Há quem já venha armado pra seja qual for a pauta do dia ir contra! Onde foi que ele criticou americanos? O que o fato de ele ser dono de cabaré influi nas ótimas observações que ele fez… o comentário que diz que tem gente que só enxerga em preto e branco… Adorei a matéria! Parabéns! Anne, O Povo OnLine – mai2011

RK- Obrigado por comentar, Anne. As insistentes críticas ao meu trabalho derivam do fato de eu escrever sobre temas polêmicos, como drogas, religião e sexualidade, temas que muitos escritores, artistas e comunicadores preferem evitar. E alguns comentários são tão infelizes que sequer merecem resposta. Há também o bando dos religiosos fanáticos, que me odeiam porque sou um critico da religião e exponho as mentiras e o jogo sujo do mercado da fé. E há, acredite, os que assinam com nomes falsos, tentando me confundir! Mas todos são meus leitores e, de todo modo, a leitura deles me honra. E a caravana passa. abrazos :-)

09- Quem pode saber o que a explosaõ de notícias sigilosas do governo de vários países e suas questão internas para o publico em geral vai render de bom para o mundo? Ninguem pode saber as consequencias disso. Portanto o artigo é pretensioso, e sem fundamentos. Liberdade por liberdade é o grito deste senhor, Ele sabe administrar bem cabarés, outros assuntos mais técnicos não são da alçada de quem não trabalha nesta áreaespecífica e sofisticada, sinto mto. Julia Maria, O Povo OnLine – jun2011

10- mtos escritores escrevem sobre estes temas. Saber ser criticado é uma arte de humildade. Artistas tem egos inflados e não gostam, porem se o senhor quer ser um escritor, precisa aprender a ser criticado positivamente e negativamente , ou melhor mudar de profissão. Wanessa, O Povo OnLine – jun2011

11- Críticas são salutares, senhor. Todos os escritores administram as criticas, por que com o senhor seria diferente? Maria, O Povo OnLine – jun2011

RK- Um escritor que não aceita ser criticado negativamente publicaria em seu próprio blog as piores críticas (e insultos, xingamentos e ameaças) que recebe? Pois eu publico. E convido todos a constatar isso agora mesmo, acessando a crônica que mais me rendeu críticas desfavoráveis (RELIGIÃO NO ESPORTE É GOL CONTRA). Veja você mesmo, nobre leitor e generosa leitorinha, o nível de alguns comentários e me diga, sinceramente, se você se daria ao trabalho de responder a cada um deles. Pra mim, nem tudo merece resposta. abrazos :-)

12- Ótimo, pois quem está no mercado de arte tem que aceitar opiniões contrárias com mais brandura. Nem Jesus conseguiu unanimidade. O sr. está de parabens por aceitar que nem sempre agrada. E quem nem sempre seu texto tem fundamentos aceitáve4is, como é este o caso. Anita G, O Povo OnLine – jun2011

13- Bom, eu penso que estas pessoas estão lendo os teus textos, mesmo para criticar, isso é bom. Esses críticos ferrenhos, se ficam tão incomodados é porque ao te lerem se sentem balançados, então te agridem, tipo, xô satanás. Acho que você não deve responder não, deu teu recado, que leiam, aceitem ou não, critiquem, elogiem, o importante é que você os faz pensar. Ligia Eloy, Lisboa-Portugal – jul2011

14- Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Voltaire. Grace Ramalho, Fortaleza-CE – jul2011

15- Tudo merece resposta? Nem em pesadelos, mto menos em sonhos, menos ainda na realidade do dia-a-dia. Talvaz alguma coisa ou pessoa merece mas isso fica a seu critério. Tem mta gente querendo atenção por nada ou por besteira… Força ai Ricardo e mande ver na polêmica! André Ortiz, Fortaleza-CE – jul2011

16- Rapaz, tem um movimento anti-Kelmer forte, hein? E onde tu arranja paciência? Marcelo Gavini, São Paulo-SP – jul2011

17- Nós, jornalistas, sabemos muito bem disso, né, amigo: loucura maior do que o louco que escreveu é dar cabimento a ele. Certas críticas não há como encarar… bjos. Ana Karla Dubiela, Fortaleza-CE – jul2011

18- Meu caro Ricardo vc é ótimo. Tem coisas e pessoas que não vale uma resposta. O silêncio é a maior de todas. Bijos. Loreto Lima, Juazeiro do Norte-CE – jul2011

19- Estou com vc, caro RK. Uma pessoa que escreveu “O mundo está ficando mais transparente e autoconsciente” não pode ser acusada de antidemocrática. “Iru antauen, RK!” Leite Jr-Lejĉ, Fortaleza-CE – jul2011

20- O jornal O Povo pra mim é o melhor do estado,acho menos rabo preso com a elite. Mas parece haver uma ala bastante conservadora por lá,pode ver que existem pessoas dando sua opiniao sobre as matérias que estão postadas no site.Tem cada uma,que é melhor nem ler. Lucas Silveira, Fortaleza-CE – jul2011

21- KELMER, minha solidariedade. continue livre! Veronica Guedes, Fortaleza-CE – jul2011

22- isso mesmo, como você sempre foi, beijim. Glaucia Costa, Fortaleza-CE – jul2011

23- Anjo vc é fantástico em tudo que faz, deixe que falem….beijos. Elizabeth Fernandes, São Paulo-SP- jul2011

24- E eu costumo ler as Kelmericas, gosto muito. Polemica eh a propria essencia de quem escreve, imagino as reacoes que voce deve receber de vez em quando. Continue firme. O problema de quem escreve eh que nem sempre eh entendido, eh proprio do processo de ler e escrever, que o leitor sempre importe suas impressoes ao que esta lendo, as vezes eles leem algo nem imaginado pelo escritor, isto pelo bem ou pelo mal. Grande abraco. Marcelino Pequeno, Fortaleza-CE – jul2011

25- Kelmer, A tentação é sempre grande em responder. Mas é isso mesmo, nem tudo precisa de resposta. Até porque muitos questionamentos e opiniões geram muito mais respostas diferentes. E viva a sagrada e bela diferença e divergências. Abração! Ivonesete Rodrigues, Fortaleza-CE – jul2011

26- Kelmer… sacode a poeira e avance sem olhar para trás… abraço. Marcio Castellani, Fortaleza-CE – jul2011


O redemoinho do fim do mundo

dezembro 7, 2010

Ricardo Kelmer 2010

É provável que estejamos à beira de um grandioso marco evolutivo, onde a humanidade alcançará o clímax dessa aceleração das transformações

Sei que corro o risco de parecer alarmista ou esquisotérico mas eu sinceramente acho que em poucos anos a humanidade poderá viver um acontecimento muitíssimo sério, desses que dividem a História em antes e depois. Antes de prosseguir, deixe-me dizer logo que sou ateísta e não tenho nenhuma religião, ok? Poisbem, continuemos. O motivo de eu pensar assim vem de vários lados mas principalmente da análise dos grandes saltos evolutivos da humanidade e do ritmo em que eles ocorrem.

Vejamos. A criação da linguagem (dois milhões de anos atrás), o controle do fogo (500 mil anos), a agricultura (12 mil anos), a escrita (5 mil anos), a democracia (3 mil anos), as grandes navegações (500 anos), a revolução industrial (200 anos), as comunicações (100 anos), a revolução digital (40 anos), a internet (15 anos)… Todos esses acontecimentos são marcos evolutivos da humanidade e representam, inegavelmente, grandes e decisivas transformações no mundo. Há, porém, um detalhe intrigante: o ritmo em que eles ocorrem está cada vez mais veloz.

Essas grandes mudanças, que antes levavam milênios ou séculos para se sucederem, agora ocorrem a intervalos cada vez menores, a ponto de, atualmente, uma pessoa presenciar durante sua vida duas ou três imensas transformações no mundo, dessas que mudam tudo. Além disso, essas mudanças alcançam cada vez mais pessoas no mundo inteiro e são cada vez mais transformadoras. A continuar esse ritmo, como será? As sociedades conseguirão lidar com tantas e imensas transformações em tão pouco tempo? Como organizar a vida se tudo muda tão rápido e tão radicalmente?

Imagine um redemoinho. A cada volta, a água gira cada vez mais rápido, né? Poisbem. É como se a História fosse um redemoinho de transformações a ocorrer em ritmo cada vez mais acelerado, cada vez mais, até que… Até que o quê? Bem, num redemoinho, tudo que há nele é tragado quando chega ao fim. Estaremos chegando ao final do redemoinho? E o que acontecerá depois?

Pô, se já é difícil falar do fim do mundo, imagine do que virá depois. Fiquemos, por enquanto, no redemoinho, mais precisamente no final dele. A minha séria desconfiança é que nos aproximamos do clímax dessa aceleração das transformações e que o acontecimento ou acontecimentos que o representarão serão marcantes e decisivos a tal ponto que significarão uma espécie de fim do mundo, ou melhor, o fim do mundo como o percebemos, o fim da realidade e de nós mesmos como até hoje entendemos.

O fim do mundo, então, seria isso, um violentíssimo choque de percepção coletiva. E o que exatamente ocasionará esse choque? Um inédito evento cósmico? Uma supercatástrofe ambiental? Ou uma guerra mundial de motivações religiosas? Seria um revolucionário experimento científico? A descoberta de novas formas de vida ou de novos níveis de realidade? O contato com uma forma desconhecida de inteligência? Um colapso do sistema financeiro? Ou o surgimento de uma incontível noção de cidadania planetária capaz de derrubar governos e fronteiras? Tudo isso junto? Nada disso?

Não é apenas o ritmo cada vez mais acelerado das transformações que me faz desconfiar que estamos no fim do redemoinho. A ciência, por exemplo, projeta para breve vários acontecimentos radicais como o esgotamento dos recursos naturais do planeta. A astrologia, por sua vez, nos diz que vivemos exatamente agora a mudança da Era de Peixes para a Era de Aquário. E há a questão das profecias. Sim, o fim do mundo já foi previsto várias vezes e o danado continua aqui, eu sei. Porém, entendo as profecias apocalípticas como a expressão natural de uma percepção inconsciente do fato de que um dia chegaremos ao fim do redemoinho. Em outras palavras: nós humanos sempre pressentimos, sem saber explicar direito, a chegada desse momento em que a aceleração das transformações chegará a tal ponto que, tchum!!!, isso significará o fim drástico do nosso senso comum da realidade. As datas estavam erradas, é verdade, mas a percepção sempre esteve correta.

Há algo mais na questão das profecias. Uma profecia tem mais chance de se realizar quanto maior for o número de indivíduos que acreditam nela pois quem crê numa profecia naturalmente deseja, ainda que inconscientemente, que ela se realize. Isso significa que se boa parte da humanidade atual crê que chegou o final dos tempos, provavelmente muitos seriam capazes de fazer algo para provar que sua crença é verdadeira, que é essa a vontade de seu deus. A pergunta então é: que parcela da humanidade acredita, e consequentemente deseja, que vivemos o fim do mundo? Bem, a julgar por tudo que se lê e ouve, os livros e filmes, as notícias, os discursos religiosos, a humanidade está, no mínimo, obcecada pelo tema.

Por essas e outras é que desconfio que o fim do redemoinho está bem próximo. Talvez na próxima década. Quem sabe em 2012.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> As máquinas não são bobas – Já existe uma geração de máquinas com certo grau de autonomia necessária pra tomar decisões que podem ou não seguir o que lhes foi ensinado

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LIVROS, FILMES E SITES

- O Buraco branco no tempo (Peter Russel)
Editora Aquariana, 1992
As ideias deste livro inquietante nos levam a pensar sobre o tempo de uma forma diferente e nos faz exercitar uma nova maneira de nos percebermos, como espécie, dentro do contexto da evolução e do Cosmos. O físico Peter Russel, numa linguagem acessível, mostra porque a atual crise da humanidade é, na verdade, uma crise de percepção, e chama a atenção para o ritmo vertiginoso da atual evolução tecnológica. Podemos, neste momento, estar à beira de um decisivo salto de compreensão a respeito do tempo e de nós mesmos.

- O ponto de mutação (Fritjof Capra)
Editora Cultrix, 1983
Prosseguindo em seus estudos, Capra mostra como as ciências já estão falhando por insistir em seguir o modelo newtoniano/descartiano de interpretação da realidade e sugere que a humanidade está vivendo uma decisiva transição em sua evolução. Especificando a situação de diversos ramos da ciência, como medicina, psicologia e economia, Capra escreveu uma das mais importantes obras do nosso século, indispensável ao estudioso do pensamento holístico e dos novos paradigmas que lentamente estão, não substituindo, mas complementando os atuais.

- Introdução ao Apocalipse (Robin Robertson)
Editora Cultrix, 1997
A ideia de Deus é um dos principais arquétipos da humanidade, existente em todas as culturas. Através da Bíblia, ainda que esse não seja seu objetivo oficial, é possível acompanhar como evoluiu a relação da humanidade com sua ideia de Deus, desde Adão até os dias de hoje. Este livro narra de forma brilhante a saga da transformação da consciência humana e reabilita um dos mais importantes porém menos compreendidos documentos da civilização ocidental: o Livro do Apocalipse, esmiuçando todo o seu rico simbolismo através das delicadas ferramentas da psicologia junguiana.

> ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

> Zeitgeist (Direção: Peter Joseph. EUA/2007) - Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles. Veja o filme Zeitgeist

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- É…tem lógica! :) Mônica Burkle Ward, Recife-PE – dez2010

02- Paranóia delirante! Tudo isso q vc postou para levar à conclusão q vc deseja é fruto do conhecimento q vc possui. Agora imagina o q vc desconhece? Quem tem certezas está mal informado, pois sempre existe um fato que interfere no processo conclusivo, o que existe neste instante é o momento. E ele está em constante movimento. Adapte-se! Flua. Abandone as certezas. Vc e seus próximos serão mais felizes. O excesso de informações trava nosso processamento de pensar corretamente, aí nosso raciocínio nos engana levando-nos a conclusões erradas e muitas vezes em direção aos nossos medos. Esclareça-se: descubra seus pontos fracos para proteger-se de si mesmo. Paz, saúde, bons sonhos & saravá! :D Wener Marq, Alegre-ES – dez2010

03- É impressionante como os que se dizem “ateus” SÃO ESPIRITUALISTAS !!! Daria uma ótima tese !!! rsr sr O trecho abaixo relata muito bem o quanto que você inconscientemente e muito bem inspirado pelo NOSSO CRIADOR, descreve o que nós espíritas kardecistas já sabemos desde que o “consolador prometido por Jesus que chegou em 1857, ou seja, a doutrina espirita kardecista …. NAÕ COMO FIM TOTAL DO MUNDO ou do planeta terra, MAS, O FIM DE UM MUNDO DE PROVAS E EXPIAÇÕES .. e aos poucos tornando UM MUNDO DE REGENERAÇÃO … ESTAS MUDANÇAS SE FAZ NECESSÁRIAS CONFORME OS PLANOS DE “DEUS” Sds kardequianas. Lucimar Rabello, Vila Velha-ES – dez2010

RK: Sou ateu porque não creio na existência de divindades. Porém, não sou materialista no sentido de achar que não existe nada além da matéria. Quanto à questão do fim do mundo, essa ideia não começou com Kardec nem com Jesus nem com qualquer outro profeta. Ela é um arquétipo presente na psique humana (e isso nada tem a ver com religião) pois o Universo é uma mente só e as nossas mentes são expressões manifestadas dessa mente única. Assim sendo, cada um de nós sabe, conscientemente ou não, dos ciclos de transformação do Universo e, por isso, “sabemos” que o mundo irá acabar. Mas o que irá acabar é o mundo como nossa mente o entende, a realidade como nós aprendemos a captá-la. Ou seja: o fim do mundo é uma transformação da percepção da realidade pra um novo nível de percepção.

04- Adorei como sempre vc se supera…beijos amigo. Liz Fernandes, São Paulo-SP – dez2010

05- O que tu escreveu, brother maluquinho, sinto nas tripas. Sinto, tremo, farejo logo existo!!! :-) Patrícia Lobo, Salvador-BA – dez2010


Religião no poder é fogo

setembro 9, 2010

Ricardo Kelmer 2010

A primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos sustentáculos da democracia: a liberdade

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Sim, faz parte da democracia que o pensamento religioso tenha representantes na vida política do país. Porém, os cidadãos verdadeiramente democratas devem sempre estar atentos pra impedir que a religião ultrapasse seus limites de atuação pois a primeira vítima da promiscuidade entre poder e religião é justamente o maior dos paliares da democracia: a liberdade. Há vários exemplos históricos das catástrofes que podem ocorrer quando a religião veste o manto do poder político. Mas fiquemos apenas num exemplo: a Santa Inquisição.

Também conhecida por Santo Ofício, a Inquisição é uma instituição católica criada no século 12 pra, inicialmente, combater as heresias, ou seja, as demais versões do Cristianismo. A novidade católica inspiraria também a futura igreja protestante, que em alguns países executou na fogueira seus próprios hereges, inclusive católicos. Com o tempo outras motivações ideológicas, sociais e econômicas se misturaram ao caráter inicial da Inquisição e suas atividades variaram bastante de acordo com o país e a época mas, de modo geral, seu objetivo era combater tudo que representasse ameaça à supremacia católica.

A coisa funcionava assim: ao julgar necessário, a Santa Sé enviava seus representantes e instalava os tribunais que, após o julgamento, eram desfeitos. Pra que a Igreja não sujasse de sangue as próprias mãos, os tribunais apenas torturavam, extraíam confissões e julgavam mas no final os condenados eram entregues às autoridades locais pra que fossem punidos. O total de execuções é incerto e as estatísticas variam de dezenas de milhares a milhões de mortos em seis séculos de perseguições.

Pra ser um réu, bastava uma simples denúncia anônima da vizinha invejosa, o que fazia as chantagens e os subornos correr à solta, enriquecendo inquisidores e denunciantes e criando na sociedade um permanente clima de terror e paranoia coletiva. Os condenados, se tivessem sorte, sofriam apenas umas torturas educacionais ou tinham tomados seus bens e propriedades. Entretanto, se não confessassem exatamente os pecados que os inquisidores queriam ouvir, a pena era a morte. Havia métodos mortais bem engenhosos e criativos mas o mais famoso era queimar vivo o condenado numa fogueira, sempre em público pra servir de exemplo ao povo. Quando descobriram que alguns morriam por asfixia antes de serem queimados, passaram a embeber enxofre na roupa dos condenados. Mas era tudo por amor a Deus.

Há poucos estudos sobre a Inquisição no Brasil mas aqui ela também esteve presente, embora de forma menos intensa, condenando a maior parte dos réus por prática de judaísmo – e confiscando todos os seus bens, claro, pois não pense você que sai barato manter em funcionamento o escritório terreno do Reino de Deus. Nos séculos 18 e 19 os tribunais foram gradualmente extintos na Europa e a Espanha foi o último país a fechar o seu, em 1834. A Inquisição, porém, se mantém viva na Igreja Católica até hoje, com o nome mais agradável de Congregação para a Doutrina da Fé.

Felizmente os tempos são outros e a Igreja já não tem o poder de torturar e queimar vivos aqueles que não seguem os dogmas de sua cartilha. A liberdade venceu a ditadura da fé. Mas é preciso que a sociedade continue sempre atenta pra que religião e poder não se misturem.

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Ricardo Kelmer blogdokelmer.wordpress.com

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DICAS DE LEITURA

> A caça às bruxas na Europa moderna – Brian P. Levack (Campus, 1988) – O estranho e terrível fenômeno da caça às bruxas é uma mancha de vergonha não só para a Igreja Católica como também para toda a cultura ocidental. Neste livro, o autor analisa as razões que levaram os tribunais eclesiásticos a julgar e matar milhares de pessoas pela suposta prática de magia maléfica e adoração ao Diabo. Por que tal fenômeno teve lugar justamente nessa época específica da História? Quem eram os acusados e seus acusadores? E por que motivo os julgamentos chegaram ao fim?

> A caminho da fogueira – Michael Kunze (Campus, 1989) – Este é o impressionante relato de todo o processo de julgamento e condenação de uma família inteira de camponeses alemães do século XVII. O autor nos põe no interior de toda a trama e, com competência, nos leva a conhecer os meandros escuros dos processos inquisitórios da Idade Média.

> Inquisição: prisioneiros do Brasil (Séculos XVI a XIX) – Anita Novinsky (Perspectiva, 2009) – A autora pesquisou arquivos em Portugal e, através da análise dos processos que a Inquisição moveu sobre mais de mil brasileiros, nos oferece um painel sobre a realidade das atividades do Tribunal do Santo Ofício no Brasil entre os séculos 16 e 19.

> Perseguição religiosa - A história dos que morreram e mataram porque acreditavam em Deus – Revista publicada pela Mythos Editora.

> Inquisição na Wikipedia

> Métodos de tortura da Inquisição (imagens fortes)

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DICAS DE FILMES

> Arquivos Secretos da Inquisição – Documentário. Produção: Canadá, 2006. Direção: Lauren Drewery. Foi exibido em formato de minissérie no canal The History Channel. Baseado em documentos inéditos e pesquisas que revelam inúmeros segredos do Vaticano, a minissérie tem intervenções de especialistas e retrata passagens obscuras da Santa Inquisição católica.

> Sombras de Goya – Longametragem de ficção histórica. Produção: EUA/Espanha, 2006. Direção: Milos Forman. Conta a história do grande pintor espanhol Francisco Goya dentro do contexto da Inquisição Espanhola do século 18.

> As bruxas de Salem – Longametragem de ficção histórica. Produção: EUA, 1996. Diretor: Nicholas Hytner. Apesar de não ser sobre a Inquisição, este longametragem mostra como o fanatismo religioso pode facilmente promover uma histeria coletiva e levar a condenações injustas. O filme conta a história de um episódio real ocorrido no povoado estadunidense de Salem, Massachusetts, em 1692, que foi o último caso de condenação por bruxaria nos Estados Unidos.  O filme é baseado em uma peça teatral, escrita em 1953 por Arthur Miller, que também fez a adaptação pro cinema.

> Giordano Bruno – Longametragem de ficção histórica. Produção: Itália/França, 1973. Direção: Giuliano Montaldo. O processo e a execução do astrônomo, matemático e filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600), queimado na fogueira pela Inquisição por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica.

> O nome da Rosa – Longametragem de ficção. Produção: França/Itália/Alemanha, 1986. Direção: Jean-Jacques Annaud. Baseado no romance homônimo de Umberto Eco. Num mosteiro beneditino italiano do sec. 14, que guarda uma imensa e preciosa biblioteca, estranhas mortes começam a ocorrer, levando a Igreja a investigar. Nesse cenário instala-se a luta entre os valores da Santa Inquisição, representados pelo Inquisidor Geral Bernardo Gui, e a nova mentalidade renascentista, com sua postura humanista, representada pelo monge franciscano intelectual William de Baskerville.

Para baixar estes filmes: filmesepicos.com

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LEIA NESTE BLOG

> Bem vindo ao clube dos excomungados – Pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto

> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

> A menina, a exorcista e a cantora – Primeiro a menina é usada como laboratório de novas técnicas de exorcismo. Agora é usada como objeto de promoção de igreja evangélica. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Religião certa e sexualidade errada – Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

> Religião no esporte é gol contra – Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos – Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? ATENÇÃO: CONTÉM COMENTÁRIOS VIRULENTOS DE FANÁTICOS RELIGIOSOS

> Meu futuro de popistar cristão – Meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Noviças Viçosas

> O mundo é uma mentira – Este filme mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles

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Onde baixar estes filmes:

http://www.filmesepicos.com


Pátria amada Terra

setembro 4, 2010

Ricardo Kelmer 2001

É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

Honroso é morrer pela pátria. Militar adora dizer isso. Bem, morrer pelo Brasil eu particularmente nunca morri. Mas já desmaiei por ele. Verdade. Tinha 12 anos e estudava no Colégio Militar. E como o colégio vive em função do Sete de Setembro, toda semana tinha treinamento para o grande desfile. Um dia, num desses treinos, nós todos metidos naquele pesado uniforme de gala e perfilados sob o solzão cruel, minha vista escureceu, o corpo fraquejou e bufo!, desabei feito um armário, de cara no chão. Despertei na enfermaria, tudo bem, só uns arranhões. Novecentos e dezenove, você está liberado por hoje! Sim, senhor!

Se desmaiar já é ridículo, imagine morrer pela pátria. Isso não faz mais sentido num tempo em que ou nos unimos pelo bem geral do planeta e da espécie ou afundamos todos. Sim, eu sei que muitos ainda creem em superioridade racial e religiosa e outras ilusões. Porém está em curso atualmente uma revolução que ameaça mudar tudo isso. Silenciosa e sem sangue, ela está fazendo com que a humanidade, cada vez mais, se veja como um único povo a habitar uma única pátria: o planeta Terra.

Estamos presenciando uma profunda transformação no modo da espécie entender a si mesma e ao mundo em que vive. Isso é tão sério que pode mudar para sempre o rumo evolutivo do Homo sapiens. Sempre que se aprofunda um pouco mais na maneira de entender a si mesmo, você adentra um novo nível pessoal de evolução. Você se transforma. E como tudo são espelhos a refletir tudo que há, nada fica imune à sua transformação. O mundo ao redor muda… simplesmente porque você mudou. Este é o segredo da revolução: você não precisa transformar o mundo, basta mudar a si mesmo.

E quando ela começou? Impossível precisar. No entanto, foi no século 20 que ela tomou impulso. E no final da década de 1960, quando divulgaram ao mundo aquela primeira foto da Terra tirada do espaço, algo estalou na alma coletiva da humanidade. Foi um momento histórico muito significativo. A maioria não parou para refletir mas o estalo aconteceu. Pela primeira vez olhamos para a imagem do planetinha azul e percebemos enternecidos como ele é lindo. E nos demos conta de algo incrível: do alto não há fronteiras! Habitamos todos o mesmo lar. E somos todos responsáveis por ele.

É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária. As comunicações fáceis e a internet incentivam os jovens a viajar mais, conhecer o mundo. Seus horizontes são mais amplos e não se conformam com fronteiras nem intolerâncias raciais, étnicas, sexistas ou religiosas. Veem os fanatismos nacionalistas atuais como os últimos espasmos da velha mentalidade que não quer morrer – mas já está moribunda. Para eles essa noção de patriotismo é mesquinha demais diante de uma pátria bem maior que se chama Terra.

A nova revolução traz em sua luta o clamor pela conscientização ecológica, pelas liberdades individuais e pelo respeito à vida e às diferenças. Pode soar ingenuamente otimista mas são conceitos que a cada dia se espalham mundo afora feito um vírus benigno. A Terra é meu país e a humanidade minha família – este é o grito de seus soldados que, desarmados, se denominam cidadãos do mundo, uma nacionalidade bem mais abrangente e que abraça toda a riqueza da diversidade cultural humana. São ainda minoria, sim, esses belos revolucionários, mas sua bandeira tremula com a cor de todos os povos e eu me orgulho de lutar ao lado deles.

Sim, eu sei que a espécie humana está muito doente e que em seu delírio põe em risco a própria sobrevivência. Vejo tempos terríveis se anunciando no horizonte. Mas sei também que às vezes é preciso que a doença atinja seu clímax para então, somente então, regredir. Entram aí os ideais revolucionários: eles é que nos manterão vivos durante a longa noite.

É por isso que quando assisto à parada do Sete de Setembro, tudo aquilo me parece tão pequeno… E é por isso que nada vejo de honroso em morrer pela pátria. Sim, adoro o Brasil e seu povo. Porém, nossa pátria verdadeira, de todos nós, é muito maior que o Brasil. E nossa família não são apenas brasileiros, brancos ou negros ou índios, muçulmanos ou cristãos, homo ou heterossexuais: nossa família é a humanidade inteira, bela e diversa.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Este texto integra o livro A arte zen de tanger caranguejos

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LEIA NESTE BLOG

> A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

> Eles estão na fronteiraMilhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto

> Pátria amada TerraÉ animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

> A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

> A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo

> WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

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.01- “do alto não há fronteiras! “ – Isso me fez ter umas idéias malucas sobre o papel da distância, ou melhor, do distanciamento… O seu artigo é um simples e belo manifesto. É incrível como todos os nossos problemas de espécie parecem ‘ se resumir’ a uma questão de conceito, de linguagem, de olhar. É quase mágico. Lilia Costa, Fortaleza-CE – set2006

02- Aprender a cuidar do planeta… Márcia Daré, São Paulo-SP – set2010

03- Espetacular, Ricardo. De longe , olhando oplanetinha azul- de fato- não há fronteiras. Isso é muito significativo…Por que todo mundo não percebe????” Lia Aderaldo Demétrio, Fortaleza-CE – set2010


A ilha (uma fábula do autoconhecimento)

junho 10, 2010

Ricardo Kelmer 1997

Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia, porém, uma ideia inquietou a ilha: se toda vez que a maré baixava, uma porção de terra se descobria, então até que ponto haveria terra? Até que ponto a ilha existia?

Isso lhe tirou o sono por várias noites. De repente seu conceito sobre si mesma começou a mudar. Sempre se considerara uma porção de terra boiando à superfície da água, isso era ponto pacífico, todas as outras ilhas também pensavam assim. Mas agora já não podia acreditar nisso. Uma ilha não terminava logo abaixo da linha das ondas. Não. Continuava para baixo. Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua.

Saber que ela “continuava” além daquilo que sempre julgou ser era algo espantoso de se pensar. Assim, dia após dia, a ilha prosseguiu em seus esforços de autoinvestigação – precisava saber até onde existia. No entanto, à medida que sua atenção mergulhava em si mesma, as águas ficavam mais escuras. Era preciso cada vez mais concentração para não se perder. Ela prosseguiu, mais atenta, e descobriu que aquilo que existia abaixo da superfície continuava sendo ela mesma, sim, mas parecia ter algo como uma vida própria.

Cada vez mais surpresa, a ilha constatou que aquela parte mais profunda de si mesma levava uma existência semi-independente, porém interagindo sempre com a superfície: influenciando e sendo influenciada por ela. A ilha então soube a razão por que se comportava dessa ou daquela maneira e muitas coisas ficaram mais claras a respeito de si mesma, de seus relacionamentos com outras ilhas e da vida de modo geral. E a cada descoberta que fazia, outras mais se anunciavam e de repente era como se o Universo se expandisse para dentro dela mesma!

Muito tempo se passou até que se convencesse, verdadeiramente, de que era mesmo uma montanha com o pico emerso. Ela estava presa a uma base e essa base era uma enorme extensão de terra que funcionava como chão. Vinham de lá todas as ilhas. E para lá voltariam todas quando os movimentos da terra, dos ventos e das águas as forçassem a isso. Mas a grande maioria das ilhas não sabia que todas elas continuavam para baixo: por isso não entendiam as reais motivações de muito do que faziam. A parte acima da superfície era tudo que sabiam sobre si mesmas e isso era pouco. A parte submersa, a montanha, era a parte inconsciente de cada ilha, aquilo que desconheciam de si mesmas. E a terra do fundo do mar era o inconsciente maior, único, de todas elas, o lugar de onde vinham.

Ao entender esse fato, a ilha lembrou do tempo em que sua consciência de si própria se limitava àquela minúscula porção de terra à superfície. Todas as ilhas vêm do mesmo lugar – ela repetiu, intrigada com suas descobertas – porque são feitas da mesma terra… A areia e os nutrientes que as raízes de suas plantas colhem, vem tudo do mesmo chão… Todas as ilhas que existem são no fundo uma coisa só, que se experimenta em várias extensões de si própria e cada extensão possui consciência de si mas esta consciência é limitada pois quase nunca desce em direção ao fundo, acomodando-se na parte mais superficial… Se cada ilha se aprofundasse em sua noção de si própria, acabaria se conhecendo melhor e, por virem todas do mesmo lugar, conheceria melhor a todas as outras ilhas.

A ilha viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente. Aquela autoinvestigação era importante mas requeria muita atenção para não se perder durante o processo. Só assim poderia transitar com êxito entre as duas camadas de realidade, a que ficava à superfície e aquela mais escura e misteriosa que prosseguia rumo a seu próprio interior.

Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e não entendiam bem o que ela tentava lhes dizer. A ilha sentiu-se só. Viu-se então pensando do ponto de vista da terra lá do fundo: se elas não se conhecem e elas todas são parte de mim, então eu ainda não me conheço tão bem… Assim sendo, como poderia condená-las? Não, não podia. Deveria entender e aceitar o ritmo natural da vida de cada uma das ilhas. Deveria agir com a mãe sábia e bondosa que incentiva todos os seus filhos mas tem de respeitar o caminho individual de cada um deles…

Foi então que, subitamente, a ilha percebeu, num intenso clarão de compreensão, que toda aquela vasta extensão de terra lá embaixo funcionava como um útero a expulsar pedaços de si mesma, forçando-os à superfície. Uma vez lá, eles se entendiam ilhas e começavam então sua aventura individual em busca de saber quem de fato eram, de onde vieram e por que existiam. Mas por que a terra fazia isso? Talvez para ela própria aprender com a experiência individual de cada ilha. Talvez, ao morrer, uma ilha levava à terra sua própria experiência, e ela serviria para formar as futuras ilhas e, assim, toda ilha continha em si, sem se dar conta, a mesmíssima areia das que a antecederam. Talvez, através da vida de cada uma das ilhas, a terra aprendia cada vez mais sobre si mesma…

Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.

A vida é mesmo uma tremenda aventura! – pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lançavam. Uma aventura de cada ilha. Mas também da terra inteira.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE CARL JUNG

> Carl Gustav Jung (26.07.1875 – 06.06.1961)
Psiquiatra e pensador suíço. Fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana. Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude

> Jung – a jornada do autodescobrimento - Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

> Jung na Wikipedia

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LEIA NESTE BLOG

> Livros: He, She, WeOs rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, percorreram do mesmo modo

> Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

> A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

> Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

> Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

> A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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01- Oi Ricardo, parabéns pela concepção da ilha. Nem Jung teria feito melhor! Abraços. Angela Schnoor, Rio de Janeiro-RJ – nov2004

02- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

03- Mais um que a Amandinha aqui se Identifica… A Ilha!!! Belíssimo!!! hehehee Bkjão bom carnaaaaaaa aeeeeee hehehe. Amanda Gallindo Borges, Florianópolis-SC – fev/2007

04- Olá Xará, Há dias que quero te prestar um elogio. Encontrei em seu site um conto. A Ilha. Se eu pudesse limitar em uma única palavra o que dali absorvi, eu diria que INSPIRAÇÃO seria ela. Sua mensagem provoca o despertar. Oxalá o despertar coletivo. Mas, se assim não for, que seja o individual. Ilhas somos todos, alguns já sabem, outros ainda não. Gosto de pensar que já sei. Creio que cada um de nós tem um talento único, porém é muito difícil descobrir qual. Talvez o meu seja contemplar. Há tantas coisas belas por aqui nesta vida que muita gente não vê, ou se vê, não dá a atenção devida. Mas, quem sou eu para dizer quão atento alguém deve ser ?! Eu também procuro ser uma ilha que se diverte com esses pensamentos. Seu conto é uma coisa bela. Parabéns. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – fev2007

05- Li o primeiro texto do seu livro (“A Ilha”) e gostei da abordagem, da ilha como um ser pensante. Vou ler os outros com a calma que a leitura exige…rs De minha parte, tenho um blog (link no rodapé do e-mail) e um fotolog (http://cidadeembaixa.nafoto.net) ansiosos por comentários. Quando tiveres um tempinho, visite. Alessandro Pinesso, São Paulo-SP – ago2007

06- Que bom reler isso! Dos teus livros que eu li, o que eu mais gosto é o Arte Zen, porque lá eu encontro os meus dois RKs prediletos: aquele cara com um humor cruelmente puro e um outro, que me leva pra navegar nas águas densas da alma e da mente. Eu adoro essa crõnica da ilha que, como outros textos teus, tem sido um guia precioso nos mares que essa ilhazinha aqui habita. Beijos da tua leitora mais taradinha! Kdela, Fortaleza-CE – abr2009

07- Prarabéns Kelmer pelo texto da “ilha” Adorei! Seus escritos estão sempre contribuindo para meus estudos! Dóris Burlamaqui, Fortaleza-CE – nov2010

08- É muito difícil baixar a maré e enxergar toda a extensão de nós mesmos. Mas quando nos dispomos a fazer isso é muito recompensador. Maravilhoso texto!!! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – abr2011

09- Adorei esse trecho: “Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.” Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2011


A profecia

maio 18, 2010

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A PROFECIA
Ricardo Kelmer 1998

A melhor maconha da galáxia, a da Terra, está faltando no mercado. Os culpados são os mulgélicos, fanáticos religiosos que tomaram o poder no planeta. O Conselho Intergalático se reúne para decidir o que fazer

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A Sra. Ziegr, presidenta do Conselho da Confederação Galática, entrou na sala e ocupou sua poltrona à grande mesa. Ela trazia o semblante sério e nas mãos alguns envelopes.

– Conselheiros, bom dia. Convoquei-os a esta reunião extraordinária porque acabo de receber o relatório do Centro de Registros. Como é de conhecimento de todos, fatos preocupantes estão acontecendo no planeta Terra. Por causa deles seremos obrigados a cortar o suprimento da canabis terráquea a todos os planetas confederados por tempo indeterminado.

O rumor na sala foi geral.

– Silêncio, por favor, silêncio!

Mas os rumores cresciam e a presidenta Ziegr teve de bater na mesa. Ela entendia perfeitamente o porquê da indignação. Todos já haviam protestado em reuniões anteriores pela diminuição da cota de canabis terráquea para seus planetas e alertavam para o perigo do corte definitivo.

– Eu sabia que isso ia acontecer! – protestou o conselheiro Baqt. – Todos sabiam. Menos o Centro de Registros.

– Por favor, conselheiros. Deixem-me mostrar o relatório antes de discutir o que faremos.

As vozes se calaram e a presidenta Ziegr passou a ler o relatório. Ele dizia que a canabis já não podia ser encontrada com facilidade no planeta Terra e que já se estudava a possibilidade de pesquisar outros planetas para o plantio.

– Bobagem! – levantou-se Baqt, irritado. – Todo mundo está cansado de saber que, exceto a Terra, nenhum planeta desta zona da galáxia reúne condições perfeitas para o plantio da canabis!

– Isso mesmo! – complementou uma conselheira. – Por que gastar verbas com pesquisas inúteis? Precisamos intervir antes que a canabis terráquea seja totalmente extinta.

– Exatamente! Minha família, por exemplo, não fuma um baseado que preste faz mais de um ano – disse Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros.

Ziegr escutou com paciência mais algumas considerações. Estavam todos revoltados. Então prosseguiu:

– Conselheiros, a canabis terráquea é material estratégico para a galáxia, todos nós sabemos. Foi ela que propiciou o desenvolvimento ecológico dos planetas confederados e lhes permitiu superar a delicada fase do término dos combustíveis fósseis. Para isso, no entanto, durante milênios as naves da Confederação abordaram a Terra e, na calada da noite, de lá retiraram a canabis para abastecer nossos mundos.

– Eram os deuses astronautas? Não. Eram os deuses maconheiros – sussurrou Reuzaramon para o colega ao lado.

– Agimos assim porque precisávamos da canabis, claro, mas também porque os terráqueos não estavam preparados para nos conhecer – continuou Ziegr. – Agora, porém, grandes mudanças operam naquele planeta e exigem que tomemos uma posição.

– São os mulgélicos, aposto!

– Eles mesmos – respondeu Ziegr.

– Calhordas! – gritou Baqt, erguendo-se. – Por causa deles só estou fumando maconha de Fens, aquela porcaria.

– Conselheiros, semana passada a nave da Monitoria 54 resgatou, da órbita da Terra, uma pequena cápsula contendo informações valiosas. São textos e imagens sobre o momento atual da Terra e que confirmam o último relatório do Centro de Registros.

Ziegr entregou a cada um dos conselheiros um óculos projetor, pediu que cada um assistisse com atenção e encerrou a reunião, avisando que prosseguiriam à tarde.

Reuzaramon, o mais velho dos conselheiros, rumou para o jardim dos fundos do prédio, lá era mais agradável. Sentou-se num banco, pôs o óculos projetor e ligou. Enquanto as imagens tridimensionais se formavam à sua frente, ele escutava…

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A ecologia toma impulso no planeta Terra no final do segundo milênio da era cristã com a constatação de que a sociedade industrial e tecnológica produzia riqueza e conforto mas também gerava um enorme perigo ao planeta e a todas as formas de vida. A partir daí uma crescente conscientização ecológica desenvolveu-se e direcionou os rumos de uma nova noção de desenvolvimento para o planeta: o desenvolvimento sustentável, onde a prioridade é manter os avanços tecnológicos sem abrir mão do equilíbrio ambiental.

No primeiro século do terceiro milênio um acontecimento crucial vem somar-se a toda essa revolução: a canabis, até então criminalizada em quase todo o planeta, é reconhecida oficialmente pela maioria dos blocos geopolíticos como matéria-prima estratégica para a sociedade. O baixo custo, a alta performance produtiva, a não-necessidade de agrotóxicos e o seu caráter limpo e renovável a credenciam como a grande alternativa ecológica para a crise dos combustíveis fósseis que se instalara no mundo.

Assim, sob recomendação da ONU, os blocos geopolíticos mudam suas leis e descriminalizam a canabis. Cultivar, comercializar e consumir maconha deixa de ser crime e as leis referentes a ela se inspiram nas leis que regulamentam outras drogas legalmente aceitas como o álcool. Dessa planta altamente estratégica extraem-se milhares de produtos essenciais ao dia a dia da sociedade, permitindo que o mundo respire aliviado após décadas de medo e incertezas quanto à saúde do planeta. A planta mostra-se eclética a ponto de ser utilizada também na medicina terapêutica.

Junto à canabis, outros recursos naturais também passam a ser utilizados dentro dos princípios do desenvolvimento ecológico. A canabis, porém, logo apresenta-se como carro-chefe dessa transformação pois à sua intensa utilização industrial vem juntar-se o tema das liberdades individuais, gerando providenciais discussões sobre a relação do ser humano com as drogas e a questão do tráfico, da violência e dos interesses econômicos, além de questionar a eficácia dos programas de saúde pública e o tratamento policial dispensado ao usuário.

Nem todos, porém, concordam com isso. Ocorrem protestos em vários setores da sociedade e uma nova organização político-religiosa surge para combater o que ela entende por “exageros da democracia”, como o uso livre da maconha. São os autodenominados mulgélicos (multidões angelicais), fanáticos religiosos de caráter ultraconservador que cultuam a tecnologia máxima e defendem o terrorismo como forma de garantir seus valores. A eles se juntam todos aqueles que discordam da legalização da canabis e assim a organização cresce e promove vários atos terroristas por todo o mundo, utilizando tecnologia química e biológica contra a população. Através de sua política ultrarradical tomam o poder em alguns blocos e aos poucos conseguem exterminar os principais líderes democráticos.

Estamos sob domínio dos mulgélicos há uma década. Eles governam o mundo globalizado, convocando todos a se entregar aos braços de seu deus que em breve, creem eles, voltará para carregar os abençoados consigo rumo ao Paraíso, abandonando na Terra os seguidores de Satanás. Os mulgélicos perseguem aqueles que não comungam da crença de seu deus e castram as liberdades individuais conquistadas. Para eles a canabis é a personificação do Mal e precisa ser combatida com toda a força e métodos possíveis. De nada adiantam os argumentos médicos e sociológicos, de nada valem os direitos humanos: os usuários passam a ser perseguidos pelo mundo inteiro e mortos com crueldade. E o cultivo da canabis, novamente proibido, abre caminho para o retorno de antigas, caras e poluentes formas de produção industrial, intoxicando novamente o planeta e pondo em risco o equilíbrio ambiental.

O culto exacerbado da tecnologia torna cegos os mulgélicos e eles não percebem que estão conduzindo a espécie humana ao seu extermínio. Contra esses argumentos, e até mesmo contra todos os fatos, eles respondem que seu deus está chegando para resgatá-los e assim ficará provado quem está certo.

Hoje vivemos num planeta praticamente esgotado de recursos naturais e a grande alternativa foi bloqueada pela política repressora dos mulgélicos. O ar, os rios e os oceanos estão sujos. A preservação da fauna e da flora não é mais importante – importante é tentar converter os infiéis. Catástrofes naturais acontecem todos os dias mas os mulgélicos veem nisso o legítimo cumprimento de suas profecias, o sinal dos últimos dias que antecedem a tão esperada chegada de seu deus.

A única possibilidade que nós, os resistentes dessa ditadura teocrática, vislumbramos foi pedir ajuda a outros planetas. Certamente há vida em outros mundos e talvez eles tenham passado por problemas semelhantes aos nossos. Talvez seus habitantes possam ajudar a Terra a reencontrar o caminho das liberdades individuais e do desenvolvimento autossustentável.

Isso é um pedido de socorro interplanetário. Talvez ainda haja tempo de salvar este planeta que já foi tão belo. Ainda podemos reaprender a respeitar as liberdades que pertencem ao ser humano. Clandestinamente ainda cultivamos os últimos exemplares da canabis em plantações disfarçadas, o que nos proporciona raros momentos de prazer e a esperança de que ainda podemos retomar o crescimento interrompido. Mas tudo está por um fio pois não sabemos até quando o planeta suportará.

Nosso plano é soltar esta mensagem no espaço, feito uma mensagem de náufrago. Talvez consigamos. É uma operação arriscada e com poucas chances de sucesso. Mas talvez alguma nave a recolha e esta mensagem alcance boas mãos.

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Reuzaramon retirou o óculos projetor e olhou para o céu. Terra…, sussurrou ele. Era realmente um belo planeta. Lembrou então que seu planeta natal vivera coisas semelhantes às que os terráqueos agora viviam e que a história da evolução das espécies era sempre marcada por momentos cruciais onde velhos e novos valores protagonizavam o dramático teatro do mito do Juízo Final. Antes da criação da Confederação Galática muitos planetas morreram e com eles o seu povo, por não saber encontrar seu caminho de democracia e desenvolvimento sustentável. Hoje a Confederação, ciente de que a morte de um planeta empobrece o Universo, estava sempre atenta para tentar ajudar – mas somente quando isso representava a última chance pois o sagrado princípio da soberania dos mundos regia a Constituição Galática.

Reuzaramon levantou-se do banco, guardando o óculos no bolso. Olhou mais uma vez para o céu e depois seguiu para a sala. Talvez fosse mesmo o momento da Confederação intervir.

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baseadonissocapaa6a– Muito bem, Conselheiros – falou a presidenta Ziegr, contando os votos. – A maioria considerou que o Conselho deve intervir no planeta Terra. E que não podemos mais continuar roubando maconha de lá.

– Exatamente. O que está em jogo são os interesses da Galáxia.

– Isso mesmo! Os desvarios de um grupo de fanáticos religiosos não podem interromper a evolução do Universo.

– Mas como interviremos no planeta sem desrespeitar sua soberania? – insistiam os que não concordavam com a intervenção.

Reuzaramon pediu a palavra.

– Conselheiros, nenhum planeta é autônomo no último sentido do termo. Sabemos que todos os mundos estão ligados numa interdependência sutil mas vital e o que é feito a um repercute em todos. A Terra é apenas um dos elos dessa imensa corrente que se chama galáxia, que por sua vez é apenas um dos elos do Universo, que por sua vez é apenas um dos muitos universos possíveis. Quanto mais abrangemos nossa compreensão da realidade, mais percebemos o quanto tudo está ligado. O que acontece na Terra está influenciando o destino de outros mundos e por isso a Confederação deve intervir.

– Você fala assim porque não é o seu mundo que será invadido!

– Conselheiros, por favor, deixem-me terminar. A espécie humana já está madura o suficiente para compreender que não está sozinha no Universo. Além disso, a canabis da Terra é a melhor de todas e ela é indispensável à evolução do planeta. Sem ela não haverá desenvolvimento autossustentável. Sem ela, a Terra corre o risco de se destruir. E sem a Terra, senhoras e senhores deste Conselho, a Via Lactea enfrentará um grave desequilíbrio.

Reuzaramon foi aplaudido.

– A intervenção já foi decidida – falou Ziegr. – Mesmo assim resta uma dúvida. Como faremos? Não podemos atacar os mulgélicos nem podemos plantar canabis no planeta às escondidas.

– Que tal envolver o planeta numa grande baforada de maconha? – brincou alguém. – Assim todos finalmente experimentarão e tirarão suas próprias conclusões…

– O verdadeiro efeito estufa!

– Ou podemos fornecer armas com balas de canabis para os resistentes atirarem nos mulgélicos…

– Conselheiros, por favor. Precisamos de um plano de intervenção pacífica, sem comprometermos nossa carta de princípios. E não dispomos de muito tempo.

– Talvez possamos convencer os mulgélicos a retomar o crescimento ecológico – propôs uma conselheira. – Eles têm de entender que não há outra saída para o planeta deles.

– É inútil, minha senhora – falou Reuzaramon. – Para um fanático religioso, quem não está com ele, está de mãos dadas com o Mal.

Chegaram ao incômodo impasse. A intervenção se fazia necessária mas parecia não haver maneira de realizá-la sem ferir os princípios éticos da Confederação. Até que Reuzaramon ergueu o braço.

– Eu sei a saída do labirinto.

Todos olharam curiosos para ele.

– Nós sabemos o que pensam os terráqueos, sabemos sobre suas crenças e suas profecias. Isso é tudo que precisamos.

– Explique melhor, Reuzaramon – pediu Ziegr.

– As profecias falam do Juízo Final, que é o que está ocorrendo lá agora. Parte dos terráqueos já entendeu que a linguagem da profecia é simbólica, que “fim do mundo” é só o fim de uma fase. Mas outros entendem ao pé da letra, acham que a salvação virá de fora. Estes se acham os eleitos e creem que seu deus, de fato, irá resgatá-los. Ora, ora… As profecias se realizam porque no fundo as pessoas creem nelas. Se existe a profecia, então ela deve ser realizada.

– Está bem, Reuzaramon. Mas quem vai realizá-la? E de que modo?

– Conselheiros… Esqueceram que quem acredita em deuses, precisa de deuses para viver? Que sem eles nada faz sentido?

Reuzaramon sorriu ao perceber que finalmente começava a ser compreendido.

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baseadonissocapaa6aNaquela manhã as nuvens do planeta Terra se abriram e dos céus desceram naves gigantescas. As trombetas soaram ensurdecedoras, para todos ouvirem, em todos os cantos do mundo, em todos os lares e escritórios. De todos os lados surgiram as naves e de cada uma delas saiu um anjo com roupa prateada e grandes asas reluzentes para avisar que o grande dia chegara e que os eleitos seriam levados.

– Aí está! – berravam os líderes mulgélicos com lágrimas nos olhos. – Aí está o Deus Todo Abençoado que veio resgatar seu rebanho querido!

A imprensa do mundo inteiro transmitia o fim do mundo. Nas residências, nas repartições, nas academias, todos se mantinham em frente à TV. Audiência total. Até os botequins estavam lotados.

– Ô, seo Manel! Dá tempo tomar a saideira?

Os mulgélicos atenderam ao chamado e ocuparam os assentos das naves, emocionados, gratificados por sua fé finalmente recompensada. Muitos tentaram se converter de última hora mas não havia mais lugar nas naves.

– Eu até que queria ir mas os cambistas estão explorando!

– Que dia pro fim do mundo! Deus podia esperar passar o réveillon.

Ao final da manhã as naves partiram, levando todos os mulgélicos ao paraíso prometido. Uma nave, porém, a maior de todas, permaneceu no pátio da sede da ONU. Suspense. Bilhões de pessoas acompanhando pela TV. Uma voz ecoou, vinda da nave:

– Amigos terráqueos. Ouviremos agora o pronunciamento da excelentíssima Presidenta do Conselho da Confederação Galática, sra. Ziegr.

A presidenta surgiu à porta da nave, de microfone à mão. Pigarreou discretamente e começou a falar:

– Serei breve, amigos terráqueos.

Ela fez uma pausa, juntou as mãos como quem implora, e falou:

– Alguém tem um?

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este conto integra o o livro
Baseado Nisso
– Liberando o bom humor da maconha

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O armário dos ateus

fevereiro 10, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral

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A ONU, através de seu Relatório do Desenvolvimento Humano de 2005, apontou os países cujas sociedades são as mais saudáveis do mundo, segundo os indicadores de expectativa de vida, alfabetização, renda per capta, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídio e mortalidade infantil. São eles: Suécia, Dinamarca, Noruega, Islândia, Canadá, Suíça, Bélgica, Japão e Holanda. Mas esses países têm mais um ponto em comum: eles estão entre os menos religiosos do planeta.

Em 2005 e 2006, o sociólogo estadunidense Phil Zuckerman morou durante 14 meses na Escandinávia e entrevistou, em profundidade, 149 dinamarqueses e suecos de todas as classes sociais. Ele escolheu Suécia e Dinamarca porque queria descobrir como os dois países menos religiosos do mundo podiam ser os que possuíam os mais altos índices de qualidade de vida, com economias fortes, baixas taxas de criminalidade, alto padrão de vida e igualdade social. Sua pesquisa está em seu livro Society without GodWhat the Least Religious Nations can tell us about Contentment (Sociedades sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação). “Eu quis mostrar aos meus conterrâneos norte-americanos que é possível que uma sociedade seja relativamente irreligiosa e, ainda assim, forte, saudável, moral e próspera”, explicou Zuckerman numa entrevista.

Os dados da ONU e a pesquisa de Phil Zuckerman desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral. Os defensores desse tipo de argumento creem que somente a religião pode dotar o indivíduo de valores morais sólidos. A realidade, porém, não sustenta essa tese, e nem é preciso recorrer a pesquisas: dê uma olhada nas notícias ou lembre das pessoas que você conhece e encontrará tanto ateus e religiosos honestos quanto ateus e religiosos trambiqueiros. Toc.

Caso o Brasil mantenha sua curva ascendente de desenvolvimento, continuará aumentando em sua população o percentual de ateus e não-religiosos, que era menos de 1% em 1970 e hoje é aproximadamente 7,5% (censo IBGE 2000). Com isso ateus e não-religiosos terão mais visibilidade na sociedade, ganharão maior representatividade, inclusive política, e sofrerão menos preconceito. Toc, toc.

Muita gente que se diz religiosa está apenas repetindo o que aprendeu na infância, sem se dar conta de que poderia ter outra religião caso houvesse nascido em outro país ou crescido com outra família. Muita gente adoraria largar sua religião ou assumir-se ateu mas tem medo da desaprovação e do preconceito que pode sofrer. De fato, não é fácil ser minoria. Porém, assim como os homossexuais e os negros conquistaram seus direitos, os ateus e não-religiosos precisam se assumir pra que possam também ser vistos, respeitados e votados. Como nos mostram os suecos e dinamarqueses, não é a crença em deuses mas sim o respeito à dignidade humana o valor imprescindível à saúde e prosperidade de uma sociedade.

Toc, toc, toc. É hora de sair do armário.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA TAMBÉM NESTE BLOG

> Memórias de um excomungado – Eu jamais havia cogitado a ideia de que era possível não ter religião ou não acreditar em Deus

> Quem tem medo do desejo feminino? – Você consegue imaginar Nossa Senhora tendo desejos sexuais? Alguma vez na vida você a imaginou fodendo?

> A água milagrosa do pastor pilantrão – Putz, a que nível chegou a picaretagem religiosa. Esses pastores fazem mais milagres que o próprio Jesus!

> O armário dos ateus Os dados da ONU desmentem uma velha crença dos religiosos e teístas, a de que uma sociedade sem Deus fatalmente descambará pra criminalidade e infelicidade geral

> Nem tudo evolui, Darwin – Pros religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair

> Entrevista com o ateu – Um pregador evangélico entrevista um escritor ateu. O que pode sair desse mato?

> Textos sobre religião e ateísmo neste blog
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LEITURAS AFINS

> Ateísmo na Wikipedia
> Como a fé influencia sua vida
(Revista Galileu, abr2009)

> Entrevista com Phil Zuckerman (para o site do Instituto Humanitas Unisinos, ligado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo-RS)
> ATEA – Assoc. Bras. de Ateus e Agnósticos – Vale a pena conhecer. Ou você tem medo de mudar de ideia?

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