Ricardo Kelmer 2007
Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo
Você aí, sentadinha em sua mesa no trabalho, lendo escondida meu blog. Sim, você mesmo. Aposto como você já se perguntou várias vezes por que diabo homem gosta tanto de sexo anal. Deve ser uma das dúvidas femininas mais recorrentes a respeito do universo masculino. Pois vou tentar te ajudar? Sem segundos interesses, viu, pode ficar tranquila.
Primeiro tem a pressão que o esfíncter, o músculo do cu, exerce em torno do pau. É uma pressão muuuito prazerosa, você precisaria ter um pau pra saber como ela é gostosa. A pressão da buceta também é gostosa, claro, mas a do cu é inigualável. Ah, se você é nova aqui, saiba logo que uso os termos cu, buceta e pau, viu? Ânus, vagina e pênis é coisa de ginecologista.
Poisbem. Depois tem a sensação de contato com as nádegas, muito, muito excitante. As nádegas funcionam como amortecedores macios. Os pentelhos também têm essa função natural de proteger e amortecer, sim, mas uma bundinha carnuda não tem comparação.
O tabu. Tem também isso, todo o tabu envolvido na prática, responsável por aquele tempero gostoso de proibido, o gosto indizível de sentir-se transgressor.
Fantasias. Tem muita fantasia envolvida em sexo anal. Safadice, luxúria, pornografia, sexo animal, fetiches, perversões, dominação masculina, submissão feminina…
Ausência de risco de gravidez indesejada. Sim, não podemos esquecer desse fator. Muitos homens preferem gozar no cu de suas parceiras pra não correr o risco de aumentar a prole. E muitas mulheres assinam atrás.
cruzando o portal
Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo. Não é pra todos. Porque requer preparo e paciência, muito mais que o sexo convencional. A maioria das mulheres desiste após as primeiras e dolorosas tentativas, geralmente com homens inexperientes ou inábeis.
Algumas, porém, têm paciência suficiente ou a sorte de encontrar um homem experiente e cuidadoso, e aí elas são devidamente iniciadas num caminho que a maioria das amigas diz não valer a pena. Coitadas das amigas. São como aquelas pessoas que, por causa da ressaca do primeiro porre, tornaram-se abstêmias, fechando-se assim a qualquer possibilidade de uma relação saudável com o álcool.
O sexo anal possui dificuldades naturais, tanto biológicas como culturais: dor, nojo, medo e culpa, que atuam como barreiras a selecionar os realmente aptos a usufruí-lo. A dor pode ser minimizada ou pode até mesmo não acontecer, mas de qualquer forma a dor inicial do sexo anal é como a a primeira vez na frente: é a dor ritualística das grandes iniciações. Do outro lado da dor sempre há conhecimento, aprendizado e libertação. No sexo anal há tudo isso e há também um tal prazer que soa inconcebível aos que não cruzaram o portal da iniciação.
Um homem louvando o sexo anal soa suspeito? Talvez. Certamente uma mulher teria mais crédito, né? Poisbem, assim sendo convido você a ler A entrega – memórias eróticas, da bailarina americana Toni Bentley. Erotismo subversivo de primeira qualidade.
Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres. Ser preenchida dessa forma as leva a transcender a condição humana simultaneamente em direções opostas: ao mesmo tempo em que uivam e se contorcem feito cadelas enlouquecidas, resplandece em sua expressão toda a formosura da mais doce e generosa das deusas. Como é possível?
Eu, particularmente, gosto demais. Gosto de ver a mulher amada inteiramente possuída pelo prazer do sexo anal, seu corpo todo uma contorção de prazer alucinado. Acho bonito. É um momento mágico esse, quando o êxtase do sexo esotérico lhe transforma totalmente a expressão e de repente, pufff, não é mais ela quem tá ali comigo. Eu olho e não a vejo. Eu insisto mas não mais a reconheço. É esse o sinal: a Deusa está presente, veio abençoar seus iniciados. É um mistério que a razão jamais alcançará: agora aquela mulher é a própria Deusa, materializada no corpo de minha amada, a Deusa a quem sirvo ao amar, respeitar e honrar a Mulher e a Terra. Então, reverente feito um cavaleiro consagrado em passados rituais, nesse instante sei que não passo de instrumento pra que o Mistério se manifeste em toda sua beleza e plenitude no corpo e no espírito da Mulher. A mim me cabe apenas fazer silêncio, pra que o grito primal, finalmente liberto, anuncie ao mundo o gozo sagrado de minha amada.
não morra, Jamile
Jamile era maravilhosa mas nunca quis sexo anal. Tudo bem, tem mulher que não gosta, não vamos nos atirar da ponte por isso. Mas sua relutância era muito exagerada, beirava a neurose. Ela tinha uma frase bem típica, que repetia sem qualquer pudor nas mesas dos bares: Pau no meu cu, nem a pau! Essa negação enfática, pública e insistente me fazia desconfiar que Jamile, na verdade, fugia do que ela de algum modo sabia lhe aguardar. Por isso tentei algumas vezes mas, putz, bastava eu chegar perto pra ela dar um escândalo absolutamente desproporcional. Eu ria mas ela ficava realmente nervosa, e durante um tempo achei que ela fazia tipo.
Mas não era tipo não. Uma vez a peguei desprevenida e, schlurp!, tasquei-lhe uma lambida daquelas no cu. Putz, você não acredita, eu quase fui linchado, pense numa mulher enraivecida me batendo com a garrafa de smirnoff ice!!! Jamile era assim, toda intensa. No sexo ela gemia e uivava feito uma loba, isso eu achava tão bonito…, e quando ela enlouquecia, pedia que eu lhe batesse e aí é que uivava e gritava e berrava feito uma condenada na masmorra. Mas o que eu achava mais lindo era que, ao final, ela gozava chorando… Sim, chorando mesmo, de verdade, o corpo todo se sacudindo, as lágrimas descendo sem parar, o travesseiro ficava ensopado. Ela se desmanchava em lágrimas e eu me desmanchava em ternura…
Um dia, enquanto ela gozava e soluçava, e chorava e ria e chorava, eu a abracei como se fosse seu pai, querendo cuidar dela pra sempre, e lambi suas lágrimas comovido, e nesse instante, tchum!, intuí o motivo de sua relutância ao sexo anal: exagerada e intensa como era, essa mulher provavelmente morreria de tanto prazer. Putz, nessa hora me bateu um medo… Foi tão grande que desse dia em diante nunca mais lhe pedi que me desse o cu. Sei lá, melhor não abusar.
(continua: Por trás do sexo anal 2)
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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com
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> Por trás do sexo anal 1 – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo
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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA
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> Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher
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DICA DE LIVROS E SITES
A entrega – memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre amor e sexo anal enquanto narra sua intensa experiência com a prática-tabu.
Sexo anal sem dor – Site com dicas, relatos, contos, acessórios etc.
A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbett, Editora Paulus, 1990) – Este livro mostra como nossa vitalidade e alegria de viver dependem de restaurarmos a alma da prostituta sagrada, a fim de nos proporcionar uma nova compreensão da vida.
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– Acesso aos Arquivos Secretos
– Promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer(arroba)gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer. (saiba mais)
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RK- A cantora Sandy é realmente um fenômeno cultural. Foi só ela falar em sexo anal numa entrevista pra revista Playboy que o assunto disparou entre os mais comentados nas redes sociais.








Ricardo Kelmer:
Por conta de um e-mail de uma amiga sobre as calças US Top da nossa juventude, acessei o seu blog.
Antes de comentar sobre os seus conceitos sobre sexo anal, cumprimento-o pela crônica sobre jeans e liberdade. Gostei muito.
Mas, agora, vamos ao sexo-anal.Não concordo com sua opinião em gênero, número e grau. Não o imagino um machista, objetivando a subserviência da mulher na cama. Imagino-o apenas um dos milhares e milhares de homens que preferem esse tipo de sexo, ou que sempre
tentam “converter ou politizar” mulheres para realização do seu prazer. via ânus.
Sabe por que os homens gostam tando de sexo anal? É simples. Resumindo, Fiz uma pesquisa com vários deles e cheguei a este resultado ( ou “a teoria do homossexual implícito” ): é que a iniciação sexual de todo homem se dá com outro,mais velho ou mais novo,na passividade ou atividade ou ainda utilizando o ânus das fêmeas de várias espécies de animais. Isto gera a fixação pelo sexo anal, cheio de proibições, escondido, impróprio, pecaminoso e por tudo isto e o resto, sempre desejado.
Nunca ouvi uma mulher dizer que gosta. Tolera, para satisfazer ou não perder seu parceiro. Sente-se diminuída como mulher, podendo muito bem ser trocada por um homem. O que ela tem, que a diferencia e mata de inveja aqueles que a imitam ( ou caricaturizam seus jeitos e trejeitos), a vagina, não interessa àquele homem do momento, tentando sexo anal. Talvez até imaginando outro, as fêmeas animais do despertar do seu sexo ou ainda tentando subjugar uma mulher poderosa, atrevida demais para o seu machismo.
Apologia à parte, sexo anal é nojento, doloroso e para a mulher não causa prazer algum, pois
ânus não tem terminação nervosa, mas serve muito bem à estimulação do pênis e do seu dono. Mesmo estimuladas, mulheres disseram-me que sentiram dor. Incomparável àquela do desvirginamento. Mas, Fizeram o sacrifício pelo parceiro, como fizeram tantos outros fora da cama, devido ao condicionamento cutural. Algumas se tornaram vítimas de hemorróidas. Outras das DST. Da baixa-estima.
Mas, nada tenho contra quem é masoquista e muito menos contra homossexuais implícitos, para não dizer “veados” que permanecem no armário ou vítimas da fixação anal.
Pela sua crônica, sobre as calças USTOP, parece-me que somos da mesma geração. Aquela que confundiu Liberdade por aí nas mais estranhas esquinas dos anos 60,70,80 – da liberdade política à sexual; a dos palavrões, do escatológico, da falta de ética-estética à Libertinagem geral que grassa por aí. Tanta Libertinagem, tanta aceitação social para o sexo explícito fizeram o erotismo e o amor cairem da moda, assim como as nossas velhas calças azuis e desbotadas. E sabemos que é o erotism o sexo com amor que realiza as pessoas. O resto é masturbação a dois. Infelicidade, pois os orgasmos que usufruem “liberados & liberadas” são simles, banal alívio para um comichão ou aquela súbita química de pele. Para mim, é muita produção para pouca edição. Daí tantos brinquedinhos sexuais, drogas, alcool para incrementar o clima, “ficações”…
O saldo é infelicidade, solidão, carência, consumismo à falta de amor, do respeito ( do latim respicere = olhar para) a si mesmo e ao outro. Isto sem falar que tanta liberalização nos costumes fizeram as barrigas de adolescentes incharem ainda mais as periferias, onerando o bolso dos cidadãos – do pré-natal até a entrada daquele filho(a) do acaso entrar no mercado de trabalho.
Tenho constatado que os jovens se lixam pela “liberdade” que seus pais conquistaram e que tantos sofrimentos lhes causaram no ir e vir do casa-separa ou simples troca de “namorados (as)” na família. Os jovens estão tendendo mais para a castidade daquele vampiro charmoso de “Crepúsculo” ou do Kaká. É a dialética do sexo.
Se nossa geração viveu a orgia do proibido pela tradição judáico-cristã, essa novíssima que aí está não necessita lutar contra o proibido. Enquanto viverem os últimos moralistas, reprimidos, adeptos da sacanagem, o sexo ginecológico ( das peladonas), a pornografia e o viagra “Para todos os idosos”, porque é bom para a hipertensão, sobreviverão.
Só quando sexo for apenas um instinto visceral integrado à emoção, à responsabilidade, desaparecerão os males destas sociedade do TER, da predação, do consumismo, dos pedófilos, estupradores e corruptos políticos ( o Poder pelo poder é o maior dos orgasmos ).
Todo este discurso para dizer que há uma distância da Terra ao Sol entre o homem que escreveu sobre a Liberdade das calças desbotadas e o que fez apologia do sexo anal, num artigo que desvaloriza este blog e deixa uma pessoa tão culta no estágio de low profile ou escritor de revista de sacanagem.
Se o prezado blogueiro não sabia, palavrões sairam da moda! Não causam mais frisson, desconforto. Apenas inadequação. Foram banidos da prosa e da poesia escatológicas. Até da tal Práxis marxista. Palavrão não é apenas uma palavra comprida : ela suja bocas e ouvidos, independente ou não da sua aceitação. Assim como falar, sem o menor senso do privacy, sobre intimidades entre quatro paredes e duas pessoas desqualifica qualquer entrevistado(a) nas revistinhas de salão de beleza ou femininas.
Chegou há muito aquela Liberdade, independente da mídia, para homens e mulheres evoluídos, dignos das famosas calças jeans desbotadas, interagindo em seu meio por um mundo melhor e se lixando pelo legado trash das outras gerações oprimidas ou opressoras.
> Você foi muito atenciosa, Gloria, em dedicar seu tempo a comentar meu trabalho. Fico muito honrado por isso, obrigado. Sobre o que você escreveu sobre sexo anal, é natural que um assunto tabu suscite reações extremadas como a sua. O que tenho a dizer é:
1- Contrariando sua tese do homossexualismo implícito, minha iniciação sexual deu-se não com outro homem ou com um animal mas com uma mulher e sem sexo anal.
2- Ao contrário do que você disse, o ânus é muito rico de terminações nervosas.
3- O sexo anal pode ser prazeroso, sim, desde que feito com os cuidados que a prática exige.
4- Sexo anal não diminui necessariamente a ninguém. O que nos diminui é não nos darmos a vida e o prazer que merecemos.
5- Caso deseje se certificar do que afirmo sobre sexo anal, sugiro a leitura do que dizem as próprias mulheres:
> MARIANA MALDONADO, ginecologista e sexóloga (mdemulher.abril.com.br/amor-sexo/reportagem/sexo-saude/11-respostas-sexo-anal-430928.shtml)
> SITE M DE MULHER, editora Abril (mdemulher.abril.com.br/amor-sexo/reportagem/sexo-saude/11-respostas-sexo-anal-430928.shtml)
> LAURA MULLER, educadora e autora do livro “500 perguntas sobre sexo”, Editora Objetiva (terra.com.br/mulher/sexo/laura/2002/03/27/000.htm)
6- Palavrão saiu de moda? Ótimo! Eu não sigo a moda, beibe.
7- Sim, o autor do texto sobre liberdade e o do texto sobre sexo anal são um só, eu, um homem que ama a mulher, que não vê sujeira no sexo e crê que devemos ser livres pra sermos o que somos.
Discordo de muitas coisas que vc falou, uma delas é quando vc diz que nenhuma mulher gosta de sexo anal. A minha mulher gosta tanto de sexo anal que quando eu a fodo, se eu nao comer seu cú ela fica enjuriada, para ela o sexo só é completo quando eu a faço gozar com minha caceta todinha no seu cuzinho e eu a amo porisso e outras coisas mais. A outra coisa que eu nao concordo é quando vc diz que o hemem que gosta de comer cú é viado. Eu nunca tive desejo pelo sexo oposto, pelo contrario sou louco por uma femea.
> Parabéns pra vocês, Marcos. Mas eu não falei nada disso, camarada. Acho que você entendeu errado ou então se refere a algum dos comentários dos leitores.
Acho que existem mulheres e mulheres. Não podemos generalizar a coisa e dizer que nenhuma mulher gosta de sexo anal (como assim?),também não podemos saber o que se passa na cabecinha (a de cima) do homem que está praticando o ato.Supor que ele possa ter tendência homossexual ou foi iniciado lá com a cabritinha do sítio é no mínimo broxante. Sexo é descoberta e não estamos mais na época de “tolerar” as taradices dos machos. Na condição de mulher, creio que temos liberdade em dizer “não” se a prática anal for algo sofrível pra nós, se temos receio daquilo ou se somos preconceituosas mesmo. Caso contrário, Glória, a gente relaxa e aproveita pra largar de ser boba. O X da questão está em encontrar a pessoa que saiba fazer o serviço de forma correta, tanto um homem carinhoso como uma mulher aberta a outras possibilidades de prazer. Transar, praticar sexo, fazer amor, tudo isso é cumplicidade, não é teoria, muito menos se resume a um bando de terminações nervosas e preocupadas com dor. Mas gosto é igual a c.: cada um tem o seu,não é mesmo? E a opinião da leitora aí é digna de respeito. E Kelmer, seus palavrões são super tendência aqui em casa, viu? =)
> Essa leitorinha não é boba.
Boa tarde, Ricardo
Meu nome é Iolanda. Nós já nos encontramos uma vez, aqui em Fortaleza para falarmos sobre o filme Matrix. Não sei se vc lembra. Passo sempre por aqui e gosto muito dos seus textos, embora nunca tenha comentado.
Isso até ler o comentário da Glória e não resistir.
Devo dizer, antes de tudo, Glória, que respeito plenamente a sua opinião.
Para comentar o seu comentário vou precisar começar pelo final, os palavrões, já que possivelmente vou usar vários deles durante o que vou escrever. Não acredito que eles saiam de moda, porque são apenas palavras, que usamos conforme nossa necessidade. Em nenhum momento eu planejo usar um palavrão. Quando uso é porque foram exatamente o que eu precisava pra me expressar. Veja só: eu sou atéia e vez por outra digo “Meu Deus…”. Poderia ficar me policiando para não dizer isso, mas não fico, porque quando digo “Meu Deus” é porque essa expressão serve para me comunicar com as pessoas e para que elas compreendam o que eu estou sentindo. Em nenhum momento abala minha descrença. Quando eu dou uma topada e digo Caralho, não estou pensando num caralho (quer dizer… deixa pra lá rsrsrs), estou apenas expressando a minha dor. Outro exemplo: gosto de chamar meus amigos de Bicho. Muita gente acha uma gíria antiga, ultrapassada. Eu adoro animais, acho que somos bichos mesmo. Então chamo meus amigos assim. Como isso pode sair de moda? Isso não é moda. Isso é expressão humana, cada um se expressa de um jeito, com o vocabulário que tem. O que importa é a comunicação. Eu trabalho com teatro e sempre rola essa história com relação ao nu. Dizem que o nu no teatro está ultrapassado. Ora, pra mim essa generalização não existe. Existem peças em que o nu é bem-vindo, às vezes até indispensável, e outras, não. Isso hoje, na Grécia antiga, hoje ou em Marte, nós próximos séculos. Agora você imagina uma literatura leve como a do Ricardo permeada de termos como vagina, pênis, ânus… Não acredito que ele use os palavrões para chocar, mas para se comunicar e para dar coerência ao seu (dele) próprio estilo. Assim como muitos diretores de teatro usam o nu com esse mesmo objetivo. Você cita o Kaká. Ele mesmo, o bom moço dos bons moços, disse um palavrão no último jogo da seleção (Aleluia! Rsrs). Isso pra mim significa uma coisa muita simples: Ele se expressou e todos que estavam assistindo o jogo entenderam o que ele quis dizer.
Bem, segunda parte: sexo anal.
1. Ser homossexual não se resume a dar o cu. Existem muitas outras coisas envolvidas. Inclusive muita afetividade e amor. Seria a mesma coisa que dizer que a mulher só goza com a penetração (quer mito mais machista que esse?) A maioria das pessoas se inicia sexualmente com coleguinhas do mesmo sexo e nem por isso se tornam homossexuais.
2. Existem (muitas) mulheres que gostam de sexo anal e sentem prazer com ele. Não podemos transferir para as relações sexuais os condicionamentos da nossa vida social. Se uma mulher se sente diminuída porque faz sexo anal, há algo não resolvido aí, mas em outra parte, na cabeça dela. Seria o mesmo que dizer que, quando fico sobre os meus parceiros, eles estão se submetendo a mim.
3. Você diz que quando o homem tenta o sexo anal está desvalorizando o maior trunfo da mulher: a vagina. Poderíamos dizer o mesmo do sexo oral, então. Que o meu parceiro está trocando a minha buceta pela minha boca.
4. O cu é uma mucosa e como tal, sensível ao prazer. Falando de uma forma mais shakesperiana, ele é feito da mesma matéria que é feita nossa buceta, nossa boca. Mas, quando a gente se liberta todo o corpo se transforma numa fonte de prazer. Quando não há tabus, um carinho no cabelo, ou pés se encontrando debaixo da mesa podem causar uma descarga elétrica e alta voltagem.
5. Fazer um sacrifício, algo que detestam, só pra agradar o parceiro, mesmo que seja passar uma camisa ou cozinhar o feijão. Isso sim é submissão. Dar o cu porque quer, não.
6. Mulheres que vivem sua sexualidade plenamente dificilmente têm baixa auto-estima. E as adeptas do papai/mamãe também pegam DST. Prevenção é o que importa, em qualquer forma de relacionamento sexual.
7. Também sou contra o sexo pelo sexo. Sexo pra mim só com tesão. Lembrei de uma frase que vi numa agenda e nunca esqueci: “Deixe de lero-lero / não há sexo sem amor / quando o tesão é sincero.”
8. O sexo não é responsável pelas mazelas sociais do nosso tempo. O tesão é uma energia positiva criativa, poderosa. Pulsão de vida da melhor qualidade. Mas há pessoas que transformam isso em pulsão de morte. É igual telefone: tem gente que usa pra pedir socorro e salvar alguém e tem gente que usa pra passar trote e causar transtorno. Precisamos é de educação, informação e liberdade. Usando Chanel, Calças US TOP ou nus. O que importa é sermos quem somos.
Grande abraço pra vc, Glória. E outro pra vc, Ricardo.
> Pelo nome apenas, eu não lembro de você, Iolanda. Mas seria um prazer continuar o papo. Muito sábio e equilibrado tudo que você escreveu, parabéns.
O prazer será meu, Ricardo. Sinta-se a vontade para entrar em contato por e-mail. Obrigada. Abraço.
Muito boa a materia sensacional
Não respeito a opinião da Glória. Isso porque respeito é uma via de mão dupla. E as palavras dela foram extremamente desrespeitosas, quando não preconceituosas. Sexo é muito pessoal, cada um tem prazer da forma que quer, desde que com respeito ao parceiro. Sempre desconfiei dos radicais e donos da verdade. Não é porque ela não gosta que todas as mulheres do mundo não gostam. Uma reação tão exagerada diante de um post sob sexo denota, no mínimo, alguma experiência traumática de nossa colega. Pronto, falei.
> Pronto, gostei, Natália. E gostei também do “via de mão dupla”, combinou bem com o assunto.
Concordo com a Natália, “sexo é muito pessoal, cada um tem prazer da forma que quer, desde que com respeito ao parceiro”. Eu, particularmente, adoro sexo anal, e adorei o texto…porém nunca fiquei teorizando sobre o assunto…prefiro praticar…rs…
É isso aí, mizifia. Vamos guardar a saliva pro que importa, né?