Liberdade é não estar na moda

junho 26, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos

Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada… Começava assim a musiquinha. Uma turma de jovens cabeludos e felizes esperando o trem na plataforma. Jeans desbotados, mochilas e o frescor da liberdade em seus semblantes. Era um filminho comercial do jeans US Top, de 1975, que fez muito sucesso, tanto o filme como o jeans. Fez tanto sucesso que a frase virou bordão e até hoje a geração daquela época se emociona quando canta a musiquinha.

Era o governo do general Geisel. As correntes da repressão da ditadura militar já se afrouxavam e o Brasil, ufa, começava a respirar ares mais democráticos. A palavra liberdade tava na moda. Liberdade de pensar e de falar. Liberdade de votar. E, é claro, de vestir. O comercial foi uma grande sacação, o jingle ganhou prêmio e muita gente vestia jeans US Top porque isso era um símbolo de liberdade.

Eu? Putz, eu era mais um menino louco pra ter um US Top. E assistia ao comercial sonhando em embarcar no trem com aquela patota divertida. Mas não era um jeans dos mais baratos e só pude ter o meu anos depois, quando até o termo liberdade já havia desbotado. Com o andamento da abertura política, a liberdade perdera o apelo publicitário que antes possuía e os comerciais passaram a seduzir o público com outra ideia: a de que ser feliz é ter muito, cada vez mais. E assim estamos até hoje, que beleza, tendo tudo que não precisamos pra ser feliz.

E a liberdade, que foi feito dela? Minha velha US Top da minha adolescência que me perdoe mas liberdade não é e nunca foi uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser, não usa quem não quer. Pra começo de história, eu não usava não porque não quisesse mas porque simplesmente não podia. Então, pela lógica da publicidade, eu não poderia ser livre pois não tinha grana pra pagar por um jeans. Se alguém precisa estar na moda pra ser livre, que liberdade é essa?

Infinitas noções de liberdade existem, eu sei. Pra um adolescente, é voltar da balada à hora que quiser. Pra outra pessoa, é ganhar seu próprio dinheiro. Pra um presidiário, ser livre é tão-somente não estar numa cela. Tudo isso é liberdade, sim, mas depois de muitas calças aprendi que a maior das liberdades é esta, é sermos quem verdadeiramente somos – e não quem a sociedade ou a moda quer que sejamos. E que a pior prisão que existe é justamente a ignorância de si próprio, que nos faz escravos dos quereres alheios.

Somente a essência do que somos pode nos libertar e seguir a moda jamais nos conduzirá a ela, apenas nos levará junto com outros, feito uma boiada, durante o tempo que durar a moda, quando então teremos que seguir outra moda e assim por diante. Quem realmente somos nós por trás dos modismos que adotamos? O que há de permanente em nós por trás do transitório da fachada? A moda não poderá responder a essas perguntas, e nem mesmo você, enquanto a estiver seguindo. Aliás, a moda nem quer que você pense nisso. Ela quer apenas que você a siga – e pode pagar em até dez vezes.

Liberdade é sermos quem realmente somos em nossa essência mais legítima. É uma velha ideia, azul e desbotada. Mas que nunca vai estar na moda. Ainda bem.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Como o jingle foi criado – Depoimento do autor no blog Pedra do Sol

SOBRE O JINGLE

No site do Prêmio Colunistas (http://www.colunistas.com/propaganda/prbr09ata1976.html) há uma referência ao comercial da US Top. Diz lá que ele ganhou Prata na categoria Fonograma, em 1976 (comerciais exibidos em 1975). Veja:

Agência: J. W. Thompson
Cliente: SPASA – U.S. Top
Título do Jingle: Liberdade
Criação: Joaquim Gustavo Pereira Leite e Helga Miethke
Música: Sérgio Mineiro e Beto Rushel
Letra: Joaquim Gustavo P. Leite, Zé Pedro e Sérgio Mineiro
Produtora: Prova
Arranjo: Hareton Salvanini
Duração: 45″
Texto: “Liberdade é uma calça velha / Azul e desbotada / Que você pode usar / Do jeito que quiser / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco / Denin Índigo Blue / US Top / Seu jeito de viver / Não usa quem não quer / US Top / Desbota e perde o vinco.”

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Vídeo da US Top (1975)

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- O assunto é antigo, porém a essência é dinâmica. Gosto como vc faz deslizar os assuntos. Sobre a dificuldade da homeostase fica por conta da subjetividade de cada um, pois só assim poderemos compreender o seu limiar diante dos impulsos. bjs. Marta Dourado, Fortaleza-CE – jun2010

02- Olá Kelmim, gostei da crônica! Leia este: Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada:publicidade, cultura de consumo e comportamento político no Brasil (1954-1964) Vale a pena, muito bom! Bjs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – jun2010

03- Boa crônica Ricardo, como sempre. um beijo. Danielle Alves, Fortaleza-CE – jun2010

04- Que show!!!!!!!como sempre. beijinho. Mônica Fuck, Fortaleza-CE – jun2010

05- Amei a sua crônica. Leve, prazerosa de se ler, supimpa! Sobretudo porque fala de um anseio que tive, tenho e terei sempre a liberdade, tão necessária para o nosso crescimento individual e em grupo, à nossa individuação, a nossa Felicidade rs. Fato é que sempre tive isso como prioridade para meus dias mas, com os ensinamentos dados pelas entidades de Umbanda, começo a senti-la em mim, e isso é muito legal. Você me emocionou também ao lembrar da US TOP, HUM! Foi muito bom lembrar desse período, adolescência, juventude e lembrar da minha essencia naquela época, rs que vejo que não mudou. Tive algumas calças US TOP e acredite, havia esquecido completamente disso. Abraços. Maria Amelia, Campina Grande-PB – jun2010

06- Meu amigo Ricardo Kelmer escreve cada vez melhor. Esse cearense cidadão do mundo, agora radicado em São Paulo, é assim: capaz de dizer as coisas mais essenciais usando as palavras mais simples. Isso se chama talento. Leia mais: luispellegrini.com.br. Luis Pellegrini, São Paulo-SP – jun2010

07- Ah como eu queria aquela calca US Top azul e novinha em folha pra eu desbota-la ao longo dos anos…, tambem fui ter a minha anos mais tarde e tambem ja nao tava mais nem ai pra ela, mas a propaganda eu lembro, assim como lembro a da coca-cola na contra=capa da revista POP que minha irma mais velha fazia assinatura e eu adorava ler e querer morar em Itatui cidade da musica… mas seguir moda mesmo nao sigo ate hoje e sinto muitissimo por tantas pessoas escravas da moda e dos crediarios em 12x. Ana Lucia Castelo, Nova York-EUA – jul2010

08- Mandou ver, grande Ricardo Kelmer! Marcelo Gavini, São Paulo-SP – abr2011

09- Compartilho sempre dos seus pensamentos….bjsss Kelmer!!!!!! Ana Luiza Cappellano, Jundiaí-SP – ago2011


Por trás do sexo anal (1)

junho 16, 2010

Ricardo Kelmer 2007

Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

Você aí, sentadinha em sua mesa no trabalho, lendo escondida meu blog. Sim, você mesmo. Aposto como você já se perguntou várias vezes por que diabo homem gosta tanto de sexo anal. Deve ser uma das dúvidas femininas mais recorrentes a respeito do universo masculino. Pois vou tentar te ajudar? Sem segundos interesses, viu, pode ficar tranquila.

Primeiro tem a pressão que o esfíncter, o músculo do cu, exerce em torno do pau. É uma pressão muuuito prazerosa, você precisaria ter um pau pra saber como ela é gostosa. A pressão da buceta também é gostosa, claro, mas a do cu é inigualável. Ah, se você é nova aqui, saiba logo que uso os termos cu, buceta e pau, viu? Ânus, vagina e pênis é coisa de ginecologista.

Poisbem. Depois tem a sensação de contato com as nádegas, muito, muito excitante. As nádegas funcionam como amortecedores macios. Os pentelhos também têm essa função natural de proteger e amortecer, sim, mas uma bundinha carnuda não tem comparação.

O tabu. Tem também isso, todo o tabu envolvido na prática, responsável por aquele tempero gostoso de proibido, o gosto indizível de sentir-se transgressor.

Fantasias. Tem muita fantasia envolvida em sexo anal. Safadice, luxúria, pornografia, sexo animal, fetiches, perversões, dominação masculina, submissão feminina…

Ausência de risco de gravidez indesejada. Sim, não podemos esquecer desse fator. Muitos homens preferem gozar no cu de suas parceiras pra não correr o risco de aumentar a prole. E muitas mulheres assinam atrás.

cruzando o portal

Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo. Não é pra todos. Porque requer preparo e paciência, muito mais que o sexo convencional. A maioria das mulheres desiste após as primeiras e dolorosas tentativas, geralmente com homens inexperientes ou inábeis.

Algumas, porém, têm paciência suficiente ou a sorte de encontrar um homem experiente e cuidadoso, e aí elas são devidamente iniciadas num caminho que a maioria das amigas diz não valer a pena. Coitadas das amigas. São como aquelas pessoas que, por causa da ressaca do primeiro porre, tornaram-se abstêmias, fechando-se assim a qualquer possibilidade de uma relação saudável com o álcool.

O sexo anal possui dificuldades naturais, tanto biológicas como culturais: dor, nojo, medo e culpa, que atuam como barreiras a selecionar os realmente aptos a usufruí-lo. A dor pode ser minimizada ou pode até mesmo não acontecer, mas de qualquer forma a dor inicial do sexo anal é como a a primeira vez na frente: é a dor ritualística das grandes iniciações. Do outro lado da dor sempre há conhecimento, aprendizado e libertação. No sexo anal há tudo isso e há também um tal prazer que soa inconcebível aos que não cruzaram o portal da iniciação.

Um homem louvando o sexo anal soa suspeito? Talvez. Certamente uma mulher teria mais crédito, né? Poisbem, assim sendo convido você a ler A entrega – memórias eróticas, da bailarina americana Toni Bentley. Erotismo subversivo de primeira qualidade.

o gozo da deusa

Há algo de divinamente demoníaco no sexo anal que, literalmente, a-lu-ci-na algumas mulheres. Ser preenchida dessa forma as leva a transcender a condição humana simultaneamente em direções opostas: ao mesmo tempo em que uivam e se contorcem feito cadelas enlouquecidas, resplandece em sua expressão toda a formosura da mais doce e generosa das deusas. Como é possível?

Eu, particularmente, gosto demais. Gosto de ver a mulher amada inteiramente possuída pelo prazer do sexo anal, seu corpo todo uma contorção de prazer alucinado. Acho bonito. É um momento mágico esse, quando o êxtase do sexo esotérico lhe transforma totalmente a expressão e de repente, pufff, não é mais ela quem tá ali comigo. Eu olho e não a vejo. Eu insisto mas não mais a reconheço. É esse o sinal: a Deusa está presente, veio abençoar seus iniciados. É um mistério que a razão jamais alcançará: agora aquela mulher é a própria Deusa, materializada no corpo de minha amada, a Deusa a quem sirvo ao amar, respeitar e honrar a Mulher e a Terra. Então, reverente feito um cavaleiro consagrado em passados rituais, nesse instante sei que não passo de instrumento pra que o Mistério se manifeste em toda sua beleza e plenitude no corpo e no espírito da Mulher. A mim me cabe apenas fazer silêncio, pra que o grito primal, finalmente liberto, anuncie ao mundo o gozo sagrado de minha amada.

não morra, Jamile

Jamile era maravilhosa mas nunca quis sexo anal. Tudo bem, tem mulher que não gosta, não vamos nos atirar da ponte por isso. Mas sua relutância era muito exagerada, beirava a neurose. Ela tinha uma frase bem típica, que repetia sem qualquer pudor nas mesas dos bares: Pau no meu cu, nem a pau! Essa negação enfática, pública e insistente me fazia desconfiar que Jamile, na verdade, fugia do que ela de algum modo sabia lhe aguardar. Por isso tentei algumas vezes mas, putz, bastava eu chegar perto pra ela dar um escândalo absolutamente desproporcional. Eu ria mas ela ficava realmente nervosa, e durante um tempo achei que ela fazia tipo.

Mas não era tipo não. Uma vez a peguei desprevenida e, schlurp!, tasquei-lhe uma lambida daquelas no cu. Putz, você não acredita, eu quase fui linchado, pense numa mulher enraivecida me batendo com a garrafa de smirnoff ice!!! Jamile era assim, toda intensa. No sexo ela gemia e uivava feito uma loba, isso eu achava tão bonito…, e quando ela enlouquecia, pedia que eu lhe batesse e aí é que uivava e gritava e berrava feito uma condenada na masmorra. Mas o que eu achava mais lindo era que, ao final, ela gozava chorando… Sim, chorando mesmo, de verdade, o corpo todo se sacudindo, as lágrimas descendo sem parar, o travesseiro ficava ensopado. Ela se desmanchava em lágrimas e eu me desmanchava em ternura…

Um dia, enquanto ela gozava e soluçava, e chorava e ria e chorava, eu a abracei como se fosse seu pai, querendo cuidar dela pra sempre, e lambi suas lágrimas comovido, e nesse instante, tchum!, intuí o motivo de sua relutância ao sexo anal: exagerada e intensa como era, essa mulher provavelmente morreria de tanto prazer. Putz, nessa hora me bateu um medo… Foi tão grande que desse dia em diante nunca mais lhe pedi que me desse o cu. Sei lá, melhor não abusar.

(continua: Por trás do sexo anal 2)

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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LEIA NESTE BLOG

> Por trás do sexo anal 1 – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

> Por trás do sexo anal 2 – Muito homem faz sexo anal com outras mulheres mas não faz com sua própria mulher – ele simplesmente não consegue transcender, na imagem da mãe de seus filhos, os opostos arquetípicos da santa e da puta

> As taras de Lara – Começando por trás – Lara tinha 13 anos quando o fogo avassalador dos desejos lançou suas primeiras labaredas sobre ela

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você medo do desejo feminino, é melhor não ir…

> O íncubo – Íncubos eram demônios que invadiam o sono das mulheres para copular com elas – uma difundida crença medieval. Mas… e se ainda existirem?

> Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

> A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

> A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…

> O mistério da cearense pornô da California – Uma artista linda e gostosa, intelectual e transgressora, que adora perversões e, entre uma e outra orgia, luta pela liberação feminina

> Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

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DICA DE LIVROS E SITES

A entrega – memórias eróticas (Toni Bentley, Editora Objetiva/2005) – A ex-bailarina filosofa sobre amor e sexo anal enquanto narra sua intensa experiência com a prática-tabu.

Sexo anal sem dor – Site com dicas, relatos, contos, acessórios etc.

A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbett, Editora Paulus, 1990) – Este livro mostra como nossa vitalidade e alegria de viver dependem de restaurarmos a alma da prostituta sagrada, a fim de nos proporcionar uma nova compreensão da vida.

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RK- A cantora Sandy é realmente um fenômeno cultural. Foi só ela falar em sexo anal numa entrevista pra revista Playboy que o assunto disparou entre os mais comentados nas redes sociais.


A entrega – memórias eróticas

junho 14, 2010

A entrega – memórias eróticas
Toni Bentley (editora Objetiva/2005)

Resumo extraído do site da editora:

Poucas mulheres praticam, e um número menor ainda admite fazê-lo. Desde “A História de O” até “O Beijo e A Vida Sexual de Catherine M.”, leitores se deixam fascinar por memórias subversivas escritas por mulheres. Mas nem mesmo esses clássicos eróticos ousaram desbravar o terreno que Toni Bentley explora em “A Entrega”. Ao conhecer um amante que lhe apresenta ao sexo anal, ato que ela define como “sagrado”, ela descobre um prazer radical e inesperado que a faz “despertar” e descobrir os caminhos de sua própria sexualidade. Nestas memórias ousadas e íntimas, escritas em primeira pessoa, a autora afasta o véu que esconde a experiência erótica proibida desde os tempos bíblicos e celebra “a felicidade que existe do outro lado das convenções, onde o risco é real e onde reside o êxtase”. Este livro é uma exploração sagaz, inteligente e eloquente da obsessão de uma mulher que fará os leitores questionarem seus próprios desejos. Trata-se de um relato sagaz e corajoso do percurso de uma mulher pelos labirintos do desejo e da alma.

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POUCOS E ESPERTOS LEITORES

Ricardo Kelmer 2007

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Uau, que livro!!! Erotismo subversivo de primeira. Dificilmente se verá tanta franqueza e coragem como no relato dessa bailarina que se aventura pelas possibilidades sexuais de seu corpo, fazendo-o altar sagrado e profano de sua busca angustiada por si mesma.

Solidão, insegurança, o trauma paterno, as categorias de homens, a competição com as mulheres, orgasmos, fetiches… tá tudo lá, escancarado, feito as pernas de Toni dobradas pro alto, expondo toda sua intimidade ao deus-demônio que ela tanto busca. O mais interessante é a relação de Toni com o sexo anal, mostrando como a prática-tabu, inesperadamente surgida em sua vida, ensinou-lhe o caminho da libertação e da redenção através do prazer da submissão – olha que louco. Louco e deliciosamente pornográfico. Toni filosofa sobre sua irresistível preferência com graça, humor e profundidade (ops), mostrando como o homem certo pode quebrar os paradigmas de uma mulher, abrindo-lhe as portas pra um mundo de prazeres que ela sequer sonhava existir.

Toni Bentley

É surpreendente a descontração com que Toni conta suas transas anais. É quase chocante a naturalidade com que ela fala de seu cu. Essa surpresa e esse choque que A Entrega provoca nos faz perceber que ele, o cu, é a última fronteira de nossa sexualidade. Falamos de seios, paus e bucetas sem os velhos pudores de antigamente. No teatro há os monólogos da vagina e os diálogos dos pênis. Até mesmo o universo do sadomasoquismo é mostrado nos programas da tevê. Mas o cu não. Nem seu nome é bem vindo. E o sexo anal continua nos constrangendo nas rodas de conversa: quem não faz diz que não gosta e quem gosta diz que não faz. Um tabu que resiste ao tempo.

O livro de Toni recebeu prêmios literários nos Estados Unidos, onde foi lançado em 2004, além de provocar certo escândalo. Aqui no Brasil, com a nossa fixação em bunda, ele provavelmente fará uma boa carreira, certo? Nem tanto. Talvez o tabu fale mais alto e a leitura de A Entrega fique restrita a poucos leitores. Poucos e espertos leitores.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Capa do livro de Toni em edições de outros países

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> Entrevista com Toni Bentley – jan2004 (em inglês)

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LEIA NESTE BLOG

> Por trás do sexo anal (1) – Se esotérico significa a parte mais oculta de uma tradição ou ensinamento, aquilo que somente iniciados alcançam após muito estudo e dedicação, então o sexo anal é o lado esotérico do sexo

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MAIS SOBRE SEXUALIDADE FEMININA

> Cabaré Soçaite – Uma festa de sensualidade – Se você tem medo do desejo feminino, é melhor não ir…

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> Lolita, Lolita – Ela é uma garotinha encantadora. E eu poderia ser seu pai. Mas não sou…

> A gota dágua – A tarde chuvosa e a força urgente do desejo. Ela deveria resistir mas…

> A torta de chocolate – Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…..

> Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino – Livro de contos e crônicas sobre a mulher

> A noiva lésbica de Cristo – Se hoje a sexualidade feminina ainda apavora a mentalidade cristã, no século 17 ela era algo absolutamente demoníaco

> O Diário de Marise – A vida real de uma garota de programa

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A ilha (uma fábula do autoconhecimento)

junho 10, 2010

Ricardo Kelmer 1997

Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia, porém, uma ideia inquietou a ilha: se toda vez que a maré baixava, uma porção de terra se descobria, então até que ponto haveria terra? Até que ponto a ilha existia?

Isso lhe tirou o sono por várias noites. De repente seu conceito sobre si mesma começou a mudar. Sempre se considerara uma porção de terra boiando à superfície da água, isso era ponto pacífico, todas as outras ilhas também pensavam assim. Mas agora já não podia acreditar nisso. Uma ilha não terminava logo abaixo da linha das ondas. Não. Continuava para baixo. Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua.

Saber que ela “continuava” além daquilo que sempre julgou ser era algo espantoso de se pensar. Assim, dia após dia, a ilha prosseguiu em seus esforços de autoinvestigação – precisava saber até onde existia. No entanto, à medida que sua atenção mergulhava em si mesma, as águas ficavam mais escuras. Era preciso cada vez mais concentração para não se perder. Ela prosseguiu, mais atenta, e descobriu que aquilo que existia abaixo da superfície continuava sendo ela mesma, sim, mas parecia ter algo como uma vida própria.

Cada vez mais surpresa, a ilha constatou que aquela parte mais profunda de si mesma levava uma existência semi-independente, porém interagindo sempre com a superfície: influenciando e sendo influenciada por ela. A ilha então soube a razão por que se comportava dessa ou daquela maneira e muitas coisas ficaram mais claras a respeito de si mesma, de seus relacionamentos com outras ilhas e da vida de modo geral. E a cada descoberta que fazia, outras mais se anunciavam e de repente era como se o Universo se expandisse para dentro dela mesma!

Muito tempo se passou até que se convencesse, verdadeiramente, de que era mesmo uma montanha com o pico emerso. Ela estava presa a uma base e essa base era uma enorme extensão de terra que funcionava como chão. Vinham de lá todas as ilhas. E para lá voltariam todas quando os movimentos da terra, dos ventos e das águas as forçassem a isso. Mas a grande maioria das ilhas não sabia que todas elas continuavam para baixo: por isso não entendiam as reais motivações de muito do que faziam. A parte acima da superfície era tudo que sabiam sobre si mesmas e isso era pouco. A parte submersa, a montanha, era a parte inconsciente de cada ilha, aquilo que desconheciam de si mesmas. E a terra do fundo do mar era o inconsciente maior, único, de todas elas, o lugar de onde vinham.

Ao entender esse fato, a ilha lembrou do tempo em que sua consciência de si própria se limitava àquela minúscula porção de terra à superfície. Todas as ilhas vêm do mesmo lugar – ela repetiu, intrigada com suas descobertas – porque são feitas da mesma terra… A areia e os nutrientes que as raízes de suas plantas colhem, vem tudo do mesmo chão… Todas as ilhas que existem são no fundo uma coisa só, que se experimenta em várias extensões de si própria e cada extensão possui consciência de si mas esta consciência é limitada pois quase nunca desce em direção ao fundo, acomodando-se na parte mais superficial… Se cada ilha se aprofundasse em sua noção de si própria, acabaria se conhecendo melhor e, por virem todas do mesmo lugar, conheceria melhor a todas as outras ilhas.

A ilha viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente. Aquela autoinvestigação era importante mas requeria muita atenção para não se perder durante o processo. Só assim poderia transitar com êxito entre as duas camadas de realidade, a que ficava à superfície e aquela mais escura e misteriosa que prosseguia rumo a seu próprio interior.

Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e não entendiam bem o que ela tentava lhes dizer. A ilha sentiu-se só. Viu-se então pensando do ponto de vista da terra lá do fundo: se elas não se conhecem e elas todas são parte de mim, então eu ainda não me conheço tão bem… Assim sendo, como poderia condená-las? Não, não podia. Deveria entender e aceitar o ritmo natural da vida de cada uma das ilhas. Deveria agir com a mãe sábia e bondosa que incentiva todos os seus filhos mas tem de respeitar o caminho individual de cada um deles…

Foi então que, subitamente, a ilha percebeu, num intenso clarão de compreensão, que toda aquela vasta extensão de terra lá embaixo funcionava como um útero a expulsar pedaços de si mesma, forçando-os à superfície. Uma vez lá, eles se entendiam ilhas e começavam então sua aventura individual em busca de saber quem de fato eram, de onde vieram e por que existiam. Mas por que a terra fazia isso? Talvez para ela própria aprender com a experiência individual de cada ilha. Talvez, ao morrer, uma ilha levava à terra sua própria experiência, e ela serviria para formar as futuras ilhas e, assim, toda ilha continha em si, sem se dar conta, a mesmíssima areia das que a antecederam. Talvez, através da vida de cada uma das ilhas, a terra aprendia cada vez mais sobre si mesma…

Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.

A vida é mesmo uma tremenda aventura! – pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lançavam. Uma aventura de cada ilha. Mas também da terra inteira.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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SOBRE CARL JUNG

> Carl Gustav Jung (26.07.1875 – 06.06.1961)
Psiquiatra e pensador suíço. Fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana. Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude

> Jung – a jornada do autodescobrimento - Vídeo com um resumo da vida e das ideias de Carl Jung, o psicólogo e pensador suíço criador da teoria do inconsciente coletivo

> Jung na Wikipedia

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LEIA NESTE BLOG

> Livros: He, She, WeOs rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, percorreram do mesmo modo

> Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

> A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

> Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

> Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

> A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

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01- Oi Ricardo, parabéns pela concepção da ilha. Nem Jung teria feito melhor! Abraços. Angela Schnoor, Rio de Janeiro-RJ – nov2004

02- Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov2004

03- Mais um que a Amandinha aqui se Identifica… A Ilha!!! Belíssimo!!! hehehee Bkjão bom carnaaaaaaa aeeeeee hehehe. Amanda Gallindo Borges, Florianópolis-SC – fev/2007

04- Olá Xará, Há dias que quero te prestar um elogio. Encontrei em seu site um conto. A Ilha. Se eu pudesse limitar em uma única palavra o que dali absorvi, eu diria que INSPIRAÇÃO seria ela. Sua mensagem provoca o despertar. Oxalá o despertar coletivo. Mas, se assim não for, que seja o individual. Ilhas somos todos, alguns já sabem, outros ainda não. Gosto de pensar que já sei. Creio que cada um de nós tem um talento único, porém é muito difícil descobrir qual. Talvez o meu seja contemplar. Há tantas coisas belas por aqui nesta vida que muita gente não vê, ou se vê, não dá a atenção devida. Mas, quem sou eu para dizer quão atento alguém deve ser ?! Eu também procuro ser uma ilha que se diverte com esses pensamentos. Seu conto é uma coisa bela. Parabéns. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – fev2007

05- Li o primeiro texto do seu livro (“A Ilha”) e gostei da abordagem, da ilha como um ser pensante. Vou ler os outros com a calma que a leitura exige…rs De minha parte, tenho um blog (link no rodapé do e-mail) e um fotolog (http://cidadeembaixa.nafoto.net) ansiosos por comentários. Quando tiveres um tempinho, visite. Alessandro Pinesso, São Paulo-SP – ago2007

06- Que bom reler isso! Dos teus livros que eu li, o que eu mais gosto é o Arte Zen, porque lá eu encontro os meus dois RKs prediletos: aquele cara com um humor cruelmente puro e um outro, que me leva pra navegar nas águas densas da alma e da mente. Eu adoro essa crõnica da ilha que, como outros textos teus, tem sido um guia precioso nos mares que essa ilhazinha aqui habita. Beijos da tua leitora mais taradinha! Kdela, Fortaleza-CE – abr2009

07- Prarabéns Kelmer pelo texto da “ilha” Adorei! Seus escritos estão sempre contribuindo para meus estudos! Dóris Burlamaqui, Fortaleza-CE – nov2010

08- É muito difícil baixar a maré e enxergar toda a extensão de nós mesmos. Mas quando nos dispomos a fazer isso é muito recompensador. Maravilhoso texto!!! Maria do Carmo Antunes, São Paulo-SP – abr2011

09- Adorei esse trecho: “Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.” Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – abr2011


VÍDEO: Jung – A jornada do autodescobrimento

junho 8, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Vídeo resume a vida e a obra de Carl Jung

Este vídeo, dividido em duas partes, traz um belo resumo da vida e das ideias de Carl Jung (1875-1961), o psicólogo suíço que se tornou um dos mais influentes pensadores do século 20.

Criador da teoria do inconsciente coletivo e do método “Imaginação ativa” pra contato direto com o inconsciente, Jung também criou a tipologia da personalidade, cruzando os tipos (introvertido e extrovertido) com as funções psicológicas (pensamento, sentimento, sensação e intuição). A teoria da sincronicidade, que relaciona fatos internos e externos pra explicar certas coincidências da vida diária, é outra contribuição sua pro entendimento que hoje possuímos sobre o funcionamento da psique.

Jung, assim como Joseph Campbell (1904-1987), ajudou a reacender o interesse sobre a mitologia, situando os mitos como elementos essenciais na busca do indivíduo por sua essência e completude.

> Jung na Wikipedia
> Joseph Campbell na Wikipedia

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Jung – A jornada do autodescobrimento (1) 9m12s

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Jung – A jornada do autodescobrimento (2) 9m03s

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LEIA NESTE BLOG

> Livros: He, She, WeOs rios de nossas vidas na verdade correm por leitos muito, muito antigos – os mesmos leitos que outras águas, ou outras pessoas, percorreram do mesmo modo

> Mulheres na jornada do herói – É ainda mais interessante ver o relato das mulheres pois elas sempre foram, mais que os homens, historicamente reprimidas na busca pela essência mais legítima de suas vidas

> A ilha – Uma fábula sobre o autoconhecimento

> Mariana quer noivar – Você abdicaria das relações amorosas em sua vida em troca de dinheiro ou sucesso na carreira?

> Carma de mãe pra filha – Os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas

> Blade Runner: Deuses, humanos e andróides na berlinda – Como todo ser, o criador busca sempre transcender a sua própria condição e é criando que ele faz isso

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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01- Para mim, o maior sábio que o ocidente já produziu. Brennand De Sousa Bandeira, Fortaleza-CE – abr2011

02- Amplo e profundo.Uma das melhores ideias dele é o lance do inconsciente coletivo. Muito útil pra quem escreve narrativas. Gledson Shiva, Brasília-DF – abr2011

03- Dr Jung é mal visto como “psicólogo” alternativo, profissão que nunca teve. Jung escreve sobre metafísica, filosofia da religião, teoria do comhecimento, fenomenologia, noumenon kantiano, natureza da realidade, ética, arquétipos de Plotino, conhecimento não-racional e até psicologia. Para mm, Jung é um dos maiores filósofos que já existiram, mas ESSE seu lado só será compreendido daqui a uns 100 ou 200 anos, como é usual que ocorra com os grandes filósofos. Lázaro Freire, São Paulo-SP – abr2011

04- E eu na dolorosa jornada em busca de quem sou! Mas não desisto… (“Aquilo a que você resiste, persiste.” Carl Jung). Marcio Regis Galvão, Fortaleza-CE – abr2011


Bolão da Copa do Mundo 2010

junho 7, 2010

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TABELA DE JOGOS
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GRUPO A

01- 11.06  11h……….África do Sul 1×1 México
02-
11.06  15h30…..Uruguai 0×0 França
03-
16.06  15h30…..África do Sul 0×3 Uruguai
04-
17.06  15h30…..França 0×2 México
05-
22.06  11h……….México 0×1 Uruguai
06-
22.06  11h……….França 1×2 África do Sul

GRUPO B

07- 12.06  11h……….Argentina 1×0 Nigéria
08-
12.06  08h30…..Coreia do Sul 2×0 Grécia
09-
17.06  11h……….Grécia 2×1 Nigéria
10-
17.06  08h30…..Argentina 4×1 Coreia do Sul
11-
22.06  15h30……Nigéria 2×2 Coreia do Sul
12-
22.06  15h30……Grécia 0×2 Argentina

GRUPO C

13- 12.06  15h30…..Inglaterra 1×1 Estados Unidos
14-
13.06  08h30…..Argélia 0×1 Eslovênia
15-
18.06  11h……….Eslovênia 2×2 Estados Unidos
16-
18.06  15h30…..Inglaterra 0×0 Argélia
17-
23.06  11h……….Eslovênia 0×1 Inglaterra
18-
23.06  11h……….Estados Unidos 1×0 Argélia

GRUPO D

19- 13.06  15h30…..Alemanha 4×0 Austrália
20-
13.06  11h……….Sérvia 0×1 Gana
21-
18.06  08h30…..Alemanha 0×1 Sérvia
22-
19.06  11h……….Gana 1×1 Austrália
23-
23.06  15h30…..Gana 0×1 Alemanha
24-
23.06  15h30…..Austrália 2×1 Sérvia

GRUPO E

25- 14.06  08h30…..Holanda 2×0 Dinamarca
26-
14.06  11h……….Japão 1×0 Camarões
27-
19.06  08h30…..Holanda 1×0 Japão
28-
19.06  15h30…..Camarões 1×2 Dinamarca
29-
24.06  15h30…..Dinamarca 1×3 Japão
30-
24.06  15h30…..Camarões 1×2 Holanda

GRUPO F

31- 14.06  15h30…..Itália 1×1 Paraguai
32-
15.06  08h30…..Nova Zelândia 1×1 Eslováquia
33-
20.06  08h30…..Eslováquia 0×2 Paraguai
34-
20.06  11h……….Itália 1×1 Nova Zelândia
35-
24.06  11h…… …Eslováquia 3×2 Itália
36-
24.06  11h……….Paraguai 0×0 Nova Zelândia

GRUPO G

37- 15.06  11h……….Costa do Marfim 0×0 Portugal
38-
15.06  15h30…..Brasil 2×1 Coreia do Norte
39-
20.06  15h30…. Brasil 3×1 Costa do Marfim
40-
21.06  08h30…..Portugal 7×0 Coreia do Norte
41-
25.06  11h……….Portugal 0×0 Brasil
42-
25.06  11h……….Coreia do Norte 0×3 Costa do Marfim

GRUPO H

43- 16.06  08h30…..Honduras 0×1 Chile
44-
16.06  11h……….Espanha 0×1 Suíça
45-
21.06  11h……….Chile 1×0 Suíça
46-
21.06  15h30…..Espanha 2×0 Honduras
47-
25.06  15h30…..Chile 1×2 Espanha
48-
25.06  15h30…..Suíça 0×0 Honduras

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PALPITES
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Participante: Nino Cariello
01 1×3(2)
_02 2×1(0)_03 1×2(5)_04 1×2(7)_05 2×0(0)_06 3×1(0)
07 2×2(0)_
08 2×2(2)_09 1×3(0)_10 1×2(0)_11 2×1(2)12 1×3(5)
13 2×0(0)
_14 1×1(2)_15 2×1(2)_16 2×1(0)_17 1×3(5)__8 2×0(7)
19 3×0(7)
_20 2×2(0)_21 2×1(2)_22 2×0(0)_23 1×2(5)_24 0×2(0)
25 2×1(7)
_26 1×2(2)_27 3×1(5)_28 1×2(10) 29 3×0(0)_30 2×2(2)
31 2×0(0)_
32 0×2(0)_33 2×2(2)_34 4×0(0)_35 1×2(2)_36 2×0(2)
37 1×3(0)
_38 3×0(5)_39 3×1(10) 40 3×0(7)_41 1×3(0)_42 0×3(10)
43 0×2(7)
_44 3×0(0)_45 2×1(5)_46 3×1(5)_47 1×2(10)_48 2×1(0)

Participante: Fábio Bonfim
01 1×0(2)_02 2×2(5)_03 1×2(5)_04 1×1(0)_05 1×2(5)_06 1×0(2)
07 3×1(5)_08 1×2(0)_09 1×1(2)_10 2×1(7)_11 1×1(5)_12 1×2(7)
13 1×1(10) 14 2×1(2)_15 1×2(2)_16 2×0(2)_17 1×2(5)__8 2×2(0)
19 3×1(5)_20 1×1(2)_21 2×1(2)_22 1×0(2)_23 0×2(7)_24 1×1(2)
25 2×1(7)_26 1×1(2)_27 2×2(0)_28 1×1(2)_29 0×1(5)_30 1×2(10)
31 1×1(10) 32 0×1(2)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×3(0)_36 2×1(0)
37 1×3(0)_38 3×0(5)_39 3×1(10) 40 2×0(7)_41 1×2(0)_42 2×1(0)
43 1×3(5)_44 2×0(0)_45 1×1(2)_46 3×0(7)_47 2×2(2)_48 1×0(2)

Participante: Ricardo Kelmer
01 2×1(2)_02 1×1(5)_03 1×1(0)_04 2×0(0)_05 1×2(5)_06 1×0(2)
07 1×1(2)_08 0×1(0)_09 0×2(0)_10 2×0(5)_11 2×0(2)_12 0×1(7)
13 2×1(2)_14 0×2(7)_15 2×1(2)_16 3×0(2)_17 1×1(2)_18 1×1(2)
19 2×0(7)_20 2×1(2)_21 1×1(2)_22 2×1(2)_23 0×1(10)_24 0×3(0)
25 2×1(7)_26 1×2(2)_27 1×0(10) 28 0×1(5)_29 2×0(0)_30 1×2(10)
31 1×0(2)_32 0×2(0)_33 2×1(0)_34 2×1(2)_35 2×1(5)_36 1×0(2)
37 0×1(2)_38 2×0(7)_39 3×0(7)_40 2×0(7)_41 1×1(5)_42 1×1(0)
43 0×2(7)_44 1×2(5)_45 1×1(2)_46 2×0(10) 47 1×1(2)_48 2×1(0)

Participante: André Barbacena
01 4×1(2)_02 2×1(0)_03 2×2(0)_04 0×1(7)_05 1×2(5)_06 2×1(0)
07 4×1(5)_08 0×1(0)_09 1×2(0)_10 3×0(5)_11 1×0(0)_12 0×2(10)
13 1×1(10) 14 0×3(7)_15 1×1(5)_16 1×2(0)_17 1×1(2)_18 2×0(7)
19 3×2(5)_20 3×0(0)_21 2×2(0)_22 1×1(10) 23 1×2(5)_24 0×1(2)
25 4×2(5)_26 2×1(5)_27 3×1(5)_28 2×2(2)_29 0×1(5)_30 1×3(7)
31 0×1(2)_32 0×2(0)_33 2×2(2)_34 2×0(2)_35 1×1(0)_36 3×0(2)
37 1×3(0)_38 4×0(5)_39 3×1(10) 40 1×1(0)_41 2×4(0)_42 0×2(7)
43 1×3(5)_44 3×1(2)_45 2×2(0)_46 3×0(7)_47 3×2(2)_48 2×0(0)

Participante: Carlinhos Papai
01
2×1(2)_02 1×1(5)_03 1×1(0)_04 2×2(2)_05 2×1(2)_06 1×1(2)
07
2×0(7)_08 1×1(0)_09 1×2(0)_10 2×0(5)_11 1×1(5)_12 0×2(10)
13
2×0(0)_14 1×2(5)_15 0×2(2)_16 2×0(2)_17 1×2(5)_18 2×1(5)
19
2×0(7)_20 2×2(0)_21 2×0(0)_22 1×2(2)_23 1×3(5)_24 1×2(0)
25
2×0(10) 26 0×1(0)_27 2×1(5)_28 1×2(10) 29 2×1(0)_30 0×2(7)
31
2×1(2)_32 1×2(2)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×1(0)_36 2×0(2)
37
0×1(2)_38 3×0(5)_39 2×0(5)_40 2×0(7)_41 1×2(0)_42 1×2(5)
43
1×2(5)_44 2×0(0)_45 2×0(7)_46 2×0(10) 47 2×3(5)_48 2×2(5)

Participante: Henrique Baima
01 1×1(10) 02 0×1(2)_03 0×0(2)_04 1×1(0)_05 2×1(2)_06 1×2(10)
07
2×0(7)_08 1×2(0)_09 1×1(2)_10 4×1(10) 11 2×1(2)_12 1×2(7)
13
2×1(2)_14 0×0(2)_15 1×1(5)_16 1×0(2)_17 1×2(5)_18 1×0(10)
19
2×0(7)_20 1×1(2)_21 1×0(0)_22 3×1(2)_23 1×1(2)_24 0×1(2)
25
2×1(7)_26 1×1(2)_27 3×0(7)_28 1×2(10) 29 2×1(0)_30 2×3(5)
31
1×0(2)_32 0×2(0)_33 1×2(7)_34 2×0(0)_35 1×1(0)_36 3×0(2)
37
1×2(0)_38 2×0(7)_39 2×1(7)_40 3×1(5)_41 1×2(0)_42 2×2(0)
43
0×2(5)_44 1×0(0)_45 0×0(2)_46 3×0(7)_47 1×2(10)_48 1×0(2)

 

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PONTUAÇÃO

Acerto total: 10 pontos
Acerto de vitória ou empate: 5 pontos
Acerto de gols: 2 pontos

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CLASSIFICAÇÃO
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……….participante……pontos…..acertos totais

1o: Henrique Baima……….180………6
2o: Carlinhos Papai……….174……….4
3o: Fábio Bonfim…………….171………4
4o: Ricardo Kelmer…………169……….4
5o: André Barbacena…….164………4
6o: Nino Cariello…………….144……….4

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RK na Fundação Gol de Letra

junho 7, 2010

Ricardo Kelmer 2010

Em abril estive na Fundação Gol de Letra, criada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, convidado a falar num fórum sobre narcotráfico. Participamos eu e a psicóloga Vanessa Abdo, da ong Sou da Paz, que mostrou dados interessantes sobre jovens e narcotráfico. O tema do fórum, dirigido aos alunos adolescentes da Fundação e aberto à comunidade, foi escolhido pelos próprios alunos, que são moradores do bairro Vila Albertina, zona norte de São Paulo, onde fica a sede paulistana da Gol de Letra.

Recebi o convite com muita honra mas fiquei a me perguntar: o que alguém como eu poderia oferecer de útil a esses adolescentes, eles que vivenciam diariamente a realidade da violência ligada às drogas, dos toques de recolher impostos pelos traficantes, da triste omissão do Estado e da falta de boas oportunidades profissionais? Eu é quem tinha a aprender com a experiência deles.

Isso é verdade. Porém, o que eu levava praqueles adolescentes poderia ser útil. E eu levava pra eles a força do mito. E foi isso que tentei lhes mostrar, que o envolvimento com o narcotráfico pode ser emocionante, sim, mas o custo é alto e não raramente o custo é a própria vida. Falei que há uma outra aventura, ainda mais emocionante: a aventura da autorrealização, aquela em que seguimos nosso caminho mais honesto e verdadeiro, lutamos por nossos sonhos e realizamos a quem somos de verdade e não a quem os outros querem que sejamos. Aceitar essa aventura é viver, na própria vida, o mito da Jornada do Herói.

Não sei se fui realmente compreendido. Mas conheço bem a força do mito. Sei que ele pode, de repente, no meio de uma frase, começar a transformar pra sempre uma vida.

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Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

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Fundação Gol de Letrawww.goldeletra.org.br
Reconhecida pela UNESCO como instituição modelo, a Fundação Gol de Letra desenvolve programas de Educação Integral para mais de 1.200 crianças, adolescentes e jovens de 7 a 24 anos. Com uma proposta pedagógica associada à assistência social, promove ainda atendimento às famílias e o fortalecimento das comunidades.
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DICA DE LIVROS

- O poder do mito (Joseph Campbell, com Bill Moyers) – Editora Palas Athenas
- A jornada do herói – Joseph Campbell vida e obra (org. Phil Cousineau) – Editora Ágora
- Para viver os mitos (Joseph Campbell) – Editora Cultrix
- O herói de mil faces (Joseph Campebll) – Editora Cultrix/Pensamento
- Matrix e o despertar do herói (Ricardo Kelmer) – Miragem Editorial
- O feminino e o sagrado – Mulheres na jornada do herói (Beatrix Del Picchia e Cristina Balieiro) – Editora Ágora

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Consulado da Caatinga estreia em São Paulo

junho 2, 2010

 

Ricardo Kelmer 2010

Homenagear a cultura nordestina através da música, da poesia e das artes em geral. Esta é a proposta do Consulado da Caatinga, um evento mensal que acontecerá todo mês em São Paulo, no bar-restaurante Minas Tutu e Prosa. A estreia foi no dia 22mai e a segunda edição acontecerá em 12jun. Veja aqui as datas das próximas apresentações.

Os músicos fixos do evento são MOACIR BEDÊ (violão e bandolim), MARÍLIA DUARTE (voz) e RAFAEL MOTA (percussão), que interpretam os clássicos e os modernos da música nordestina, com participação de convidados especiais. Há também exibição de vídeos e noites de autógrafos. Em cada edição rola sorteio de CDs e de uma hospedagem para casal na praia de Jericoacoara, no Ceará.

Bar-restaurante Minas Tutu e Prosa
Av. Brig. Luis Antonio, 2790 – Jardim Paulista – 3052.1830
300m abaixo da alameda Santos

APOIO
Pousada Casa do Ângelo
- Jericoacoara

REALIZAÇÃO
Letra de Bar

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Vídeo com trechos da estreia, 3:00

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