O Irresistível Charme da Insanidade 3.3

O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.

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CAPÍTULO 3
3a parte
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E houve também a cena da cobra. Foi ainda à tarde, quando caminhavam pela estradinha de areia. De repente uma cobra cruzou o caminho, uma cobra verde, quase um metro. Quando ela surgiu, serpenteando, eles suspenderam o passo e observaram, ela admirando, ele retraído de medo. A cobra atravessou a estradinha, indiferente, e sumiu no mato.

- Luca… Você viu?

- Que diabo é ílichi? – perguntou ele.

- Como?

- Ílichi. Quem é?

- Ílichi?

- Sim. Não foi o que você falou?

- Eu? Eu não falei nada. Ílichi?! O que é isso?

- Justamente o que eu tô perguntando. Você não falou mesmo, Isadora? Juro que escutei.

- Vai ver foi a cobra.

- Tenho pavor de cobra.

Ele terminou de tomar o caldo e ficou olhando para ela, se deliciando com o que via: o rosto moreno, o cabelo negro molhado e caindo nos ombros, a boca bem torneada, os seios se insinuando por baixo da camiseta… e maluca, deliciosamente maluca.

De repente ela ergueu o rosto e seu olhar cruzou com o dele. Ele sentiu-se flagrado em seu desejo.

- Pensando em quê, Luca de Luz Neon?

- Ahn… nada.

- Por que não diz?

- Ah, eu pensei… tava pensando que…

- Você acha que eu sou louca, né?

- Eu?

- Hum, hum. Acha que eu sou meio pirada, né? Diga a verdade.

- Ahn, não. Quer dizer, é só um pouco diferente, assim, assim meio…

- Meio louca.

- Mais ou menos…

- Luca, seu bobinho, eu sou louca mesmo. Muito louca. Nunca tenha nenhuma dúvida quanto a isso. E eu sei o que você tava pensando. Quer que eu diga?

Que mulher louca!, ele pensou, enquanto ria e fazia que sim com a cabeça. Ela tomou a última colher do caldo, limpou a boca e falou, naturalmente:

- Nos meus peitos.

Ele não acreditou no que escutou.

- E, se quer saber, eu tava a-do-ran-do…

Primeiro foi o olhar de idiota dele. Depois foram as mãos, apertando-se sobre a mesa. Depois as bocas, o beijo ávido. Depois a conta paga com urgência, pode ficar com o troco, o último gole apressado de cerveja, o caminho de volta para a barraca, correndo, debaixo de chuva…

Chegaram ofegantes e enlameados, às gargalhadas. Entraram e sentaram um de frente para o outro. Ela suspendeu a camiseta, lhe exibindo os seios nus.

- Direto das mangueiras de Belém, pra você…

Ele se lançou sobre aqueles seios com todas as mãos e bocas e línguas que possuía, mangas maduras e suculentas para um esfomeado. Ela agarrou sua cabeça e o puxou para si, enquanto arrancavam o que tivessem de roupa e rolavam pelo chão, quase derrubando a barraca. Depois ela pôs-se por cima, prendeu seus braços e o cavalgou, subindo e descendo, subindo e descendo, até sentir-se descontrolada, enlouquecida. Até não sentir-se mais.

Louca… Por que não? Era isso mesmo que ela queria, ser louca, muito louca. Andar nua por aí pela chuva, descabelada, pega a doida! Queria ser louca, inconsequente, morrer de rir no velório. Gritar seu prazer bem alto na igreja. Escandalizar a pudicícia, mulher sem moral. Subindo e descendo,.. Abrir as pernas feito frango sacrificado no altar da devassidão execrável, escancará-las para todo mundo ver de perto a anatomia de sua loucura e depois puxar o mundo inteiro para dentro de si, bem fundo. Subindo e descendo, subindo e descendo… Muitas vezes louca aquela noite, louca para ele, louca para os deuses todos, todos os demônios, louca para a noite, a chuva… Queria apenas isso, ser louca, tantas vezes quantas conseguisse, e mais, tantas vezes mais quantas houvesse, mais e mais, mais, mais…

Luca abriu os olhos e de repente percebeu-se no espaço, flutuando na escuridão total, sozinho. Não via nada, nada havia para ser visto ou tocado. Não existiam paredes nem existia chão. Nem existia qualquer referência. Flutuava, apenas isso. No vazio da escuridão total e do silêncio sem fim. Há pouco estava na barraca e agora não tinha ideia de onde podia estar. Talvez houvesse adormecido e estava sonhando…

Então… sentiu. Em algum ponto do vazio absurdo… sentiu. No meio da escuridão algo se moveu devagar. Não tinha forma nem cor, não estava em lugar nenhum, não dava para ver. Apenas o engolia, de algum ponto o engolia, em sucções contínuas… ritmadas… o engolia… e de repente… a explosão! Num segundo seus pedaços foram lançados para todos os lados numa velocidade impensável, milhões de fragmentos expelidos para o Cosmos sem fim, mensagens de socorro para o espaço sideral. Alguém receberia? Ou já era tarde demais? Então, enfraquecido de tanto esforço, sentiu que deixava de existir, lentamente, devagar, diminuindo, apagando, morrendo… Para sempre.

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(continua)

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TRILHA SONORA

Este romance possui uma trilha sonora própria, com músicas compostas por RK e parceiros. Adquirindo o livro (impresso ou eletrônico), você recebe as músicas em mp3 por e-mail.

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2 Respostas para “O Irresistível Charme da Insanidade 3.3”

  1. márcia Disse:

    Gostei ! nós terráqueas sempre esperamos ouvir mais
    insanidades … ainda venindo de Buenos Aires temos
    mais pesos á trocar é claro ! rsss

  2. ricardokelmer Disse:

    > Terráqueas insanas arrasam Buenos Aires… Parece cena de filme de terror B.

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