As taras de Lara – Começando por trás

Novembro 28, 2009

Lara tinha 13 anos quando o fogo avassalador dos desejos lançou suas primeiras labaredas sobre ela. Foi na época em que começou a namorar Fabinho, que era dois anos mais velho e que se apaixonara à primeira vista pela menina de formas já bem arredondadas e de jeitinho muito sapeca que um dia ele conheceu na fila pra ver Harry Potter. Seo Gilson e dona Eudora se assustaram com a precocidade da filha única, tão novinha e já querendo namorar sério, mas consentiram que Fabinho a visitasse aos sábados, e só, que era pra não atrapalhar os estudos.

Numa noite, quando o namoro já ia pelos seis meses, e como sempre acontecia quando ele a visitava, seus pais ficaram na sala vendo TV enquanto eles namoravam comportadinhos que nem dois anjinhos no sofá da varanda. Quando acabou a novela, seo Gilson, como sempre, perguntou se eles queriam ver algo na TV e Lara disse que não. Ele desligou o aparelho e, antes de se recolher ao quarto com a mulher, pediu que a filha não esquecesse de apagar as luzes. Era seu modo sutil de dizer que Lara tinha cinco minutos e nem um segundo a mais pra botar o namorado pra correr.

- Pode deixar, papis. Boa noite, durma bem – respondeu a menina Lara, meiga e obediente como sempre, a menininha do papai.

Pelo espelho na parede da sala, que ela tratava de manter sempre estrategicamente posicionado, Lara viu os pais entrando no quarto e fechando a porta. Então, rapidamente, abriu a calça do namorado, pôs seu pau pra fora e começou a lhe tocar uma punheta. Como não havia prédio vizinho e a única ameaça à privacidade do jovem casal vinha de dentro, Lara nesses momentos ficava vesga: era um olho no peixe e o outro lá, no espelho da parede.

Fabinho marcou o tempo em seu relógio, recostou-se no sofá, fechou os olhos e tratou de aproveitar, como vinha fazendo nas últimas semanas, desde que a namorada aprendera a nobre arte da punheta completa, com direito a chupar e engolir. Dessa vez, porém, Lara suspendeu o ato pela metade e, sem avisar, puxou da bolsa e lhe entregou uma camisinha, dessas que já vêm lubrificadas. Fabinho, surpreso, demorou alguns segundos pra reagir, ô Fabinho. Mas felizmente reagiu e, no instante seguinte, pluft, a camisinha já estava posta no devido lugar. Lara então suspendeu a saia, baixou a calcinha e sentou sobre o pau ereto, tudo feito num silêncio de mosteiro. De costas pro namorado e sempre vigiando o espelho, ela guiou-o pra dentro de sua bunda com urgentes e desajeitados movimentos de sobe e desce, sentindo mais prazer que dor, enquanto Fabinho, ainda meio abobalhado, simplesmente não acreditava que estava enrabando sua namorada.

Dois minutos depois o corpo do garoto sacudiu-se todo e ele gozou, mordendo o próprio braço pra não fazer barulho. Lara, envolta na inebriante sensação que lhe dava aquele tubo de carne pulsante em seu cu, prosseguiu subindo e descendo, querendo mais, porém Fabinho pediu que ela parasse, só um pouquinho. Mas ela realmente queria mais, estava muito bom, e continuou, ainda mais forte, o que obrigou o namorado a afastá-la de uma vez. A contragosto, ela levantou-se e Fabinho mostrou-lhe o relógio: cinco minutos. Ela suspirou, resignada, melhor não abusar da sorte, e teve de se contentar com chupar o resto de gozo que ficara no pau já semi-amolecido. Após se recomporem, Lara o acompanhou até a porta e se despediram, Fabinho parecendo um zumbi, ainda sem acreditar.

E ela? Ah, Lara dormiu feliz, quase eufórica: agora não era mais virgem. Sentia-se de repente mais adulta, sentia-se especial, era uma sensação maravilhosa. Mas junto da felicidade havia um sabor de desapontamento, por não ter feito mais, fora tão pouco, tão pouco… E por que pelo cu? Porque tinha verdadeiro pavor de engravidar – um ano antes sua prima embuchara por causa de uma camisinha furada e um aborto mal-sucedido quase a matara. O conselho, pois, veio justamente da prima: Dá o cu, Larinha, que nunca vai ter perigo de pegar barriga. Conselho seguido. E em seu blog secreto, que só ela podia acessar, Lara no outro dia deixaria o registro da experiência: Ameeei dar o cu Prazer em ondinhas Caraca, a gente se sente tão safada Quero maisssssssssssss.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> As Taras de Lara – capítulos publicados

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Comentarios01 >> COMENTÁRIOS

01- GENIAL!!!!!!!! André de Sena, Recife-PE – nov2009

02- tem mais o que fazer não?!!!! Magna Mastroianni, São Paulo-SP – nov2009

03- Já vi começarem por cima, por baixo, agora por trás… kkkkkkkkk. Paula Izabela, Juazeiro do Norte-CE – nov2009


Protegido: As taras de Lara – Começando por trás (VIP)

Novembro 28, 2009

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O crime

Novembro 26, 2009

OCrime-01Você logo vai perceber que eu não sou uma pessoa fácil. Vou me virando aí pelas avenidas, mudando de pensão e ideologias conforme a luz. Gosto dos venenos lentos e das bebidas mais fortes. Converso com sapos. Ouço boleros na madrugada e caminho nu pelo quarto. E nem sempre é santa a minha ira.

Mas é que explode em mim uma liberdade que te fascina: vodcas, olheiras, buscar nos bares todos os olhares… Trago em mim a chama e o perigo. Um calor na coxa. Quer tomar alguma coisa?

Creio no fascínio, nas doentias obstinações, as paixões mais absurdas. Sou desses que carregam sempre o lado oculto de um forte desejo. Cúmplice, louco e delirante, ah, você não me conhece. O limite, o crime, o desatino!… Nada que me tente tanto.

Homem de opinião e nenhum caráter. Eu uso máscaras, garota, você não vai me entender a alma. Um ator na vida, meio canalha como todos são – à luz do dia acho tudo indecente. Palavras sem pudor, essa roupa rasgada que é preciso esconder… Olha, entre meu signo e o seu há uma possibilidade de veneno. Eu sei

Quero tudo que é estilete, faca, lâmina, metal. Quero te dar um beijo na boca ou pelo menos dormir com você. Mas percebo sua resolução de não ceder, você é uma mulher séria. Olhe que se preciso fosse, eu te mataria a sangue-frio e com cuidado… Nem tanto pelo amor mas pelo insólito. Ai, ai, eu sempre terminarei meus filmes como o bandido. Mas é isso mesmo o que sou, uma mistura dos cheiros da festa. E foda-se se você me detesta.

Confesso que mal te conheço mas sei muito bem das tentações dos sortilégios. Você tentará se domar, disciplinar, pensará ser mais forte que os ciclos e a força dos mistérios. Tsc, tsc… Não, garota, não se doma o mar. Então nisso é que consistirá o meu crime: você não saberá o que fazer e acabará abrindo a blusa.

Como faria qualquer mulher confusa em seu lugar.

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OCrime-01aTexto compilado e adaptado de poemas do livro O Perigo do Dragão (Ed. Record, 1984), de Bruna Lombardi.

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Ricardo Kelmer 1992 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Bruna Lombardi na Wikipedia

> Livros de Bruna Lombardi

- O Signo da cidade, roteiro do filme (Imprensa Oficial de SP, 2008)
- Meu ódio será tua herança
, romance (Guanabara Koogan, 2004)
- Filmes Proibidos
, romance (Companhia das Letras, 1990)
- Apenas bons amigos
, infantil (Globo, 1987)
- Diário do Grande Sertão, registro poético das filmagens (Record, 1986)
- O perigo do dragão, poemas (Record, 1984)
- Gaia, poemas (Codecri, 1980)
- No ritmo dessa festa, poemas (Editora Tres, 1976)


O Irresistível Charme da Insanidade 3.3

Novembro 21, 2009

O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.

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CAPÍTULO 3
3a parte
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E houve também a cena da cobra. Foi ainda à tarde, quando caminhavam pela estradinha de areia. De repente uma cobra cruzou o caminho, uma cobra verde, quase um metro. Quando ela surgiu, serpenteando, eles suspenderam o passo e observaram, ela admirando, ele retraído de medo. A cobra atravessou a estradinha, indiferente, e sumiu no mato.

- Luca… Você viu?

- Que diabo é ílichi? – perguntou ele.

- Como?

- Ílichi. Quem é?

- Ílichi?

- Sim. Não foi o que você falou?

- Eu? Eu não falei nada. Ílichi?! O que é isso?

- Justamente o que eu tô perguntando. Você não falou mesmo, Isadora? Juro que escutei.

- Vai ver foi a cobra.

- Tenho pavor de cobra.

Ele terminou de tomar o caldo e ficou olhando para ela, se deliciando com o que via: o rosto moreno, o cabelo negro molhado e caindo nos ombros, a boca bem torneada, os seios se insinuando por baixo da camiseta… e maluca, deliciosamente maluca.

De repente ela ergueu o rosto e seu olhar cruzou com o dele. Ele sentiu-se flagrado em seu desejo.

- Pensando em quê, Luca de Luz Neon?

- Ahn… nada.

- Por que não diz?

- Ah, eu pensei… tava pensando que…

- Você acha que eu sou louca, né?

- Eu?

- Hum, hum. Acha que eu sou meio pirada, né? Diga a verdade.

- Ahn, não. Quer dizer, é só um pouco diferente, assim, assim meio…

- Meio louca.

- Mais ou menos…

- Luca, seu bobinho, eu sou louca mesmo. Muito louca. Nunca tenha nenhuma dúvida quanto a isso. E eu sei o que você tava pensando. Quer que eu diga?

Que mulher louca!, ele pensou, enquanto ria e fazia que sim com a cabeça. Ela tomou a última colher do caldo, limpou a boca e falou, naturalmente:

- Nos meus peitos.

Ele não acreditou no que escutou.

- E, se quer saber, eu tava a-do-ran-do…

Primeiro foi o olhar de idiota dele. Depois foram as mãos, apertando-se sobre a mesa. Depois as bocas, o beijo ávido. Depois a conta paga com urgência, pode ficar com o troco, o último gole apressado de cerveja, o caminho de volta para a barraca, correndo, debaixo de chuva…

Chegaram ofegantes e enlameados, às gargalhadas. Entraram e sentaram um de frente para o outro. Ela suspendeu a camiseta, lhe exibindo os seios nus.

- Direto das mangueiras de Belém, pra você…

Ele se lançou sobre aqueles seios com todas as mãos e bocas e línguas que possuía, mangas maduras e suculentas para um esfomeado. Ela agarrou sua cabeça e o puxou para si, enquanto arrancavam o que tivessem de roupa e rolavam pelo chão, quase derrubando a barraca. Depois ela pôs-se por cima, prendeu seus braços e o cavalgou, subindo e descendo, subindo e descendo, até sentir-se descontrolada, enlouquecida. Até não sentir-se mais.

Louca… Por que não? Era isso mesmo que ela queria, ser louca, muito louca. Andar nua por aí pela chuva, descabelada, pega a doida! Queria ser louca, inconsequente, morrer de rir no velório. Gritar seu prazer bem alto na igreja. Escandalizar a pudicícia, mulher sem moral. Subindo e descendo,.. Abrir as pernas feito frango sacrificado no altar da devassidão execrável, escancará-las para todo mundo ver de perto a anatomia de sua loucura e depois puxar o mundo inteiro para dentro de si, bem fundo. Subindo e descendo, subindo e descendo… Muitas vezes louca aquela noite, louca para ele, louca para os deuses todos, todos os demônios, louca para a noite, a chuva… Queria apenas isso, ser louca, tantas vezes quantas conseguisse, e mais, tantas vezes mais quantas houvesse, mais e mais, mais, mais…

Luca abriu os olhos e de repente percebeu-se no espaço, flutuando na escuridão total, sozinho. Não via nada, nada havia para ser visto ou tocado. Não existiam paredes nem existia chão. Nem existia qualquer referência. Flutuava, apenas isso. No vazio da escuridão total e do silêncio sem fim. Há pouco estava na barraca e agora não tinha ideia de onde podia estar. Talvez houvesse adormecido e estava sonhando…

Então… sentiu. Em algum ponto do vazio absurdo… sentiu. No meio da escuridão algo se moveu devagar. Não tinha forma nem cor, não estava em lugar nenhum, não dava para ver. Apenas o engolia, de algum ponto o engolia, em sucções contínuas… ritmadas… o engolia… e de repente… a explosão! Num segundo seus pedaços foram lançados para todos os lados numa velocidade impensável, milhões de fragmentos expelidos para o Cosmos sem fim, mensagens de socorro para o espaço sideral. Alguém receberia? Ou já era tarde demais? Então, enfraquecido de tanto esforço, sentiu que deixava de existir, lentamente, devagar, diminuindo, apagando, morrendo… Para sempre.

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(continua)

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TRILHA SONORA

Este romance possui uma trilha sonora própria, com músicas compostas por RK e parceiros. Adquirindo o livro (impresso ou eletrônico), você recebe as músicas em mp3 por e-mail.

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Viver como Vinicius viveu

Novembro 14, 2009

Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso!

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RKViniciusDeMoraes-02aVinicius voltou pra mim, ô maravilha. Na verdade, o poetinha nunca se foi – eu é que, em face de outros encantos, esqueci o quanto dele se encanta meu pensamento. Curioso como a gente consegue se afastar dos nossos valores mais essenciais. Um dia, plim!, a ficha cai e a gente se assusta por ter vivido tanto tempo sem viver as nossas mais belas verdades, aquelas que fazem a gente se sentir vivo em cada vão momento.

Invoco agora as lembranças pra tentar entender. Lá vai eu, menino bobo de dez anos, dar de presente pra professora uns versinhos que meu pai me ajudava a fazer. Depois o adolescente a descobrir a força das erupções: da poesia e das espinhas no rosto. E nos poemas, sempre ela, a Mulher, primeiro nas rimas ingênuas das paixonites não correspondidas e, depois, nos versos livres dos amores juvenis pelas mesas dos botecos. E, pairando sobre aqueles dias, Vinicius a espalhar seu canto.

Nas rodas de violão da década de 80, eu sempre pedia Vinicius, pra rir meu riso e derramar meu pranto. Nas viagens de ônibus pelo país, seus livros pra passar o tempo. Na inauguração do bar do amigo, olha eu, solene e copo na mão, recitando Receita de mulher. No festival de vídeo, olha lá eu de novo, no palco a agradecer o prêmio – e o vídeo era uma homenagem ao velho Vina. E nos ouvidos rendidos da mulher amada, é minha boca que pousa suave a lhe sussurrar os versos do poetinha. Poesia, música e amores, e o fascínio quase religioso pelo Feminino – era só isso que importava. Viver não era preciso. Necessário apenas viver como poeta, seja com pesar ou contentamento. Como Vinicius viveu.

Invadindo meus dias sem pedir licença, eis porém que chegam outros tempos, vestidos de anos 90, e com eles outros bares, outras viagens, outros livros e músicas, outras mulheres, uma outra vida. E um casamento difícil, com a carreira de escritor, em nome da qual eu ganharia e também abdicaria da própria vida. Meus discos do Vinicius, nem gosto de lembrar, se perderam nas tantas mudanças e seus livros eu precisei vender no sebo pra pagar o aluguel, essa mensal angústia de quem vive. Na memória, os poemas deram lugar a fórmulas de sobrevivência como escritor. E o viver como ele viveu, ah, isso foi ficando cada vez mais espremido num cantinho da vida.

Ela quer um poema agora, Vina, exclusivo pra ela. Como você fazia nessas horas? (1993)

Casadão com a carreira, mudo pro Rio de Janeiro em 1995 e no ano seguinte pra São Paulo. Porém, sem conseguir me manter como escritor, volto pra Fortaleza. Sete anos depois tento novamente o Rio, viro roteirista de TV, e em 2006 aporto mais uma vez na Pauliceia, viro palestrante e professor de roteiro, tudo pra sustentar esse casamento. Uma noite vem a ideia de montar uma palestra nova e é então que a ficha cai: uma palestra sobre Vinicius. Plim! Como não pensei nisso antes? A ideia rapidamente evolui: montar não uma palestra, mas um espetáculo sobre o poetinha. Viniciarte. Pliiimmm!!!

Imediatamente tratei de reler suas obras e reuni novamente suas músicas, faminto desse amor que um dia eu tive. Mergulhei em biografias, vi filmes e conversei com pessoas que o conheceram pessoalmente. Em busca de algo que bem representasse o espírito de sua vida e obra, criei um roteiro que simula o ensaio do espetáculo que um grupo de amigos fará em 2013, no ano de seu centenário: amigos reunidos, uísque na mesa, clima descontraído, os erros e acertos de um ensaio e, entre poemas e canções, eles descobrindo as diversas facetas de Vinicius e o encanto do mundo por sua arte. É uma montagem simples, que espero que reflita a alma leve e despojada de Vinicius, assim como também a singeleza, a emoção e a devoção à Vida que tão bem marcaram sua obra e seu viver.

De Pitú pra Chivas. Pelo menos nisso, poetinha, eu evoluí. (2009)

Uau… Eu consegui ressuscitar a velha chama que vinte anos atrás aquecia de imortalidade os meus dias, minha vida andava precisada disso. Viver outra vez aquele frio na barriga que antecede cada subida ao palco, recitar seus poemas por aí e mostrar a grandeza do Vinicius homem e artista – putz, tem sido tão gratificante fazer isso! Espero que eu realmente seja digno dessa tarefa a que me incubi e que, pensando bem, é antes de tudo um resgate de mim mesmo. Que ironia isso… Enquanto despendia toda minha energia pra manter meu casamento com a escrita, esqueci de viver como poeta. Bem, meu casamento continua firme mas agora sou um escritor que sabe de algo valioso: maior que a sina da escrita, é ela, a poesia da vida, que faz tudo ser infinito enquanto dura.

Saravá, Vininha, saravá.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Agenda de apresentações do Viniciarte

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RK em “Ausência”, de Vinicius de Moraes
Violão: Moacir Bedê interpreta Insensatez (Vinicius e Tom Jobim)
Quinta Poética, Casa das Rosas, 29out2009
Realização: Editora Escrituras

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Comentarios01 >> COMENTÁRIOS

01- Onde já se viu, criatura, casar com a carreira e abandonar a tua belíssima FÊMEA DE DENTRO? Tá dooooido? Lembra do que tu escreveu sobre fascínio religioso pelo feminino? Pois é… Andastes des-ligado DELA? Entonces, se re-ligue. De fascínio ao religamento, já imaginou RK? FODAS RELIGADORAS BÁRBARAS! GOZOS TRANSBORDANTES! Patrícia Lobo, Salvador-BA – nov2009

02- Oi Ricardo, Tudo bem? Adoro ler o que escreve, pena não poder entrar no seu blog aqui do computador do meu trabalho. Torço por vc e que a inspiração seja sua eterna companheira. Parabéns!! Abraços. P.S.: Lembrando: Sou aquela moça do bolo de choclate que vc não comeu…rsrsrsrs. Fátima, Brasília-DF – nov2009

03- cara, vc realmente escreve muuuuito bem! aproveitar frases dele, encaixar tão bem nas suas… PARABÉNS!!!! me emocionou, assim como os poemas do poeta… bjão. Celia Terpins, São Paulo-SP – nov2009

04- Vinícius bom é Vinícius poeta… o “poetinha” é machista e duro do ouvido! Emblemática é a correspondência entre Chico e ele (Chico, o ouvido perfeito….). Em Valsinha, Vinícius sugere q mude “vestido decotado” para “vestido dourado”. Chico responde q com “dourado” a tônica fica na sílaba errada… É verdade: qtas pessoas vc conhece q compõem letras e não se ligam nisso? Ficaria “douradú”… em vez de “dourádo”, ou, como ficou, “decotádo”. bjs. Betty, São Paulo-SP – nov2009

05- Olá Ricardo, gostei muito da sua crônica. O mais engraçado foi a leitura desse texto justamente hoje, quando deixei de fazer umas coisas super-chatas e decidi vir para casa fazer algo mais bacana… Um abraço. Glauber Moura, Brasília-DF – nov2009

06- So good Kelmer. Juliana Guedes, Fortaleza-CE – nov2009

07- RK, é por estas e outras que vc será meu eterno Guru!!! Marcos André Borges, Fortaleza-CE – nov2009

08- Legal conhecer gente do bem, do bom, da boa…embriagado da mais pura poesia e boemia. 2013 promete! Q suba o país, viniciando com K. Muito bom ouvi-lo! Repassei aos amigos q não desistem de navegar pela vida, apesar de tantos desencontros. Parabéns! Marcia Matos Barbosa, Fortaleza-CE – nov2009

09- Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você…. Danielle Fernandes, Fortaleza-CE – nov2009

10- Que texto lindo!!! Adorei!!! Gosto muito do seu jeito de escrever….jeito que encanta, que dá vontade de quero mais……. rs Abração aí!!! Biah Carfig, São Paulo-SP – nov2009

11- Kelmer com K, este teu momento de retorno às fontes é muito bonito! A vida é espiral. Beijo, e boas inspirações! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – nov2009

12- ameiiiiiiiiiiiii,muitooooooooooo lindo!!!Sampa está te fazendo muitoooooooooo bem meu amigo queridoooooooooooo!!!estou te achando mais forte,maduro,sensível,escrevendo melhor ainda,enfim tudo de bommmmmmmmm. Beijossssssssssss mil. obs:bjssssssss no Bedê. Cristina Cabral, Fortaleza-CE  – nov2009

13- Saravá, Ricardo! Saravá Vininha! Continue, continue… Ana Gilli, São Paulo-SP – nov2009

Bom ver você assim, entusiasmado. Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que você….

Eu só queria que você soubesse

Novembro 10, 2009

LETRAEuSoQueriaQueVoceSoubesse-01a

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Eu só queria que você soubesse
(Ricardo Kelmer e Humberto Pinho)

Eu só queria que você soubesse
Que as minhas noites são tão vazias
E o meu coração é tão velho sem você
Eu sirvo mais uma dose enfim
Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

Eu ouço música na madrugada
Eu tinha tanta música pra fazer
Sirvo uma dose, me visto pra sair
Eu tinha tanto pra dizer
Onde está a seção de acompanhantes?
Quanto vale um corpo sem você?

Eu só queria que você soubesse
Que eu durmo muito tarde
E até a cidade tem sensibilidade
E que comprei aquele vinho da promoção
Eu só queria que você soubesse
Que você não tem coração

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Ricardo Kelmer 1995 – blogdokelmer.wordpress.com

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RAIO X DA PARCERIA

Você me permite umas considerações sobre esta música?

Fiz a letra desse blues numa das madrugadas solitárias de minha primeira fase carioca (1995-1996). Mostrei pro Humberto, que gostou e musicou. Em 2004, antes de eu embarcar pra ir morar novamente no Rio de Janeiro, ele gravou em seu estúdio, apenas voz e violão. É o único registro que temos pois a música não foi gravada por mais ninguém.

Quando escrevi, tive o cuidado de deixar o gênero incerto, ou seja, quem fala pode ser uma mulher ou um homem, apesar do protagonista buscar uma seção de acompanhantes e isso ser uma prática mais masculina. Numa letra, a incerteza proposital do gênero permite que tanto homens como mulheres se identifiquem e possam cantar sem ter que alterar o texto.

Por falar em alterar, houve alterações na letra. Em parcerias, isso é comum, e usarei este caso pra mostrar como elas podem enriquecer o trabalho. Na letra original, o verso é “Que as minhas noites são tão vazias” mas Humberto gravou “Que as minhas noites são tão sozinhas”. Gostei, mas prefiro o original por causa da aliteração (repetição das mesmas letras ou sílabas) provocada pela letra V (vazias, velho, você).

Outra mudança foi no verso “Quanto vale um corpo sem você?”, que na gravação ficou “Quanto vale um corpo sem o seu?” Outra vez prefiro o original mas é interessante perceber como as duas formas possuem curiosas sutilezas de significados. Vejamos:

“Quanto vale um corpo sem você?” – O protagonista ou a protagonista, no auge da solidão, busca a seção de acompanhantes e se pergunta quanto poderia valer um corpo que não fosse o da pessoa amada, “um corpo sem você”.

“Quanto vale um corpo sem o seu?” – Aqui a pergunta muda o foco. Quanto valeria o corpo do próprio protagonista privado do corpo da pessoa amada?

Mas houve uma mudança que aprovei. No original, era assim:

Eu olho a cidade da janela
Só a cidade sabe de mim

O protagonista tá na janela olhando a cidade e somente a cidade sabe de sua dor. Na gravação, porém, o ritmo obrigou Humberto a fazer uma leve pausa entre “cidade” e “janela” e essa mudança, mesmo sendo bem sutil, levou o “da janela” mais pra perto do verso seguinte e isso causou, pelo menos pra mim, um efeito visual e de sentido bem mais interessante.

Eu olho a cidade
Da janela só a cidade sabe de mim

O protagonista continua olhando a cidade, isso não mudou. Mas agora o verso “Da janela só a cidade sabe de mim” parece emoldurar a cidade na janela e isso traz o protagonista de volta ao ambiente interno do apartamento. Ou seja, agora a cidade tá na janela e observa o protagonista em sua dor e solidão.

A montagem aí de cima, uma mulher deitada na cama, vestida apenas com um salto alto, tocando-se, e a cidade observadora de fundo… Sabe que tô começando a gostar de fazer essas montagens?

A seguir, o clipe. É um dos que usei pra divulgação de meu livro Vocês Terráqueas. Escolhi e trabalhei as imagens pondo como protagonista uma mulher, e pra fazer a edição usei o Windows Movie Maker, tudo bem dentro das minhas limitações, vá desculpando.

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Clipe da música


Filme: Desconstruindo Harry

Novembro 4, 2009

FILMEDesconstruindoHarry-10Desconstruindo Harry

FICHA TÉCNICA

Deconstructing Harry
EUA, 1997 – 95 min
Elenco: Woody Allen, Kirstie Alley, Tobey Maguire, Demi Moore, Robin Williams, Billy Crystal e outros
Roteiro e direção: Woody Allen
Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original

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RK COMENTA

Niilismos e orgasmos

Harry Block é um conhecido escritor que usa e abusa de referências autobiográficas em seus livros, o que acaba por incomodar seus amigos, familiares e amantes, que se descobrem nas histórias publicadas e não gostam nada de como foram retratados. Em meio a uma crise criativa, abandonado pela amante e preparando-se para ser homenageado pela própria escola que no passado o expulsou, Harry passa a se relacionar com seus próprios personagens, que lhe mostrarão novas formas de compreender sua vida confusa.

Eis mais um daqueles deliciosos personagens cheios de neuras de Woody Allen. Harry gasta todo seu dinheiro com análise, advogados e putas e ele é o primeiro a prevenir suas amantes para que não se apaixonem por ele. Acusado por sua ex-mulher de levar a vida baseado tão-somente em niilismo, cinismo, sarcasmo e orgasmo, ele consegue irritá-la ainda mais dizendo que com um slogan desses, seria eleito presidente da França.

Desconstruindo Harry é um filme muito divertido, principalmente para escritores que se relacionam intensamente com sua própria obra e com seus personagens. Se você costuma escrever inspirado diretamente em seus relacionamentos e nem sempre consegue distinguir o que inventou em seus textos daquilo que copiou da vida, então conheça Harry Block. E dê boas risadas dele e de você também.

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Baixe o filme
> Factoryfilmes.net (aúdio em português)

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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Filme-01a.

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