Essa piscina dá onda

Julho 29, 2009

CartumMaconha-01

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Malíngua e suas maledicências… Agora ela anda dizendo poraí que Michael Phelps não é mais aquele imbatível nadador depois que parou de fumar maconha.

Bem, se a queda de rendimento do Michael tem a ver com a falta de maconha, isso eu não sei. Nem sei também se maconha melhora rendimento de nadador. Mas uma coisa é fato: a dona da cantina do centro de treinamento anda meio borocoxô. Diz que o faturamento baixou pra caramba. Também, pudera. Imagina a larica que dava num galalau daquele tamanho depois de fumar um e nadar dez mil metros…

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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ParceiroJuniorLopes2009-01a> A ilustração é do Junior Lopes, um cartunista que quando era pequeno caiu dentro de um tonel de tacacá e ficou eternamente viajandão. Sacaqui o trabalho do maluco:
juniorlopesillustrator.blogspot.com


Aviso prévio de traição

Julho 27, 2009

A partir de hoje poderei te trocar por outra a qualquer momento. Basta que ela sorria pra mim e que me faça agradinhos. E me dê o que você nunca quis me dar

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AvisoPrevioDeTraicao-01– Faz tempo que quero conversar com você, Clarabela. Pode ser agora?

– Claro.

– Quantos anos que a gente tá junto?

– Deixe-me ver… Sete anos.

– Tempão, né? Difícil hoje em dia um relacionamento durar isso tudo.

– Sim.

– Você sabe que nesse tempo eu estive apenas com você, né? E olhe que não me faltaram boas oportunidades.

– Agradeço a preferência.

– E você sabe melhor que eu como vocês são, né? Não podem ver o cara comprometido que ficam loucas pra tirá-lo da outra.

– Sim.

– Dá pra você ser menos fria comigo?

– Não entendi.

– Então vou direto ao assunto, Clarabela. Decidi deixar de ser bobo. A partir de hoje poderei te trocar por outra a qualquer momento. Basta que ela sorria pra mim e que me faça agradinhos. E me dê o que você nunca quis me dar.

– E o que eu nunca quis lhe dar?

– Um pouco mais de consideração, por exemplo.

– Mas eu sempre estive ao seu dispor, a qualquer hora.

– Sim. Pra ser atendido por pessoas mal treinadas, que ganham pouco e que não sabem resolver o meu problema. Sem falar nas vezes em que a ligação cai e preciso começar tudo de novo, com outro atendente.

– E qual é o seu problema?

– Tá vendo? Você já deveria saber pois foi só o que fiz nos últimos dias: contar o meu problema. Mas tudo que você fez foi abrir protocolos de atendimentos e dizer que eu esperasse tantos dias que o problema seria resolvido.

– E não foi?

– Não.

– Só um instante, por favor.

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(musiquinha irritante)

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– Obrigado por aguardar. Foi aberto um protocolo de reclamação. Gostaria de…

– Foda-se o protocolo!! Tudo que eu quero é ser bem tratado! É este o meu problema.

– Desculpe, é que eu preciso…

– Não desculpo nada. Tô de saco cheio de ser passado de atendente pra atendente, de ficar horas esperando, de ouvir aquela musiquinha irritante, de ser tratado como um simples número de protocolo.

– Entendo.

– Não, não entende. Se entendesse, não faria o que faz.

– Entendo.

– E ainda tem esse seu jeito robótico de falar comigo. Essa frieza também é muito irritante, sabia?

– Nesse caso, vou estar transferindo seu caso para o…

– Não, gerundismo a essa hora, não!

– Não entendi.

– Porra! Será possível que você não percebe que tá me perdendo? Acorda, Clarabela!

– Só um instante, por favor.

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(musiquinha irritante)

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– Obrigado por aguardar. Sua solicitação de informalidade foi aceita.

– Ótimo.

– A sua opção escolhida é realmente… quer dizer… Você vai mesmo… me abandonar?

– Provavelmente.

– Poderia confirmar… quer dizer… Me diz aí quem é a vaca. É a Timótea?

– Não interessa.

– Então é a Vivalda.

– Admito que ela andou atrás de mim.

– Já sei. É a Oitília, isso é típico daquele tipinho.

– Em vez de criticá-las, por que você não me trata com mais carinho?

– Essa é sua opção… quer dizer… É isso que você quer? Mais carinho?

– Exatamente. Afinal eu pago minha conta todos os meses, né? Há sete anos!

– Só um instante, por favor.

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(musiquinha irritante)

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– Obrigado por aguardar… gatão.AvisoPrevioDeTraicao-01

– Heim?

– Adoro essa sua voz sexy, sabia?

– Clarabela, é você mesmo?

– Sim, a sua Clarabela. Aproxima mais o aparelho, chega mais perto.

– Eu?

– Sim, quero falar no teu ouvidinho uma coisa que você vai gostar.

– Pronto.

– Eu cubro tudo que elas te ofereceram!

– Sério?

– Volta pra mim, meu amor, por favor!!!

– Bem, eu…

– Você quer dez vezes mais créditos? Eu dou. Quer mil torpedos? Eu dou. Quer o modem do 3G de graça? Eu dou, eu dou!

– Caramba… É sério mesmo?

– Basta que você ponha o aparelho agora mesmo no viva-voz. Vai, põe logo…

– Pronto.

– Meu amooor!!! Eu dou tudo pra você! Do jeito que nunca dei pra ninguém!!!

– Fala baixo, Clarabela, tá todo mundo escutando.

– Eu quero que o mundo inteiro saiba mesmo! Eu amo esse cara, estão ouvindo? Ele é o cliente da minha vida! E se alguma operadorazinha invejosa quiser tirá-lo de mim, terá que ser por cima do meu cadáver!!!

– Tô começando a sentir falta do seu jeito formal de ser…

– Escuta, meu amor, hoje não vou mais trabalhar. Vou te levar pra jantar no Anatelle e dançaremos sob a lua cheia no terraço. Tudo por conta da Clarabela, viu? E depois iremos ao Prokón trepar até o amanhecer. Te deixarei me fotografar com câmera de 10 megapixels e você ainda poderá ligar gratuitamente pros seus amigos pra contar tudo que fez comigo.

– Os amigos com DDD local, é óbvio.

– Não. Qualquer DDD.

– Uau! Isso nenhuma outra me ofereceu.

– E aí, gatão, você ainda vai me abandonar?

– Acho que não…

– Menino esperto… Só um instante, por favor.

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(musiquinha irritante)

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– Obrigado por aguardar. E então, vai querer agora?

– Jantar com você?

– Não, anotar o número do protocolo.

– Ah… o protocolo.

– Vou estar enviando por torpedo. Mais alguma coisa?

– Não, gerundismo não…

– Clarabela agradece a sua ligação e tenha um bom dia.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


0 gozo de ser bem lido

Julho 23, 2009

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No namoro do olhar com a palavra
Faz-se coito o literato sentido
Quem lê bebe o doce prazer do texto
Que escorre do gozo de ser bem lido

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25 de julho, dia do escritor
Uma homenagem a você que me lê

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Cristal

Julho 22, 2009

Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe

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Cristal-03Ele pensa enquanto a pergunta da Mestra ainda ecoa: Que tal passar o aniversário com sete namoradas? Ele olha para trás, para frente, o corredor infinito, portas de um lado e outro. Que estranho presente de aniversário…. A Mestra abre a porta. Ele pensa. Pode recusar? Não, ele sabe que não pode. E entra, devagar, desconfiado.

Silêncio. Uma sala enorme, toda branca. À esquerda ele vê dois olhos verdes. Chega mais perto e reconhece: é ela. Uma dor repentina o entristece. O que acontece com os sentimentos que desprezamos em nós mesmos? Ele se desculpa: Eu era só um garoto estúpido mas amei você mesmo assim, acredite…

Rejuvenescido. É como ele se sente no ambiente seguinte onde a bailarina faz piruetas sobre uma nuvem. Ela sorri um sorriso tão juvenil que imediatamente ele se sente mais jovem do que é, do que era. Quer sentar para admirar mas não há tempo. Resta-lhe dizer: Tudo valeu, as alegrias, as brigas, tudo, mas o tempo, infelizmente não houve tempo, você já estava de partida, fui apenas sua despedida desse mundo…

Beleza e loucura… beleza e loucura… De algum lugar escuta alguém sussurrar. Lá encima, no alto da torre. A linda princesa. Ela o chama, implora que a liberte de sua prisão. E joga duas enormes tranças. Que caem a seus pés. Bela e irresistível como o diamante da insanidade… E ele foi, subiu agarrado às suas tranças até o alto. E lá no alto teve medo do que ele era. Horrorizado, despencou. E morreu sua primeira morte, rígido de dor. Obrigado por ter me matado, princesa, eu a amarei para sempre por isso, obrigado…

Vazio. O aposento vazio. Ele escuta um piano… Um som doce, tão doce que o sente na boca, se desmanchando sob a língua. Depois que se desmancha é que percebe que o doce… é ela. Tenta provar o som mais uma vez… porém tudo volta a ser o imenso vazio. Sente-se tão incomodado que se apressa para sair… mas uma idéia súbita o faz voltar. E então compreende. O vazio é ele, ele todo o imenso vazio, sem nada para oferecer além da própria busca alucinada por si mesmo. Ela ao piano, os seios generosos, ela e a doçura que sempre se desmancha antes que ele a alcance… Desculpa, por favor, que era eu um vaso vazio?…

Fantasias. Mil fantasias nos espelhos ao redor. Qual delas será ele? Experimenta todas e nenhuma lhe cabe. Sente-se perdido em meio a tudo aquilo que não é ele e se angustia ainda mais. Então surge a mão dela, amorosa e compreensiva a acariciá-lo. Ele leva a mão ao peito e se acalma. No meio do caleidoscópio de tantos eus ele sussurra: Você me vê, mais do que eu mesmo, e isso me faz existir…

Girando e girando e girando… Ele agora gira no escuro, sem saber onde se encontra. Está úmido e abafado. Enquanto gira, sente a excitação lhe subir pela virilha, mais, mais… Um segundo antes de gozar, percebe que está na caverna e então compreende que está dentro dela, ela o comeu, viúva negra. Entorpecido, deita-se para morrer, finalmente descansar na escuridão total. Mas no último segundo desperta aterrorizado e, com as forças que restam, levanta e as luzes se acendem. Fomos fundo, meu bem, fomos tão fundo em nós…

Karma. O último ambiente é o ônibus que o levará ao inferno. Quer desistir mas o olhar de sua irmã lhe diz que não há outro caminho para o céu. Ele entra, fecha os olhos e chora indefeso, pressentindo o que virá. A rodomoça oferece o cálice e quando o bebe, vê que é sangue. Não há palavras para descrever o gosto, a dor, o inferno, a morte. Dias sem noites e noites sem dias sem poder dormir. Rendido, permite que demônios devorem sua carne. Sem mais qualquer orgulho, abre os braços e oferece a alma à Terra. Na última noite escuta pombas brincarem no teto… e percebe que renascerá. E tudo se esclarece: Você é o que eu precisava viver para que o Cosmos se reequilibrasse em mim, não há palavras para agradecer…

A porta se abre e ele cai de joelhos, chorando de gratidão. A Mestra o abraça, compreensiva. Ele quer falar sobre tudo que viveu ali dentro, todos aqueles anos, os amores e desamores, o quanto sofreu e fez sofrer, perdeu e se encontrou… Mas não precisa, ela já sabe. Ela pede que ele abra a mão… e lá estão sete pedrinhas de cristal, em todas o reflexo de seu próprio rosto. Extasiado, ele pega os cristais com cuidado, admirando seu brilho. Então, de repente, não são mais sete, são apenas um, o mais belo. Ele aperta o cristal ao peito e respira fundo. Quer dizer algo mas, pensando bem, não há nada para dizer. Nem pensar. Apenas sentir.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do Feminino

> Desconstruindo Kelmer (por Wanessa) – Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina…


Trem dos sonhos

Julho 19, 2009

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TREM DOS SONHOS
Ricardo Kelmer
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Ela levantou cedo e se mandou
Foi atrás de um sonho maior
Deixou um beijo de saudade
E essa cidade ao meu redor
Esses prédios que abafam
Todo sonho de crescer
E ela se foi no trem do amanhecer

Porque os sonhos, meu amor
São um trem que não virá
Se a gente ficar esperando acontecer

A cidade se acende
Em luzes de neon lilás
Manchetes sedutoras, paraísos irreais
No fim de tarde o horizonte
Traz notícias de você
E os meus sonhos morrem de fome
Sem a cidade perceber

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Esta é a letra de Trem dos Sonhos, um rock-balada que eu e Flávia Cavaca compusemos pra trilha sonora de meu romance O irresistível charme da insanidade. Luca arrasado porque Isadora se mandou, deixando-o sozinho e perdido. Depois mostro a música aqui no blog.


A imagem do século 20

Julho 16, 2009

Terra-01aQual a imagem do século 20 para você? Foi essa a pergunta que me fizeram. E fiquei dias e dias pensando. O século 20 é repleto de imagens marcantes: cinema, descobertas científicas, guerras, competições esportivas, maravilhas tecnológicas, o 14 Bis de Santos Dumont, Gandhi e a roda de fiar, aquela menina vietnamita correndo nua pela estrada bombardeada, aquele cidadão chinês a desafiar os tanques na Praça da Paz Celestial (o nome da praça, que ironia…), a ovelha Dolly… Tantas imagens, tantas coisas inesquecíveis. Acabei escolhendo duas imagens.

A primeira é o cogumelo atômico, a bomba jogada sobre Hiroxima e Nagasaki em 1945. A bomba atômica, a rosa com cirrose, sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada. Devemos guardar para sempre a imagem do cogumelo maldito em nosso álbum de recordações, para não esquecer que chegamos bem próximos de nos exterminar. A imagem nojenta da destruição de uma cidade e do assassinato de milhares de inocentes. A imagem suprema da estupidez humana.

O vergonhoso cogumelo atômico simboliza também mais uma mordida no fruto proibido do conhecimento, o fruto que sempre nos atiçará a curiosidade. O problema não é o fruto em si pois o conhecimento existe para ser acessado, ele está sempre nos aguardando e a evolução das coisas sempre nos levará ao nível seguinte de conhecimento. O problema é o que fazemos do conhecimento adquirido. Não há como deter a evolução do saber, é uma necessidade inerente à espécie. Descobrimos o poder dos átomos e que ele pode nos ser útil – mas descobrimos também que serve para exterminar populações inteiras, gente inocente, num segundo apenas. Um segundo que deixou eternamente projetada, feito uma sombra na parede de nossa história, a estupidez e a vergonha de sermos humanos.

E a segunda imagem? Bem, ela não é vergonhosa, muito pelo contrário. Enquanto o cogumelo atômico nos entristece, essa outra nos enche o coração de esperanças num futuro melhor. É a foto da Terra, vista do espaço. A foto que os astronautas tiraram quando de sua chegada à Lua, em 1969. Naquele momento a humanidade, pela primeira vez na História, punha seus pés em outro lugar fora de seu planeta e olhava para trás e via a Terra de outro ângulo. A imagem é linda mas não é somente isso. Ali, naquele instante mágico, eternizado na fotografia, a humanidade botou a cabeça para fora de seu mundinho de divisões, superficialidades e mesquinharias e conseguiu, pela primeira vez… distanciar-se e olhar para si mesma.

E o que vimos? Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vimos o todo. Não vimos divisões de raças, culturas, credos e ideologias. Não. O que vimos foi uma coisa só, feita de coisas diferentes, sim, mas uma coisa só. Vimos pela primeira vez o nosso planeta e descobrimos que ele é azul e é lindo, suspenso no espaço a flutuar pela imensidão do Universo. Ô momento iluminado! Quantas implicações filosóficas e metafísicas e sociológicas e econômicas e tudo o mais essa imagem de repente detonou!

Antes muitos intuíram que por baixo da extrema diversidade corre o rio da unicidade. Mas a foto da Terra de repente mostrava isso no papel e resumia numa imagem tudo o que precisávamos urgentemente pôr em prática. Ficou claro, de um instante para outro, que vivemos num único lugar, ocidentais e orientais, negros, brancos, índios, amarelos, cristãos, judeus, muçulmanos, hinduístas. De repente ficou claro que não mais faz sentido nos massacrarmos e dividirmos o mundo em capitanias, e que devemos agora dar prioridade máxima àquela visão do todo em vez de privilegiar este ou aquele país, esta ou aquela cultura.

A partir dessa foto a humanidade passou a pensar diferente a respeito de si mesma e do lugar onde mora. Deu-se um estalo no inconsciente coletivo. Ativou-se de vez o novo mito da unicidade. De repente nos vimos do alto e entendemos que, num mundo cada vez mais interconectado, tudo o que fizermos localmente terá consequências globais, mesmo que não as percebamos de imediato. Ficou claro que o planetinha azul é tudo que possuímos e que se ele adoecer, nós, como parte integrante, também adoeceremos. Ficou muito claro que o que fizermos a Gaia estaremos fazendo a nós mesmos.

As fronteiras geopolíticas, essas linhas artificiais que separam as pessoas em todo o mundo, simplesmente não existem naquela foto. Nela o mundo está livre de divisões. Hoje, mais de trinta anos depois, os blocos econômicos, a crescente indústria do turismo, as comunicações de massa e a internet cada vez mais acessível afrouxam ainda mais essas fronteiras, fragilizando a noção de país que possuímos. Essa fragilização causa em muita gente, principalmente nos mais velhos, certo incômodo e insegurança pois nossa noção de país e de identidade cultural foi construída à custa de muitas guerras e conquistas sangrentas e se encontra enraizada a ferro e fogo em nossas mentes. Dói ter de largá-la por uma noção planetária que ainda não sabemos como exatamente irá funcionar.

Dói mas talvez não haja outra alternativa. O curso natural da evolução parece agora nos solicitar uma noção mais abrangente de nós mesmos e do lugar onde todos vivemos. Sei que o processo de globalização é irreversível e que, com ele, há o perigo de culturas inteiras serem devoradas pelos interesses comerciais, enriquecendo alguns poucos mas empobrecendo a espécie humana. Será um grande desafio que teremos de superar.

Por enquanto fico com minha esperança nesse mundo sem fronteiras que aquela foto tirada do espaço nos revelou. Um mundo mais inteiro e harmônico, sem divisões internas a enfraquecê-lo. E é exatamente por causa dessa esperança que não morre que, entre as duas imagens, escolho a imagem da Terra, nossa casa vista do espaço, redonda e azul, como a imagem do século 20. E torço para que, no futuro, essa imagem simbolize o momento mágico em que o mito da unicidade foi finalmente despertado, feito uma revolução em massa que ainda está em seu início mas que não pode mais ser derrotada.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.wordpress.com

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DICAS DE LIVRO

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> Iniciação à visão holística
Clotilde Tavares (Record/Nova Era)
Holística é um daqueles termos que de repente, quando você vê, ele já está por aí, na mídia e na boca das pessoas. Mas, cá pra nós, quem sabe mesmo o que significa exatamente isso? A professora Clotilde Tavares, que também é médica e terapeuta floral, faz um agradável passeio pelas noções básicas que formam o pensamento holístico, cada vez mais importante pra humanidade deste tempo.

> O novo paradigma
Walter de Souza (Cultrix)
À procura de entender a realidade, a humanidade fragmentou o conhecimento, valorizando as especializações. Isso trouxe conquistas indispensáveis, é verdade. No entanto já é visível a necessidade de voltarmos a reunir o conhecimento espalhado. É alentador ver que vários ramos da ciência já seguem a mesma direção. Nesta curta mas significativa obra, o autor nos revela os novos caminhos que já estão expandindo a consciência humana.

> O Tao da Física
Fritjof Capra (Cultrix)
Novas descobertas da f ísica quântica promovem um verdadeiro rebuliço na compreensão dos cientistas a respeito da realidade e muitos até se recusam a acreditar nas constatações filosóficas e metafísicas a que seus experimentos os conduzem. O físico Fritjof Capra mostra as impressionantes coincidências entre as novas descobertas da Física a respeito da matéria e as antigas filosofias orientais como o Taoísmo e o Budismo.

> O ponto de mutação
Fritjof Capra (Cultrix)
Prosseguindo em seus estudos, Capra mostra como as ciências já estão falhando por insistir em seguir o modelo newtoniano/descartiano de interpretação da realidade e sugere que a humanidade está vivendo uma decisiva transição em sua evolução. Especificando a situação de diversos ramos da ciência, como medicina, psicologia e economia, Capra escreveu uma obra indispensável ao estudioso do pensamento holístico e dos novos paradigmas que lentamente estão, não substituindo, mas complementando os atuais.


Santa Luana, livrai-nos dos fanáticos

Julho 15, 2009

SantaLuanaLivraiNosDosFanaticos-01

Lendo os comentários que recebeu minha crônica sobre proselitismo religioso no esporte (Religião no esporte é gol contra), comprovei o perigo que a religião representa pro mundo. Meu texto defende limites no comportamento de jogadores que usam o esporte pra divulgar ostensivamente crenças religiosas. A imensa maioria obviamente discordou pois a imensa maioria dos terráqueos é religiosa. O preocupante foi o tom de animosidade dos comentários. Em lugar de considerações racionais e equilibradas, esses religiosos cospem grosserias, xingamentos e até ameaças, dizem que tô dominado pelo demo, que eu defenderia a propaganda de drogas e que sou babaca, gay e fascista, insultam minha mãe e pedem minha saída do jornal. Quanto fanatismo…

Um assunto delicado e polêmico como esse poucos ousam abordar diretamente pois inventou-se que nunca se deve criticar a religião – um privilégio absurdo. No entanto, os problemas que o fanatismo religioso causam ao mundo trazem naturalmente à tona a necessidade de discutir o assunto com urgência.

A história da humanidade está encharcada de sangue por causa da religião. Mulheres e homossexuais já foram perseguidos demais pelo machismo das religiões. Atualmente a maioria dos conflitos no mundo tem causas religiosas. O terrorismo político, que nos assombrava até pouco tempo, hoje é brincadeira perto do terrorismo religioso. A fé fanática leva as pessoas a lutarem contra o que não segue seu livro sagrado e pra isso vale explodir clínicas de aborto, trens e edifícios.

Nenhum religioso se acha fanático, porém é sutil o fanatismo religioso. Crer que o ser supremo do Universo tá do meu lado e castigará quem discorda de mim e que o meu deus é real e os outros são mentira – isso não é fanatismo? Ah, mas não existem deuses, só existe um único deus, o monoteísta argumenta. Entretanto esse único deus sempre será exatamente como ele entende e jamais como os outros possam entender. Fanatismo. Então defender radicalmente um ponto de vista será sempre fanatismo? Claro que não. No entanto, querer impor a todos uma crença irracional que se resume a uma mera questão de fé íntima e que não se pode comprovar – o que é isso?

Insistem num ponto os favoráveis ao proselitismo religioso no esporte: que impor limites seria ir contra a liberdade de expressão. E disso me acusam, putz, logo eu que tenho a liberdade como bandeira de minha vida. Claro que a liberdade de expressão é sagrada e sem ela não há democracia. Mas há situações mais e menos convenientes pra se expressar. Se um torcedor aproveitasse uma cerimônia religiosa pra exibir a camisa e propagandear a paixão por seu clube, os fiéis da igreja protestariam. Seriam eles contra a liberdade de expressão?

Nada disso. É uma questão de conveniência social.

Haveremos de encontrar um meio de proteger o esporte das interferências da religião, até porque um evento esportivo não é um evento religioso. Evidentemente as religiões têm todo o direito de organizar eventos esportivos e, nesse caso, o esporte seria legitimamente usado a favor delas – mas as competições da Fifa são essencialmente laicas e ela tem todo o direito, em sua legítima preocupação por preservar o espírito esportivo, de proibir certos tipos de manifestações. Se os jogadores religiosos não fossem tão ostensivos em sua fé, nem haveria essa discussão.

Algumas religiões não se contentam em apenas ser: elas precisam do mal pra combater. E o mal está nos que não crêem em seu deus ou está no deus das outras religiões – ou na forma como elas entendem o deus único. Pra algumas religiões não haverá descanso enquanto houver infiéis. É óbvio que isso em nada contribui pro convívio harmonioso entre os diferentes e é aí que mora o perigo do proselitismo religioso no esporte: essas religiões não suportam a diferença. Se elas se unissem, vá lá, o esporte até ganharia com isso, mas não é o caso: as religiões se detestam.

Temos que defender a liberdade de expressão, sim. Devemos ser livres pra dizer o que pensamos, fazer humor politicamente incorreto, criticar governo e instituições, ridicularizar celebridades e até zombar das religiões. Se um jogador tem o direito de usar uma camiseta “Deus é fiel”, outro também poderia usar uma “Deus é assassino”. Se um jogador pode propagandear o cristianismo, por que outro não poderia divulgar o satanismo? A expressão religiosa deve ser livre, sim, mas o esporte não é o melhor lugar pra isso.

Eu falava da reação dos religiosos à minha crônica. Se me fizeram até ameaças, o que poderá acontecer se as religiões se encontrarem abertamente no esporte? Se o deus de uma for o diabo da outra, elas saberão ser gentis? O ódio que sentem umas pelas outras não contaminará a essência da camaradagem esportiva? Pro esporte, um jogo é só um jogo mas pras religiões o que está em jogo é a supremacia de seus deuses. E, é claro, a conquista de mais fiéis pois hoje templo é dinheiro.

Atualmente os ateístas somam 5% no mundo inteiro. Os teístas são esmagadora maioria, sim, mas a crença numa entidade criadora e gerenciadora do Universo, em vez de unir, só os divide, gerando animosidade e fanatismo, o que prova mais uma vez que valores morais independem de religião. O único antídoto contra o fanatismo é a relativização da fé religosa, ou seja, cada pessoa entender sua religiosidade ou a falta dela como apenas um modo particular de lidar com o imenso mistério da vida e que não faz sentido tentar impô-la aos demais. Porém, se isso anularia o fanatismo, também significaria o fim das religiões organizadas. Conclusão: a religiosidade é mais sadia que a religião pois a religião é fanática por natureza.

Minha conclusão não quer convencer ninguém da existência ou inexistência de deuses mas sim mostrar que a religião está diretamente ligada ao fanatismo. E se existir alguma religião que considere relativa a sua visão individual do divino? Uau, eu adoraria receber um comentário com essa boa notícia. Mas é bem mais provável que o fanatismo invista novamente contra meus argumentos com sua velha virulência. Ou com seu santo delírio de falar pela boca do ser supremo do Universo.

As crenças religiosas são uma questão pessoal e não deveriam deixar o âmbito da intimidade das pessoas pra se meterem no plano esportivo ou político. Aquele crucifixo na parede do Congresso Nacional, por exemplo, não poderia estar ali pois pela constituição o Brasil é um Estado laico. Se pode um crucifixo, então pode também uma estátua de Exu. Ou, se existisse a ISLUP, Igreja dos Seguidores de Luana Piovani, poderia também uma imagem dela lá – o Congresso continuaria o mesmo covil mas ao menos ficaria mais belo. A propósito, como o fanático vê o demo em tudo, é capaz de alguém achar uma mensagem cifrada nas iniciais dos parágrafos deste texto. Ô povo imaginoso.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Obrigado, Luana, por ter emprestado vossa santíssima beleza pra embelezar este humilde texto.

> Entre pra ISLUP – Igreja dos Seguidores de Luana Piovani. O primeiro passo é saber pronunciar corretamente o nome da igreja, a língua em reverência, como se lambendo um sorvete: IsLLLLLLLup… Após isso, deixe sua inscrição num comentário cá embaixo.)

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TEXTOS AFINS


futebolbrasil2009copaconfed-02.jpg> Religião no esporte é gol contra (jornal O Povo, coluna Kelméricas, 02.07.09) – Crônica e comentários

> Religião no esporte é gol contra (Blog do Kelmer, 29.06.09) – Crônica e comentários

> MPF pede retirada de símbolos religiosos das repartições públicas federais em São Paulo (UOL, 04.08.2009)

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ENQUETE

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Comentarios01.

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COMENTÁRIOS

Obrigado a todos os leitores que comentam meu trabalho. Mesmo que discordemos em nossas opiniões, sua participação me deixa bastante honrado. Comentários enviados por e-mail ou importados de outros sites poderão ser reduzidos. Para garantir a reprodução total de seu texto, poste diretamente neste blog. Comentários postados em maiúsculas poderão ser recusados.

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001- Se LUANINHA ME AMA, que ela venha a mim pra me fazer feliz. Ô mulher bonita!!! Muito inteligente, Ricardo Kelmer. Parabéns! Giovanni, jul2009

002- Entre um homem pragado numa cruz de braços abertos sangrando e a Luana na sua frente com as pernas abertas, você escolhe o quê? Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu Lu !!!!!!!!! – John Lock, jul2009

003- Excelente comentário, pena que contra religião, não há razão. Eduardo, jul2009
RK: É verdade. Mas se eu ficar lembrando disso, desistirei de escrever.

004- Concordo pelamente com seu ponto de vista, a religião acaba com as pessoas formão desunião uma rivalidade sem fim um fanatismo que eles não consequem ver eles são cegos e as igrejas fazem uma lavagem nas pessoas que elas não se dõa conta de tanto fanatismo…isso não considero fé!Ricardo Kelmer adoro vc!!! Jessyka, jul2009

005- Kelmer vc se supera!!!tudo nesssa vida tem que ter equilíbrio e bom senso, inclusive a fé!!!parabéns pela profundidade dos comentários, mas, sem ser despeitada, não acho que a Luana esteja com essa “bola” toda…kkk..!!!bjo. Irismar, jul2009
RK: Luana Santinha te perdoa, Irismar.

006- a verdade está somente em Cristo,Kilmer você não pode generalizar a tudo e a todos, a própria palavra de Deus diz que no final dos tempos apreceriam todo tipo de blasfêmias que muitos esfriariam na fé. Que Deus tenha misericórdia de mim e de você. Nazareno Germano Máximo, jul2009
RK: Putz, agora fiquei sem entender se eu faço parte dessas tais blasfêmias. Posso trocar por blasfêmeas?

007- Viiiiva o deus do KELMER: VIVA A MACONHA!!!Jogadores, exponham nas suas camisas: LIBERAÇÃO DA CANNABIS JAH!A FAVOR DA MACONHA SEM PRECONCEITO DAS MINORIAS!Ricardo Kelmer BASEADO NISSO aplaudirá e exaltará em seus artigos!Só assim vcs deixarão escritor maconheiro feliz! Paulo, ago2009
RK: Caramba, Paulo… Obrigado pela publicidade gratuita do meu livro Baseado Nisso. Em retribuição, deixarei a ponta pra você.

008- Concordo com o artigo de Ricardo em quase tudo, exceto que no Brasil o “DEMO”(PFL)é responsável por tudo que não presta no país, inclusive e principalmente no SENADO. Arlindo Pacheco, ago2009

009- Quanto ao fato de haver crucifixos e outros símbolos religiosos em prédios públicos no Brasil, isso é justificável, pois a grande maioria dos brasileiros é católica e a Igreja Católica tem parte fundamental na nossa formação cultural. Luigi Nocrato, ago2009
RK: Claro, claro. E certamente você continuaria com a mesma opinião se a maioria dos brasileiros fosse do candomblé.

010- Kelmericas, esse seu artigo mostra claramente que você não domina nenhum dos dois assuntos: Futebol e Religião. Existe coisas que só podemos comentar se conhecermos a sensação de vive-las. Antonio José, ago2009
RK:
Eu conheço a sensação de viver a religião, Antonio José. Fui dirigente e palestrante de grupos de jovens católicos e tentei converter muitas almas pra Deus Nosso Senhor. Frequentei outras religiões pra conhecê-las de dentro, inclusive escolas iniciáticas e grupos esotéricos. E também estudo mitologia comparada. Eu não me arriscaria a escrever sobre tema tão difícil e controverso se não soubesse do que falo. Fique à vontade pra ler o blog e saber mais sobre minha história e meu trabalho.


O último homem do mundo (9)

Julho 12, 2009
O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…

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CAP. 9

Na rodoviária, enquanto Agenor esperava o ônibus, foi surpreendido pela equipe de tevê da capital, que havia acabado de chegar a Jubá à sua procura. Ele não quis dar entrevista mas mesmo assim o filmaram entrando no ônibus.

Na estrada, a caminho de Bocariús, foi que atinou: o pacto com o diabo! E ficou pasmo, os olhos arregalados. Tudo aquilo seria o pacto funcionando?, ele se perguntava, a mão sobre o coração agitado. Talvez o diabo estivesse realizando seu desejo, embora por vias que ele jamais pudesse atinar. Todo o tempo pensou que ficaria mais bonito, talvez o diabo lhe fornecesse um perfume irresistível… Mas não, não foi nada disso.

Se era realmente o pacto funcionando, então lamentava que os outros homens estivessem pagando tão caro pela sua felicidade. Mas talvez fosse só por um tempo, logo voltariam ao normal. Mas se voltassem ao normal, como ficaria ele?

O ônibus chegou a Bocariús na hora do almoço. Agenor estava faminto, pensava somente num prato de comida. Encostou-se no balcão da lanchonete e pediu arroz, feijão, bife e ovo. Na tevê passava uma reportagem, mostrando o último homem de Jubá entrando no ônibus, seguindo para… Bocariús.

Todos na lanchonete pararam ao ouvir o nome da cidade. Agenor nem respirava. A garçonete foi a primeira a reconhecê-lo.

– Gente, é ele! O homem de Jubá!

No instante seguinte estavam todos à sua volta, queriam perguntar coisas, tocá-lo. Os homens imploravam que divulgasse a receita milagrosa, as mulheres o abordavam eufóricas. Agenor se desvencilhou como pôde e saiu. Mas as pessoas o seguiram. É o cara de Jubá!, uma garota gritou da janela do ônibus que passava na rua. Ele vai morar aqui!, gritou a outra. E a terceira completou: E vai casar comigo!!!

Em poucos minutos uma multidão o acompanhava pelas ruas, parecia uma procissão. O comércio fechou para vê-lo passar. Agenor correu e a multidão correu atrás. Finalmente ele chegou à casa da irmã de sua mãe, ofegante, a roupa rasgada, um sapato faltando. Tia Zulmira, noventa e cinco quilos de gordura e macheza, abriu rápido a porta e botou para dentro o sobrinho escangalhado. Depois, brandindo a carabina velha, gritou que o primeiro que chegasse perto ia ficar que nem peneira. E atirou para o alto, espalhando a multidão.

Mas a cidade inteira já sabia quem havia chegado e não o deixaram em paz nem por um minuto. Eram populares, radialistas, comerciantes, religiosos, vereadores e toda classe de gente interessada em ter com o último homem de Jubá. A tia trancara portas e janelas e desligara o telefone. Mas lá fora a multidão alvoroçada gritava seu nome, homens e mulheres, e tarde da noite ainda tinha gente rondando a casa.

Agenor estava cada vez mais assustado. A tia, porém, lhe garantiu que ali dentro ele estava seguro.

– Obrigado, tia. Vou ficar em dívida com a senhora para o resto da vida.

De madrugada, outra noite sem conseguir dormir, Agenor viu a tia entrando no quarto.

– Ô, meu filho, acuda sua tia, acuda… Não é só lá em Jubá que tem carestia de homem não…

Foi assim que Agenor pagou a dívida.

Antes que amanhecesse, ele aproveitou a escuridão, correu para a estrada e pegou carona num caminhão. Sorte que o motorista não o reconheceu. Desceu numa cidadezinha que nem sabia o nome. Mas lá também as pessoas imediatamente o reconheceram. Ele até que tentou conversar mas a confusão logo se instalou ao seu redor, os homens, raivosos, se arregimentando para capá-lo e as mulheres, revoltadas, tentando impedir. Quando a polícia chegou, ele precisou correr bastante para não ser preso por incitar a desordem.

Pobre Agenor. Já não havia mais onde se esconder. Sua imagem fora divulgada pela tevê para o mundo inteiro, o mundo todo sabia seu nome, conhecia detalhes de sua vida. Para onde fosse, seria reconhecido e apanhado. Podia ser preso, podia ser morto.

Mas havia um lugar sim, lembrou Agenor, a esperança de repente renascida. A capital. Lá tinha muita gente, parecia formigueiro. E as pessoas estavam sempre ocupadas demais para reparar nas outras.

Foi assim que Agenor, pela primeira vez na vida, pisou o chão da cidade grande. Escondendo o rosto com boné e óculos escuros, claro. Na primeira lixeira jogou fora todos os seus documentos. Não era mais Agenor. Era um ninguém.

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(continua)

> Ler todos os capítulos já publicados

> Ler o conto na íntegra (Leitor Vip)

> Este conto integra o livro Baseado nisso – Liberando o bom humor da maconha


Protegido: RK na Parada Gay – Imagens (VIP)

Julho 12, 2009

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Desconstruindo Kelmer (Wanessa)

Julho 12, 2009

Cristal-03b.

Desconstruindo Kelmer
por Wanessa, 2009

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Eu adoro o Vocês Terráqueas. E eu, grande releitora que sou, claro que escarafunchei o livro todo, li de cabo a rabo incontáveis vezes. Principalmente depois daquela conversa que nós tivemos, em que tu me contou um segredinho que se esconde em alguns textos. Depois disso, a tua obra virou um mistério ainda maior pra mim. Comecei a ler teus textos com mais atenção, agora entendo melhor algumas coisas e desconheço completamente outras.

Um conto em especial me instigou desde a primeira leitura: Cristal. A ordem dos acontecimentos é compreensível, tem começo, meio e fim, mas não dá pra terminar a leitura sem a sensação de que tem algo muito maior que eu não consegui captar. Eu, meio Sherlock Holmes das palavras, fico tentando decifrar os enigmas, seguir possíveis pistas, mas é tudo em vão. Não dá.

Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina. Um presente de aniversário, a viagem sem escolha. Depois o corredor cheio de portas e ela aparece, a Simone. Provavelmente um amor da adolescência. Eu vejo um Ricardo cheio de ideias, querendo tudo ao mesmo tempo. Tempo que, até então era inesgotável e por isso permitia um monte de erros que levam a um rompimento doloroso, que deixa uma dor que invade, dor física, forte.

Encontro com a Renata. A bailarina que faz piruetas num nicho, algum lugar perdido, intocável. Os movimentos leves; contemplamos a beleza porque é finita. Melhor não me demorar por aqui, não há tempo, só pra recuperar o fôlego, o assombro diante das surpresas da vida.

A Bel traz o encontro com a princesa, o primeiro. Joga suas tranças da torre; beleza e loucura juntas provocam vertigem? A morte do primeiro Ricardo, daquele que por vezes era desconhecido de si próprio, te deixa profundamente grato, a mim também. Vânia, Valesca, Vanessa, Valéria, são tantas as possibilidades dessa musicista sensual, sensual como doce desmanchando na boca. O inalcançável, mesmo que a distância entre os corpos seja curta. É preciso achar-se a si, antes do outro. Talvez a fuga seja o melhor caminho quando o vaso ainda está vazio.

Minhas dúvidas se multiplicam em relação aos nomes, Fabiana, Fabíola, Fátima… o nome tanto faz, as fantasias são múltiplas, volúveis, diáfanas. Encantam e entontecem. É preciso um fio que te conduza a realidade, uma mão talvez. E ela sabe fazer isso, no meio do redemoinho de possibilidades e sonhos, é bom se saber compreendido por alguém, uma certeza tranquilizadora de não ser tão estranho, hermético. Gisele, como a espiã nua em Paris, a tua cara isso. E mais uma vez a tontura, mas essa é diferente e conheço: a euforia da excitação e o gozo (ai, que saudade da tua carinha gozando…), a sensação de ir cada vez mais fundo, mais longe. Transpiração e transcendência lado a lado.

O inferno te espera e traz também o sabor indigesto. A inquietação, o ápice do sofrimento e desespero. A alma conturbada se rende a mais uma morte. Passou pelo seu Karma, Karine. As palavras não bastam para agradecer por uma nova vida. E no fim, sete encontros, sete vidas que hoje formam um só cristal, o mais belo, o ser mais incrível que ja conheci na vida, tu. Talvez eu tenha acertado um pouco, talvez tenha passado longe, mas uma coisa eu aprendi com esse conto, às vezes racionalizar sobre o que está diante dos olhos, só torna tudo mais complicado, a compreensão pode ser simples, não precisa muito. Apenas sentir.

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> Para ler Cristal


A garçonete da minha vida

Julho 8, 2009
As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi
E a história assim registrará: naquela sexta de dezembro Diametral, que não era ainda Diametral, e Ninfa Jessi, que já era Ninfa Jessi, começaram oficialmente a mais bela e safada história de amor jamais contada, ele que a amava em silêncio havia um ano, ela chorando de raiva, desamparo e tesão

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NinfaJessiGarconete-01c

Ninfa Jessi e seus fetiches. Que eu adoro, por sinal. Um deles é por garçonete. Pelas garçonetes e também por ser uma garçonete. Pra ela é umas das melhores profissões que uma mulher pode ter na vida.

- Homens, mulheres e vodca toda noite, Gatão! E ainda ser paga pra isso!

Quando a conheci, pelo Orkut, Jessi tinha 19 aninhos. Idade perfeita pra uma taradinha como ela se perder no lado bom da vida. De família do interior, mal esperou fazer 18 anos: largou o namorado careta, a cidade que não entendia seu cabelo mutante e suas lentes coloridas e se picou pra capital, queria estudar cinema. Dividia um quarto com uma amiga e trampava num espaço cultural, onde via filme de graça e estava sempre conhecendo homens e mulheres interessantes – conhecendo e comendo, claro, que ela desde então já não prestava. Jessi, a pequena tarada.

Mas, como ela gosta de dizer, tinha espaço pra mais adrenalina nas veias de sua vida. Na verdade Jessi queria era ampliar o diâmetro do mundo, o mundo que ela conhecia ainda era pequeno demais pra tanto sonho e tesão que ardiam em sua alma e em seu corpo. Ela precisava de mim e não sabia. Mas antes de mim ainda haveria alguns capítulos em sua vida.

Então o Bukowski abriu vaga pra novas garçonetes. Bukowski, o bar que toda menina má sonha ter no currículo. Era um barzinho rock´n´roll que era meio inferninho, onde as garçonetes faziam uns shows performáticos bem apimentados. Cara, o público enlouquecia, choviam gorjetas. A casa pagava academia pras meninas manterem seus corpinhos em forma e elas tinham até professora de dança. Era bem organizado o negócio. E lá estava a adrenalina que minha pequena precisava.

Ela passou na entrevista, passou no teste de dança e aí ficou faltando apenas o teste final que a professora exigia. Adivinha onde era o teste final? Na cama da professora, claro, professorinha esperta.

Já perfeitamente ciente das delícias que uma xana proporciona, o tal do teste final não desmotivou minha pequena nem um pouco. E ela fez, claro. Mas a professora deve ter ficado com muita dúvida pois em vez de um só, fez um bocadão de testes finais com ela. O resultado é que as duas se apaixonaram, é mesmo difícil não se encantar pela Jessi, e assim a pequena tarada virou garçonete do Bukowski e foi morar com sua professora de dança.

- Melhor que dançar, ela me ensinou a comer direitinho uma mulher, Gatão. Isso não tem preço, tem?

Ninfa Jessi não presta.

Vem desse romance com a professora outro fetiche de Jessi, que hoje ela não dispensa com nossas namoradas: a morena adorava que ela a comesse com aqueles paus de borracha, ficava louca, gozava horrores. Jessi diz que numa dessas vezes, sua morena de quatro e ela metendo forte, por alguns instantes deixou de ser ela mesma e de repente era um homem, e quase pôde entender realmente, de corpo e alma, o que é ser homem. Foi algo meio místico, que nunca mais se repetiria com a mesma intensidade, mas que sempre volta quando ela está dentro de uma mulher, e também quando ela me vê dentro de uma mulher – nesses momentos seu olhar sempre busca o meu, como se nele pudesse reencontrar a louca sensação que ela uma noite teve. Como se através de mim e do nosso amor, trepando com nossas namoradas, ela pudesse enfim ser o homem que ela não é.

NinfaJessi-027Durante seis meses Jessi experimentou a felicidade que jamais tivera em sua vida. Tinha o emprego dos seus sonhos, ganhava bem, era querida por todos os clientes e vivia seu lindo caso de amor. Seus shows no Bukowski? Eram dos mais aguardados, principalmente quando ela atuava com Sheilinha, a Sheila Dinamite. Todas as meninas tinham nomes artísticos e vem dessa época seu nome, Ninfa Jessi, bolado pela professora. Nome perfeito, combinava demais com ela, com os modelitos de ninfeta que ela usava, os lacinhos no cabelo – e, é claro, com seu apetite sexual. Não haveria nome melhor.

Mas nesse mundo os ventos mudam, né? O primeiro grande amor da vida de Jessi durou até o dia em que um vento em forma de loirinha desempregada bateu lá no Bukowski pra fazer teste pra garçonete. Exatamente, a professora trocou Jessi por ela. Pobre Jessi, sofreu pra caramba. Deixou o apê da professora e alugou uma quitinete. Mas o pior era ter que encontrar sua paixão quase todos os dias e se morder de ciúmes sempre que chegava garçonete nova na casa.

Foi por esses dias aí que fui lá no Bukowski. Nossa amizade, que havia começado numa comunidade bluseira do Orkut – sim, foi o blues crônico da vida que fez nossos caminhos se cruzarem – estava no estágio messenger. Já apaixonado pela pequena tarada, como ela mesma se chamava, e sabendo que ela estava no Bukowski, me piquei pra lá. Cara, paguei a maior grana pra entrar, e tudo que eu tinha no bolso só deu pra tomar duas cervas. E ela nem me viu. Mas valeu a pena. Foi a primeira vez que meus olhos pousaram diretamente em Ninfa jessi. E vê-la ali, com seu jeitinho cativante de moleca safada, dançando nua no balcão com outra menina, putamerda, foi inesquecível. Era a mulher perfeita, inacreditavelmente perfeita, assustadoramente perfeita. A Deusa-Ninfa dos meus sonhos que nem nos melhores sonhos eu havia sonhado. E sabe quando bate aquela certeza fulminante e inexplicável no destino? Bateu. No Bukowski, apertado no meio de outros caras e outras meninas que assistiam ao show, eu tive a calma certeza que ali estava a mulher da minha existência, a deusa que seguiria comigo pela vida. O motivo de eu acordar todos os dias com aquela dilacerante saudade do que eu nunca tinha vivido.

Faltava só ela também saber disso.

(continua)

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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NinfaJessiGarconetes-01d> A continuação do conto, contendo fotos de Ninfa Jessi e de um show no Bukowski, além do Álbum das Garçonetes, está disponível aqui (somente para Leitor Vip)

> Mais aventuras de Diametral e Ninfa Jessi

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Protegido: A garçonete da minha vida (VIP)

Julho 8, 2009

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Carma de mãe pra filha

Julho 7, 2009

familiapinguim09“Quanto menos os pais aceitem seus próprios problemas, tanto mais os filhos sofrerão pela vida não vivida de seus pais e tanto mais serão forçados a realizar tudo quanto os pais reprimiram no inconsciente.”

Foi o sábio Jung (1875-1961), sempre ligado nas sutilezas dos processos psicológicos, quem afirmou isso aí. Em outras palavras, o psiquiatra-pensador suíço quis dizer que os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas.

Lembrei disso ao assistir a comédia romântica Mamãe quer que eu case (Because i said so, EUA 2007, direção Michael Lehmann). A história é sobre uma garota desajeitada (Mandy Moore) que sofre um bocado pela mania da mãe (Diane Keaton) de querer controlar sua vida, principalmente na questão dos relacionamentos amorosos. A mãe, no passado, havia errado em suas escolhas e tinha medo que a filha seguisse pelo mesmo caminho.

Meu lado mulherzinha até que riu com aquelas besteiras que somente o universo feminino, com suas deliciosas neuras, pode proporcionar. O tema da história é bom mas os personagens não me convenceram e o roteiro tem obviedades demais, desses que te fazem sacar o final no começo do filme. E a personagem da mãe exagera nos faniquitos, ficou caricato.

Mas pelo menos o filme me inspirou a falar de Jung, esse notável médico de almas. Essa coisa dos pais não viverem suas vidas verdadeiras e isso influenciar no comportamento dos filhos é algo muitíssimo sério – mas que infelizmente não é levado em consideração nem é discutido como deveria. O que Jung quer mesmo é nos alertar, a nós todos, pra extrema importância que tem a realização pessoal, não apenas pras nossas vidas individuais como também pra vida de todos os que estão próximos a nós.

Em sua compreensão abrangente da vida humana, Jung logo percebeu que estamos todos inapelavelmente ligados uns aos outros, que nossas mentes estão interconectadas através do inconsciente e, por isso, tudo o que fazemos reverbera nos outros, como espelhos que se refletem e a todo instante acusam, em si próprios, os movimentos dos outros espelhos. Se os pais não resolvem seus conflitos internos, estes não apenas afetarão a relação familiar como poderão influenciar negativamente a vida individual de seus filhos. Se os pais vivem falsamente suas vidas, o peso dessa mentira sufocará seus filhos, que poderão se sentir pressionados, sem perceber, a viver o que seus pais não realizaram em vez de seguir seu próprio caminho de autorrealização. Às vezes é possível desfazer essas falsas expectativas mas isso é um processo que requer alto grau de conscientização das partes envolvidas, que inclui o perdoar e também o perdoar-se – e ainda assim se terá perdido um tempo precioso que jamais será recuperado.

Vendo a coisa desse modo, torna-se óbvia a necessidade de vivermos bem nossas vidas, não apenas por interesse próprio mas porque a nossa bem-aventurança, de algum modo, também tocará nossos amigos e familiares. Foram vários os sábios da história que insistiram nessa curiosa verdade: pra mudar o mundo, mude a si mesmo. Jung, falando sobre o processo de individuação, disse o mesmo, que o futuro da humanidade depende da quantidade de pessoas que conseguirem se autorrealizar.

Entretanto, não existe autorrealização sem autoconhecimento. Como realizaremos o nosso potencial sem antes sabermos verdadeiramente quem somos, o que de fato precisamos e queremos, o que realmente nos atrapalha a caminhada? Como nos libertarmos sem saber o que nos aprisiona? É libertando-se que podemos também libertar os outros das nossas expectativas limitantes em relação a eles.

Conhecermo-nos, sem auto-enganações, e vivermos nossa melhor vida – é o que temos de fazer. E um dia nossos filhos e netos nos agradecerão bastante por isso.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Carl Gustav Jung (26.07.1875 – 06.06.1961)
Psiquiatra e pensador suíço. Fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana.
> Jung na Wikipedia

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Filme-01a

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> Mais filmes neste blog


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Comentarios01

COMENTÁRIOS

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01- Ricardo querido: sábias palavras. Friso esta frase aqui, que resume tudo: Como nos libertarmos sem saber o que nos aprisiona? Esta é, de fato, a grande questão. Passarei esta deliciosa crônica adiante. Um abraço meu! Jana Lauxen, Passo Fundo-RS – nov2009

02- Querido Rico, Sempre aprecio a simplicidade com que consegue falar de assuntos complexos – simples mas nunca superficial – os laços invisíveis que nos ligam com nossos ancestrais (pais, avós, tios etc) em grande parte nos determinam; o tal autoconhecimento fruto, ou não, de uma boa terapia sem dúvidas nos ajuda a desistir de pagar “contas” ou pagar conscientemente e por escolha, débitos que na verdade não contraímos…. Parabéns! bjs. Danielle Alves, Fortaleza-Ce – nov2009

03- Karaca Ricardo, cada vez me surpreendo mais com vc. Vc é o homem ideal. Vc pensa muiiiiiiiiiiiito legal, e escreve muito legal as coisas que pensa. Marcia Alves, Belo Horizonte-MG – nov2009

04- Li agora “Carma de mãe pra filha”….Vou assistir ao filme… Você realmente mexeu na questão…..e vejo o quanto é sério e importante esse debate.!! Acho que todos nós sem exceção….teve esse impacto na educação e atualmente esse reflexo é visível, já que antigamente era mais velado…não tão aparente. O que difere éque tudo está na nossa frente e não fazemos muito pra mudar isso. Pergunto: se mesmo nos autoconhecendo….o que fazemos depois disso? prá onde iremos e qual alternativas temos? A resposta está lá frente…no futuro…. Mas hoje o que fazer pra mexer nesse universo e provocar essa mudança principalmente na família.? Inêz Dias, Campinas-SP – nov2009

05- Tenho que te parabenizar, Ricardo! Além de escritor, vc se torna intermediador de temas como esses, que algumas vezes acabam ficando um tanto complexo para nós, simples curiosas e curiosos sobre o comportamento humano, e nos facilita a compreensão. Vc une qualidade e simplicidade e fica ótimo te ler! A coisa flui… adoro! Sua maneira de se comunicar é muito ímpar e boa demais! Estou lendo -Mulheres que correm com os lobos- e… putz! Estou fascinada!! Infinitamente enriquecedor… Toda mulher deveria ler! Foi referência sua. Obrigadíssima pela dica! E quando acabar Clarissa, estarei mergulhando no universo Junguiano. Já estava com essa idéia e depois de ter lido a crônica, mais ainda! Obrigada por me enviar! Bjs. Karine Rangel, Rio de Janeiro – nov2009

06- Muito bendito…muito bem dito, Ric!!!! Gosto muito quando fala do querido Carl! Beijos sortidos!!!! Chris Godoy, São Paulo-SP – nov2009

07- Olha Kelmer, vc é demais mesmo, apesar de não ter filhos, na teoria és 1000. Verdade, às vezes precisamos repensar nas atitudes, nas nossas relações como um todo. bjão. Gizela Symanski, Porto Alegre-RS – nov2009

08- Adorei , Rica ! Estou entendendo e entrando cada vez mais à fundo nessa compreensão e querendo me libertar das crenças ancestrais e da história de meus pais. Isabela Pinto, Fortaleza-CE – nov2009

09- Amei!!! Concordo plenamente… Beijos e Parabéns!!!! Cynthia Silveira, São Paulo-SP

10- Adorei!!! Beijos de luz! Sandra Neves, Belo Horizonte-MG – nov2009

11- “Os pais fazem dos filhos, involuntariamente, algo semelhante a eles – a isso denominam ‘educação’ -; nenhuma mãe duvida, no fundo do coração, que ao ter seu filho pariu uma propriedade; nenhum pai discute o direito de submeter o filho aos seus conceitos e valorações.” Assim dizia Nietzsche … Márcia Costa, São Paulo-SP – nov2009

12- Adorei!!!!! Repassei para várias pessoas. Gosto muito do jeito que você enxerga as coisas. Seu jeito de escrever… amei ler…to começando a semana a milhão com está frase na minha cabeça pra mudar o mundo, mude a si mesmo. Jung. Jamile Abdallah, São Paulo-SP – nov2009

13- Oi Ricardo, adorei seu texto, primeiro pq é um tema que me fascina (escrevi um artigo sobre isso na conclusão de uma especialização sobre “Abordagem sistêmica”, acho até que usei essa mesma citação do sábio Jung), segundo pq gosto muito do seu jeito de escrever e terceiro pq vc sintetizou bem um pensamento central da teoria junguiana. Muito legal… Vou enviar o tento pra amigos e entregar uma cópia pra alguns pacientes. Obrigada. Abraço e continue nos presenteando com boas construções. Raquel Brasil, Fortaleza-CE – nov2009


E assim se passaram 12 meses

Julho 2, 2009

Bolo-101Sabia que em jun2009 o Blog do Kelmer completou seu primeiro aninho de vida? Obrigado, obrigado, prove do bolo que tá muito gostoso, foi Celina quem fez, sim, aquela da torta de chocolate… Senta um pouquinho, fica à vontade, eu tô contando a história deste blog.

Poisbem, como eu dizia, desde 2004 eu tinha o site ricardokelmer.net e tava satisfeito com ele. Aí comecei a viajar muito e isso dificultava as atualizações pois além de ter que levar os arquivos comigo, eu precisava que o computador tivesse um programa de ftp.

Em set2007 experimentei esse negócio de blog com o Kelmer para Mulheres (kelmerparamulheres.blogspot.com), que foi criado pra ser uma espécie de laboratório pro meu livro Vocês Terráqueas - Seduções e perdições do Feminino, onde durante 9 meses eu publicaria textos e receberia sugestões de temas pro livro. Putz, foi uma experiência bastante proveitosa, que me abriu a mente pra incrível funcionalidade dos blogs (e ainda é gratuito!) e me fez perceber a importância da interatividade pro meu trabalho de escritor, o quanto posso me aprimorar com o contato mais próximo do público.

Em jun2008 fechei o Kelmer Para Mulheres (2 mil acessos individuais por mês) pois o Vocês Terráqueas já tava pronto. Fechei também o ricardokelmer.net (10 mil acessos individuais por mês) e abri o Blog do Kelmer, pra onde poderia transferir aos poucos o conteúdo do antigo site. Escolhi o WordPress por permitir manter páginas protegidas por senha, as quais libero apenas aos leitores vips, aqueles que adquirem meus livros.

Meu trabalho se tornou bem mais dinâmico pois o Blog do Kelmer requer atualizações mais frequentes, maizomenos como uma revista eletrônica. Isso me obriga a escrever mais e com maior rapidez, é verdade, porém isso traz mais fidelidade por parte do leitor que deseja me acompanhar mais atentamente. No blog os assuntos são organizados quase que automaticamente e isso facilita a pesquisa.

Nesses primeiros 12 meses foram 24 mil acessos individuais (65 por dia) mas nos últimos 4 meses a média mensal subiu pra 2,8 mil acessos, quase 100 por dia. A média de páginas visitadas é de 1,6 por acesso e a média de tempo no blog é de 2min30 – o que indica que boa parte dos acessantes chega ao blog, não troca de página e sai rapidinho, talvez vindo de alguma busca e não se interessando pelo que encontra aqui. Mas há sempre leitores que passeiam bastante pelo blog. Esses números, que podem ser conferidos à direita no banner do Sitemeter, ainda estão distantes dos números do antigo site mas é provável que em breve eles se aproximem pois eu evidentemente pretendo ficar mais conhecido e, além disso, a postagem semanal de textos antigos e novos atrai automaticamente cada vez mais leitores e buscadores.

Acho que fiz a coisa certa, tô satisfeito. Espero que meus leitores tenham aprovado a mudança. O bolo tava bom? Então pegue mais um pedaço que outro bolo agora só daqui a um ano.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com