Como afugentar um homem

Março 28, 2009

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Mulher é um bicho capaz de conversar dias e dias seguidos, sem cansar, sobre seus sentimentos, sobre o namoro, o casamento, o que vai bem, o que vai mal, como seria se fosse ou como foria se não sesse…

O assunto é sentimento? Então pra mulher cada aspecto dele é um fractal, que pode ser ampliado, ampliado e sempre haverá novos detalhes que surgirão a cada ampliação. E, putz, como mulher se excita quando o assunto é sentimento! Mulher é apaixonada pelo amor.

Já a maioria dos homens prefere conversar sobre futebol, trabalho, política, arte, filosofia, automóvel, sexo, pescaria, o melhor anzol pra pescar, o estojinho do anzol… qualquer coisa menos sentimento. Eles veem mais sentido em falar sobre o que pensam do que sobre o que sentem. Às vezes eu faço este teste: pergunto a um amigo o que ele sente por sua mulher. Geralmente ele resume a resposta em duas ou três palavras e acabou. Isso quando ele não rebate, desconfiado: que pergunta é essa?

É claro que homem sente. Mas como há milênios somos programados desde a infância pra nos mostrarmos fortes e infalíveis, e sentimento é algo que pode fragilizar qualquer um, nós evitamos expor o que sentimos, até pra nós mesmos. E de tanto reprimir os sentimentos, acabamos muitas vezes até mesmo sem saber o que realmente sentimos. Ô racinha… E, assim, o reino Yin dos sentimentos a cada dia se torna pro homem uma terra cada vez mais estranha e hostil. Melhor manter distância dela. Melhor falar de algo que seja mais racional. Como a melhor fechadura pro estojinho do anzol.

o reino hostil dos sentimentos

A mentalidade patriarcal, sobre a qual foi construída nossa querida cultura, sempre desprezou os valores ligados ao feminino, ao Eros (relação). Claro, pois só assim a mentalidade maculina dominante, ligada ao Logos (conhecimento, razão) poderia se manter, sempre fazendo parecer menos importante o que é ligado à mulher. Dessa forma, a agressividade vale mais que a suavidade, cultura e civilização valem mais que a Natureza e a razão é mais importante que o sentimento. O Yang é melhor que o Yin. Logos é melhor que Eros.

Pra grande parte dos homens, sentimento é sinônimo de fraqueza. Mesmo que sinta, o homem evita demonstrar pois sabe que isso pode comprometê-lo diante dos outros homens. Com os amigos, ele dificilmente se sente à vontade pra falar de seus relacionamentos sob a ótica do sentimento. Amigos dificilmente se perguntam sobre o que sentem, como anda a relação com a mulher, se estão felizes, inseguros… Imagina! Tá metendo?, então tá tudo ótimo!

Mas as coisas estão mudando. Até porque a evolução psicológica da espécie não prosseguirá se ela não conseguir equilibrar os princípios femininos e masculinos que compõem a psique – algo cada vez mais urgente. E essa evolução se dá à medida que cada um se torna um ser psicologicamente mais equilibrado, mais autoconsciente. No homem isso significa reconhecer valores Yin e integrá-los à consciência, e na mulher é o oposto.

Se a mulher já tá numa segunda fase de sua revolução feminista, repensando os exageros e entendendo que não tem de ser igual ao homem (aleluia!), o homem, coitado, ainda tá procurando o isqueiro pra queimar o sutian, quer dizer, a cueca. Aos poucos, porém, ele perde o medo de assumir os sentimentos e de mostrar que nem sempre é forte e infalível. Os que fazem isso costumam ser mal interpretados, até pelos próprios amigos, mas é assim mesmo, sempre haverá os soldados da linha de frente, aqueles que recebem as primeiras balas.

E as mulheres? Elas também têm ainda o que aprender. Se o homem precisa urgentemente reconhecer o valor dos sentimentos e aprender a cuidar mais das relações, a Homa sapiens necessita, por exemplo, entender que não se pode por mais peso numa relação do que ela suporta carregar. É bom se atirar nos braços do homem amado, sim, claaaaro. É maravilhoso se jogaaaar de braços abertos e ser amparada pela própria relação, sim, é maravilhoso, é lindo, é tudoooo!!! Mas cuidado, fia. Senão ele perde o equilíbrio e a relação desaba com esse peso todo.

afugentando o homem

Vai mais devagar, menina. Não é você quem sempre faz questão das preliminares no sexo? Por quê? Porque seu ritmo é outro. A rapidez e a ansiedade sexual masculina já fizeram você se sentir quase que estuprada? Já? Poizentão. É assim que ele às vezes se sente na relação, sabia?

Velha tendência feminina, essa ansiedade louca pelo amor, essa mania de fazer a relação ocupar todo o espaço na vida de ambos… Isso costuma sufocar o homem, que tende a valorizar a individualidade mais que a mulher. Quer afugentar um homem que tá começando a gostar de você, fia? Então não perca uma chance de pressionar o infeliz em relação a seus sentimentos. Sufoque o desgraçado todo dia com o doce travesseirinho da relação. É tiro e queda.

- O que você tem, Maria Adélia?

- Tô chateada com você, Lindomar.

- Por quê?

- Você esqueceu que dia é hoje.

- Eu? Calma, deixa ver… Tem um calendário aí?

- Tá vendo? Você não se importa nem um pouco com a gente. Pra você tanto faz. Mas aposto como você sabe direitinho o dia em que o Fortaleza vai jogar a semifinal, ah, isso tenho certeza que você não esquece.

- Peraí, Maria Adélia, peraí… Hoje é… hoje… Ah, desisto. Que dia é hoje?

- Hoje, Lindomar, exatamente hoje, faz quatro dias que a gente se conheceu.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.wordpress.com


Diâmetros exaltados

Março 26, 2009
As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi
Jessi é uma pequena que conheci, adivinha onde, no Orkut. Linda, louca e gostosa. Tem duas manias: uma é trocar a cor do cabelo. A outra é ampliar o diâmetro comigo. Comigo e umas namoradas que ela arruma pra gente se divertir

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O júri decidiu que Diametral é culpado das acusações de incentivo ao sexo promíscuo e doentio entre os jovens brasileiros. A pena é assistir durante um ano a todos os programas religiosos do MNBC na madrugada. Faça-se cumprir.

Aaaahhh!!! Acordo de repente, sobressaltado. Olho ao redor. Estou no quarto do motel. Ninfa Jessi dorme nua ao meu lado. Ufa, foi só um sonho ruim… Levanto, afasto devagar a cortina da janela e observo. Lá fora o jipe no estacionamento, o luminoso do motel Centelha Vermelha, a estrada escura e deserta. Está tudo bem, eles não têm nossa localização.

Volto à cama. Jessi murmura algo e me abraça. Melhor dormir, amanhã cedo seguiremos. Mas a lembrança dos últimos acontecimentos insiste. Tudo começou quando conheci aquele site de relacionamentos…

Julho de 2005. Lá estou eu me cadastrando no Orkut. Esse negócio virou mania no Brasil. Tem gente que vive lá conectado e só sai pra comer e dormir, isso quando não dorme sobre o teclado. Tem mulher que conheceu o marido lá. É lá que muito marido monitora as paqueras da mulher. Tem de um tudo. Outro dia conheci uma comunidade que luta pela liberdade dos pinguins de geladeira. Claro que entrei.

Novembro de 2005. Crio em meu site pessoal uma seção chamada Submundo Orkut, pra comentar o que rola nessa tal dimensão onde milhões de brasileiros vivem parte de suas vidas. É, eu assumo, sou bisbilhoteiro do comportamento alheio. Por falar nisso, algo que sempre me chamou a atenção foi aquela frase de boas-vindas que consta na página de abertura: Participe do Orkut para ampliar o diâmetro do seu círculo social. Que frase mais esdrúxula! Comento com Jessi e ela solta sua gargalhada inconfundível. Jessi é uma pequena que conheci, adivinha onde, no Orkut. Linda, louca e gostosa. Tem duas manias: uma é trocar a cor do cabelo. A outra é ampliar o diâmetro comigo. Comigo e umas namoradas que ela arruma pra gente se divertir. Ninfa Jessi.

Junho de 2006. A crônica Ampliando o diâmetro é publicada na Kelméricas, minha coluna semanal no site do jornal O Povo. O texto é uma gozação sobre essa tal frase do diâmetro.

Dia seguinte. Recebo as primeiras mensagens. São os leitores, a grande maioria me parabeniza pela crônica. Alguns não gostam e, entre esses, um se diz integrante de um tal MNBC, Movimento Nacional pelos Bons Costumes, e afirma que solicitará ao jornal a minha saída do quadro de cronistas. E completa ameaçando me processar por incentivo ao sexo promíscuo e doentio entre os jovens brasileiros. Não acredito… Jessi fica indignada: Esse povo devia é ter mais senso de humor, em vez de ficar se preocupando com o diâmetro dos outros!

Próximo dia. Pelo sim pelo não, lá estou eu no computador, xícara de café ao lado, buscando informações sobre esse tal de MNBC. Não encontro nada. Será que era pegadinha? Descubro porém que a direção do jornal de fato recebeu protestos de uma meia dúzia de dois ou três leitores indignados com meu texto. Hummm, talvez o MNBC seja uma entidade meio secreta, tipo Opus Dei, que reúne gente estranha em reuniões noturnas e não divulga suas atividades. Desligo o computador e vou pra janela respirar. E percebo que alguém me observa do prédio ao lado. Hummm, não estou gostando disso…

Semana seguinte. Coisas estranhas estão acontecendo. Pessoas me seguem na rua. O telefone toca e quando atendo, desligam. Talvez seja melhor ficar em casa. Pra garantir, melhor fechar todas as janelas. Melhor também não atender o telefone. Na terça entrei no elevador e reparei nas duas mulheres que entraram depois de mim: saias abaixo do joelho, blusinha comportada, cabelo preso, um livro grosso e escuro ao peito… Pregadoras do MNBC!!! Saí correndo, apavorado.

Julho de 2006. Estão batendo na porta. Não vou atender, são eles, vieram me pegar, é o meu fim… Mas reconheço a voz: é Jessi. Abro e vejo uma Jessi ruiva, até que ficou bonito. Ela me olha sério. E diz que tem algo importante pra me dizer. E diz: Entrei pro MNBC. Fico olhando pra ela, sem acreditar, não é possível… Ela então sorri, sobe a camiseta e me exibe aqueles peitos impossíveis que ela tem. E completa: Movimento das Ninfômanas Bem Comidas. E me empurra pro sofá, rindo e já desabotoando minha calça.

Vinte minutos depois, suados e abraçados no sofá, Jessi diz que não posso permitir que um bando de careta recalcado destrua minha vida. Mas fazer o quê? E ela responde: Ora, Gatão, o que a gente sabe fazer melhor… sexo e humor. Quando ela fala, tudo é óbvio. Vamos, pega a mochila, tá na hora, e não esquece o notebook. Pergunto o que planeja e ela sobe na cadeira, solene: Vamos ampliar o diâmetro do mundoooo!

Cinco dias depois. Pelo retrovisor o Centelha Vermelha vai ficando pra trás. À frente a estrada nos convida a novas aventuras. Ninfa Jessi estava certa, eu não podia continuar aceitando aquela situação. Pois bem. Não sou mais aquele cara medroso, agora eu sou… Diametral! E minha missão é horrorizar os caretas com os meus textos. Vocês pediram, caretas imbecis! Enquanto dirijo, Jessi revisa minha crônica da semana e se irrita com a forma poética com que descrevi nossa última trepada, e diz que meus leitores querem ver mais sacanagem. Meus leitores e você, corrijo. Ela solta sua gargalhada e depois faz biquinho: Então publica aquela fotinha que eu tirei no motel, vai… Oquei, pequena. O que ela não me pede sorrindo que eu não faço gemendo?

Duas horas depois. Paro o jipe na estrada pra abastecer. Desço e olho o céu, o horizonte está escuro, ameaçador. Sopra um vento gelado, papéis voam… Dias difíceis virão, digo pra mim mesmo. Entramos na lanchonete e pedimos duas cervas. Num canto uns caras feios tocam Não me peça pra te amar, sempre bom ouvir um blues. Jessi me mostra a notícia no jornal: MNBC procura cronista fugitivo. Sorrio discreto por trás do óculos escuro. Hummm, perigo: a garçonete está olhando demais…

Ei, você é o Diametral!, ela exclama, alegre. Psiu, não espalha…, respondo aliviado. Eu também não gosto do MNBC, ela diz, toda cúmplice. Entrego-lhe um cartão, acessa minha coluna, boneca, e deixa tua mensagem de apoio pra nossa luta. A garçonete guarda o papel no bolso e faz sinal de positivo. Ela é a Ninfa Jessi?, pergunta, surpresa. E Jessi, que adora uma garçonete, responde, inclinando-se e expondo seu decote irresistível: Em carne, osso e hormônios. A garota parece hipnotizada.

Pedido atendido, pequena

Pedido atendido, pequena

Pago as cervejas e deixo uma boa gorjeta. Jessi pergunta se a garota quer um autógrafo. Ela gagueja que si-si-sim. Tem preferência de lugar? E a garota nã-nã-não sabe o que dizer. Ninfa Jessi então a puxa pela cintura e… tasca-lhe um beijo na boca daqueles que não acaba nunca. Depois larga a garota que fica lá, extasiada. Ai, ai, Jessi não presta.

Na mesa ao lado uma senhora está simplesmente hor-ro-ri-za-da. Vejo que ela veste saia abaixo do joelho, cabelo preso, segura uma bíblia… Pronto, logo o MNBC saberá que estivemos aqui. Levanto e caminho pra saída: Vamos, pequena, tem muita estrada pela frente. E Jessi me segue, retocando o batom: E muito diâmetro pra ampliar!

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Este texto integra o livro Vocês Terráqueas
> Este texto integra o livro Blues da Vida Crônica

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> Ampliando o diâmetro – como tudo começou
> Mais aventuras de Diametral e Ninfa Jessi

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A ilha

Março 19, 2009

ilha03aEra uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranquila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia, porém, uma idéia inquietou a ilha: se toda vez que a maré baixava, uma porção de terra se descobria, então até que ponto haveria terra? Até que ponto a ilha existia?

Isso lhe tirou o sono por várias noites. De repente seu conceito sobre si mesma começou a mudar. Sempre se considerara uma porção de terra boiando à superfície da água, isso era ponto pacífico, todas as outras ilhas também pensavam assim. Mas agora já não podia acreditar nisso. Uma ilha não terminava logo abaixo da linha das ondas. Não. Continuava para baixo. Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua.

Saber que ela “continuava” além daquilo que sempre julgou ser era algo espantoso de se pensar. Assim, dia após dia, a ilha prosseguiu em seus esforços de auto-investigação  precisava saber até onde existia. Mas à medida que sua atenção mergulhava em si mesma, as águas ficavam mais escuras. Era preciso cada vez mais concentração para não se perder. Ela prosseguiu, mais atenta, e descobriu que aquilo que existia abaixo da superfície continuava sendo ela mesma, sim, mas parecia ter algo como uma vida própria.

Cada vez mais surpresa, a ilha constatou que aquela parte mais profunda de si mesma levava uma existência semi-independente, porém interagindo sempre com a superfície: influenciando e sendo influenciada por ela. A ilha então soube a razão porque se comportava dessa ou daquela maneira e muitas coisas ficaram mais claras a respeito de si mesma, de seus relacionamentos com outras ilhas e da vida de modo geral. E a cada descoberta que fazia, outras mais se anunciavam e de repente era como se o Universo se expandisse para dentro dela mesma!

Muito tempo se passou até que se convencesse, verdadeiramente, de que era mesmo uma montanha com o pico emerso. Ela estava presa a uma base e essa base era uma enorme extensão de terra que funcionava como chão. Vinham de lá todas as ilhas. E para lá voltariam todas quando os movimentos da terra, dos ventos e das águas as forçassem a isso. Mas a grande maioria das ilhas não sabia que todas elas continuavam para baixo. Por isso não entendiam as reais motivações de muito do que faziam. A parte acima da superfície era tudo que sabiam sobre si mesmas e isso era pouco. A parte submersa, a montanha, era a parte inconsciente de cada ilha, aquilo que desconheciam de si mesmas. E o fundo do mar era o inconsciente maior, único, de todas elas, o lugar de onde vinham.

Ao entender esse fato a ilha lembrou do tempo em que sua consciência de si própria se limitava àquela minúscula porção de terra à superfície. Todas as ilhas vêm do mesmo lugar  ela repetiu, intrigada com suas descobertas  porque são feitas da mesma terra… A areia e os nutrientes que as raízes de suas plantas colhem, vem tudo do mesmo chão… Todas as ilhas que existem são no fundo uma coisa só, que se experimenta em várias extensões de si própria e cada extensão possui consciência de si mas esta consciência é limitada pois quase nunca desce em direção ao fundo, acomodando-se na parte mais superficial… Se cada ilha se aprofundasse em sua noção de si própria, acabaria se conhecendo melhor e, por virem todas do mesmo lugar, conheceria melhor a todas as outras ilhas.

A ilha viu que eram idéias grandes demais, confundiam a mente. Aquela autoinvestigação era importante mas requeria muita atenção para não se perder durante o processo. Só assim poderia transitar com êxito entre as duas camadas de realidade, a que ficava à superfície e aquela mais escura e misteriosa que prosseguia rumo a seu próprio interior.

Enquanto tudo isso acontecia, as outras ilhas observavam seu comportamento e não entendiam bem o que ela tentava lhes dizer. A ilha sentiu-se só. Viu-se então pensando do ponto de vista da terra: se elas não se conhecem e elas todas são parte de mim, então eu ainda não me conheço tão bem… Assim sendo, como poderia condená-las? Não, não poderia. Deveria entender e aceitar o ritmo natural da vida de cada uma das ilhas. Deveria agir com a mãe sábia e bondosa que incentiva todos os seus filhos mas tem de respeitar o caminho individual de cada um deles…

Foi então que, subitamente, a ilha percebeu, num intenso clarão de compreensão, que toda aquela vasta extensão de terra lá embaixo funcionava como um útero a expulsar pedaços de si mesma, forçando-os à superfície. Uma vez lá, eles se entendiam ilhas e começavam então sua aventura individual em busca de saber quem de fato eram, de onde vieram e por que existiam. Mas por que a terra fazia isso? Talvez para ela própria aprender com a experiência individual de cada ilha. Ao morrer, uma ilha levava à terra sua própria experiência que serviria para formar as futuras ilhas. Assim, toda ilha continha em si, sem se dar conta, a mesmíssima areia das que a antecederam. Através da vida de cada uma das ilhas, a terra como um todo estava sempre aprendendo cada vez mais sobre si mesma…
Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as ilhas que a sucederiam.

A vida é mesmo uma tremenda aventura!  pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lançavam. Uma aventura de cada ilha. Mas também da terra inteira.

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Ricardo Kelmer 1997 – blogdokelmer.wordpress.com

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Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos

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Comentarios01

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COMENTÁRIOS

001 – Oi Ricardo, parabéns pela concepção da ilha. Nem Jung teria feito melhor! Abraços. Angela Schnoor, Rio de Janeiro-RJ – nov/2004

002 – Caro Ricardo , Fiquei sendo seu fã desde que em 1999 qdo assiti a uma palestra tua no auditório do colegio capital sobre o filme MATRIX. Na tua palestra fizeste uma analogia de espelhos dentro de uma bola de vidro a refletir a luz do sol com nós seres humanos e perguntaste: O que é necessário fazer para mudar o modo do globo de vidro refletir a luz do sol? Ao que respondeste… basta mudar um só espelho. Assim querias dizer que não precisamos mudar ninguém somente a nós mesmo. Cara vc não sabe o quanto já falei de vc para as pessoas a quem conto esta analogia. O fato é que ouvir aquelas tuas palavras me levou a uma pesquisa igual “A ILHA”. Continue sempre assim… em constante questionamento consigo mesmo pois acredite foi assim que passei a ser uma pessoa melhor. Luiz Ferreira de Sousa Junior, Fortaleza-CE – nov/2004

003 – Mais um que a Amandinha aqui se Identifica… A Ilha!!! Belíssimo!!! hehehee Bkjão bom carnaaaaaaa aeeeeee hehehe. Amanda Gallindo Borges, Florianópolis-SC – fev/2007

004 – Olá Xará, Há dias que quero te prestar um elogio. Encontrei em seu site um conto. A Ilha. Se eu pudesse limitar em uma única palavra o que dali absorvi, eu diria que INSPIRAÇÃO seria ela. Sua mensagem provoca o despertar. Oxalá o despertar coletivo. Mas, se assim não for, que seja o individual. Ilhas somos todos, alguns já sabem, outros ainda não. Gosto de pensar que já sei. Creio que cada um de nós tem um talento único, porém é muito difícil descobrir qual. Talvez o meu seja contemplar. Há tantas coisas belas por aqui nesta vida que muita gente não vê, ou se vê, não dá a atenção devida. Mas, quem sou eu para dizer quão atento alguém deve ser ?! Eu também procuro ser uma ilha que se diverte com esses pensamentos. Seu conto é uma coisa bela. Parabéns. Ricardo Rodriguez, São Bernardo do Campo-SP – fev/2007

005 – Li o primeiro texto do seu livro (“A Ilha”) e gostei da abordagem, da ilha como um ser pensante. Vou ler os outros com a calma que a leitura exige…rs De minha parte, tenho um blog (link no rodapé do e-mail) e um fotolog (http://cidadeembaixa.nafoto.net) ansiosos por comentários. Quando tiveres um tempinho, visite. Alessandro Pinesso, São Paulo-SP – ago2007


Mamãe, quero ser virgem

Março 18, 2009

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Atrizimodelo. Essa é atualmente a profissão dos sonhos de boa parte das adolescentes do planeta Terra. Atriz e modelo são duas coisas bem distintas mas na cabeça das meninas é tudo a mesma coisa. O que você quer ser quando crescer? Atrizemodelo.

No entanto, o reinado absoluto desta híbrida profissão pode estar com os dias contados. Com a repercussão dos recentes casos de garotas que leiloam sua virgindade por altíssimos valores, como a californiana Natalie Dylan (foto) e a italiana Raffaella Fico, surge no horizonte uma nova profissão da moda: a profissão de virgem. O que você é? Sou atrizemodelo. E você? Sou virgem.

Quem diria que a virgindade, uma coisa tão cafona, voltaria gloriosa às paradas de sucesso… Dessa vez, porém, ela não entra pura e angelical na igreja, de mãos dadas com o casamento – agora ela entra esperta e pragmática no mercado, abraçadinha com o dinheiro. No quesito anatomia as virgens profissionais não diferem em nada das antigas virgens, porém as profissionais fazem de seus himens intactos o seu meio de sustento e através deles pagam os estudos e compram uma casa bacana pra família.

Certamente algumas virgens preferirão gerenciar elas próprias o negócio mas a maioria contratará um assessor pra organizar os compromissos e marcar as participações nos programas de TV. O leilão da virgindade poderá ser organizado por uma empresa especializada ou por aquele bordel classe A. Os proponentes verão imagens da virgem em seu blog e, mediante pagamento antecipado de uma parte do valor oferecido, poderão marcar encontros pra conhecê-la pessoalmente, encontros esses devidamente acompanhados da mãe da moça, claro.

Uma das modalidades do negócio permitirá o parcelamento do pagamento em 12 vezes no cartão de crédito. Outra modalidade será o sistema de loteria: os proponentes pagam um valor estabelecido e ao final um deles é sorteado. Seja qual for a modalidade, o comprador da virgindade terá direito a uma porção do sangue pra guardar de lembrança e a transmissão ao vivo do evento poderá ser negociada com alguma TV. Evidentemente uma semana depois o dvd pirata estará à venda em qualquer esquina.

Como a virgindade exigida é a frontal, isso ressuscitará aquela antiga e estratégica prática de dar por trás antes de dar pela frente. Se no passado as meninas faziam sexo anal por medo de engravidar ou pra se manterem virgens até o casamento, agora elas o farão por consciência profissional. Ou seja: o que vai ter de virgem especialista em dar a bunda vai ser uma festa. Nada a reclamar, claro, a preferência nacional agradece.

É lógico que com tantos himens se oferecendo no mercado, o preço cairá e as virgens terão que oferecer algo mais pra se valorizarem. Será criado, por exemplo, um selo especial do InMetro pra atestar a originalidade do produto. Uma boa pedida será fazer sociedade com a irmã, oferecendo virgindade em família – já pensou que irresistível, As Gêmeas Virgens! Outra boa estratégia de marketing será a virgem anunciar o leilão quando ainda for menor de idade e que perderá a virgindade exatamente na noite de seu aniversário de 18 aninhos, ela fantasiada de paquita. E aquela crente que se manteve virgem por meras convições religiosas poderá tirar proveito disso e se transformar, tchan, tchan, tchan, tchaaaaan, na Virgem Evangélica. Uau!

Infelizmente só os muito ricos é que serão os clientes dessas virgens profissionais e certamente vários deles se especializarão no negócio, tornando-se exímios colecionadores de cabaços profissionais. Mas não serão apenas eles e as virgens que lucrarão. Como a grana dos caras será escoada pra milhares dessas garotas, isso significa que haverá mais dinheiro circulando na praça, olha que maravilha. A economia se aquecerá, surgirão mais vagas de trabalho e o país crescerá. E o que é mais importante: as virgens profissionais poderão sustentar seus namorados artistas e escritores.

Jamais imaginei que um dia eu fosse gritar isso mas as coisas mudam, fazeruquê? Virgindade já!!!! Pelo bem da arte e da literatura.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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Raffaela Fico

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Leia também:
O ataque das virgens estudiosas

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ENQUETE


PARA MULHERES

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PARA HOMENS

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O Blog do Kelmer concorre ao Prêmio BlogBooks 2009!

categoria Universo Masculino

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O blog vencedor será transformado em livro. A votação vai até 17set. Pra fazer o Blog do Kelmer virar livro, é só clicar neste banner aí de cima e votar. O processo é bem simples e rápido.
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E clique aqui caso deseje conferir as postagens neste blog sobre o universo masculino.


Razão e sentimento em conflito (Don Juan DeMarco)

Março 13, 2009

donjuandemarco008aO filme Don Juan DeMarco é mesmo maravilhoso. Sua história é boa e divertida, o roteiro perfeito, os atores estão muito bem e a trilha sonora é linda. As mulheres suspiram com o romantismo da trama, a poesia das imagens, a vitória do amor. É um filme que traz bons temas para discussão, como o donjuanismo e a dificuldade da ciência médica de lidar com o que ela diagnostica como loucura. No entanto, em minha palestra Razão e Sentimento em Conflito, uso o filme para falar de outro tema: o conflito entre intelecto e coração.

Não é à toa que esta palestra é uma das mais solicitada por empresas. Cada vez mais elas percebem a urgente necessidade de terem funcionários psicologicamente equilibrados. O motivo é óbvio: pessoas harmonizadas consigo mesmas aprendem melhor, produzem melhor e vivem melhor. Investir na saúde de seus funcionários, física e psicológica, é um excelente investimento para qualquer empresa.

Em Don Juan DeMarco temos dois personagens em conflito: o psiquiatra renomado e o jovem problemático. O psiquiatra tem sua vida inteiramente regida pela lógica científica, ele é racional ao extremo, sempre frio em suas conclusões. O jovem é o oposto: sua vida é puro sentimento e emoção e ele só enxerga a vida pelas lentes da poesia, da aventura e do amor. Qual dos dois está certo?

Os dois estão errados. A prova disso são suas próprias vidas: o médico está cansado e desestimulado e seu casamento perdeu a paixão. E o jovem, frustrado por um amor não correspondido, desistiu de viver. Ambos perderam a vitalidade, o tesão pela vida. O motivo: eles esgotaram as possibilidades que razão e sentimento, sozinhas, têm para oferecer.

Razão e sentimento são funções psicológicas que auxiliam o ego a lidar com a realidade. Porém, quando o ego se apega demasiadamente a uma delas, ocorre o desequilíbrio psíquico e surgem os insucessos em vários aspectos da vida. A razão sempre busca entender a realidade pela ótica do intelecto, que é incapaz de abarcar toda a complexidade da vida. A razão não quer exatamente ser feliz: ela quer ter razão, sempre. Certamente você conhece alguém assim, que só admite a lógica racional para explicar a tudo. E o sentimento entende a realidade pela ótica da sensibilidade emotiva, o que também é insuficiente para lidar com a grandeza da vida. Muitas pessoas agem assim, achando que a pureza de seus sentimentos a tudo resolverá.

Em algum momento da vida o crescimento psíquico exigirá do ego o equilíbrio dessas funções. Se seguir a diretriz autocurativa de sua própria psique, a pessoa saberá conciliar razão e sentimento e sairá do conflito renovada. Passará a se relacionar com a vida usando as duas funções de modo equilibrado e consciente, sabendo reconhecer as ocasiões em que deve usar mais intelecto ou mais coração.

Tanto nos relacionamentos com a família, com amigos ou num casamento, como também no dia-a-dia profissional, esse equilíbrio psíquico é fundamental. Assim como o psiquiatra frio e o jovem romântico tiveram que entrar em intenso conflito antes de integrarem em si o que lhes faltava, às vezes é preciso chegarmos a um ponto crucial de desequilíbrio interno, que causa o desequilíbrio externo, e afundar na crise para, somente assim, reconhecer e integrar o que nos falta e sermos mais inteiros e harmonizados com nós mesmos, com os outros e com o mundo em volta.

Portanto, é bom ficar atento. Se a vida parece ter chegado a um ponto insustentável e viver de repente tornou-se uma sucessão de dias sem sentido, talvez esteja na hora de aceitar o outro lado que até agora negamos em nossa própria alma, mesmo que, a princípio, esse outro lado pareça limitado ou ingênuo. Ou louco demais.

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.wordpress.com.br

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> Veja as cenas iniciais do filme
(7,21 min)

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> Saiba mais sobre as palestras


Bem-vindo ao clube dos excomungados

Março 12, 2009

futebolexpulsao01O país inteiro ficou chocado com o caso da menina pernambucana de 9 anos que engravidou de gêmeos após ser violentada por seu padrasto. E com a confissão do padrasto veio o segundo choque: há 3 anos ele abusava da menina.

O padrasto foi preso e a menina teve que ser submetida a um aborto pois seu corpo infantil dificilmente suportaria uma gravidez, ainda mais de gêmeos. O procedimento foi realizado com sucesso num hospital de Recife e a menina agora está bem. Está bem é modo de dizer, claro, pois violência sexual, principalmente na infância, costuma deixar graves sequelas psicológicas.

Mas um terceiro choque aguardava na lista de espera. Dias depois o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, anunciou que a mãe da menina e toda a equipe médica que participou do procedimento estavam excomungados da Igreja Católica. O assunto, que já era complexo, tomou jeitão de polêmica nacional e o tema aborto voltou forte à ordem do dia, mostrando que felizmente as políticas de saúde pública não dependem da leis católicas.

Toda igreja tem suas leis e se você entra pra uma delas, precisa segui-las sob pena de ser expulso. Foi o que ocorreu em Recife. Praticar ou ser cúmplice num caso de aborto é um dos pecados que causam automaticamente a expulsão da Igreja Católica. Assim sendo, a mãe e a equipe médica foram automaticamente excomungados no momento em que participaram da interrupção da gravidez da menina e o arcebispo apenas expressou a posição oficial da Igreja.

A atitude do arcebispo possibilitou a muita gente, católicos inclusive, saber que pra Igreja o pecado de estuprar ou assassinar alguém é menor que o de praticar um aborto. Isso quer dizer que o padrasto da menina poderia estuprá-la durante a vida inteira, e até matá-la, que não seria excomungado e, assim, poderia continuar indo à missa todo lindão, e casar e receber os sacramentos normalmente como o mais santo dos católicos. O mesmo vale pros padres pedófilos que abusam de crianças e lhes traumatizam a vida – esse é um pecadinho bobo sem importância, que é ejaculado pela urina.

Como você reagiria se o caso envolvesse sua filha? Não faria nada e deixaria que a lógica de Deus decidisse? Ou autorizaria o aborto e depois procuraria outra igreja que o aceitasse? E agora, como os católicos brasileiros encaram a posição de sua religião em relação ao aborto? Seria interessante que, após esses acontecimentos, houvesse uma pesquisa de opinião sobre aborto e religião.

Quanto a mim, esse caso me fez ficar sabendo, com 25 anos de atraso, que eu também estou excomungado. Sim, pois um dia uma garota com quem eu tinha um caso engravidou e decidimos pelo aborto. Como eu já não mais me considerava católico, ter sabido àquela época que eu estava expulso da Igreja não faria qualquer diferença.

Mas hoje faz diferença. Eu me sinto bem por ter sido expulso de uma instituição cujos membros estariam dispostos a sacrificar aquela menina pernambucana – pelo simples fato de que essa é a lógica do deus deles.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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>> Esta crônica também foi publicada em minha coluna no Jornal O Povo. Veja os comentários dos leitores:


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teste
SERÁ QUE VOCÊ ESTÁ EXCOMUNGADO E NÃO SABE?

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religiaosexo01Pesquisei e encontrei outros pecados passíveis de excomunhão. Veja se você, que é católico ou foi batizado na Igreja Católica, não cometeu algum deles:

Cisma – É a dissidência religiosa, como fizeram os protestantes. Em outras palavras: se você recusar obediência ao Papa, tá excomungado.
Heresia
– Significa desrespeitar os dogmas da Igreja. Em 1977 o genial Odair José os usou artisticamente em seu disco “O filho de José e Maria” e, crau!, levou uma excomungada na cabeça.
Profanação das espécies sagradas
- Dizem que fumar e não tragar não vale, né? Com a hóstia é parecido: quem recebe e não engole, também a está profanando. Roubar aquele vaso das hóstias tá liberado mas roubar hóstia não pode, mesmo que seja oito da noite e você ainda não comeu nada.
Violência física contra o Papa – Contra qualquer outra pessoa pode, até crianças de 9 anos. Contra o Papa não, viu, minha filha, por mais que ele diga que a máquina de lavar foi a invenção mais importante pra mulher no século 20.
Violação direta do segredo da confissão – Como você não é padre, esse pecado não se aplica a você. Mas você tem certeza que deseja que o padre saiba que você e aquele seu colega do trabalho andam pecando contra o sexto mandamento?
Sexo selvagem no convento – Esse não existe mas não resisti, me desculpe, é uma velha fantasia minha. Não dá excomunhão mas mesmo se desse, eu já tô excomungado mesmo…

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tá fora
ALGUNS EXCOMUNGADOS

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odairjose010a- Fidel Castro – Ditador cubano, sec XX. Por proibir a fé católica em Cuba.
- Geraldo Ferreira Filho – Brasileiro, sec XX. Após ter sido desenganado de câncer em 1972, descrente da existência de um ser supremo ou mesmo de uma inteligência superior, encaminhou ofício ao Vaticano, pedindo sua excomunhão, no que foi atendido.
- Jesus Norberto Gomes – Farmacêutico brasileiro, criador do guaraná Jesus, sec XX. Por dar uma surra num padre. (Ué, mas em padre não pode?)
- Juan Domingo Perón – Presidente da Argentina, sec XX. Excomungado por assinar decreto de expulsão de dois bispos católicos.
- Martinho Lutero – Teólogo alemão, sec XVI. Excomungado por heresia.
- Miguel de Cervantes – Escritor espanhol, criador de Don Quixote, sec XVI. Sua excomunhão foi posteriormente revertida.
- Miguel Hidalgo – Mexicano, sec XIX. Por liderar a guerra de independência contra a Espanha.
- Odair José – Cantor e compositor brasileiro, sec XX. Excomungado por heresia.
- Sinéad O’Connor – Cantora irlandesa, sec XX. Excomungada por ter sido ordenada sacerdotisa de seita católica considerada cismática pelo Vaticano.
- Todos os cristãos da América do Sul que tomaram armas contra as monarquias da Espanha e de Portugal durante o papado de Leão XII, sec XIX.

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> Excomunhão na Wikipedia
> Mais sobre excomunhão
> Site Ateus do Brasil

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ENQUETE

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Comentarios01

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COMENTÁRIOS

001 – infelizmente certos dogmas são arrastados por séculos ainda permitindo que o ser humano continue, com a mente visivelmente travada, e por isso nós os “excomungados” temos que conviver infelizmente ainda por não se sabe quanto tempo, com esses e outros absurdos cometidos por pessoas doentes que são aceitas conforme a comodidade e a “ordem” imposta por uma parte da nossa própria sociedade. Parabéns pelo texto Ricardo. Hérika Vale – mar2009

002 – Essas inconsistências é que levam a população a descrença em relação a Igreja Católica. Muito bem levantada essa questão: o estuprador não foi ex-comungado, mas quem tentou salvar a vida da menina, e DEIXAR QUE ELA TENHA UMA INFANCIA MINIMAMENTE NORMAL, foi “punido” pela Igreja. Mais uma palhaçada católica! Os evangélicos, Bispo Macêdo inclusive, deve estar rindo a toa. José Cathos – mar2009

003 - Sou católico e defendo a vida sobre tudo. Não temos o direito de tirá-la de ninguém, muito menos de indefesos.. Não podemos mensurar o valor da vida, porque diante de Deus, todas elas tem o mesmo valor.. O Sr. Ricardo Kelmer infelizmente, não sabe que a sua vida tem o mesmo valor da criança que ele abortou quando tinha seus 20 anos, como também dos gêmeos citado nesta matéria. Só tem uma diferença, os pais do Sr. Ricardo Kelmer sabia disso. Jackson – mar2009

004 - utilizar essa polêmica para fazer campanha pró-aborto é ridículo. É preciso ter cuidado, o aborto não é somente uma questão de saúde pública, é também, uma questão de respeito à vida. Acredito não ser prudente deixar a decisão do aborto, qualquer que seja as circunstâncias, nas mãos dos pais. Lima – mar2009

005 – A lógica do Deus que a Biblia apresenta é proteção para aqueles que se sujeitam as suas orientações, a lógica da igreja pelo visto é proteção para sua classe clerical pedófila. Lili – mar2009

006 – o povo esta conseguindo ver que a igreja catolica nao passa d euma tremenda farça religiosa. Jorge Henrique da Silva – mar2009

007 – aqui, na França, os arcebispos agem de maneira diferente e o bispo de Nanterre escreveu uma Carta aberta au bispo de Olinda e Recife condenando a excomunhão. Deus é compaixão e misericordia diz ele e não se deve acrescentar uma dor onde ja existe tanta dor. As pessoas aqui estão horrorizadas com as palavras do arcebispo de Recife. Aqui ,o aborto é legalizado e não existe excomunhão. Mas a França é um pais de 1° mundo. Dois pesos e duas medidas da parte de igreja catolica! Lena O Alard – mar2009

008 – Parabéns, Ricardo! Seu artigo expressa a mais pura verdade. E põe em pauta uma discussão extramamente importante: Qual é o valor da vida? E quando me refiro à vida, não estou falando da vida biológica, que pode ser interrompida com um aborto, mas falo da vida que esta menina enfrentará pelo resto de seus dias. Miguel Arcanjo Zimmermann – mar2009

009 – Gostaria de parabenizá-lo pelo excelente texto! Está passando da hora de a igreja católica acabar com séculos de hipocrisias! E os padres pedófilos, foram excomungados? E com relação ao fato de toda a igreja católica ter se calado diante do holocausto, o que dizer disso? E o bispo que ainda hoje nega a existência do holocausto, foi excomungado? Vamos esperar por todos eles com uma grande faixa onde diz: “Bem-vindos ao Clube dos Excomungados!” Sândalo Costa Bezerra – mar2009

010 – Tão absurdo quanto o aborto, um crime silencioso e covarde, é o tom dessa notícia. O “colunista” é tb um criminoso, e o que é pior, se orgulha disso. Como tantos outros, aderiu ao secularismo. A igreja católica não é uma religião; é a Religião. Fundar uma igreja é fácil, difícil é morrer e ressuscitar no terceiro dia. Francisco – mar2009

011 – Sou totalmente contra o aborto, pois a coisa que mais desejo na vida é ser mãe, mas nesse caso sou totalmente a favor, em caso de estupro eu não seria contra, como fica uma mãe ao olhar todo dia para uma criança e lembrar de como ela foi gerada?! Principalmente uma criança de 9 anos. Como esse senhor pode exomungar alguem nesse caso. A igreja catolica só vem me decepcionando cada vez mais, acho que hj em dia não tenho mais religião, apenas fé. É facil para as pessoas falarem quando não estão vivendo a situação. Vamos deixar de hipocresia, pq se estivesse no lugar dessa criança e da mae dela, irião querer o aborto. Luisa – mar2009

012 – Realmente o escritor mostrou uma tremenda ignorância ao direito canônico. O mandamento é não matarás, ou seja, é terminantemente proibido pela Igreja Católica matar, seja por aborto ou qualquer outra forma. A criança poderia correr risco de vida, mas só DEUS teria a certeza da morte ou não da criança no caso da manutenção da gravidez. Preferiram tirar a vida dos gêmeos a não tentar manter a vida dos três. Só quem é realmente católico para entender a situação. Não cabe a nós, obviamente, julgar os médicos e a mãe da criança. A excomunhão é automática, consoante as regras da Igreja. Mas isso não quer dizer que as pessoas são expulsas, pois todo pecado tem seu perdão, se assim as vítimas desejarem. Particularmente, se fosse na minha familia, manteria a mesma opinião, pois sigo fielmente a minha religião e a minha consciência, respeitando é claro, a opinião de todos, pois vivemos numa democracia e ninguém é dono da verdade, só DEUS!! Deputado – mar2009

013 – Realmente é impossível esperar de quem, de uma maneira cínica, admite publicamente que cometeu aborto, um posicionamento diferente face ao triste fato ocorrido em Pernambuco. Com que autoridade o pretenso colunista pode emitir parecer sobre o assunto? Só existe uma explicação: buscar espaço para vender livros. Augusto Andrade – mar2009

014 – se a escomunhão nesse caso se dá pelo mandamento não mataras, creio que milhões de pessoas ja deveriam ter sido excomungados, sim todo pecado tem seu perdão, mas muitos desses assassinos não se arrependem nunca, eu como mulher repito, não iria querer o fruto de um crime, de um sofrimento, é facil falar quando não é com vc, ser hipocrita é enganar a si mesmo. Também não concordo com algumas das palavras do escritor, o seu caso realmente é lamentavel, no seu caso e da sua parceira foi realmente um crime, e se eu estivesse no lugar dessa sua parceira iria carregar remorso por essa monstruosidade a vida toda. Luisa – mar2009

015 – É por esta e outras que o jornal O Povo está perdendo seus assinantes. Também com um colunista deste! Leitor indignado – mar2009

016 – Para igreja catolica so´ mando uma resposta, va cuidar dos seus padres pedofilos, que esta igreja esetar cheia. eu nao preciso de religiao,acredito em Deus independente de religiao, e niguem e´salvo p/eou c/religiao. Eliane Maria Paz Chaves – mar2009

017 – é incrível, como uma pessoa(Inrresponsável), tem o prazer de dizer que teve participação em um aborto, e hoje fala que agradece por não ser mais católico, sobre a criança de 9 anos, o seu aborto é um caso a se pensar, pela causa que se fez, mais este criminoso que não sabe o que diz um dia vai pagar pelos seus atos, esse livro dele deve ser uma porcaria, porque o cara é fútil. Paulo André – mar2009

018 – Concordo com o Ricardo Kelmer sobre o artigo, mas não é a lógica de Deus a excomunhão, mas sim dos pseudos representantes de Cristo na terra. Por todo o mau que a igreja católica praticou, principalmente na idade média, ela mesmo já não deveria ter sido excomungada? E os padres pedófilos, o que dizer deles? São uns caras de pau, ignorando até o bem que a ciência proporciona ao mundo. Francisco Delmontier da Costa – mar2009

019 – Bem vindo ao clube vc, se depender de aborto para mim ser excomungada nunca serei, não sou contra a essa menina ter feito isso, mas no seu caso, ahh faça me o favor, vc ainda vem aqui e escreve isso com a maior naturalidade, como se tivesse matado uma galinha pra comer, poupe-me viu. Cris – mar2009

020 – Lamento ter lido esse tipo de reportagem/opinião. Um indivíduo se aproveita de um meio de comunicação para externar sua opinião sem se preocupar com o que fala. Aproveita o caso para fazer sensacionalismo, falar mal de uma Instituição séria e assumir que para ele é normal fazer um aborto (matar um ser inocente) caso a namoradinha engravide e eles não queiram assumir a responsabilidade pelos seus atos. É triste ver um jornal como O Povo dar espaço para esse tipo de manifestação irresponsável!!! Karla – mar2009

021 – Agora me vejo perdida. Sou ou, sei lá, era católica…nem sei mais!!! Tanta coisa absurda por baixo de uma batina. Concordo que o aborto deva ser a ultima saída, mas no caso desta CRIANÇA…era a ultima chance pra ela e um arcebispo vem e fala que ela deverá se sacrificar pra dar a vida a um ser que pra ela, com certeza, será sinônimo de algo que quer esquece, VIOLÊNCIA!!! Meu Deus, em que templo tu estais que eu possa entrar???Se o nosso corpo é templo do Espírito Santo, então quem invadiu e fez um estrago que jamais será consertado é que deveria ser excomungado, não???!!! Milla Lopes – mar2009

022 – A pergunta “Não faria nada e deixaria que a lógica de Deus decidisse?”, do meu ponto de vista deveria ser mais fundamentada e não apenas jogada para julgamento público. Como disse, quanto ao tal do Bispo nem me importo, aliás, nem sou católico, quanto ao aborto também achei prudente que fosse feito, porém seja mais prudente ao se referir ou questionar o que Deus faz ou deixa de fazer. Afinal um ¿escritor e roteirista¿ não passa de um ¿escritor e roteirista¿, agora, Deus dispensa os meus e os seus comentários. Adriano – mar2009

023 – como posso seguir o teu conselho contra a igreja catolica ser voce teve a coragem de matar o proprio filho com a arma do aborto , infeliz é a cidade que te acolher para te ouvi maldito todos aquele que te escuta. JUDAS SE ENFORCOU E TU ? é ricardo kelmer como posso seguir o teu conselho contra a igreja de cristo se voce teve a coragem de matar o proprio filho atraves do aborto ,voce devia esta na prissao e nao numa redançao de um jornal. Nazareno – mar2009

024 – Rapaz, vcs ainda dão ouvidos pra essa igreja. Era pra ter entrado num ouvido e saído pelo outro. Totalmente desprezível e insignificante. Renato – mar2009

025Eu sou e espírita e em teoria, contra o aborto. Fico muito triste que as crianças do Brasil estejam sendo tão desrespeitadas. Porque todo mundo fala desse aborto, da excomunhão e tudo mais, mas e a punição do padrasto? Sinceramente, se tivesse acontecido com uma filha minha, acho que eu não seria capaz de perdoar. Eu acho que esqueceria todos os princípios cristãos que supostamente tenho e cortaria o pênis desse desgraçado e depois o obrigaria a comê-lo e depois o amarraria numa árvore em praça pública pra ele ser estuprado e humilhado. Débora – mar2009

026 – sinto pena de você. um colunista deveria ter pelo menos sensibilidade antes de escrever tanta heresia e brincar com algo tão sério. você é um irresponsável, pois pessoas sem estudo vão ler essas suas idiotices e você, com tanta besteira, vai influenciar pessoas a terem ódio da igreja católica. você é um alienado, que só pensa nesse seu mundinho de artista. se depender do demônio, você venderá muito livro. quanta besteira foi escrita nesse seu artigo. quanto despropósito, além das brincadeirinhas sem graça. peço a Deus que o perdoe, pois o fim está próximo e, com certeza, você não gostará de se sentir expulso daqueles que irão se salvar, pois o fogo queima… Paulo – mar2009

027 – Religiosos, como o arcebispo de Olinda, são tão nocivos à sociedade quanto o padrasto estuprador, pois o padre, com suas idéias, defendeu que o estupro não é um crime tão grave assim. Talvez seja o corporativismo da organização, a que ele pertence, falando mais alto. É lógico que muitos valores cristãos devam ser preservados, mas acredito que a fé religiosa, hoje, se constitui em um grande entrave para o desenvolvimento sustentável da humanidade. O que dizer das fortes críticas do Vaticano a liberação de recursos oficiais americanos para as pesquisas com “células-tronco”, do posicionamento contrário ao planejamento familiar etc. Hélder Hamilton – mar2009

028 – Sou Bispo de nascimento ( sobrenome do meu Pai ). Esse bispo nao poderia estar em Olinda, D. Helder deve estar muito desapontado do lado de la. Quero ser excomungado!!!!!!!! José Valdo Bispo – mar2009

029 – quem diz que o estuprador está livre das penas eternas definidas pelo magistério da Igreja é o Sr. Kelmer, numa ironia própria dos maldosos, segundo nos ensina com propriedade de sábio o grande psicanalista Mira y Lopez. Enfim, o Sr. Kelmer, bem como muitos da sua estampa, deveriam recolher-se àquela condição do sapateiro da fábula de Esopo: sapateiro, não vá além dos seus sapatos. Barros Alves – mar2009

030 – Sou contra o aborto, mas a favor da legalização do aborto. Sou também a favor da liberdade de culto e do Estado totalmente Laico. A Igreja não poderia interferir nas leis – mas tem o direito de ter seus próprios postulados. O Direiro Canônico da Igreja Católica é elaboradíssimo. Para falar com propriedade, é preciso conhecê-lo, pelo menos superficialmente. Caso contrário, corre-se o risco de ser totalmente superficial, como o sr. Kelmer. John Lock – mar2009

031 – O estuprador era o patrão, o senhor de engenho que deflorava as mucamas. A Igreja até esta época ficava ao lado do patrão ou era patrão mesmo, senhora do mundo. Assim a vemos ao lado do poder, quando não era o próprio poder. Posteriormente perdeu força ficando subordinada ao poder civil instituído. Num avanço político conseguiu ficar independente separada do poder do estado. Mesmo separada do estado, optava para ficar ao seu lado disputando as regalias do poder, para isso tinha que ficar senhora do povo. O dilema surgido foi de que lado a Igreja deveria ficar, do poder ou do povo. Sob o comando do Papa João XXIII a igreja iniciou a guinada na direção do povo (continua) – Airton Barbosa Gondim – mar2009

032- Descobri, através de você, que também sou excomungado. Dei uma clicada no link da lista e o maior pecado que ví foram as asneiras escritas (e tão mal escritas, que pecado!), principalmente, pelos teus algozes. Meu Deus, quanta gente ignorante! Manda perguntar para um budista qual é a verdadeira religião. Ou a um muçulmano…  Fui criado numa família profundamente católica, fui orientado a estudar para ser padre… e quanta decepção; é tudo uma grande farsa. Ah, quando estava no seminário, uma vez comi uma lata de hóstias e só não fui expulso porque ainda não estavam “consagradas”, mas meu pai teve que pagar o prejuizo. Enquanto isso, está mais do que comprovado que a maioria dos padres decidiu sê-lo, utilizando o celibato com o propósito de “servir” a Deus escondendo a sua sexualidade; mas, de vez em quando, tinham que dar vazão aos desejos carnais. João de Deus (eu?) – mar2009



Agenda mar/abr/mai 2009

Março 10, 2009

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MARÇO

Palestras em Fortaleza
FORTALEZA. Palestra O Despertar do Herói p/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 25abr

14mar (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA. 1a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas (ensaie com amigos e agende sua apresentação). Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Cartaz da festa. Sorteio de ingressos + consumo no bar.

ABRIL

Palestra O Despertar do Herói
FORTALEZA-CE. P/ funcionários das unidades da Cagece, Semana da Saúde, 02mar a 24abr

08abr (4a feira)
Cabaré Soçaite

cabaresocaite200904-01bFORTALEZA-CE. 4a edição da festa mais sensual da cidade. Pra repetir o sucesso de 2008, acontecerá na véspera do feriado da Semana Santa. DJs: Evison e RK Baré. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) Sorteio de ingressos + consumo no bar. Ingresso: R$ 10.

09abr (5a feira), 20h
Noite de Autógrafos
FORTALEZA-CE. Participação no projeto Letras de Bar, no Bar do Papai (rua Torres Câmara esq. rua Mons. Bruno – Aldeota – 85-3264.3495). Toda 5a feira um autor é convidado, autografa seus livros e fala de seu trabalho. Música ao vivo: Ciribah Soares, Mimi Rocha e Denilson Lopes. Apresentador: Ricardo Black. Produção: Cristina Cabral.

figlivrovocesterraqueas0115abr (4a feira)
CRATO-CE: Lançamento do livro Vocês Terráqueas, 20h (Olhar Casa das Artes, Praça da Sé, 91 – 88-3521.1590)

16abr (5a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. CCBNB, 19h.

17abr (6a feira)
JUAZEIRO DO NORTE-CE – Noite de autógrafos, 18h, Barzinho do Zé – Rua Padre Cícero, 498 – 88-3511.1000

18abr (sábado)
SOUSA-PB: Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet (CCBNB, 18abr, 20h30). Noite de autógrafos: 18abr, 22h, após a palestra (bar e restaurante Aconchego).

22abr (4a feira)
bordelpoesiaanuncio02aBordel Poesia – O sarau do erotismo e da sensualidade
FORTALEZA-CE. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894) . Ingresso: R$ 5.

25abr (sábado)
FORTALEZA-CE. Palestra Escritor do Século 21 – Livros e mercado literário na era da internet. 17h. CCBNB – Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – 85-3464.3108).

MAIO

02maio (sábado)
Sabadabadu
FORTALEZA-CE. 2a edição da festa que bota você pra dançar pela música dos anos 60 até hoje. Apresentação de grupos performáticos fazendo teatrinho de músicas. Local: Acervo Imaginário (Rua José Avelino, 226, vizinho ao Centro Cultural Dragão do Mar – 85-3221.4894). Ingresso: R$ 10.

06maio (4a feira)
Fim da turnê. Retorno para São Paulo

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CONHEÇA AS PALESTRAS

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A TURNÊ KELMÉRICA CONTA COM A PARCERIA DE
Kingston – Expressão Gráfica – Garin Cópias
Luce Galvão de Sá ArquiteturaRossana Romcy


Submundo Orkut – Ampliando o diâmetro

Março 10, 2009

AmpliandoODiametro-01bSinceramente, o Orkut tem umas coisas… Não sei se é porque o pessoal do Gúgol é gringo e não saca muito bem as coisas ou se é porque falta alguém na filial brasileira pra supervisionar a comunicação com o usuário, os termos utilizados e coizital. Por exemplo, olha que primor esta frase que consta logo na página de abertura: “Participe do Orkut para ampliar o diâmetro do seu círculo social.”

Ampliar o diâmetro do meu círculo? Ops, comassim? Que frase esquisita. Ok, ok, entendo o que senhor quis dizer, seo Orkut, mas isso não é coisa que se diga assim, na cara do freguês. Lá na sua terra até pode ser mas aqui no Brasil o senhor jamais, em tempo algum, vai ver alguém falando: Olha, sabe como é, eu ando a fim de ampliar o diâmetro do meu círculo… Essa frase é tão infeliz, tão esdrúxula, tão sem-noção, que nenhuma situação combina com ela. Mas vamos lhe dar uma chance, seo Orkut. Vamos imaginar algumas situações. Pro senhor não dizer que eu tô com má vontade. Primeiro um situação formal.

Reunião mensal dos acionistas da empresa. Acaba de ser lido o relatório e o presidente pergunta se alguém tem alguma sugestão sobre como deter a queda nas vendas. Alguém pede a palavra e diz: Senhores membros do conselho, precisamos de ações que ampliem o diâmetro do círculo social da empresa. Um dos membros, que estava um pouco desatento, pergunta: Ampliar o quê? O outro repete: O diâmetro. Silêncio. Todos se olham. Um membro não aguenta e cai na gargalhada. Os demais acompanham. Não tem mais clima pra reunião.

Tá vendo, seo Orkut? Não dá certo. Mas vamos tentar de novo. Uma situação menos formal.

Supermercado. Amigas se encontram na farmácia. Elas se cumprimentam, perguntam sobre a saúde, os filhos e coizital. Uma delas diz: O Asclépios acha que eu ando meio triste, que eu deveria ampliar o diâmetro do meu círculo. A outra pensa um pouco e diz: Olha, eu já vi muito pretexto pra isso mas dizer que deixa a mulher mais alegre é novidade… Ela pega um tubo de lubrificante e oferece: De qualquer modo, leva esse aqui que é ótimo.

Talvez numa situação informal…

Botequim do Mané Bofão. Amigos bebem e comemoram a vitória do time. Mane Bofão, só de bermuda, suado, aquele barrigão enorme de cerveja, chega trazendo o tira-gosto de sarrabulho. Um dos amigos diz: Adorei o boteco, seo Bofão, virei mais vezes para ampliar o meu diâmetro. Mane Bofão, palito de dente na boca, sapeca-lhe um tabefe no pé da orelha e diz: Tu vai ampliar o diâmetro na puta que te pariu, ô pederasta! Isso aqui é lugar de respeito, viu?

Tá vendo, seo Orkut? Não dá certo. Eu, particularmente, até sou chegado numa ampliação momentânea do diâmetro dos outros, ou melhor, das outras, mas… Ih, quem que perguntou isso mesmo? Ninguém. Esquece.

Estamos no Brasil, seo Orkut. Se o senhor quiser ganhar dinheiro por aqui, tem que entender bem três coisas fundamentais no espírito tupiniquim: futebol, carnaval e bunda. Futebol é tão importante que a gente usa o futebol e seus termos pra explicar a vida. Dessa forma a gente joga pra escanteio o que não presta, bota a gorduchinha pra dentro do barbante e depois corre pra galera. Entendeu? Não, né? Tudo bem, depois explico melhor. E quanto ao carnaval, pro senhor ter uma idéia, o ano oficial brasileiro só começa depois do carnaval. Antes nem adianta o senhor querer fazer coisa muito importante porque ninguém vai prestar atenção. E bunda é aquela coisa: quem não tem é doido pra ter – e quem tem tá doido pra dar.

O que eu quero dizer, seo Orkut, é que ampliar o tal do diâmetro é muito bom, relaxa o cidadão após um estafante dia de trabalho e coizital. Mas lá na página de abertura do portal, essa idéia poderia ser expressa de outro modo pois do jeito que tá, brasileiro pensa logo em sacanagem. Então bolei uma nova frase pro senhor. É digrátis, viu? “Participe do Orkut e engrosse o seu raio de atuação” Quital? Se o senhor gostar, pode usar as duas frases, elas combinam que nem doce de leite com goiabada. Primeiro o cidadão engrossa o raio, certo? Depois ele vai lá e, crau, amplia o diâmetro. De quem? Ah, aí vareia, né. Afinal gosto é como Orkut: cada um tem o seu.

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.wordpress.com

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diametralninfajessi05bEsta inocente crônica atraiu a ira do MNBC (Movimento Nacional pelos Bons Costumes), que exigiu a minha saída do quadro de colunistas do jornal. O episódio originou o conto Diâmetros exaltados, que se tornaria o primeiro capítulo da série As Aventuras de Diametral e Ninfa Jessi.


Observatório 08.03.09

Março 8, 2009

O QUE A PAIXÃO NÃO FAZ

danielamercury,camillepaglia01Que grande chance de ficar calada perdeu a escritora feminista estadunidense Camille Paglia. Numa recente entrevista pra revista Veja, Camille revelou estar desapontada com a música pop e especialmente com Madonna. Até aí tudo bem. O negócio pegou quando Camille passou a descarregar um caminhão de confetes sobre a cantora Daniela Mercury:

“Ela é a Madonna brasileira. Faz música pop mas possui outra dimensão incrível que Madonna não tem: um grande conhecimento sobre folclore, sobre os grupos étnicos brasileiros e sobre a história da Bahia”.

Grande conhecimento sobre folclore e grupos étnicos? A Daniela Mercury? Putz… Será que precisou vir uma intelectual lá dos Estados Unidos nos mostrar, a nós ignorantes brasileiros, quem realmente é Daniela Mercury?

Não, claro que não. Mas vamos relevar, por favor. Camille se apaixonou pelo tempero da baiana e, você sabe, a paixão nos faz ver coisas que não existem. Não sei se Daniela retribuiu os confetes da gringa empolgada mas uma coisa eu sei: é bom ela fazer urgentemente um intensivão sobre etnografia e folclore brasileiro antes que algum repórter mais curioso invente de querer comprovar a tese de Camille.

Depois dessa o precedente tá aberto pro Noam Chonski publicar um ensaio apaixonado sobre a Tati Quebra-Barraco. É, dona Orestina, é o fim do mundo.

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A DISCUSSÃO TÁ ACESA

cacomaconha2A revista Época, edição 561, de 16fev2009, teve como matéria de capa a reportagem Maconha – Por que é preciso debater a legalização do uso da droga. A matéria, assinada por Ruth de Aquino, que é diretora da sucursal da revista no Rio de Janeiro, tem como imediata inspiração o atual movimento de um grupo de pessoas que defende a legalização do consumo pessoal de maconha.

Até aí nada demais. A maconha sempre teve seus defensores, principalmente entre artistas, estudantes e hippies. A novidade é que o tal grupo que inspirou a matéria é formado por políticos, intelectuais e especialistas de vários países, entre eles ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, Cesar Gaviria, da Colômbia, e Ernesto Zedillo, do México. Pra eles, a sociedade tem mais a perder que ganhar com a proibição do consumo da erva. Ou seja: a bandeira da legalização agora é empunhada por gente chique de gravata, diploma e respeito internacional. A maconha agora deve estar se sentindo a rainha da bocada, ops, da cocada.

Mais cedo ou mais tarde isso teria mesmo que acontecer. Na verdade até que demorou muito pois é indiscutível que falhou estrondosamente a atual política de repressão dos governos em relação à questão da droga. Tudo o que se conseguiu foram bilhões de dinheiro gastos à toa, milhões de mortes e o fortalecimento do crime organizado. A tal guerra às drogas é uma guerra perdida desde o início pelo simples fato de que é impossível vencer algo que é natural à espécie humana: o anseio por estados especiais de consciência.

Sejamos realistas: as pessoas DESEJAM alterar o funcionamento cotidiano da mente, seja com álcool, nicotina, THC, cocaína, ecstasy, LSD, lança-perfume ou remédios. Elas querem, sempre quiseram e continuarão querendo usar drogas, sejam legais ou ilegais. E elas usarão, nem que precisem se envolver com o tráfico e arriscar serem presas.

Diante disso, a atitude mais sensata da sociedade seria trocar a política de guerra às drogas pela política de redução de danos, onde admite-se que os consumidores sempre existirão e que, assim sendo, o melhor não é prendê-los mas ajudá-los a lidar com a droga da melhor forma possível. Tentar proibir as pessoas de usarem drogas funciona tanto quanto tentar acabar com a aids proibindo o sexo.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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>> Mais sobre este tema: Rio Droga de Janeiro – Série de 3 artigos sobre a questão da legalização das drogas


Nem tudo evolui, Darwin

Março 4, 2009

macaco10aDeus criou o mundo há 6 mil anos, mais exatamente no ano 4004 antes da era cristã. Eva e Adão foram expulsos do paraíso nesse mesmo ano, no dia 10 de novembro. Os fósseis de animais que os arqueólogos encontram, inclusive os dinossauros, são restos de animais que não embarcaram na arca de Noé e morreram no dilúvio.

Você matricularia seu filho numa escola que ensina essas coisas como se fossem fatos reais? Pois é exatamente isso que fazem muitas escolas, principalmente evangélicas, em seu esforço por impor sua versão religiosa sobre as verdades científicas. Em oposição à ciência, que afirma, baseado em experimentos e descobertas, que a Terra existe a bilhões de anos e as espécies evoluem, transformam-se e originam outras seguindo leis naturais, os religiosos radicais defendem o criacionismo, uma visão religiosa da realidade que diz, entre outras coisas, tudo baseado apenas na fé, que Deus criou a espécie humana já prontinha.

Entendo o drama dos religiosos. As descobertas sobre a idade da Terra e a evolução das espécies certamente os fazem lembrar de momentos difíceis, como quando descobrimos, cinco séculos atrás, que a Terra e os humanos não são o centro do Universo. Vendo que mais uma vez a força dos fatos científicos abalará os dogmas da fé, os religiosos, acuados, investem as últimas forças tentando desqualificar a ciência, acusando suas verdades de serem simples teorias carentes de comprovação.

As polêmicas envolvendo ciência e religião existem desde que a humanidade começou a desenvolver o pensamento científico, na Idade Média, tirando da religião o privilégio do veredicto sobre a realidade. É claro que a religião não aceitaria isso sem lutar. E como ela lutou. E perseguiu. E queimou! Pra não perder a primazia da palavra final, a religião fez de tudo pra que o conhecimento não avançasse, impondo à humanidade compreensões limitadas da realidade.

Apesar de tudo, o conhecimento avançou. Bem, não pra todos, é verdade. Pros religiosos radicais, por exemplo, o conhecimento deve continuar preso num calabouço medieval, de onde jamais deve sair. Pra essa gente, Deus criou o mundo e a humanidade – mas a ciência não, isso já é invenção do Diabo.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com