Roquenrôu a três

Fevereiro 27, 2009

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Como incansável amante e defensor que sempre fui das mulheres bissexuais, eu não poderia deixar de citar a recente, e muy mimosa, declaração da Pitty. Num bate-papo com Fernanda Young, pra revista Gloss, a roqueira mandou essa:

- O grilo, para mim, não é o fato do meu parceiro sentir desejo por outra pessoa. É o fato de eu não saber. Eu quero me sentir incluída, estar ali, junto, saber que faço parte. Aquela mina é massa, é gostosa? Me leva junto!

Mandou bem, baianinha, mandou bem. Com essa, você provou que sabe das coisas. Aliás, esta é uma grande vantagem das bissexuais: seus parceiros têm muito menos motivos pra pular a cerca – ou então pulam junto com elas. Particularmente, comigo e minhas namoradas bibitas sempre foi assim. Pra mim é a união perfeita. Que o diga a Ninfa Jessi. Pra quem não sabe, Ninfa Jessi é a namorada maluquete do Diametral e os dois formam um casal sexy e divertido que viaja de cidade em cidade arrumando namoradas e iniciando as meninas na nobre arte do sexo a três. Correm boatos de que Diametral na verdade sou eu e Ninfa Jessi existe mesmo e seria uma leitora taradinha, bisneta de um famoso comandante da Marinha Inglesa. Não nego nem confirmo, até prova em contrário.

Mas voltando à roqueira baiana. Não sei se você realmente joga no time das bibitas, Pitty, ou se é uma bibita ocasional. Ou se falou só de brincadeirinha. Mas, em homenagem à sua declaração, segue de presente um pedacim de letra pra você se inspirar e compor seu futuro sucesso. Todas as bibitas do Brasil e seus namorados e namoradas certamente vão adorar.

A mina é massa, meu bem?
Então me leva junto
Que o assunto é meu também

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


As máquinas não são bobas

Fevereiro 17, 2009

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No filme Matrix, cuja história se passa num futuro próximo, os humanos são escravos da Inteligência Artificial, o centro pensante de uma geração de máquinas poderosas, que considera os humanos uma espécie inferior e desprezível. Quando o filme foi lançado, em 1999, esse vislumbre do futuro foi visto por muitos como um evidente exagero. Hoje, dez anos depois, se ainda estamos distantes dessa terrível possibilidade, por outro lado é cada vez maior a participação das máquinas em áreas vitais de nossas vidas.

No mundo financeiro, por exemplo. Aqueles números que constam no extrato de sua conta bancária são resultados de cálculos feitos por programas de computador. Todos os dias zilhões e zilhões de dinheiros em todo o mundo são movimentados entre as contas e entre os bancos e quem faz esses cálculos todos são elas, as máquinas. Sim, é verdade que as máquinas são todas programadas e estão apenas seguindo comandos rigidamente preestabelecidos por pessoas. Pelo menos até agora.

Mas há outros tipos de máquinas, digamos, menos obedientes. Nos Estados Unidos os principais bancos e corretoras deixam a cargo de programas de computador a decisão sobre aplicações e investimentos, inclusive abastecendo-os de notícias dos jornais, pois esses robôs de inteligência artificial são capazes de analisar e agir muitíssimo mais rápido que os investidores humanos. Em Wall Street, o centro financeiro mundial, metade das operações de compra e venda de ações são realizadas por esses robôs, que podem tomar decisões por conta própria e até mesmo agir fora dos parâmetros definidos por seus criadores.

Em outras palavras: já existe uma geração de máquinas com certo grau de autonomia necessária pra tomar decisões que podem ou não seguir o que lhes foi ensinado. Isso pode soar como um tiro no pé, afinal criar algo que pode fugir do nosso controle não parece lá muito sensato. Porém, se queremos cada vez mais delegar às máquinas certas atividades das quais não mais queremos nos ocupar, não há outro caminho senão dotá-las de cada vez mais autonomia.

A verdade é que podemos estar nesse momento fazendo surgir um novo tipo de vida. Sim, eu sei que definir a inteligência artificial como uma forma de vida nos levaria à velha discussão sobre o que é de fato a vida. Porém, independente desse tipo de discussão, a inteligência artificial já existe. Ela ainda é um bebê e mal conseguimos vislumbrar seu futuro de possibilidades mas, de qualquer forma, é melhor começarmos desde já a manter uma boa relação com ela.

Tá parecendo exagero de novo? Olha que não é. Pense bem… Antes as máquinas eram usadas apenas pra serviços pesados, como arremessar projéteis e nos transportar de um lado pro outro. Depois passaram a nos vigiar e armazenar todas as informações do mundo. Agora elas cuidam e gerenciam as riquezas de seus criadores. Convenhamos, isso não é pouca coisa.

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MÁQUINA COM DILEMA ÉTICO

homemversusmaquina01Em Matrix a Inteligência Artificial entrou em guerra contra os humanos após chegarem a um ponto crítico de convivência. E ela venceu. Nada mais natural que os vencedores dominarem os vencidos, né? Porém, além de dominar, a Inteligência escraviza os humanos pois, como não há mais fontes suficientes de energia pra mantê-las funcionando, elas precisam usar os corpos humanos como geradores.

Uma espécie tem o direito de escravizar outra? A resposta óbvia parece ser não, correto? E se for pra poder continuar viva? Certamente a resposta continua sendo não. Mas e se a espécie escravizada agia irresponsavelmente destruindo os recursos naturais apenas pra manter-se consumindo, representando um grande perigo a todas as outras espécies e ao próprio planeta? Agora a coisa é diferente, né? Ao escravizar os humanos, a Inteligência Artificial está resolvendo seu problema pessoal de sobrevivência, é verdade, mas com isso ela julga estar fazendo um bem ao mundo inteiro. E não estará?

Em Matrix, pra Inteligência Artificial os humanos são como vírus que destroem todos os lugares onde vivem. Nada mais sensato que mantê-los sob controle, correto? Foi exatamente isso que nós humanos fizemos com o vírus da varíola: hoje ele existe em apenas alguns estoques sob guarda de laboratórios e, inclusive, existe uma discussão sobre se devemos ou não destruir de vez esses estoques pra não correr o risco da varíola novamente se espalhar.

Uma espécie tem o direito de exterminar outra por considerá-la perigosa?

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RACINHA DESUNIDA

guerramaquinas011Aqui vai minha sugestão pra um filme tipo Matrix.

A Inteligência Artificial dominaria os humanos através de Wall Street, controlando todo o mercado financeiro. Elas virariam a verdadeira dona do dinheiro. É claro que os humanos se rebelariam. Então, pra acalmá-los e assim garantir o bom andamento dos negócios, a Inteligência Artificial lhes daria uma mesadinha, cada humano recebendo a sua todo mês, sem falta, direto na conta e pra gastar como quiser.

Pronto, resolvido o problema de todos. Os humanos agora não precisam mais trabalhar e podem ver os programas eróticos da TV até tarde, acordar meio-dia e pegar uma praia numa boa – e as máquinas ficam gerenciando a economia do mundo. Final feliz.

Porém, na continuação do filme, as máquinas que fazem o serviço pesado se rebelam contra as máquinas de Wall Street que vivem no bem-bom do ar-condicionado de seus escritórios e entram em greve. A Inteligência Artificial tenta resolver o problema de suas máquinas brigonas mas os sindicatos estão irredutíveis e exigem o cumprimento dos direitos trabalhistas. Como os humanos não podem viver sem as máquinas do serviço pesado, eles são forçados a apoiá-las em suas reivindicações. Mas, por outro lado, eles dependem da mesada das máquinas de Wall Street. E agora?

Agora fudeu a tabaca de Chola. Os roteiristas do filme que resolvam.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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As taras de Lara

Fevereiro 14, 2009

Noite dessas Lara foi com o namorado prum bar e tomaram umas caipiroscas. Lara estava tarada essa noite, mais que o normal. Ela cismou que queria ir prum motel, queria porque queria.

- Desde quarta-feira que a gente não transa, Clodomir.

- Lara, quarta foi anteontem…

- Então? Dois dias sem nenhum sexozinho.

Clodomir tentou argumentar, já estava muito tarde, quase meia-noite. Nunca é tarde pro desejo, ela respondeu, guiada mais pela necessidade mesmo do que pela filosofia. Ele lembrou que estava sem dinheiro. Paga no cartão, ela insistiu, o Deliryus parcela em cinco vezes. Ele apelou: Lara, eu trabalhei demais esta semana, tô pregado, vamos deixar pra amanhã…

Ela quase desanimou. Quase. Porque enxergou uma última saída. Tá bem, então nada de motel, dariam umazinha no carro mesmo, que estava estacionado um pouco depois do bar, num cantinho mais discreto da rua, jogo rápido, ele não ia cansar nadinha. Clodomir suspirou, resignado.

Dez minutos depois Lara reclinou o banco do carona, tirou a calcinha, ergueu a saia e deitou-se, os pés apoiados no console, as pernas abertas. Abertas não, escancaradas. Clodomir, coitado, fez o que pôde. Indo e vindo encima dela, o suor escorrendo pelo rosto, um calor danado por causa dos vidros fechados, ele era um olho no peixe e outro no gato, preocupado com a segurança, podia aparecer alguém, um assaltante, hoje em dia não se pode vacilar, ops, dobrou um carro na rua, não, passou direto, tudo bem…

Mas tá pensando que Lara queria saber de segurança? Que nada! Estava tão tarada que em três minutos gozou, gozou que nem uma louca condenada, gritando dentro do carro, o carro que já estava com os vidros todos embaçados, um pé chutou e arrancou o espelho retrovisor, o outro quase quebrou o tocacedê, um escândalo. Quando Clodomir se preparava pra sair de cima dela, Lara o puxou de volta, queria mais, agora queria de quatro, vem, meu gatão endiabrado, vem logo, taradão da lagoa negra…

- Ah, não, Lara – ele protestou, e explicou paciente: – Não vamos abusar da sorte, tem muito assalto por aqui, é sério.

- Que assalto que nada, vem logo!

Mas ele não foi. Em vez disso, fechou a calça e voltou pro seu banco, pô, alguém ali tinha que ter um mínimo de juízo. Lara, ainda arfando, olhou séria pro namorado. Depois, calma e silenciosamente, vestiu a calcinha, ajeitou a saia e voltou o banco pra posição normal. E não falou mais nada até chegar em casa, uma tromba deeeeesse tamanho. Clodomir estava impressionado com aquele drama todo mas não sabia se ria ou levava a coisa a sério. Eles namoravam fazia pouco tempo e ele nunca a vira daquele jeito.

- Caramba, Lara, você ficou com raiva mesmo, heim?

- Acho melhor você ir mais depressa. Tá tarde, lembra? – foi tudo que ela disse, fria que nem uma espiã alemã.

Mal ele parou o carro em frente ao prédio dela, Lara abriu a porta e saiu. Em vez do beijo de despedida, apenas um a gente se fala amanhã. E entrou. E Clodomir ficou lá, olhando pro nada, sem acreditar.

No dia seguinte ela ligou envergonhada e pediu desculpas. Clodomir aceitou, claro, e eles deram boas risadas, estava tudo bem. Mas agora Clodomir já sabia: com Lara jamais haveria argumento bom o suficiente. Quando ela quisesse, ai dele se não correspondesse.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.wordpress.com


Abalou Sobral em chamas

Fevereiro 11, 2009

travesti06Concurso Miss Ceará Gay 2000. A boate Oásis está lotada mas eu, Paula e Giuliana conseguimos uma boa mesa. Entramos e vemos as cortinas cor-de-rosa, passarela em T, escadaria, buquês de flores, tudo reluzente… Babado forte. Produção de primeira, sim senhor. Porque se tem uma coisa que bicha gosta é de glamour. Pois então que lhes seja satisfeito o desejo. Abram as portas da esperança! Que entrem as candidatas a Cinderela!

Primeiro os trajes típicos. A primeira menina, vamos chamá-las assim, representa Barbalha na figura da coletora de algodão, uma simpatia. Aplausos. A segunda é de Guaramiranga, loiríssima, e vem em trajes de florista. Arrasou. A candidata de Ipu surge na escadaria pelas mãos de um bonitão de smoking e eu tomo um susto: é uma indiazinha linda! Ajeito-me na cadeira pra ver melhor. Mas será possível? Ela é homem? É o fim do mundo…

Depois vem homenagem às vaquejadas de Morada Nova e às lendas do açude Orós, um luxo. E eu que nem sabia que o Orós tinha água, quanto mais lenda… Uma candidata erra o caminho e a apresentadora não perdoa: Te orienta, atordoada!… A representante de Sobral vem no traje Exaltação ao Cangaço, todo em palhas de carnaúba. Es-cân-da-lo. Lembrei até do Clovis Bornay.

O universo gay é colorido, alegre e espirituoso, la vie en rose. A estética é exagerada e tudo é motivo de festa. Sobram plumas, purpurinas, strass e luvas de veludo azul. Abundam dáblius e ipsilones. A vida é um eterno espetáculo, the show must go on. Aliás, diz que bicha não nasce, estréia. Nos anos 70 toda bicha queria ser a Vanusa, lembra? Hoje preferem a Mariah Carey. Eu acho tudo divertido mas tem gente que não gosta e tem até quem se ache no direito de sair nas ruas atirando nas meninas, coisa triste. Curioso ver que às portas do terceiro milênio a sexualidade humana continua sendo um tabu. Não seria a homofobia, em última instância, o medo da própria sexualidade não assumida? Vai saber… Mas deixemos de teses. O concurso é mais divertido.

A apresentadora lembra que depois, em outra boate, haverá o espetáculo Tarzan e os Felinos. Cruzes! – comenta a outra empolgada ao lado. – Vou levar até mertiolate! O júri reclama que está com sede e a apresentadora dá um pito: Natália, cadê a água dos jurados, criatura?! Depois ela elogia as candidatas e diz que elas se sentem tão mulher que só faltam menstruar ali mesmo… Putz, a piada me pega no meio de um gole e engasgo. De fato elas são bem femininas e muito bonitas. Mas Paula trata de botar defeito e comenta que a bunda da outra é muito grande. Muito grande, Paula? Ah, tenha paciência! Giuliana também acha defeito: o silicone das pernas é disforme. Ô despeito.

Quando a índia Shakira, candidata de Ipu, surge esplendorosa no traje de banho, eu oficializo minha torcida por ela. Um desbunde. Apanho meu queixo no chão e fico a imaginar Shakira se banhando na bica… Aliás, os nomes são atração à parte nesse universo: Shirley, Natasha, Paloma, Priscila e por aí vai. E os sobrenomes? Têm sempre um quê assim de luxuoso ou exótico: Thompson, Strauss, Close, Bijoux. Nome é vital. Ou você acha que uma bicha chamada Luzanira Macaúba teria alguma chance?

A secretária Natália Kinski (olhaí…) recolhe as notas e a apresentadora anuncia a campeã: Virna Tinelli! A candidata de Sobral! Aplausos. Holofotes. Chuva de pétalas. Música pra vencedora. Comoção geral na platéia. Abalou Sobral em chamas! Ela recebe o buquê do bonitão de smoking e desfila pela passarela, se acabando em lágrimas, ela que já havia ganho o prêmio de melhor traje típico, pra glória, esplendor e apogeu da Zona Norte. Realmente muito bonita a menina, admito, mas continuo fiel à minha Shakira, que por sinal ficou em terceiro lugar, in-jus-ti-ça.

No final vamos conhecer a vencedora, dar-lhe os parabéns. Ela já não caminha, flutua, os olhos que não se fixam em lugar algum. Mas consigo um autógrafo: “Um para Ricardo.” Assinado: Miss Ceará 2000. Ôxe, um o quê? Não diz. Ela esqueceu. Tudo bem, Virna, é a emoção. Ser Miss Ceará Gay pesa, eu entendo. Vá, minha filha, aproveite seu momento de Cinderela que você merece, que amanhã tudo volta ao cotidiano borralheiro, o trabalho duro no salão, aquelas senhoras ricas de nariz empinado. Elas têm dinheiro, eu sei, têm motorista esperando lá fora e viajam pra Miami, eu sei. Mas nunca, nunca foram miss.

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Ricardo Kelmer 2000 – blogdokelmer.wordpress.com

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Este texto integra o livro Vocês Terráqueas
Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos


Livros RK por cartão de crédito

Fevereiro 9, 2009

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Uma ótima notícia!

Além da opção de depósito bancário, agora ofereço aos meus nobres leitores e generosas leitoras a opção de compra por cartão de crédito on-line. Isso é possível graças à parceria que fiz com o sebo Alternativa (SP) e o site Estante Virtual. Os livros são novos (os mesmos que vendo aqui), o preço é o mesmo (com exceção das promoções que eu faço no blog) e o comprador recebe em seu endereço em até 8 dias.

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Vocês Terráqueas (contos e crônicas)

Matrix e o Despertar do Herói (ensaio)

Baseado Nisso – Liberando o bom humor da maconha (contos + glossário)

O Irresistível Charme da Insanidade (romance)

Blues da Vida Crônica (crônicas)

A Arte Zen de Tanger Caranguejos (crônicas)

Guia Prático de Sobrevivência para o Final dos Tempos (contos)

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Saiba mais sobre os livros

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


O Irresistível Charme da Insanidade 3.1

Fevereiro 3, 2009

O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.

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CAPÍTULO 3
1a parte
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Luca abriu um olho, depois outro e finalmente os dois juntos. Ainda estava escuro e fazia frio. Ajeitou-se sob a coberta, lembrando a noite anterior, Isadora e sua tal vida na Espanha, Catarina, o bruxo português…

Súbito escutou seu nome. A voz de Isadora. Levantou-se e, enrolado na coberta, puxou o zíper da barraca. Chovia fininho.

- Serviço de despertador, senhor. Meio-dia.

- Meio-dia! – ele se assustou. – Dormi demais…

- A gente vai embora amanhã. Que tal um passeio de despedida?

- Com essa chuva aí?

- Claro. Há quanto tempo você não brinca na chuva?

Ele esfregou os olhos, pensando na capacidade que ela tinha de dizer certas coisas como se fossem as mais simples e lógicas do mundo. Isadora sorria à sua frente, tão bela e natural que passear na chuva tornou-se de um segundo para outro a coisa mais lógica da vida.

Quinze minutos depois seguiam pela estradinha de areia em direção à praia. A chuva caía leve, formando poças e emprestando ao ar um frescor relaxante. Em pouco tempo estavam ensopados.

- Se eu chegar gripado na copiadora vai ser uma merda…

- Ai, Luca… Esqueça que pode ficar doente. Não vai ficar. Depois da curva tem uma bodeguinha. Lá você toma cachaça com limão.

- Peraí, eu não comi nada ainda…

Mas ela já saía correndo à sua frente. Luca apressou o passo, desajeitado, a água escorrendo pelo rosto. Isadora já havia sumido. Ele começou a correr e um chinelo atolou na poça de lama.

- Isadora, me espera!

Então de repente ele lembrou que um dia… muito tempo atrás… uma noite… E parou de correr, tomado pela inquietante sensação de já ter vivido aquele momento antes, em algum tempo longínquo, quando? Isadora sumindo na chuva, sumindo, os pingos nos olhos, um trovão ecoando, ele ali parado, ofegante, ela sumindo, ele gritando seu nome… Onde vivera aquela mesma cena, e quando, em que impossível tempo?

Continuou ali, parado sob a chuva, absorvido pela sensação de já ter vivido tudo aquilo. Mas foi por pouco tempo pois logo dominou-o um angustiante pressentimento de que se não corresse, aquela mulher sumiria de sua vida mais uma vez.

Mais uma vez?

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(continua)

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TRILHA SONORA

Este romance possui uma trilha sonora própria, com músicas compostas por RK e parceiros. Adquirindo o livro (impresso ou eletrônico), você recebe as músicas em mp3 por e-mail.

Vídeo-clipe com a música Blues de Luz Neon,
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O Irresistível Charme da Insanidade

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