Farra no Cabaré Alheio 2008nov

Outubro 31, 2008

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Farra no Cabaré Alheio (2)

21nov2008
Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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SORTEIO DE INGRESSOS
Orkut – Comunidade Amicis
Clique aqui pra participar

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. A idéia é brincar com o tema da sensualidade e do erotismo de uma forma divertida, homenageando os antigos cabarés através das músicas, das imagens no telão, da decoração e da participação das pessoas com suas performances e suas vestimentas. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia. Cristina Cabral fez a produção junto comigo. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com a co-produção de Franciscus Galba.

>> Quer levar o Cabaré Soçaite pra sua cidade? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um supra-sumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

>> Veja fotos da Farra no Cabaré Alheio 1 (set2008)

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E em dezembro tem mais uma edição do Cabaré Soçaite (Amici´s, 18dez), com show da Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino. Aguarde…

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IMAGENS DA FESTA

clique para ampliar a foto

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PRÓXIMA FESTA

CABARÉ SOÇAITE (Amici´s, 18dez), com show da banda Baby Dolls e um instigante concurso masculino e feminino.

>> Concorra a ingressos no Orkut (comunidade Amicis). Link em breve.

>> Indique a festa a algum possível patrocinador. Se o patrocínio for fechado, você ganha 20% de comissão. Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com


Farra no Cabaré Alheio 2008set

Outubro 31, 2008


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Farra no Cabaré Alheio

19set2008
Amici´s (Centro Dragão do Mar – Fortaleza)
Produção: Franciscus Galba e Ricardo Kelmer

DJs: Marquinhos, Guga de Castro e RKBaré

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Esta festa é a união de duas festas de sucesso em Fortaleza: O Cabaré Soçaite e a Farra na Casa Alheia.

O Cabaré Soçaite foi criado por mim em 2003, quando morava em Fortaleza e era diretor da Caboca (Confraria de Apoio às Boas Causas), um clube de cultura e entretenimento. A idéia é brincar com o tema da sensualidade e do erotismo de uma forma divertida, homenageando os antigos cabarés através das músicas, das imagens no telão, da decoração e da participação das pessoas com suas performances e suas vestimentas. A primeira edição da festa foi na boate do hotel Vila Galé (Praia do Futuro), em nov2003, com show do cantor Rossé Sabadia. Cristina Cabral fez a produção junto comigo. A segunda edição aconteceu em mar2008, no Buoni Amici´s, com a co-produção de Franciscus Galba.

A Farra na Casa Alheia integra a programação fixa do Amici´s desde 2003, sempre às sextas-feiras. Os DJs Marquinhos e Guga de Castro comandam o som e a produção é de Franciscus Galba. A música brasileira, em toda sua diversidade, é o mote da festa: samba, samba-rock, funk, soul e black-music compõem o cardápio musical. A própria longevidade da Farra (5 anos) por si só é um atestado da qualidade e do sucesso do evento.

Farra no Cabaré Alheio é a mistura das duas festas, mantendo os DJs da Farra e acrescentando o DJ RKBaré. A proposta é unir o melhor das duas propostas, alegria com sensualidade, música brasileira e internacional, música pra dançar e sofazinho pra namorar, oferecendo assim um supra-sumo de dois grandes sucessos da noite da cidade.

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Um Ano na Seca – Marília (5)

Outubro 30, 2008

Dançar?, eu perguntei, talvez não tivesse ouvido muito bem. Sim, dançar, esta música é tão linda…, ela respondeu, como se convidar pra dançar um escritor que tá no seu quarto de hotel autografando livros fosse assim a coisa mais normal, corriqueira e lógica do mundo.

Levantei da poltrona e no instante seguinte lá estávamos nós dois dançando ao som de Tim Maia, girando devagarinho no meio do quarto, coladinhos, rosto com rosto, o perfume dela… e os peitos a pressionar meu tórax, aqueles dois peitões impossíveis de não sentir… eu afastava o rosto um pouquinho e podia vê-los logo abaixo do equador do meu queixo, os dois montes da perdição, aquele abismo entre eles sussurrando meu nome, Kelmeeeeeeer… Kelmeeeeeeer…, sim, não sei se você sabe, leitorinha, mas há peitos que sussurram nossos nomes, é um mistério milenar, os Peitos Sussurrantes, ninguém explica. Poizé, eles sussurram e aí lá estamos nós, Ulisses eternamente a resistir ao chamado das sereias… ou a se jogar no mar.

Pois Ulisses não resistiu. Livrou-se das cordas que o mantinham preso ao mastro e, tchibum!, joguei-me ao mar. Não deu pra resistir, seo delegado, me prenda, me jogue na masmorra, me leve à guilhotina, mas a certas coisas o homem peniano masculino simplesmente não consegue resistir, o senhor sabe, né? Não deu pra resistir, leitorinha: no instante seguinte meu rosto se encontrava entre os peitos de minha leitora, as mãos a arrancar o top, aquele par de peitos impossíveis saltando fora e minha boca absolutamente descontrolada, sem conseguir se decidir entre um e outro, entre o outro e o um, os dois ao mesmo tempo, os três se três houvessem.

Foi a poltrona que amparou nossa queda. Caímos sentados, eu na poltrona, Marília em meu colo, de frente pra mim, os peitos em minha boca. Eu todo era um par de mãos enlouquecidas e uma boca descontrolada, um andarilho esfomeado diante do par de mangas maduras e suculentas, eu era o Tesão em esTado bruTo. E Marília em meu colo, forçando minha cabeça contra suas mangas, o sumo delas já escorrendo da minha boca, eu gemendo, ela assanhando meu cabelo, cravando as unhas no couro cabeludo, ela também rendida ao descontrole do desejo urgente.

Então era isso mesmo que ela queria…, pensei, num raro momento em que meu pensamento perdido conseguiu unir duas idéias. Tá vendo, eu não disse, eu não disse?, mandou de lá o Jeitoso, a voz abafada pelo peso do corpo de Marília a esfregar-se sobre ele. É curioso… Paudagente só pensa em sexo mas, vendo as coisas do ângulo dele, o ângulo de baixo, tudo são bundas e bucetas, tocas pra entrar, reentrâncias a preencher. Não dá pra culpá-los por pensarem sempre assim. Ok, Jeitosão, você tava certo, nunca mais discutirei com você.

Então Marília levantou-se, deixando meu colo. Minhas mãos pareciam pregadas com velcro nos peitos dela, tão difícil foi soltá-los. De pé à minha frente, ela arrancou o que sobrava do top e libertou de vez seus peitos, libertas quae sera chupem. Não sei se você sabe, leitorinha, mas todos os peitos anseiam por serem libertados, e é por isso, arrááá!, é por isso que eles sussurram nossos nomes: eles clamam por seus libertadores. Os Peitos Sussurrantes, mistério resolvido.

Marília tirou o jeans, a calcinha e deitou-se na cama, todinha nua, e sussurrou: Vem, meu escritor tarado. Escritor tarado só podia ser eu, não havia mais nenhum escritor naquele quarto. Levantei da poltrona e cinco segundos depois já havia atirado longe roupa, meia e tênis e tava agora ao lado dela na cama. Foi nesse exato instante, admirando seu corpo nu ao meu lado, que o descontrole e a impaciência, de repente, cederam lugar a outra sensação, a velha sensação que me acomete quando chega o momento da união sexual e que me faz ser possuído por um misto de encantamento e reverência à Mulher, aquela súbita percepção do Sagrado que a figura feminina simboliza, a certeza de que outra vez serei instrumento da vontade da Deusa na reedição do casamento sagrado do feminino com o masculino.

Parece estranho falar disso agora, eu sei, mas é que o sexo pra mim é algo místico. E a mulher que tá comigo nunca é apenas uma mulher: ela é a Filha da Deusa. E por isso ela é também a própria Deusa. Que me escolheu, entre todos, pra ser seu cavaleiro no sagrado ritual da fertilidade e…

- Porra! Deixa de viadagem e me põe logo lá dentro! – berrou o Jeitoso, me interrompendo. O danado tava lá todo empertigado, parecia uma serpente naja pronta pro bote.

O resto eu conto no próximo capítulo. Só pros Leitores Vips. Já sei que vai rolar reclamação – mas Leitor Vip tem que ter suas regalias, né? Senão no próximo ano eles não renovam a assinatura do blog e eu desisto de ser escritor e vou fazer concurso pro Banco do Brasil.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.wordpress.com

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Ler todos os capítulos de Um Ano na Seca (Leitor Vip)

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Vocês Terráqueas – Lançam. Fortaleza 2

Outubro 28, 2008

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No dia 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar – Fortaleza), aconteceu o lançamento do meu novo livro, Vocês Terráqueas. Obrigado a todos que compareceram e me proporcionaram uma noite memorável. Espero que gostem da obra. Obrigado também aos apoiadores: Célio do Amici´s, Cristina Cabral, Luce Galvão de Sá Arquitetura e Kingston.

O próximo lançamento em Fortaleza será durante a Bienal Internacional do Livro (Centro de Convenções), no dia 19nov, às 20h, no estande da Secult. Mas antes levarei o livro a bares, faculdades e espaços culturais, fazendo sessões de autógrafos itinerantes.

Como parte da estratégia de divulgação, criei clips musicais com trechos do livro e imagens de arquétipos femininos. O dvd com os clips será exibido em alguns bares e casas noturnas da cidade. Utilizei músicas famosas que falam da mulher e também músicas minhas. Caso deseje adquirir, é só entrar em contato: rkelmer(arroba)gmail.com.

Clique nas fotos pra ampliar.


Eles estão na fronteira

Outubro 25, 2008

A família de náufragos chega na ilha e lá começa a viver. Constrói casas, cria bichos, tem filhos, netos e bisnetos. Um ramo da família acumula riquezas e passa a ter mais poder, impondo suas regras. Cada vez mais poderoso, causa admiração mas atrai antipatia e cobiça. Então cerca-se num canto da ilha para se proteger dos que desejam participar de suas riquezas e facilidades. Quanto mais enriquece, mais atua na ilha inteira e mais gera conflitos. Finalmente, para evitar ameaças a seu patrimônio, passa a atacar antes que possa ser atacado. E, para evitar represálias, fortifica ainda mais suas fronteiras…

A Terra é bem maior que uma ilha, sim, mas é um único planeta, e a cada dia está menor, suas distâncias mais curtas, tudo mais rápido. O que acontece num lugar automaticamente provoca uma onda que logo atinge os locais mais distantes. Nosso mundo atual é uma interconexão dinâmica de culturas, cada vez mais em contato entre si através do comércio, transporte, arte, comunicação, religião… Quanto mais nos desenvolvemos, mais a Terra se parece com uma ilha. Num mundo assim ninguém consegue se isolar totalmente. E mesmo com muito dinheiro, é impossível erguer um muro para viver lá dentro, seguro e separado dos demais, usufruindo de sua riqueza acumulada.

Faz anos que queimo meus neurônios, que já não são muitos, pensando nisso. E ultimamente o tema dos imigrantes clandestinos tem provocado manchetes diárias no mundo todo, gerado livros e filmes e até uma novela de muito sucesso no Brasil. Recentemente li a aventura de Pedro, que se torna um atravessador de brasileiros que tentam cruzar a fronteira dos Estados Unidos (Clandestinos na América, de Dau Bastos, editora Relume Dumará/2005). Foi a gota dágua, decidi me meter na discussão. Trago uma idéia polêmica, como é tudo que nasce contra a correnteza. Mas estou cada vez mais convencido de sua coerência. A idéia é esta: assim como não existe raça, coisa que os cientistas já provaram, também não existe país. País é um conceito abstrato, uma criação arbitrária, uma convenção caduca. Devemos acabar com todos os países. Jogando uma bomba? Não, abolindo as fronteiras. Se não há país, não pode haver fronteira.

Sem fronteiras? Você está louco?! Hummm, já estou vendo a cara de alguns leitores, alarmados com a imagem de milhões de maltrapilhos famintos, perseguidos políticos, criminosos cruéis, terroristas suicidas, narcotraficantes e trombadinhas invadindo os países e quebrando tudo, estuprando nossas irmãs, matando todo mundo, o caos absoluto. Os mais apavorados devem estar vendo descamisados bolivianos se esbaldando na Daslu. Esfomeados etíopes devorando os macdônaldis. Torcedores argentinos lotando o Maracanã. Calma, gente, eles ainda estão na fronteira, calma…

A culpa desse medo todo vem de muito tempo atrás e a cada dia fica mais insuportável: é o diabo da concentração das riquezas do mundo. Se houvesse mais equilíbrio de riqueza entre os países, haveria menos problemas sociais e econômicos e, assim, menos necessidade de emigrar. Aí você pensa: que culpa tem meu povo se o povo vizinho não tem recursos naturais nem indústrias nem nada? Não tem culpa, é verdade, mas quem tem muito deve dividir com quem tem pouco ou então pagar o preço. Que preço? Esse que pagamos atualmente, a cada minuto: medo, preconceito, insegurança, violência, terrorismo, guerras preventivas…

É um terrível ciclo vicioso. Para se prevenir de imigrantes, os povos ricos gastam fortunas com suas fronteiras militarizadas. Se investissem uma pequena parte nos países desafortunados, até mesmo a vida dos povos ricos seria mais tranquila. E a ilha inteira lucraria.

Utopia, eu sei. É, sempre fui um cara sonhador. Mas talvez em breve essa tal utopia se revele uma necessidade urgente. Então nesse dia finalmente lembraremos que, assim como na historinha da ilha, nós também viemos da mesma família, que se ramificou bastante, sim, mas que ainda é a mesma família. Nesse dia veremos os outros povos como aqueles parentes que há tempos não vemos gente meio esquisita, sim, mas com tanta coisa em comum com a gente que todo o tempo será pouco para botar o papo em dia.

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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.wordpress.com

Este e outros textos você encontra no livro Blues da Vida Crônica


Obrigado do Tio

Outubro 22, 2008

Este espaço é pequeno mas ele representa minha gratidão a todos que lembraram de meu aniversário (21out), me ligaram, imeiaram, postaram recadinhos, me enviaram pela estrada da distância sua amizade, seu amor e seu carinho. Como não posso responder a cada um individualmente, faço dos meus braços um imenso laço e assim envolvo a todos num amasso bem gostoooooso. Você já tá pensando besteira, né? Ô mente maliciosa.

Adentrei o 45o. ano de minha vida. De tio eu sou chamado faz muito tempo, já me acostumei. Até de Tio Sukita já me chamaram, é mole? Tio Sukita é foda. Eu preferiria Tio Jack Daniel´s.

Barzinho lotado, banda de blues tocando. Ninfa Jessi foi ao banheiro mas volta já, ela gosta de me deixar sozinho só pra ver o que acontece. Ninfa Jessi não presta. E eu amo essa liberdade que reluz em seu amor por mim. Então me encosto no balcão e peço uma cerveja. Uma ninfeta simpática e jeitosinha se aproxima.

- Iaí, Tio Sukita… Me paga uma cerveja?

- Não me chame de Tio Sukita e eu prometo que penso no assunto.

- Eheheh. Me paga uma cerveja, tio?

- Vem cá, precisa mesmo me chamar de tio?

- Claro, você deve ter o dobro da minha idade. E mais uns quebrados.

- E nem por isso eu te chamo de sobrinha.

- Vai pagar ou não vai?

- E ainda é abusada.

- Difícil o tio, heim! Acho que tu não tem mais idade de ficar botando banca não…

- E eu acho que você devia pegar o beco. Minha namorada tá chegando.

- Por quê? Ela é ciumenta?

- Não. É ninfomaníaca. E vai te chamar pra gente ir prum motel. Ela adora sexo a três com ninfetinhas desconhecidas no meio da noite.

- Caraca! Tchau.

- Quem era aquela, gatão?

- Outra ninfeta interesseira que adora beber às custas dos tios nas festas.

- O que você disse pra ela?

- Mandei a tática 2. Ela se assustou e caiu fora.

- Que pena…

Ninfa Jessi não presta.


O menino e o feminino misterioso

Outubro 20, 2008

Não sei dizer quando o mistério do Feminino me atingiu pela primeira vez na vida. Talvez na adolescência, quando vi, pela janelinha do banheiro, num misto de fascínio e assombro, as amigas de minha irmã trocando de roupa, e seus movimentos de se olhar no espelho, virando de um lado e virando do outro, me deixaram a certeza que sim, as mulheres estão sempre a dançar naturalmente uma linda música que não se ouve, é um mistério.

Não, não. Certamente foi bem antes. Talvez quando me apaixonei por minha professora da alfabetização, que saudade da professorinhaaaaa, eu menino véi amarelo do buchão, ficava olhando pra ela e me esquecia da aula, admirando seu jeitinho de ajeitar o cabelo enquanto nos ensinava o beabá. Quase reprovado na alfabetização, que belo início pra um escritor. Depois vieram outras professoras apaixonantes e eu demoraria muito até entender que as mulheres estão sempre a me ensinar mas eu só aprendo se elas na hora não ajeitam o cabelo, senão eu confundo tudo. É um mistério.

Não, não, já sei! Foi mais cedo, bem mais cedo. Na verdade o Feminino Misterioso me foi revelado ainda no útero de minha mãe. Foi naquele momento mágico em que o óvulo materno recebeu o zóide paterno e então, pufff, neste exatíssimo instante, o que a partir de então seria eu de repente passou a existir, uma infinitesimal fagulha zigótica de autoconsciência que, uma vez existindo, automaticamente percebeu-se imerso num organismo vivo e foi logo se animando: “Hummm, será que a dona desse organismo não tem umas amigas…?”

A suposição é absurda, claro, um zigoto querendo conhecer as amigas da mãe. Vai ser precoce assim lá no líquido amniótico! Mas consideremos que haja sim algum momento na vida em que sejamos tocados pela primeira vez pela noção do Feminino Misterioso. E que pudéssemos lembrar desse instante, o que sentimos, pensamos, intuímos…

Eu adoraria localizar esse momento de alumbramento em minha vida, feito um arqueólogo da própria psique, e fazer dele a capa de meu novo livro, Vocês Terráqueas. Meus leitores olhariam a capa e veriam a fotografia psíquica desse instante numinoso em que o Feminino Sagrado mostrou-se pra mim, sob a meia-luz de seu imenso mistério. Mas não sei onde ele está, em que ponto exato se deu. Assim sendo, na falta da imagem primeva, a capa de meu livro exibe a imagem de uma mulher, seu rosto banhado pela luz suave da Lua crescente, o beijo lunar acariciando sua pele. Ela e a Lua, o Eterno Feminino que se revela e se esconde, e reaparece e resplandece, e obscurece novamente, a Sofia que brinca de ensinar a se perder, a Prostituta Sagrada que abençoa, a Santa que faz amor com tudo que há.

As histórias desse livro, no fundo elas não passam disso: tentativas de resgatar a magia desse momento irresgatável. São isso, meros fragmentos desajeitadamente recompostos do instante essencial. Ecos de um encontro sublime que se renova a cada dia, quando a plenitude do Feminino Misterioso ressurge em minha janela e me deixa assim, sem entender nada da Lua – mas sempre uivando pra ela.

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.wordpress.com


Lançamento em Fortaleza 21out

Outubro 14, 2008
clique na imagem pra ampliar

Desde o final de agosto que me encontro em Fortaleza, a loirinha desmiolada de sol. Vim pra cuidar do lançamento de meu livro Vocês Terráqueas, participar da Bienal Internacional do Livro (nov2008) e fazer umas palestras. Sempre delicioso voltar à terrinha.

O evento oficial de lançamento do livro será em 21out, no Buoni Amici´s (Centro Cultural Dragão do Mar). Coincidentemente, será no dia de meu aniversário, quando iniciarei meu glorioso e inesquecível 45o. ano de vida. Haverá um telão onde serão exibidos clips com trechos e imagens da obra e a apresentação será feita pela artista visual e curadora Ana Valeska Maia. O evento conta com o apoio cultural da Kingston, da produtora Cristina Cabral e do escritório de arquitetura Luce Galvão de Sá.

Ainda não acertei outros eventos de lançamento mas logo que acertar, divulgarei aqui. Adoraria lançar este livro em muitas outras cidades mas eventos desse tipo requerem apoio financeiro e logístico (divulgação, passagens, hospedagem etc.) e isso tem que ser feito com cuidado. Posso, por exemplo, incluir na negociação uma palestra. Você ou sua empresa tem interesse? Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com

LANÇAMENTO VOCÊS TERRÁQUEAS – Fortaleza
DIA: 21out (terça-feira), 19 a 23h
LOCAL: Buoni Amici´s (Centro Dragão do Mar)
INF: 85-3219.5454
Preço do livro: R$ 20. Os outros livros do autor também estarão à venda (R$ 10)


O segredo dos predestinados

Outubro 13, 2008

Matrix (The Matrix, EUA, 1999)
Argumento, roteiro e direção: Andy e Larry Wachowski
Elenco: Keanu Reaves, Lawrence Fishburne, Carrie-Anne Moss e Hugo Weaving

No futuro a humanidade é prisioneira de sua própria criação, a Inteligência Artificial, que criou a Matrix, uma realidade virtual onde foram inseridos todos os seres humanos para que eles não oponham resistência ao poder das máquinas. Todos não, pois um grupo de rebeldes mantém-se fora dessa realidade e luta para libertar o restante da humanidade. Eles crêem na profecia do Oráculo que diz que um Predestinado um dia virá para vencer as poderosas máquinas e salvar a todos. Para eles Neo, um jovem que vive na Matrix, é o Predestinado. Neo de fato desconfia que há algo errado com a realidade mas não pode aceitar que ele seja o tão aguardado salvador.

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Depois de ver o filme Matrix várias e entusiasmadas vezes e ler certas críticas (que o filme não tem história ou que ela é confusa demais, que vale apenas pelos efeitos especiais, que é só uma colagem de citações…) decidi meter o nariz onde não fui chamado. E contar do segredo.

Matrix é grandioso. Sua história é densa e intrincada, sim, mas para quem anda familiarizado com certas questões atuais, Matrix é claro. Trata-se de uma ótima história em ritmo de cinemão e expõe ao grande público uma nova e intrigante fronteira que de agora em diante não mais poderemos evitar: a questão do que é de fato a realidade. Com o advento da realidade virtual, ultrapassamos o ponto de retorno e teremos agora que encarar mais esse desafio sobre as possibilidades da psique. Matrix é forte e seu conteúdo tão rico que pode-se abordá-lo sob diversos ângulos. Escolhi o ângulo da mitologia.

Mitos são como esqueletos da psique, imprescindíveis a quem busca entendê-la. Matrix reedita um velho tema mitológico que se repete desde nossos peludos antepassados: a jornada do herói. Trata-se de uma metáfora do processo de crescimento psicológico, autoconhecimento e verdadeira realização do ser humano. O herói, nos mitos, somos cada um de nós, representados no personagem que abandona sua terra (a segurança de velhas certezas) e parte em busca de algo precioso (verdades mais úteis e abrangentes) e enfrenta inimigos terríveis (encarar os próprios medos e bloqueios e aquilo que desconhece de si mesmo). Jornada difícil e perigosa, que requer coragem, obstinação e honestidade. Mas o herói vence o desafio e volta à sua terra, levando benfeitorias a seu povo e às vezes substituindo um velho rei doente ou injusto (renovação).

Neo, o herói de Matrix, aventura-se entre sonho e realidade, um mistério que pode enlouquecê-lo e até matá-lo. Ele, naturalmente, se recusa a crer que possa ser o Predestinado de que fala a profecia e que salvará as pessoas. Essa dúvida faz com que o Oráculo consultado não o esclareça. Oráculos são meros instrumentos de auto-investigação psicológica onde podemos obter respostas sobre nós mesmos pela concentração e meditação. Até que nem tanto esotérico assim. A rigor ninguém precisa de um oráculo para saber sobre si. No entanto, o ritmo de vida atual nos afastou de nosso mundo interior e são exatamente o simbolismo e a ritualística dos oráculos que propiciam essa interiorização. Na verdade quem responde à questão lançada somos nós mesmos, ou melhor, uma parte de nós que é mais sábia e mais antiga e que não costumamos ouvir no dia-a-dia. Se a resposta é obscura, é porque a pergunta também o foi. A pergunta certa já contém em si a resposta.

Neo consulta o Oráculo. Mas a idéia de ser o Predestinado o incomoda e ele obtém a resposta que deseja ouvir. Porém, atente: o Oráculo não diz em momento algum que ele não é o Predestinado. Diz apenas que ele tem o dom mas parece estar esperando algo. E quanto a isso ninguém pode fazer nada, nem oráculos nem deuses nem ninguém. Somente o próprio herói pode trilhar seu caminho. Somente ele pode encontrar sua própria verdade, aquela que concretizará todos os seus dons e finalmente o libertará.

autoconscientização

A jornada pessoal de auto-realização nos põe em situações onde não confiamos em nosso potencial. Somos capazes de grandes proezas quando temos perfeita consciência de quem somos e o que podemos fazer. Porém chegar a essa autoconscientização é difícil. Conhecer verdadeiramente quem somos é luta armada travada no campos da consciência e do inconsciente, guerra de toda uma vida onde cada auto-revelação representa uma importante batalha vencida. O verdadeiro autoconhecer-se dói bastante porque implica necessariamente enfrentar o que se teme, tornar-se o que se evita ser, entrar no fogo dos piores medos. A recompensa é o mundo novo que só a realização mais íntima nos traz.

No mundo de Matrix as pessoas estão adormecidas, sem senso crítico. Crêem no que lhes é dado a crer. Nada muito diferente de nosso mundo atual, onde a massificação das idéias faz as pessoas perderem a noção de si mesmas, onde querem nos convencer que numa sociedade desonesta e violenta temos de ser mais violentos e desonestos que os outros. Difícil fugir desse círculo vicioso. Em Matrix Neo sofre o diabo para aprender que tudo que precisa é… mudar a visão que tem de si próprio, só isso. Não pense que é, saiba que é. A profecia diz que o Predestinado mudará o mundo e salvará a humanidade. Neo não pode acreditar que seja capaz disso tudo. Mas o segredo da vitória do herói esconde uma simples e irônica verdade: para mudar o mundo, basta mudar a si mesmo. Transforme-se e tudo em volta se transformará – eis o segredo! Porque a aparente separação das coisas esconde a unicidade de tudo que existe. Talvez seja impossível dobrar uma colher com o pensamento. Mas se você sabe que a colher e você são a mesma coisa, então basta dobrar a si mesmo!

O mito da jornada do herói ensina que o destino de cada um de nós é realizar o que verdadeiramente somos mas ainda não aceitamos. A aventura de Neo é a de nós todos em busca de nossa essência mais legítima, aquela que enfim nos libertará. Até alcançá-la a vida nos provará de muitos modos e teremos de conviver com dolorosas incertezas e auto-enganações. Porém, indo do micro para o macro, a aventura de Neo é a aventura da humanidade inteira, em busca de sua sobrevivência como espécie. Num tempo de tecnologia idolatrada e valores essenciais esquecidos, corremos o risco de ver nossa própria criação voltar-se contra nós. Diante disso a única saída parece ser, ainda, seguir o que dizia, logo em sua entrada, o Oráculo de Delphos na Grécia antiga: Conhece-te a ti mesmo. A tecnologia não tem sentimento. Nós temos. Uma máquina não é capaz de amar. Nós somos. Essa diferença óbvia pode pesar bastante no roteiro do nosso filme.

Um certo nazareno revolucionário, dois mil anos atrás, já nos ensinava que somos todos deuses. Sigamos pelo mesmo caminho: igual a Neo, somos todos heróis. Heróis de nossas próprias vidas. Como Neo, nascemos predestinados a realizarmos a nós mesmos. Feito um Salvador, cada um de nós tem o poder de mudar o mundo. Mas é preciso antes mudar a forma como entendemos a nós próprios. Eis o segredo que se esconde por trás do filme Matrix e também de toda a vida. O segredo que de tão óbvio não se vê mas que aguarda pacientemente por todos os predestinados.

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Ricardo Kelmer 1999 – blogdokelmer.wordpress.com

Este texto integra o livro A Arte Zen de Tanger Caranguejos


Não saia com ele – Titiko

Outubro 13, 2008

O site se chama Não Saia Com Ele (www.naosaiacomele.com). O Sindicato das Coitadas publica o perfil do calhorda, com foto e tudo, pra que as meninas saibam quem ele é na verdade e, assim, possam se prevenir. Vamos conhecer um pouco dos canalhas?

Titiko, 1.82m, São Paulo. Teve algum lance com uma tal de Renata que não deve ter ficado muito satisfeita e aí, tchum!, fichou o canalhudo no site. “No começo era tudo lindo e maravilhoso, mas depois jah viu neh!! Sair pra jantar??? Ah, no máximo ele me levava pra comer um dogão na towner do Zé Porcalhão e ainda era a filosofia do cada um pague o seu!!! Presente??? Tá bom!!! Quando muito ele me trazia uma lembrancinha safada dos camelôs da 25 de março e ainda tinha a cara de pau de me falar q o tio dele tinha trazido do estrangeiro!!! Agora, na hora de brincar de bate côxa comigo, eu tinha q estar sempre ali a disposição!!! Aí ele ficava “todo todo” neh!!!” Garotas, cudado!!!”

É, parece que a Renata tava mais interessada em restaurante chique do que em namorar… Coitadinha. E esse negócio de escrever cudado em vez de cuidado, heim? Terá sido um ato falho? Será que o Titiko também só queria saber do rabanete da Renata? Nesse caso a advertência “Garotas, cudado!!!” na verdade conteria a seguinte mensagem implícita: “Garotas, cuidado que esse é um tarado sem-vergonha enrabador de mulheres indefesas.”

Putz, eu quero é distância de uma mulher dessa! O cidadão trabalhando duro pra subir de vida, ralando que nem um condenado na masmorra, economizando pra casa própria, pro colégio dos futuros filhos, e a desgraçada ainda reclama porque ele acha justo dividir a conta? Deixa de ser machista, dondoca! E ainda quer presente, a merecida. E presente caro. Vai trabalhar, folgada! Titiko, meu fi, cai fora dessa que é roubada. Não saia com ela.

Taí. Eu queria uma mulher pra me trazer presentinho da 25 de Março. Ô se não queria! Em troca eu ficaria todo-todo à disposição pro bate-coxa, sem problema, oi, amor, eu trouxe presentinho pro meu escritorzinho lindinho cheirosinho gostosinho, menino, tu já tá pelado, e já tá assim todo-todo, ei, calma, deixa eu te mostrar o que comprei, aai, calma, menino, o que tu andou tomando, heim, deixa eu pelo menos fechar a porta, aaaiii!!!

Voltando pra Renata, a coitada. Pôxa, Kelmer, você tá sendo muito radical, entenda a situação da moça, ela apenas acha que merecia mais.

Ah, tá. Merecia mais. Claro, a moça tá no direito dela. Então, Renata, vou convocar todas as leitoras do blog pra fazer uma corrente de oração pra você arrumar um homem que te leve pra jantar no Fasano e compre teus presentes na Daslu. Mazacho melhor vocêzinha esperar sentada, viu?

É cada uma.

No próximo capítulo conheceremos outro canalha. E outra coitada.

>> Pra ler: Não saia com ele (1)

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Ricardo Kelmer, 2008 – blogdokelmer.wordpress.com

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O Irresistível Charme da Insanidade 1-4

Outubro 7, 2008

O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.

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CAPÍTULO 1
4a parte
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- Não vai dizer de onde me conhece? – Luca empurrou o prato para o meio da mesa, satisfeito. – Por favor, outra cerveja.

- Memória fraca…

- Mas que mistério!

- Como é mesmo o nome da banda?

- Bluz Neon.

- Bluz Neon… – ela pronunciou, experimentando as palavras. – Bom de falar. Bluz Neon…

- Esse nome me veio num sonho. Mais cerveja?

- Num sonho? Hummm… – Ela abriu um sorriso e se ajeitou na cadeira. – Começamos a nos entender.

Novamente aquele brilho perturbador dos olhos dela. Luca desviou o olhar, incomodado. Mulher estranha, ele pensou, cheia de reticências, umas insinuações que não entendia bem… Talvez não batesse bem da cabeça. Mas era uma gracinha, isso era.

- Fiquei intrigado… Por que achou que meu nome era Lucas?

- Você mesmo me disse.

- Eu disse? Quando?

- No sonho.

- Sonho?!

- Já vi que também não lembra.

- Peraí, calma. Que sonho?

Ela pareceu decepcionada.

- Seis meses atrás você me surgiu num sonho. Me disse seu nome e pediu que eu viesse encontrá-lo nessa praia. Lembrei tudo quando acordei, menos o nome da praia. Mas sabia que era por aqui. E que havia um rio.

- Você tá brincando…

- Foi um sonho bem nítido. Você disse que eu precisava vir pra salvá-lo, que a tempestade estava chegando…

- Tempestade?!

- Foi o que você disse.

- Juro que não sei de nenhuma tempestade.

- Você estava com uma camiseta listrada, azul e branco. Tem uma camiseta assim?

- Tenho mas…

- Você fica lindo nela.

Ele não soube o que pensar. Com certeza ela estava brincando. Ou então era doida mesmo.

- Estamos viajando pelo litoral faz dois meses. Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Quando botei o olho em Tibau do Sul, senti que seria aqui que eu encontraria você.

- Por quê?

- Era o rio do meu sonho.

Ele sorriu, tentando disfarçar o incômodo.

- Agora vamos pro Ceará. Quer se juntar a nós?

- Ahn… Tenho que voltar no domingo.

Que maluca! – ele estava impressionado. Como podia fazer tal convite a alguém que acabava de conhecer? E aquela história do sonho… Pediu mais uma cerveja.

- Não deve ser uma viagem barata.

- Eu tinha umas economias.

- E quando volta pra Belém?

- Não sei. Acho que o vento não quer isso agora.

O vento… Ele sorriu. Ela falava como navegadora.

- Você é sempre despreocupada assim?

- E por que eu me preocuparia, Luca?

- E quando a grana acabar?

- Ué? Sempre aparece algo pra fazer.

- E se não aparecer?

- Sinal de que não tô no caminho certo, ora. Aí é só mudar de rumo.

Ele balançou a cabeça. Como podia ser tão despreocupada? Ou era desajuizada mesmo? Aquele brilho estranho no olhar bem podia esconder uma loucura…

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(continua)

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Pra ler todos os capítulos já publicados

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rkelmer(arroba)gmail.com


O chamado da Mulher Selvagem (1)

Outubro 2, 2008

Criei este espaço pra prosseguir com o tema da Mulher Selvagem, o arquétipo da mulher livre e conectada à sabedoria natural. A crônica A Mulher Selvagem é um dos meus textos mais conhecidos, reproduzidos e comentados de minha obra, o que indica que ele toca em algo muito precioso nas mulheres, no bom sentido -  e também nos homens que não temem o Feminino.

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>> amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Marisa Feliciano, Belo Horizonte-MG

RK: De mulher pra mulher, Mariiisaaa… Obrigado pelos elogios, fia, mas não tô com essas bolas todas não. Ainda tenho muito que ralar com a minha sensibilidade, nem sempre sei como lidar com ela. Por exemplo, sempre que o Fortaleza perde, eu fico muito sensível. E aí, pra me acalmar, roubo um carro e atropelo uma daquelas velhinhas que vendem rosas na Jabaquara. Mas antes eu compro a rosa, claro, não me julgue tão mal.

>> Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Marli Myllius, Curitiba-PR

RK: Além da textura da pele? Marlindinha, menina, você quer um homem ou um microscópio? Ah, vai, não seja injusta. Dá outra olhadinha ao redor, vai, olha pros caras com mais carinho e compreensão que você identificará neles a sensibilidade que tanto busca. E quem sabe você mesma não os ajuda a libertá-la, né? Já posso até ver o anúncio colado nos orelhões: Marli, libertadora de homens sensíveis.

>> puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. Lara, São Paulo-SP

RK: Sério, Larita? Então a honra é toda minha por ter encontrado uma loba tão inspiradora!!! Quando quiser posar novamente, é só dar uma rosnadinha…

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“Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar.”

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Ler a crônica A Mulher Selvagem