Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?
1a parte da série Rio Droga de Janeiro
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“A gente não torce mais para a polícia acabar com as quadrilhas pois a gente sabe que isso é impossível. A gente agora torce é para que apenas uma quadrilha se estabeleça no lugar onde a gente mora pois é só assim que a gente tem um pouco de paz. De preferência a quadrilha que tem apoio da polícia.”
Quem disse isso foi uma amiga minha que mora no Morro do Vidigal, favela carioca da zona sul, um dos lugares com a vista mais deslumbrante do Rio de Janeiro. Ela lamentava a guerra entre quadrilhas de traficantes que há meses violenta o dia-a-dia de sua comunidade e obriga os moradores a conviver com tiros e explosões na madrugada, enfrentamento de quadrilha com quadrilha e quadrilha com polícia, mortes, toque de recolher imposto pelos bandidos…
Quem tem a droga tem o poder – esta é a lógica cruel do Rio de Janeiro atual. Junte-se a isso pobreza, despreparo das forças de segurança, descaso dos governantes, indiferença das elites, interesses comerciais, corrupção em todos os poderes e, também, é claro, a existência de um ávido mercado consumidor e pronto, você terá um poder paralelo capaz de se infiltrar em todos os níveis da sociedade, corroer suas bases, estabelecer suas próprias leis e tornar a vida do cidadão um inferno.
Os criminosos querem poder, muito poder, quanto mais melhor. Para isso precisam de muito dinheiro. Droga é um negócio perigoso mas é bastante lucrativo pois há muitos consumidores, não há qualquer tipo de fiscalização e não se paga imposto. Os maiores pontos de venda ficam nas favelas pois lá o Estado se recusa a ir. Lá as quadrilhas são o Estado: elas fazem as leis, fiscalizam seu cumprimento e punem os faltosos. Antigamente o traficante do morro era nascido no morro e era um romântico pois atuava como um benfeitor da comunidade abandonada pelo Estado, usando seu poder para amenizar as dificuldades de sua gente. Hoje não é mais assim. O negócio da droga é para profissionais e não para Robin Hoods românticos. Os chefões não estão interessados em melhorar a vida de ninguém mas em obter mais poder e se defender das outras quadrilhas que cobiçam seu território. E o cidadão? Este fica lá, impotente e apavorado no meio do fogo, sem ter a quem recorrer.
Se o problema ficasse restrito às favelas, as elites não estariam nem um pouco preocupadas. Mas a violência gerada pela bandidagem desceu o morro e alcançou a classe média e os ricos. Não há mais onde se esconder. Carro blindado, vidro escuro, condomínio fechado, cerca elétrica, câmeras de vigilância – a sociedade gasta fortunas para se proteger mas um dia a violência descobre uma brecha e ataca, nos transformando em mais um número das estatísticas. As quadrilhas, cada vez mais ousadas, exibem seu poder à luz do dia, decapitando o inimigo, tocando fogo no corpo e largando-o nas ruas, perto do metrô, para que todos entendam de uma vez quem é que manda no pedaço.
Minha amiga não quer guerra onde ela mora. Ninguém quer. O Estado deveria proteger os cidadãos mas entra ano e sai ano, entra década e sai década e isso não acontece. O que sobra ao cidadão? Apenas torcer para que a quadrilha que manda no bairro não seja atacada por outra quadrilha. A coisa chegou a tal ponto que é melhor viver na paz do tráfico que na guerra do tráfico, veja só o absurdo. Já que o narcotráfico não vai acabar nunca, melhor se entender com quem realmente manda no pedaço. E esse alguém não é a polícia. Nem o governador.
E por que diabos as forças de segurança não agem? Arrá! Chegamos a um segundo nível da questão. A polícia é incapaz de conter a força dos traficantes não exatamente porque são muitos e bem armados, mas porque os bandidos possuem conexões com a própria polícia, as forças armadas, políticos, juízes e governantes. Até mesmo com empresários e igrejas. Como derrotar algo tão poderoso?
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Foto 1: Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Foto 2: Psicotropicus
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Textos da trilogia
Quem tem a droga tem o poder
Os discretos sócios do narcotráfico
Guerras às drogas não, antiproibicionismo sim
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.wordpress.com
Este e outros textos você encontra no livro Blues da Vida Crônica
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As drogas chegam ao senado – Nesses dias de avacalhação geral da classe política, é muito bom ver que há sensatez e honestidade lá no Congresso. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), falecido em 2008, foi mais um dos que se convenceram que a legalização das drogas é a única saída para o problema da violência e da corrupção gerado pelo narcotráfico no mundo inteiro. Sua entrevista revela lucidez, equilíbrio e visão ampla dos problemas brasileiros e mundiais. E revela também muita franqueza e coragem de dizer aquilo que muitos concordam mas têm medo de dizer. Parabéns, senador!
> Para ler a entrevista.

Agosto 1, 2008 às 5:01 pm |
“Como derrotar algo tão poderoso?”
SENHORES USUARIO DE DROGAS…PAREM DE USAR …DROGAS….
ASSIM ACABA COM O TRAFICO…O TRAFICANTE …AS FUTURAS GERAÇÕES DE NOVOS USUÁRIOS…E A VIOLENCIA DE UM MODO GERAL.
E O PIOR É QUE UM “MONTE DE VICIADOS ,SEM-VERGONHA….RECLAMAM DA VIOLÊNCIA E VIVEM PEDINDO …PAZ…DE CAMISETA BRANCA EM PASSEATA E TUDO.
Outubro 29, 2008 às 2:22 pm |
Sabe o q é q uma profa. de Literatura faz qdo tem q ficar em casa de molho por ordens médicas? Fuça os textos dos amigos p roubar uns p as próximas aulas.
Tô sequestrando mais esse, tio prof! Obrigada!
Como é q alguém tão excêntrico, tão sem-noção, pode ser tão antenado?
Era isso q o Ri-Carlinhos discutia comigo aqui em casa.
Amizade à parte, vc devia pagar imposto por escrever tão bem. Aff!
Claro… Se escrever desse dinheiro no país dos “banguelas”.
PS: Detesto discordar dos outros – até pq creio q “cada ponto de vista é a vista de um ponto” – mas querer um mundo sem usuários de drogas é muito utópico. E quem não for viciado em nada q atire a primeira pedra.