Como você sabe, leitorinha querida, passei os últimos meses mergulhado na gravidez de meu novo livro Vocês Terráqueas e só agora é que retorno ao mundo. Então voltei a ver tevê e ler as notícias e… tomei um susto! Putz, parece que de repente o caminhão da Ceasa virou na curva e fomos esmagados por uma avalanche de mulheres-comida.
E parece que não vai parar tão cedo. Quando o cidadão finalmente conseguiu sair de baixo dos 120cm de abundância da Mulher Melancia, puff, enfia o pé na Mulher Jaca e depois, tôin, recebe uma peitada da Mulher Melão e, nhac, vai parar entre as sobrecoxas da Mulher Filé e aí já saímos da seção de frutas e estamos na churrascaria, onde reina a Mulher Rodízio, e se o cidadão for vegetariano, não precisa entrar em pânico pois ainda tem a Mulher Samambaia.
Aí aparece a Martha Medeiros, que é uma fofa e escreve bem, pra dizer que prefere ser a Mulher Banana, que é aquela que é uma boba e fica chocada com a degradação feminina e acha que não faz a menor diferença pros homens se a mulher tem 90cm ou 120cm de bunda… Ops. Se o homem for brasileiro, faz diferença sim, Marthinha. Quer ver, faça uma enquete: você prefere os 120 da Andressa Soares ou os 90 da Giselle Bundchen?
Ah, leitorinha, vou meter minha colher mais profundamente nessa discussão. Vulgaridade, degradação feminina, prejuízo à imagem da mulher, hummm, não sei, isso tudo é relativo. Prefiro me ater a outro aspecto da questão. Veja o biotipo dessas mulheres: são todas fornidas, gostosas, curvilíneas, suculentas. São o oposto sabe de quê? Dos féxon-uíques da vida, com sua mórbida ênfase na magreza.
Quer saber? Essa onda de Mulher Comida tem meu toootaaal apoio. Porque parece ser uma natural e legítima reação da sociedade à ditadura da magreza, argh, essa coisa estúpida que convenceu nossas mulheres a se transformarem em retilíneas e desnutridas musas de cemitério, um bando de Mulher Esqueleto, todas condenadas a violentar a natureza de seu corpo e a viver eternamente esfomeada. Ou seja, querem transformar nossas mulheres numa assombração.
Mulher Comida por si se explica: é gostosa, dá água na boca, faz a gente babar. Mulher Esqueleto dá medo, faz a gente rezar. Carne e fruta são comida e comida é vida. Osso é cardápio de enterro. Uma é alimento e apetite, a outra é triste privação. Retas são previsíveis, tão monótonas que só se encontram no infinito das passarelas. Curva não, curva é mistério, é onde a gente derrapa e se perde no meio delas. A reta é o concreto da secura. A curva é a fartura do sertão.
Cá pra nós, leitorinha: essa ditadura da magreza só pode ser algo criado por quem na verdade não ama as mulheres. E quem alimenta essa ditadura quer torná-las escravas de um ideal estético que é irreal, inalcançável, totalmente antinatural e perigosamente prejudicial à saúde física e psicológica. Por tudo isso, é receita infalível pra infelicidade.
Mas eu sei que tudo isso que falo é inútil pra grande maioria das mulheres. Porque elas são zumbis da moda e o tchan da moda atual é ser esquelética. Então, mesmo sabendo que desagradarão aos homens, elas preferem ser magrelas, super-na-moda, desde que vejam as outras mooortas de inveja.
A Mulher Esqueleto que me perdoe mas o caminhão da Ceasa é fundamental.
Ricardo Kelmer, jul2008 – blogdokelmer.wordpress.com

Julho 20, 2008 às 9:23 pm |
Concordo que essa ditadura da magreza é ridícula, mas mais ridículo ainda é o que essas mulheres comidas (com exceção da Marília Pêra rs) se submetem pra estar na mídia. Elas ajudam a propagar uma coisa com que muitas outras mulhers lutam contra faz tempo, que é a de serem vistas como ‘pedaços de carne’ ambulantes, e não como seres humanos que pensam, sentem e querem respeito. Não acredito que seja esse tipo de mulher que vai ajudar a valorizar a beleza feminina e acabar com esse ideal de magreza…
Julho 22, 2008 às 1:54 pm |
A-D-O-R-E-I mulheres substantivo suculento…. pensei em uma degustaçao regada a suco e… de maneira lenta… suculento kkkk. Nada de pressa… um corpo com mistérios próprios, deve ser assim descoberto de modo primitivo e sofisticado… lenta e delicadamente.
Setembro 18, 2008 às 8:03 pm |
Você é ótimo. Como tb sou contra qq tipo de ditadura empunho sua bandeira: as esqueléticas q me perdoem mas curvas são esseciais e bem mais emocionantes.
Setembro 19, 2008 às 10:14 pm |
Ah… Acredito que as “Mulheres Comidas” (risos!) talvez até dêem uma deturpada na imagem feminina, mas, como disse nosso querido Kelmer, é muito relativo. Ou seja, depende muito da mulher. Uma mulher bela, que sabe ser sexy com elegância, provocante com sensualidade, sem escracho ou esculacho, com certeza será respeitada de forma diferente das Mulheres Comidas. Vai muito de comportamento e objetivos.
Acho que os criadores da ditadura da magreza foram todos homossexuais. Afinal, eles não ligam tanto para a beleza feminina, eheheh.
Mulheres deveriam aprender a se dar mais valor… Tanto ao seu corpo natural, tanto à sua natureza feminina. Como um todo.
Beijo!!
Setembro 20, 2008 às 10:54 pm |
Aliás… Eu não gostaria de ter o corpo que a Gisele Bünchen tem. Mas que eu queria ter a grana, eu queria! rsrsrs
Outubro 18, 2008 às 4:56 am |
Adorei o seu blog! Vc escreve de um jeito muito gostoso de ler!
Eu escrevo também, se quiser dar uma passadinha…
bjos