Você não vai acreditar, e eu também ainda não tô acreditando, mas caí de noooovo na pegadinha do preço duplo. E pra piorar, aconteceu apenas uma semana após eu postar o primeiro texto do Clube dos Espertinhos, no qual eu conto como fui enganado pelo Pão de Açúcar.
Dessa vez aconteceu em Águas de Lindóia, cidade serrana no norte de São Paulo, quase divisa com Minas Gerais. Fui lá fazer uma palestra num encontro de educadores dos municípios da região. Depois da palestra passei no supermercado Tetra (rua Rio de Janeiro) e fiz umas comprinhas, incluindo um pacote de 500g de pão integral Wickbold a R$ 3,99. E segui pra Serra Negra, que fica uns 25km depois, onde passaria o fim de semana com meus amigos Carol e Marcos, cuja casa fica no alto das montanhas e tem a vista ideal pra assistir o fim do mundo em 2012. Aliás, já reservei minha vaga.
Quando cheguei em Serra Negra foi que conferi a nota e descobri que na verdade havia pago pelo pacote de pão o valor de R$ 4,19. O Supermercado Tetra havia me ludibriado em R$ 0,20. Fiquei olhando pra nota e pra etiqueta no pacote, me sentindo o Otário do Ano, sem acreditar que eu havia caído de novo no golpe do preço duplo. Revoltado, contei pros meus amigos que imediatamente se prontificaram a voltar comigo ao supermercado no domingo. Marcos até levaria seu facão, pro caso de precisar me defender.
Foi o que fizemos. Voltei lá e chamei o gerente, de nome Wander. Ele solicitamente escutou o que eu tinha a dizer, pediu desculpas e aceitou o produto de volta, me devolvendo o valor pago. Não precisamos usar o facão, ainda bem.
É claro que, financeiramente, tive prejuízo ao voltar ao supermercado pois só de combustível gastamos 100 vezes o valor do que eu pagara a mais pelo produto. Além disso, perdi tempo. E além disso tive muita raiva e me senti um idiota durante 3 longos dias. Mas se eu não tivesse ido, levaria pro resto da vida uma dívida comigo mesmo e isso vale muuuuito mais que R$ 20,00.
Embora a empresa, na pessoa de seu gerente, tenha me atendido bem e devolvido meu dinheiro corretamente, isso não anula seu erro. Assim, o supermercado Tetra entra pro Clube dos Espertinhos, pra fazer companhia ao Pão de Açúcar.
Ah, e tem mais. Após falar com o gerente, passamos no leitor de preços o pacote de pão e, adivinha qual o preço que apareceu? O mesmo que paguei, R$ 4,19. Isso significa que fazia pelo menos três dias que a empresa enganava seus clientes, pondo no produto uma etiqueta com preço menor que o cobrado no caixa. Será possível que, além de mim, ninguém mais percebeu que foi enganado? E, putz, será mesmo possível que ninguém na empresa percebeu o engano que já durava pelo menos 3 dias?
Cidadãos Aqualindoienses. Tenho o desgosto de comunicar-lhes que na rua Rio de Janeiro a malandragem tá correndo solta. E a mim, tenho o dever de alertar que se eu cair nessa mais uma vez, é melhor encomendar logo o troféu de Otário do Ano.
O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir…
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CAP. 2
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– Boa noite – disse o velho, erguendo o braço e tocando seu chapéu. – Desculpe a demora, sexta-feira sempre tem muito serviço. Você é o Agenor, não é? Sou Soloniel, o mais astuto dos diabos. Certamente já ouviu falar muito de mim.
– Ahn… não… – Agenor olhava para a figura à sua frente. Aquilo era um diabo? Parecia mais com aqueles velhos aposentados que jogavam dominó na praça.
– Devia ler mais, meu jovem – disse o diabo, apontando-lhe um dedo acusador. – É nisso que dá ficar vendo esses filmes idiotas da tevê. Deixa de saber quem foram os grandes nomes da História.
Agenor concordava com a cabeça, sem compreender aquela espécie de sermão. Aquilo era mesmo um diabo?
– Ainda duvidando de mim, rapaz?
Ele lia pensamentos! – assustou-se Agenor.
– Desculpe… é que… eu… – E não soube mais o que dizer.
– Já sei, já sei – disse o diabo, dando com a mão resignado. – Esperava um diabo mais jovem. É sempre assim. Por isso é que eles querem me aposentar. Nem um diabo velho é mais respeitado hoje em dia. O mundo está perdido.
– Desculpe, eu não quis…
– Eles sempre enviam diabos jovens, vigorosos, para impressionar os tolos. Pois saiba, meu jovem, que toda a juventude deles não serve nem para lustrar as botas da experiência de Soloniel, estas aqui!
Agenor olhou para as botas. Eram bonitas e brilhosas. Só um pouco folgadas.
– Está vendo? Estas botas já estiveram em muitos lugares e muitos tempos, tantos que os números já não contam – Ele batia nas botas com a ponta da bengala, tum-tum-tum. – Estas botas já estiveram em cavernas, tendas, palácios! Em castelos, campos de batalha, escritórios, alcovas mal iluminadas! Já presenciaram acontecimentos cruciais da história humana. Não só presenciaram como também ajudaram a determiná-los. Entende?
– Sim, sim… – balbuciou Agenor.
– Eu é quem incentivo as pessoas no rumo dos seus sonhos mais íntimos. E por eles cobro meu preço, claro. Tem um pano aí?
– Um pano? Ahn… Este serve?
Agenor estendeu-lhe o cobertor. O diabo agachou-se e deu uma lustradinha nas botas.
– Obrigado. Vamos lá, qual é mesmo o seu pedido?
Agenor respirou fundo.
– Bem, eu… O senhor pode mesmo realizar qualquer desejo?
O diabo deu um risinho de impaciência.
– Diga logo o que quer, meu jovem. O diabo Soloniel ainda tem quatro encontros esta noite.
– Eu… eu…
De repente Agenor sentiu um medo imenso. Valia mesmo a pena um pacto com o demo?
– Até logo, jovem – disse o diabo, virando-se e pegando o caminho de volta. – Volte para a sua mamãe. Pacto com o diabo não é para gente fraca como você.
Estamos aprendendo a valorizar um bom sexo, sem deixar a vaidade de lado. Queremos homens bonitos e cheirosos, que saibam combinar a roupa e que não nos deixem na mão quando se tratar de sexo, que sejam carinhosos e não virem para o lado e durmam depois da transa. rsrsrsr É pedir muito?????- Alessandra, Brasília-DF
Alessandra, leitorinha querida. Homem bonito e cheiroso até que não é tão difícil encontrar. E cheiro bom mesmo é cheiro de pele e não de perfume. Mas deixar a mulher na mão? Ah, cá pra nós, isso é coisa de amador, nem vou gastar meu tempo falando disso. Com quem você anda se metendo, menina?
Homem carinhoso? Concordo, concordo, tem que fazer a coisa com carinho. Mas isso não exclui necessariamente uns tapinhas, uns chicotinhos, umas sacanagens, né? Claro, claro, tudo depende do gosto da freguesa, claro. Vamentão chegar a um acordo: um pouco de carinho aqui, uma sacanagem acolá, um outro carinho, outra sacanagem, carinho, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, sacanagem, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, sacanagem, sacanagem, sacanagem, carinho, sacanagem, sacanagem, sacanagem, sacanagem, sacanagem, sacanagem, carinho…
Virar pro lado e dormir? Pô, Alessandra, você tá começando a ficar exigente, heim! Mas vamulá, vamos botar as cartas na mesa. Primeiro você tem que entender que na Natureza só há dois bichos que continuam alegres e dispostos após o gozo: a mulher e o galo. O resto tudo fica que nem a gente: meio cansado, meio borocoxô. Tirando as exceções, é assim que acontece. Mas por que isso acontece? Arrá!
Há vários fatores a considerar. Um deles é que o exercício sexual costuma ser mais desgastante pro macho que pra fêmea. Nós nos mexemos mais, nós vamos e voltamos, entramos e saímos, jogamos vocês prum lado, pro outro, todos os músculos de nosso corpo são constantemente exigidos e, principalmente, nós precisamos manter o pingolim duro, quanto mais duro melhor. Sim, fia, eu sei que esta última parte você sabe. Mas não sei se no colégio de freiras em que você estudou ensinaram que isso requer contínuo fluxo de sangue, durante uma, duas, três, quatro horas! Pensa que isso não cansa, menina?!
E depois tem o fato… Bem, isso é um assuntim meio espinhoso mas estamos aqui jogando limpo, né? Então vamulá. E depois tem o fato de que às vezes nós estamos interessados tão-somente no sexo. Mas acontece que se nós dissermos que queremos apenas comer vocês, putz, isso historicamente não tem dado muito certo. Então nós omitimos nossas reais intenções. Mas depois do sexo fica difícil continuar fingindo. Aí a máscara cai e aquele cara gentil, atencioso, que até ontem escutava tudo que você falava e, uau, até aceitou olhar as vitrines do xópin com você, esse cara agora, de repente, não quer ficar abraçadinho com você na cama, falando da vida e nem quer conversar sobre, assim, a possibilidade da gente, você sabe, tudo isso que tá rolando entre a gente, a gente tá namorando, né, você pensa em ter filhos?
Putz… Diga isso prum homem logo depois da primeira transa e você terá 99% de chance de terminar aí mesmo um namoro que não tinha nem começado. Isso se ele não saltar da janela, defenestrando de vez o futuro da relação e fazendo você passar a noite na delegacia depondo como suspeita de assassinato. Melhor não arriscar, né, fia?
O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.
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PRÓLOGO
Ele a abraçou forte e assim se deixou ficar, juntinho a ela, sem nada dizer. Olhou para o céu, o coração pesando no peito… Reparou no desenho das nuvens, uma imagem se transformando em outra que se transformava em outra, num movimento contínuo que nunca se repetia exatamente… mas que prosseguia mudando sempre, sempre…
Abraçado a ela, no meio da pressa dos funcionários do cais, ele de repente sentiu. Sentiu como se já houvesse vivido aquele momento antes, aquele abraço, o mar, as gaivotas… Fechou os olhos e tentou lembrar quando vivera aquela mesma situação mas tudo que lhe veio foi a sensação de estar girando, girando… Era como se estivesse num círculo, girando, sempre passando por aquele mesmo lugar no cais, girando, girando…
Abriu os olhos assustado, voltando a si. Sentia-se tonto. Ela ainda estava abraçada a ele, em silêncio. Quanto tempo se passara?
- O que foi? – ela perguntou.
- Só uma tontura…
- Claro. Você nem quis tomar café. Aliás, faz dias que você está estranho.
- Preciso ir agora.
- Tem certeza que não posso mesmo ir?
- Já falamos sobre isso.
- E se você não voltar?
- Claro que voltarei. Dentro de um mês. Não foi o que combinamos?
- Estou com medo… – Ela o abraçou novamente, mais forte.
- Já estão a subir as velas.
Ele a beijou rapidamente e saiu caminhando em direção ao navio, o passo rápido, decidido, sem olhar para trás.
Minutos depois o navio começou a afastar-se do cais. Da amurada ele acenou pela última vez, enquanto a imagem dela, sozinha e triste no cais, sumia na distância. Nesse momento sentiu um medo imenso, como uma imensa onda que chegasse, levando tudo pela frente com sua força descomunal. Ele fechou os olhos e se segurou na amurada, sentindo a força da onda, sentindo que não suportaria mais tempo…
Quando abriu os olhos não havia onda alguma. Mas o medo continuava e seu coração batia acelerado. Preciso de um trago, ele pensou. E se dirigiu à cabine.
Ele sabia que era só o início de uma longa e difícil viagem.
O amor insano. O amor desafiador do tempo. O amor que descortina as mais absurdas possibilidades do ser.
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A partir de agora, em capítulos, no Blog do Kelmer
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O Irresistível Charme da Insanidade é o segundo livro de Ricardo Kelmer. Publicado pela primeira vez em 1996, foi reescrito e republicado em 2005.
A história de Luca e Isadora são na verdade duas histórias. Uma acontece no século 21, pelas praias do Nordeste, entre shows e agitos da noite, e a outra aconteceu no século 16, num mundo de intrigas políticas e religiosas, ordens secretas e rituais misteriosos.
Aconteceu? Talvez seja mais correto dizer que as duas histórias acontecem pois ambas parecem se cruzar e se influenciar, levando os personagens a questionar suas noções sobre o tempo, a vida e a morte, e a viver no limite da própria sanidade.
Existirá mesmo a reencarnação? Ou essa crença é apenas o nível superficial de um entendimento bem mais profundo e abrangente da realidade? Haverá outros “eus” vivendo vidas simultâneas? Será possível alterar o passado?
O encontro, ou reencontro, de Luca e Isadora trará à tona todas essas questões. Convidamos você a acompanhá-los nessa aventura intrigante e divertida, cheia de erotismo e mistério.
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INTRIGANTES POSSIBILIDADES
Luca é um músico, obcecado pelo controle da vida, que se envolve com Isadora, uma viajante taoísta que afirma ser ele a reencarnação de seu mestre-amante do século 16. Ele inicia uma estranha aventura onde somem os limites entre sanidade e loucura, real e imaginário e, por fim, descobre que para merecer a mulher que ama terá antes de saber quem na verdade ele é.
Nesta insólita história de amor, que acontece simultaneamente na Espanha quinhentista e no Brasil do século 21, os déjà-vu (sensação de já ter vivido certa situação) são portais do tempo através dos quais temos contato com nossas outras vidas.
Blues, sexo e uísques duplos. Sonhos, experiências místicas e ordens secretas. Este romance exercita, numa história divertida e emocionante, intrigantes possibilidades do tempo, da vida e do que seja o “eu”.
Quatro amigos e suas aventuras e desventuras em busca da mulher ideal. Mas será que ela existe mesmo? Não poderia haver várias mulheres ideais simultâneas? É verdade que elas mudaram e nós continuamos no tempo das cavernas? Por que elas dizem que homem é tudo igual mas escolhem tanto? Essas e outras questões temperadas com muito humor, cerveja, rodas de pôquer e futebol na tevê. O conteúdo total da série, incluindo os detalhes mais picantes, estarão disponíveis apenas para Leitores Vips. EM BREVE.
O sonho de Agenor é que todas as mulheres do mundo o desejem. Para isso ele está disposto a fazer um pacto com o diabo. Mas há um velho ditado que diz: cuidado com o que deseja pois você pode conseguir… Todos os capítulos publicados estarão disponíveis para Leitores Vips.
O que pode acontecer a um homem quando de repente, por mais que tente, não aparece mulher de jeito nenhum? Todos os capítulos publicados já estão disponíveis para Leitores Vips.
Luca é um músico, obcecado pelo controle da vida, que se envolve com Isadora, uma viajante taoísta que afirma ser ele a reencarnação de seu mestre-amante do sec. 16. Ele inicia uma estranha aventura onde somem os limites entre sanidade e loucura, real e imaginário e, por fim, descobre que para merecer a mulher que ama terá antes de saber quem na verdade ele é.
e acontecer a um homem quando de repente, por mais que tente, não aparece mulher de jeito nenhum? Todos os capítulos publicados já estão disponíveis para Leitores Vips.
Você vai ao supermercado fazer umas comprinhas. No bolso o dinheirinho contado. Você encontra umas promoções, oba, sempre bom encontrar promoções. Você põe os produtos no carrinho, leva pro caixa, paga e vai pra casa, contente por economizar alguns reais e por morar perto de um supermercado que faz umas promoções bacanas, mostrando com isso que não pensa apenas no lucro mas também no cliente.
Pois saiba, generosa leitora, nobre leitor, que você pode estar sendo vítima do velho Golpe do Desconto. Nas duas últimas semanas quase caí nesse golpe por duas vezes, e no mesmo lugar!
Foi no Pão de Açúcar da av. Indianópolis, próximo ao Clube Sírio, no bairro Planalto Paulista, onde moro em São Paulo. Escolhi dois produtos que estavam em promoção pra quem é Cliente Mais (sim, eu sou!) mas acabei pagando por eles o preço normal e só percebi isso quando conferi a nota. Reclamei, claro, e o caixa me devolveu a quantia paga a mais. Pedi que chamasse o gerente mas o gerente estava em reunião.
Na segunda vez foi a mesma coisa, com a diferença que flagrei o golpe antes de pagar pois fiquei observando atentamente os itens na tela. Novamente o preço cobrado não foi o mesmo preço da etiqueta na prateleira. Coincidência? Não, não é coincidência pois, além da vez anterior, isso já havia acontecido comigo outras três ou quatro vezes nessa mesma loja e também aconteceu com meu amigo, que também compra lá.
Boa parte das pessoas não fica conferindo na tela, item por item, o preço de todos os produtos que está passando no caixa do supermercado. E mesmo que tente conferir, é impossível decorar o preço de todos os produtos. Em outras palavras: o cliente do Pão de Açúcar vai pra casa satisfeito por ter aproveitado as promoções e voltará lá outra vez. E, no entanto, ele não aproveitou promoção nenhuma: pagou o preço normal do produto. E a gente sabe que no Pão de Açúcar o preço normal não é tão normal assim.
Uma empresa séria não permite que seus clientes desconfiem dela, de sua seriedade e lisura. Uma empresa séria não obriga seus clientes a ficarem de olho na própria empresa, com medo de a qualquer momento serem ludibriados. Uma empresa séria não deixa seus clientes com a pulga atrás da orelha pensando quantas vezes terão sido ludibriados e não perceberam.
Se o Pão de Açúcar fosse uma empresa realmente séria ou se houvesse concorrência, o gerente me procuraria, pediria desculpas e me ofereceria o mesmo produto de graça ou algo assim, numa desmonstração clara de que a empresa assume a culpa pelo erro lamentável e garante que não ocorrerá mais. Que nada. E olhe que sou um Cliente Mais! Imagine o que não acontece com os Clientes Menos…
Por essas e outras é que decidi criar o Clube dos Espertinhos. Entrará nele quem me tapear ou tentar me tapear com golpes como este da promoção. É o mínimo que posso fazer como consumidor atento e ciente de meus direitos. É o mínimo que tenho de fazer pra aplacar minha raiva e indignação.
E pra ter o nome retirado da lista de sócios do Clube dos Espertinhos, como que faz? Ah, pra isso vai ter ralar muito e me convencer que merece.
Inaugurando o quadro de sócios do clube, com vocês, Pão de Açúcar, lugar de gente ludibriada mas feliz.
Músico do Rolling Stones troca mulher por garçonete russa de 18 anos – O músico Ronnie Wood, 61, guitarrista dos Rolling Stones, abandonou a mulher, Jo Wood, com quem estava casado havia 23 anos, para viver com uma garçonete russa de 18 anos.
Garçonetes, ah, as garçonetes… Vou ser bem sincero com você, leitorinha. Essas moças mexem com a gente. As das praças de alimentação dos xópins nem tanto, essas são todas iguais nos uniformes e na postura pasteurizada, refletindo aquele clima irritantemente esterilizado dos xópins, tudo certinho, a caretice, a formalidade… Mas até essas possuem seus admiradores entre os que preferem as mais recatadas.
Ron Wood conheceu a garçonete três meses atrás, num bar em Londres, e se apaixonou por ela depois de alguns goles a mais. Os dois se tornaram companheiros de bar nos últimos tempos.
As garçonetes dos bares, ah, essas são especiais. Costumam ser mais espertas, mais descoladas, sabem lidar com os engraçadinhos. Se a gente brinca muito com uma garçonete de xópin, ela chama o gerente. A garçonete de bar não chama ninguém: ela mesma nos joga o chope na cara.
Segundo o tablóide britânico “The Sun”, a adolescente Ekaterina Ivanova já se transferiu à residência de Wood na Irlanda, enquanto a ex-mulher voltou a morar com a família, nos arredores de Londres. Amigos do guitarrista garantem que Wood tem bebido demais – ele chega a tomar duas garrafas de vodka sozinho.
O contexto ajuda, claro, afinal nos bares a gente tá mais relaxado e se sente naturalmente mais disponível… Se você é uma garçonete de bar, e é bonita, gostosa e/ou charmosa, então saiba: tá assim de gente apaixonada por você, homens e mulheres, acredite. Claro, você já percebeu alguns olhares, já sacou que aquele cara vai lá só pra ver você, que aquela menina sempre quer ser atendida por você… Mas talvez não saiba que pra muita gente você é uma espécie de deusa da noite, poderosa, inalcançável e cruel, e que por sua atenção ou por você mesma, alguns até cairiam de joelhos suplicando “me atende, por favor” ou “leva eu pra tua casa, leva”…
A ex-modelo Jo Wood preferiu não dramatizar o episódio, dizendo que se trata somente de “umas férias” e que Ronnie e a garota russa não têm uma relação amorosa propriamente dita. Já Ekaterina disse que não concorda e se apressou em divulgar a notícia de sua nova conquista no site de relacionamentos Facebook.
Um cara de 61 anos e uma garota de 18. Isso não é comum, vamos admitir. Mas o cara não é um qualquer, fia, o cara é um Rolling Stones! Não sei você mas muita, muita gente daria pra um Stones, qualquer um, só pra constar no currículo. Katerina Ivanova tirou a sorte grande e quer aproveitar ao máximo a satisféquixon, claro. E como ela já tem nome de vodca, uau, nosso Stones deve ficar louco sem saber se come ou se bebe a moça.
Jo Wood teria procurado a garota e pedido que ela deixasse o guitarrista em paz. “Não sou eu que estou tirando ele de você, mas sim ele que está te deixando”, teria argumentado a menina num dos poucos encontros com a então mulher de Wood.
Xiii… Estamos diante de mais reedição do clássico A Corna e a Vaca. Nesse enredo as mulheres adoram trocar de lugar: num dia são as cornas, tendo que aturar uma vaca louca dando encima de seu par, e no outro dia elas são as vacas, tendo que aturar uma corna chata que não consegue segurar seu homem (ou sua mulher, sim, no mundo lésbico rola a mesma coisa). Isso quando a mulher não atua nos dois papéis ao mesmo tempo, concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante no mesmo ano!
Ekaterina Ivanova foi acusada por Jo de ser “bêbada e aproveitadora”. Enquanto isso, a menina de 18 anos divulga suas fotos num site de relacionamento na internet e avisa aos amigos que agora é namorada de Ronnie Wood.
Ekaterina, sua louquinha das estepes. Aproveite bem, tire muita foto, viaje bastante, assista show dos Stones de graça, tudo é apenas roquenrôu mas a gente gosta. E aproveite que porre de duas garrafas de vodca demora a passar. E você, Jo, mantenha a classe. Quando seu bebum voltar arrependido do porre de Ivanova, você inclui no perdão aquele diamante que há tempos você paquera na vitrine da H Stern. E daqui a nove meses, pra mostrar que você é mesmo uma mulher de classe, mande de presente uma vodca Kovak, argh!, pra russinha recém-nascida.
Sexo e chocolate. Para muita gente as duas coisas têm tudo a ver. Para Celina era bem mais que isso…
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O que começou naquele dia, aos dez anos, prosseguiu naturalmente, fazendo Celina experimentar orgasmos sempre que comia uma saborosa torta de chocolate. Nesse instante a experiência se repetia e ela se sentia misturar ao próprio pedaço de torta que comia, o chocolate irresistível, a saliva tomando sua boca inteira, o coração a bater forte, aquele calor interior, a vista escurecendo, as pernas fraquejando…
Foram muitas tortas maravilhosas, incontáveis. Algumas, porém, se tornaram inesquecíveis. Aquela do aniversário, por exemplo, era a mais cara da padaria do seo Nuno, tanto que o pai só comprava em datas especiais. Mas às vezes ele cedia à insistência da filha e chegava do trabalho trazendo a surpresa mais que aguardada, que serviria de sobremesa para os jantares seguintes. O primeiro pedaço Celina comia na mesa, junto com o pai e a mãe, mas sempre de forma contida. Era o segundo pedaço o especial, esse sim, que ela comia de madrugada, os pais já dormindo. A menina Celina caminhava silenciosamente até a geladeira, de camisola e pantufas de coelhinho, pegava um grande pedaço e se trancava com ele no quarto, e lá, deitadinha na cama, afastava as bonecas de pano e, esquecida do mundo e de si mesma, entre doces murmúrios de languidez, deliciava-se entre seus múltiplos orgasmos de chocolate.
Depois Celina conheceu outras tortas, como a do novo colégio, que tinha pedaços de morango, era uma delícia, mas que precisava comer trancada num boxe do banheiro para poder gozar sossegada. Havia também a do café do Cine Gazeta, uma torta divina, com uva e leite condensado, que durante anos lhe proporcionou públicos orgasmos semanais, após a sessão de arte, ela sentadinha na mesa do canto, ao lado dos pôsteres dos filmes, sozinha, as coxas roçando uma na outra por baixo da mesa, os olhinhos revirados por trás do óculos escuro.
Um dia, conversando com uma amiga da faculdade de publicidade, contou que sentia prazer quando transava, sim, mas que não se comparava ao prazer que lhe davam suas tortas queridas. Aquilo era normal? Teria ela algum distúrbio sexual? A amiga riu muito e ao final lhe sugeriu ir a uma sex shop.
Quem ganha e quem perde com a proibição das drogas?
1a parte da série Rio Droga de Janeiro
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“A gente não torce mais para a polícia acabar com as quadrilhas pois a gente sabe que isso é impossível. A gente agora torce é para que apenas uma quadrilha se estabeleça no lugar onde a gente mora pois é só assim que a gente tem um pouco de paz. De preferência a quadrilha que tem apoio da polícia.”
Quem disse isso foi uma amiga minha que mora no Morro do Vidigal, favela carioca da zona sul, um dos lugares com a vista mais deslumbrante do Rio de Janeiro. Ela lamentava a guerra entre quadrilhas de traficantes que há meses violenta o dia-a-dia de sua comunidade e obriga os moradores a conviver com tiros e explosões na madrugada, enfrentamento de quadrilha com quadrilha e quadrilha com polícia, mortes, toque de recolher imposto pelos bandidos…
Quem tem a droga tem o poder – esta é a lógica cruel do Rio de Janeiro atual. Junte-se a isso pobreza, despreparo das forças de segurança, descaso dos governantes, indiferença das elites, interesses comerciais, corrupção em todos os poderes e, também, é claro, a existência de um ávido mercado consumidor e pronto, você terá um poder paralelo capaz de se infiltrar em todos os níveis da sociedade, corroer suas bases, estabelecer suas próprias leis e tornar a vida do cidadão um inferno.
Os criminosos querem poder, muito poder, quanto mais melhor. Para isso precisam de muito dinheiro. Droga é um negócio perigoso mas é bastante lucrativo pois há muitos consumidores, não há qualquer tipo de fiscalização e não se paga imposto. Os maiores pontos de venda ficam nas favelas pois lá o Estado se recusa a ir. Lá as quadrilhas são o Estado: elas fazem as leis, fiscalizam seu cumprimento e punem os faltosos. Antigamente o traficante do morro era nascido no morro e era um romântico pois atuava como um benfeitor da comunidade abandonada pelo Estado, usando seu poder para amenizar as dificuldades de sua gente. Hoje não é mais assim. O negócio da droga é para profissionais e não para Robin Hoods românticos. Os chefões não estão interessados em melhorar a vida de ninguém mas em obter mais poder e se defender das outras quadrilhas que cobiçam seu território. E o cidadão? Este fica lá, impotente e apavorado no meio do fogo, sem ter a quem recorrer.
Se o problema ficasse restrito às favelas, as elites não estariam nem um pouco preocupadas. Mas a violência gerada pela bandidagem desceu o morro e alcançou a classe média e os ricos. Não há mais onde se esconder. Carro blindado, vidro escuro, condomínio fechado, cerca elétrica, câmeras de vigilância – a sociedade gasta fortunas para se proteger mas um dia a violência descobre uma brecha e ataca, nos transformando em mais um número das estatísticas. As quadrilhas, cada vez mais ousadas, exibem seu poder à luz do dia, decapitando o inimigo, tocando fogo no corpo e largando-o nas ruas, perto do metrô, para que todos entendam de uma vez quem é que manda no pedaço.
Minha amiga não quer guerra onde ela mora. Ninguém quer. O Estado deveria proteger os cidadãos mas entra ano e sai ano, entra década e sai década e isso não acontece. O que sobra ao cidadão? Apenas torcer para que a quadrilha que manda no bairro não seja atacada por outra quadrilha. A coisa chegou a tal ponto que é melhor viver na paz do tráfico que na guerra do tráfico, veja só o absurdo. Já que o narcotráfico não vai acabar nunca, melhor se entender com quem realmente manda no pedaço. E esse alguém não é a polícia. Nem o governador.
E por que diabos as forças de segurança não agem? Arrá! Chegamos a um segundo nível da questão. A polícia é incapaz de conter a força dos traficantes não exatamente porque são muitos e bem armados, mas porque os bandidos possuem conexões com a própria polícia, as forças armadas, políticos, juízes e governantes. Até mesmo com empresários e igrejas. Como derrotar algo tão poderoso?
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Foto 1: Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Foto 2: Psicotropicus
As drogas chegam ao senado – Nesses dias de avacalhação geral da classe política, é muito bom ver que há sensatez e honestidade lá no Congresso. O senador Jefferson Peres (PDT-AM), falecido em 2008, foi mais um dos que se convenceram que a legalização das drogas é a única saída para o problema da violência e da corrupção gerado pelo narcotráfico no mundo inteiro. Sua entrevista revela lucidez, equilíbrio e visão ampla dos problemas brasileiros e mundiais. E revela também muita franqueza e coragem de dizer aquilo que muitos concordam mas têm medo de dizer. Parabéns, senador!
> Para ler a entrevista.
Então naqueles dias o raio cósmico ultravioleta desceu sobre a Terra para tornar realidade os desejos
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O mundo é muito doido mesmo. Dia desses recebi uma mensagem estranha. Ela dizia que um tal evento de disparo cósmico ocorreria no dia tal e que isso se daria na forma de um raio pulsante ultravioleta de cor azul-magenta fluorescente e que seria disparado das altas dimensões do Universo e que amplificaria a força dos pensamentos e dos desejos de todas as pessoas e que…
Resumindo: a mensagem pedia pra todos, nesse dia especial, largarem o egoísmo e se concentrarem em pensamentos de amor, prosperidade, cura, riqueza, bondade e gratidão. Ah, eu fiquei preocupado, fiquei mesmo. Com esse raio aí. Você reparou no jeitão dele? Pulsante. Ultravioleta. Azul-magenta. Fluorescente! Gente, isso é um raio gay… Só faltou dizer que ele descerá acompanhado de uma chuva de purpurina ao som de It´s Raining Man ! Um babado cósmico fortíssimo. Quem diria… Os etês já foram mais, digamos, testosterônicos.
Ih, será que o raio cósmico ultravioleta transformaria todo mundo em biba? Quer dizer, transformar os que não são e amplificar ainda mais os que já são? Caramba, mas o mundo já é tão gay… E se eu não quisesse virar biba? Sim, porque até que eu tô satisfeito no meu modelito hetero. Nada contra os gays, magina. Sou super-hiper-total-absolutamente-cosmicamente a favor da causa gay. Primeiro porque todas as pessoas deveriam ser o que são, o mundo seria bem mais divertido. E depois tem a questão da matemática, né, fia? Mais gay igual a menos concorrência.
Consultei uma amiga. Ela já foi abduzida por uma nave do comandante Asthar. Ela até me mostrou uma foto dele: altão, lorão, olho claro, feições delicadas, usa umas roupas vistosas…. Hummm, esse comandante, sei não. Xapralá. Minha amiga então me explicou que o raio cósmico ultravioleta não me tornaria gay mas que eu deveria esquecer quaisquer pensamentos egoístas e me concentrar seriamente em bons pensamentos pois o raio os tornaria realidade.
Ora, ora… não diga… Agradeci à minha amiga e voltei pra casa com uma idéia incrível. Seguinte. Todo mundo ia se concentrar em pensamentos tipo paz e amor entre os povos, equilíbrio ambiental e coizital, né? Aí o raio cósmico ultravioleta amplificaria esses pensamentos a tal ponto que o mundo seria consertado, né? Maravilha, já era tempo. Sendo assim, já que finalmente tudo se ajeitaria, não haveria problema algum se eu puxasse um pouco a brasa pra minha sardinha, né? Então preparei minha listinha de pensamentos pro raio cósmico ultra… Vamos logo abreviar o diabo do nome desse raio? É muito comprido e formal. Então preparei minha listinha de pensamentos pro Racoleta dar uma força. E treinei a segunda pessoa do plural. Você sabe, essas entidades cósmicas adoram assim um tapetinho vermelho, uma pompa. Eu falei pompa.
Sabedor que a hora mais forte de atuação do Racoleta seria no fim da tarde, quando deu cinco horas lá estava eu na pedra do Arpoador, sentado lá em cima, o Sol se pondo pro lado da Barra, o som das ondas quebrando, o vento nos meus cabelos sedosos, meu olhar suave no horizonte… Eu tava quase levitando. Até uma camisa azul-magenta eu comprei, acredita? Ainda bem que ali não tinha nenhum conhecido. Então puxei o papel do bolso, respirei fundo e me concentrei. Ó sagrado Racoleta, vós que desceis das altas dimensões e cruzais o espaço para virdes auxiliar os pobres terráqueos, concedei-me a graça de um desejo, é só um, pois que não ambiciono grandes pretensões e, mesmo sabedor que é outra a sua nobre praia, ó fluorescente Racoleta, concedei-me por gentileza… a mulher ideal.
Mulher ideal: linda, gostosa, dadivosa, bissexual, simples, selvagem, divertida, não-fumante (mas aceita um natural), adora botequim pé-sujo, é conectada à Natureza, não sabota a própria felicidade, não é consumista compulsiva, lhe atraem os mistérios, dança em noite de lua, vive me traindo com muitos livros, anda nua pela casa, é louca por blues, assiste comigo os gols da rodada (e comenta!), sonha em viajar por aí sem destino, chora comigo pelas dores do mundo, adormece em meu ombro, desperta de madrugada e sorri por eu estar olhando apaixonado pra ela, quando a gente tá liso ela faz um miojo maravilhoso, ama uma sacanagem, curte oral, anal, nasal, axilal, engole, cospe, gargareja, é especialista na posição ventania no bambuzal, faz torneio de peido comigo no banho e me chama na janela pra ver a filha da vizinha de calcinha. Pronto.
Imediatamente um trovão ecoou, apesar do céu estar claro. Depois uma gaivota deu um rasante e, bufo!, soltou um cocô bem na minha cabeça. Interpretei como bom sinal e dei por encerrado o ritual. Desci da pedra e fui pra casa. No caminho quis dar a camisa azul-magenta pra um mendigo mas ele não aceitou.
Como já se passaram alguns meses e o mundo continua a mesma merda de sempre, o Oriente Médio aquela confusão, o Bush querendo destruir o planeta e meu time só perdendo, entendi que nem o coitado do Racoleta, com toda a sua boa vontade, conseguiu dar um jeito no egoísmo da espécie. Que pena.
Ou então, arrááá!!! O Racoleta tá tão concentrado no meu pedido que deixou os outros de lado por um momento pra se dedicar somente a ele. Sim, reconheço que talvez não tenha sido um pedido fácil pra um raio azul-magenta fluorescente. Mas ele tem poder pra isso. Ó sagrado Racoleta, obrigado, muito obrigado, nem sei como vos agradecer. Prometo que assim que ela surgir à minha frente, eu mando vos avisar, vós certamente tendes imeio, né? Ótimo. Aí vós estareis liberado pra cuidar do resto do mundo. Até porque de que adianta a mulher ideal se não houver mundo pra eu viajar com ela, né? Graaande Racoleta.
A força da tempestade, o poder do desejo. Ela deveria resistir mas…
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Razão. Você a evoca, angustiada. E a razão surge, gritando em cada sinal vermelho: pare de ser louca! Mas aí o sinal esverdeia e você precisa seguir em frente na tarde cinza, entre os automóveis e a chuva que não cessa. Ainda bem. Não fosse o sinal verde, talvez agora você ainda estivesse ali, pensativa, o carro parado no cruzamento. O cruzamento alagado da ruazinha da razão com a imensa avenida da loucura… e do desejo.
As pessoas na rua correm para se proteger da chuva, todas certas de seu caminho, seguem rápidas e decididas. Você não. Você segue devagar e o seu medo de prosseguir reza para o próximo sinal estar fechado. Pararia ali mesmo no meio da rua não fossem os carros atrás. Tudo em seu ser se contradiz, uma célula quer ir, outra morre de medo. Sim e não. Verde e vermelho. Em seu peito o coração bate no compasso da urgência, não, em suas veias o sangue se desencontra, sim. No rádio, música nenhuma entende seu estado de ânimo. E essa chuva a deixar tudo ainda mais confuso… Sim e não. Ai, que vontade imensa de gritar… Você respira fundo. E acelera.
Francamente falando, você sabe muito bem que limites existem para serem quebrados, não é? E os seus há muito que lhe desafiam. Sim. Para ser exato, desde que ele surgiu, de repente, não mais que de repente. Ele e seu olhar inquietante, o jeito diferente… Você já não sabe se ele é louco ou se louca fica você toda vez que o vê. Tem algo nele que dá um calor, não é? Você nunca sentiu antes, não sabe explicar. Não. É algo meio insano, que lhe faz inventar mentiras e largar o trabalho no meio da tarde. Algo que lhe faz soltar o cabelo, deixar o sutian na bolsa e sair no meio dessa chuva louca. Ai, e essa chuva… Sua vida era tão certa e hoje tudo é tão imprevisível. Mas ao mesmo tempo você tem raiva dele, por invadir assim seu espaço, virado seus dias de cabeça para baixo, ele não tinha o direito, não tinha. Não. Sim, ele tinha.
Ahnn… mas e a ética, como fica? Afinal você tem namorado. E você o ama. Bem, na verdade talvez não o ame como achava que amava. Sim, pois se amasse não desejaria esse homem assim. Ou não? Ou o amor nada tem a ver com o desejo? Se os homens são capazes, por que você não seria também? Uma mulher pode entregar-se a um homem, uma vez só, e voltar para outro, como se nada tivesse acontecido? Como uma chuva que vem de repente e depois já passou? Sim, pode, você mesma responde, surpresa com a própria determinação. Pode voltar sim, mas não como se nada houvesse acontecido, pois sempre terá acontecido, sempre… – você completa, olhando seu sorriso estranho no retrovisor. Você lembra da última briga, um dia antes, e então seu pé pisa mais fundo no acelerador, sim. E a chuva aumenta. Sim. Não. Não se trata de vingança, nada disso. É só a velocidade do desejo. Não. Na verdade é mais que isso. É uma necessidade. Sim. Você tem de encontrá-lo. Você precisa. Sim. É a única coisa que importa agora.
Em frente ao prédio dele, dentro do carro, você inventa mil coisas para se dar mais um tempo para pensar. Olha a chuva lá fora, ajeita o espelho, sente o ar abafado dentro do carro, é como estar numa gruta úmida… Então finalmente pega o celular. E liga. E deixa chamar uma vez. E desliga. Agora só tem de aguardar alguns segundos, só isso. Mas não são alguns segundos – é um século! Um século inteiro de dúvida e angústia, onde razão e desejo vêm se chocar em sua alma feito as gotas da chuva que batem no vidro, uma gota sussurrando sim e a outra gota gritando não, sim e não, não e sim…
Lógico que não! Súbito você se dá conta do absurdo. Claro que não. O que está fazendo? Esperando por um homem que mal conhece? Para quê? O que lhe dirá? Que largou o trabalho no meio dessa tempestade só para lhe desejar boa tarde? O que ele vai pensar? Vai pensar que é louca, claro. De repente tudo fica límpido como um dia de sol. Não, não vale a pena se arriscar tanto por algo que não tem chance de dar certo, não, alguém que você não sabe quem realmente é, não, alguém que semana que vem irá embora, alguém que…
A porta se abre, porém. E ele entra depressa, sentando no banco ao seu lado. Todo molhado, rindo, parece um menino travesso. E você dá de cara com aqueles olhos, aquele sorriso… Meu Deus, você pensa, me ajude, por favor me ajude… Mas seu deus não pode ajudar, não com essa chuva toda. Não. Ele então se aproxima, estende a mão e delicadamente toca seu rosto. Não é mais um menino travesso, é um homem, essa mão é de homem, esse cheiro é de homem, você sabe, o seu corpo sabe. Então tudo que não podia acontecer, acontece: uma gota dágua escorre… da mão dele… para dentro… de seu decote. Sim. Você a sente deslizar… pelo contorno do seio… devagar… cada pelinho acusando… a passagem da gota. Não. Enquanto a gota prossegue em seu íntimo percurso, você fecha os olhos, um arrepio na alma inteira. Sim. Você quer morrer só para não ter que decidir. Você se controla para não abrir a porta e sair correndo, uma louca gritando na tempestade. Você quase explodindo, esticada entre o sim e o não, o não e o sim… Não. Não, você não abre a porta. Nem grita. Nem poderia. Porque os lábios dele, molhados e quentes, tocam os seus e toda dúvida se desmancha em sua boca. E da vida previsível faz-se a aventura. Não mais que de repente.
Faz mais de um ano que eu tô grávido. Outro dia, no meio de uma viagem, as contrações ficaram tão fortes que achei que teria a criança na estrada. Não pari não, mas foi nesse momento que tive a idéia de dividir minha gravidez com o mundo. Nesse dia então criei o blog. E as contrações me deram um descanso, ufa.
E aquelas mulheres grávidas que andam pra lá e pra cá exibindo orgulhosas o barrigão, você já viu? Parece que estão só esperando a gente perguntar com quantos meses tá, pra elas abrirem aquele sorriso e desandar a falar: Sete meses, é pra março, é um menino, vai ser ariano, ai, eu adoro esse signo, pega aqui pra você sentir ele chutando, pega… Pois então. Acho que me tornei uma dessas. Tô grávido do meu próximo livro e decidi, com o blog, dividir a gestação com minhas leitoras. Pega aqui pra você sentir…
Minha intenção é que elas me ajudem, nesses nove meses, a selecionar os textos do livro, opinando, sugerindo, criticando. Será que algum escritor já fez isso antes? E será que deu certo? Não sei mas agora é tarde pra desistir, o blog já tá no ar e o livro nascerá a qualquer momento a partir de maio de 2008, encerrando mais uma longa e solitária gestação criativa. Geralmente só mostro o rebento depois do parto mas dessa vez é diferente: tô mostrando a cria antes dela nascer.
Imagino que você esteja se perguntando sobre o tema do livro, né? O cara já escreveu sobre reencarnação, taoísmo, Matrix, maconha, Orkut, final dos tempos, o que será dessa vez? Bem, agora é um assunto bem especial. Agora é a vez da coisa mais bonita de toda a inumerável criação. Agora é a vez da Mulher.
Nesses últimos anos a Mulher e o Feminino foram temas que apareceram bastante em meu trabalho, mostrando-se em muitas crônicas e contos. Isso certamente contribuiu para o fato de hoje serem as mulheres a maioria de meu público leitor. Elas me pedem mais textos, eu escrevo e a cada dia me sinto mais à vontade em explorar o universo feminino, dos vários ângulos possíveis: o ângulo dos homens, das próprias mulheres, da sociedade repressora do feminino… e também o meu ângulo particular, de um homem que busca se entender com sua parte feminina e que, justamente por isso, passou a respeitar, admirar, desejar e amar ainda mais a Mulher. Em outras palavras: fiquei ainda mais tarado do que já era, o que eu julgava ser impossível… Então nada mais lógico que, dessa vez, gerar meu próximo filho junto com meu público mais atencioso, né?
Isso de dividir a intimidade com pessoas que não conheço é algo muito estranho. Sim, um escritor já divide naturalmente sua intimidade quando publica. Mas no blog vou um passo além pois, além de exibir os textos do livro, comento sobre o próprio processo, as idéias que surgem, os fatos e lembranças relacionados, as minhas dúvidas… Isso mesmo, o blog é um laboratório pro livro, além de uma vitrine pras entranhas do processo criativo.
Nas outras gravidezes eu já anunciava o livro pronto, já convidava pro batizado, digo, pro lançamento, eu não buscava causar expectativa no leitor. Agora eu provoco a expectativa. Hummm… Com tanta gente acompanhando de pertinho, todos os dias, se esse bebê me nasce com três olhos e duas ventas, eu mooorro! Não, isso não vai acontecer. Será um lindo bebê, digo, um lindo livrinho, sobre o mais belo de todos os temas. O blog chama-se Kelmer Para Mulheres (kelmerparamulheres.blogspot.com), vá desculpando a obviedade, não consegui ser mais original. Mas o nome do livro ainda não sei, tomara que as leitoras me dêem alguma boa idéia.
O blog me ajudará a aprender sobre elas com elas próprias e, assim, meu novo livro terá muitas parteiras, olha só que maravilha. Se homem pode ler o blog? Claro que não, imagina, é terminantemente proibido. Bem, é verdade que alguns têm passado por lá, acho que se sentem espionando um tipo de clube das mulheres… Ah, tudo bem, não tenho ciúmes das minhas leitoras. Quem sabe assim esses caras também aprendem um pouco mais sobre o feminino e se tornam homens mais equilibrados, homens mais atenciosos e gentis com suas mulheres… Seria ótimo, heim, garotas? Só não esperem que o maridão troque a pelada do sábado pra passar a tarde fazendo compras no shopping. Aí já é entender o feminino demaaais…
Como você sabe, leitorinha querida, passei os últimos meses mergulhado na gravidez de meu novo livro Vocês Terráqueas e só agora é que retorno ao mundo. Então voltei a ver tevê e ler as notícias e… tomei um susto! Putz, parece que de repente o caminhão da Ceasa virou na curva e fomos esmagados por uma avalanche de mulheres-comida.
E parece que não vai parar tão cedo. Quando o cidadão finalmente conseguiu sair de baixo dos 120cm de abundância da Mulher Melancia, puff, enfia o pé na Mulher Jaca e depois, tôin, recebe uma peitada da Mulher Melão e, nhac, vai parar entre as sobrecoxas da Mulher Filé e aí já saímos da seção de frutas e estamos na churrascaria, onde reina a Mulher Rodízio, e se o cidadão for vegetariano, não precisa entrar em pânico pois ainda tem a Mulher Samambaia.
Aí aparece a Martha Medeiros, que é uma fofa e escreve bem, pra dizer que prefere ser a Mulher Banana, que é aquela que é uma boba e fica chocada com a degradação feminina e acha que não faz a menor diferença pros homens se a mulher tem 90cm ou 120cm de bunda… Ops. Se o homem for brasileiro, faz diferença sim, Marthinha. Quer ver, faça uma enquete: você prefere os 120 da Andressa Soares ou os 90 da Giselle Bundchen?
Ah, leitorinha, vou meter minha colher mais profundamente nessa discussão. Vulgaridade, degradação feminina, prejuízo à imagem da mulher, hummm, não sei, isso tudo é relativo. Prefiro me ater a outro aspecto da questão. Veja o biotipo dessas mulheres: são todas fornidas, gostosas, curvilíneas, suculentas. São o oposto sabe de quê? Dos féxon-uíques da vida, com sua mórbida ênfase na magreza.
Quer saber? Essa onda de Mulher Comida tem meu toootaaal apoio. Porque parece ser uma natural e legítima reação da sociedade à ditadura da magreza, argh, essa coisa estúpida que convenceu nossas mulheres a se transformarem em retilíneas e desnutridas musas de cemitério, um bando de Mulher Esqueleto, todas condenadas a violentar a natureza de seu corpo e a viver eternamente esfomeada. Ou seja, querem transformar nossas mulheres numa assombração.
Mulher Comida por si se explica: é gostosa, dá água na boca, faz a gente babar. Mulher Esqueleto dá medo, faz a gente rezar. Carne e fruta são comida e comida é vida. Osso é cardápio de enterro. Uma é alimento e apetite, a outra é triste privação. Retas são previsíveis, tão monótonas que só se encontram no infinito das passarelas. Curva não, curva é mistério, é onde a gente derrapa e se perde no meio delas. A reta é o concreto da secura. A curva é a fartura do sertão.
Cá pra nós, leitorinha: essa ditadura da magreza só pode ser algo criado por quem na verdade não ama as mulheres. E quem alimenta essa ditadura quer torná-las escravas de um ideal estético que é irreal, inalcançável, totalmente antinatural e perigosamente prejudicial à saúde física e psicológica. Por tudo isso, é receita infalível pra infelicidade.
Mas eu sei que tudo isso que falo é inútil pra grande maioria das mulheres. Porque elas são zumbis da moda e o tchan da moda atual é ser esquelética. Então, mesmo sabendo que desagradarão aos homens, elas preferem ser magrelas, super-na-moda, desde que vejam as outras mooortas de inveja.
A Mulher Esqueleto que me perdoe mas o caminhão da Ceasa é fundamental.
Rejane, uma leitorinha querida de Brasília, me recomendou um documentário recente chamado Zeitgeist, produzido nos Estazunidos. Obrigado, Rejane. Zeitgeist é um termo da língua alemã que significa o espírito de uma época, a mentalidade reinante num determinado período de tempo.
Muito interessante o filme. Trata basicamente de duas coisas: religião e dinheiro. Mostra o quanto a história é manipulada pelas elites religiosas e econômicas, que “criam” os fatos e nos fazem todos acreditarmos neles, lutarmos por eles, matarmos por eles.
Religiões copiadas umas das outras, guerras forjadas e mantidas em nome de interesses econômicos, crises financeiras proposital e estrategicamente criadas, falsos ataques terroristas, chips implantados pra controlar as pessoas feito boiada… O filme é um festival de denúncias, algumas tão incríveis que parecem sair de um fabuloso catálogo de teorias conspiracionistas.
Que religiões institucionalizadas como o cristianismo, judaísmo e islamismo são deturpações da busca natural do sagrado, feitas pra amedrontar e dominar os povos, isso não é novidade. Que os poderosos do dinheiro são incrivelmente engenhosos em matéria de deturpar a realidade e lucrar com a ignorância do povo, isso é óbvio. Mas é sempre surpreendente e revoltante quando os fatos são ligados e, pufff, transparece a absoluta falta de respeito pela verdade, pela liberdade, pela justiça, pela vida.
Eu, particularmente, não duvido de nada e desconfio de tudo que se mexa ou fique parado. Porque sei do que são capazes os loucos de poder, seja poder econômico ou religioso. Mesmo que haja qualquer exagero em uma ou outra denúncia, obras desse tipo são úteis nesse momento em que a mídia, a cultura de massa e os modismos nos mantêm bem ocupadinhos pra que não percebamos o que rola nos bastidores.
Por essas e outras é que continuo achando que a melhor coisa que podemos fazer uns pelos outros não é nos darmos emprego ou comida, nem tentarmos salvar a alma uns dos outros, tampouco dar de presente às nossas mães 5 mil minutos pra falar todo mês. A melhor contribuição que podemos dar à humanidade é individual: conhecer-se, aprender a pensar por si próprio e libertar-se, inclusive dos condicionamentos culturais e religiosos.
Veja o filme Zeitgeist. Direção: Peter Joseph. EUA/2007.
Fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor
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Há livros tão especiais que deviam fazer parte do álbum de fotos da pessoa, você não acha? Eles são decisivos, apontam caminhos, mudam o rumo da vida. Você deve ter livros assim. Difícil eleger o mais importante, né?, há sempre o risco de ser injusto. No meu caso, já passei dos quarenta, acho que minha opinião não seria suspeita. O livro da minha vida se chama O Encontro Marcado. Seu autor: Fernando Sabino.
Para falar dele preciso antes voltar à infância, eu na biblioteca do colégio Santo Inácio encantado com os livrinhos infantis, o melhor brinquedo que poderiam inventar. Mais tarde descobri aquela coleção Para Gostar de Ler, crônicas de vários autores brasileiros. Que delícia! Ainda agora sinto na alma o gosto de susto e descoberta que vinha daqueles textos, horizontes que se abrem, possibilidades desveladas. Hoje eu sei: foi naquele momento, aos dez anos, que as sereias da literatura me fisgaram para sempre e eu saltei no mar. A minha procura encontrava um sentido. Foi lendo aquelas crônicas que decidi ser escritor.
Sabino era meu predileto. Suas crônicas ilustraram toda a minha adolescência. O humor, a ternura, o modo econômico, o olhar ao mesmo tempo leve e agudo pousado sobre as pequenas questões do dia-a-dia… Seu estilo me fascinava. Eu já escrevia historinhas e os professores gostavam de minhas redações. Eu ainda não sabia mas já procurava. Porém quando tentava crônicas me batia uma terrível sensação de impotência. Lembrava de Sabino e aí pesava sobre mim sua sombra gigantesca. Não, eu jamais conseguiria escrever como ele, melhor nem tentar. Maldito! Como podia incentivar e ao mesmo tempo destruir um jovem candidato a escritor?
Meu pai me presenteava com os livros do mineiro, que eu lia com renovado fascínio. Adolescente, espinha no rosto, eu sonhava ser escritor. Mas era algo difícil de visualizar… Que caminhos percorrer, a quem pedir ajuda? Como ser cronista se as melhores crônicas já estavam escritas?
Então deu-se o encontrão. Dezoito anos, dividido entre o velho sonho literário e as dez mil coisas do mundo, peguei na biblioteca da faculdade um romance chamado O Encontro Marcado. Putz, que pedrada! Comecei a ler de manhã, não almocei, entrei pela tarde, faltei à aula. A noite veio e eu lá extasiado, sem conseguir largar o livro. Foi um clarão de luz que iluminou de vez o caminho. Eu fechei o livro, fui até a janela e olhei pro mundo lá fora. E disse baixinho, com a leveza que só as grandes revelações permitem: tenho que ser escritor.
Aquele livro em minhas mãos dizia tudo. Eu estava ali! Eu era Eduardo Marciano brincando no quintal, querendo ser atleta, descobrindo os livros. Eu era Eduardo puxando angústia, porres homéricos de poesia, promessas de amizade. Eu era aquilo tudo, otimismo, amargura, ironia, paixão, solidão. Eu, mais um marinheiro ensadecido a quem as formosas sereias das letras olharam nos olhos.
A criança já havia decidido. Mas agora o jovem confirmava. Eu não tinha saída: simplesmente não poderia ser outra coisa na vida senão escritor. Eu trombara com meu próprio destino, um esbarrão que me encheu dessa estranha liberdade de quem abraça a própria sina. Sabia que não seria fácil e que, como a maioria, eu provavelmente desistiria pelo caminho. Sabia também que deveria beber em muitos estilos para encontrar o meu próprio. E entendi que não devia temer as grandes sombras.
O tempo passou. Vão-se mais de vinte anos. Combinei com amigos encontros solenes aos quais não fomos, roubei esqueletos, fiz de muitas quedas um passo de dança, fui interrompido antes de terminar. Reli O Encontro Marcado outras vezes. Certo dia comprei um e deixei sobre o banco da praça, com dedicatória ao desconhecido que o encontrasse. Pois é, o tempo passou. E o destino se cumpriu, tornei-me escritor. Culpa daquele livro diabólico.
Há encontros que marcam para a vida inteira. O meu foi aquele. E é ao romance de Sabino que agradeço. Pelos céus e infernos que passei e passarei em nome das sereias da literatura. Por ter me ajudado a fazer do medo uma ponte. Por ter feito da minha procura um encontro.
001 – Deixo-te, à laia de comentário, um dos meus poetas favoritos – afinal, como escrever um comentário, se o melhor comentário já foi escrito? Susana X. Mota, Leiria, Portugal – jun2005
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
(Alexandre O’Neill)
002 - Kelmer, Show de bola a sua coluna, velho…tem style…mas tbm o que se espera de um cearense que pensa que é carioca…é algo como misturar buchada com bolinho de bacalhau…hahaha. Parabéns! Marcos Fonteles, Parnaíba-PI – out2006
003 – ONTEM LI:O TEMPO PASSOU.VÃO-SE MAIS DE VINTE ANOS…….GRANDE “ENCONTRÃO MARCADO”!VC É MESMO GENIAL!PORISSO SOU SUA FANZONA.BESOS AH! NÃO SE DESESPERE.SEUS FÃS LHE AJUDARÃO A PAGAR SEU ALUGUÉL, COMPRANDO SEUS BETESSELERS,RSRSRSRS.MUCHOS BESOS. Ângela Carvalho, Fortaleza-CE – out2006
004 – Infelizmente, li poucos textos de Fernando Sabino (após seus elogios, “O Encontro Marcado” está confirmado em minha lista anual de livros, hehehe). Raíza Rodrigues Pontes, Fortaleza-CE – jan2007
005 - Além de ser agradável a leitura do conteúdo, comecei, através do seu depoimento, descobrir porque você se tornou um bom contista. Fica, mais uma vez, confirmado que quem é sensível e lê bons autores, termina tendo boas influências. Por isso, corre o risco (bom) de se tornar escritor um dia para representar sua geração na Literatura. Parabéns. Avante, meu jovem! E que os gênios literários do passado nos abençoem e nos inspirem sempre para continuarmos com o encantamento da arte das palavras. Diante disso, saúdo o escritor promissor que você é. Seu amigo e leitor. Alberico Rodrigues, São Paulo – jul2009
006- Um dia, encontrei Fernando Sabino numa noite de autógrafos aqui no Recife e disse a ele que também escrevia. Aí, após autografar e me entregar o livro carinhosamente, ele me disse: “Pois bem, quero, um dia, ir numa noite de autógrafos sua”. Faz mais de 15 anos que isso aconteceu, mas ainda guardo na memória o homem simpático, bem vestido, agradável, atendendo todos com enorme gentileza e ternura. Lia sempre suas crónicas e adorava, elas me falavam de coisas maravilhosas e de um modo encantador. Esta é recordação que tenho dele. Viva Fernando Sabino! Viva o dia do escritor! Abraço pra você, Ricardo! Fátima Braga, uma escritora de fato! – Fátima Braga, Recife-PE – jul2009
As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
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Já conheço este vento. Já sei o que ele traz. Fecho os olhos, ainda ansiosa. Respiro profundamente, tentando espantar o medo… Todo ano é sempre a primeira vez.
Uma pequena serpente se aproxima, trazendo sua bênção. A Lua descansa por trás de uma nuvem. Toda a floresta está em respeitoso silêncio. Ouço apenas o murmúrio do fogo à minha frente e acompanho a dança suave das labaredas. E ao redor, mais afastadas, vejo brilharem as outras fogueiras. Não estou só.
Logo escuto o som de sua chegada, os cascos de seu cavalo pelo chão da floresta. Um arrepio me percorre o corpo sob o vestido, como um prenúncio do que virá… Estou pronta para o ritual.
Imponente, enfim ele surge entre os carvalhos, o porte altivo de cavaleiro. Aproxima-se em passo lento. Não vejo seu rosto mas sei que está compenetrado pois é um iniciado e sabe a importância do que fará.
A Lua então comparece, deitando seu manto prateado sobre a relva, e sua presença me fortalece. Ele desce do cavalo e caminha em minha direção, passo pesado de homem, espada cruzada sobre as costas.
Nesse momento o vento lhe dá as boas vindas e o fogo crepita seu nome. Ele pára diante de mim. É mais jovem do que eu esperava. E é tão belo… Ele põe-se de joelho, reverente. Toco sua fronte e através de mim a Grande Mãe abençoa o cavaleiro, permitindo que ele participe dos mistérios dessa noite. Eu vim, Filha da Deusa…, ele pronuncia as palavras do ritual. Mas percebo que está nervoso, talvez seja sua primeira vez. Então ergo meu cavaleiro e falo docemente para seus olhos: Desde o início dos tempos eu te esperei…
As labaredas crescem quando nos damos as mãos e saudamos a Deusa, agradecendo a dádiva de sermos instrumentos de sua sábia vontade. Ofereço-lhe morangos e cerejas e entoamos baixinho a cantiga que fala da Terra fecunda. Em nossos corpos se celebrará mais uma estação, o mistério da vida que se renova.
Chamo-o para perto do fogo. Ponho-me de pé à sua frente. Ele faz cair meu vestido, que desliza suave sobre meu corpo até o chão. Nua e entregue, sinto a presença divina e fecho os olhos para recebê-la. E mais uma vez o Mistério se renova: sou a própria Deusa sem deixar de ser sua serva. E sei que é assim que agora ele me vê, a mistura inexplicável, mãe e filha num só corpo.
As mãos do cavaleiro me tocam os cabelos como se pedissem licença. Depois emolduram meu rosto e assim ficam, como se me quisessem guardar no quadro da memória. Sinto sua boca em meus seios, eu árvore generosa, carregada de frutos maduros para sua fome. Sou posta no chão por seus braços fortes, eu cálice e oferenda, deitada no altar da relva macia. Vem, meu cavaleiro…
Muitos são os mistérios que habitam a alma feminina, tantos quanto as estrelas do firmamento. E poucos os homens que ousam percorrê-los. Porque instintivamente sabem que se perderão, não compreenderão. Mas meu cavaleiro já consagrou sua vida à Deusa e é ela quem lhe permite conhecê-la mais de perto, sentir seu aroma, tocar-lhe a fenda que protege a gruta da vida e da morte, afastar as cortinas do santuário e unir-se a ela em carne e espírito…
Percebo que ele vacila, extasiado, atingido em cheio pela imagem do Mistério. Então, pela autoridade a mim atribuída, puxo-o com força e meu grito acende de vez a fogueira dentro do meu corpo. O cavaleiro me abraça e me envolve e nossos suores e salivas se misturam e já não sei mais o que é ele e o que sou eu. É a alquimia sagrada que transmuta a matéria, que faz de um mais um, três.
Ele percorre meu interior como a ávida planta que fuça a terra. E eu, terra fértil, recebo sua raiz e me deixo preencher. Ele serpenteia por dentro do meu corpo como o alegre rio que dança sobre a terra. E eu, terra sedenta, recebo sua água e me deixo inundar.
Luas, muitas luas… Estrelas, milhões delas luzindo pelo meu ser… Assim encima como embaixo… Sou a noiva do casamento sagrado entre a Terra e o Céu…
Lentamente o corpo do cavaleiro se separa do meu. Ele me dá um último beijo e adormece abraçado a mim, criança bela e pura. Ao amanhecer ele irá e eu recolherei o orvalho das flores, saudando a primavera e agradecendo pela boa colheita que teremos.
O fogo ainda queima, protegendo nossos corpos do frio da madrugada. Abençoada e feliz, agradeço à Deusa a honra de servi-la. E me uno ao belo cavaleiro no descanso sagrado dos filhos da Terra.
>A mulher selvagem- Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
> A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
> Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
> Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
> As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
LIVROS
> Mulheres que correm com os lobos- Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés - Editora Rocco, 1994) > A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
> As brumas de Avalon- (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)
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CLIPE “ALMA UNA”
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COMENTÁRIOS
Desde 2006, quando este conto foi escrito, os comentários o acompanham, fazendo-lhe companhia. Obrigado a todos pelo incentivo e pelo carinho.
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001 – Ola Ricardo Lindo texto…de suave expressão mas com forte alma da realidade! Sandra A. Dehn, Cuiabá-MS – fev/2006
002 – Ricardo: Depois de ler o conto do mês ( acho que é mais que crônica este ), achar que um homem ,que escreve como vc, sobre os mais íntimos sentimentos femininos é gay é brincadeira! Bjs. Guinha Lima, Rio de Janeiro-RJ – fev/2006
003- Maravilhoso!!!!! Não sei explicar o motivo, mas fiquei arrepiada ao ler esse conto, li duas vezes e tive a mesma sensação, não se é pq foge do convencional ou pq é um mundo desconhecido… Lua Morena, Brasília-DF – fev/2006
004 – Olá Rick, Lndo!!! muito bom! parabéns. Gênea Garcia, Porto Alegre-RS – fev/2006
005- Ôi, que coisa linda! Baixou Chico Buarque foi? Muito lindo. nem parece ter sido escrito por um homem… bjs, Íris Medeiros, Campina Grande-PB – fev/2006
006 – Ricardo, parabéns! Texto perfeito. Vc captou com aguda sensibilidade o momento do Encontro Sagrado. Tou pasma! É isso mesmo! Simone Abreu, Rio de Janeiro-RJ – fev/2006
007- Essa estoria tem poder de encantamento !!! E’dessas que da vontade de filmar … Eu queria ser a personagem principal ( hum ! ) Nao sobra nada parecido com isso pra atriz aqui? Andrea Paola, Rio de Janeiro-RJ – fev/2006
008 – Esse texto tem alguma coisa a ver com As Brumas de Avalon?? parece uma cena do filme, só que com mais detalhes de uma passagem do mesmo… Bjs. Rosângela, São Paulo-SP – fev/2006
009 – beleza, tava com uma grande inspiração. muito bonita. José Everton de Castro Junior, Brasília-DF – fev/2006
010 – Vim para dizer que fiquei extremamente apaixonada pelo seu conto AS FOGUEIRAS DE BELTANE… é apaixonante.. fiquei completamente envolvida por ele… Faço faculdade de Historia e a parte dela que mais amo é a Historia Antiga e Medieval.. minhas Pós-Graduações serão nessas áreas.. E como seu conto tem cavaleiros.. Florestas.. e sem contar o fato da “Deusa”, é maravilhoso!!!!!! Caso tenha mais contos, historias ou livro nesse assunto, por favor, não exite em me mandar.. rsrs Estou ficando super fã do seu trabalho e ainda desejo um dia poder te conhecer. Karyne Goulart, Nova Iguaçu-RJ – fev/2006
011 – Olá… obrigada pela Crônica… foi p mim (rssssssss)??? bjos e é + q linda!!! Rose Gasparetto, São Paulo-SP – fev/2006
012 – Que qué isso, meu amigo… Arriégua, maxu… Nan.. Chega me deu foi um calor… rsrs. Jéssica Giambarba, Fortaleza-CE – fev/2006
013 – Fiquei extasiada pelo texto. É muito bonito e especial. Parabéns!!!! Obrigada por me premiar com textos seus. Bjinhos. Mariucha Madureira, Brasília-DF – fev/2006
014 – Esse seu conto está mesmo lindo! mt mágico, etéreo mesmo. Edilene Barroso, Campinas-SP – mar/2006
015- O texto mais lindo que li de uns tempos para cá. Não sei quanto, pode ser um mês ou 10 anos. Muito obrigado. Pedro Camargo, Rio de Janeiro-RJ – mar/2006
016- Ler sua inspiração é poder viajar e transceder para uma terceira dimensão,A sua musa inspiradora é no mínimo abençoada pa ra poder gerar tamanha criatividade.Grato sou a existência da internet que me possibilitou chegar até vc e grata te sou por me permitir compartilhar com o fruto do teu ser, através de tuas palavras escritas. Diva, Macapá-AP – mar/2006
017 – Oi Ricardo.Cara, tinha que te adicionar depois do conto que li na comunidade”AS Brumas de Avalon”.O que posso dizer?Simplesmente lindo, perfeita descrição da sexualidade como sagrada.Tudo que vc escreve é tão bom assim?rs…Sou psicóloga junguiana, e acho que podemos ter assunto para bons papos.Abraços. Daniela Bernardes, São Paulo-SP – mar/2006
018- Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho ;-) Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar/2006
019 – Olá Ricardo, tudo bem? conheci seu trabalho hoje, e me encantei com sua leveza e inteiro envolvimento com a alma feminina e os assuntos da alma, de modo geral. não sei lhe explicar o motivo, mas ao ler seu conto As Fogueiras de Beltane, me invadiu uma “inspiração” em reescrevê-la, se me permites? Como o cavaleiro, narrando esse encontro…
O FOGO DE BELENOS (trecho)
Que o fogo nos aqueça, que o fruto sagrado brote, que a força da vida cresça
Sou o Deus cornudo, meu falo aguça tua terra preparando-a para o plantio, te invado!
Deleite, puro… ó Deusa
Sinto jorrar a luz do meu ser, no chão verde em ti sou o consorte viril, fálico
Exausto, ergo-me lentamente e despeço-me de seus lábios macios e tenros.
O ciclo se fecha, para o recomeço, é a roda da vida!
Que venha a colheita!!!
Assim seja!!! Angélica Gonçalves, São Paulo-SP – mai/2006
020- Olá Ricardo, gostei muito do seu conto “AS fogueiras de Beltane!” Muito bom mesmo! Eu me interessei em ler seu conto por ter uma amiga pagã e ela muitas vezes me explica como eram os rituais. Além disso, já li algumas coisas a respeito. Bom, e foi uma surpresa saber que além do conteúdo interessante, você (o narrador) encarna o espírito feminino de uma forma única. Adorei suas figuras de linguagem, principalmente para descrever “certas” cenas. Um grande abraço! Raquel Souza, Poços de Caldas-MG – out/2006
021 – nossa que fantástico adorei….. hummmm.. sinto-me vivendo este momento…como uma dança cósmica…o conto me inspira a continuar….o intimo é difícil de explicar..somente um artista sabe expor com clareza… Elaine Simione, São Paulo-SP – mai/2007
022 – Se você ainda tem muito a aprender não sei, mas está na estrada certa. Impressionante a tua sensibilidade com relação ao sagrado feminino. Digo com certeza que consegue sentir mais até que muitas mulheres que eu conheço. Interessante pro teu livro falar sobre o resgate do sagrado feminino, da harmonia da mulher com suas fases e faces, com seus ciclos e luas. Mas, me diga, e você, quem levaria para as fogueiras de Beltane? Um abraço! Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set/2007
Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
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Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível… mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço. É ela, a mulher selvagem.
Em quase tudo ela é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo… e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É a mulher selvagem.
A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural… mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago mas também arranha.
Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua força e beleza. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa… Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.
Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita e viver é o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, um presente inesperado… Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.
Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.
Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí… Bem, aí a Natureza sabe o que faz.
>A mulher selvagem- Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
> A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
> Em busca da mulher selvagem – Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse
> Amor em liberdade – O que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
> As fogueiras de Beltane – As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar
LIVROS
> Mulheres que correm com os lobos- Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés - Editora Rocco, 1994)
> A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
> As brumas de Avalon- (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)
Su belleza es arisca, apartada de los modismos. Ella encanta por un no-sé-qué indefinible… pero también agrede la mirada. Es un tipo raro y no tiene habitat definido: vive en Catmandu, en el edificio de al lado o se trasladó ayer para Barroquinha. Y no dejó la dirección.
La mujer salvaje en casi todo es una mujer sencilla: coge el metro abarrotado de gente, aprovecha las rebajas, saca la basura y hay días en que desiste de salir porque se ve un guiñapo (se ve… hecha un trapo). Sin embargo en todo lo que hace exhala un frescor de libertad. Y también da escalofríos: tienes la impresión de que has visto a una loba al acecho. Te asustas, miras de nuevo… y quien está allí es la mujer dulce y simpática, arreglándose el pelo, casi una niña. Pero por un segundo viste la loba, la viste sí. Es ella, la mujer salvaje.
La sociedad intenta pero no puede domesticarla, ella evita las reglas. Cuando tú piensas que la capturó, se escapa como agua entre los dedos. Cuando piensas que finalmente la conoce, ella sorprende otra vez. Tiene el alma libre y solo se somete cuando quiere. Por eso escoge su pareja entre los que cultivan la libertad. ¿Y cómo los reconoce? Como toda loba, por el olor, por eso es bueno no abusar de los perfumes. Su movimiento tiene gracia, la mirada destila una sensualidad natural – pero, cuidado, no vayas pasándole la mano. Ella es un bicho, no te olvides. Le gusta el halago pero también araña.
Repara que hay siempre un mechón terco en su pelo: es el espírito salvaje que sopla en su alma la refrescante sensación de estar unida a la Tierra. Es de ahí que viene su belleza y fuerza. Y su sabiduría instintiva. Sí, ella es sabia pues está en armonía con los ritmos de la Naturaleza. Por eso se conoce a si misma, sabe de sus ciclos de crecimiento y no sabotea la propia felicidad. Como todo bicho ella respeta su cuerpo pero ni siempre resiste a las golosinas. ¿Una hippie del mato, gabriela del charco? No necesariamente, la mayoría vive en la ciudad. Y hace días coquetea aquel vestidito negro básico de la vitrina. Y le encanta bailar en noche de luna llena. Ah, entonces es una bruja… Tal vez, ella no se interese por las etiquetas. Sabe que la inmensidad del ser no cabe en las definiciones.
A las mujeres les gusta hacer misterio. Ella no, ella es el misterio. Por una razón simple: la mujer salvaje sabe que la vida es una cosa asombrosa y perfecta y vivir el más sagrado de los rituales. Ella siente las estaciones y se mueve de acuerdo con los vientos, riendo de la lluvia y llorando con los ríos que mueren. Colecciona piedritas, habla con plantas y de una hora a otra quiere quedarse sóla, no insistas. No, ella no es una esotérica deslumbrante pero vive deslumbrándose: con las heroínas de las películas, aquella librería nueva, el CD de aquel cantante… Ella se apasiona, sueña despierta y tiene insomnio por amor. Las injusticias del mundo la angustian pero ella respira profundo y renueva su fe en la humanidad. Lucha todos los días por sus sueños, adormece en medio de preguntas sin respuestas y se levanta con el susurro de las mañanas en su oído, un día más, perfecto para celebrar el inmenso misterio de estar vivo.
Ella equilibra en si cultura y naturaleza, moviéndose bella y poética entre los dos extremos de la humana condición. Ella es rara, sí, pero no es una aberración, un desvío evolutivo. Por el contrario: ella es la más arquetípica y genuina expresión de la feminidad, la eterna celebración del sagrado femenino. Ella está ahí en las calles, todos los días. La mujer salvaje todavía sobrevive en todas las mujeres pero la mayoría tiene miedo y la mantienen enjaulada. Ella es lo que todas las mujeres son, siempre lo fueron, pero la gran mayoría se olvidó.
Felizmente algunas lo recuerdan . Fueron incomprendidas, sí, pero lamieron sus heridas y encontraron el camino de vuelta a su propia naturaleza. Esta crónica es un homenaje a ella, la mujer salvaje, el tipo que fascina a los hombres que no tienen miedo de la femeneidad . Ellos se ponen un poco nerviosos, es verdad, cuando de repente se ven delante de um espécimen de estos. Por eso es que a veces suben corriendo en el primer árbol. Pero es normal. Después se bajan, se aproximan desconfiados, cambian los olores y ahí… Bueno, ahí la Naturaleza sabe lo que hace.
Desde 2004, quando esta crônica foi escrita, os comentários a acompanham, mostrando que felizmente o arquétipo do feminino selvagem continua vivo e atuante na psique das mulheres do nosso tempo, que o que ele precisa é só de um empurrãozinho… Obrigado a todos pelo incentivo e pelo carinho.
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001 – olá, R. Kelmer… Como estás? Espero que estejas bem e que sua viagem de volta ao Rio tenha sido boa. A crônica que você nos deu sobre a mulher selvagem é muito boa, adorei!!!!! Quer um conselho? coloque-a também disponível no seu site. Luciana Holanda – Campina Grande-PB - fev/2005
002 – Salve Ricardo, li teu texto, achei muito bonito… me fez lembrar de uma pessoa muito querida, minha esposa, alguem que era assim… esse frescor, essa leveza e força… Alguem que não está mais aqui… Que me mostrou a maravilha e o assombro de estar vivo… Que me mostrou como viver e como partir… Obrigado. Um abraço. Nelson, Rio de Janeiro-RJ - fev/2005
003 – Ricardo, olá! Quero lhe agradecer pelas noticias, sempre inteligentes e deliciosas. Estilo RK!As mulheres selvagens superaram tudo. Não é rpeciso dizer o quanto você capta o instinto das MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, as mulheres selvagens que resistem, apesar de toda “domesticação”. Lindo! Voc~e e Chico Buarque têm algo de comum, e especial: A grande sacação do universo feminino. Aproveite! Isso é um dom.São poucos e privilegiados os que dela desfrutam. Um beijo, saudades. Rejane Reinaldo, Fortaleza-CE – fev/2005
004 – Oi Ricardo, tudo bem? O teu texto me lembrou um livro intitulado : “Mulheres que correm com os lobos: mitos e arquétipos da mulher selvagem”. Você conhece? Vi tuas fotos. Uma graça. Beijos.Valeska Maia, Fortaleza-CE – fev/2005
005 – Oi, Ricardo. Obrigada pela gentileza de me responder e, principalmente, pela indicação do artigo (excelente) sobre as “mulheres selvagens”. Sua musa inspiradora está de parabéns – porque não creio que alguém que fale, como você, sobre a alma feminina, não tenha uma musa inspiradora. À propósito, seu site está muito bem montado e sua foto está encantadora. Espero continuar recebendo notícias sobre seus artigos e livros. Um abraço. Carinhosamente, Thaisy, Campina Grande-PB - fev/2005
006 – Acabei de ler seu artigo, eu e a tigresa dentro de mim… obrigado pela lembrança… Fabiana Vasconcelos, Boston-EUA - mar/2005
007 – A suposta face insustentável na pele que almeja / Quando de círculos traçam seus segredos / Involuntariamente aquece a cavidade mais esposta que a cor / femali / Uma breve alucinação retornando ao selvagem comportamento humano / Humanamente inormal
Uma reverência a uma artísta que transpira exatamente a dualidade do selvagem e doce (björk), minha referência musical mais pertinente. Dica movie: Se você não viu ainda, assista dançando no escuro! Nila DJ Hunter, Campina Grande-PB - mar/2005
008 – Eu adorei teu texto sobre a mulher selvagem (acho que sou uma delas ehehehehehe). A ilustração também está ótima… Besos. Beatriz Nogueira, Brasília-DF - mar/2005
009 – Oi Homem Sexy da internet, bom diiiiia! Só um apaixonado por Jung para ter a sensibilidade de nos fazer uma homenagem como essa. Em mim, cada frase lida fez vibrar e ressoar na cadeia de DNA que me compõe a certeza de que vc escreveu pensando em todas as mulheres selvagens que vc reconhece, inclusive eu. Sim,pq é necessário um homem-lobo tb de natureza selvagem para nos emocionar e fazer chorar logo na segundona de manhã… Há alguns anos que Mulheres que Correm com os Lobos é o meu livro de cabeceira e talvez tenha sido o que me salvou do relacionamento mais louco e construtivo de mim mesma que já vivi. Se vc permitir quero ler sua crônica em um evento na Escola de Saúde Pública no Dia Internacional da Mulher. Bj selvagem. Dijé, Fortaleza-CE – mar/2005
010 – É isso aí, caro Ricardino! A mulher é um bicho selvagem, e se esqueceram disso. Os homens também, mas não esqueceram… Abraço. Luis Pellegrini, São Paulo-SP - mar/2005
011 – Me senti a própria, sou bem assim….., mas nunca imaginei que isto fosse uma mulher selvagem. Como vai tudo aí? Saudades, beijos mil…………… Cristina Cabral, Fortaleza-CE - mar/2005
012 – Ricardo… Adorei sua crônica sobre as mulheres que são selvagens. He,he,he. Pra falar a verdade acho que todas as mulheres são, mas não se assumem como selvagens. Eu me idetifiquei com a crônica. Ah! Estou lendo um livro seu: Baseado Nisso, peguei emprestado com um amigo (estou gostando muito). Estou esperando receber dinheiro para comprar os outros. Acho que vou encomendá-los pela net. Beijos… Mellina, Campina Grande-PB - mar/2005
013 – amigão kelmer,só quem tem uma “loba”por perto sabe a grandeza de viver e sentir os uivos marcantes de um ser tão especial e singular.Teu texto transmite tudo que vivo e sinto ao lado dela “a loba”. Abraços, Paulinho Leme, Fortaleza-CE – mar/2005
014 – Grande Kelmer, adorei a cronica. conheço algumas dessas “bichas” e realmente sao fantasticas. Mas tu deverias por tipo assim…envie para um amigo. Grande abraçø! roque santeiro lhe aguarda… Amaro Penna, Fortaleza-CE - mar/2005
015 – Olá Kelmer. Adorei sua crônica sobre a mulher (ou sobre um tipo de mulher). Fiquei surpresa com a perspicácia de seu olhar sobre o feminino. Parabéns pelo texto. Um abração. Simone Bringhenti, Rio de Janeiro-RJ – mar/2005
016 – Sim-ples-men-te ge-nial a crônica da mulher selvagem. Meu caro, eu conheci uma e no final tive medo e subi na árvore. Às vezes tenho vontade de descer… mas com o passar do tempo a floresta se torna cada vez mais perigosa. um abraço. Wiron, Fortaleza-CE – mar/2005
017 – Adorei!! Como você é profundo e consegue descrever a alma feminina assim? Visitei o seu site e assim pude conhecê-lo um pouco melhor, fiquei maravilhada!! Como é bom poder compartilhar dos seus escritos,mais uma vez: Muito prazer em lhe conhecer!!! Beijos e obrigada pela homenagem! Renata Fiorinni, Rio de Janeiro-RJ - mar/2005
018 – Sou eu, sua ex-colega, colaboradora do programa Por Uma Cultura de Paz, da Rádio Universitária FM, que toda quinta de lua cheia fala sobre a cultura do feminino. Lembra de mim? Acabei de ler a crônica sobre a mulher selvagem e gostei tanto que resolvi te escrever só pra agradecer, pois nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, poucas vezes me senti tão integralmente homenageada como hoje. Um abraço. Milena Aguiar, Fortaleza-CE – mar/2005
019 – Rika, Não tenho palavras pra expressar o meu sentimento ao ler A Mulher Selvagem. É exatamente assim mesmo, com todas as mulheres. É isso mesmo que devemos ter güardado dentro de nós. Não podemos deixar que essa “Mulher Selvagem” fique reprimida dentro de nós sem poder se manifestar de vez em quando….Parabéns e obrigada por sua sensibilidade. Ler sua crônica foi um lindo presente no nosso dia. Valeu, Rika! Continue escrevendo….. Anabela Alcântara, Fortaleza-CE – mar/2005
020 – Olá Ricardo. Anos depois de me recomendares o livro da Clarissa Pinkola, ”mulheres que correm com os lobos”, ele foi finalmente publicado em Portugal e eu comprei. E li todas aquelas 400 páginas. Adorei cada uma delas, e eis-me agora deliciada com o teu texto: é esta a Mulher. Muito obriagada pela recomendação e pela excelente homenagem! Beijos. Susana Xavier Mota, Leiria-Portugal – mai/2005
021 – Caro Ricardo. Você me descreveu perfeitamente em sua crônica “A Mulher Selvagem”. Muito obrigada, porém, não é fácil ser assim, principalmente no que diz respeito aos relacionamentos. Às vezes cansa e dói estar sozinha, ou encontrar uma pessoa que vc acha é que a certa e ouvir que ela tem medo de você. Juro que já tentei mudar, mas não consigo. Esta é minha natureza. Um abraço, Luciana – São Paulo-SP – jul/2005
022 – Olá Ricardo! Adorei a cronica ‘Mulheres Selvagens’, acho que toda mulher é um pouco selvagem, pois, falta coragem para ser totalmente selvagem, já outras são na sua totalidade, outras ficam totalmente mansas quando se apaixonam, aí perdem o encanto. Os homens adoram mulheres assim, mas ao mesmo tempo fogem, tem medo. Felicidade e sucesso. PatriciaBittencourt – Rio de Janeiro-RJ, jul/2005
023 – Olá, Ricardo! O Jung me foi apresentado recentemente e comecei a ler “As mulheres que correm com os lobos” anteontem. Ao ler seu texto fiquei tocada, não só pela coincidência, mas por suas palavras em si. Sempre recorro à seus textos quando me vejo distante da mulher selvagem que mora em meu inconsciente coletivo, pois suas crônicas, de modo geral, despertam o espírito de liberdade inerente à ela. Obrigada! Rafaela, Fortaleza, CE – jul/2005
024 – Olá Ricardo! Gostei muito da sua crônica “A Mulher Selvagem” e posso realmente dizer que me identifiquei com ela. Sei que esta afirmação deve ser “lugar comum” por parte de muitas leitoras. E, certamente, todas têm suas razões para dizê-lo. No entanto, os meus companheiros sempre fizeram alusão a este meu lado selvagem, considerando os mais differentes aspectos que você mesmo pôs em questão. E acabo de ouvir isso de uma pessoa que conheci recentemente e com quem iniciei um relacionamento… Sendo assim, penso que deve haver coerência nesta identificação e na opinião deles. Obrigada pela atenção! Sucesso e um forte abraço! Cristina Moniz, Rio de Janeiro-RJ – jul/2005
025 – Olá Ricardo. Parabéns pelo texto da mulher selvagem. É de admirar que um homem o tenha escrito, pois não conheço nenhum com sensibilidade para enxergar além da textura da pele. Sei que existem artistas sensíveis, que reproduzem com a mesma competência, a beleza, a dor e a alegria em fotos, telas e textos… mas que em casa são machistas, egoístas, egocêntricos e pouco ou nada sabem da natureza feminina. Um abraço e obrigada por melhorar o meu dia. Marli Myllius, Curitiba-PR – jul/2005
026 – Como Vai… Ricardo… Tomo a liberdade de te escrever… Adorei teu texto no IG… A mulher Selvagem… Entrei em seu site… e li outros…. Sei que deve receber varios elogios… Mas teu jeito de escrever… achei voce muito…’VOCE… mesmo’. Rita de Cássia, São Paulo-SP – jul/2005
027 – Boa tarde, Ricardo !!! Meu nome é Lucimar. Ammeeeiiii sua crônica MULHER SELVAGEM. A impressão que tive, que você me conhecia bem no fundo há muito tempo. Você conhece bem as mulheres, heimm ? Você falou de mim. Em tudo. Parabéns. SUCE$$O !!!!!! Lucimar, Vila Velha-ES – jul/2005
028 – puxa, li sua crônica quase sem querer e reli algumas vezes. não acreditava. Era eu. Nunca ninguem me descreveu tão bem. E a história da lua, ninguem acredita qdo eu comento! Tirando a licença poética do texto minhas ”manias estão todas lá”(não tem nada de selvagem ou loba, só uma necessidade muito grande de ser sincera) Por isso me deu uma vontade louca de escrever pra te agradecer. Obrigada, acredito agora que alguém algum dia em algum lugar vai dizer que me entende. Ah, só queria dar um toque sobre algo, a maioria não desce da árvore, ao contrário corre pra casa. Parabéns e Obrigada. Lara, São Paulo-SP – jul/2005
029 – Olá, Ricardo estou lhe escrevendo para dizer que amei de paixão a sua crônica – A mulher selvagem. Em poucas palavras você conseguiu entender e preencher todo o universo feminino tão pouco entendido pelos homens. É muito bom saber que ainda existem homens sensíveis como você e acima de tudo homens com coragem de assumir sua sensibilidade. Um beijo em seu coração, com admiração. MarisaFeliciano, Belo Horizonte-MG – jul/2005
030 – Olá Kelmer! (intima) Como você pôde escrever um texto sobre mim sem ao menos me conhecer pessoalmente, fiquei pasma, brincadeira, adorei o texto e acho que não só eu, mais a maioria das mulheres sentiram a mesma coisa. Muito bom mesmo. bjs Márcia Morozoff, Brasília-DF – ago/2005
031 – Gostei demais, pois me identifiquei nessa mulher selvagem, acho que todas as mulheres tem um pouco de loba. Você é demais. Parabéns. Cacilda Luna – Fortaleza/CE – Set/2005
032 – RK você é mesmo um fofo de escrever assim tão lindo das mulheres. Mais uma vez me senti óbvia ao que você escreve. Beijo Samsara, Alto Paraíso-GO – out/2005
033 – Esse texto é maravilhoso, como vc pode entender tanto da alma feminina, hein? Fantástico! Bjs. Luana Rosler, Rio de Janeiro-RJ – nov/2005
034 – Acabei de ler “A mulher Selvagem” pela enésima vez, e pela enésima vez você me fez sentir mais perto dela. Só queria mesmo te agredecer. Brigada :) Você me fez abrir um sorriso e colocou uma corzinha nessa quarta feira meio cinza. Besitos. Rafaela Almeida, Fortaleza – nov/2005
035 – Como já disse na Paganismo, amei sua crônica… Vou virar leitora fiel… Bjo! Silene Ferreira, Cuiabá-MT – dez/2005
036 – Olá, acabei de ler teu texto A MULHER SELVAGEM. Sen-sa-cio-nal! Vc escreve muito bem, tem um texto leve, mas nem um pouquinho superficial. Trata-se realmente de um cronista de primeira. Além disso, o q vc escreveu sbr as mulheres, sinceramente me senti desnuda ali. Vc me descreveu, cara. Costumo dizer q uma mulher pode ser livre, soberana e, ao mesmo tempo, romântica e doce, pq não? Mulher bem resolvida lida com suas várias facetas com naturalidade, sem abdicar de nenhuma, apenas conhecendo os momentos apropriados para fazer uso de cada uma delas. Parabéns! Bjões.Sissi Abreu, Rio de Janeiro-RJ – dez/2005
037 – Bom dia, Encontrei por acaso sua “Crônica da Mulher Selvagem”.Achei belíssima.Sabe, sou ginecologista e trabalho o dia todo com mulheres e infelizmente, elas n sabem que possuim essa mulher dentro de cada uma delas.Vou copiar seu texto para dar pra algumas pacientes,ok?Um beijo. Maria Elisa, São Paulo-SP – abr/2006
038 – Eu continuo repassado sua Mulher Selvagem e as clientes te add.Algumas n conseguem mais resgatá-la.é pena.Adorei o Jim Morrison dos pobres.Até mais.Bjs. Maria Elisa, São Paulo-SP – abr/2006
039 – Olá Ricardo! Uma amiga muito querida, me enviou o texto “Mulher Selvagem”….Li, amei e confesso, me identifiquei bastante…. Beijos. Majô Pasquinelli, São Paulo-SP – mar/2006
040 – Olá Ricardo ;-) Amo “Mulher Selvagem”,não conseguiria descrever com palavras o significado ou que que ele representa pra mim.. o que sei que é algo encantador. Acabei de ler “As fogueiras de Beltane” li ,re-li.. perdi a conta de quantas vezes voltei a ler.. igual acontece com “Mulher Selvagem”.É mágico…lindo! Entro no conto.. e sonho ;-) Sei que é pretensão, mas me vejo nos textos…rs (todas nós nos vemos não é?) Bjs. Joana d`Arc, São Bernardo do Campo-SP – mar/2006
041 – Vc me deu uma idéia…rs pensei em fazer uma comunidade pras “mulheres selvagens” e pôr sua crônica como descrição. Posso??? Bom fds!!! Bjus Isabel Doné, Pinhal-SP – abr/2006
042 – achei maravilhoso o que vc escreveu sobre mulheres selvagens e realmente me identifiquei, me considero assim, parabéns pelo seu talento e por entender tão bem nós as mulheres selvagens beijos Josylene Karynne, São Paulo-SP – mai/2006
043 – Li sua crônica e noto que seu homem selvagem está bastante preservado,do contrário nao faria uma descricao tao fidedigna de sua parceira….. Celinha Gonçalves, Alemanha – mai/2006
044 – adorei sua cronnica ! Andrea Perez Pirrillo, São Paulo-SP – jun/2006
045 – Amo essa sua crônica, parece que foi escrita para mim, sem tirar nem pôr… Ela diz tudo, não falta nada, parabéns pela sensibilidade e maestria ao escrevê-la. Entrei na sua comunidade depois que a li… publiquei ela no meu blog “borboleta mística” sem tirar teus créditos, depois da uma olhada lá! www.borboletamistik.blogspot.com Um beijão pra você. Carolina Salcides, Porto Alegre-RS – jul/2006
046 – Olá, Ricardo! Seu texto é maravilhoso, uma leitura muito prazerosa. Parabéns pelo seu trabalho! Grande beijo. Alessandra Maria, Brasília-DF – jul/2006
047 – Ricardo: esta Mulher Selvagem…: SOU EEEEEEUUUUUUUUUUU!!!!! Hahaha…Lindo texto, competentemente elaborado e por alguém que realmente entende de mulher! Fiquei sua fã! E olha que eu sou exigente…rsrs… Luísa Artèse, Rio de Janeiro-RJ – jul/2006
048 - ola!gostei muito do seu texto. Laisa Soares, Manaus-AM – jul/2006
049 – Nôssa me identifiquei na hora muito bom!!Aliás sem comentários!!Se no mundo existissem mais pessoas com essa tua capacidade de raciocínio teríamos um mundo bem mais simples e bem melhor!!!Sou sua Fã!! Leila Lima, Curitiba-PR – set/2006
050 – Estava passando pela comunidade “Inteligência é afrodisíaco” e deparei com um tópico seu, um trecho de uma crônica sua, “A mulher selvagem” e comecei a ler a crônica completa… Então encontrei aqui na sua página outras crônicas q li e adorei!!! Por isso vim aqui deixar uma msg! Acho q pra vc, escritor, deva ser mto bom receber mensagens comprovando o reconhecimento do seu trabalho!!! Parabéns pelos belos textos!!! Beijos. Cynthia, São Paulo – out/2006
051 – ahhh se os homens tivessem capacidade pra compreender e não subir na árvore……… F@atim@,Comunidade Lobas (Orkut) – nov/2007
052 – vou ler e guardar com certeza… Lindo o texto. Maristela,Comunidade Lobas (Orkut) – nov/2007
053 – levantando as patinhas e aplaudindo… clap, clap, clap!!! Silene, Comunidade Lobas (Orkut) – nov/2007
054 – Oi!!! Vi seu site e quero receber suas newsletter com escritos ou qualquer coisa!!! Tenho uma de suas cronicas em meu perfil do Orkut www.orkut.com/Home.aspx ?xid=14625722405133466994 Aguardo suas cartas!!! Obrigada =) E meus parabéns por transpor em palavras a essência da mulher que é mulher!!! Beijo, Rafaela Pinheiro, Florianópolis-SC – dez/2006
055- nossaaaaaaa… nem acredito que te encontrei… Bom conheci cronicas sua através d uma amiga. a primeira que li foi A mulher selvagem… amei e agora to terminando de ler as que tem no site… eu amo escrever, escrevo crônicas sempre tá que são pessimas mais é uma forma de desabafo… Bom só te procurei no orkut pq acabei colocando um trecho da crônica como meu perfil.. e gostaria de saber se não tem problema… vc se importa?! parabéns pelo seu trabalho. Milani Iskandar, Goiânia-GO – dez/2006
056 – Ola Ricardo, estava eu aqui montando um post para publicar em meu blog em homenageando as mulheres pelo seu glorioso dia. Me deparei com a sua crônica “mulher selvagem” gostei muito! parabens, se tiver sua permissão gostaria de usar partes dela em meu blog! Um grande abraço. E parabéns pelo seu trabalho. Ps.: Se quiser conferir www.nadafacil.blogspot.com. Thiago Jede, Três de Maio-RS – mar/2007
057 – parabéns pelo belíssimo texto!!!! jah dizia o sábio q a pena vence a espada… e a prova disso eh a sensibilidade deste texto, e escrito por um homem!!! Nina, São Paulo-SP – mar/2006
058 – ….gostei muito… …viva as mulheres selvagens!!! Parabéns pelo ótimo texto q fala e explica tudinho sobre o jeito de nós, mulheres!!!!!Valeu mesmo!!!Amei!!! Patrícia, Hamamtsu-Japão – abr/2006
059 – Da selvagem: a seiva / da seiva: a vida / da vida:homens e mulheres selvagens em si. Suely Andrade, Brasília-DF - abr/2006
060 – Não sou eu que procuro, é a mulher selvagem que me encontra. Desde que li o texto pela primeira vez, já nem me lembro mais aonde, que ele está pregado na minha cortiça. E depois o encontrei de novo aqui no orkut, sem procurar. Valeu pela homenagem, Ricardo! Aline Mendes, Rio de Janeiro-RJ – mai/2006
061 – Acho essse texto fantástico, perfeito e representa muitas mulheres, inclusive nós =P. Paty,Orkut, Meninas Alvim – ago/2006
062 – Nossa… Até parece que ele nós observa o dia inteiro! Parabéns Ricardo, por ser um profundo conhecedor desta espécie que é tão oprimida, quanto forte… Quando se é selvagem, não a condições de ser de outro jeito! Lisbela, Recife-PE – set/2006
063 – Muito interessante este texto que vc nos presenteou sobre a mulher selvagem. Principlamente quando o ponto de vista de quem retrata é o homem natural e não o macho contemporâneo, mas´o espírito masculino que sabe enchergar e revelar a mulher selvagem que habita o arquétipo feminino de cada ser mulher. É sempre muito bom poder compartilhar desta troca, ver e ouvir o palpite de quem está do outro lado da margem, pois assim o espelho tem melhor plano de atuação, que é o de refletir e não absorver… Interessante, foi o que senti ao lê-lo e mais do que isto, na prática, hoje me ajudou a resgatar um pouco de tudo isso. Este lado intuitivo e espontãneo que habita em nós. me ajudou muito, literalmente. abs. Eliane, Orkut, Comunidade Ciclos Naturais do Feminino – out/2006
064 – Nossa… Amei este texto do início… Resgate total da essência… Jaqueline,Orkut, Comunidade Ciclos Naturais do Feminino – out/2006
065 – Parabéns! Vc conseguiu mostrar o lado selvagem de cada uma de nós mulheres, que é um lado tao importante; com tremenda sensibilidade e rico nos detalhes! Poxa, que homem!!!! Parabéns!!! Gledimar Magalhães Campos, Patos de Minas-MG – jan/2007
066 – Seu texto nos suga, ao mesmo tempo que nos revela, nos despe,nos mostra em nossa intimidade…poucos homens conseguem penetrar tão fundo na alma das mulheres…parabéns por tamanha sensibilidade. Sidiane Sobrinho, Macapá-AP – abr/2007
067 – Você estava mesmo muito inspirado quando escreveu A Mulher Selvagem. Tens talento!!! Postei a Mulher Selvagem no meu blog (http://analua.blog.terra.com.br/a_mulher_selvagem) pq quero que toda mulher que passar por lá reconheça a Mulher Selvagem dentro de si mesma.
Vou adorar receber tuas crônicas. Fabiane Ponte, Curitiba-PR – set/2007
068 – achei legal e interessante !!!! acrescentaria que a mulher é o complemento do homem e vice -versa portanto somos feitos de elementos diferentes, arquetipicamente somos terra a natureza que mantem preserva, cuida, o homem é o ativo ,a iniciativa , a força ,o grande barato é nos concientizarmos que Deus sabe das coisas, por isso passamos a vida inteira desvendando os seus sinais, pois só poderemos entender a sua mensagem quando nos desapegarmos dos conceitos, pré conceitos dos padrões limitantes e fragmentados Acredito que caminhamos bastante e estamos maduros para compreendermos que a reconciliação do femininoo e masculino a paz entre os diferentes e diversos pode ser alcançada, com amor inteligencia e sabedoria bjs. Suzel Maria, Brasília-DF – set/2007
069 – Ricardo… Vc tem tanta coisa que quando entro aqui nunca sei o que ler…. mas essa da mulher da selvagem, “la que sabe” a que habita em todas nós… parece que andou lendo “Mulheres que correm com lobos”… e claro que como um bom conhecedor de jung, deve ter intimidade com sua “anima”. Parabéns pelo seu trabalho. Bjo. Liz Tramujas, Curitiba-PR – set/2007
070 - Li ainda a pouco uma crônica sua, fiquei encantada, adorei:
A Mulher Selvagem… juro que me vi ali descrita. Parabéns pela sensibilidade na percepção da alma feminina. Gostaria de cadastrar-me em seu blog e conhecer um pouco mais do seu trabalho. Ilde Nascimento, São Luís-MA – fev2009
Esse negócio de ser correspondente da Confederação Galática tá começando a ficar muito sério…
Esta madrugada tive outro contato. E dessa vez não foi em sonho, eu tava acordadinho, trabalhando no computador. A mensagem veio de repente, feito uma enxurrada de idéias no pensamento. É tão intenso que a vontade natural é de narrar o que chega, falar pra quem estiver perto, escrever…
Digitei a mensagem do jeito que me veio. Arquivei e agora, dia seguinte, tô escrevendo esta apresentação. Não sei dizer se o estilo de quem enviou é este mesmo ou se a mensagem foi filtrada pelo meu próprio estilo. Mas me parece que esses etês têm um certo senso de humor interessante…
Será que eu tô ficando louco, quer dizer, mais louco ainda do que já sou? Bem, taí a mensagem. Tire suas próprias conclusões.
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Salve Terraqueo Kelmer ! Saudaçoes Cosmicas !
Voce foi um dos terraqueos escolhidos para o debate sobre o seu planeta , a Terra e suas terraqueas.
Os escolhidos para o debate terao o direito de participar do 7.852.004 º Encontro Cosmico no planeta ¨Q-h¨¨)vbb’><I==O’ , onde na unica cidade deste ‘Uooeuooummmm…’ seres de varios planetas, asteroides, luas e cosmonaves colonias irao debater sobre os seguinte tema ” Terraqueos sao humanos ou cosmicos?
O nosso contato na terra avaliou o seu trabalho sobre o ser humano, considerado muito bom pelos nossos organizadores e participantes deste encontro. Aguardamos seu contato para confirmar sua estimada presença . Os topicos que serao abordados sao:
1–Humanos sao Cosmicos? Com tendencias belicas o ser terraqueo pode se tornar cosmico?
2– Os terraqueos sao fedidos? Assunto polemico e misterioso para alguns ,o palestrante do planeta ‘BommmArrrrrr’ SachePinho enumera aqui os mais variados cheiros que o ser humano exala e suas consequencias. Depoimentos chocantes! ! !
3– As terraqueas. A visao Kelmerica sobre o ser Mulher (terraquea). Que bicho e esse? Palestrante Ricardo Kelmer (terraqueo) da Terra e sua visao “galatica” sobre o ser humano. Por favor confirmar presença com antecedenciao junto ao seu contato na terra.
- Tambem teremos eventos paralelos na 5º ,9º e 13º dimensoes!!!
- Traduçao simultanea em 4882 linguas.
- Lançamento do livro “Voçes Terraqueas” de Ricardo Kelmer , saiba aqui o que e´a mulher terraquea ,venda de livros Kelmericos em 3776 linguas.( brevemente em 4430 linguas!!!)
- Tour turistico gratuito nas famosas 9 luas de “Q-hvbb’><I==O’ (taxas a parte)
- Show intimista (muuuuuuinto intimista) de Spok e os Vulcanos!!!
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Sem mais
HamadadamaH ( contato na terra )
para contato trans cosmico digite: |’<+-=~~}ÕXOXO>>//§
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Este encontro tem o apoio da:
Federaçao Cosmica – Confederaçao Galatica – Grupo Mulheristico da Via Lactea
Você está atualmente noBlog do Kelmer arquivo do blog para Julho, 2008.
Ricardo Kelmer
Escritor, roteirista, compositor, produtor cultural. Coordena o projeto Letra de Bar. Está em cartaz em São Paulo com o espetáculo Viniciarte - Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes. Faz palestras, mora em SP-SP e é não-fumante crônico.
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