Protegido: A garçonete da minha vida (VIP)

Julho 8, 2009

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A garçonete da minha vida

Julho 8, 2009
As aventuras de Diametral e Ninfa Jessi
E a história assim registrará: naquela sexta de dezembro Diametral, que não era ainda Diametral, e Ninfa Jessi, que já era Ninfa Jessi, começaram oficialmente a mais bela e safada história de amor jamais contada, ele que a amava em silêncio havia um ano, ela chorando de raiva, desamparo e tesão

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NinfaJessiGarconete-01c

Ninfa Jessi e seus fetiches. Que eu adoro, por sinal. Um deles é por garçonete. Pelas garçonetes e também por ser uma garçonete. Pra ela é umas das melhores profissões que uma mulher pode ter na vida.

- Homens, mulheres e vodca toda noite, Gatão! E ainda ser paga pra isso!

Quando a conheci, pelo Orkut, Jessi tinha 19 aninhos. Idade perfeita pra uma taradinha como ela se perder no lado bom da vida. De família do interior, mal esperou fazer 18 anos: largou o namorado careta, a cidade que não entendia seu cabelo mutante e suas lentes coloridas e se picou pra capital, queria estudar cinema. Dividia um quarto com uma amiga e trampava num espaço cultural, onde via filme de graça e estava sempre conhecendo homens e mulheres interessantes – conhecendo e comendo, claro, que ela desde então já não prestava. Jessi, a pequena tarada.

Mas, como ela gosta de dizer, tinha espaço pra mais adrenalina nas veias de sua vida. Na verdade Jessi queria era ampliar o diâmetro do mundo, o mundo que ela conhecia ainda era pequeno demais pra tanto sonho e tesão que ardiam em sua alma e em seu corpo. Ela precisava de mim e não sabia. Mas antes de mim ainda haveria alguns capítulos em sua vida.

Então o Bukowski abriu vaga pra novas garçonetes. Bukowski, o bar que toda menina má sonha ter no currículo. Era um barzinho rock´n´roll que era meio inferninho, onde as garçonetes faziam uns shows performáticos bem apimentados. Cara, o público enlouquecia, choviam gorjetas. A casa pagava academia pras meninas manterem seus corpinhos em forma e elas tinham até professora de dança. Era bem organizado o negócio. E lá estava a adrenalina que minha pequena precisava.

Ela passou na entrevista, passou no teste de dança e aí ficou faltando apenas o teste final que a professora exigia. Adivinha onde era o teste final? Na cama da professora, claro, professorinha esperta.

Já perfeitamente ciente das delícias que uma xana proporciona, o tal do teste final não desmotivou minha pequena nem um pouco. E ela fez, claro. Mas a professora deve ter ficado com muita dúvida pois em vez de um só, fez um bocadão de testes finais com ela. O resultado é que as duas se apaixonaram, é mesmo difícil não se encantar pela Jessi, e assim a pequena tarada virou garçonete do Bukowski e foi morar com sua professora de dança.

- Melhor que dançar, ela me ensinou a comer direitinho uma mulher, Gatão. Isso não tem preço, tem?

Ninfa Jessi não presta.

Vem desse romance com a professora outro fetiche de Jessi, que hoje ela não dispensa com nossas namoradas: a morena adorava que ela a comesse com aqueles paus de borracha, ficava louca, gozava horrores. Jessi diz que numa dessas vezes, sua morena de quatro e ela metendo forte, por alguns instantes deixou de ser ela mesma e de repente era um homem, e quase pôde entender realmente, de corpo e alma, o que é ser homem. Foi algo meio místico, que nunca mais se repetiria com a mesma intensidade, mas que sempre volta quando ela está dentro de uma mulher, e também quando ela me vê dentro de uma mulher – nesses momentos seu olhar sempre busca o meu, como se nele pudesse reencontrar a louca sensação que ela uma noite teve. Como se através de mim e do nosso amor, trepando com nossas namoradas, ela pudesse enfim ser o homem que ela não é.

NinfaJessi-027Durante seis meses Jessi experimentou a felicidade que jamais tivera em sua vida. Tinha o emprego dos seus sonhos, ganhava bem, era querida por todos os clientes e vivia seu lindo caso de amor. Seus shows no Bukowski? Eram dos mais aguardados, principalmente quando ela atuava com Sheilinha, a Sheila Dinamite. Todas as meninas tinham nomes artísticos e vem dessa época seu nome, Ninfa Jessi, bolado pela professora. Nome perfeito, combinava demais com ela, com os modelitos de ninfeta que ela usava, os lacinhos no cabelo – e, é claro, com seu apetite sexual. Não haveria nome melhor.

Mas nesse mundo os ventos mudam, né? O primeiro grande amor da vida de Jessi durou até o dia em que um vento em forma de loirinha desempregada bateu lá no Bukowski pra fazer teste pra garçonete. Exatamente, a professora trocou Jessi por ela. Pobre Jessi, sofreu pra caramba. Deixou o apê da professora e alugou uma quitinete. Mas o pior era ter que encontrar sua paixão quase todos os dias e se morder de ciúmes sempre que chegava garçonete nova na casa.

Foi por esses dias aí que, interessadão nela e já tendo trocado uns papos pelo messenger, fui lá no Bukowski. Cara, paguei a maior grana pra entrar, e tudo que eu tinha no bolso só deu pra tomar duas cervas. E ela nem me viu. Mas valeu a pena. Foi a primeira vez que meus olhos pousaram diretamente em Ninfa jessi. E vê-la ali, com seu jeitinho cativante de moleca safada, dançando nua no balcão com outra menina, putamerda, foi inesquecível. Era a mulher perfeita, inacreditavelmente perfeita, assustadoramente perfeita. A Deusa-Ninfa dos meus sonhos que nem nos melhores sonhos eu havia sonhado. E sabe quando bate aquela certeza fulminante e inexplicável no destino? Bateu. No Bukowski, apertado no meio de outros caras e outras meninas que assistiam ao show, eu tive a calma certeza que ali estava a mulher da minha existência, a deusa que seguiria comigo pela vida. O motivo de eu acordar todos os dias com aquela dilacerante saudade do que eu nunca tinha vivido.

Faltava só ela também saber disso.

(continua)

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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NinfaJessiGarconetes-01d> A continuação do conto, contendo fotos de Ninfa Jessi e de um show no Bukowski, além do Álbum das Garçonetes, está disponível aqui (somente para Leitor Vip)

> Mais aventuras de Diametral e Ninfa Jessi

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Carma de mãe pra filha

Julho 7, 2009

familiapinguim09“Quanto menos os pais aceitem seus próprios problemas, tanto mais os filhos sofrerão pela vida não vivida de seus pais e tanto mais serão forçados a realizar tudo quanto os pais reprimiram no inconsciente.”

Foi o sábio Jung (1875-1962), sempre ligado nas sutilezas dos processos psicológicos, quem afirmou isso aí. Em outras palavras, o psiquiatra-pensador suíço quis dizer que os filhos sempre pagam caro pelos pais que não se realizam em suas vidas.

Lembrei disso ao assistir a comédia romântica Mamãe Quer que Eu Case (Because i said so, EUA 2007, direção Michael Lehmann). A história é sobre uma garota desajeitada (Mandy Moore) que sofre um bocado pela mania da mãe (Diane Keaton) de querer controlar sua vida, principalmente na questão dos relacionamentos amorosos. A mãe, no passado, havia errado em suas escolhas e tinha medo que a filha seguisse pelo mesmo caminho.

Meu lado mulherzinha até que riu com aquelas besteiras que somente o universo feminino, com suas deliciosas neuras, pode proporcionar. O tema da história é bom mas os personagens não me convenceram e o roteiro tem obviedades demais, desses que te fazem sacar o final no começo do filme. E a personagem da mãe exagera nos faniquitos, ficou caricato.

Mas pelo menos o filme me inspirou a falar de Jung, esse notável médico de almas. Essa coisa dos pais não viverem suas vidas verdadeiras e isso influenciar no comportamento dos filhos é algo muitíssimo sério – mas que infelizmente não é levado em consideração nem é discutido como deveria. O que Jung quer mesmo é nos alertar, a nós todos, pra extrema importância que a realização pessoal tem, não apenas pras nossas vidas individuais como também pra vida de todos os que estão próximos a nós.

Em sua compreensão abrangente da vida humana, Jung logo percebeu que estamos todos inapelavelmente ligados uns aos outros, que nossas mentes estão interconectadas através do inconsciente e, por isso, tudo o que fazemos reverbera nos outros, como espelhos que se refletem e a todo instante acusam, em si próprios, os movimentos dos outros espelhos. Se os pais não resolvem seus conflitos internos, estes não apenas afetarão a relação familiar como poderão influenciar negativamente a vida individual de seus filhos. Se os pais vivem falsamente suas vidas, o peso dessa mentira sufocará seus filhos, que poderão se sentir pressionados, sem perceber, a viver o que seus pais não realizaram em vez de seguir seu próprio caminho de autorrealização. Às vezes é possível desfazer essas falsas expectativas mas isso é um processo que requer alto grau de conscientização das partes envolvidas, que inclui o perdoar e também o perdoar-se – e ainda assim se terá perdido um tempo precioso que jamais será recuperado.

Vendo a coisa desse modo, torna-se óbvia a necessidade de vivermos bem nossas vidas, não apenas por interesse próprio mas porque a nossa bem-aventurança, de algum modo, também tocará nossos amigos e familiares. Foram vários os sábios da história que insistiram nessa curiosa verdade: pra mudar o mundo, mude a si mesmo. Jung, falando sobre o processo de individuação, disse o mesmo, que o futuro da humanidade depende da quantidade de pessoas que conseguirem se autorrealizar.

Entretanto, não existe autorrealização sem autoconhecimento. Como realizaremos o nosso potencial sem antes sabermos verdadeiramente quem somos, o que de fato precisamos e queremos, o que realmente nos atrapalha a caminhada? Como nos libertarmos sem saber o que nos aprisiona? É libertando-se que podemos também libertar os outros das nossas expectativas limitantes em relação a eles.

Conhecermo-nos, sem auto-enganações, e vivermos nossa melhor vida – é isso o que temos de fazer. E um dia nossos filhos e netos nos agradecerão bastante por isso.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Mais sobre Filmes neste blog

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E assim se passaram 12 meses

Julho 2, 2009

Bolo-101Sabia que em jun2009 o Blog do Kelmer completou seu primeiro aninho de vida? Obrigado, obrigado, prove do bolo que tá muito gostoso, foi Celina quem fez, sim, aquela da torta de chocolate… Senta um pouquinho, fica à vontade, eu tô contando a história deste blog.

Poisbem, como eu dizia, desde 2004 eu tinha o site ricardokelmer.net e tava satisfeito com ele. Aí comecei a viajar muito e isso dificultava as atualizações pois além de ter que levar os arquivos comigo, eu precisava que o computador tivesse um programa de ftp.

Em set2007 experimentei esse negócio de blog com o Kelmer para Mulheres (kelmerparamulheres.blogspot.com), que foi criado pra ser uma espécie de laboratório pro meu livro Vocês Terráqueas - Seduções e perdições do Feminino, onde durante 9 meses eu publicaria textos e receberia sugestões de temas pro livro. Putz, foi uma experiência bastante proveitosa, que me abriu a mente pra incrível funcionalidade dos blogs (e ainda é gratuito!) e me fez perceber a importância da interatividade pro meu trabalho de escritor, o quanto posso me aprimorar com o contato mais próximo do público.

Em jun2008 fechei o Kelmer Para Mulheres (2 mil acessos individuais por mês) pois o Vocês Terráqueas já tava pronto. Fechei também o ricardokelmer.net (10 mil acessos individuais por mês) e abri o Blog do Kelmer, pra onde poderia transferir aos poucos o conteúdo do antigo site. Escolhi o WordPress por permitir manter páginas protegidas por senha, as quais libero apenas aos leitores vips, aqueles que adquirem meus livros.

Meu trabalho se tornou bem mais dinâmico pois o Blog do Kelmer requer atualizações mais frequentes, maizomenos como uma revista eletrônica. Isso me obriga a escrever mais e com maior rapidez, é verdade, porém isso traz mais fidelidade por parte do leitor que deseja me acompanhar mais atentamente. No blog os assuntos são organizados quase que automaticamente e isso facilita a pesquisa.

Nesses primeiros 12 meses foram 24 mil acessos individuais mas nos últimos 4 meses a média mensal subiu pra 2,8 mil acessos, quase 100 por dia. A média de páginas visitadas é de 1,6 por acesso e a média de tempo no blog é de 2min30 – o que indica que boa parte dos acessantes chega ao blog, não troca de página e sai rapidinho, talvez vindo de alguma busca e não se interessando pelo que encontra aqui. Mas há sempre leitores que passeiam bastante pelo blog. Esses números, que podem ser conferidos à direita no banner do Sitemeter, ainda estão distantes dos números do antigo site mas é provável que em breve eles se aproximem pois eu evidentemente pretendo ficar mais conhecido e, além disso, a postagem semanal de textos antigos e novos atrai automaticamente cada vez mais leitores e buscadores.

Acho que fiz a coisa certa, tô satisfeito. Espero que meus leitores tenham aprovado a mudança. O bolo tava bom? Então pegue mais um pedaço que outro bolo agora só daqui a um ano.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Religião no esporte é gol contra

Junho 29, 2009

futebolbrasil2009copaconfed-02.jpgBrasil tricampeão da Copa das Confederações, Kaká o melhor jogador, Luís Fabiano o artilheiro, troféu Fair Play de equipe mais disciplinada… Festa bonita mesmo. Dunga, a Canarinho, a CBF e a torcida estão de parabéns!

Mas agora vou dar uma de estraga-prazer, é o jeito, pois tem algo que me preocupa muito mais que os gols que o Brasil faz ou deixa de fazer: tô falando do proselitismo religioso no esporte. Putz, esse negócio de jogador exibir mensagens religiosas já passou dos limites. A Fifa precisa fazer algo, assim como fez em relação às mensagens políticas, senão em breve o futebol será um grande púlpito de devotos a fazer propaganda de seus deuses e suas religiões pro mundo inteiro.

Lúcio foi o herói do jogo mas não deveria ter posado com aquela camisa onde se lia “I love Jesus”. Não foi um comportamento digno de capitão do time, afinal a cerimônia de premiação é oficialmente parte do evento e, além disso, Lúcio representa o grupo e nele há jogadores com outras crenças. Kaká também usou uma (”I belong to Jesus”) após a partida mas não a exibiu durante a premiação. E se outros jogadores fizerem o mesmo? Teremos um palanque religioso cheio de mensagens, com Deus, Alá, Jeová, Jesus, Shiva, Yemanjá e outras entidades disputando a atenção das câmeras. E os ateus, eles também não terão direito a uma camisa?

Se nada for feito, a religião invadirá os campos e quadras e o esporte virará uma cruzada entre os jogadores e seus deuses. Como um jogador evangélico se sentiria ao lado de outro que exibisse na camisa “Reencarnarei com Jesus” ou “Eu pertenço ao Demo”? Ué, se uma religião pode, todas podem. E se a minha religião for declaradamente contra a sua ou o meu deus for inimigo do seu? E as torcidas, como se comportarão? Será que esses jogadores não calculam o risco do que fazem num mundo onde as diferenças religiosas patrocinam atentados, guerras e genocídios?

Que Lúcio ame Jesus, tudo bem, ele ama quem quiser. Que Kaká pertença a Jesus, ótimo, o passe espiritual é dele. Mas o esporte nada tem a ver com as crenças pessoais dos jogadores – isso é misturar o público com o privado. É o mesmo que um deputado usar o plenário pra fazer propaganda de sua religião. Deputado tá no plenário pra legislar e jogador tá no campo pra jogar. Misturar política ou esporte com fervor religioso não dá certo. Por favor, senhores jogadores e senhoras jogadoras, respeitem o espectador que nada tem a ver com isso e divulguem sua fé em outra ocasião. O esporte, assim como o Estado, deve ser laico e não-político, pra que ele não se desvie de sua essência mais legítima, que é a confraternização entre os povos.

Sei que toco num tema delicado e não duvido que algum religioso raivoso me xingue e me acuse de ser contra a liberdade de expressão e coizital… Nada disso. Quem conhece meu trabalho sabe bem do quanto prezo e luto pela liberdade. Não tenho religião nem tenho deuses ou deusas a honrar (a Luana Piovani não conta) mas sempre lutarei pela liberdade individual de qualquer um de tê-los. Esporte, porém, não é igreja – pelo bem do esporte e pela paz no mundo, sigamos esse primeiro mandamento.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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Leia mais sobre o assunto:

> Fifa repreende comemoração religiosa do Brasil – estadao.com.br

> Seleção de futebol é do Brasil ou de Jesus? - opovo.com.br

>Fervor religioso nos gramados causa constrangimentocolunistas.ig.com.br


Iassim vamos – Parada gay

Junho 27, 2009

EleLetraCaminha-01

Eu já havia perdido a Virada Cultural de 2009 por ainda estar na turnê nordestina. Uma pena. Nem vou listar aqui os shows imperdíveis que perdi pra não chorar, xapralá, bola pra frente. Pela menos a Parada Gay eu não perderia, um bom consolo.

O tuntstuntstum no último volume dos carros de som é insuportável. As calçadas das ruas transversais alagadas de mijo também. Mas é compensador participar desse carnaval de um dia só em que se transformou a Parada Gay, eu realmente me divirto muito em ver os tipos e fazer parte dessa grande festa democrática da sexualidade.

Este ano terminamos a festa no H2Rock, um boteco da Augusta que descobri dia desses, onde sempre rolam bons shows de blues e rock no telão. Tomar uma vendo os Doors, Janis, Led Zeppelin, ô diliça… Coisas daugusta. Eu, Samia, Zé di Bedis, Magnata e Gilbas, entre cervas, domecqs e ósculos desatinados. Tudo muito bom, até o tiragosto de amendoim com alho. Coisas daugusta.

Agora falando sério. Assim como não há mais como deter os movimentos de emancipação feminina e de igualdade racial, o mesmo já acontece com o movimento gay. A sociedade já não pode fazer de conta, como até um tempo atrás, que a homossexualidade não existe. Hoje precisamos todos conviver com isso, gostando ou não. Aliás, a luta dos homossexuais não é apenas a luta de uma minoria – ela deve ser vista como um movimento natural evolutivo da própria humanidade no sentido de se aceitar como sempre foi, sexualmente diversa.

Você tem a sua sexualidade própria, eu tenho a minha, a digníssima senhora sua mãe tem a dela e, se pensarmos bem, em última análise cada pessoa deste mundo vivencia a sexualidade de uma forma única. Entre bilhões de pessoas, talvez não haja duas sexualidades exatamente iguais. Então por que haveríamos de eleger uma mais certa ou errada que a outra?

Quanto mais penso no assunto, mais me convenço de que a velha divisão da sexualidade humana em heterossexual e homossexual é algo absolutamente artificial e sem real fundamento. Tudo bem que de uns tempos pra cá o senso comum abriu uma brechinha na divisão pra incluir a bissexualidade mas, ainda assim, não dá pra explicar a sexualidade humana encaixando-a apenas nesses três compartimentos. Dois gays podem ser sexualmente mais diferentes entre si que um homo e um hetero. Sem falar que a questão na verdade começa muito antes disso: o que exatamente define, e qual a medida, que alguém é homo ou hetero ou bi?

O mundo melhor pelo qual eu e muitos outros lutamos passa necessariamente por esta aceitação: somos diversos. E dentro dessa diversidade somos uma única família e temos todos o mesmo direito fundamental, o direito que é a mãe de todas as liberdades: poder ser quem somos.RK200906-504a

Pra terminar, deixo você com a graciosa exuberância de Natasha e Thalyta, uma dupla que, como pode-se constatar, abalou a avenida Paulista. Olhe à vontade pois não tava fácil a concorrência pra fotografar com as meninas.

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Corta pra cozinha da Paulete. Ela preparando um capuccino. Só de calcinha e uma camiseta preta do Led Zeppelin. Adoro mulher com camiseta do Led. Em algum lugar toca um blues.

- Defendendo os gays assim, vão acabar achando que você agasalha o croquete.

- Claro que agasalho. No seu cruassam.

- Hummm, é assim que eu gosto de te ver, bem animadinho.

- É, tô animado mesmo. Você tá me tratando bem.

- Meu batráquio desengonçado merece. Gostou do boteco da Augusta?

- Tirando a fumaceira de cigarro, adorei.

- Fica frio, sete de agosto acaba teu martírio.

- Nunca mais tontura e olhos irritados. Nunca mais roupas e cabelo fedidos. Ufaaaa…

- Primeiro o barzinho da Cardeal. Agora um boteco na Augusta. Pra quem tava órfão de bar e agora já tem dois…

- Obrigado, Paulete. Mas quero mais. Bares legais pra botar no circuito do Letra de Bar, você me arruma?

- Tá na lista de prioridades. Junto com a namorada linda e indecente pra ver contigo os gols da rodada embaixo do edredon.

- Ver e comentar, não esquece.

- Ela ainda tem que comentar? Se você pelo menos fosse bonito, teria moral pra tanta exigência…

- Falar nisso, te contei que me cadastrei no Par Perfeito?

- Sério? Ah, vocês românticos…

- Achei que você aprovaria.

- Eu? Esquece. Pro seu caso, é melhor um bar perfeito.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Loiras ou morenas

Junho 24, 2009

ElasLoiraMorena-02Turminha da rua reunida na calçada, jogo da verdade. Eu e meus ingênuos e desajeitados doze anos. A garrafa girou, girou e parou… apontando pra mim! A pergunta veio feito um ultimato: Você gosta mais da Liliana ou da Romélia? Liliana era morena, Romélia loira, e foi a amiga delas quem fez a pergunta, tudo já combinado, claro. Engoli seco pois eu gostava das duas. Tentei ganhar tempo mas elas me encaravam e queriam a resposta já. Meus neurônios começaram a fritar: Hummm, Liliana é mais alta, Romélia tem a bunda mais gostosa, mas Liliana… Anda, menino, responde logo!

O coitado do homem começa cedo nessa cruel dúvida entre loiras e morenas. Tem quem ache a loira mais angelical, talvez porque o cabelo claro remeta inconscientemente à terna imagem dos bebês. Como o claro alude ao céu e o escuro à terra, é compreensível que anjos tendam a ser branquinhos, loirinhos, e os diabos, pelo contrário, tendam a ser morenos. Talvez por isso a morena seja vista como naturalmente mais caliente, mais sexo, mais diabólica. Mas a experiência logo me provaria que o buraco é mais embaixo…

Durante uma eternidade tentei decidir entre Liliana e Romélia. Comecei a suar frio. Sim, tudo que eu precisava era escolher uma delas pois as duas me queriam. Mas eu simplesmente não conseguia. Ele quer as duas!, alguém na roda falou e todos riram. Sim, por que não as duas? Então lá estava eu, recém-saído da puberdade, já sonhando com um menagiatruá, homem não tem jeito mesmo. Vai responder ou não vai?

A primeira paixão da minha vida foi uma loira, era a minha professora da alfabetização. Eu ficava a aula toda olhando pra ela, parecia um abestado. Tenho certeza que ela não me quis por mero preconceito de idade, loira boba, não sabe o que perdeu. A segunda paixão veio aos dez anos mas essa era morena e eu a encontrava naquelas tertúlias de 1974, na garagem da casa do meu primo, a patota dançando de rosto coladinho, B. J. Thomas cantando Rock and Roll Lullaby, tema da Simone e do Cristiano na novela Selva de Pedra. Meu pai tratou logo de me ensinar como conquistar a morena. Escutei atento suas dicas, me enchi de coragem e lá fui eu todo garboso. Parei diante dela, botei a mão pra trás, estendi a outra e falei, o próprio Lancelote ante sua Guinevere: Dá-me o prazer desta contradança, senhorita? Até hoje não entendo por que ela e as amigas morriam de rir. Mas o importante é que ela dava. O prazer da contradança.

Sentado na calçada, a garrafa ainda apontada pra mim, eu seguia em minha dúvida terrível. Era só escolher uma das duas, eu sei. Mas acontece que escolher uma significava invariavelmente perder a outra. Acho que naquele momento comecei a descobrir que a vida não era perfeita. Tem três segundos pra responder!, elas gritaram. Um, dois, três, meia e… Liliana, Liliana, gosto mais da Liliana!, respondi. Ufa.

Esse negócio de loira ou morena é complicado. Não dá pra escolher assim, todas são lindas e cada uma tem algo que nenhuma outra possui. Não é como ir à feira e escolher entre chuchu amarelo e chuchu vermelho. Eu disse vermelho? Putz, ainda tem as ruivas, gente! As ruivas… Elas parecem irreais, já reparou? Talvez porque sejam raras. Uma vez passou uma ruiva pela minha vida. Era tão etérea que eu tinha certeza que um dia ela desapareceria no ar. Pois foi o que aconteceu. Um dia acordei e ela tinha evaporado, nunca mais vi. Cuidado com a ruiva, meu amigo. Elas são fogo, sim, mas a alma é de fumaça.

Levei Liliana prum canto e, tremendo de nervoso, perguntei: Quer namorar comigo? Ela fez um charminho e respondeu: Aceito. Dez minutos depois eu voltava pra casa mais adulto, super-orgulhoso do meu novo estado civil. Meu primeiro namoro. Ah, mas foi chegar em casa e o telefone tocou. Quem era? Adivinha? Era a Romélia, ela dizia estar ao lado da amiga Liliana e que elas precisavam saber quem realmente eu queria namorar. Não entendi. Ora, eu já não estava namorando? Romélia foi enfática: Você tem que decidir agora. Putz, um repeteco do dilema, não é possível! Apelei então pro máximo de frieza e pragmatismo que um adulto de doze anos pode ter: Romélia mora mais perto, Liliana tem o cabelo maior, Romélia tem a boca carnuda… mas Liliana tem piscina em casa, putz, beijar debaixo dágua deve ser o máximo. Falei, decidido: Liliana. Se fosse o Silvio Santos, ele perguntaria: Você está certo disso? Mas Romélia apenas desligou.

Analisando o caso dia desses, ou seja, trinta anos depois, uma amiga me disse algo que eu talvez jamais pensasse: que Romélia não estava com a amiga ao lado coisa nenhuma, ela ligou sozinha mesmo, mentiu. Ou seja: a loirinha tentou virar o jogo aos quarenta e cinco do segundo tempo empurrando deslealmente a adversária. Caramba, e ela tinha apenas 11 anos… Mas as diabólicas não são as morenas?

Suspeito que deu-se aí o primeiro grande e mitológico embate do clã das loiras contra o das morenas pela minha pobre alma confusa. As morenas venceram, é verdade, mas as loiras mostraram que na guerra e no amor, o jogo só acaba quando termina. É… Nós homens ainda temos muuuito que aprender. Putz, e ainda tem as ruivas, gente, ainda tem as ruivas!

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.wordpress.com

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Este e outros textos você encontra no livro Vocês Terráqueas


Iassim vamos – Bar de Ontem

Junho 22, 2009

EleLetraCaminha-01Conheci o Bar de Ontem através de Marcello e Diego, que me convidaram pra ir ao Sarau de Ontem, que ambos estavam começando a produzir e que rolaria quinzenalmente aos domingos lá, nesse tal de Bar de Ontem.

Ops, um sarau. Eu gosto de sarau, principalmente quando não é formal e careta. Aquela coisa de literatura misturada com música, teatro, dança, todos participando, aquele clima de suruba artística, acho muito gostoso. Falando nisso, nessa última temporada em Fortaleza criei o Bordel Poesia, um sarau mensal cujos temas são paixão e erotismo. Minha amiga Paola Benevides ficou como produtora do evento, junto com a Linda Mascarenhas. Vida longa ao Bordel Poesia.

Poisbem, o Sarau de Ontem. Fui e gostei. Funciona no mezanino do Bar de Ontem, que fica ali em Pinheiros, na Cardeal Arcoverde, entre Fradique e Mourato. Quem foi comigo foi o Moacir Bedê, mais conhecido no submundo do crime desorganizado como Zé di Bedis, junto com Sofia Binoche, Gabriel Barruan e Magnata. Foi divertido, conhecemos gente bacana e eu desenterrei uns poemas do Bandeira do fundo empoeirado do meu passado recitador. E o Zé di Bedis, quando perdeu a vergonha, interpretou Listen, a obra-prima do seu cancioneiro sem-noção. Ninguém entendeu nada, é claro, mas riram bastante.

E eu, depois que me animei, puxei da mochila o Vocês Terráqueas e li Queremos mulher carnuda. Como sempre, aplausos e calorosas manifestações de apoio à Samuca (Sociedade Amparadora da Mulher Carnuda). E no fim li Loiras ou morenas, com acompanhamento musical do Marcello. Acho que gostaram pois acabei vendendo dois livros, ô maravirilha.

Lu e Gilson são os donos do bar, casal ótimo, simples e a fim de fazer do lugar um reduto artístico, com o apoio dos filhos Ciça e Edu. Que bom. Gostei deles, do ambiente descontraído da casa e dos preços que se não empolgam, também não assustam – tanto que voltei lá na semana seguinte, depois voltei no sarau, depois outra vez… Ufa, eu realmente tava carecendo de ser adotado por um bar aqui na Pauliceia. E tem mais, acabamos fechando uma parceria: o Bar de Ontem é o primeiro a integrar o circuito do Letra de Bar (letradebar.wordpress.com), meu projeto literário que estreia em agosto. E em breve farei uma noite de autógrafos lá, você já tá convidado.BARBarDeOntemLogo-01

Corta pra cozinha da Paulete. Ela fazendo um capuccino. Só de calcinha e camiseta (comprada na feirinha da Benedito Calixto). Como que ela sabe que eu adoro mulher de calcinha e camiseta? E, putz, como ela descobriu que adoro as frequentadoras da Benedito Calixto?

- Um barzinho legal e um sarau pro meu escritor ler seus textos maluquinhos. Gostou do presente?

- Você é demais.

- E, de quebra, duas novas leitoras.

- Assim eu me apaixono.

- Foi o que a cigana disse.

Visto um agasalho, hoje tá frio. Em algum lugar toca um blues. Engraçado, nunca sei de onde vem mas sempre toca um blues.

- Treze graus, Paulete, e você de calcinha. Comé que pode?

- É o teu tesão que me veste assim, ainda não sacou? Quando ele acabar, você me verá diferente.

- Meu tesão por você não vai acabar.

- Mas vai se transformar, como tudo, seu moço. Você, por exemplo, não é mais aquele que me apareceu três anos atrás, tão perdido, coitado, fugindo de um Rio de Janeiro que não te curtiu.

- Você também não me deu bola.

- Claro. Vocês artistas e escritores precisam primeiro provar que me merecem. Por que eu te trataria diferente dos tantos outros que me procuram? Só porque você é um pobre coitado ingênuo e romântico?

- Eu?

- E que nessa altura do campeonato, o mundo se acabando, ainda insiste em ver tudo pelo olho da poesia.

- Eu??

- Mas eu gosto. Sem isso você não me veria assim, de calcinha e camiseta, toda poética nesse frio.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Letra de Bar lançado em SP

Junho 19, 2009

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Com a criação em junho do blog letradebar.wordpress.com, foi lançado oficialmente em São Paulo o projeto LETRA DE BAR, que visa formar um circuito cultural permanente envolvendo bares, autores de livros e o público leitor. A ideia é simples: os autores fazem noites de autógrafos nos bares participantes, são entrevistados e vendem seus livros. Com isso o projeto pretende levar os livros ao ambiente boêmio e descontraído dos bares, promovendo seus autores e dando mais um toque cultural à noite da cidade.

A essência do Letra de Bar paulistano é a mesma do projeto que já foi implantado em Fortaleza, em março. Os autores nada pagam pra participar e os bares oferecem um jantar ao autor e à produção do evento, ganhando, em troca, um livro do autor pra compor a biblioteca da casa, além de publicidade no blog e no informativo impresso. É importante destacar que podem participar autores de livros de todos os gêneros (livros de fotografia, guias de viagem, curiosidades, receitas de cozinha etc) e não apenas de literatura propriamente dita. É uma festa do livro, por amor aos livros.

No momento tô acertando a participação dos bares e dos autores e tentando parcerias com editoras. O primeiro bar participante é o Bar de Ontem (rua Cardeal Arcoverde 1761, Pinheiros). Espero iniciar os eventos em agosto.

Se você é autor ou tem um bar e gostaria de participar, entre em contato: letradebar(arroba)gmail.com.

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Ricardo Kelmer 2009 – wordpress.com


LIVROS – A Prostituta Sagrada

Junho 17, 2009

livroaprostitutasagrada02A prostituta sagrada - A face eterna do Feminino
Nancy Qualls-Corbett (Editora Paulus, 1990)

O eterno feminino e sua relação com espiritualidade e sexualidade. Quando a deusa do amor ainda era honrada, a prostituta sagrada era virgem no sentido original do termo: pessoa íntegra que servia de mediadora para que a deusa chegasse até a humanidade. Este livro mostra como nossa vitalidade e alegria de viver dependem de restaurarmos a alma da prostituta sagrada, a fim de nos proporcionar uma nova compreensão da vida.

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RK COMENTA:

Em muitas culturas antigas a sexualidade convivia muito bem com a religiosidade, sem a ideia do pecado que mais tarde a religião cristã viria trazer, impregnando toda a cultura ocidental. Se hoje, para a maioria de nós, lugar de religião é na igreja e lugar de sexo é na cama, para essas antigas culturas as duas coisas podiam ser vivenciadas harmoniosamente no mesmo contexto pois a percepção da sexualidade era também uma percepção do Mistério e do Sagrado.

Nos rituais do hierogamos (o casamento sagrado do feminino com o masculino) que existiram em culturas não-patriarcais da Antiguidade, sacerdotes e sacerdotisas usavam o ato sexual como forma de reverenciar a Deusa do Amor e, assim, atrair sua simpatia e auxílio ao seu povo. Isso pode não fazer sentido para quem reverencia deuses masculinos e dissociados do sexo mas naqueles tempos em que a Deusa do Amor era honrada (em suas diversas formas, como Afrodite, Inana, Ihstar…), os rituais em seu louvor iniciavam a mulher num novo nível de sua vida, preparando-a para as relações amorosas e equilibrando nela o masculino e o feminino, a força e a suavidade, tornando-a una em si mesma (o sentido original do termo “virgem” é justamente este). O mesmo ocorria aos homens que se entregavam aos mistérios sagrados.

Hoje já não veneramos a Deusa do Amor como os antigos faziam. Mas amamos. Porém, amaríamos de um modo mais sadio e nossa relação com a própria sexualidade seria melhor se nisso tudo tivéssemos a noção do Sagrado – que infelizmente perdemos nos descaminhos da civilização. elaprostitutasagrada01

Não, não precisamos voltar a cultuar as antigas deusas e reeditar os rituais das prostitutas sagradas, até porque hoje sabemos que as deidades são representações personalizadas de aspectos do nosso próprio psiquismo. Mas podemos vivenciar os Mistérios a partir de nosso crescimento psíquico e servir ao Sagrado através de nossas vidas e nossas relações amorosas. Cada homem e cada mulher pode ser o sacerdote e a sacerdotisa do Amor em sua própria vida.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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> Mais dicas de livros

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Inculta e bela, dengosa e cruel

Junho 16, 2009

Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar

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ElaCidade21aO plano era ficar na cidade um ou dois anos, descansar, rever amigos e família, escrever o novo livro sossegado. Depois pegar a estrada novamente. Mas Fortaleza tem pernas lindas, não sei se você já percebeu, e mais uma vez a danada me enfeitiçou, me envolveu. Isso dá um samba apaixonado, né? Tanto dá que acabei ficando. Sete anos de um romance daqueles: quanto mais briga, mais prazer no enredo da paixão.

Fortaleza tem um corpinho generoso, taberna sem hora para fechar. Muito nos divertimos, eu e ela por aí, miando nos telhados. Depois da festa eu me esquecia em seu colo e adormecia sorrindo. Mas sempre despertava assustado no meio da noite, o horizonte sussurrando meu nome… Eu sou da estrada, ela sempre soube, a poeira do meu casaco ela nunca conseguiu tirar. É no horizonte ali na frente que os meus sonhos reluzem, eu nunca escondi. Então arrumei de novo a mochila, me despedi com muitos beijos, seu hálito de vodca me soprando toda a sorte do mundo, eu barquinho de papel rio abaixo, louco para ir, doido para ficar.

Ah, o desafio de ser escritor num país de não-leitores… Um desatino, claro, coisa de quem não tem juízo. Mas fazer o quê se me excita isso de estar no mundo por um fio, se me seduzem as curvas incertas do mundo? Imperdoável é morrer sem tentar.

Já se passaram alguns meses. Queria saber como ela está. Quem sabe falando de mim, Fortaleza resolva ligar. Então esta singela cartinha escrevi. Alguém, quem sabe você, a encontrará por aí e dirá: ele escreveu, está bem, ancorou em Botafogo, é o abraço do Cristo que o acorda de manhã. Mora sozinho, faz sua comida, escuta o disco da Kátia, saudade de todos. Trabalha com roteiro de cinema e TV, finaliza o livro novo. E gosta de pegar a última sessão do Espaço Unibanco, é pertinho, vai a pé, achando graça dos bêbados nos botequins.

Diga para ela que tenho saudade, claro que sim. Dos amigos para toda obra, dos bares tão familiares, a noite dengosa. As coisas engraçadas que ela diz, a comidinha que só ela faz. Eu olho as modernidades daqui e lembro de seu jeito brejeiro, o falso verniz cosmopolita, o sotaque que ela tenta esconder nos letreiros em inglês. Fortaleza é uma menina deslumbrada, lindamente incoerente: de segunda a sábado importa modernices e no domingo veste a roupa melhor que tem.

Mas toda linda menina é sádica. Ela brinca de morder e soprar com seus artistas. Eu lembro deles e chego a achar poético o eterno sufoco, a patética dificuldade de voar. Quase acho belo a pouca sorte, o ar cultural rarefeito, a arte com falta de ar… Mas então lembro de mim mesmo, suando na aridez dos dias claros, tão sádicos de sol, tanto sol na vista e nada em vista, nada que invista. Não, não é poético. Não é belo engravidar de uma ideia, parir com esmero, embalar o sonho, criar projetos e ver a prole chorar na barra do vestido, a vida passando e a arte com fome, a vida com fome de arte, vida e arte sem ter o que comer.

Ela não gosta que eu fale assim. Mas é a verdade, seu amor verdadeiro é para forasteiro. Ela se magoa, faz contas, lista desculpas. Eu digo que é desculpa de quem não quer, de novo a velha discussão. Ela desconversa, me chama para sair, se esbaldar nos forró-tais da vida. Obrigado, meu amor, mas esta noite preciso ficar só, tenho uma decisão a tomar. Ela pressente e diz que sou igual a todos que se foram, por isso é que a esses ingratos não lhe interessa agradar. E sai, batendo a porta. Para dias depois voltar, as pernas no vestidinho preto, ai, ai, tirando agradinhos da sacola: uma livraria nova, um espetáculo diferente, festival na serra, bienal. E eu, que só quero um pretexto para ficar, sorrio deliciado e outra vez esqueço de ir…

Ela já sabe mas, só para finalizar, diga que não guardo mágoas, sei que tudo é difícil. Mas lamento. É pena que no dia seguinte seus amantes tenham de ir, levando sua arte, empobrecendo a paisagem. Se ela não os sufocasse tanto, quem sabe ficariam, tudo seria diferente… Mas deixa, não precisa falar. Amar é aceitar, não é assim que se diz? Então tá. Aceito Fortaleza como é, inculta e bela, dengosa e cruel. E ela aceita minha fome de horizontes. E prometemos nos respeitar, na alegria e na tristeza. E assim vamos levando nosso amor, brindando às noites maravilhosas que vivemos e ao belo futuro que jamais nos pudemos dar. Tim-tim!

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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.wordpress.com

Este e outros textos você encontra no livro Blues da Vida Crônica


Viniciarte – a nova palestra

Junho 14, 2009

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VINICIARTE – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes

Esta é a minha nova palestra. Ela tem um formato diferente das outras que faço, a começar pela participação de um músico (Moacir Bedê no violão) e de uma cantora (Vanessa Moreno), que interpretam algumas músicas de Vinicius. Ou seja, é uma palestra-show, de 1h20 de duração, que pode ser apresentada em empresas, colégios, espaços culturais e também para grupos particulares.

Um passeio poético-musical pela vida e pela obra de Vinícius de Moraes, um dos maiores nomes da poesia e da música brasileiras. Acompanhado do músico Moacir Bedê e da cantora Vanessa Moreno, RK nos leva ao maravilhoso mundo de Vinicius, onde a vida sempre merece ser louvada, seja nos versos de um poema, nos acordes de um violão ou no corpo de uma mulher. Nesse descontraído passeio conheceremos a trajetória de Vinicius, sua intensa relação com a poesia e a música, o homem romântico, lúdico e sensual e também seu engajamento social. E tudo isso embalado pelo ritmo envolvente de seus poemas e pelas melodias de suas eternas canções. IMAGENS DE APOIO: vídeos e clipes com poemas e músicas.

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> Para contratar
Celia Terpins, 11-9129.1530 – celiaterpins(arroba)ig.com.br

> Saiba mais sobre as palestras

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


Iassim vamos – Paulete, ai, Paulete

Junho 10, 2009

EleLetraCaminha-01Um mês. Um mês que voltei a São Paulo após a temporada nordestina de 9 meses. Os primeiros dias não foram fáceis, eu era o Homem Sem: sem quarto pra dormir, sem computador, sem internet e sem poder ligar no celular pois deu um problema com minha conta da Claro. Um mês sem poder trabalhar normalmente, me virando em lan houses e me irritando com os orelhões quebrados.

Agora as coisas estão se ajeitando. Comprei um noutibuk Acer e instalei um 3G da Oi, resolvi o problema do celular e tô no quarto que aluguei no bairro do Sumaré, a 10 minutos de caminhada do metrô. Morando aqui, finalmente tô pertinho das livrarias, cinemas, teatros e bares, como eu queria estar.

Putz, em três anos de São Paulo, somente agora começo a me sentir fazendo parte da cidade. Tomara que ela também queira fazer parte de mim. Será que quer?

Corta pra cozinha de um pequeno apartamento. Pela área de serviço ouve-se o som do trânsito lá fora. Paulete prepara um capuccino – só de calcinha. RK, sentado à mesa, em sua tradicional estampa matinal (despenteado e horrendo), aguarda a resposta, será que quer? Em algum lugar toca um blues.

- Claro que quero, seu bobo. Quero fazer parte de você e de todo escritor maluco que vem pra mim.

- E nessa cabecinha liberal aí não rola nem um ciuminho de Fortaleza?

- Não como ela tem de mim.

- Você realmente não se incomoda de me dividir com outras?

- Eu não. Você sempre volta pras minhas esquinas.

- Convencida.

- Na verdade tô é curiosa pra saber o que a loirinha desmiolada de sol tanto vê em você.

- Deve ser o meu jeitinho de dizer eu te amo…

- Que lindo!

- … enquanto tô dentro do rabo dela.

- Seu pornográfico. Também quero.

- Se der tempo…

- Como assim?

- A grana que tenho só dá pra três meses.

- Faz três anos que tua grana só dá pra três meses.

- É verdade…

- Vou te contar um segredo. Ontem eu fui na cigana. E ela me disse que você vai se apaixonar por mim.

- Sério? E o que você fará pra isso acontecer?ElaCidade-01a

- Vou te dar a vida que você pediu: literatura, música, cinema, teatro, bares aconchegantes…

- Demorou, né?

- Vou te arrumar uma boa editora e muita palestra pra você fazer.

- Jura?

- E uma namorada linda e indecente, que vai adorar ver os gols da rodada contigo embaixo do edredom.

- Ai, Paulete, assim eu me apaixono…

- Com açúcar ou adoçante?

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Ricardo kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


A mulher livre e eu

Junho 7, 2009

A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é

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CasalTrem-01aÉ ela quem eu quero, a dona dessa boca. A boca docemente familiar que amanhece de mansinho na minha quando desperto de mais uma madrugada de sonho e suor. Porém, bem mais que a boca, é o beijo da liberdade dessa mulher que me refresca a vida.

É ela quem eu desejo, a dona desse corpo. O corpo que me sugere as mais poéticas indecências e me convida a desvendar os segredos que eu já sei de cor e quando estou lá, puff, de repente já não sei mais e então me perco por seus montes e planícies e cavernas e ao fim de tudo me contorço e urro e explodo no mais puro prazer de me perder. Porém, bem mais que no corpo, é na liberdade dessa mulher que a vida se desnuda pra mim.

É da presença dela que eu preciso, ela que me traz a certeza que não seguirei só. É de sua voz que carecem meus ouvidos, a voz que me embala a alma de blues e me faz convidá-la: vamos dançar, meu amor? É o meu olhar no seu que vejo quando nada mais vejo no breu das incertezas. Mas, sobretudo, é a liberdade dessa mulher que me clareia o caminho.

Ela é livre porque, apesar de ter nascido imersa numa cultura, cedo entendeu que não deveria limitar-se às suas regras e assim modelou seu ser com o que de melhor ela mesma encontrou pelo mundo. Evidente que esse não limitar-se às convenções fará dela uma eterna transgressora a incomodar os que só admitem o mundo pelas lentes de sua cultura e religião. Mas esse é o preço da alma liberta, ela sabe. E eu faço questão de pagar junto dela.

Houve um tempo que ela entendia seu corpo como algo contra o qual deve lutar todos os dias – até que percebeu que sua verdadeira beleza não vem de cosméticos mas de sua alma harmonizada com os ritmos naturais da vida. Hoje ela não precisa gastar para ficar chique e bonita pois a elegância da simplicidade há muito a fez sua modelo exclusiva. Sim, a mulher livre possui vaidades mas ela não é boba, sabe que os criadores de moda não almejam a sua felicidade mas a sua escravidão. E quanto a vestir-se pra fazer inveja a outras mulheres, bem, ela não precisa disso pois sabe que mais tarde quem rasgará sua roupa sou eu.

Os mistérios de si, ela vai buscá-los pois sabe que jamais seremos livres sem nos livrarmos do que por dentro nos paralisa e nos faz sabotar a própria vida. Ser livre é ampliar a cada dia a real noção de si, isso ela há muito compreendeu, e é por esse motivo que os que se libertam não se enganam mais como antes e, por serem verdadeiros, mais verdadeiras são suas relações.

E por bem saber o que ela é e o que não é, essa mulher nada tem a provar a ninguém. Se interpretam erroneamente seu jeito espontâneo, ela ri ainda mais do que pensam dela. Se seus desejos transcendem os velhos modelos sexuais, ela festeja e os divide generosa com eles ou elas, e em nome de seu sagrado prazer ela é a cadela devassa, a santa dadivosa da luxúria, a puta mais linda e desvairada que há.

A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é. Por não estar apegada a poder e dinheiro, ela é a mais rica e poderosa de todas. E é justamente por saber que a velhice é o segredo final da sabedoria que a vida todo dia vem banhá-la de alegria e vesti-la com esse jeitinho de menina encantador.CasalDanca-04a

É esta a mulher que dança pela vida comigo, duas individualidades que se harmonizam mas não se anulam em estúpidas noções de controle e compromisso: amamos o outro e não a posse do outro. Estamos juntos porque finalmente encontramos a liberdade que admira, acolhe e incentiva a nossa própria e até nos permite dividir com o mundo o nosso amor. E por não sofrer temendo perder quem na verdade nunca possuímos, mais vivemos e gozamos o melhor amor que temos pra nos dar.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com

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Mais sobre liberdade e o feminino selvagem:

> A mulher selvagem - Ela anda enjaulada, é verdade. Mas continua viva na alma das mulheres
> A mulher livre e eu – A liberdade dessa mulher reluz no seu jeito de ser o que é – e ela é o que todas as outras dizem ou buscam ser, mas só dizem e buscam, enquanto ela tranquilamente… é
> Amor em liberdadeO que você ama no outro? A pessoa em si? Ou o fato dela ser sua propriedade? E como pode saber que ela é só sua?
> As fogueiras de Beltane
As fogueiras estão acesas, a filha da Deusa está pronta. O casamento sagrado vai começar

LIVROS

> Mulheres que correm com os lobos - Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem (Clarissa Pinkola Estés -  Editora Rocco, 1994)
> A prostituta sagrada – A face eterna do feminino (Nancy Qualls-Corbert – Editora Paulus, 1990)
> As brumas de Avalon
- (Marion Zimmer Bradley – Editora Imago, 1979)



CLIPE MUSICAL – Alma una

Junho 1, 2009

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Fiz esta música em 2006 com Flávia Cavaca. Quem canta é Lila Shakti. Os instrumentos e a programação ficaram a cargo do Rodrigo Larese, um fera. Tem gente usando a música em rituais xamânicos. Ótimo! É pra isso mesmo.

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ALMA UNA
(Ricardo Kelmer e Flávia Cavaca)

Celebrar o milagre de ser
O assombro de viver
Na doce magia da noite
Minha alma é noiva desse ritual

O fogo me aquece num abraço amigo
As fagulhas são reflexos do infinito
Eu danço o mistério da Lua
Linda, nua e natural

Eu faço amor com a Terra
Sou a amante eterna
Do fogo, da água e do ar

Sou irmã de tudo que vive
Ninfa que brinca com a vida
Alma una com tudo que há

Salamandras brincam na fogueira…
Guerreiras aladas trazem oferendas…
Se aproximam os animais de poder…
Planta-mestra, eu quero aprender…
Guardiães, abençoem meu caminho…
Tambores do xamã, toquem pra mim…
Grande Mãe, estou aqui…

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Ricardo Kelmer 2006 – blogdokelmer.wordpress.com


TEATRO – Aldeotas

Maio 26, 2009

teatroaldeotas1

Aldeotas

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VALOR PROMOCIONAL PARA GRUPOS
Sábado: R$ 30 – Domingo: R$25

Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com
Venda seu espetáculo com Celia Terpins: 11-9129.1530

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Os atores Gero Camilo e Caco Ciocler interpretam a trajetória de Levi e Elias, dois amigos de infância, que se reencontram em fragmentos de memória na pequena cidade de Coti das Fuças.

Por sua força poética e memorialista, “Aldeotas” é um texto teatral que arranca o leitor contemporâneo do espaço e do tempo hostis da modernidade e o transporta à recordação daquelas experiências de vida mais sublimes que estão apenas adormecidas dentro de nós.

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Gero Camilo – Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, o ator e poeta- dramaturgo escreveu espetáculos como “A Procissão” e “Café com Torradas”, além de ter atuado em outras montagens como “Tartufo, ou o Impostor”, de Molière; “Aquele que diz sim, aquele que diz não”, de Bertold Brecht, entre outros. No cinema, atuou em produções recentes como “Carandiru”, “Cidade de Deus”, “Madame Satã”, “Abril Despedaçado”, “Cronicamente Inviável”, “Domésticas”, “Bicho de Sete Cabeças” (que lhe rendeu o prêmio de melhor ator coadjuvante no 33º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e no Festival de Cinema de Recife, ambos em 2001) e “Narradores de Javé”.  Em televisão, participou dos episódios “As aventuras de Chico Norato contra o boto vingativo” e “Hoje É Dia de Maria”, direção de Luis Fernando Carvalho na TV Globo.

Caco Ciocler- Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, o ator integrou o elenco dos espetáculos “Os 7 Afluentes do Rio Ota”, “Senhor das Flores”, “Rei Lear” (Prêmio Qualidade Brasil de melhor ator, em 2000), “Salomé”, “Mary Stuart” e “Píramo e Tisbe” (Prêmio Mambembe de ator coadjuvante). Na TV Globo, trabalhou em “Páginas da Vida”, “JK”, “América”, “O Quinto dos Infernos, “A Muralha” e “O Rei do Gado”. No cinema, atuou em “Olga”, “Sexo, Amor e Traição”, “Lara”, “Bicho de 7 Cabeças”, “A Paixão de Jacobina”, “O Xangô de Baker Street” e “Quase Dois Irmãos”.

Cristiane Paoli Quito – Trabalhando como atriz e produtora de montagens desde 1977, a partir de 1985 iniciou sua atuação como diretora. Desde de 1991 ministra treinamentos de “Clown”, “O Jogo Teatral”, “Máscara Neutra/Commedia dell’Arte” em que criou seu próprio método de preparação do ator aplicando sempre a improvisação. Em 1996, associou-se a Tica Lemos para pesquisar a improvisação cênica relacionando dois gêneros das artes cênicas: dança e teatro. Desta parceria, nasceu a Cia. Nova Dança 4. Em 1998 encenou “Miragens”, “SincrônicaCidade”; em 1999 “Águas de Março sobre Lina Bo Bardi”, “Poetas ao Pé d’Ouvido” e “Acordei pensando em bombas…”. No período de novembro de 2000 a março de 2001 realizou, no Centro Cultural São Paulo, a Mostra “Perspectiva Cristiane Paoli Quito – Um Olhar em Movimento”, em que remontou oito  trabalhos consagrados ao longo dos últimos 10 anos de sua carreira como diretora. Atualmente, é professora do Curso de Teatro da Escola de Artes Dramáticas/USP e do Estúdio Nova Dança.

FICHA TÉCNICA:

Autor: Gero Camilo
Direção: Cristiane Paoli-Quito
Elenco: Gero Camilo e Caco Ciocler
Espaço Cênico: Marisa Bentivegna
Luz: Marisa Bentivegna
Projeto Gráfico: Sato
Fotos: Edu Marin
Direção de Produção: Helena Weyne e Luiza Brasca
Produção: Macaúba Produções Artísticas
Realização: Macaúba Produções Artísticas

SERVIÇO:
Onde: TUCA – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Temporada: 02mai a 30ago de 2009
Horários: Sab 21h e dom 19h30
Recomendação: 12 anos
Duração: 1h40m.
Ingresso: Sábado – R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Domingo – R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)


VALOR PROMOCIONAL PARA GRUPOS
Sábado: R$ 30 – Domingo: R$25

Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com
Venda seu espetáculo com Celia Terpins: 11-9129.1530


TEATRO – Cyrano

Maio 21, 2009

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Cyrano

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VALOR PROMOCIONAL PARA GRUPOS: R$ 25

Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com
Venda seu espetáculo com Celia Terpins: 11-9129.1530


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Karen Acioly monta “Cyrano”, versão infantil divertida, inteligente e emocionante do clássico “Cyrano de Bergerac”, de Edmond Rostand,
com consultoria artística de Bibi Ferreira.

Com adaptação de Denise Crispun, a peça traz no elenco atores conhecidos do público: Mel Lisboa, Dudu Pelizzari, Tadeu Mello e Maurício Machado.

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Sinopse

Tudo começa quando uma pequena companhia de teatro dos dias de hoje decide encenar “Cyrano de Bergerac” com apenas quatro atores no elenco. A missão é difícil, uma vez que a trupe é pequena. Procurando contornar suas limitações, os atores lançam mão de um ator “coringa” (Tadeu Mello), que divertidamente dá vida a mais de 10 personagens e de muitos “truques” e “efeitos” teatrais.

A “peça dentro da peça”, que se passa em meados do século XVII, conta a história de Cyrano de Bergerac (Mauricio Machado), um poeta romântico que ama desde a infância a sua prima Roxanne (Mel Lisboa), mas nunca teve a coragem de lhe declarar essa paixão, por julgar-se desfigurado, devido ao seu longo nariz, e não merecedor do amor de uma mulher.

O jovem Cristiano (Dudu Pelizzari) também a ama, mas, despreparado e tímido, não sabe se expressar com brilhantismo, ao contrário de Cyrano, que tem o dom da palavra. Este, sem esperanças de conquistar a prima, resolve ajudar Cristiano a conquistá-la.

Cyrano escreve cartas a Roxanne em nome de Cristiano, ensina poesia ao rapaz e até fala por ele, às escondidas. As manobras acabam despertando a paixão de Roxanne por Cristiano, a quem julga ser o autor de todos os cortejos. Até que, com o passar do tempo, o segredo é revelado...

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Onde: TUCA – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Temporada: 18abr a 28jun de 2009
Horários: Sab e dom 16h
Recomendação: Livre (indicada p/ crianças a partir de 5 anos)
Duração: 55 min.
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia p/ estudantes, idosos e aposentados).

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VALOR PROMOCIONAL PARA GRUPOS: R$ 25

Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com
Venda seu espetáculo com Celia Terpins: 11-9129.1530

Meu futuro de popistar cristão

Maio 20, 2009

religiaopadrefabiodemelo01aVendo esses cantores e essas bandas cristãs lotando shows e vendendo zilhões sagrados de discos, lembrei que por um desses carrapichos do destino eu também quase enveredei por essa rota. É sério, juro por todos os deuses.

Foi na adolescência, em Fortaleza, quando eu participava de grupos de jovens católicos. Sim, eu fiz isso. Meu interesse pela religião e meu fervor místico eram genuínos e durante aquela época tentei conciliá-los com minhas vocações artísticas e profissionais. Após as reuniões do grupo, por exemplo, fazíamos rodas de violão e eu encenava esquetes de humor pros colegas. Já era metido a engraçadinho naquela época.

Depois tive a ideia de montar um jornalzinho do grupo e pedi ao pároco, o saudoso monsenhor Amarílio, que financiasse. Ele topou mas não gostou muito do nome que eu escolhera pro jornal: Sovaco de Cobra. Pra você ver como sempre fui sem-noção. Porém, monsenhor Amarílio sugeriu, com muito jeito, que eu deveria escolher outro nome. Mudei a contragosto pra um nominho mais careta: O Mensageiro. O jornal chegou a ter quinhentos exemplares, impressos em mimeógrafo, e era uma ótima maneira de divulgar as atividades do grupo e atrair outros jovens.

Mais tarde, empolgado com as músicas cristãs que cantávamos nas missas e reuniões, tive a ideia de montar uma banda, junto com meu chapa do grupo, o Jaqueta, e vibrava só de imaginar a banda se apresentando na missa e nos encontros, o público acompanhando… E as tietes, claro. Sim, mesmo sendo cristão eu nunca deixei de ser um tarado véi seboso.

Paralelamente aos meus interesses pessoais, eu realmente via a música como um excelente canal de aproximação entre a paróquia e a comunidade, principalmente os mais jovens. Dessa vez, porém, o pároco  não gostou da ideia e vetou, aquilo já era muita modernice demais. E assim, em 1983, minha sagrada carreira de popistar cristão se acabou antes mesmo de começar. Sninf.

O que teria acontecido caso o monsenhor aprovasse a ideia? Talvez hoje eu ainda fosse cristão. Talvez, em vez de escritor de sacanagem, eu hoje fosse um cantor de Deus, já pensou? Kelmer de Arimateia, quital? Evidente que eu não seria um cantor caretinha, aí também já seria querer demais. Kelmer de Arimateia faria um estilo mais assim tipo maluco do Senhor, paz e amor, podiscrer. E meus shows seriam superanimados, sempre acompanhados de meu time de ruivinhas cristãs de minissaia, as Paquitas de Arimateia. E o vinho seria liberado pra todo mundo, é claro. E tocaríamos no meio do mato, sob a lua cheia, as Paquitas de Arimateia saltitando descalças ao redor da fogueira e distribuindo uvas de boca em boca e…

Humm… Pensando melhor, monsenhor Amarílio, o senhor fez bem em vetar.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com


TEATRO – O Fingidor

Maio 20, 2009

teatroofingidor1


O Fingidor

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PROMOÇÃO: R$ 20 para grupos

Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com
Venda seu espetáculo com Celia Terpins: 11-9129.1530

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Temporada comemorativa dos seus 10 anos em cartaz
(Prêmio Shell/99 de melhor autor)

No enredo, Fernando Pessoa, vivendo seus últimos dias, disfarçado como o datilógrafo Madeira, pretende conhecer José Américo, o crítico literário que, como incentivador do poeta, prepara uma conferência sobre sua obra. A partir daí, uma história de muitas surpresas; as situações se desenrolam com personagens reais e fictícios, tais como a governanta Amália, de quem Pessoa sente-se enamorado, a irmã do poeta, o editor de uma revista literária, um jovem estudante de literatura e os principais heterônimos de Pessoa, resultando numa parábola sobre papel do artista na sociedade contemporânea.

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SITE DO TUCA

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Ficha técnica:

Texto e direção: Samir Yazbek
Elenco: Álvaro Augusto Motta, Antônio Duran, Duda Mattos, Eduardo Semerjian, Helio Cicero, Laerte Mello, Regina Remencius, Rubia Reame e Wagner Mollina.
Dramaturgista: Maucir Campanholi
Direção original de movimento: Dani Hu
Cenário: Marisa Rebolo
Figurino: Elena Toscano
Concepção de luz: Celso Marques
Operação de luz: Henrique Zanoni
Sonoplastia: Raul Teixeira
Operação de som: João Blumenschein
Direção de Palco: Bernardo Perri Galegale
Design gráfico: Agência ATCK / Diego Spino
Fotografia: Arnaldo Torres
Produção executiva: Mecenato Moderno / Silvia Marcondes Machado
Logística de produção: Geondes Antônio
Assistente de produção: Larissa Orlow
Administração: Silvia Marcondes Machado
Realização: Companhia Teatral Arnesto nos Convidou
Apoio: Teatro TUCA

Onde: TUCA – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – SP-SP
Temporada: abr a 28jun de 2009
Horários: Sex e sab 21h30; dom 19h
Recomendação: 14 anos
Duração: 1h40m
Ingresso: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia)
PUC-SP: R$ 10 (estudantes, professores e funcionários)
Televendas de Ingressos: (11) 2198-7726. Aceita todos os cartões de crédito.
Estacionamento conveniado: Riti Estacionamentos – Rua Monte Alegre, 835 – R$10,00 – 3167-7111

PROMOÇÃO: R$ 20 para grupos

Entre em contato: rkelmer(arroba)gmail.com
Venda seu espetáculo com Celia Terpins: 11-9129.1530


RK, o vendedor de teatro

Maio 19, 2009

teatroofingidor1Conheci Celia Terpins logo que cheguei em São Paulo, em out2006. Ela é professora numa escola na Chácara Santo Antonio, zona sul de São Paulo, e trabalha também vendendo peças de teatro pra escolas e empresas.

Logo ficamos amigos e ela, interessada por meu trabalho de palestrante, passou a incluir minhas palestras em seu catálogo de vendas, tornando-se minha agente. E eu, interessado em me aproximar do circuito artístico da cidade e precisando de grana pra me manter na cidade, passei a trabalhar com ela, ajudando-a na logística do negócio.teatrocyrano2

Recentemente ela me convidou pra ajudá-la na parte de vendas. Vendas?, eu pensei, coçando a cabeça, desconfiado de minha inaptidão pra coisa. Mas depois entendi que não custava tentar, né? Se eu vendo livros, festas malucas e até pen drives, por que não conseguiria vender teatro?

Então cá estou, em minha nova função: vendedor de teatro. Funciona assim: Celia fecha acordo diretamente com a produção dos espetáculos e nós oferecemos ingressos a preços especiais para grupos. Trabalharemos com espetáculos infantis e adultos. Usarei meu blog pra divulgar os espetáculos e os interessados podem entrar em contato diretamente pelo meu imeio rkelmer(arroba)gmail.com.

Iaí, vai um ingressinho aí? Aproveita que os preços são promocionais.

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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.wordpress.com